00:00O Ronaldo Antônio da Conceição Silva, de 36 anos de idade, veio correndo desesperado e ferido a faca, subindo essa
00:09ladeira.
00:09A vítima morava na Vila Feliz. Desesperado, chegou até a casa do seu Ronaldo, conseguiu pular este portão, que estava
00:18fechado, isso era por volta de uma hora da madrugada,
00:22e começou a bater desesperado aqui, pedindo ajuda. Seu Ronaldo chegou a ouvir os gritos de desespero, até acordou, foi
00:31à porta e perguntou o que ele queria,
00:34mas o homem não falava, apenas pedia ajuda. Assustado, achando que se tratasse de um assalto, de uma ação criminosa,
00:44ele resolveu não abrir a porta.
00:47O momento foi de desespero para o senhor.
00:50Só o susto que você tem, de manhã, de madrugada, o cara leva uma porrada na porta, é isso forte.
00:56Eu digo, eu não abro não.
00:58Mas eram as palavras que ele dizia?
01:00Me ajude, me ajude, me ajude. Eu disse, o que é que tu tem? Mas ele não conseguia dizer o
01:04que era, o que houve com ele. Eu fiquei com medo, né?
01:07Bastante ferido?
01:08É. Eu disse, quem é que vai abrir? Porque eu não tinha visto nada aí lá ainda, só vi ver
01:12quando ele estava falecido.
01:13Agora de manhã, quando a polícia chegou, outro dia, era seis e pouca da manhã, seis e meia, mais ou
01:18menos.
01:18Quando o corpo foi retirado?
01:19Quando o menino estava tirando ele.
01:21Aí, em seguida, senhor Arnaldo, o senhor foi dormir? Conseguiu dormir?
01:24Eu não gostei de uma hora, quem consegue dormir não, fica vendo aquele pesadinho.
01:29Depois que ele saiu da sua porta, bateu, bateu, como o senhor não atendeu, assustado, o senhor não atendeu, ele
01:35foi para a casa da vizinha?
01:36Aí foi, pulou, aí, vocês estão vendo essa telha aí. Pronto, pulou, aí foi bater lá. Bateu, bateu, e a
01:46mulher, acordaram o pessoal, claro, né?
01:48Viu o desespero, ela, assim, o SAMU e a polícia, avisando que tinha um caba esfaqueado, que ela percebeu quando
01:56ela acendeu a luz.
01:58Aí pronto, aí quando o SAMU chegou, não tinha mais jeito, estava em óbito.
02:03As cenas eram fortes?
02:04Eu só vi agora de manhã, quando ele estava coberto, só vi que quando o caba tirou o cobertor, né?
02:13Aquelas tripas lá de fora.
02:16Ele era conhecido aqui na região?
02:18Rapaz, não conhecia não, disse que era um pedreiro, era um pedreiro, né? Ronaldo, o tal de Ronaldo.
02:24Que morava na Vila Feliz?
02:26É, morava aí na Vila Feliz, mas eu nunca vi, não.
02:30Olha, a casa do seu Heraldo, ele bateu ali, aquela porta, bateu desesperado.
02:35Como o seu Heraldo, assustado, não atendeu, a vítima pulou, passou por essa brecha, tem sangue aqui, mostra aí, Josias
02:43Souza.
02:44Sangue na telha, a gente percebe aqui, muito sangue.
02:46Nessa telha de metal, também está manchada de sangue, ele conseguiu pular para a casa da vizinha.
02:52Na casa da vizinha, ele continuou batendo a porta, desesperado, pedindo ajuda, mas a mulher, assustada, também não atendeu.
03:01E a vítima caiu exatamente ali, naquele local.
03:05Olha, tem sangue onde a vítima caiu, justamente aqui, nesse local, caiu desesperada, pedindo ajuda.
03:15Só muito tempo depois, que as pessoas perceberam que o Ronaldo Antônio da Conceição Silva, de 36 anos de idade,
03:23que trabalhava como pedreiro, havia sido assassinado, estava esfaqueado.
03:28Samu ainda foi acionado, mas quando chegou, o Ronaldo já estava sem vida.
03:32Segundo informações de familiares do Ronaldo, ele costumava beber.
03:37Trabalhava como pedreiro, bebia bastante e quando bebia, se metia em algumas confusões.
03:42E possivelmente, teria sido isso que aconteceu.
03:46No IML, nós conversamos com o pai da vítima, que nos conta com mais detalhes.
03:52Era um filho que eu tinha, que era tudo para mim, trabalhador, respeitava.
03:57Gostava de trabalhar tanto de servente como de pedreiro, para ele tanto fazia.
04:02E na realidade, veio essa fatalidade, a fatalidade grande que aconteceu com o meu filho.
04:07O senhor acha, sr. Antônio, que foi alguma briga que o Ronaldo se envolveu?
04:11Eu não posso lhe informar, porque na realidade, por um horário que aconteceu,
04:18eu acho que ele devia estar em alguma bebedeira, porque o horário, vamos supor, por volta de uma hora da
04:23manhã.
04:24A informação que corre foi por volta de uma hora da manhã, uma e pouca da manhã.
04:30Estava correndo, mas que ele pulou o muro de uma casa, pulou da outra pedindo socorro.
04:34E lá mesmo, na segunda, que ele pulou, lá ele veio a óbito.
04:38Ele foi perseguido pelo assassino?
04:40Com certeza, com certeza isso.
04:42Já é duro o pai comentar isso, mas na realidade, são coisas da vida.
04:47Que hoje nós pedimos tanto, nós dá tanto conselho.
04:49Ele era de se meter em briga quando bebia?
04:52Ficava alterado? Como era?
04:53Ele não era de se meter em briga.
04:55Só tinha um negócio com ele. Se ele estivesse bebendo, ele não levava desaforo para cá.
05:01Com certeza houve algum tipo de coisa para acontecer.
05:04Essa fatalidade muito grande que aconteceu.
05:07Meu filho foi a óbito.
05:09E que Deus a tenha, que Deus a tenha.
05:13Só contemple para dizer.
05:14E esperar que a polícia chegue a quem fez isso com seu filho?
05:17Com certeza, com certeza, né?
05:19Chegue a quem fez isso com meu filho, para não ficar impune.
05:22Para não ficar impune, porque hoje é aquela velha história.
05:26Nós dizemos, nós aconselhamos.
05:28Rapaz, não é assim desse jeito, não é dessa maneira.
05:30Mas muitos poucos querem ouvir.
05:32Hoje o pai e a mãe, por isso que os pais hoje,
05:35os pais hoje estão enterrando mais os filhos,
05:37do que os filhos enterrando os pais.
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