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  • há 2 dias

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Diversão
Transcrição
00:27A CIDADE NO BRASIL
00:44A CIDADE NO BRASIL
01:25A CIDADE NO BRASIL
01:43A CIDADE NO BRASIL
02:13A CIDADE NO BRASIL
02:32A CIDADE NO BRASIL
03:04A CIDADE NO BRASIL
03:12A CIDADE NO BRASIL
03:23A CIDADE NO BRASIL
03:53A CIDADE NO BRASIL
04:17A CIDADE NO BRASIL
04:26A CIDADE NO BRASIL
04:31A CIDADE NO BRASIL
05:12A CIDADE NO BRASIL
05:15A CIDADE NO BRASIL
05:37A CIDADE NO BRASIL
06:11A CIDADE NO BRASIL
06:15A CIDADE NO BRASIL
06:38A CIDADE NO BRASIL
06:40A CIDADE NO BRASIL
06:42A CIDADE NO BRASIL
06:47A CIDADE NO BRASIL
07:20A CIDADE NO BRASIL
07:21A CIDADE NO BRASIL
07:21A CIDADE NO BRASIL
07:27A CIDADE NO BRASIL
07:34Pronto, toma tudo, tá?
07:47Pô, você fez o café no fogo, né?
07:49Foi, tá quente, né?
07:51Mas, seu Marcos, dá um jeito de tomar tudo.
07:53Vai, olha, toma.
07:54Não trouxe um Guaranapão?
07:55Não, desculpe, não deu tempo.
07:57Eu tinha que disfarçar da Conceição.
07:59Olha, toma aqui, ó.
08:01Toma mais, toma.
08:02Tá quente.
08:03Por favor, mas faz bem, toma.
08:09Você é bonita.
08:11Eu?
08:12Obrigada.
08:14Sabe que eu nunca disse isso pra você, sabe por quê?
08:17Não.
08:18Porque eu sei que você ia...
08:22Você ia chegar...
08:24Certo.
08:25E ia dizer que você é casada.
08:28Exatamente, seu Marcos, eu sou casada.
08:29Seu Marcos, por favor, para comigo.
08:31Mas a Nadinha, eu sei que você ia falar.
08:34Sai, mas eu brinquei por lá.
08:36Seu Marcos, para comigo.
08:37Isso não vai brigar.
08:37Não, eu vou.
08:38Seu Marcos, para!
08:41Seu Marcos, por favor.
08:43Você não vai brigar comigo, não.
08:45Seu Marcos, por favor, para com isso.
08:48Tá bem?
08:48Tá?
08:49Eu vou fechar a porta pra ninguém saber que você está aqui.
08:52E o senhor vai tentar dormir.
08:53Toma um banho frio, por favor.
08:55Banho frio?
08:56É.
08:57Agora?
08:57Já.
08:58Você vai lá para o banheiro e eu vou...
09:01Peraí, não.
09:02Dona Renata.
09:03Peraí, peraí.
09:03Dona Renata.
09:04Quero falar um negócio.
09:05É sério, dona Renata.
09:07Dona Renata.
09:10Dona Renata.
09:10Eu não vim, eu vou chamar.
09:11O que foi?
09:12Não vou falar, por sério.
09:13O que é, seu Marcos?
09:14Eu quero chamar, por favor.
09:15Aqui.
09:16Eu não vim hoje.
09:17Já.
09:18Rapidinho mesmo.
09:20Ah, você é tão bonito.
09:22Para, chamar.
09:24Seu Marcos não sabe que você está aqui.
09:27Seu Marcos fica zangado.
09:29Mas, Chico, o que você almoça, hein?
09:31Aí, eu almoço milho, mandioca, banana, mamão, peixe.
09:38Peixe que pesca no rio.
09:40Tatu, carne de tatu.
09:43Giripapo.
09:45Eu come tudo coisa que eu gosto.
09:46E as crianças da patrícula?
09:48Elas brincam que nem a gente, assim?
09:51Brinca.
09:52Brinca bastante.
09:53Criança brinca assim de nadar no rio.
09:56Brinca com perna de pau.
09:57Conhece perna de pau?
09:58Eu conheço.
09:59Conhece?
10:00Brinca com pulacoda, com bula.
10:04Brinca de morcego.
10:05Como é que você brinca de morcego?
10:08É assim.
10:11Procura cantador.
10:12Aí, criança vai, entra na casa da vila, lá na aldeia.
10:18Entra na casa e canta.
10:20Aí, quando termina a canta, sai correndo, entra na outra casa de frente e canta também.
10:25Aí, sai correndo, canta assim um monte de casa, canta muito, muito, muito.
10:30Quando temer, canta a música assim.
10:34Vem o seco de pendura.
10:40Aí, criança sai correndo, pega a tição, tição com fogo e faz fogueira.
10:46Legal.
10:48É.
10:48A menina brinca de pescar no rio.
10:52Brinca com, faz boneca, boneca de espiga de milho, brinca com boneca de espiga de milho.
10:57Tem menino que briga?
10:58Briga.
10:59Briga bastante.
11:01Mas pai não se importa, não.
11:02Nem pai, nem mãe.
11:03Pode brigar.
11:05Nem pai, nem mãe.
11:06A criança não apanha.
11:08Criança nunca apanha.
11:10Nunca apanha?
11:12Nunca apanha, nunca.
11:14É.
11:15Índio não faz maldade com criança, não.
11:19Não.
11:19Nem briga na frente de criança.
11:22Legal, né, Thavir?
11:23É, dá até vontade de ser índio.
11:26É.
11:28O homem branco faz muita maldade com criança.
11:31Índio muito bom.
11:34Muito mais, Chico.
11:36Mais o quê?
11:38Mais sobre a sua tribo.
11:40A gente gosta de escutar.
11:42É, Chico, agora a gente tá de férias.
11:43Pode vir sempre.
11:45Hum, criançada tudo vagabundo.
11:50Eu quero me encontrar com você longe daqui.
11:54Aonde, por exemplo?
11:56Na cidade?
11:59Hum, bobona.
12:00Tua família não deixa, Luzia.
12:02Você não pode nem botar o pé fora de casa.
12:05Eu fujo?
12:06Você vai ver como é que eu vou.
12:15A gente já vai.
12:17Tá legal.
12:19Já tô indo.
12:24Ué, não escutou?
12:25Já tô indo.
12:27Luzia, vai pra casa.
12:28Vai.
12:32Tá louca, Raquel?
12:35Vai ver se eu tô na esquina, vai.
12:38Ai, ele é muito menina ainda.
12:40Eu não me meto na sua vida e não quero que você se meta na minha, tá?
12:56Luzia, vai pra casa.
12:59Obedece, meninanda.
13:00Vai pra casa.
13:02Olha aqui, seu pai.
13:04Eu não vou mais descontrolar com o senhor, não, viu?
13:06Eu quero que o senhor deixe minha filha em paz.
13:11Eu já tô me cansando de falar.
13:14Vambora, meu irmão.
13:17Vambora.
13:23Bem, agora que vocês já conhecem os meus sonhos,
13:28o que é que vocês acham?
13:29Eu acho...
13:31Eu acho magnífico.
13:34Bem viável, né?
13:36Viável?
13:38Você pensa assim?
13:39É, penso.
13:41E eu penso que a senhora está muito, como é que dizem, muito enxuta.
13:48É verdade.
13:49Enxuta?
13:50Eu?
13:50É.
13:51Você acha?
13:52Eu acho que a senhora tem todo o direito de procurar um cidadão que queira sonhar com a senhora, né?
14:01Então você acha que meu sonho pode se realizar?
14:03É, contanto que a senhora não sonhe comigo, porque eu estou absolutamente fora de cogitação, né?
14:09Ah.
14:11E você, Candinho?
14:13Eu não estou morto.
14:15Oh!
14:16Agora eu estou.
14:18É?
14:19É.
14:19Mortinho de tudo?
14:21É.
14:22É.
14:22Quase tudo.
14:25Eu estou mais vivo do que nunca.
14:28Oh!
14:29Ei, tia!
14:29Vamos embora.
14:30A senhora já vendeu as rifas, né?
14:31Ah, Raquel.
14:32A minha visita está sendo tão proveitosa.
14:36Quer dizer que você está vivo?
14:38Que tal se nós vivêssemos uns momentos de devaneio?
14:44Tia!
14:47Vamos ver as hortaliças?
14:49Ótimo.
14:50Eu adoro verduras.
14:54Vamos.
14:55Vamos.
14:56O que tem de hortaliça?
14:57Ah, lá.
14:58Vamos.
14:59Vamos.
15:04Vamos.
15:05Vamos.
15:05Ele não está morto, hein?
15:08Judia de mim.
15:11Judia, se eu não sou merecedor.
15:15Esse amor, se eu choro, será que você não notou?
15:20É a você que eu adoro.
15:22Pai, abre a porta.
15:26Papai.
15:28Papai.
15:28O que foi, Carol?
15:30Não sei.
15:30Papai se trancou aí dentro.
15:32Não fala, não responde.
15:36Marcos, abre a porta.
15:37Abra a porta, Marcos.
15:39Ai, meu Deus do céu.
15:41Ele teve alguma coisa, vovô?
15:42Não teve coisa nenhuma.
15:44Ele está dormindo.
15:45Pai, não dorme nessa hora, vovô.
15:47Ô, papai.
15:48Papai.
15:49Já sei o que eu vou fazer.
15:51Hã?
15:51Pronto.
15:55Eu vou chamar o doutor Assunção.
15:56Calma, meu irmão.
15:57Calma.
15:58O doutor Assunção não está bem.
15:59Ele pode estar sentindo alguma coisa, vovô.
16:02Estou sentindo.
16:05Alô?
16:06Doutor Assunção?
16:07Oi, aqui é a Carola.
16:09É o pai.
16:10Ele se trancou no quarto.
16:12Ele não está respondendo.
16:13Eu não sei o que aconteceu.
16:15Ele pode estar até morto.
16:34Lembra-se de quando você teve isso quando era criança?
16:37Não, senhor.
16:39Não lembro.
16:40Eu soube que o quadro era o mesmo.
16:42Você foi levado a um oculista.
16:45Seus olhos estavam perfeitos,
16:47mas você também não enxergava.
16:49É, o Sandro falou.
16:50Mas eu não lembro mesmo.
16:53Que idade você tinha quando isso aconteceu?
16:56Quatro anos.
16:59Doutor, essa sensação é horrível.
17:02Claro que não há sensação boa.
17:04Mas você sabe que seus olhos estão perfeitos.
17:09É, o oculista examinou.
17:11Falou que estava tudo bem.
17:14Diante de tudo o que me disseram,
17:16o seu caso é o que se pode chamar de uma cegueira psíquica.
17:22Isso é comum?
17:23É bastante raro.
17:25E pode, às vezes, determinar uma aparente perda de visão total ou parcial.
17:31A minha é total.
17:33Sim.
17:35E essa perda pode durar alguns segundos, algumas horas ou mesmo dias.
17:40É um problema psicológico profundo.
17:45Em resumo, o aparecimento de sintomas orgânicos de origem histérica.
17:52O senhor está querendo me dizer que...
17:54É uma espécie de falsa cegueira.
17:58Ah, entendi.
18:00As pessoas têm a sensação de que a vista desaparece,
18:04mesmo que organicamente a pessoa esteja perfeita,
18:07como pode ser comprovado no exame ocular.
18:12Doutor, como o senhor sabe, eu...
18:15Eu também não enxergava quando me encontraram na rua sozinha, perdida.
18:23O senhor acha que aquela cegueira tem a ver com essa que o Samu falou que tem?
18:28Possivelmente, sim.
18:29Esse tipo de manifestação de origem psicológica,
18:33ele tem a tendência a se repetir.
18:35Mas repare bem, desde que evocados os fatos psicológicos
18:40que determinaram a sua primeira aparição.
18:42É o que chamamos de trauma psíquico.
18:45O senhor está querendo dizer que eu fiquei sem enxergar
18:49porque me senti desamparada de novo?
18:51Eu não posso falar nada por enquanto.
18:53Mas a verdade é que você antes enxergava.
18:56Não, eu não enxergava.
18:59A pessoa se sentir abandonada, desamparada,
19:02é uma forma de estar no escuro,
19:04de não enxergar
19:06a outros casos de pessoas que têm medo
19:08de enfrentar determinadas situações.
19:11Enfim, é preciso uma análise mais aprofundada.
19:16É bom saber que a psicanálise não é adivinhação,
19:18é uma ciência séria
19:20e que deve ser tratada por pessoa especializada.
19:31Você está nervoso.
19:33Não.
19:34É, o senhor sabe como é, né?
19:36Sei.
19:37É o senhor que está nervoso.
19:39E eu?
19:39Não.
19:43O senhor acha que...
19:45que a Karina vai ter que voltar outras vezes aqui?
19:49Ah, sabe, essas coisas demoram, né?
19:52É, eu não entendo, eu não entendo nada,
19:54mas eu acho que ela vai ter que voltar, sim, né?
19:59Eu queria saber por que que isso aconteceu comigo.
20:03Eu não tenho a resposta certa nesse momento,
20:06mas o que é provável é que sua personalidade é muito sensível
20:09e que alguma coisa deve ter acontecido de marcante na sua infância.
20:15Mas o senhor falou em histeria,
20:16o senhor está querendo dizer que eu sou histérica?
20:18Não se preocupe com o nome da doença.
20:21A histeria é uma denominação antiga.
20:24Você sabia que estero significa útero?
20:27Não, eu não sabia.
20:28Tinha esse nome porque se imaginava que só atingisse as mulheres.
20:33Hoje a gente sabe que não, mas o nome ficou.
20:35A palavra histeria não tem esse aspecto depreciativo
20:39de falsidade, fingimento, dissimulação.
20:41As pessoas realmente sofrem de um poder incontrolável.
20:47Realmente acreditam que estão cegas.
20:49Eu acho que esse é o seu caso.
20:52E aí?
20:53Eu entendi tudo o que o senhor falou agora.
20:57E agora?
20:58Quando as coisas não se resolvem naturalmente,
21:01é preciso procurar um especialista e formular um tratamento.
21:06O que é que aconteceu?
21:08O pai, doutor Sussão, ele se trancou no quarto.
21:10A gente bate, ele não responde.
21:12Eu não sei o que aconteceu.
21:13Eu não sei se ele desmaiou.
21:15Quem foi que falou com ele pela última vez?
21:17Fui eu.
21:18Ele chegou e foi direto para o quarto.
21:22Aham.
21:24O senhor vai lá e eu vou lá com o senhor.
21:25Não, não, não.
21:26Eu prefiro ir sozinho.
21:27Tá.
21:29Eu...
21:29Meu Deus.
21:30Eu tenho achado o Marcos muito esquisito ultimamente.
21:35Sabiam?
21:36Também.
21:37Ele não come, não brinca mais com a gente.
21:39Pois é.
21:40Deixou até de implicar comigo.
21:42Foi isso que me chamou a atenção.
21:44Ele deve estar muito doente ou então muito preocupado.
21:55Mas que diabo é isso, rapaz?
21:58Tua família aí aflita e você...
22:00Renata!
22:00Renata!
22:01Deixa eu parar.
22:03Calma, calma.
22:04Tu é feio.
22:04Calma, calma.
22:05Você é lindo.
22:06Tava tão bonita antes aí.
22:07Rapaz, tua família aflita aí.
22:09Cadê a minha família?
22:10E você?
22:10Sem abrir a porta.
22:12Não, rapaz.
22:13Deixa eu falar.
22:13O Vitor, deixa eu falar.
22:15Pô, que moça legal, cara.
22:18Moça legal, a Renata, viu?
22:19Sim, eu sei.
22:20Ela fechou essa porta pra ninguém ver.
22:24Mas por que ela fechou essa porta?
22:26Ela é bonita.
22:27Por que eu tô assim nesse estado?
22:29Melhor você ficar com a chave, não ficar por dentro.
22:31Acho melhor a Renata.
22:32Olha como ela é bonita.
22:33Calma, calma.
22:34Renata!
22:35Renata!
22:36Fiquei fiquem.
22:38Aí, aí.
22:39Rapaz, eu perdi tudo.
22:42Esquipando, eu não tenho uma bebedeira
22:44em plena às 11 horas da manhã.
22:45Porra, estão os auditores lá na firma.
22:47Sabe o negócio de auditor?
22:48Não é o cara que ouve, não.
22:49O que aconteceu?
22:50É o cara que toma nota,
22:51que fica lá olhando.
22:53O papel tem.
22:54Eu vou ter que botar um monte de dinheiro lá naquele...
22:57Lá, tudo.
22:58Porra, da firma, sabe como é?
23:00Vou ter que vender o hotel.
23:01Eu perdi tudo.
23:02Eu perdi tudo, tudo, cara.
23:06Boa!
23:07Porra, tu não acha a Renata bonita, não?
23:10Acho.
23:11Hein?
23:11Nossa, tu sabe que ela vai ser minha noiva.
23:14O que que tá fazendo aí, hein?
23:16O que que tá fazendo aí, hein?
23:19Você vai tomar uma injeção.
23:21Vai tomar o quê?
23:22Uma injeção.
23:23O que tomar uma injeção, pô?
23:24Tá pensando que eu sou o quê?
23:25Tomar uma injeção,
23:26tá dizendo que eu sou paliteiro, hein?
23:28Vai tomar uma...
23:28Meu negócio agora, sabe qual é?
23:30É a Renata.
23:32Eu vou casar com a Renata.
23:34Ela vai ser minha noiva
23:36e eu vou casar com a Renata.
23:38Agora, tem um negócio, hein?
23:41Esta coisa de você dizer
23:42que vai me dar injeção...
23:44Mas não vai dar injeção em mim.
23:47Nem que a vaca tuça.
23:49Você já viu vaca tossir?
23:51Nunca viu vaca tossir.
23:52Fica quieto, Marcos, por favor.
23:54Como vaca não tosse...
23:55Não tosse.
23:56O que significa
23:56que tu não vai me dar injeção
23:58nunca na tua vida.
24:00Vou, vou.
24:00Tu vai ter que ser médico demais
24:01porque eu odeio tomar injeção.
24:04Fica quieto, quieto, quieto.
24:05Injeção tu não vai me dar.
24:06Quieto.
24:11Bom, ela deve ser submetida
24:14a uma psicoterapia.
24:16Como é que é isso, doutor?
24:17Ela vai ter que fazer
24:18uma série de entrevistas
24:19algumas vezes por semana.
24:21Agora, eu não posso garantir nada
24:23quanto à duração, ao tempo.
24:25Tudo vai depender
24:25da evolução do quadro clínico.
24:27Ah, perfeito.
24:29Bom, isso quer dizer que
24:31pode acabar logo, então, né?
24:33Depende.
24:34Às vezes demora mais tempo.
24:36Doutor, me pergunto.
24:38Isso que aconteceu
24:39com a carina
24:41é comum?
24:42Não, a cegueira psíquica
24:44é uma forma rara
24:45de conversão estérica.
24:47Mas é passível de tratamento.
24:50Bom, mas...
24:52O show não pode precisar
24:54quanto tempo vai demorar, né?
24:55Não, isso depende
24:56de vários fatores.
24:58Mas o que ela precisa
24:59num momento,
25:00além da atenção profissional,
25:02é de carinho, apoio, segurança.
25:04Ah, bom.
25:05E se ela já tem conosco?
25:06Então, já estamos
25:07em meio caminho andado.
25:08É.
25:09Bom, então, doutor,
25:10acho que nós podemos
25:11já marcar a primeira sessão
25:13do tratamento.
25:14Sim, sem dúvida.
25:33Eu vi, hein, Candi?
25:35Ah, que vice.
25:38Vi você beijando
25:40a dona Joconda
25:41lá no chiqueiro.
25:43Não tem nada
25:43com o chiqueiro.
25:44O beijo é que tem importância,
25:46não é o chiqueiro.
25:46Ah, confessou, não é verdade?
25:48Ah, viu só?
25:49Ele estava beijando
25:50a dona Joconda
25:52lá no chiqueiro.
25:54Tio Candi, é verdade?
25:56É verdade.
25:58Formidável.
25:59Acho legal, viu?
26:00É, legal digo eu.
26:01Que lábios macios
26:03que ela tem.
26:04Eu não acho.
26:06Ué, você não beijou,
26:07você nunca experimentou.
26:09Escuta, tipo, Andinho,
26:10quer dizer que vale a pena, não?
26:12Ah, se valeu a pena,
26:13devia ter feito isso antes.
26:15Ah, é maravilhoso.
26:17Não podia ter escolhido
26:18um outro lugar mais,
26:20mais, mais,
26:20mais bem cheiroso, não?
26:21Ah, você sabe,
26:22Branca, você está, ó,
26:23dor de contuseiro.
26:24Imagina, eu não.
26:25É, não beijou.
26:27Quem beijou fui eu,
26:28estava com dor de contuseiro.
26:29Olha, está aí, Bruno.
26:31A próxima vez que a dona Joconda
26:33vier, o senhor vai lá
26:34e manda a pau.
26:36Se eu der tempo.
26:39Eu não ia beijar ninguém
26:41atrás de Chiqueira.
26:43Ficou tudo assim,
26:45pôs um beijo,
26:45me churuca.
26:46Imagina.
27:06Luzi, Luzi.
27:10Jogar fora essa folga
27:11que aquele tarado te deu?
27:12Onde é que você estava, menina?
27:13Eu mandei você embora
27:14para casa e me perdi de você.
27:16Onde é que você
27:16se escondeu de mim?
27:18Vamos para casa.
27:19Vamos embora para casa.
27:20Passa.
27:25Eu não sei mais de que jeito
27:27que eu vou falar com você.
27:28Não sei mesmo.
27:29Você parece que é surda.
27:30Você está fechada.
27:32Não me ouve.
27:32Não escuta os meus conselhos.
27:36Luzia,
27:37eu vou falar devagar, filha.
27:38Esse moço
27:40não quer nada com você.
27:43É passatempo, filha.
27:45Ele quer se divertir.
27:48Minha filha, me ouve.
27:49Você é divertimento para ele.
27:52O Rai gosta de mim, mãe.
27:55Gosta.
27:57Gosta.
27:58Ele gosta para farra,
28:00para pouca vergonha.
28:02Ele não quer nada
28:03de sério com você.
28:05Olha, se você continuar assim,
28:07você vai acabar
28:08na boca do povo.
28:10Você vai acabar falada.
28:13Com ele não acontece nada, não, filha.
28:14Porque ele é rico.
28:16A Donana é importante.
28:17Amando a chuva da cidade.
28:22Filha.
28:25Ô, Deus.
28:26Me diz de que jeito
28:27que eu tenho que falar com você
28:28para te afastar deles.
28:29É mais de suado.
28:30O Rai não é mais de suado.
28:31Não.
28:33Ele não é mais de suado, não.
28:35Ele é pior que isso.
28:36Dizem até que ele é marginal.
28:38Gente, que tem inveja dele.
28:44Tá bom.
28:46Cansei.
28:48Tua mãe cansou.
28:51Eu não vou falar mais nada.
28:53Eu não posso andar atrás,
28:55correr dia e noite atrás de você
28:57que nem um pagem, né?
28:59Porque eu tenho meu serviço,
29:00eu tenho que trabalhar
29:01para a gente comer.
29:04Tá bom.
29:06Eu não vou falar mais nada.
29:09Eu te entrego nas mãos de Deus.
29:19Deixa ele dormir.
29:21Ai, meu Deus.
29:22Ele é tão pálido.
29:24Doutor,
29:25o Ecoleca de rei mesmo.
29:27Por que ele não abriu a porta?
29:29Mas ele não queria que vocês vissem
29:31que estava sofrendo.
29:32Agora já passou.
29:33Quando acordar,
29:34não vai sentir mais nada.
29:36Bem, eu já ouvi.
29:38É.
29:49E então,
29:50o que é que o senhor disse?
29:52Inventei uma crise renal.
29:54Ótimo.
29:55Quando ela acordar,
29:56avisa,
29:56ele tem que confirmar, hein?
29:57Claro, claro.
29:59Escuta,
29:59ele me...
30:01me contou,
30:01ele perdeu tudo,
30:02é verdade?
30:03É verdade.
30:04Perdeu tudo,
30:04tudo, tudo.
30:05Tá a zero.
30:06Que tragédia.
30:08Pois é,
30:09a senhora é muito amigo dele?
30:10Uhum.
30:11Bom,
30:11qualquer dia desse seu passo aí
30:13pra conversar,
30:14pra animar, né?
30:15É,
30:15bom.
30:16Agora,
30:16o importante é que ninguém saiba,
30:17sabe?
30:18Eu vou acompanhar o senhor.
30:19O dia de mim,
30:22o dia,
30:23se eu não sou merecedor,
30:26esse amor,
30:28se eu choro,
30:29será que você não notou?
30:31É a você que eu adoro,
30:34carrega esse meu sentimento
30:35sem decente,
30:37de um dia de mim,
30:39de um dia,
30:42eu não sou merecedor,
30:44esse amor.
30:47É,
30:48a cana quando é boa,
30:50se conhece pelo nó,
30:52a sobrir entre os dentes,
30:54uma cantiga do amor de Deus,
30:57vem cringar música,
30:58vá por sobre ele.
30:59Oi.
31:01Ai, Laerte,
31:02você de novo, Laerte.
31:04Fiquei com saudade.
31:08Espera aí,
31:09Renata.
31:10Laerte,
31:11por favor,
31:12para com isso,
31:13Laerte,
31:14para de pegar no meu pé,
31:15que coisa.
31:16As crianças podem ver,
31:17depois seu Marcos está doente,
31:18ele está precisando de mim,
31:19para com isso.
31:20Espera aí,
31:20você é enfermeira também agora?
31:22vai embora,
31:23vai embora, Laerte.
31:24Renata.
31:27Renata,
31:28você me enfeitiçou.
31:31Eu já estou cheio desse papo,
31:33só estou te pedindo para você não se meter na minha vida,
31:36está legal?
31:36Mas, Rai,
31:37a Luzia é muito bobinha ainda,
31:38ela é muito menina.
31:40Rai,
31:40Rai,
31:41você sabe que você mora aqui,
31:42que eu estou sempre do seu lado,
31:43é ou não é?
31:44Mas agora tem dó,
31:45rapaz.
31:46A Luzia não é o seu tipo.
31:48Bom,
31:49titi,
31:49isso quem decide sou eu.
31:50A Luzia gosta de mim,
31:51qual é o pecado?
31:52O pecado,
31:53Rai,
31:53é que a mãe dela,
31:54a Odete,
31:54não gosta disso,
31:55ela fica muito nervosa.
31:57Tá,
31:57para o inferno,
31:58Odete.
31:59Rai,
32:00você vai acabar se metendo numa encrenca,
32:02viu?
32:03Olha aqui,
32:04neném,
32:05quando você resolveu se casar com o Cafa aí,
32:09eu não me meti,
32:10aliás,
32:10eu me meti,
32:11fiz um escândalo,
32:12fiz um escarcel,
32:13eu briguei com ele,
32:14fiquei com raiva,
32:15por sua causa,
32:16para te defender,
32:17mas aí eu pensei,
32:19pensei,
32:19lembrei de uma coisa que eu já sabia,
32:21ninguém tem que ficar se metendo na vida de ninguém,
32:24tá?
32:25Se liga nessa aí.
32:27Mas eu pensei que você estava parado na Karina.
32:30É,
32:31eu estava.
32:32Quer dizer,
32:33não é que estava,
32:34eu estou,
32:34mas acontece que não dá para ficar agamado nessa mulher,
32:38ela é muito louca,
32:39cada dia quer uma coisa,
32:40não sabe o que quer.
32:42Eu só estou falando isso,
32:43porque a Odete fica muito preocupada.
32:45Pois é.
32:47Olha aqui,
32:47Raquel,
32:49ao invés de se preocupar com Odete,
32:51com Luzia,
32:52você devia se preocupar com teu casamento,
32:54teu enxovalo,
32:55tá?
32:56Com isso sim que você tem que se preocupar.
33:00eu acho que seria preferível mil vezes você ficar aqui em casa e aguentar o gênio louco da mamãe,
33:05do que se meter com esse pé de chinelo que você nem conhece.
33:08É o cara capaz de te encher de bolacha,
33:11a hora que você não fizer o que ele quer.
33:13Tá?
33:14Se liga aí,
33:15porque esse cara é bem capaz de acabar com a tua vida,
33:17isso sim.
33:20Eu só estou falando isso,
33:21porque quem começou essa história toda foi você.
33:28Já não.
33:38Como vai, Raquel?
33:40Eu não vim pra falar da Raquel.
33:43Você não vai casar, Laerte?
33:45Será que é possível que você não entenda?
33:46Será que eu vou ter que explicar de novo?
33:47Vai embora, Laerte, por favor.
33:52Lembro de quando tudo era doce
33:57Lembro de quando tudo era vivo
34:01Dentro de dois a força
34:04De ser só um
34:06Ah, Laerte, pelo amor de Deus,
34:09o que você está fazendo aqui?
34:10Renata, eu preciso.
34:11Laerte, vai embora, Laerte.
34:12Olha, por favor, o seu Marcos está doente.
34:14Laerte, para com isso.
34:15Eu preciso falar com você, Renata.
34:16Tá legal, olha, a gente faz o seguinte, tá?
34:18A gente marca um dia, uma ordem...
34:20Não, não, não, eu preciso agora, eu preciso te explicar
34:23por que eu vou me casar com a Raquel.
34:24Mas eu não me interessa.
34:25Mas pra mim interessa, interessa, interessa em muito estraí.
34:28Essa?
34:28A mim interessa em muito.
34:30Ela não significa nada pra mim.
34:32Entrei nessa porque era um negócio,
34:33me parecia um bom negócio, entendeu?
34:34Porque você me chutou.
34:36Tá bom, Laerte.
34:36Agora, se você quiser,
34:38se você me der uma esperança, eu volto pra você.
34:40Laerte, olha, a gente conversa, eu bora.
34:41Não, por favor, eu te amo, Renata.
34:43Aqui não, olha, não, olha.
35:01Oi, Beatriz, você já conhece o Chico?
35:04Conheço o Chico, você trata tão mal aqui de ti, hein, Chico.
35:07É café, filha, colar bom, brinco pra moça do riso bonito.
35:14Ah, pronto.
35:16Pode chamá-la de fofoqueira, já deixou.
35:20Você vende muito caro, índio.
35:22É, o banco ensinou, aprendeu.
35:25Cobrar bastante dinheiro.
35:27Você não tem nada, deixa tudo assim por mim.
35:34Eu não me importo se nós não somos bem assim
35:40É tudo real nas minhas mentiras
35:47E assim não faz mal
35:50E assim não me faz mal, não
35:53Noite e dia se completam
35:57No nosso amor e ódio eterno
36:00Eu te imagino, eu te conserto
36:03Eu faço a cena que eu quiser
36:08Tiro a roupa pra você
36:10Minha maior ficção de amor
36:14E eu te recriei
36:20Tomara que a cidade possa ter
36:26A cara leve o gosto do prazer
36:33Toque de bola
36:35Nossa escola tropical
36:40Toca, viola, carnaval
36:46Bate o pandeiro
36:49Nosso cheiro de bebê
36:53Vale um bocado de dinheiro
37:01Tomara que a cidade possa ter
37:07A cara leve o gosto do prazer
37:11A cara leve o gosto do prazer
37:11E aí
37:11E aí
37:13E aí
37:16E aí
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