- há 5 meses
Testemunho
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AprendizadoTranscrição
00:00Segunda-feira nós fizemos uma live sobre falsos profetas, ou melhor, sobre confiar em todos os profetas,
00:11confiar sem confirmação, porque tem muito profeta que é assim, né?
00:16Ele gosta que você confia nele, não é em Deus, não é nele.
00:20Se você duvidar dele, então ele acha que você já tem que ir para uma cama, tem que morrer,
00:25e não é bem assim que a palavra de Deus ensina, a Bíblia manda provar os espíritos, para saber se
00:31os espíritos são de Deus,
00:33porque existe muita gente presunçosa que pensa que está com a palavra de Deus,
00:38mas a palavra de Deus não está com alguém, está com o Espírito Santo, e para quem o Espírito Santo
00:45conceder a palavra, não é?
00:48Então nós temos que ter a mente aberta para isso,
00:52E hoje nós queremos falar sobre o testemunho, eu tenho permitido que eu vou trazer para os irmãos um testemunho,
01:00porque aconteceu comigo em 2006, e Deus tem um plano, irmão,
01:06Deus sempre tem um plano, e tem alguma coisa para fazer, e nada pode impedir o agir de Deus.
01:14Nós não entendemos todas as coisas que acontecem, porque Deus permite que aconteça alguma coisa,
01:23mas eu aprendi a confiar no Senhor, eu aprendi que é sempre melhor confiar no Senhor,
01:30em meio às dores, ao sofrimento, ao angústia e ao desespero, nós aprendemos a confiar no Senhor.
01:37Tem coisas que nos acontecem que se você parar para refletir, você fala,
01:41meu Deus, mas eu não mereço passar por isso, mas eu sabe porque você está passando por isso.
01:47É por isso que o apóstolo Paulo escreve aos Romanos, no capítulo 8, versículo 28, dizendo,
01:55Todas as coisas contribuem para o bem daqueles que amam a Deus,
02:00daqueles que são chamados por seu decreto.
02:03Porque uma coisa, irmão, é você ser chamado pelo Evangelho.
02:07O Evangelho é pregado para todo mundo, e o mundo inteiro é chamado por Deus.
02:12Mas alguns são chamados pelo decreto de Deus.
02:15E a prova é que muitos não atendem ao chamado de Deus.
02:19A palavra está sendo pregada, está sendo anunciada,
02:23anuncia-se o arrependimento, anuncia-se o perdão dos pecados,
02:27anuncia-se o arrebatamento da igreja,
02:30mas muitas pessoas nem dão crédito, nem dão ouvido a essa palavra.
02:37Mas quando Deus chama alguém por seu decreto,
02:39esse é meu, esse eu quero,
02:42ai dele se dificultar as coisas para Deus.
02:44É como eu sempre falo para minha filha Diana,
02:47porque ela foi chamada,
02:49aliás, foi anunciado para mim que ela seria chamada por Deus,
02:52que ela era escolhida,
02:53quando ela tinha 4 anos de idade.
02:56E se ela dificulta as coisas para Deus,
02:59ela vai sofrer.
03:01É como você tentar parar uma locomotiva,
03:03entre na frente e tenta parar para ver o que acontece.
03:06Ela vai te arrebentar.
03:08Não se brinque com Deus, não se desafie a Deus.
03:11Irmão, Deus tem uma obra para fazer,
03:13deixa Deus fazer o que Ele tem que fazer.
03:15Não tenta ficar na frente,
03:17não tenta impedir,
03:18porque toda pessoa que tentou impedir,
03:20se arrebentou.
03:22Cuidado com isso.
03:24Mas se são chamados pelo decreto de Deus,
03:27atenda, entenda e atenda,
03:29que você evita sofrimento na sua vida.
03:33Assim aconteceu,
03:36quando,
03:39no auge da minha vida,
03:42eu perdi meu irmão.
03:43Não foi só o fato de ele ter deixado esse mundo,
03:46porque o inimigo tentava tirar a vida dele há muito tempo,
03:50mas não conseguia.
03:52Deus tinha um plano e ninguém atrapalha o plano de Deus.
03:55E aí aconteceu de uma forma tão violenta que eu fiquei perdido,
04:00eu perdi o rumo, não sabia o que fazer.
04:03O que aconteceu exatamente?
04:05Dorival foi um menino diferente de todos os demais.
04:08Desde pequeno.
04:10O menino arteiro,
04:12o menino agitado,
04:13fazia muita coisa.
04:15Ele andava a cavalo,
04:17ele pegava uma bicicleta e saia andando.
04:21Muito agitado, muito arteiro,
04:23apanhava muito do meu pai.
04:25Mas ele não parava de fazer as travessuras dele.
04:29Alguma coisa impulsionava ele.
04:33Eu admirava ele,
04:34porque eu era o contrário,
04:36eu era pacato,
04:37eu era sossegado,
04:38eu era tranquilo,
04:40eu sempre ficava no meu cantinho.
04:42Eu ficava sempre lá no meu cantinho,
04:44vendo meus irmãos mais velhos aprontar,
04:46porque o Joaquim também não era coisa leve não, sabe?
04:48O Joaquim era o mais velho.
04:50Dorival era o segundo.
04:53Eu via eles aprontarem,
04:55eu via eles apanhando do meu pai,
04:57e eu ficava na minha.
04:58Eu que não vou nessa,
04:59de maneira nenhuma, né?
05:01De maneira nenhuma.
05:03Eu ficava no meu cantinho lá,
05:05e assim eu cresci,
05:07e aprendi a sempre ficar no meu canto.
05:10Eu já até falei aqui,
05:11eu vou repetir,
05:12quando eu tinha 10 anos de idade,
05:13eu tinha uma professora
05:15que me dava um tapa na cara
05:16todo dia de manhã,
05:18porque eu tinha letra feia.
05:19Mas eu já tinha entendido
05:21que a gente tem que se calar,
05:22que a gente tem que ficar quietinho,
05:24que a gente não pode reagir,
05:25porque reagir é pior, né?
05:28Então,
05:29eu fiquei no meu cantinho,
05:30sempre quietinho,
05:31cresci assim,
05:32e Deus me ensinou a ser desse jeito.
05:35Eu tento ser assim até hoje,
05:37faço de tudo
05:38para não entrar numa briga.
05:40E depois que eu entrar também,
05:41eu faço de tudo para não sair, né?
05:43Mas Deus sabe de tudo.
05:44Ele me conhece,
05:46Ele me ama assim,
05:47do jeito que eu sou,
05:48e eu sou grato a Ele
05:49por esse amor,
05:50que eu nunca vou saber definir.
05:53Mas o Dorival cresceu dessa forma,
05:56e quando nós mudamos para a cidade,
05:59eu tinha oito anos de idade,
06:01portanto, ele já tinha onze.
06:04Foi ele, o Joaquim,
06:05vender sorvete na rua,
06:06com uma caixa de isopor.
06:09Naquele tempo,
06:09só pegava carrinho de sorvete,
06:11o menino que já estava traquejado,
06:13os novatos pegavam a caixa.
06:14Então, pendurava no pescoço
06:17o menino de onze anos
06:18na rua vendendo sorvete
06:20para ajudar a família.
06:22Sempre foi muita família.
06:25Passava em casa,
06:26às vezes dava sorvete para a gente,
06:27os mais novos,
06:28que depois ia descontado
06:29o dinheiro que eles ganhavam.
06:31E o dinheiro que eles ganhavam também
06:32não ficava com eles,
06:33ia para o meu pai,
06:34porque o meu pai se apossava de tudo.
06:36Era para o sistema,
06:37nós não podemos nem reclamar do sistema.
06:39Nós fomos criados nesse sistema.
06:41Depois que as coisas foram mudando, né?
06:43E ainda bem que as pessoas entenderam
06:45que assim não funcionava.
06:47Mas era assim.
06:48O filho trabalhava
06:49e dava o dinheiro para o pai.
06:50Até depois de casado,
06:52o filho não ficava com dinheiro.
06:55Mas o tempo passou.
06:57Nós fomos para São Carlos.
06:59Em São Carlos,
06:59ele foi trabalhar numa fábrica.
07:01Acho que era uma fábrica de calçado.
07:03Não sei, ele, o Joaquim.
07:05E os mais novos só iam para a escola.
07:08Aí nós voltamos de São Carlos
07:10no ano de 69.
07:13E ele foi com o Joaquim,
07:15mais o meu pai e a minha mãe
07:16para a roça,
07:17apanhar laranja.
07:18Saí 5 horas da manhã.
07:20Um frio que só Deus sabe
07:21como fazia frio naquela época.
07:24Chovendo.
07:25Chovia muito no tempo do frio.
07:26E eles iam.
07:28Sem agasalho nenhum.
07:29Só enrolado no plástico
07:30para a roça,
07:31apanhar laranja.
07:32O dia inteiro empanhando laranja.
07:34Era apenas uma criança,
07:36um pré-adolescente.
07:38Trabalhou muito,
07:39sofreu muito,
07:40coitado meu irmão.
07:43Mas foi amadurecendo,
07:45porque o trabalho amadurece as pessoas.
07:48Ele foi amadurecendo.
07:50E quando eu tinha mais ou menos 15 anos de idade,
07:55eu me lembro que
07:58ele apareceu em casa com o violão
08:02e começou a cantar um louvor
08:05que tocava muito na igreja católica
08:07e que era um inevangélico, né?
08:10Glória, glória, aleluia.
08:12Vencendo vem Jesus.
08:14E foi ali que eu conheci esse louvor.
08:16Mas eu escutava tocar isso lá
08:17no alto-falante da igreja Batista.
08:19Naquele tempo,
08:20todas as igrejas,
08:22quase todas as igrejas tinham alto-falante.
08:24E aí o que aconteceu ali,
08:29cada um seguiu um rumo diferente.
08:31O Joaquim tomou um rumo,
08:32o Dorival tomou outro rumo.
08:34Minha irmã casou logo.
08:36E eu,
08:37depois dos 15 anos,
08:38não vi mais a vida passar.
08:41E um dia me casei também,
08:44quando eu tinha 21 anos de idade.
08:46e depois o meu irmão mais novo,
08:50o Armezindo,
08:50ele foi embora com uma turma aí
08:52porque era difícil conviver com meu pai.
08:54Meu pai sempre foi uma pessoa
08:55muito difícil de lidar.
08:57E a única pessoa que rodeava muito ele
08:59era o Joaquim e o Dorival.
09:01Mas é assim.
09:03E nós não tínhamos amizade
09:04porque a nossa família
09:06não ensinou a gente
09:07a ser uma família unida.
09:09Pelo contrário,
09:10meu pai vivia falando mal
09:11de um filho para outro,
09:12jogando um contra o outro.
09:14E assim a gente
09:16não tinha união nenhuma.
09:18Um ficava sempre de olho no outro.
09:20Pensa,
09:20nossa,
09:20o que ele está fazendo?
09:21O que ele está fazendo?
09:22Tudo para conseguir
09:23a atenção do meu pai.
09:25Só o Senhor pode mudar isso.
09:28Então nós crescemos assim
09:30sem ter essa união,
09:34esse amor familiar
09:35que a gente deveria ter
09:36porque o meu pai
09:37sempre foi muito dengoso,
09:39sempre queria muita atenção para ele.
09:41Não se importava
09:43de jogar um filho contra o outro.
09:44eu acho que ele nem tinha noção
09:46do mal que ele fazia
09:47quando fazia isso.
09:49E nós crescemos assim,
09:50cada um por si,
09:51cada um na sua.
09:53Logo depois que casou,
09:54o Dorival tirou carta
09:55de motorista,
09:56saiu da roça,
09:57foi dirigir caminhão.
09:58Primeiro sofreu bastante,
10:00muito.
10:00Foi para Campinas,
10:01trabalhando em uma fábrica
10:02de freio.
10:04E depois que voltou,
10:05então ele conseguiu
10:05ser caminhoneiro.
10:06O Joaquim
10:07quis ser pedreiro.
10:08o Hermesinho do mais novo,
10:10ele foi trabalhar
10:12na construção da MB,
10:13aprendeu o ofício
10:14de carpinteiro
10:15e seguiu pelo mundo.
10:17E eu fiquei na roça,
10:18eu não tinha para onde ir.
10:19Eu tirei carta de motorista,
10:20ninguém quis me dar caminhão,
10:22acho que o povo pensava
10:23que era doido,
10:24talvez fosse mesmo,
10:25eu não sei.
10:25Mas não quiseram confiar,
10:27então eu continuei na roça.
10:29Depois que eu tirei carta,
10:30eu fiquei mais sete anos
10:31na roça.
10:32Eu fui o único
10:33dos meus irmãos
10:35que quis estudar,
10:35mas mesmo assim
10:36chegou num ponto
10:37que não deu.
10:38O próprio professor
10:39de matemática
10:39me desanimou,
10:40falou,
10:40não adianta você vir mais,
10:41você vai reprovar,
10:42você já perdeu tempo.
10:43Olha cada tipo
10:44de professor,
10:46olha cada tipo
10:47de professor,
10:48que fracasso
10:49de professor é esse,
10:50que ao invés
10:51de incentivar,
10:52desanima o aluno.
10:53Então desanimei
10:54da escola,
10:56depois eu quis fazer
10:56um curso
10:57por correspondência,
10:58não deu certo,
10:58era muito difícil,
11:00tentei outra coisa,
11:01não deu certo.
11:02Um amigo meu
11:03que trabalhava
11:03com certo de televisão
11:04com eletrônica,
11:05me convidou
11:06para trabalhar
11:07com ele,
11:07mas não deu certo,
11:09eu tive que voltar
11:09para a roça,
11:10enfim,
11:11eu era um fracassado.
11:15O tempo passou,
11:17no ano de 83,
11:18aceitei Jesus,
11:21minha família
11:21todinha se revoltou
11:23comigo.
11:23Meu pai,
11:24eu morava no fundo
11:25da casa dele
11:25porque eu trabalhava
11:26na usina
11:28e ganhava
11:29pouco mais
11:29de um salário mínimo,
11:30não tinha condição
11:31de pagar aluguel.
11:33Meu pai disse para mim,
11:33não quero protestante,
11:34eu não vou da minha casa,
11:35pode caçar,
11:36não pode sumir,
11:37cata o que é teu
11:37e some.
11:39E meus irmãos,
11:40tudo brigou comigo
11:40por causa da minha fé,
11:43menos o Dorival,
11:44que sempre ficou na dele.
11:46E aí aconteceu,
11:48como eu contei,
11:49segunda-feira,
11:50a respeito da evangelização dele,
11:53eu tinha medo de falar com ele,
11:55escandalizar,
11:55então pedi para o Senhor,
11:57manda alguém,
11:58eu orava,
11:58eu falava,
11:58Senhor,
11:59manda alguém evangelizar
12:00o meu irmão Dorival.
12:02E eu saí da Barra do Agudo
12:04no ano de 85,
12:06fui trabalhar na Roça,
12:07em 86,
12:08entrei na Carvalho,
12:09que construí a estrada,
12:10vicinal Terra Rocha,
12:11Viradouro,
12:13e depois saí dali,
12:14trabalhei mais três meses
12:15na Roça,
12:15e aí arrumei emprego na Frutesp,
12:17uma firma muito boa,
12:19emprego muito bom,
12:20e foi aí que eu reencontrei
12:22o meu irmão Dorival,
12:23mas ele já estava evangelizado.
12:26Naqueles dias,
12:28aconteceu uma coisa sinistra,
12:30ele se afogou ali na cachoeira
12:32de São Bartolomeu,
12:33no Rio Pardo,
12:34e só escapou das águas,
12:36porque o anjo do Senhor
12:37foi buscar lá no fundo da água,
12:40senão ele teria morrido ali,
12:41morrido sem salvação.
12:43Mas o Senhor foi misericordioso,
12:45e não permitiu que acontecesse isso.
12:48E salvou ele,
12:49porque tinha um propósito
12:51na vida dele também.
12:52Quando eu consegui convidar
12:54meu irmão Dorival
12:55para ir na igreja,
12:56ele já estava evangelizado.
12:58Foi uma bênção.
12:58Ele foi para a igreja,
12:59deixou o cigarro,
13:00deixou a bebida,
13:01deixou tudo que não presta,
13:03e se tornou meu amigo.
13:06E a gente fazia visita juntos,
13:08ia evangelizar juntos,
13:10aquela parceria,
13:11aquela amizade,
13:12aquela cumplicidade maravilhosa.
13:15E depois eu fiquei sabendo
13:16que a minha mãe falava
13:17do meu pai,
13:18e meu pai via a gente
13:19passando na rua,
13:20e falava,
13:21olha aqueles dois juntos ali,
13:22como é que surgiu
13:23essa amizade aí,
13:24eles nunca foram tão próximos,
13:26nunca foram amigos assim,
13:27o que está acontecendo
13:28nessa igreja?
13:29E meu pai não aceitava,
13:31porque ele me expulsou de casa
13:32por eu ter me convertido.
13:34e quando o meu irmão Dorival
13:36falou que ia se batizar,
13:37meu pai falou,
13:38eu perdi mais um filho,
13:40eu já tinha perdido um,
13:40agora eu perdi dois.
13:42Só que quanto mais o meu pai
13:44desprezava o Dorival,
13:45mais ele se aproximava do velho.
13:48Eu não era assim,
13:49eu sou um tipo de pessoa ofendida,
13:51me magoou,
13:52eu estou de longe,
13:53mas o Dorival não,
13:54é ganhador de alma.
13:56Começou a ir mais vezes
13:57na casa do meu pai,
13:58começou a falar para ele
13:59que queria fazer um culto lá e tal,
14:01e o tempo foi passando.
14:03E eu continuei orando
14:05pela minha família,
14:05fiz um voto ao Senhor
14:08para ver meu pai e minha mãe
14:09serem batizados.
14:11E eu vi.
14:13Porque a fidelidade de Deus
14:15nunca se acaba, irmão.
14:17Se você confia que Deus
14:19tem uma obra para fazer,
14:20você ora confiando,
14:22o Senhor vai fazer essa obra
14:24na tua vida.
14:25Ele vai trazer quem você pedir de volta,
14:28se a pessoa se afastou.
14:29Se não, ele pode trazer também
14:31é o decreto de Deus.
14:33Um é chamado pelo evangelismo,
14:35outro é chamado pelo decreto de Deus,
14:37como diz Romano,
14:38capítulo 8, versículo 28.
14:40Na última parte,
14:42aqueles que são chamados
14:43por seu decreto.
14:45Deus decreta,
14:45eu quero esse aí, acabou.
14:47Quem pode resistir à sua vontade?
14:49Mas depende de você, irmão.
14:51Depende da sua oração,
14:52depende da sua fidelidade com Deus.
14:55E aí,
14:57trabalhávamos juntos na evangelização,
14:59no ano de 89,
15:02eu, meu irmão,
15:03e mais uma turminha
15:04que nós selecionamos na igreja,
15:06não tinha pastor,
15:07nós fomos evangelizar.
15:09Toda quarta e toda sexta
15:11a gente fazia culto na praça.
15:13Na quarta era na pracinha,
15:14em frente à casa do meu irmão Dorival,
15:16e na sexta,
15:17lá do outro lado da cidade,
15:18varremos a cidade com o evangelho,
15:21cruzamos a cidade com o fogo de Deus.
15:23E muitas almas vieram para Jesus naquele ano.
15:27Quando chegou o próximo pastor na igreja,
15:29não vou nem mencionar o nome dele,
15:31a igreja tinha já uns 200 membros.
15:35E foi dessa forma
15:38que a gente foi se aproximando cada vez mais,
15:42aí aconteceu muita coisa,
15:44sempre fui muito perseguido pelo ministério.
15:47Deus sabe de tudo,
15:48Deus tem um propósito para tudo,
15:50se Ele permitiu,
15:50porque com certeza
15:52isso é o melhor que poderia acontecer.
15:55Eu não vou questionar
15:56o método que o meu Senhor usa
15:58para fazer a obra dEle.
16:01Mas aí,
16:04depois de tantas desavenças,
16:06tanta dificuldade,
16:08Dorival tinha comprado um caminhão,
16:10não deu certo,
16:11e ele arranjou um trabalho em Cajuru,
16:15onde mora minha cunhada até hoje,
16:17o Denilson,
16:19e ele disse para mim,
16:20eu vou para lá,
16:21eu vou abrir um trabalho lá,
16:23Deus vai abençoar,
16:24e eu fui com Ele no dia da mudança,
16:27eu fiquei vendo aquilo,
16:29e que vontade de ir junto com Ele,
16:31puxa,
16:32eu sabia lá no íntimo
16:34que eu estava perdendo um companheiro,
16:36um parceiro,
16:37que eu possivelmente não encontraria mais.
16:40Eu não pude ir,
16:41eu não fui,
16:42eu não tinha como,
16:43eu estava desempregado,
16:44ele também,
16:45e a gente não tinha como manter
16:46as famílias da gente,
16:47eu estava procurando alguma coisa
16:49para fazer,
16:50Deus estava amadurecendo
16:51a obra que Ele ia fazer na minha vida,
16:53e eu estava aguardando.
16:57E lá em Cajuru,
16:59Dorival,
16:59ele assumiu esse trabalho,
17:02ele ia fazer culto na cadeia,
17:04ele ia para as praças,
17:05entregar folhetos,
17:06convidar as pessoas para ir no culto de noite,
17:08fez um trabalho de evangelismo pioneiro,
17:11maravilhoso,
17:11lá em Cajuru.
17:14Mas, infelizmente,
17:17todos os homens de Deus
17:18são perseguidos.
17:20Eu não tenho certeza
17:22se é em 1 Timóteo, capítulo 3,
17:24versículo 12,
17:26que Paulo diz assim,
17:28todo aquele que quiser seguir
17:30piamente a Cristo Jesus
17:33padecerá perseguições.
17:35Então, quando não deu certo,
17:37quando ele ficou desamparado
17:38no ministério onde ele estava,
17:40ele foi para outra igreja.
17:43O pastor prometeu
17:44muito apoio para ele,
17:46conhecia o trabalho dele,
17:47sabia que ele era um grande evangelista,
17:50inclusive ele chegou a receber
17:51o título de cidadão cajuruense
17:53por causa do trabalho
17:54que ele fazia no presídio,
17:56e o trabalho de assistente social.
17:58E os vereadores resolveram
18:00dar a ele
18:01o título de cidadão cajuruense.
18:03Olha que glória, né?
18:05Quando muitas vezes a igreja
18:07não reconhece,
18:08quando pastores te perseguem,
18:10não reconhecem,
18:11te desamparam,
18:13Deus levanta pessoas no mundo
18:14para honrar o servo de Deus.
18:15Ele foi honrado.
18:17No livro, tem uma foto,
18:19no livro que eu escrevi,
18:20tem uma foto com ele recebendo
18:21o certificado de cidadão cajuruense,
18:26cidadão honorário, né?
18:28Então, e ele fez esse trabalho todo,
18:32mas, infelizmente,
18:33sempre tinham aquelas pessoas
18:35que gostam de falar mal,
18:37que gostam de perseguir,
18:38que quer ser melhor que os outros,
18:41muito perseguidos.
18:43Mas é isso que acontece, irmão.
18:45Não espera você ser honrado
18:47num mundo que crucificou o teu Senhor.
18:50Não espera.
18:51E muitas vezes a perseguição
18:52vem de dentro da igreja,
18:54um lugar onde não poderia ter,
18:55onde nós esperamos amor,
18:57onde nós queremos apoio,
18:58onde nós queremos amparo,
19:01é onde nós mais somos perseguidos
19:04e caluniados.
19:06E ele foi muito caluniado
19:07o tempo todo,
19:08porque ele sempre foi
19:10um verdadeiro cavalheiro,
19:12gentil, educado.
19:13É um lado do meu irmão
19:15que eu sempre admirei.
19:16Era muito polido,
19:17era muito educado,
19:19muito gentil.
19:20E algumas pessoas
19:21estão tão acostumadas
19:23a ser maltratadas
19:24que quando é bem tratada
19:26já desconfia dos outros,
19:27fala, nossa,
19:28esse cara está com segundas intenções,
19:30e tem mulher que merece ser maltratada,
19:33porque se você tratá-la bem,
19:34ela acha que você está
19:35com segundas intenções.
19:37É desse jeitinho aí,
19:38não é machismo não,
19:39é a verdade.
19:41Tem que tratar mal,
19:42porque se tratar com gentileza,
19:43já acha que você tem
19:44segundas intenções.
19:45E começaram a falar mal dele,
19:47porque ele era muito gentil
19:48com todo mundo e tal.
19:50Quer dizer,
19:50você não tem como agradar,
19:51né?
19:51Se você é grosso,
19:54se é educação,
19:55onde já se viu um obreiro desse jeito,
19:56se você é gentil,
19:57se você é educado,
19:58se você é amável com as pessoas,
20:00é porque você tem segundas intenções,
20:02é porque você é malicioso.
20:04Mas eu costumo dizer
20:05que as pessoas maliciam dos outros
20:07por causa da malícia que tem nelas.
20:09É a maldade delas
20:10que leva elas a pensar mal dos outros.
20:14E eu não sei nome,
20:16não quero saber,
20:17está no passado,
20:18Deus vai cobrar.
20:20Pessoas que falaram mal dele,
20:22e talvez até tenha abalado
20:24a confiança do pastor
20:26da igreja onde ele estava,
20:28porque começou a tratar ele diferente.
20:31E quando ele viu
20:32que não tinha jeito ali,
20:33não tinha amparo,
20:34não tinha apoio nenhum de ninguém,
20:36as pessoas prometem tudo
20:38e não fazem nada.
20:40Então ele foi trabalhar
20:41como motorista de ônibus.
20:43O tempo que sobrava,
20:44ele ia para a igreja,
20:46ele ia servir a Deus,
20:48mas ele tinha que cuidar
20:48da família dele.
20:49E foi.
20:50E eu apoiei.
20:52Lógico,
20:53tem que trabalhar mesmo.
20:56Mas aí o que aconteceu?
20:59Nesse trajeto que ele fazia,
21:01tinha um itinerário que ele fazia,
21:03tinha uma professora.
21:04E o meu irmão Dorival,
21:06ele viu que eu fui estudar,
21:08fui fazer supletivo,
21:09Deus abençoou,
21:10eu prosperei,
21:11eu fiz o ensino médio,
21:13eu fiz faculdade,
21:14eu aprendi informática,
21:15eu aprendi tanta coisa,
21:16eu melhorei muito nesse campo.
21:19E ele foi estudar,
21:19foi fazer supletivo também.
21:21Aí ele encontrou uma professora,
21:23e, nossa,
21:23quando soube que era professora,
21:24eu quis fazer amizade com ela, né?
21:26Ai, a senhora é professora e tal,
21:28eu estou fazendo um curso supletivo
21:29assim, assim, assim.
21:31Maravilha.
21:34Desenvolveu-se uma boa amizade
21:35entre os dois.
21:36E eu não vejo maldade nisso também.
21:38Eu dei aula em Hortolândia,
21:40no supletivo,
21:41e tem tantas pessoas de Hortolândia
21:43que ainda tem amizade comigo até hoje,
21:45lá do supletivo.
21:46E tem os do ensino regular também.
21:49Inclusive a Josi,
21:51que está aí,
21:52como nosso assistente,
21:53foi minha aluna,
21:54sempre foi uma moça muito delicada também,
21:57muito educada,
21:57muito gentil.
21:58Tem muita lembrança boa dela.
22:00E a Ariane,
22:01Ariane Albuquerque,
22:03que entrou em contato comigo em janeiro
22:05dizendo que
22:06ela quer vir me ver,
22:08ela está com saudade.
22:09Dei aula para ela no sétimo ano,
22:10aula de leitura,
22:11duas aulas por semana,
22:13mas marcou a vida dela,
22:14queria vir me ver.
22:15Então eu disse para ela que viesse
22:16quando eu fosse fazer o lançamento
22:19do meu próximo livro,
22:20que deve ser em agosto
22:21ou talvez em setembro.
22:22E ela concordou, né?
22:25Não sei se ela está online agora,
22:26se está vendo essa live.
22:28Se estiver vendo, Ariane,
22:29um abraço.
22:30Muito obrigado pelas lembranças,
22:32está bom?
22:32E tem esse relacionamento
22:34que a gente tem com aluno,
22:35com professor.
22:36Também tenho muito bom relacionamento
22:38com meus professores dos coletivos.
22:40Tenho um carinho enorme por eles.
22:41Vão ser convidados
22:42para ir para o lançamento do livro também.
22:43Inclusive a Fátima Munhoz,
22:45não sei se ela está online,
22:46está no meu Facebook,
22:47se estiver.
22:47Um abraço aí também,
22:48Fátima.
22:49Devo muito a você,
22:50abaixo de Deus,
22:52que tudo nós devemos a Ele.
22:53Abaixo dEle,
22:54que usou você também
22:55para me ajudar a chegar
22:56até onde eu cheguei.
22:59Mas é assim.
23:01E essa amizade que brotou entre eles
23:03trouxe mais intriga.
23:05Pessoas que viviam...
23:06Olha lá, você viu?
23:07Olha ali, você viu?
23:08Você pode ver muito isso
23:09nas igrejas hoje.
23:10Pessoas que não têm o que fazer,
23:11pessoas que não se ocupam
23:12na obra de Deus,
23:13que ficam...
23:13Olha lá o fulano,
23:14olha lá a fulana,
23:15olha os dois juntos,
23:16olha lá, estão conversando.
23:19O sangue de Jesus tem poder
23:21para secar essas línguas malditas
23:24que só sabem trazer destruição
23:26e maldade,
23:27mas nada.
23:29E aí,
23:31eu fui um dia para...
23:35Campinas.
23:35Eu tinha lançado
23:36o meu primeiro livro,
23:38eu ia lançar o segundo,
23:39estava em busca da editora,
23:40editora que fez o meu primeiro livro,
23:42era de Campinas.
23:43Eu não conhecia Campinas,
23:45mas sempre fui muito aventureiro,
23:46sempre fui meio louco.
23:47Deus que me guardou a vida toda, né?
23:49Porque saia assim,
23:50sem rumo,
23:50eu vou para outro lugar,
23:51pegava o ônibus,
23:52e eu fui para Campinas.
23:53Só que eu ia de manhã
23:55e não deu certo, né?
23:57Eu trabalhava com informática aqui,
23:59os computadores aqui
24:00onde eu trabalhava
24:01estavam com problema
24:02e o meu parceiro pediu ajuda,
24:04fiquei ajudando ele
24:05para formatar os computadores.
24:07Então, acabei saindo mais tarde
24:10e pensei,
24:11já que já está tarde,
24:12eu vou passar em Cajuru
24:14para ver meu irmão Dorival
24:16e de lá eu vou para Campinas.
24:18Parece que foi por Deus,
24:20porque eu não sabia
24:21que seria a última vez
24:22que eu ia ver ele.
24:23Foi a última vez.
24:25E eu liguei para ele,
24:26devia ser umas duas e meia,
24:28três horas da tarde,
24:29liguei do ônibus e disse,
24:30olha,
24:31estou indo para a tua casa,
24:32você está em casa?
24:33Ele me atendeu,
24:34falou, olha,
24:36estou em casa, sim,
24:37pode vir.
24:37E eu cheguei,
24:38ele já estava me esperando
24:39no portão,
24:40meu pai tinha ido para lá,
24:41estava passando um tempo com ele,
24:42e eu cheguei lá
24:43e ele estava na calçada
24:45me esperando,
24:46me deu...
24:50Aquele abraço fraterno
24:55foi o último abraço.
24:59Era tão bom
25:00chegar na casa dele
25:02e ver a família dele reunida,
25:05família linda, abençoada
25:06e aquele abraço
25:08que ele me dava assim
25:09de irmão,
25:10de amigo,
25:11de companheiro.
25:13E nós conversamos muito,
25:15contamos as nossas dificuldades
25:18de um para o outro ali,
25:20e ele ia levar a turma
25:21para Ribeirão Estudantes,
25:23para Ribeirão à noite
25:24com ônibus,
25:24e ele disse para mim,
25:25olha,
25:26eu tenho que sair às cinco,
25:28mas você me espera,
25:30que depois nós vamos conversar
25:31bastante amanhã.
25:32E eu disse,
25:33não,
25:34eu tenho que ir para Campinas,
25:35eu vou atrás de uma editora,
25:37ele falou,
25:37vai outro dia,
25:38fica aqui esse fim de semana.
25:40E eu falei,
25:40não,
25:41eu vou hoje,
25:42eu tenho que ir hoje,
25:42eu vou amanhã cedo,
25:44vou sair de madrugada
25:45para ir para Campinas.
25:48Eu devia ter ficado.
25:50A gente sempre pensa
25:51que vai ter mais uma chance,
25:53a gente pensa,
25:54não,
25:54eu vou ter outra oportunidade
25:56de ver ele,
25:57de conversar com ele,
25:57de abraçar ele.
25:59Irmão,
25:59às vezes aquele abraço
26:00foi o último abraço
26:01que você deu em alguém,
26:02às vezes é o último abraço
26:04que você deu na pessoa.
26:05Irmão,
26:06não sai de casa brigado não,
26:07irmão.
26:09Não sai de casa brigado não,
26:11dá um abraço
26:11no teu pai,
26:12na tua mãe,
26:13nos seus irmãos,
26:15naquele amigo,
26:16você não sabe
26:16quando vai ser a última vez
26:17que você vai ver ele.
26:18Eu já perdi tanta gente assim,
26:20tanta gente.
26:21Um dia eu passo ali
26:23na casa da mãe do Tiago,
26:24meu amigo,
26:25o Tiago estava ali,
26:26e eu parei lá
26:27e ficamos conversando
26:28das dez até meia-noite
26:29no portão,
26:30tinha tanto assunto
26:31para falar,
26:32e combinamos
26:34que um dia
26:34nós íamos na igreja
26:35junto lá em Jabez de Cabal
26:36onde ele morava,
26:38mas quando eu voltei
26:39a ver o Tiago
26:40eu vi numa foto
26:41no Facebook
26:42porque ele tinha morrido.
26:44Menino de 34 anos.
26:47ninguém tem garantia de vida.
26:49Não sai de casa brigado,
26:51você não sabe
26:52se vai voltar,
26:52você não sabe
26:53se a pessoa
26:54vai estar em casa
26:54quando você voltar.
26:56E eu podia ter ficado
26:57com o meu irmão
26:57naquele fim de semana,
26:59mas eu segui,
27:01saí,
27:02duas e meia da manhã
27:03da casa dele,
27:04ninguém viu levantar,
27:05peguei o ônibus
27:06e fui embora,
27:07e quando ele acordou
27:07cinco horas da manhã
27:08eu já estava longe.
27:11Oh, Céu,
27:11eu só acabei
27:12não achando a editora aberta
27:13porque sábado
27:14eles não abrem
27:16e eu não sabia disso,
27:17acostumado
27:17com cidade pequena
27:19e acabei voltando
27:20depois sem resolver
27:21o problema.
27:24E aí eu estava
27:25aqui na minha casa
27:26um dia,
27:27toda semana,
27:28quando eu ia
27:28para Morragudo
27:29com o meu filho Ivan,
27:31eu ligava para ele
27:32ou ele me ligava,
27:33às vezes a gente
27:33estava na estrada
27:34o celular tocava
27:35e era o Dorival.
27:36E aí, meu irmão,
27:37como é que você está?
27:38A gente conversava
27:39bastante até chegar
27:40em Morragudo
27:41onde a gente ia cultuar
27:43o Ivan te manda
27:43namorado lá em Morragudo,
27:45não sei se o Ivan
27:45estava vendo a live
27:47agora, né,
27:47mas deve lembrar
27:49dessas viagens
27:50que nós fazíamos
27:50eu e ele
27:51naquela época
27:51que foi meu parceiro.
27:53O Jorge tinha me abandonado,
27:55né, Jorge?
27:55Estava vivendo a vida dele,
27:56tendo a experiência dele,
27:59mas o importante
28:00é que ele voltou
28:01que hoje está com a gente,
28:02né,
28:03dando esse carinho,
28:04esse amor tão grande
28:05aí que é indispensável.
28:08Mas então,
28:09tocava o celular
28:10e eu ligava para ele,
28:12ligava para mim,
28:14e eu lembro que
28:14naquela sexta-feira
28:15eu estava em casa,
28:17eu fiquei o sábado
28:18o dia todinho
28:19em casa,
28:20o dia todinho,
28:22sábado não,
28:23sexta-feira,
28:25não,
28:25quer dizer,
28:26todinho,
28:26eu trabalhei até
28:27as cinco horas da tarde,
28:28aí eu vim para a casa
28:31e fiquei aqui,
28:32não tinha o que fazer,
28:33pus um filme na TV,
28:35fiquei assistindo um filme ali
28:36que gostava muito
28:36de filme,
28:37todo mundo saiu,
28:39não sei onde foi parar
28:40todo mundo,
28:40minha filha mais nova,
28:42minha esposa,
28:43eu não sei,
28:43acho que foram
28:44em algum jantar por aí,
28:45eu fiquei sozinho em casa.
28:48E quando foi
28:49às dez e meia da noite,
28:52eu lembrei de ligar
28:53para ele,
28:54porque era sempre
28:54na sexta-feira
28:55que a gente ligava
28:56um para o outro,
28:58mas eu pensei,
28:59eu não vou ligar
28:59para ele não,
29:01porque ele pode estar
29:02dirigindo o ônibus
29:03e vai atender
29:04o celular
29:05e pode acontecer
29:07alguma coisa com ele,
29:08bem cedo eu ligo
29:08para ele,
29:10no outro dia seria sábado,
29:11eu acabei não ligando
29:12para ele no sábado,
29:13se ele faz uma coisa,
29:13faz outra,
29:14se ocupa de tanta coisa,
29:16acabei não ligando
29:17para ele,
29:18e o dia passou
29:19e às quatro e meia
29:21da tarde eu estava
29:22sentado lá na sala
29:23outra vez
29:24quando o celular tocou,
29:26e era o Denilson
29:28para me informar
29:29que o pai dele
29:29não tinha voltado
29:30para casa
29:31na noite anterior
29:33e que a polícia
29:34já havia encontrado
29:35o corpo
29:36e ele tinha sido
29:36assassinado.
29:39No momento
29:39não foi assim,
29:41então,
29:42eu não me assustei
29:43tanto,
29:44parecia natural,
29:46me preocupei
29:47mais com a família,
29:48como é que vocês
29:48estão aí,
29:49vocês estão bem,
29:49fica bem,
29:50confio em Deus,
29:52aí fui levar
29:53a notícia
29:53para o meu pai,
29:54meu pai ficou desesperado
29:56e meu pai
29:57quis trazer o corpo
29:58para enterrar
29:59aqui em Viradouro,
30:01então,
30:01a funerária
30:02trouxe
30:03o caixão
30:04buscou lá em Ribeirão
30:06e ele veio,
30:08o que mais
30:09chocou todo mundo
30:10é que começaram
30:11a dizer,
30:12olha,
30:12o Dorival foi encontrado
30:13morto no canavial
30:14junto com uma moça
30:16e você começa
30:17a associar
30:18a mente humana,
30:19ela é muito maliciosa,
30:21ele foi encontrado
30:21com uma mulher
30:22no canavial,
30:23que estranho,
30:24né,
30:24será que o meu irmão
30:25caiu em pecado,
30:26será que ele caiu
30:27numa tentação,
30:28ele tinha sido
30:29muito mulherengo
30:30no passado
30:30antes de se converter,
30:32mas não é possível
30:33que ele ia cair
30:33numa testa,
30:34meu Deus,
30:34não é possível,
30:35e se ele caiu,
30:37por que o Senhor
30:38não deu uma chance
30:39para ele se arrepender,
30:41mudar de vida,
30:42por que levou ele
30:42assim em pecado
30:43para ele se perder
30:44e ir para o inferno?
30:47Mas,
30:50trouxeram ele,
30:52chegou,
30:52já era quase meia-noite
30:55e eu fui ver ele,
30:57parecia que estava
30:58dormindo,
30:59não parecia morto,
31:02cortaram o pescoço dele
31:03assim com o facão
31:04e a moça que estava
31:06com ele,
31:06grávida de seis meses,
31:07cortaram quase
31:08todo o pescoço
31:09lá fora,
31:11a criança morreu
31:11sufocada no ventre
31:12da mãe,
31:13depois eu fui saber
31:14que a moça
31:15era uma aluna
31:16que ele tinha levado
31:17para Ribeirão,
31:18que ele estava levando,
31:19era dia 15 de dezembro,
31:21então não ia muito aluno,
31:22só aqueles
31:22que tinham ficado
31:23para fazer exame,
31:24foram três,
31:25ele deixou um casal
31:26numa escola,
31:27deixou a moça
31:28em outra,
31:29quando ele
31:31buscou a moça,
31:34o casal
31:34ligou para ele,
31:35olha,
31:35nós já estamos
31:36prontos aqui também,
31:37ele falou,
31:37tá,
31:37eu já estou indo
31:38buscar vocês,
31:39mas ele nunca
31:40chegou na outra escola,
31:41porque no meio
31:42do caminho
31:42os bandidos
31:43pegaram ele,
31:45eu assisti
31:45a entrevista
31:46dos dois marginais,
31:48eles trabalhavam
31:48na Vila Virgínia,
31:49numa fábrica de plástico,
31:51eles saíram
31:52às cinco horas da tarde,
31:53foram no mercado municipal,
31:54compraram um facão
31:55cada um
31:55e ficaram no semáforo
31:56perto da prefeitura,
31:59esperando a presa
32:00que ia passar ali
32:01mais cedo ou mais tarde,
32:02no semáforo,
32:03olha que o sinal fecha,
32:05o motorista é obrigado
32:05parar e os bandidos
32:06estão ali,
32:08se você não para,
32:09a polícia te multa,
32:10se você para,
32:11a polícia não te protege,
32:13você está por tua conta,
32:15e quando ele passou ali
32:16às dez e meia da noite,
32:18eles bateram o facão
32:19no para-brisa,
32:19quebrou o para-brisa,
32:20pôs o facão
32:21no pescoço dele
32:22e falou para ele,
32:23olha,
32:24abre a porta,
32:25e aí eles entraram
32:26no carro
32:27e fizeram ele tocar
32:27para a saída
32:28de Altinópolis,
32:30eu não sei
32:31o que deu na cabeça
32:32do meu irmão,
32:32porque se fosse eu,
32:33embalaria o carro,
32:34enfiaria o carro
32:35num poste,
32:36que eles não teriam mais
32:37o que fazer,
32:37mas é que tinha chegado
32:39a hora dele
32:39e a morte sempre
32:41tem uma desculpa,
32:42não é?
32:43Sempre tem uma desculpa,
32:44quando chegar aquela hora,
32:46parece que tudo
32:47conspira para acontecer isso,
32:50aí o que aconteceu?
32:52eles foram para o canavial
32:55e um rapaz tinha 18 anos,
32:57o outro tinha 21,
32:59eles estavam acostumados
33:00a fazer isso,
33:01já estavam acostumados,
33:02porque foi muito prático
33:03para eles,
33:03foi muito fácil,
33:05e como diz o pessoal,
33:06aí não dá nada,
33:07a lei é uma porcaria,
33:09a nossa justiça é uma,
33:11perdão da expressão,
33:12uma merda,
33:12que só pune pessoas honradas
33:15e apoia,
33:17passa a mão na cabeça
33:17do vagabundo,
33:20mas aí,
33:22lá no meio do canavial,
33:24ninguém sabe o que aconteceu,
33:25os bandidos aqui
33:26não vão contar,
33:26né?
33:28Eu imagino,
33:29cá entre nós aqui,
33:30eu imagino,
33:31que os caras estavam drogados,
33:32tentaram abusar da moça
33:33e ele não permitiria,
33:35com certeza,
33:36então eles mataram ele,
33:39deram um golpe de facel
33:40no pescoço dele assim,
33:41cortaram aqui a artéria
33:43e ele foi esgotado,
33:45aí cortaram o pescoço da moça,
33:46claro,
33:47não ia deixá-la viva
33:47para ser testemunha,
33:49porque olha,
33:50sinceramente,
33:51estavam no meio
33:51de um canavial,
33:53se aqueles dois bandidos
33:54deixassem ele ali,
33:55com 50 anos de idade,
33:58e aquela moça grávida
33:59de seis meses,
34:00para eles ir a pé
34:01para a cidade,
34:02para denunciar na polícia,
34:04até chegar na cidade
34:05já teria amanhecido o dia,
34:06eles mataram
34:07porque sabiam
34:07que não ia dar nada,
34:09não dá nada,
34:09a justiça,
34:10ela passa a mão
34:11na cabeça de vagabundo,
34:12ela apoia
34:13esse tipo de coisa,
34:14um dia Deus
34:15vai trazer
34:16a verdadeira justiça,
34:17Deus vai trazer
34:19a verdadeira justiça,
34:20Deus vai fazer justiça,
34:22ele vai cobrar
34:23dos injustos,
34:24dos ímpios,
34:25dos maldosos,
34:27ele vai cobrar,
34:27tenho certeza que vai,
34:31mas aí,
34:33ele ficou ali,
34:35foram achados
34:36no outro dia,
34:37às três da tarde,
34:41quando o meu irmão
34:42não chegou no ponto,
34:43o casal ligou
34:44para a empresa,
34:46o dono da empresa
34:46foi lá buscar eles,
34:48de carro,
34:50perdão,
34:50esqueci de falar
34:51uma coisa,
34:52quando saía de Cajuru,
34:54ele ligou
34:55para o patrão dele,
34:56ele falou,
34:56olha,
34:56só tem três pessoas,
34:57o patrão dele falou,
34:58então faz o seguinte,
34:59deixa,
34:59volta aqui,
35:00deixa o ônibus,
35:02e vai com o carro
35:03da empresa,
35:03era um golzinho quadrado,
35:04imagina,
35:05se fosse com o ônibus,
35:06ele não teria sido pego,
35:08mas é porque
35:09tinha que acontecer,
35:11aí o patrão pegou
35:12outro carro,
35:12foi buscar o casal,
35:13e não se importou
35:14com mais ninguém,
35:15ainda falaram,
35:15eu falei,
35:16o senhor não vai
35:16procurar o motorista,
35:17ele tinha diabetes,
35:18pode estar passando mal,
35:19não,
35:19está nada,
35:20ele deve estar na gandaia,
35:21foi o que ele falou,
35:23e foi lá na casa
35:24do meu irmão,
35:25chamou minha cunhada,
35:26minha cunhada saiu,
35:27falou,
35:27o Dorival não chegou ainda,
35:29o que aconteceu?
35:29Ah não,
35:30eu já fui na polícia
35:31da parte,
35:32para acontecer alguma coisa,
35:33mas ele não tinha ido
35:34coisíssima nenhuma,
35:35ele só estava
35:37se descartando
35:37das responsabilidades,
35:42meu irmão não voltou
35:43para casa,
35:43no outro dia,
35:45de manhã,
35:46minha cunhada
35:47chamou,
35:48o Juninho,
35:49chamou Denilson,
35:51e disse para eles,
35:52olha,
35:52o seu pai não voltou
35:53ontem à noite,
35:55então o Juninho,
35:56o Denilson tinha que trabalhar
35:57no mercado,
35:58mas o Juninho estava
35:58de folga,
35:59falou,
35:59olha,
35:59eu vou pegar o carro
36:01e vou para Ribeirão
36:01procurar o pai,
36:03e foi justamente
36:03na rodoviária,
36:05foi na Vila Virgínia,
36:06e quando chegou lá
36:07na Vila Virgínia,
36:08ele foi na delegacia
36:10da parte,
36:10o policial falou,
36:11olha,
36:11espera um pouquinho,
36:12tem alguém ligando aqui,
36:13aí ele,
36:14alguém estava ligando
36:15a Vila Virgínia,
36:16porque lá tinha
36:16uma fábrica de plástico,
36:18e alguém ligou,
36:18falou,
36:19olha,
36:19tem um carro aqui,
36:20com o ouvido quebrado,
36:21sujo de barro,
36:22vocês não querem
36:22investigar para ver
36:23se o carro não é roubado?
36:24E tinha a placa do carro,
36:27a placa que o meu sobrinho,
36:32o Juninho,
36:33tinha entregado,
36:34tinha falado para a polícia.
36:37O Juninho ficou ali esperando,
36:39eles foram lá
36:39e pegaram os caras
36:40lá na Vila Virgínia,
36:41trouxeram os caras,
36:42não,
36:43o carro não é da gente não,
36:44o carro foi emprestado,
36:46sempre assim,
36:47eles não assumem,
36:48são covardes,
36:49são covardes para cometer
36:50a violência,
36:51são covardes para assumir,
36:53a justiça é covarde
36:54para fazer o que precisa
36:55ser feito.
36:57E aí,
36:58o que aconteceu?
37:00Depois de uma conversa
37:02um pouco mais séria,
37:03então,
37:03eles confessaram,
37:04foi lá no canavial
37:05onde estava o corpo
37:06do meu irmão e da moça,
37:09e recolheram eles,
37:11e assim foi.
37:13E lá em Canjuru,
37:14os demônios se agitavam
37:16para denegrir a imagem
37:17do meu irmão.
37:19Pessoas foram lá,
37:20foram falar para o pastor,
37:21o pastor falou assim,
37:22Deus fez justiça,
37:23olha como que as pessoas
37:25são levadas em roda
37:26de conversa
37:27por qualquer conversinha,
37:29né?
37:29Em vez de procurar
37:30saber o fundamento,
37:32nossa,
37:32Deus tem que fazer justiça.
37:34Deus vai fazer justiça,
37:36sim, pastor,
37:36Deus vai fazer justiça,
37:37só pode esperar
37:38que Deus vai fazer justiça,
37:40porque Deus é justo,
37:41nada escapa dele,
37:43ele é aquele que tem os olhos
37:44como chama de fogo,
37:45que vê na escuridão,
37:46que vê no escondido,
37:47que vê tudo,
37:48nada escapa dele.
37:53aí vieram para cá,
37:55vieram para cá,
37:56para o velório,
37:59veio bastante gente,
38:01e eu conversava com a minha cunhada,
38:04com os meus sobrinhos,
38:06eu encorajava eles,
38:08eu dizia para eles,
38:08olha,
38:09vocês podem ficar tranquilos,
38:10que eu tenho certeza
38:10que seu pai não fez nada de errado,
38:12porque se estivesse fazendo,
38:14ele contaria para mim,
38:16ele não estava fazendo,
38:17mas lá no íntimo do coração,
38:20foi nascendo aquela raiz de dúvidas,
38:22será que o meu irmão fez uma besteira,
38:24na hora da morte,
38:26e Jesus deixou ele morrer em pecado?
38:30E aquilo foi tomando conta da minha alma,
38:32aos poucos e devagar,
38:33como sempre acontece,
38:34eu sou muito controlado,
38:36e você vai controlando,
38:37mas chega um momento em que,
38:38a coisa explode,
38:39a coisa entorna,
38:40chega no topo e extravasa,
38:44enterramos ele a meio dia,
38:46e cada um seguiu o rumo da sua casa,
38:49e depois eu dormi um pouco,
38:50que eu passei a noite no velório,
38:52até ali tudo bem,
38:53quando eu acordei,
38:54caiu a ficha,
38:56foi ali que a ficha caiu,
38:58porque ali eu pude perceber,
39:01justamente o que tinha acontecido,
39:04eu fui lavar o rosto,
39:05na frente do espelho,
39:06minhas mãos estavam vermelhas,
39:08eu lembrava das mãos brancas,
39:11do meu irmão,
39:12morto naquele caixão,
39:13aquele rosto pálido,
39:14e eu pensando,
39:16Senhor,
39:16como eu posso ter tanto sangue,
39:18na minha veia,
39:19se o meu irmão morrer esgotado,
39:21e comecei a pensar,
39:22o que aconteceria,
39:23se eu estivesse lá com ele,
39:24nós estivemos juntos,
39:25em tantas batalhas,
39:27trabalhamos juntos,
39:28em tantas coisas,
39:29tivemos um emprego juntos,
39:31uma vez,
39:31íamos aos cultos juntos,
39:33não perdíamos um ar livre,
39:34sempre estávamos juntos,
39:37mas naquela hora,
39:38que ele mais precisava de alguém,
39:40eu não estava lá,
39:43eu queria ter estado lá,
39:45eu queria,
39:46mesmo que não pudesse fazer nada,
39:48para ajudar ele,
39:49mas a gente morreria juntos,
39:52abraçaria,
39:52ele diria,
39:53olha,
39:53confia no Senhor,
39:54nós vamos ver o Senhor daqui a pouco,
39:56mas não foi assim,
39:57ele estava sozinho,
39:59e começou,
40:00a me dar aquele desespero,
40:02aquela sensação de angústia,
40:04de agonia,
40:05eu não sabia o que fazer,
40:06e eu peguei o carro,
40:07e fui lá para o cemitério,
40:08para conferir,
40:09se realmente ele estava lá,
40:10estava,
40:12aí caiu um desespero,
40:13tão grande,
40:14uma angústia,
40:15uma dor,
40:15tão forte na alma,
40:17porque eu não sabia,
40:18se o meu irmão,
40:19não tinha morrido em pecado,
40:20e não estava perdido,
40:23e foi assim,
40:24que nós fomos para Morracudo,
40:26à noite,
40:26no culto,
40:27na igreja do pastor Lorival,
40:30e eu nem prestei muita atenção em tudo,
40:32porque eu estava muito angustiado,
40:34e o pastor Lorival,
40:35me deu uma cartelinha de tranquilizante,
40:37falou,
40:37olha, toma isso,
40:38senão você não vai conseguir dormir,
40:40e eu tomei,
40:42e eu dormi,
40:43naquela noite,
40:46acordei,
40:46quatro e meia da manhã,
40:49e não consegui dormir mais,
40:50caiu a ficha de novo,
40:52meu Deus,
40:52passei aquele dia angustiado,
40:54eu fui para a escola,
40:55trabalhava aqui na Sebastian Balieiro,
40:57dava aula de informática,
40:59de manhã e à tarde para as crianças,
41:02e graças a Deus,
41:03naquela semana,
41:04não apareceu nenhuma criança,
41:05nenhuma,
41:07não apareceu ninguém,
41:08mesmo que era já fim de ano,
41:11e eu lembro que eu cheguei lá,
41:14e aquele monte de gente lá no corredor,
41:17os professores estavam sem alunos também,
41:19e eu fiquei esperando,
41:20todo mundo entrar para a sala dos professores,
41:23eu passei num passo rápido,
41:24e fui,
41:26eu fui lá para a minha sala,
41:27ficar sozinho,
41:28com a minha dor,
41:29com a minha angústia,
41:29não queria ver ninguém,
41:30não queria falar ninguém,
41:31não queria olhar no rosto de ninguém,
41:34eu lembro que naquela manhã,
41:36a Juliana subiu lá,
41:39Juliana Falcone,
41:40trabalhava na secretaria,
41:43minha amiga,
41:44subiu lá,
41:45não falou nada,
41:46ela entrou na minha sala de mansinho,
41:49sentou perto de mim,
41:51deitou a cabeça no meu ombro,
41:53ficou um minutinho,
41:54levantou e foi embora sem falar nada,
41:55mas aquele gesto foi,
41:57tão importante para mim,
41:59para aquela angústia,
42:00aquela amargura que eu estava sentindo,
42:02naquele momento,
42:04eu passei o dia assim,
42:07e eu vim para casa de tarde,
42:09cinco horas da tarde,
42:10tomei banho,
42:11fiquei aqui com a família,
42:12não queria ver ninguém,
42:13não queria ser na rua,
42:14não queria ver ninguém,
42:19naquela noite de segunda-feira,
42:21tomei um tranquilizante,
42:22fui dormir,
42:24e eu orando,
42:25dizendo,
42:25por que senhor,
42:27por que tinha que acontecer com ele,
42:29por que ele,
42:30por que não eu,
42:32eu queria ir embora,
42:33tanto tempo,
42:34estou pedindo para o senhor me levar,
42:35se o senhor não me leva,
42:36deixa acontecer isso com o meu irmão,
42:39e aí,
42:41eu lembro que na terça-feira,
42:43eu acordei,
42:43era quatro horas da manhã,
42:45e a hora que eu abri o olho,
42:47que eu,
42:47caiu a realidade de volta,
42:50um pensamento,
42:51atravessou a minha mente,
42:52como se fosse,
42:53uma lança,
42:54um versículo,
42:55da Bíblia Sagrada,
42:56uma promessa,
42:58do senhor Jesus,
42:59que diz assim,
43:00tudo,
43:01que pedir,
43:02diz ao pai,
43:02meu nome,
43:03eu farei,
43:06e aquilo,
43:07acendendo a minha alma,
43:08uma faísca,
43:10de esperança,
43:11disse,
43:11puxa,
43:11eu posso pedir qualquer coisa,
43:13para Deus,
43:13porque,
43:14apesar da angústia,
43:15da amargura,
43:16da revolta,
43:17eu não perdi a fé,
43:18na palavra de Deus,
43:20e eu levantei,
43:21depressa,
43:22fui pegar a Bíblia,
43:22mas,
43:23a Bíblia,
43:24no papel,
43:25é tão difícil de achar,
43:26eu não tinha internet,
43:27em casa,
43:28eu fui mais cedo,
43:29para a escola,
43:30porque lá tinha internet,
43:31eu cheguei lá,
43:32e eu abri,
43:33a Bíblia na internet,
43:34fiz aquelas buscas,
43:35tinha tanto versículo,
43:36que confirmava,
43:37dizia,
43:38tudo,
43:38que pedides ao pai,
43:39em meu nome,
43:40eu farei,
43:40se pedides alguma coisa,
43:41em meu nome,
43:42eu farei,
43:43nossa,
43:44que esperança,
43:45que brotou na minha alma,
43:46meu Deus,
43:46eu posso pedir qualquer coisa,
43:48porque tudo,
43:50tudo é tudo,
43:51né,
43:51e é isso que ele diz,
43:52tudo,
43:53que pedides ao pai,
43:55em meu nome,
43:56eu farei,
43:58então,
43:59às dez horas da manhã,
44:01eu tranquei a porta,
44:02da minha sala,
44:03para não ser incomodado,
44:04não tinha ninguém,
44:05comigo mesmo,
44:06dobrei o meu joelho,
44:08no chão,
44:08e fiz uma oração,
44:10até mesmo,
44:10num tom bastante atrevido,
44:12dizendo,
44:12Senhor,
44:16Senhor,
44:18a tua palavra,
44:19me dá esperança,
44:20dizendo,
44:20que tudo,
44:22que pedides ao pai,
44:23em meu nome,
44:24eu farei,
44:26e eu não sei,
44:27se o senhor,
44:27vai me ouvir,
44:28mas eu preciso,
44:29pedir uma coisa,
44:30para o senhor,
44:32eu quero pedir,
44:33uma coisa,
44:33para o senhor,
44:34agora,
44:34quero que o senhor,
44:35me atenda,
44:35porque,
44:36a honra da tua palavra,
44:38tem que ficar intacta,
44:40o senhor,
44:40tem que fazer,
44:41o que eu vou pedir,
44:42porque,
44:42é a honra da tua palavra,
44:44que está em jogo,
44:46eu quero saber,
44:47aonde está,
44:48o meu irmão,
44:49eu não sei,
44:50se o senhor,
44:51vai falar comigo,
44:52com insonho,
44:52revelação,
44:54profecia,
44:54se o senhor,
44:54vai falar pessoalmente,
44:56eu não sei,
44:56eu quero,
44:57que o senhor,
44:58fala comigo,
45:00eu quero,
45:00que o senhor,
45:01me revela,
45:01aonde está,
45:02o meu irmão,
45:04porque,
45:04se o senhor,
45:05disser,
45:06que o meu irmão,
45:07está com o senhor,
45:09eu vou ficar,
45:10tranquilo,
45:11eu vou ter paz,
45:13mas,
45:14se o senhor,
45:14falar para mim,
45:15que o meu irmão,
45:15morreu em pecado,
45:16que ele se perdeu,
45:18que ele não está,
45:19com o senhor,
45:21pela honra,
45:22da tua palavra,
45:23eu peço agora,
45:24troca ele,
45:25de lugar comigo,
45:26agora,
45:26eu quero ir para o inferno,
45:27no lugar dele,
45:28agora,
45:29eu disse,
45:29eu quero ir agora,
45:32e por incrível,
45:34que pareça,
45:34e quando eu disse isso,
45:36caiu uma neblina,
45:37de paz,
45:37tão grande,
45:38sobre mim,
45:38eu me senti,
45:39tão bem,
45:40passei o dia,
45:41mais tranquilo,
45:42mas,
45:42não acabou,
45:43a tristeza,
45:44não foi embora,
45:44claro que não,
45:46mas assim,
45:47nasceu,
45:47uma esperança,
45:48em mim,
45:49e eu,
45:50lá no íntimo,
45:51sabia,
45:51que o senhor,
45:52ia falar comigo,
45:54e a tarde,
45:55eu fui para casa,
45:56tomei um banho,
45:57fui na casa,
45:57do meu pai,
45:58ver se estava bem,
45:59voltei logo,
45:59quando eu cheguei aqui,
46:00na minha casa,
46:02minha filha mais velha,
46:03Diana,
46:04estava,
46:04estava chegando aqui,
46:06ela estava frequentando,
46:07a igreja Batista,
46:07ela falou,
46:08pai,
46:08vai ter um culto,
46:09na casa do Bravo,
46:10e ele pediu para você ir lá,
46:12e eu disse,
46:13claro que eu vou,
46:15eu estou precisando muito,
46:16eu preciso mesmo,
46:18aí eu falei,
46:19pode,
46:19que depois eu vou,
46:20ela saiu e foi,
46:22e eu me calcei,
46:23e eu fui,
46:23quando eu cheguei lá,
46:24eles estavam todos na varanda,
46:25o pastor Marquinhos,
46:26estava lá,
46:26dirigindo o culto,
46:28estava o Vardão,
46:28estava todo mundo lá,
46:30e eu cheguei,
46:31eles estavam orando,
46:32eu cheguei,
46:33empurrei a gradinha do portão,
46:35encostei o portão assim,
46:37eu fiquei de cabeça baixa,
46:38eu não estava conseguindo olhar no rosto de ninguém,
46:41não consegui olhar para ninguém,
46:43eu tinha tanto ódio me consumindo,
46:45eu só pensava em vingança,
46:47queria ir para Ribeirão,
46:48fazer amizade com aqueles caras,
46:50e embebedar eles um dia,
46:53levar eles para um lugar isolado,
46:54e picando pedacinho por pedacinho,
46:56falando,
46:56sabe por que você vai morrer?
46:57Porque você matou meu irmão,
46:59o ódio estava me consumindo,
47:00o ódio estava me destruindo,
47:05e aí,
47:07eu baixei a cabeça,
47:09enquanto eles oravam,
47:11quando acabou a oração,
47:12eu levantei a cabeça,
47:14a Neia fez assim para mim,
47:15vem para cá,
47:16fez um sinal para mim,
47:17eu estava vendo ela pelo canto do olho,
47:19ela estava perto da minha filha,
47:21eu fui lá e fiquei em pé,
47:22perto da minha filha,
47:23de cabeça baixa,
47:23sem olhar para ninguém,
47:25aí eles acabaram a oração,
47:26e começaram a cantar aquele louvor,
47:27que meu irmão cantava,
47:28quando eu tinha 15 anos,
47:30já refugia a glória eterna,
47:31de Jesus,
47:32o rei dos reis,
47:34e eu comecei a ver aqui,
47:35eu falei,
47:35gente,
47:35comecei a lembrar do meu irmão,
47:36eu falei,
47:36nossa,
47:37meu Deus,
47:37que saudade,
47:39acabaram de cantar,
47:40eu falei,
47:40nossa,
47:40que alívio,
47:41pararam de cantar,
47:42aí começaram a cantar outro,
47:43que meu irmão cantava muito também,
47:46firme nas promessas do meu salvador,
47:49e eu falei,
47:50gente,
47:50não é possível,
47:51não é possível,
47:51meu irmão cantava tanto assim,
47:53eu conseguia ver o rosto dele,
47:54a gravata,
47:56conseguia ouvir a voz dele cantando,
47:58eu falei,
47:58nossa,
47:58aí eu desabei,
48:00não dei conta,
48:01eu desabei,
48:02e nesse momento,
48:03quando eu comecei a chorar,
48:04eu percebi,
48:06que a Luana saiu lá de trás,
48:08do canto da garagem,
48:09ela passou num passo,
48:10acelerado perto de mim,
48:12me notava desespero,
48:16passou por trás de mim,
48:17pegou minha filha pelo braço,
48:18entrou na casa,
48:21eu conheci a Luana,
48:22desde pequenininha,
48:23mas nunca tinha conversado com ela,
48:24era muito tímida,
48:25eu também não era muito de conversar,
48:27agora que eu sou um conversador nato,
48:31aí minha filha saiu lá,
48:32e falou,
48:32pai,
48:33a Luana mandou você entrar,
48:34que ela quer orar por você,
48:35e aí que veio uma revolta,
48:37tão grande dentro de mim,
48:38eu falei,
48:38a Luana quer orar,
48:39ela quer profetizar,
48:41ela quer me consolar,
48:42eu não quero ser consolado,
48:43nessas horas você não quer ser consolado,
48:45você quer que o ódio te consome,
48:46você quer ser consumido pelo ódio,
48:48usar esse ódio para consumir,
48:50as pessoas que te fizeram passar por isso também,
48:55mas em todo caso,
48:57não posso rejeitar uma oração,
48:58então eu entrei,
49:00eu entrei com ela,
49:02submisso,
49:03e quando eu entrei na sala,
49:04estava só eu,
49:05ela e minha filha,
49:08e ela disse assim para mim,
49:09foi a primeira vez que me dirigiu a palavra,
49:12Miguel,
49:14Deus me deu um dom,
49:16mas eu sempre tive medo de usar esse dom,
49:19achando que era coisa da minha imaginação,
49:22mas o Senhor usou alguém para falar para mim,
49:25que quando ele quisesse me usar,
49:26eu ia começar a tremer e chorar,
49:29e desde que você passou daquele portão para dentro,
49:31que eu estou tremendo e chorando sem parar,
49:34eu vou fazer uma oração,
49:35e eu sei que o Senhor vai usar a minha boca para falar com você,
49:39e eu ali de coração duro,
49:40fechado,
49:41pensando que ia profetizar para mim,
49:42eu não quero receber profecia,
49:46aí ela pôs a mão na minha cabeça assim,
49:48e ela tremia,
49:49e eu,
49:51até com raiva daquilo,
49:53pensando,
49:53nossa,
49:53será que está fingindo?
49:55E ela começou,
49:56ela falou meia dúzia de palavras,
49:57e o Senhor tomou a boca dela,
49:59e na hora que o Senhor começou a falar,
50:02eu conheci que era Ele,
50:04que é o Senhor que está falando,
50:05aí eu desmontei,
50:07desmontei todinho na presença do Senhor,
50:10e aí,
50:12Ele começou a falar comigo assim,
50:14por que meu servo,
50:16que você tranca a porta da sua sala,
50:20ou você fecha o vidro do seu carro,
50:22e você chora,
50:23e você fala,
50:24por que,
50:24por que,
50:25por que o Senhor levou Ele,
50:26e não levou eu?
50:28Eu quero que você saiba,
50:29que Ele é meu escolhido,
50:31para estar comigo,
50:32minha obra na vida dEle,
50:34estava completa,
50:35e eu ainda tenho algo,
50:36para fazer na tua vida.
50:40você diz assim,
50:41que Ele estava sozinho naquela hora,
50:42mas Ele não estava sozinho,
50:44porque eu estava lá,
50:46fui eu que disse para eles,
50:48façam,
50:49porque eu quero recolher Ele para mim.
50:55não posso nem dizer como eu estava me sentindo nessa hora,
50:57e Ele continuou falando,
50:59você quer saber onde está seu irmão?
51:01Ele não está perto de mim,
51:03Ele está do meu lado,
51:05segurando a minha mão,
51:06e pedindo para confortar o coração da família.
51:10E as más línguas que falaram contra o seu irmão,
51:14eu vou cobrar delas pessoalmente.
51:18E não me esqueça,
51:20porque você já me esqueceu.
51:23Não adianta correr,
51:24porque eu vou te ultrapassar.
51:26E assim encerrou a palavra.
51:29Irmão, aquele ambiente mudou,
51:32radicalmente,
51:32de um momento para outro,
51:34parece que eu não respirava oxigênio,
51:36eu não respirava amor,
51:36eu nunca me senti tão amparado,
51:38tão amado,
51:39como naquela noite,
51:40naquele lugar,
51:41e eu conseguia sentir,
51:43na voz do Senhor,
51:45um desespero,
51:46para me consolar,
51:48para me confortar,
51:49para me dar alívio.
51:51Meu Deus!
51:54Eu estava tão transtornado,
51:56eu não podia imaginar,
51:57eu tinha conversado na quarta-feira,
52:00perdão, na segunda-feira,
52:01eu tinha conversado com a Adriana Mantelli,
52:03sobre a possibilidade de arranjar um advogado do Estado,
52:06para processar os caras,
52:07ela disse que não tinha,
52:08mas ela me viu,
52:09e na quarta-feira de manhã,
52:10quando cheguei na escola,
52:11eu fui correndo contar para ela,
52:13ela disse,
52:13ai, graças a Deus,
52:14Miguel,
52:14você não seria morrer essa semana,
52:16você não ia aguentar uma semana,
52:17com todo aquele ódio no coração,
52:19você ia morrer.
52:20E olha,
52:21como que o Senhor fez,
52:22né?
52:22Ele fez isso,
52:24Ele veio ao meu encontro,
52:26e me deu essa força,
52:27para continuar vivendo,
52:28quando nós saímos na rua,
52:30quando nós saímos na rua,
52:30eu já conseguia olhar no rosto das pessoas,
52:32eu já conseguia cumprimentar as pessoas,
52:34eu conseguia sorrir para as pessoas,
52:36a tristeza foi embora?
52:38Não,
52:39mas ficou fácil de suportar,
52:41fácil de carregar,
52:42porque o Senhor não desampara,
52:44o Senhor não falha,
52:45todo mundo pode falhar,
52:46todo mundo pode te deixar na mão,
52:48as pessoas podem não te compreender,
52:50mas o Senhor te compreende,
52:52e Ele nunca vai te deixar,
52:54principalmente nessas horas difíceis,
52:56o Senhor estará com você,
52:58como esteve comigo,
53:00foi maravilhoso,
53:02o livro chama-se Sem Medo de Viver,
53:05é publicado no site Clube de Autores,
53:08se alguém tiver interesse,
53:09ali tem toda a trajetória,
53:11da vida dos baianos,
53:12que vieram,
53:14como retirantes da Bahia,
53:17mas assim,
53:18o Senhor,
53:19o Senhor,
53:21alcançou a nossa família,
53:22mudou as nossas vidas,
53:24e eu,
53:24eu,
53:25eu ganhei um novo alento,
53:27eu ganhei força para viver,
53:28irmão,
53:28sabe,
53:29porque a partir dali,
53:30eu segui minha vida,
53:32né,
53:32fui dando testemunho,
53:33onde eu passava,
53:34até hoje eu estou dando testemunho,
53:35como eles estão apresentando aqui,
53:38e aí eu fui,
53:39depois,
53:40em 2008,
53:41fui para a Hortolândia,
53:42fui dar aula em Hortolândia,
53:43conheci essa gente maravilhosa que tinha lá,
53:45que eu só vim embora mesmo,
53:47porque a minha família não quis mudar para lá,
53:48senão eu não teria voltado jamais,
53:50eu gostava demais de lá,
53:51daquele pessoal,
53:53povo amigo,
53:54povo bom,
53:55e eu tenho muita saudade,
53:57eu tenho vontade de ver vocês ainda,
53:59antes que o Senhor me leve,
54:00eu tenho essa esperança de um dia,
54:02ainda pegar o carro,
54:03ir para a Hortolândia,
54:04ficar lá,
54:05passar um dia,
54:06ver as pessoas,
54:07meus alunos,
54:08adolescentes,
54:09hoje são pais,
54:09são mães,
54:10são casados,
54:11gostei de vê-los de novo,
54:12mais uma vez,
54:13pelo menos,
54:14antes do Senhor me levar,
54:15mas estou aqui fazendo a obra de Deus,
54:17testificando aquilo que o Senhor fez na minha vida,
54:19que fez na minha vida,
54:20e que pode fazer na tua também.
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