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Transcrição
00:00Mas Brasília, o governo pretende intensificar a articulação pela proposta que acaba com a jornada de trabalho 6x1.
00:06A matéria deve ser bandeira de campanha do presidente Lula no processo de reeleição.
00:11Assunto para o repórter Lucas Martins, chegando com as últimas informações e também os bastidores.
00:16Lucas, boa noite, bem-vindo.
00:21Oi Tiago, muito boa noite pra você, boa noite a todos que nos acompanham.
00:24Exatamente, olha só, depois que o debate da proposta do projeto de emenda à constituição da escala 6x1 voltou a ser debatido aqui no Congresso Nacional, especialmente no Senado Federal, na Comissão de Constituição e Justiça, o governo se manifestou em relação à aprovação, a defender a aprovação dessa proposta.
00:48Isso porque a ministra de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, falou que o presidente Lula vai apoiar a aprovação dessa proposta aqui no Congresso Nacional, já prevendo aí como um lema da campanha do presidente Lula para 2026.
01:07Mas o que acontece, essa proposta, por mais que seja uma proposta popular, tem algumas questões aí, isso porque alguns parlamentares pediram aí audiências públicas com setores, principalmente os setores envolvidos de comércio, enfim, vários setores com várias audiências públicas também, economistas, para falar sobre essa questão.
01:31O deputado Luiz Carlos Mota pediu na comissão de trabalho para que especialistas e também setores que estão envolvidos aí, que podem ser afetados, possam participar dessas audiências públicas para tratar sobre o tema, porque eles veem aí como um tema sensível.
01:51O presidente Lula também trabalha com uma tentativa de tornar a PEC um projeto de lei, isso porque facilitaria a aprovação.
02:01A PEC segue um rito aqui no Congresso Nacional que é mais rigoroso para aprovação, com três quintos de aprovação dos parlamentares para que a proposta ande no Congresso Nacional.
02:14Já o PL tem uma tramitação mais rápida dentro das comissões e também no plenário da casa, então ele tenta mudar aí de PEC para PL, tudo isso ainda está sendo tratado nos bastidores.
02:28E também tem repercussões dos setores em relação a essa proposta que eles veem como um tema bastante sensível.
02:35A CNI falou que em alguns países, como a Europa, a escala 6x1 já funciona, mas eles têm um regimento de trabalho muito diferente com questões tecnológicas, entre outros fatores.
02:49Já a CNI, que é a Confederação Nacional da Indústria, para deixar claro para a nossa audiência, já a Confederação Nacional do Comércio, também se manifestou e diz que acompanha a discussão aqui no Congresso Nacional
03:02para um texto que seja de acordo, em um acordo coletivo, então que seja bom tanto para o empregador como para o empregado.
03:11Então é um tema que está sendo debatido, a gente está tentando os parlamentares, conversar com os parlamentares para entender sobre essa articulação no Congresso,
03:21sobre essa proposta, mas já tem a manifestação aí do governo que é favorável à aprovação desse projeto. Volto com você, Tiago.
03:30Claro, o governo defende essa discussão e é saber se algum ponto desse debate ainda tem espaço para esse ano ou vai ficar para o ano eleitoral.
03:40Lucas Martins, até daqui a pouquinho, vou chamar os nossos comentaristas. Começo agora pelo Nelson Kobayashi.
03:47O nosso repórter falou, o Lucas falou, que há uma dúvida dos parlamentares, se pode ser PEC ou simplesmente um projeto de lei.
03:54A Constituição, para ser alterada, para mudar esse tipo de jornada, precisa ser via PEC ou não necessariamente, Kobayashi?
04:02É um detalhe muito importante se isso for via PEC, Tiago, porque se isso for por uma emenda à Constituição,
04:09isso entra no rol dos direitos sociais da Constituição e isso se torna cláusula pétrea.
04:14Significa que, a partir do momento em que se proibir a escala 6x1, nunca mais isso pode voltar atrás.
04:21Não tem como fazer outra PEC para voltar à escala 6x1, o que pode ser muito perigoso,
04:26porque não se sabe exatamente quais seriam os impactos econômicos disso,
04:31os impactos disso na economia, no setor produtivo, enfim.
04:33Talvez a conversão da PEC em projeto de lei possa dar, pelo menos, essa segurança de se fazer um período de testes,
04:42de se colocar na prática e, eventualmente, se isso não for do agrado do setor produtivo, da economia, enfim,
04:49da sociedade de modo geral, que isso possa ser revertido por lei posterior, que revoga a lei anterior,
04:54sem a necessidade de se tornar uma cláusula pétrea.
04:57Bom, Dora, clima político para um debate ainda nesse ano.
05:01Tem, não tem, fica para o ano que vem, ou só a bandeira de campanha do presidente Lula, de 2026 para 2027?
05:10Na mosca, Tiago, é bandeira de campanha.
05:12Não precisa, não tem dinheiro para isso.
05:15É equiparado com essa proposta.
05:17Já viram que está circulando tarifa zero para todo mundo, no transporte público, no país todo.
05:23Ora, bolas, meu Deus, não tem dinheiro para ir na esquina, vai ter dinheiro para fazer tarifa zero para todo mundo
05:29e fazer o setor produtivo aceitar, por mais justa que possa ser, não é algo que seja fatível,
05:37principalmente nesse cenário de dificuldades.
05:40A gente acabou de falar das dificuldades orçamentárias, né?
05:45Mas agora, isso em cima do palanque, como uma bandeira, o governo dizendo que quer,
05:51mas, meu Deus, o Congresso não me dá, que horror, que pena, é uma beleza, porque funciona.
05:58E também é do jogo, né?
06:00Eu acho mais do jogo, quem quiser ser engambelado que se engambele, o governo falar as coisas,
06:08do que, por exemplo, o uso da máquina que tem sido feito, assim, descaradamente, para a campanha eleitoral.
06:15Porque é do jogo, o governo joga com as armas dele, aí a gente volta no assunto anterior.
06:21Não pode querer impedir a oposição de jogar com as armas dela.
06:26É assim que se faz neste regime de liberdades, de legalidade, que se chama democracia.
06:35E, meu caro Cristiano Vilela, além dessa discussão que a gente fala sobre a jornada de trabalho,
06:42a Dora lembrou dessa história de tarifa zero, eu lembro aqui em São Paulo,
06:46a Luísa Erundina, que governou a cidade de 89 a 92, ela propôs isso lá atrás.
06:53Ou seja, não é um assunto novo.
06:55Na eleição do ano passado, para a Prefeitura, teve essa discussão de novo.
06:59O problema é quem paga a conta, não é, Vilela?
07:01Seria ótimo ninguém pagar o transporte público?
07:05Exatamente, Tiago.
07:06Seria uma maravilha ninguém pagar o transporte de ônibus,
07:08ninguém pagar o transporte de avião, ninguém pagar nada.
07:11Seria excelente.
07:13Quem quer dinheiro?
07:14Usando a famosa frase de Silvio Santos.
07:17Claro, todo mundo quer, todo mundo quer poder.
07:19E é justo socialmente, sem dúvida, especialmente as pessoas mais pobres,
07:24possam ter a possibilidade de se deslocar.
07:26Agora, os recursos financeiros não são infinitos.
07:30Eles são finitos.
07:31Os recursos do município, dos estados, do governo federal,
07:35são recursos finitos.
07:36E no caso do governo federal, o país está vivendo uma crise financeira gigantesca.
07:42E tem determinadas propostas que são feitas com uma absoluta falta de senso,
07:48falta de responsabilidade.
07:49São viáveis eleitoralmente, mas são absolutamente inviáveis no papel.
07:54E com isso, mais uma vez, a gente tem aquela situação
07:57onde o governo se comporta como oposição.
08:01Cria, tira determinados coelhos da cartola,
08:04propostas mirabolantes e maravilhosas,
08:07e depois bota a culpa no Congresso que não deixou,
08:10bota a culpa no presidente do Banco Central,
08:13bota a culpa em quem é que for.
08:14E o governo, que em tese deveria ser o adulto
08:18a encampar as medidas racionais, sérias e concretas,
08:21acaba criando um papel, vestindo um figurino de oposição.

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