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  • há 7 horas
17 mil dólares por uma máscara indígena que provavelmente é uma réplica. Assim como a que está num museu nacional e no acervo de uma universidade na Alemanha. Quer saber o curioso dessa história? Primeiro: a venda é proibida no Brasil. E internacionalmente pode gerar sanções, dependendo de leis locais. Segundo: as imitações foram feitas pelo próprio povo ao qual as versões sagradas pertencem. O povo Apyãwa-Tapirapé, do Mato Grosso. E elas simplesmente se espalharam pelo mundo. Mas como assim?"Houve um evento específico que foi a venda de uma máscara idêntica à máscara ritual. E esse evento repercutiu muito negativamente na aldeia. Então eles resolveram, a partir de várias conversas e reuniões, começar a confeccionar máscaras diferentes daquelas dos rituais", conta a antropóloga Ana Coutinho.

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Transcrição
00:0017 mil dólares por uma máscara indígena que provavelmente é uma réplica,
00:04assim como a que está neste Museu Nacional e no acervo desta universidade na Alemanha.
00:08Quer saber o curioso nessa história?
00:09Primeiro, a venda é proibida no Brasil e internacionalmente pode gerar sanções,
00:13dependendo de leis locais.
00:14Segundo, as imitações foram feitas pelo próprio povo a qual as versões sagradas pertencem,
00:19o povo Apoã Tapirapé do Mato Grosso.
00:21E elas simplesmente se espalharam pelo mundo.
00:23Mas como assim?
00:24Deu pra começar a entender participando deste workshop.
00:27Houve um evento específico que foi a venda de uma máscara idêntica à máscara ritual.
00:33E esse evento repercutiu muito negativamente na aldeia.
00:37Então eles resolveram, a partir de várias conversas e reuniões,
00:41começar a confeccionar máscaras diferentes daquelas dos rituais.
00:45Isso foi ali por volta da década de 1950, uma atitude para não violar a própria cultura.
00:49É que ao longo do tempo as máscaras cara grande ou Ipé foram usadas exclusivamente
00:54como representação dos inimigos em práticas ritualísticas.
00:57Mas com o interesse de terceiros na compra, os indígenas também perceberam
01:00que aquilo tinha um valor simbólico maior.
01:02Foi uma estratégia indígena do Zampanhal de ocupar esses espaços museais europeus.
01:10Eles tinham interesse em estar presentes na forma dessa máscara nesses espaços.
01:15Por isso, eles inicialmente permitiram o comércio.
01:18Do jeito deles, claro.
01:19E mais, tudo indica que sem que os compradores soubessem.
01:23Na nossa visão, a pessoa não sabia realmente se essas máscaras que foram trazidas,
01:29que foram compradas, eram para rituais.
01:34Mas quem é tapirapé sabe, porque as máscaras originais são destruídas no dia seguinte
01:39à cerimônia pela crença de que os espíritos ficam nelas.
01:41E porque as reproduções viajaram com uma diferença visível, as penas.
01:46Para o ritual, geralmente são uma máscara que é feita totalmente com rabo de arara vermelha.
01:57A réplica também tem penas, mas não tão específicas.
02:00Além disso, os indígenas sempre usaram técnicas para alterar as cores e os tamanhos.
02:05Outro detalhe, mesmo que alguém quisesse uma cópia idêntica,
02:08havia formas de fazer com que ela não fosse tão idêntica assim.
02:12A confecção do tawán, da máscara, é construída coletivamente na casa cerimonial.
02:22Já o tawán que foi comercializado, ela pode ser confeccionada pela família, pelo casal.
02:30Ou seja, de forma consciente, os tapirapé conseguiram proteger o sagrado, criando algo novo,
02:35contribuindo ainda para a discussão sobre a presença de relíquias indígenas em museus estrangeiros.
02:40Lançar discussões novas, inclusive sobre como os povos indígenas da Amazônia
02:45veem o fato de que esses objetos são preservados em museus
02:48e como nós podemos reconectar objetos com as comunidades de oreja.
02:53Obrigado.
02:53Obrigado.
02:53Obrigado.
02:53Obrigado.
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