Se você acha que a história do Brasil se resume a um grito na beira de um riacho e um príncipe com piriri, você não está totalmente errado! Até porque o nosso historiador e professor Rafael Nogueira tá dando gritos na beira do humor e um príncipe com Tiririca! O programa destrinchou como a doutrinação universitária transformou nossos heróis em vilões, os vilões em heróis e os coadjuvantes em protagonistas… quem disse que a história é escrita pelos vencedores? Além disso, ele explicou por que o movimento “Woke” é o novo pesadelo das faculdades - será que a direita só vai para a política quando o calo aperta? O Brasil é um balcão de negócios desde o Império ou a gente que tá com memória de elefante, mas um elefante que bateu a cabeça? Melhor assistir à íntegra da entrevista para entender como o passado explica essa bagunça atual ou vai ter que pedir dica de organização para o crime organizado!
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DiversãoTranscrição
00:01Um grande mestre, um dos maiores historiadores do país, o bigode está na moda, e o cara
00:12ainda é um grande filósofo e jurista.
00:16O homem foi aluno do professor Olavito de Carvalho, de Santa Catarina para o mundo.
00:24Nosso pensamento, os nossos valores, tudo aquilo pelo que a gente luta vai ser condenado
00:28como um absurdo.
00:30Palmas para o professor Rafael Nogueira!
00:38Nogueira!
00:39Olha o professor, professor, indicação do Albeta.
00:42Albeta, sua primeira pergunta.
00:43Alba, quero saber.
00:44Para o professor.
00:45Professor, a gente estava discutindo aí, que a gente faz sempre no jornal, sobre a CPMI,
00:50aí tem Banco Master, aí tem Petrolão, tem Mensalão.
00:53Como é que historicamente a gente consegue chegar em alguma conclusão de...
00:58Como chegamos até aqui?
01:00O senhor que é um historiador, dá para puxar algum paralelo para tentar responder isso?
01:05Grande pergunta.
01:06Primeiro, obrigado demais pelo convite.
01:07Obrigado, Emílio.
01:08Boa.
01:08Sou fã aí, que programa?
01:10Professor está no Instagram, arroba Nogueira.r.
01:13É isso aí.
01:14Nogueira.r para seguir.
01:16Obrigado demais a todos.
01:17Mas olha, pergunta dele, se eu tiver quatro horas e meia, eu consigo, tá?
01:20Sim, eu imagino.
01:21Mas assim, falando em síntese, Alba, a gente tem sim uma mudança muito grande na nossa
01:28linha histórica, porque a gente tinha no Império, como dizia alguns dos que ajudaram
01:35a acabar com o Império, diziam que no Império a gente tinha ali um grupo de estadistas no
01:41Congresso.
01:41E depois a gente teve, Rui Barbosa disse isso, e depois a gente teve um balcão de negócios.
01:46Então, para sintetizar, o fato é que, de repente, o nosso modelo faz com que nós
01:52elejamos os nossos representantes no Congresso de uma forma um pouco displicente, de maneira
01:56que a gente vai ter, naturalmente, ali, pessoas não tão preparadas para lidar com os desafios
02:00que estão diante da gente, né?
02:02Então, mas aí...
02:03Dá síntese, dá síntese, né?
02:05Mas aí o cara fala que vai ser muito elitista, né?
02:07Se você parte desse princípio, aí você vira um elitista, um cara escroto.
02:12Isso, ótima pergunta.
02:13Aí a democracia já não faz mais sentido, né?
02:16A democracia...
02:16Esse é que é o problema, né?
02:17Porque a democracia é o cara que engana melhor.
02:20É a democracia...
02:21É o cara que enrola mais o povo.
02:24Sambarilove.
02:25É, o sambarilove.
02:25Ela funciona ou por espelho ou por filtro.
02:29Se é por espelho, é aquele que mais parece comigo e tem sentido.
02:33Na Câmara, a Câmara é o lugar, é a casa do povo.
02:36Então, a Câmara precisa da representação daqueles que nos espelham de alguma forma.
02:40Seja o caminhoneiro, o professor, o escritor, o que trabalha na obra, não tem problema.
02:48Todos estão lá.
02:48Só que a questão é que antigamente existia um lugar para as pessoas que também tinham qualificação que se chamava
02:55Senado.
02:55Se o Senado é muito parecido com a Câmara, nós não temos nenhum tipo de diferença.
03:00Porque, por exemplo, no Senado do Império, quando ele foi criado nos Estados Unidos, quando ele foi criado lá atrás,
03:05era uma casa que chamava de aristocrática.
03:08Era uma casa que era para ter...
03:10A pessoa tinha que ter mais idade, serviços prestados à pátria, tinha que ter uma qualificação intelectual, tinha que ter
03:14alguma virtude reconhecida pelo povo.
03:18Agora, na Câmara, não.
03:19Eu concordo.
03:20A democracia funciona assim mesmo.
03:21Tem que votar naquele que vai, de alguma forma, me compreender melhor e me representar.
03:24E quando, que aqui no Brasil, eu queria saber se ainda existe isso, porque a gente viu há muito tempo,
03:33aqueles votos de protesto, Tiririca, o Cacareco, lá atrás.
03:37E hoje em dia, parece, e eu não sei, eu queria ver sua análise, que isso está mudando.
03:43Você acha que essa turma que vem agora, porque está vindo muita gente, olha, bom demais, a caneta azul está
03:47vindo.
03:48Essa turma, você acha que ainda tem espaço para isso, ou acabou, a turma já está procurando melhores nomes aí?
03:56Morgado, excelente pergunta, porque começa com voto de protesto, ali foi uma demonstração de que não havia representação suficiente.
04:03Os candidatos não estavam suficientes, entendeu?
04:06Então aí começava a votar no Tiririca, em quem viesse para causar.
04:09O Tiririca, ele disse duas coisas, que ele não cumpriu direito, né?
04:12Ele disse, tudo bem, pior que está, não fica, não ficou, em alguma medida, mas em outra medida não.
04:17Eu acho que a direita passou a ser representada desde então, e ela não era tão bem representada.
04:21Só que ele disse que ia contar para a gente o que acontecia lá.
04:25Ele não contou até hoje, ele foi lá e aprendeu a brincar e virou o texto.
04:28Isso, gostou do jogo.
04:29Então o que acontece?
04:30Um voto de protesto tinha essa representação, de que havia uma enorme fatia da população,
04:35que não estava representada nem pelos candidatos.
04:37Sim.
04:37E aí, de repente, depois a gente elege, foi eleito o presidente Bolsonaro,
04:42não como um voto de protesto, mas como agora, finalmente tem alguém que está representando as nossas pautas.
04:48E aí foi 2018.
04:49E você acha que essa turma que vem agora, você acha que não tem mais espaço?
04:54Ou ainda cabe esse pessoal aí que, porra, que nem o Caneta Azul, essa turma aí que...
05:01Eu acho difícil.
05:02Os partidos buscam essas pessoas justamente para isso, para puxar voto e tudo mais.
05:06Você acha difícil?
05:06Eu acho difícil ter o sucesso que um Tiririca teve, ele foi campeão de votos.
05:10Sim, sim, sim, foi.
05:10Pode ser eleito, mas eu acho difícil ter aquele sucesso de antes, por quê?
05:14Porque tem mais fatias representadas pelos candidatos.
05:16Boa.
05:17A gente estava com o papo aqui com o Fernão, o Fernão Mesquita, quando ele veio aqui.
05:20Grande jornalista.
05:22E ele estava falando o seguinte, porque o que acontece hoje em dia, principalmente esses votos,
05:26você vai votar num deputado.
05:28Sim.
05:28Você escolhe um deputado e você fala, pô, esse deputado é legal, vou votar nele.
05:31Ele não sabe que você votou nele.
05:33Então, talvez, algo para você cobrar mais seria o voto distrital, porque ele sabe quem
05:39votou ele, a região que votou nele e você tem muito mais como cobrá-lo, porque você
05:44está próximo a ele.
05:45Porque se você pegar qualquer deputado, ele perde a ligação com o povo.
05:50Ele vai embora para Brasília, ele fica lá durante quatro anos, ganha aquela verba,
05:57e está tranquilo ali, ele nem sabe quem votou nele.
06:02Sim, o voto distrital tem essa vantagem da proximidade geográfica, mas, Emílio, hoje
06:06a proximidade geográfica não é a única forma de proximidade, né?
06:09A gente consegue se comunicar.
06:11Eu me comunico com aqueles em quem eu votei com facilidade pelo WhatsApp, por e-mail.
06:15E a gente hoje tem um voto de opinião, um voto ideológico.
06:19E esse voto ideológico vai ser prejudicado por uma divisão bem segmentadinha ali de
06:23distritos, a meu ver.
06:24Eu não sou tão fã do voto distrital, por quê?
06:27Porque eu sou representante, na política, né, de um grupo que conseguiu crescer porque
06:35havia muita gente espalhada que pensava de uma forma determinada.
06:39E aí ela vai acabar sem representação, esse voto de opinião ideológico que ultrapassa
06:43a geografia.
06:44Mas a cobrança, a proximidade pode acontecer pela internet, né?
06:50Você tá falando de ideologia, né?
06:53E acho que um pouco do seu trabalho também, das universidades, né?
06:55Quando a gente vai aprender um pouco sobre Portugal, vem da doutrinação ideológica das
06:59universidades.
07:00Esse que é a raiz também pro cara saber ou não votar e o que que acontece.
07:04Como que se avalia a doutrinação ideológica, se ela acontece nas universidades e qual sua
07:09experiência em relação do que tudo que a gente aprendeu, por exemplo, de Portugal?
07:13Excelente pergunta, ainda mais que eu tô doutorando na Federal de Santa Catarina.
07:16Então, depende do que eu falar aqui.
07:19É o celular do novo, Emílio?
07:21Esse aqui é um celular novo.
07:22Do novo.
07:23É do novo?
07:23Ah, do Partido Novo.
07:25Que é laranja.
07:26É laranja, hein?
07:27Do novo.
07:27Não, isso aqui é o...
07:28Se filia, você ganha.
07:29Isso é do Trump.
07:30Isso é o...
07:31Se filia, você ganha.
07:32Iphone.
07:33Iphone.
07:34A gente tem lá na universidade...
07:36Eu tive um percurso que vim de várias universidades diferentes e percebi pela experiência.
07:41E eu sou professor universitário no Centro Universitário Católico Ítalo Brasileiro,
07:45na História e Filosofia.
07:47Eu percebo pela minha experiência o seguinte.
07:50Majoritariamente, a gente tem sim corpos docentes, sobretudo nas humanidades, né?
07:54Que são ligados à esquerda.
07:56E nas técnicas, na engenharia, na medicina, tudo, existem grupos ali também que são
08:01muito dominados pela ideologia.
08:02Porque é uma coisa assim, que eu gosto de dizer.
08:04Pra esquerda, tudo é política.
08:07Eles hiperpolitizam tudo.
08:09Pra direita, não.
08:10A política é assim.
08:11Eu gostaria de estar fazendo as minhas coisas, lendo os meus livros, escrevendo.
08:15E aí eu sou chamado a participar da política, senão eles vão me roubar de tudo do jeito
08:18possível, vão arrumar um monte de confusão.
08:21Então, a direita vai pra política meio a contragosto, porque se sentiu chamada, impelida
08:26pela necessidade de participar da coisa pública.
08:28A esquerda, por sua vez, ela só pensa em política.
08:31Então, quando ela vai estudar medicina, ela vai pensar em política.
08:33Quando ela vai estudar filosofia, ela só vai pensar em política.
08:35Quando ela vai estudar história, ela vai submeter tudo à política.
08:37Então, é isso.
08:38Esse eu acho que é o grande problema.
08:39Sim.
08:40A universidade é assim, né?
08:42Você vai lá pro diretório acadêmico.
08:45Esse é.
08:46Como é que chama agora?
08:47Muda o nome, né?
08:48Na minha época era Grêmio.
08:49Olha como eu sou velho.
08:51Tem o diretório acadêmico.
08:54Porque os vagabundos, os vagabundos não estudam, né?
08:57Os vagabundos não estudam.
08:58Fica muito tempo na parte.
08:59Eu tenho um amigo na USP, que ele mora lá no predinho da...
09:02O predinho da USP tá uma desgraça.
09:05Ele deve tá beirando...
09:07Cruzpe.
09:08Beirando os cinquenta e poucos.
09:09Ó, jubilante é aluno.
09:11Não, não.
09:11Ele passa de novo.
09:13Ele prega o cartaz lá do...
09:15Vai no CPUSP.
09:16Feijoada com o Ramaz.
09:17É, feijoada com o Ramaz.
09:19É uma turma bacana.
09:20É uma turma bem...
09:21É que tá ligada ao progressismo, né?
09:23Que o discurso pode parecer bonito, mas você sabe que não para em pé, né?
09:27É porque o progressismo diz que a culminação de toda a evolução da sociedade são eles, né?
09:33São os progressistas.
09:34É o que eles pensam e é o que eles representam.
09:36Então, eles são os evoluídos.
09:37Nós somos os atrasados.
09:39Como que são?
09:40Então, mas o pior agora é esses woke, né?
09:43É.
09:43Porque o woke é muito pior.
09:45O woke é.
09:46Aí a superação da superação.
09:48Eles são quase assim...
09:49Porque eles falam de uma forma...
09:50Eu lidei, né?
09:51Eu fui secretário de cultura em Santa Catarina, presidente da Fundação Catarinense de Cultura.
09:54Lidei nesse...
09:55E no governo federal com Bolsonaro também estive lá em 22.
09:58E tive que lidar muito com uma classe que há pessoas razoáveis com quem dá pra conversar
10:03e as pessoas do woke, mais sérias, assim, ligadas ao wokeismo.
10:07E, Emílio, pra eles, assim, é questão de avanço e retrocesso.
10:11Quem está com eles está avançando pra coisa do bem e tudo.
10:14Quem não está retrocedendo pra Idade das Trevas.
10:16A cabeça funciona dessa forma.
10:18E é muito preocupante porque em tudo que esse woke tocar vai dirigir pra aqueles caminhos deles lá.
10:25É.
10:25Porque se você pega, né?
10:27Porque como fica, assim, muito dividido, né?
10:31É um ou outro.
10:33Então, por exemplo, se você pegar o progressismo...
10:36O progressismo também não é tão ruim.
10:38O progressista.
10:39Entendeu?
10:40Tem o conservador.
10:41Tem muita coisa que você precisou mudar, né?
10:42A vida também precisa mudar.
10:44Tem que melhorar.
10:44Tem que melhorar, né?
10:45Tem que melhorar.
10:46Mas esse tal de woke é um inferno.
10:50Porque eles tiram...
10:51Beleza não existe mais.
10:53Não existe mais o...
10:54Piada, sabe?
10:55O esporte, né?
10:56A disputa.
10:56É uma...
10:57A meritocracia.
10:58É uma inversão.
10:59É uma inversão que esses caras bolaram aí.
11:01Que é uma coisa...
11:02Mulher é homem.
11:03Homem é mulher.
11:04É uma puta de uma confusão.
11:06Que o ser humano normal, ele não entende.
11:09Ele não consegue entender isso aí.
11:11E aí, o que acontece?
11:13Algumas pessoas que podem ter ideias de esquerda legais, né?
11:17Alguns que podem ser deputados, que podem ser deputados, legal.
11:19Porque você precisa ter pluralidade.
11:21Óbvio.
11:22Não pode ser tudo uma coisa só.
11:23Também fica uma merda, né?
11:24Aí já é ditadura.
11:25Sim.
11:26Você...
11:27Ele acaba entrando nessa...
11:28Nessa Seara.
11:30Ele acaba entrando com essa turma.
11:32E ele perde também o discurso.
11:34Sim.
11:34Que é o negócio da Érica entrar no negócio da mulher.
11:38Aí você não consegue mais se acertar, entendeu?
11:41Vira uma confusão que ninguém se entende.
11:43Exato.
11:44A gente tem uma maneira de lidar.
11:46Que é, sim, sentar pra conversar.
11:49Eu sou da direita, mas eu acho que é necessário que se converse, encontre um mundo comum pra gente construir
11:54o Brasil comum.
11:55Enfim.
11:56Só que existem pessoas, como você disse, que não estão afim de conversar.
11:59Ou você aceita aqueles dogmas e eles vão perversando tudo.
12:03Conceito de família.
12:05E sem família, com famílias desestruturadas, daí que vem o crime, né?
12:09Sim.
12:10Então aí vai destruindo o conceito de família, de casamento, sexualidade.
12:14Aí você não sabe depois, porque tem também um monte de criminoso sem ir a nem beira, sem saber o
12:18que pode fazer da vida de melhor, né?
12:19Então tem essas coisas também, que um problema leva o outro.
12:22E essas crenças woke são realmente complexas.
12:26A gente lá com o professor Olavo sempre dizia que, na verdade, a gente tinha que fazer um trabalho do
12:32negativo, né?
12:33De examinar essas coisas e mostrar quais são os seus problemas, os seus defeitos.
12:37Ele era muito mais pacato do que parecia.
12:39É.
12:39Ele sentia entre os alunos, assim.
12:41Porque era pra examinar e explicar e sempre preservar o debate, né?
12:46Público.
12:46O professor Olavo é um cara muito...
12:48Um cara carismático, né?
12:50De mafavo.
12:52Além de ser um intelectual, né?
12:54Um cara que fazia uma...
12:56Puta, você pega...
12:58Fazia uma análise muito...
13:00Precisa.
13:01Aliás, por falar no professor Olavo, acho que uma coisa factual é a crise migratória.
13:05Que ele bateu muito na Europa em relação a abrir as fronteiras.
13:08E quando a gente fala todos esses assuntos juntos, você viu que agora é um problema, né?
13:12Sou de um acolhimento e agora a Europa não sabe muito o que fazer.
13:16Como que você analisa isso, que também tem a ver com as universidades, onde defendem também, né?
13:21Sem nunca terem ido, visitado, né?
13:24Ou pro Irã, ou pra Palestina.
13:26E lá também tem essa dificuldade em relação à minoria, à sexualidade.
13:30Como que você enxerga esse ponto?
13:32Eu enxergo que foi fruto de um adormecimento de parte da população.
13:37Como eu havia dito...
13:38Cara, eu ouço o Pânico desde criança, né?
13:41Os meus pais adoram.
13:42Era o papai, não era.
13:44Outra época.
13:44Outras pessoas.
13:45Esse Pânico é woke.
13:47E aí...
13:47O Pânico é outra...
13:49É desconstruído.
13:50O Pânico era da diversidade.
13:51A história do Pânico conta um pouco essa história no sentido de que ficou...
13:56A política se fez mais presente sem que ficasse chato.
13:58Eu acho que o programa tá evoluindo, tá cada vez melhor, assim, tá?
14:01É muito divertido e, ao mesmo tempo, fala de política.
14:05Quando eu estudei no Ensino Médio, Emílio, as pessoas odiavam política.
14:08Sim.
14:08Então, política era...
14:09É década de 90?
14:11Era chato.
14:11Então, não se falava muito na rádio, no Pânico, de política.
14:15Só que, a partir, principalmente, em 2013, eu, 10 anos antes, que eu fui do DCE, eu
14:19tinha cabelo no meio das costas, era meio diferente.
14:21Ó, tá dormindo.
14:21É, mas não, quase.
14:23Aí, fui aluno do Olavo, comecei a estudar mais e percebi o seguinte, cara, na verdade,
14:29houve um crime que me marcou, assim.
14:31Aquele crime contra a Liana, do Champinha, aquela coisa toda.
14:36Nossa, horrível.
14:36Eu achei aquilo bizarro de horrível e eu tava no DCE.
14:38E eu ouvi as pessoas justificando aquilo, cara.
14:41Aí, eu falei, olha, eu não sou como vocês, entendeu?
14:44Eu sou de outra espécie moral.
14:46Eu não acho que isso tenha a menor justificativa de um cara fazer aquilo e vir dizer, de classe,
14:51quando é que ele era um excluído da sociedade, tem que compreender nada, meu irmão.
14:55O que é isso?
14:55Tá ficando maluco?
14:56Aí, eu falei, eu não tenho nada a ver com essas pessoas.
14:58Eu sou outra coisa.
14:59Só que falar conservador e direito era absolutamente proibido naquele ambiente.
15:03Não dava.
15:04E aí, o Olavo trouxe uma linguagem, ou mandando, indicando traduções de livros,
15:09ou ele mesmo explicando as coisas do jeito dele, que a gente pôde se apropriar.
15:13Isso eu falo em 2003.
15:162013 foi o momento em que o povo viu que a esquerda tava tomando as ruas em manifestação de novo,
15:22viu que a bandeira do Brasil tava jogada no chão, pegou a bandeira do Brasil, tomou as ruas,
15:25disse, sai daqui partido.
15:27E aí, faltava o quê?
15:28Faltava uma orientação.
15:30E começa, ô Emílio, nesse momento, um amplo debate público.
15:34Qual é a nossa orientação?
15:35O que a gente pensa?
15:36Eu acho que esse debate não acabou ainda.
15:37A gente, mais ou menos, cristalizou algumas definições de esquerda e direita,
15:42mas esse debate ainda tá vivo e ele é muito importante.
15:44E eu acho que vocês ajudam demais esse debate aqui.
15:46É, não sei, eu não sei.
15:50Sei também, viu, meu querido professor.
15:52Eu também.
15:53Você tem essa intenção.
15:55Às vezes eu acho que a gente tem boas intenções, né?
15:59Quando você vai fazer um programa, que nem a gente vem aqui com boas intenções,
16:03quer levar informação, discussão e tal.
16:05Mas, às vezes, você fala, putz, isso aqui não vai acontecer nada.
16:09Esse país só vai andar pra trás e, né?
16:13Você perde a esperança.
16:15Isso aqui não tem mais jeito.
16:17Você perde meio o entusiasmo de fazer, de tentar fazer uma...
16:24Porque a gente vê que o negócio tá muito de gringolado, né?
16:27Bate muito na tra...
16:28Não, não, tá muito...
16:30Tá muito zoado.
16:32Essa é a palavra, é verdade.
16:33Tá muito zoado, porque, porra, quando você começa, que nem essas últimas notícias aí,
16:38nossa, quando você vê o cara pulando do barco...
16:41Pois é.
16:41Aí o outro vai lá, um dia tá lá e pula do barco, pula daqui, aí o outro sai de
16:45lá,
16:46aí o outro sai e você fala, meu Deus, isso deve tá uma podridão.
16:50Nossa.
16:51Agora, eu não sei, eu não sei se é esquerda ou direita.
16:57É a sociedade que tem que saber qual é o país que ela quer.
17:01É isso.
17:02É a gente que fala como é que a gente quer resolver essa...
17:08Quer continuar dando o cambalachinho, quer continuar sendo um malandroves,
17:13quer cantar, jogar pro lado, fazer não sei o quê.
17:16Como é que vai ser isso aí?
17:17É o povo que tem que decidir.
17:19Pois é.
17:19Não é, professor?
17:20É, tem que ter os dois lados, Emílio.
17:22Porque, como a pergunta dele da crise migratória, pra completar...
17:25Pois é.
17:26Eles deixaram muita coisa acontecer e agora direitas estão aparecendo
17:31no sentido de questionar certas coisas que colocaram como inquestionáveis.
17:35A gente agora tá melhor do que antes no sentido de que existe um debate mais rico
17:40compreendendo um maior número de variantes, de opiniões do povo, né?
17:45E eu entendo isso.
17:47Quantas pessoas não tão indo embora?
17:48Quando o Lula foi, quantas pessoas não foram embora?
17:50Quando vem corrupção, quantas pessoas não foram embora?
17:53Só que assim, a gente tem, como diz o Marcel Van Ratter e meu amigo, a gente tem que construir
17:57um Brasil pra nós mesmos, um Brasil melhor e pros nossos filhos.
18:01E cada esforço é absolutamente necessário.
18:04Como professor, eu acho que eu tenho que ajudar a explicar.
18:07E como eu te disse, de 2013 pra cá nós tivemos um aumento nas discussões, agora a gente
18:14precisa sair só da lacração, porque muita gente viu que dava dinheiro e que dava voto.
18:18Agora a gente precisa chegar numa etapa mais madura.
18:21Precisa ter análises mais bem feitas, compreensões mais sérias a respeito do que tá acontecendo.
18:26E a direita e a esquerda precisam ter planos, projetos pro Brasil.
18:30E eu acho que esse amadurecimento vai se refletir um pouco nessas eleições.
18:34Eu não sei se eu sou esperançoso demais, se eu sou otimista, mas eu acho que a gente
18:38já vai ter subido um pequeno degrau agora.
18:41Ô professor, mas essa questão da gente ter essa esperança toda e tal, isso também
18:46não tá muito atrelado, principalmente quando a gente fala de estudo, de educação, a gente
18:50fala das universidades, mas a gente sabe que principalmente a história, ela tem que vir
18:56da base, né?
18:57E a base histórica no Brasil pra ensino fundamental e outros, a gente sabe que assim, é uma porcaria.
19:03Queria saber do senhor, onde que mudou, virou a chave disso, de tipo, não, história
19:09não é algo tão importante, a gente sabe que é muito importante.
19:12Onde que virou essa chave pra ensinar história de qualquer forma e também já completando
19:17com os maiores equívocos, pra não falar mentiras, da história que é contada nas escolas
19:23hoje.
19:24Ah, excelente.
19:25Quando eu viajei, quando eu era jovem, eu era mais da filosofia e do direito, fui viajar
19:30pra fazer um intercâmbio cultural no Uruguai e na Argentina e vi o seguinte, olha só,
19:35o repertório deles era um orgulho muito grande da história dos seus países.
19:39Quando eu fui, morei um tempinho nos Estados Unidos, o orgulho enorme da história do país,
19:43eu morei num hostel que era com um carregador de sofá e com um cara que trabalhava na obra.
19:49E eles sabiam, no American Revolution, eles sabiam os Fallen Fathers, não sei o quê.
19:53E aí a gente aprende na escola que era um príncipe de caganeira em cima de um burro
20:02e que gritou independência ou morte lá e que aquilo foi só uma enganação que não
20:06serviu pra nada.
20:07Aí tu pensa, como é que vai ter patriotismo se a data da tua independência é recordada
20:13como um cagão em cima de um burro, entendeu?
20:15Esse é o problema.
20:16E aí eu percebi, eu preciso recuperar, porque a gente que é de Santos, eu estudei lá e vim de
20:23lá.
20:23A gente tem uma ideia de que existe uma participação de José Bonifácio de Andrade Silva, que era um gênio.
20:32Tá lá na sexta avenida, tem a estátua dele lá em Nova Iorque.
20:37Exato.
20:37José Bonifácio.
20:38Ele dizia que quando viesse, ele queria morar em Santa Catarina já, desde aquela época.
20:44Ele é de Santos.
20:45Eu tô realizando o sonho dele, fui morar em Santa Catarina.
20:48Então, mas aí os caras, porque quem fez isso foram os caras que derrubaram o império.
20:55Os caras que derrubaram o império mudaram a história lá no contexto da república,
20:59mas a gente já tá falando de um processo que de reação ao regime militar,
21:03muito pessoal da esquerda, dos partidos inclusive, começou a estudar, passar nos concursos pras universidades,
21:09ensinar os professores e aí os professores foram parar nas escolas.
21:12Então foi um processo bem cuidado, não é?
21:14Porque existe, bom, vamos dizer que não.
21:16Tem Antônio Gramsci dizendo pra fazer isso.
21:17Tem Luí Alto C dizendo pra fazer isso.
21:19Eles estudam isso.
21:19Eu fiz várias faculdades.
21:20Toda hora eles estudam esses caras.
21:22Vai dizer que não é?
21:22Foi tudo planejado.
21:23Então aí eles conseguem alcançar o objetivo deles, certo?
21:27De na maior parte das escolas, você ter um ensino.
21:29Os heróis são aqueles que de alguma forma colaboraram com algum tipo de revolução socialista.
21:34É.
21:35Aqueles que não colaboraram com revolução socialista.
21:37Que é o filme aí, Edu.
21:38É o filme, esse filme ruim aí.
21:40A gente secreta.
21:40A gente secreta.
21:41Gosto muito, professor.
21:42E eu queria ir no embalo do teu pensamento aí.
21:45Qual que é o preço de um povo que não sabe a própria história?
21:50O preço é enorme.
21:51Porque a história, ela é a única maneira de você ter uma memória coletiva.
21:55Sem memória você não sabe quem você é.
21:57A pessoa que, por exemplo, padece de Alzheimer, a primeira coisa que ela começa a fazer
22:01é perder as referências de quem ela mesma é.
22:03Se você acorda e não lembra o que fez nos dias anteriores, você não lembra para onde está indo.
22:07O teu passado é que permite que você se projete.
22:11Então, como povo, enquanto brasileiros, se nós queremos que exista Brasil e que nós, enquanto brasileiros,
22:18sejamos um povo ativo e realizador, nós precisamos de uma memória comum.
22:23A história é a ciência que permite que essa memória comum não seja explorada por ideologias,
22:29de repente por algumas pessoas manipuladoras.
22:31Então, a história é uma ciência, digamos assim, saneadora da memória.
22:34Ela faz bem, mas ela tem que ser bem empregada.
22:38Ela tem que estar bem na universidade e ela tem que estar bem nas escolas.
22:40Então, mas se você for ver bem o jeito como é vendido o Brasil hoje, que está um jeito ruim.
22:47Porque o Brasil, ele já foi vendido como?
22:49Se você lembrar, Pelé.
22:51Opa.
22:53Quando você ia para o exterior assim, você falava, eu sou brasileiro.
22:55Eu falava, Pelé.
22:56E dava um sorriso para você, né?
22:58Carnaval.
22:58Porque ele lembrava do Carnaval, ele lembrava do Pelé, lembrava das praias.
23:02Cultura.
23:02De Copacabana, do Rio de Janeiro, aquela imagem.
23:05Hoje em dia, o Brasil, ele é visto como favela.
23:09Isso.
23:09Como PCC, como tráfico de drogas.
23:12Esse comercial que a Nike fez no Brasil.
23:16Essa é a imagem do Brasil que a gente manda para fora.
23:21E um período muito rápido que aconteceu isso, né?
23:25É exato.
23:25É um período muito rápido.
23:27Desgastou.
23:27A gente tinha que aprender com o futebol, esse lado bom.
23:30Eu sei que a gente está em crise do futebol, mas queria eu uma crise dessa no resto da economia
23:33e tal.
23:34Mas a gente tinha que aprender com o futebol o seguinte.
23:37É o esporte mais popular do mundo.
23:39E nós estivemos na dianteira e ainda estamos em termos de conquistas, certo?
23:42A gente precisa olhar como é que o futebol tem sido funcional e tem apresentado o Brasil para o mundo
23:47de forma tão interessante.
23:48Cadê os nossos heróis dos outros âmbitos?
23:50Cara, eu adoro o Pelé, cara.
23:52O Pelé, eu acho que o Neymar deve ir para a Copa.
23:54Você nem perguntou, eu já estou falando.
23:55Eu acho que...
23:56Não, o Neymar vai.
23:57Já vai.
23:58Já acertamos lá.
24:00Falamos com o Encelote.
24:02Eu sou fã.
24:03Ronaldo, Ronaldo Gaúcho.
24:05Eu acho que o futebol tem a nos ensinar, sabe?
24:08E a gente tem que aprender com o futebol a fazer o seguinte.
24:10Como é que a gente vai aprender a aplaudir com gosto, a prestar atenção, a ser audiência de um escritor,
24:17de um artista, de um cientista, de um bem feitor.
24:21A gente precisa ter esse entusiasmo.
24:22Não perder.
24:23Eu não sou daqueles que acham que...
24:24Ah, não.
24:25Só pensamos em futebol.
24:26Sabe aquelas pessoas amarguradas?
24:28Só pensamos em futebol.
24:29É, mas isso é tonto.
24:30Isso é tonto.
24:31Isso é tonto.
24:31É, tonto.
24:32A gente tem que aprender com o futebol, que a gente é muito bom, repito, o maior, o esporte mais
24:37popular do mundo.
24:37O Brasil se destaca, então a gente tem que tirar lições daí.
24:39E eu acho que as lições é respeitar a nossa independência, respeitar um Pedro I.
24:44Porque graças ao respeito ao Pelé, que foi possível um Neymar.
24:48Boa.
24:48Não é?
24:49Sem dúvida.
24:49Então é nesse sentido que eu defendo a...
24:52Pedro I, ele teve filho com a Madre, porra.
24:55Teve 33 filhos.
24:56Mas ela quis.
24:57Não, mas...
24:57Esse era artilheiro.
24:58Não, ela quis.
24:59Mas esse é artilheiro.
25:00Esse não errava o gol.
25:02Ele tinha 23 anos, cara.
25:04Caramba.
25:04Não é?
25:05É impressionante, né?
25:06É impressionante o Pedro I.
25:08É que no...
25:09É que fica...
25:10É, o João VI também era...
25:13Sim.
25:14Ele era um...
25:14Porque foi passada uma imagem de...
25:17Pô, mas ele deu a volta?
25:18Sim.
25:18Ele deu a volta no...
25:20Quem que ele deu a volta?
25:21Napoleão francês, porra.
25:23Ele deu a volta no Napoleão.
25:25Ele deu a volta aqui e colocaram ele que ele era um gordo que só comia frango.
25:27O cara...
25:27O cara deu a volta no Napoleão, mítico.
25:30Sim.
25:30E preservou o território mais amplo.
25:34A maior população portuguesa da época que tava aqui e preservou a maior riqueza
25:37da época que tava aqui.
25:38Isso.
25:39Então, mas...
25:39Eu comedor...
25:40Mas, professor, isso não é fala.
25:42Isso não é comentado, né?
25:43É, porque tem uma má vontade.
25:46Eles...
25:46Eles...
25:47Parece que tem muita gente que enquadra os tempos passados.
25:50Só tudo ruim é a ideia dos progressistas que são ruins, né?
25:55Tudo foi ruim até chegar...
25:56Eu estudei direito e no direito é assim.
25:58A Constituição de 88 é o ápice da humanidade, assim.
26:00Sim.
26:01O que...
26:01Nós tivemos oito Constituições.
26:03As anteriores são todas etapas, né?
26:07Graduais que foram nos fazendo chegar à Constituição de 88.
26:09Que nem existe mais.
26:10Tem um amigo que trabalha com isso, direito constitucional.
26:11Ele dizia que é a Constituição vigente.
26:13Porque não é mais a de 88.
26:14É.
26:14De tanto que ela mudou.
26:15A dos Estados Unidos tá desde 1787 em vigor.
26:19A nossa, desde 1988, já não é mais a mesma.
26:21Então, o que eu acho?
26:22A gente tem se perdido, né?
26:24Nessa trajetória.
26:25E a memória, a história, nos ajuda também a recuperar.
26:28Boa, professor.
26:29Vamos marcar outro dia aqui, ó.
26:30Porque tem muito assunto pra falar.
26:32A história, acho que todo mundo gosta, né?
26:34Porra!
26:35Todo mundo...
26:36Precisa.
26:36Todo mundo...
26:37Quer saber a real.
26:39E, pô, o papo é muito bom.
26:41Eu vou passar a rede social do professor Nogueira.r.
26:44É o Rafael Nogueira.
26:46O site dele, rafaelnogueira.com.br.
26:49Mas, acredito que lá no Facebook, você tem todo o caminho do professor Rafael Nogueira.
26:54Obrigado, viu, Rafael?
26:55Foi show de bola.
26:56Sensacional.
26:57Obrigado demais.
26:57Bacana.
26:57Boa!
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