00:00Enquanto gigantes da tecnologia correm para construir data centers cada vez maiores,
00:05mais vorazes em energia, tem uma startup australiana que tomou um caminho oposto.
00:12Em vez de reunir servidores de silício, ela está empilhando neurônios humanos vivos.
00:19É uma ideia meio mirabolante, mas a gente tentou explicar tudo certinho
00:23para você entender bem essa ideia que vem da Austrália.
00:28Acompanhe a reportagem.
00:33Modelos modernos de IA consomem gigawatts de eletricidade e milhões de litros de água para resfriamento.
00:40O cérebro humano, em contraste, opera com meros 20 watts
00:45e, ainda assim, é capaz de reconhecimento de padrões, aprendizado e tomada de decisões.
00:50É com base nessa diferença que a Cortical Labs inaugurou sua primeira unidade em Melbourne, na Austrália
00:58e já planeja uma instalação maior em Singapura.
01:02Os prédios, porém, não abrigam racks comuns de computadores.
01:06Em seus lugares estão os sistemas CL1, que são dispositivos do tamanho de uma bancada,
01:12que combinam cerca de 200 mil neurônios, derivados de células-tronco e cultivados diretamente
01:20sobre um chip de silício com uma complexa infraestrutura que mantém as células vivas, alimentadas e na temperatura certa.
01:29A ideia central é que os neurônios já são processadores de informação.
01:34No cérebro, eles se comunicam por impulsos elétricos, formando padrões que se reorganizam constantemente.
01:41Conexões se fortalecem ou enfraquecem conforme a experiência.
01:45É o que chamamos de aprendizado.
01:48A aposta da Cortical Labs é que sistemas neurais vivos possam lidar com certas cargas de trabalho
01:55de forma muito mais eficiente do que chips convencionais, especialmente em tarefas que envolvem dados esparços
02:02ou situações de incerteza.
02:04Apesar do entusiasmo, a tecnologia ainda está em fase embrionária.
02:09As instalações da Cortical Labs são minúsculas, se comparadas aos data centers da Amazon, Microsoft ou Google,
02:17que abrigam dezenas de milhares de servidores.
02:21Há também desafios técnicos enormes.
02:24Células vivas são mais complexas e frágeis do que transistores.
02:28Elas exigem ambiente controlado, nutrientes constantes e monitoramento contínuo.
02:35A vida útil das células também é um problema.
02:37Por hora, o projeto é uma tentativa de tirar a computação biológica do laboratório
02:43e colocá-la em uma estrutura que se pareça com a infraestrutura real.
02:48Se algum dia esses servidores vivos vão povoar data centers comerciais, ninguém sabe.
02:55Mas, no momento em que o custo energético da inteligência artificial dispara,
03:00a ideia de que poderíamos aprender com os 20 watts do nosso cérebro humano
03:05começa a fazer sentido, até mesmo para os mais céticos.
03:15Parece até coisa de ficção científica, mas não.
03:18É do mundo real e tem muito potencial.
03:20É do mundo real e tem muito potencial.
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