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Olha só se não é o rock nacional entrando em Pânico! Digão, o cara que carrega a guitarra, o sucesso e o gogó dos Raimundos, baixou no estúdio para mostrar que nem tudo foi uma "Mulher de Fases" na história da banda. Ele pode até querer ver o oco, mas quer ver o circo pegar fogo também, viu?! O roqueiro falou de tudo, seja um Reggae do Maneiro, seja a Tora Tora, ele soltou o verbo sobre o novo documentário, explicou por que tem "pontas soltas" na montagem e ainda abriu o baú das tretas. Mas a pauta Mais Pedida foi a polarização política na música atualmente, as bandas devem se posicionar, ou é melhor simplesmente mandar um “Me Lambe”? Assista à íntegra desta entrevista histórica para entender como o grupo musical sobreviveu ao caos, ou vai ter que ouvir o sertanejo universitário até virar sertanejo formado!

Assista ao Pânico na íntegra:
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#JovemPan
#Pânico

Categoria

😹
Diversão
Transcrição
00:00Programa de hoje, teremos uma baita honra de receber um dos maiores roqueiros dessa nação.
00:10O cara marcou época com uma das bandas mais avassaladoras do Brasil.
00:14Eu amo o que eu faço, né?
00:16É, tá bom.
00:17Um baita guitarrista com uma barbinha estilosa.
00:22O gigante já faz parte da história do rock nacional.
00:27Eu acho que é isso que mantém a...
00:29Quando a gente sobe no palco, a galera sente a vibe, né?
00:32Sente que o Raimundo ainda tá vivo.
00:35Muitos aplausos para...
00:37Digão!
00:39Olha o Digão aí, ó.
00:41Olha o Digão aí, ó.
00:42Sim, hein?
00:43Top.
00:44Pô, muito legal o documentário.
00:47São cinco episódios, né?
00:50É Globoplay, né?
00:51Globoplay.
00:51Isso aí, isso aí...
00:53Porque eles...
00:53Isso aí foi gravado antes.
00:55Porque tem uma gravação do Caniço, né?
00:59É, sim.
00:59Tem muito material da Adriana, né?
01:01Porque ele comprou uma câmera logo ali no começo.
01:03E aí foi registrando, né?
01:05Então tem um acervo muito rico.
01:07Tem muita coisa.
01:08Cara, é emocionante.
01:09Tem muita coisa legal ali.
01:11Muito louco, cara.
01:12E vocês se emocionaram, né?
01:15Raimundo é emoção pura.
01:16Eu sempre fui, né, cara?
01:17Eu sempre me entreguei de corpo e alma pra essa banda.
01:19É, e você é o cara, né?
01:22Você é o cara ali da...
01:23Da correria, do...
01:27Juntou as pontas, né?
01:28Porque o Raimundo...
01:30O Raimundo, ele fez muito sucesso, né?
01:32Pô, vocês venderam um milhão de cópias.
01:34E assim, muito rápido, né?
01:36E muita maconha.
01:38Puta, que pará!
01:39Juntou as pontas de maconha.
01:40Uma coisa pra você, hein?
01:41Maconha e lasanha.
01:42A gente fumou bastante.
01:44Mas já são 22 anos que eu parei.
01:49Nunca mais botei um baseado na boca.
01:51Você deu uma pirada, né, meu?
01:53Assim, com...
01:54A pirada foi por causa de outra coisa.
01:56Ah, tá.
01:56Lá foi ácido.
01:57Foi, foi ácido.
01:58Aí eu tive ali o...
01:59Mas foi também, cara.
02:00É consequência de...
02:01Muito estresse, muita...
02:02Lógico, cobrança.
02:04Fala só um pouquinho pra...
02:05A perda do meu irmão, né, cara?
02:07Isso mexeu muito comigo.
02:09E coisa de banda, né, velho?
02:11Então, o ácido, acho que foi a hora que...
02:14Explodiu tudo e...
02:16E aí eu tive que, realmente, eu fui pra Brasília, né?
02:18E lá eu consegui colocar a cabeça num lugar e...
02:23Sem dúvida.
02:24Sabe o que eu ia falar?
02:25Que esse documentário deveria passar nas escolas pra gente contar um pouco da história da nossa música.
02:30Não, de verdade, cara.
02:31Não, de verdade.
02:32Quando você vê o tamanho que é do rock nacional que o Raimundos representou,
02:36e, por exemplo, coisas que eu não sabia, que tem muito da cultura brasileira,
02:39o forró, o Ramones, você só vai saber nesse documentário.
02:44E eu queria que você contasse também, assim, cara, como foi tantas inspirações musicais de vocês.
02:48A gente tava lá em Brasília, aí o Rodolfo, né, fumando um baseado e tal.
02:54E aí a gente, bom, muito fã de Ramones e tal.
02:57E aí o Rodolfo, ele...
02:59Pô, a gente gostava também de forró, né?
03:00Porque quando a gente...
03:01Os pais nordestinos e tal.
03:03E às vezes ia viajar de carro de Brasília até Teresina, imagina?
03:07Dois mil quilômetros, ouvindo forró.
03:09E aí na hora que tocava o Zenilton, era a hora que eu gostava, porque era só capimca, né?
03:13Entendi.
03:14Era engraçado.
03:15Engraçado, né?
03:16Era a hora legal, né?
03:17Chama forró malícia, né?
03:19Forró malícia.
03:20É, forró malícia.
03:21E aí o Rodolfo também tinha o disco lá na casa dele, eu tinha o meu.
03:25E aí a gente tava lá, pô, aí a gente tocando forró, brincando e tal.
03:29Aí daqui a pouco, velho, meu irmão, isso aqui, ó, são três notas.
03:34Se a gente botar no punk rock igual Ramones e tocar, aí a gente pediu, quando eu andava
03:39não ia estudar pra ele.
03:40Cara, Eureka.
03:41Explodiu, acabei.
03:42Explodiu, é.
03:43Casou.
03:43Aí, porra, massa.
03:45Aí a gente, pô, vamos montar uma banda e tal, vamos montar o Raimundo.
03:47Aí é um cara que ia cantar, acabou não cantando, mas ele que deu a ideia do nome.
03:52Só que o cara não era muito bom, vocalista, né?
03:54Aí, tipo assim, você vai embora, mas o nome fica.
03:58E aí pisava de um baixista.
04:00Aí o Caniço era o figura ali, né, do Gilbertinho.
04:02Mais velho que você.
04:03Mais velho e tal.
04:05A galera não sabe, mas o Caniço, ele era da galera dos anos 80.
04:08Só que ele foi aparecer mesmo com a galera dos anos 90.
04:13E foi, cara, eles chamam o Caniço e tal, rolou a banda, mas durou ali de 88 até 90.
04:19Aí a banda acabou, eu parei de tocar bateria, toda aquela história.
04:22E em 92, o Fred, que foi o cara que resolveu, pô, botar a pilha no Rodolfo e tal, pra
04:30gente remontar a banda.
04:32E foi ali em 92.
04:34Aí em 94, ele, né, arrumou ali a gravadora, enfim, tudo, né?
04:38Toda aquela história do Banguela e tal.
04:41Que era a gravadora do Titãs, né?
04:43Que eles tinham aquele selo, que era um selo que o Miranda tocava.
04:47Era pra lançar bandas novas, né?
04:48O Miranda.
04:49É, o grande Miranda.
04:50E aí, cara, aí o que aconteceu?
04:53O Miranda, porra, velho.
04:55Bah, velho.
04:56Mas eu aprendi a comer em churrascaria graças a ele.
04:59Porque a gente chegava em churrascaria, né?
05:01Aquele espião chega lá, arroz, batata.
05:05E o Miranda olhava pra gente, bah, vocês são um bando de trouxas.
05:09Vocês não sabem comer.
05:11Aí ele botava uma saladinha, um pouco de farinha.
05:14Claro.
05:14E carne.
05:16E a gente lá e enchia o bucho de polenta.
05:19Polenta de coisa e comia dois pedacinhos de carne.
05:21Ainda não era daquele tamanho à toa, pô.
05:23E aí foi, cara.
05:24E aí, e o cara que, assim, foi muito importante nesse momento,
05:28porque eu, Caniço, e o Rodolfo, a gente era uns doidos, né?
05:32Eram os balões, né?
05:33E o Fred foi lá, segurou os balões.
05:35O Fred era o caretão, né?
05:36É, ele era, ele não era da nossa galera.
05:38E aí montou ali, a gente remontou o Raimunds, graças ao Fred.
05:42Legal.
05:43Pô, a gente chegou aí numa grande gravadora,
05:45mas o Fred falou, velho, esse não é o caminho,
05:47os caras vão querer mexer na...
05:49Na essência.
05:50Na essência da banda.
05:52E o que aconteceu?
05:55Gravamos, foi, rolou, foi bom pra caralho e tal.
05:58E, cara, o resto é história, né, cara?
06:00O Raimunds tá ali.
06:03Lançamos o primeiro disco, depois veio aí, pô,
06:06teve um empresário que é o Muniz, né?
06:09Que é o...
06:09Esse cara, assim, ele foi muito importante.
06:11O Raimunds teve vários fatores importantes que fizeram a banda acontecer, né?
06:18As músicas extrovertidas, a visão do Fred.
06:22Pô, a gente ia arrumar um...
06:24Como é que fala?
06:24Um empresário que, porra, que botou a gente pra...
06:28Pra tocar no Monsters, porra, abriu Ramones, sabe?
06:32Então, foi uma de um monte de coisas que fizeram a banda acontecer.
06:34Mas tem uma coisa do Raimunds, que é o seguinte, é o palco.
06:41Muito.
06:41Esses caras no pau.
06:42Tá maluco.
06:43Ó, o Gordão, você pegou no começo.
06:46Você ia lá no...
06:47Ele ia lá no 89, né?
06:49É, teve o Monsters of Rock, que foi aqui no Pacaembu.
06:53Foi não o primeiro que você tá falando, mas o segundo, que...
06:56Porra, teve Biohazard, foi King Diamond, Merciful Fate.
07:00E os caras arregaçaram, mano.
07:02Arregaçaram tudo.
07:03Fui no palco da Represa também, com Ratos de Porão.
07:06Isso, e lá atrás.
07:08E...
07:08E acompanhei, assim, sempre.
07:10Acompanhei a partir dali, né?
07:12E...
07:13E ver o documentário pra gente, que é bastante fã, assim, foi muito legal.
07:18E algumas partes decepcionantes, assim.
07:20Quando você assistiu tudo...
07:22É...
07:23Porque a gente sabe, né?
07:24Você dá o seu depoimento e você não sabe como vai ser montado.
07:26Você gostou de toda a montagem?
07:28Você achou que ficou alguma coisa fora, assim, que faltou...
07:32Se você pudesse fazer um plus num DVD, vamos supor...
07:35Eu não assisti.
07:36Você não assistiu?
07:37Não!
07:37Você tá zoando?
07:38Não.
07:39Cara, posso te falar?
07:39Te recomendo, tá na Globo.
07:41É muito bom.
07:42Você não assistiu, Dino?
07:43Te presta a senha.
07:44Sério?
07:45Mas por que que você não assistiu?
07:46Cara, eu sempre fui assim.
07:47Eu não gosto de assistir a programa.
07:49Eu não gosto de me olhar.
07:50Eu também.
07:51Eu gosto de ouvir o feedback.
07:52Sim, sim.
07:53Eu gosto do feedback da galera.
07:54É.
07:54Aí eu vi alguns cortes, né?
07:56Algumas coisas e tal.
07:58E...
07:59E é isso, cara.
08:00Aí, assim...
08:01Pelo que eu já senti, né?
08:03Da resposta da galera.
08:05Assim, é um documentário muito bom.
08:07Eu sei que o Daniel fez, né?
08:09Um...
08:09Bom, bom, cara.
08:10Um trabalho.
08:10Muito bom.
08:11É uma montagem fenômeno.
08:12Ferrorama.
08:12E tem umas pontas soltas, né?
08:14Tem umas coisas assim que...
08:15Tipo assim...
08:16O meu ponto de vista não ficou muito claro, assim, né?
08:19Tipo, em relação aos direitos autorais.
08:22Ah, sim.
08:23Que é uma parte que eu vi, que eu realmente falei...
08:25É por isso que eu não queria ver.
08:26Porque se não, cara, eu ia ver...
08:28É o famoso não foi bem.
08:29Você fala que da divisão, da divisão ali...
08:31É, os direitos autorais, né?
08:33Porque uma coisa que eu tava falando aqui no começo da banda, né?
08:35Pô, eu, o Canício e o Rodolfo...
08:37Pô, a gente não tinha ideia nenhuma de banda, de negócio de fazer...
08:41De ter empresário, de gravar demo.
08:44Enfim.
08:46E...
08:47Pro Raimundo isso foi o Fred, né?
08:49O Fred que teve a visão...
08:50Vamos gravar uma demo...
08:51Vamos fazer não sei o quê...
08:53Não vamos assinar com essa gravadora...
08:55Vamos assinar ali com o Miranda, que vai ser melhor...
08:57O cara mais cabeça ali, né?
08:58E foi o caminho certo.
08:59Ok, beleza.
09:01Gravamos o disso, tudo certo.
09:02O Raimundo super hypado, assim, na...
09:04Né?
09:05MTV...
09:05MTV...
09:06É...
09:06Puta, é...
09:07Folha de São Paulo...
09:08Não sei o quê...
09:08Capa...
09:09Capa da Veja...
09:10É uma loucura.
09:11Foi uma loucura isso.
09:11Sim.
09:13Só que...
09:13Não vendia disso.
09:15Quando a gente lançou o primeiro álbum, foi 15 mil cópias.
09:18Caramba, cara.
09:18É?
09:19Porque eu quero ver o...
09:19Foi uma decepção.
09:20Eu quero ver...
09:20Não.
09:21Não, não.
09:21A gente tá falando do primeiro álbum.
09:22O primeiro, o primeiro.
09:23O quero ver o outro foi quando rolou o lance da divisão, que deu a merda.
09:27Mas ali...
09:28Aí a gente começou a patinar.
09:29Tipo assim, a gente tava na mão da gravadora, a gente não tinha empresário e tal.
09:32Foi quando o meu irmão, que inclusive eu falo dele, né?
09:35O João.
09:36É...
09:37Ele falou, digamos, vocês precisam do empresário, cara.
09:39Vocês precisam...
09:40Irmão, vocês estão patinando aí.
09:41Vocês...
09:42Não vai dar certo e tal.
09:44Aí ele falou, ó.
09:44Tem um cara que chama Muniz, que é irmão do meu amigo aqui e tal.
09:49Esse cara...
09:49Foi o cara que inventou o girafas.
09:51Certo.
09:51Você sabe que o girafas foi inventado em Brasília.
09:53Olha só.
09:54Caramba.
09:54A rede.
09:55É...
09:55Não, não a rede.
09:56A primeira lanchonete...
09:58A primeira loja da girafas.
09:59Foi em Brasília, do lado da minha casa.
10:01Foi por isso que eu...
10:02É.
10:02Perceba.
10:03Por isso que ficou hipopótico.
10:05Por isso que o cara fez sucesso.
10:06E aí, cara...
10:08Só que o Muniz, depois, ele fez o girafas e ele começou...
10:11A vida dele ali foi...
10:12Cara, 80.
10:131980.
10:14Caramba.
10:14Na época que a galera patinava e tal.
10:16Sim.
10:17Então...
10:17Mas não vendia.
10:18Então, é.
10:19Aí não vendia.
10:20Aí o meu irmão falou...
10:21Só que...
10:21Olha que engraçado.
10:22Quando a gente estava ensaindo em Brasília em 92, a gente não tinha dinheiro pra ensaar,
10:26né?
10:26Então eu pegava uns casacos do meu pai e a gente trocava em horas de estúdio com
10:30um cara do estúdio, né?
10:31Que era o João do Estúdio.
10:32Vem cá, cara.
10:33Jaqueta de escuro.
10:34O cara roubava.
10:36Caixa velha.
10:37Cara, a gente falou...
10:37Ou vai ou acha.
10:38Então, a gente trocava.
10:40Não tinha grana e ia com isso.
10:42E esse cara foi baixista de uma banda chamada Mel da Terra.
10:46E que o Muniz empresariou nos anos 80.
10:48E esse cara fazia caveira do Muniz pra gente lá.
10:52Entendi.
10:52Só que a gente estava aqui em São Paulo, a banda patinando.
10:55E falou...
10:55Cara, o Muniz era o cara.
10:56E já estava em São Paulo, radicado aqui e tal.
10:59Pessoal lá...
10:59E eu insisti.
11:00Galera, vamos lá.
11:01Esse é o cara e tal.
11:02Aí foi.
11:03A gente fez a reunião com ele.
11:04Meu irmão, o cara apresentou um plano de trabalho.
11:07Botou o Raimundo...
11:07Vocês falaram, cara.
11:08Raimundo é uma banda de estrada.
11:10Sim.
11:10Então, cara, o Muniz veio.
11:12Botou a banda na estrada.
11:14Botou a gente no Moços Off Rock.
11:15Botou a gente pra abrir pro Ramones.
11:17Pots, mano.
11:17Tá maluco.
11:18Pô, isso veio através de mim.
11:20Sim.
11:21A gravação do disco veio através do Fred.
11:23Sim.
11:24Não foi?
11:24Pô.
11:25Estava, sei lá, alguém de nós ali cantando.
11:29E a gravadora viu...
11:30Que é o lance da banda, né?
11:31Sim, sim.
11:32É onde eu tô querendo chegar.
11:34Cara, a gente começou a trabalhar.
11:36Começou a ir e tal.
11:37E aí, no final do ano, o Tatola resolveu tocar...
11:41Tatolinha.
11:42Cilin, né?
11:43É, resolveu tocar o Cilin.
11:44Grande do Tatol.
11:45Pode falar.
11:45Na Transamérica, né?
11:46Que era a rádio que era...
11:47Não, era em 89.
11:48Não, foi na Transamérica.
11:50Na Transamérica.
11:52Que ele tocou.
11:53E a música explodiu.
11:55Foi aí que...
11:56Vendeu disso.
11:57Foi aí.
11:58Tava 15 mil, 20 mil.
11:59Aí pulou pra 30, assim.
12:00Foi assim.
12:01Olha isso.
12:01E bateu o disco de ouro.
12:02Pegou.
12:03100 mil cópias.
12:04E aí foi maravilhoso e tal.
12:05Tudo certo.
12:06Quando a gente foi...
12:08Gravou o Lavô Tá Novo.
12:10Porque aí, realmente...
12:11O primeiro disco tinha muita cover, né?
12:13Tinha Zé Newton.
12:14Tinha...
12:15Música do Telo e tal.
12:17Então, meio que ficou elas por elas pra gente.
12:19O primeiro foi Banguela.
12:20Banguela.
12:21Aí a gente saiu do Banguela e fomos pra Warner.
12:23Sim.
12:23Mas aí vocês já pegaram o contrato alto, né?
12:26Então...
12:26O contrato bala.
12:27É, aí foi aí quando o Muniz falou...
12:29Aí a ganância tomou conta dos meninos.
12:32Não, cara.
12:33Nem foi isso.
12:34O que pegou foi o seguinte.
12:36Porra, todo mundo ajudou pra essa banda acontecer.
12:39Se não tivesse...
12:39Se não tivesse o Caniço.
12:41Se não tivesse o Fred.
12:42Se não tivesse eu.
12:43Não tivesse...
12:43Todo mundo.
12:44Rodolfo, todo mundo era importante.
12:45Ele...
12:46Mas sempre tem um...
12:47É.
12:47Você sempre...
12:48Porque eu lembro bem...
12:51Quando você veio aqui depois...
12:52Aquele pânico lá da rádio antigo.
12:54Que você fez aqueles shows...
12:56Sim.
12:57Que você tava fazendo show pequeno.
12:59É.
12:59Você falou, porra, a banda...
13:00E tá até hoje...
13:01Segurou a banda, né?
13:02Você tá até...
13:02E tá voando.
13:03Você tá voando até hoje.
13:04Não, os caras não têm agenda, bicho.
13:06Até hoje...
13:07O cara...
13:07Até hoje tem o Raimundos...
13:09E mesmo sem...
13:11Mostra aqui, ó.
13:11Olha só o Raimundos hoje.
13:12Olha só o Raimundos hoje.
13:13Vai subindo aí.
13:14Olha aqui, ó.
13:15Filmei.
13:16São Mateus...
13:17Tá dormindo.
13:18São Mateus...
13:19Espírito Santo...
13:21Guarapari...
13:21Planeta Atlântida...
13:2330 do 1...
13:24Isso aqui é 36 do 2...
13:26Santo André...
13:27Isso aqui é o que eles fizeram.
13:28O ano todo.
13:291 do 3, Caxias...
13:31Olha na tela agora.
13:321 do 7 do 3...
13:33Aqui, ó.
13:33Olha só.
13:34Isso aí...
13:34Olha o canto.
13:34Isso aí...
13:35Essa aí é só a que pode mostrar.
13:37Mas essa aqui tá praticamente tudo, assim.
13:39Sim.
13:39Pô, a gente vai abrir o Gans.
13:41Então, ou seja...
13:42De novo, né?
13:42De novo.
13:43É porque senão a gente vai embaralhar...
13:45Vai perder o 1.000...
13:461.000...
13:46O quê?
13:47O 1.000 da freada.
13:48O 1.000 da freada.
13:49O 1.000 da freada.
13:49Por quê?
13:51O 1.000 da freada.
13:52O 1.000 da freada.
14:05Eu vou matar isso logo pra ficar...
14:07Sim, sim, sim.
14:07Porque isso ficou meio...
14:08Que não tem no documento.
14:08Meio crânio do documento, cara.
14:10É, ficou muito solto, assim.
14:11Eu achei que...
14:12A minha parte, né?
14:13Eu explicando o porquê que eu queria que fosse assim.
14:17Aí, quando a gente chegou na reunião, né?
14:18Depois que gravou, tudo certo.
14:20Lógico.
14:21Ali era só músicas nossas.
14:23E, pô, e é normal, cara.
14:24O cara que canta, ele quer cantar aquilo que ele se sente à vontade.
14:28Então, assim, ficou uma parte maior pro Rodolfo.
14:31Mas eu, assim, se você olhar as músicas do Raimundo, eu assino 90% das músicas.
14:35Também.
14:37E...
14:37Aí, na hora da divisão, aí ele falou, como é que...
14:39Pô, o primeiro disso foi tudo tranquilo, tudo, né?
14:41Deu tudo certo.
14:42Foi tudo maravilhoso.
14:43Ficou...
14:43Todo mundo recebeu igual.
14:45Mas como é que vocês vão fazer?
14:46Vocês vão dividir?
14:47Então...
14:47Aí o Rodolfo falou, não.
14:48Eu quero tudo que é meu por direito.
14:49Foi a hora que eu olhei.
14:50Falei, peraí.
14:51Como é que é, rapaz?
14:51Peraí.
14:52Eu que tava meu empresário.
14:53O Fred que arrumou a gravadora.
14:54Como assim?
14:54A gente montou junto.
14:55E na hora de pagar...
14:58É...
14:58É...
14:59Como é que fala?
14:59Pagar ônibus.
15:00Pagar...
15:01Toda a produção.
15:01Todas as despesas.
15:02Pagar advogado.
15:03Todas as despesas da banda.
15:04Era tudo dividido por quatro.
15:06Eu falei, velho.
15:07Peraí, isso tá errado.
15:09A gente...
15:09E banda é isso.
15:10Banda é um casamento, cara.
15:11Sim.
15:12É, pô.
15:12Divide tudo.
15:13A gente não fez um...
15:14Como é que é?
15:15Contrato pré-nupcial.
15:17Então é com combinato, meu amigo.
15:18Sacou?
15:19É...
15:19É...
15:19É...
15:20É...
15:20É...
15:20É pra todo mundo.
15:21Ô, diga, mas qual que era a porcentagem dele que ele pediu?
15:23Não, não.
15:24Não, porque isso é de lei.
15:26É a coisa da lei.
15:26É de lei.
15:27É de lei.
15:27É de lei.
15:28É de lei.
15:28É de lei.
15:28É de lei.
15:28E eu te falo, mas isso acabou com muita banda.
15:31Sim.
15:31Esse problema.
15:32Porque o direito autoral, ele não vê o trabalho do outro que, porra, que foi...
15:36Lógico.
15:37Exato.
15:37E é vital.
15:38Custos.
15:38Eu vejo, pra todo mundo ficar feliz aqui, tudo que entrar e tudo que sair dividido por quatro.
15:43Esse é o certo.
15:44E era o certo.
15:45E acabou sendo depois?
15:47Foi depois que eu...
15:48Depois de um ano.
15:50Tá.
15:50Ah, eu chamei o Rodolfo na reunião, eu, ele e o Muniz, que inclusive, o documentário
15:55não tem o Muniz.
15:56Ah, sim.
15:57É, não tem.
15:58Não tem o Muniz.
15:59É.
16:00Sim.
16:00Eu não sei, é, porque eu não sei.
16:01Só tem o Carioca, o...
16:03Quem é o empresário?
16:05O Denis.
16:05O Denis, que é o empresário hoje.
16:06Isso.
16:07Né?
16:07Então, cara, eu falo, porra...
16:10Aí depois de um ano eu chamei o Rodolfo e falei, velho, ó, aí eu expliquei toda essa
16:13história que eu te expliquei aqui, que eu te contei.
16:15Eu falei, Rodolfo, se você estivesse ali na rua, sozinho, tocando a música, aí passou
16:19o cara da gravadora.
16:20Pô, você é bom, pô, vai lá na gravadora.
16:22Aí ele vai lá, pô, vamos contratar uns caras aqui, vamos gravar e tal.
16:24Você montasse.
16:25Beleza.
16:26É tudo seu, velho.
16:27Tem nem que questionar.
16:28Mas, brother, pera aí.
16:29Foi uma correria em conjunto.
16:30Na hora de pagar, é tudo dividido por quatro, meu irmão.
16:32Sim.
16:33Ou seja, na tristeza, é tudo dividido por quatro.
16:36Agora, na alegria, não vai, porra.
16:37Pera aí.
16:38E aí ficou assim.
16:39Não, aí ele entendeu.
16:40Aham.
16:42Assim, entendeu.
16:43Não sei.
16:44Não sei se ele ficou feliz ou ficou triste.
16:45Mas depois, cara, a banda foi, cara.
16:47A gente até durou muito, porque era pra durar mesmo.
16:50Senão, porra, se eu entrar, beleza, você vai ganhar mais pela música feita.
16:54Ah, então eu tenho que ganhar mais um show, porque eu que arrumei o empresário que
16:56botou a gente pra tocar.
16:57Pois é.
16:58Eu tenho porcentagem na venda do show.
17:00É difícil, cara.
17:00Então o Fred tem que ganhar mais por venda de dias.
17:02Porque foi ele que arrumou a gravadora.
17:04Fica impossível de calcular os feitos de todo mundo.
17:06É impossível, cara.
17:06Então eu acho isso.
17:07Faltou essa conversa no começo da banda.
17:09Exatamente.
17:10Tudo que a gente fizer, se der certo, vai ser dividido.
17:13Mas o problema é difícil.
17:14É difícil, banda.
17:15É difícil, porque quando você cresce, você tem mulher, você tem outros interesses.
17:20Aí fala, puta, diga, você é o melhor da banda.
17:22E você seguiu aquela merda sozinho.
17:25Eu consigo, é assim, né?
17:27Isso aconteceu.
17:28O Red Hot Chili Peppers, eles foram mais inteligentes nesse ponto.
17:32Todo dia que você olhar lá, você vai olhar.
17:34All Songs, Write and Buy, Red Hot Chili Peppers.
17:37Você acha que o Chad Smith chega lá com um riff de guitarra?
17:40Com uma letra?
17:41Não, o Chad Smith é bom, pô.
17:43Ele toca bateria e pronto.
17:44Quem faz música ali é o John Frussiante.
17:46Quem faz música também é o Flea.
17:49O Anthony.
17:50O Anthony, ele só faz letra.
17:52E dá tudo certo.
17:53É banda.
17:54Então, mas você acha que isso é por causa do mega sucesso?
17:57Ou o RPM foi a mesma coisa?
17:59Foi a mesma bosta.
18:00Charlie Brown.
18:01Mas o Charlie Brown também.
18:03O Charlie Brown também.
18:05Também.
18:06Mas você acha que isso é porque vocês não podiam sair na rua, cara.
18:10Eles venderam um milhão de cópias.
18:12Um milhão de cópias.
18:13Um milhão de cópias.
18:14É vendagem de Roberto K.
18:15É vendagem de sei lá o quê.
18:17É um milhão.
18:18Não é absurdo.
18:19E por que vendeu?
18:19Porque tinham quatro malucos ali que fizeram essa coisa a vender.
18:22Todo mundo junto.
18:23Então era isso, cara.
18:24Então, mas você acha que é o mega sucesso que deixa, que dá uma despirocada?
18:29Ah, cara.
18:30Complicado.
18:30Sucesso é uma merda, né?
18:32Cara, porque, olha só.
18:33Quando a gente gravou só no Forever's, pô, a gente tinha vindo, né, de um disco difícil
18:36que foi o Lapadas do Povo.
18:37Apesar de ser um disco que os fãs amam.
18:40Eu amo esse disco, né?
18:41É o mais cultuado, né?
18:42É, ele é o mais porrado.
18:44Foi quando a gente saiu do engraçadinho, a gente foi pra uma coisa mais, né?
18:48Apesar de ter muita coisa engraçada ali.
18:51Desculpa, digamos, pra não cortar o raciocínio, pra gente não sair do Lapadas, porque eu
18:54lembro no documentário que falaram que rolou uma questão de falar que vocês eram meio
19:00que os discípulos dos mamonas, isso foi o fundamental pra que vocês saíssem um pouco
19:05do engraçado e ter feito o Lapadas?
19:07Exatamente, porque tinha muita banda querendo imitar e querendo ir no rastro.
19:11O que a gente fez?
19:12A gente despistou.
19:13A gente, pum.
19:14E é maravilhoso.
19:15E vamos fazer um disco porrada e rolou.
19:16Mas foi um disco pesado.
19:18Pô, teve a tragédia de Santos bem na hora, bem na época do lançamento.
19:22Então, foi difícil, cara.
19:23Aí, quando a gente gravou o Solo Forever, meu irmão, a gente nunca esteve tão unido
19:27na vida.
19:28A gente não brigava mais.
19:29É um ponta disco legal, né?
19:30É um disco ensolarado.
19:31É um disco legal pra caramba.
19:32É o disco que tem mais protesto da banda.
19:35Se você for olhar, Mato Véio fala da bundalização.
19:38A Mais Pedida fala também do lance da rádio, de não sei o quê.
19:42Aí você tem Deixa Eu Falar, que fala sobre liberdade de expressão.
19:47Enfim.
19:47E esse disco também, o Solo Forever, foi um disco que, assim, você já tinha um
19:51público consolidado gigantesco, mas a gente abriu porta pra uma galera.
19:56A gente só pediu 250 mil cópias, no máximo.
19:58E essa galera nova que chegou.
20:00Bateu um milhão.
20:01E a gente tava muito bem.
20:02E foi ótimo.
20:03Todo mundo feliz.
20:04Todo mundo feliz, até o final da turnê, que foram dois anos, né?
20:08Foi 99 e 2000.
20:09No final de 2000, ali, aconteceu um negócio.
20:14Hoje eu posso falar, né?
20:15Porque foi até falado no documentário.
20:17Sim.
20:17E, mas enfim...
20:19Você deu uma pagada, né?
20:21Não.
20:22Uma do que...
20:23Não, não, não.
20:23O que é o aço que eu tomei?
20:26Você é?
20:26Não, isso foi em 96.
20:27Foi antes.
20:28Foi antes.
20:29Bem antes, não.
20:30Foi o lance do caniço?
20:32Que é o seguinte, cara.
20:33Esse documentário é complicado, né?
20:35Engraçado que eu fui pra esse documentário, velho, assim, com maior tranquilidade, sabe?
20:40De bem com a vida.
20:42E os caras não estavam assim, né?
20:44No documentário, eles aproveitaram o documentário
20:47pra vir falar de mim, né?
20:48Pra botar a culpa de tudo em mim, né?
20:50Tipo assim, eu sou o culpado de tudo.
20:51Ah, mas eu não senti isso, não.
20:53Dois anos.
20:53Também não.
20:54Não, eu não senti.
20:55O que fala...
20:56Tem...
20:56Os portos ali tem, cara.
20:58Não, o que fala é o seguinte.
20:59Que você queria cantar.
21:02Não, mentira.
21:03Que você queria disputar.
21:05Vamos lá.
21:06Mas deixa eu falar.
21:07Isso é natural de um grupo que é de criação.
21:11É destaque.
21:12Você é um...
21:12É lógico.
21:13Eu comecei como baterista.
21:16Aí a situação me levou pra virar um guitarrista, né?
21:19Problema de ouvido e tal.
21:21É, mas isso fica claro lá.
21:22É, e quando o Rodolfo saiu da banda, quem me colocou como vocalista foi o Fred.
21:28O Fred não.
21:29O pessoal falou, não, vamos chamar o Telo.
21:31O Telo é um desvampositor.
21:33Só que o Telo, ele é um cara difícil.
21:35A gente chegou a testar ele antes...
21:37É um cara esquisitão, né?
21:38É.
21:39Aparece.
21:39Aparece.
21:40A gente chegou a testar ele antes.
21:41Em 92, a gente testou ele, mas não dá.
21:43O cara é complicado.
21:44Mas no próximo documentário, ele fala que você que tinha que ser.
21:48É.
21:48Ele mesmo fala.
21:48Ele mesmo falou que ele não queria.
21:50Ele falou, te dou uma força e tal.
21:51Ele falou, mas o Fred falou, não, velho.
21:53Ah, vamos fazer um concurso.
21:54Não.
21:54Isso tem que ficar aqui dentro de casa.
21:56Isso tem que ficar em casa.
21:57Essa roupa vai ser lavada aqui.
21:59Então, você que tem que cantar.
22:00Porque a gente se inspirou no Barão Vermelho.
22:02Sim.
22:03Que é o Frejá que assumiu.
22:04Claro.
22:04Eu nunca tive a pretensão de ser o vocalista.
22:07Eu nunca planejei isso na minha...
22:09Tudo, foram as circunstâncias que me levaram até lá.
22:11Sim, pra não acabar com a bagagem.
22:13Pra não acabar com a bagagem.
22:14Pra manter o rock e o rock.
22:15É lógico.
22:15O curso da loira do Tian, né?
22:17É, exatamente.
22:17É que nem aqui, falta o imitador, eu fico...
22:20Quem me chamou?
22:21Dá cinco segundos pra mim, Renor.
22:23Se o gordão não vem, o gordão...
22:25O gordão, quando não vem, quem me chamou?
22:28Claro, pô.
22:29Você não pode...
22:29A peteca não...
22:30O show tem que continuar.
22:32O show tem que continuar.
22:33E fica claro, fica claro nesse documentário que o cara do Raimundos...
22:38O espírito do Raimundos é o Digão.
22:40É o Digão, sem dúvida.
22:42É que teve a treta de política lá.
22:43Isso é uma merda.
22:44A questão de...
22:45Já indo pro término, assim...
22:48É...
22:48Uma coisa que...
22:49Que pra mim foi surpresa, assistindo o documentário...
22:52Que foi...
22:54É...
22:54A esposa do Canício falou da questão da traição...
22:57Que ele tinha engravidado uma mulher...
22:59E nisso o Rodolfo também fala...
23:00Cara, pra mim aquilo já começou a pesar...
23:03Isso foi o início do fim?
23:06Como que foi?
23:07Essa fase ali?
23:07É, porque...
23:08É como eu tava falando, né?
23:09No Sono Forever, a gente tava muito bem.
23:11Sim.
23:11Tava tudo...
23:12Pô, a gente tava se frequentando...
23:13A gente não brigava mais...
23:15Uhum...
23:16E...
23:16No final de 2000...
23:18Foi que aconteceu isso, né?
23:19A gente percebeu que tinha uma menina que toda hora...
23:22Ia nos shows e tal...
23:24E a gente olhou aí...
23:25Isso aí vai dar merda.
23:26Vai dar merda.
23:28Aí...
23:29O que aconteceu?
23:30Eu, o Rodolfo e o Fred...
23:32A gente se reuniu...
23:33Acho que era no...
23:33No final de um...
23:34No final de semana, assim, né?
23:35No final dos shows, assim...
23:36De, ó...
23:37Semana que vem...
23:38Vamos dar uma prensa no Canício...
23:40Porque isso aí...
23:41Porra, vai dar merda e tal.
23:42Beleza.
23:43Que a mulher dele acompanhava os shows também.
23:45Não, ela não ia.
23:46No começo?
23:47Não, não, não.
23:48Peraí, tenta parar de adivinhar...
23:49Ela não ia.
23:50Calma aí, João Gordo.
23:50Deixa ele...
23:51Peraí, ó.
23:52Não, o cara quer adivinhar a história do cara.
23:54Deixa ele perguntar.
23:55Posso perguntar.
23:56O programa era aí.
23:57Jô, baleia.
23:58Obrigado, vai.
23:59Aí, o que aconteceu?
24:01Beleza.
24:01Aí, fomos pra casa.
24:02Era domingo, segunda-feira de manhã.
24:04A Adriana me liga aos prantos.
24:07E ela falando que eles tinham brigado.
24:09E o Canício tinha falado.
24:11Ó, eu tenho uma, né?
24:12Eu tenho uma outra mulher.
24:13Ela tá grávida e eu vou embora.
24:15Aí, o cara pegou as coisas, botou no carro, pegou o carro dele e foi pra Belo Horizonte.
24:20Caceta.
24:20E ela desesperada.
24:22Canição, hein?
24:22Canício.
24:23Com aquela puta cara de tonto.
24:26É.
24:26Eu posso falar isso agora.
24:28Eu sempre respeitei a família.
24:30Eu sabe, eu nunca falei isso pra ninguém.
24:32Eu sempre fiquei na minha.
24:33Só como ela falou, agora eu posso falar.
24:34Sim, sim.
24:35Porque o Canício, no documentário, ele me atacou muito, né?
24:37Sim.
24:38Então, cara, eu tenho que mostrar que, velho, todo mundo teve a sua parcela.
24:41Lógico.
24:42Sim.
24:43E aí, velho, meu irmão, espirrou merda pra todo lado.
24:46Porque se o Canício, que era o homem e família da banda, né?
24:49O cara que, né, que sempre exaltava a família.
24:52Referência.
24:52Faz uma merda dessa?
24:53Imagina o Digão.
24:55Os loucos.
24:56Imagina, né?
24:57Então, cada um...
24:59E aí, foi, cara.
25:00Meu irmão, foram duas semanas.
25:01A Adriana me ligava todo dia, eu consolando ela.
25:04E aí, quando ela desligava o telefone, eu ligava o Canício.
25:07Seu merda.
25:08Olha o que você fez, meu irmão.
25:09Você tá louco, velho.
25:10Não, eu sei o que eu tô fazendo.
25:12Meu irmão, você tá lagando tua família, não sei o quê.
25:14Foram duas semanas.
25:16Tem até uma parte engraçada aí nessa história.
25:19Que aí a equipe falou, né, que o Canício falava pra galera assim.
25:23Ah, não, porque ela é rica, ela tem dinheiro, não sei o quê e tal.
25:26Aí, beleza, ela tem uma Mercedes.
25:28Mas quando ela chegou em Belo Horizonte, e quando ela chegou em Belo Horizonte e tal,
25:32aí viu a Mercedes, não era dela, era da família, do pai.
25:35Não era do ano.
25:36Entendi.
25:37Aí chegou na casa lá, não era aquilo.
25:39Não era aquilo lá, não era aquilo tudo.
25:41Não era família, morava todo mundo.
25:42É, já não era BH, era contágio.
25:43Então, aí rolou assim, na primeira semana, ele foi lá, tocou violão pra família e não sei o quê.
25:49Aí, na outra semana, caiu a ficha, né, velho.
25:51Aí, ele voltou pra casa.
25:53Quando ele voltou pra casa mesmo, aí que começou o inferno.
25:56Porque aí, a Adriana virou a sombra dele.
25:58Onde ele ia, ela ia atrás.
26:00É.
26:00Acordava de manhã, ela fazia uma devassa nas redes sociais, em tudo, sabe?
26:04Marcação Dunga.
26:05Lembra do Dunga?
26:06E isso foi pra banda.
26:07Isso respingou na banda.
26:08Sim.
26:10Isso aconteceu no final de 2000.
26:11O Rodolfo saiu do Raimundos em junho.
26:13Sim.
26:14Ficou seis meses.
26:15Seis meses saiu.
26:16Então, se houve um empurrão, e a gente tava muito bem.
26:19Lógico.
26:19Antes disso acontecer, a gente tava de boa, a gente não brigava, tava tudo ótimo.
26:23Irmão.
26:24Começou a treta de novo.
26:25Não, ficou uma merda.
26:27A gente ia, puta, a gente tava no Ceará Music, assim, no meio do camarim, recebendo
26:32fã, não sei o que.
26:33Daqui a pouco, a Adriana pega um jarro de chope e derrama no caniço, assim.
26:37Nossa, velho.
26:38Sabe?
26:38Aquele clima horroroso.
26:39É, aquele clima horroroso.
26:40Ficou horroroso.
26:41Simplesmente cagou com a banda.
26:43Se houve um empurrão, realmente, foi ali, cara.
26:46Então, sabe?
26:47As pessoas, tem muita gente ali na internet querendo me botar como vilão de toda a história.
26:51Enfim.
26:51E o próprio caniço e o Fred também.
26:54Então, foi uma coisa que foi meio decepcionante, né?
26:56Ó, a gente, foi um custo pra gente tocar no Rock in Rio, porque em 2001, houve aquele
27:02boicote das bandas.
27:03Sim.
27:04E quem encabeçou isso, na banda, foi o Fred.
27:06Não, que a gente não vai tocar pra eles venderem hambúrgueres, porque aquela história
27:11lá do boicote.
27:11Sim.
27:13Porque, né, não estavam tratando bem as bandas brasileiras e tal, não sei o que.
27:16Porque...
27:17E, cara, assim, eu confiei no Fred, mas não foi a coisa certa a se fazer.
27:22A gente, meu irmão, tem que botar um rabinho entre as pernas e chegar lá e fazer um puta
27:25show e mostrar que, sacou, que a banda é foda.
27:28O que vocês sempre fizeram muito bem, né?
27:30Sempre fizeram muito bem.
27:30Exato.
27:31Sempre.
27:31E continua agora, né?
27:33Animal.
27:33Hoje em dia, e aí, a minha resposta pra tudo que falaram, tá aqui, cara.
27:37A gente, hoje o Raimundos, assim, vou te falar, a gente tá na melhor fase mercadológica,
27:42como eu te falo, desde a saída do Rodolfo, é agora.
27:45Sim.
27:46É, é, o relacionamento, banda, o clima dentro do Camarim, é o melhor clima desde sempre.
27:54Porra, todo mundo lá numa rua, se frequentando, gente dá risada, ouvindo o som, vai...
27:59Se respeita.
28:00Se respeitando.
28:02É, o que mais?
28:02Mas, porra, o Caniço, ele falou que, ah, por causa do meu posicionamento político,
28:06a gente tá fora dos festivais, não sei o quê.
28:08Irmão, Planeta Atlântida, João Roque, tem mais um monte de festivais e tal.
28:13A gente só não tá no Rock in Rio porque ficou essa coisa ruim.
28:16Sim.
28:17E mesmo assim, em 2019, depois eu e o Denis, a gente fazer, ir lá e fazer uma campanha,
28:21a gente conseguiu tocar no palco comum no Rock in Rio.
28:24Então, eu já dei a minha...
28:25Sim, a volta, lógico, lógico.
28:27Pô, eu acho do caralho o Rock in Rio, enfim.
28:30Pô, quando a gente tocou no Lula Paluza, pô, botaram a gente...
28:32Duas e meia da tarde, sabe?
28:35Pô, pra quê?
28:36Eu não preciso disso, sabe?
28:37Pô, quando vocês me quiserem lá, beleza.
28:38Tamo aí, a gente faz.
28:39Não, você teve coragem, né?
28:40Faz maneiro.
28:41Como o Emílio falou aqui, né?
28:42E tá aqui, ó.
28:42Vamos tocar no festival em Portugal agora, um puta festival, que é o Jardim do Marquês,
28:49sabe?
28:49Vamos abrir o Guns agora.
28:50De novo, vocês fizeram sempre show ou pequeno ou pra estádio ou pra...
28:55Irmão, sempre é um puta show.
28:57É o mais foda, sempre é um show animal.
29:00Aquele que você fez aqui, que ano foi aquilo?
29:04Que a gente foi aqui, que eu até fui assistir, pô.
29:06Foi aqui, foi aqui em São Paulo, um lugar pequeno.
29:10Áudio, áudio.
29:11Na Áudio Club?
29:12Eu não sei.
29:13Lá na...
29:13Foi no Hangar?
29:15Hangar?
29:15O Hangar, a gente tocou.
29:16Foi no Hangar, foi no Hangar.
29:18Foi no Hangar.
29:18Foi no Hangar, a gente tocou uma vez.
29:19E do caralho.
29:20Eu acho que...
29:21Cara, eu amo.
29:22Eu amo lugares pequenos, lugares...
29:23E você foi o cara que...
29:25Você, eu acho que você...
29:27É lógico que o Rodolfo também, pô, puta letriz, tá?
29:30Todo mundo ali, ó.
29:31Todo mundo tem top.
29:32É, é o que você falou.
29:33É o que você falou, todo mundo...
29:34Ninguém é mais que ninguém.
29:35Mas você, você bancou, você bancou sem o Rodolfo.
29:40Você falou, deixa que eu vou, eu seguro esse negócio.
29:42Exatamente.
29:43Não, então, mas isso aí que não transparece no documentário...
29:49Porque o cara, ele quer deixar...
29:52Ele quer fazer uma coisa meio...
29:53A gente tá aqui falando.
29:55É, ele quer, lógico.
29:56Mas é, mas...
29:57Mas todo...
29:58O documentário sempre tem.
30:00É, documentário é assim, meu.
30:01O que é engraçado é que a gente acha que ele amava o documentário.
30:04Falei, pô, do...
30:05Muito bom, parabéns.
30:07Não, não, não.
30:08Ele não gostou.
30:09Não, não.
30:09Tem um absurdo.
30:12Da galera, vim me culpar.
30:14Eu disse que morreu por sua causa.
30:15Meu Deus.
30:16Peraí.
30:16Como, aparece você lá chorando, pô.
30:18Meu Deus, como?
30:19Você que enfiou o Burger King no cara.
30:21Pô, meu irmão, eu não fiz nada, velho.
30:22Pelo amor de Deus, assim, pra...
30:23Pô, cada um cuida da sua vida.
30:25Todo mundo é adulto, é vacinado, é, enfim.
30:27Lógico.
30:28Óbvio.
30:28Então, é um absurdo isso, cara.
30:30Então, é foda.
30:31Mas é assim, cara, não tem jeito.
30:32O cara que tem que ir lá fazer o trabalho sujo, como eu...
30:35Certo.
30:35Toda banda tem um cara que é, assim, difícil de trato.
30:38Mas é o cara que tem a energia.
30:40Chorão era assim.
30:41Sim.
30:41Marcelo Iuca.
30:43Seu rapa.
30:43Ele era um cara difícil.
30:44Mas era o cara que, velho, que puxava...
30:46Era a liga.
30:47Era a liga da parada.
30:48Então, cada um tem o seu.
30:49Eu sou esse.
30:51Digão, mas você não acha que nem assim, ó.
30:53Hoje, do jeito que tá, essa galera toda que é fã, que assistiu e que vai nos shows,
30:59você não acha que essa galera entende perfeitamente isso?
31:02Tipo, ah, acabou a banda.
31:03Acabou.
31:04Mas tem umas, sei lá, 30 famílias ainda pra sustentar.
31:07Não pode parar o negócio.
31:09Ó, eu vou te falar.
31:10Quando o Rodolfo saiu do Raimundos, o Fred ainda ficou comandando até 2007.
31:14Sim.
31:15Ele que direcionava a banda.
31:16Pô, chegou em 2007, cara.
31:18O Raimundos fazia um show a cada dois meses.
31:20Pois é.
31:20Foi quando eu aprendi a dizer não.
31:22Falei, não, agora é eu que vou direcionar a banda.
31:25E eu fui transformando isso aqui que você viu.
31:27Sabe?
31:28Você vendia, né?
31:29É, eu tive que vender.
31:30Sim, sim, você vendia.
31:31Sabe, eu joguei nas 11 aqui.
31:33Demais.
31:34Então é isso, cara.
31:35Então é...
31:36Enfim.
31:37O que eu queria, assim, falar, né, cara?
31:40Que esse documentário eu não fui lá pra, sabe, pra queimar ninguém.
31:44Sei lá.
31:44Eu fui, pô, pra relembrar uma história que foi foda, que teve suas coisas ruins e tal.
31:48E é isso.
31:49E deu pra perceber isso.
31:49Ah, mas você foi realmente, assim, você contou a história da banda.
31:52Contou a história, exato.
31:53E hoje, assim, eu e o Morgado, principalmente, a gente pode provar.
31:56A gente foi no último show aí, no Santo Rock lá e tal.
31:58A gente foi no Camarim.
32:00Cara, Camarim, família, bacana pra caramba.
32:02Uma puta amizade.
32:03Mas, na época, maconha, vontade.
32:05Uma puta xaroga.
32:06Mas posso falar agora?
32:08Paulinha.
32:08Paulinha era maconheira.
32:09Posso falar.
32:10A Paulinha vendia pro Raimundo.
32:12Paulinha vendia maconha.
32:14Por isso que eles ficaram loucos.
32:15Que era de Bertioga.
32:17De Bertioga.
32:17De Bertioga.
32:18Ela vendia em Santos.
32:19Ela vendia, sabe onde ela vendia?
32:20Era o Cris Aldeiro.
32:22Onde?
32:23Era lá na...
32:25Lá no Porto, lá.
32:27Como é que chama lá?
32:28No...
32:28Fugitivo.
32:29É fugitivo.
32:30Era uma balada que tinha em Santos.
32:32Ela ficava do outro lado da rua.
32:33Agora ela tá vendendo um monjaro na corrida.
32:36Mas o clima dos Raimundos é legal demais mesmo.
32:38E o Jean também segurou um posto que é sensacional.
32:41Um cara bacana.
32:42Dá pra ver a...
32:43Você fazendo aí uma analogia assim com o Metallica, né?
32:46Sim.
32:47O Jason Newell, você dele sofreu muito.
32:49Porque, pô...
32:49Pra...
32:50Né?
32:51O...
32:51Pra...
32:52Ocupar o espaço do Cliff Burton, né?
32:54Ele sofreu e não aguentou.
32:56Teve que sair da banda.
32:56O Jean, cara, ele nunca teve uma rejeição.
32:58Jamais.
32:59Cara, meu irmão, ele...
33:00E ele vem com sangue nos olhos.
33:01Sim.
33:01Não, integrou mesmo.
33:02Parece que já era.
33:03Parece que já tava ali.
33:04É, exatamente.
33:05Ó, quero agradecer o Digão aqui.
33:07Assistam a esse documentário.
33:08Que legal.
33:08Depois me conta.
33:09É.
33:10Me conta o que você achou.
33:12Que o Raimundos é a melhor banda de rock'n'roll que nós já tivemos no Brasil.
33:17Eu acho.
33:17Quem teve a oportunidade de ver o Raimundos no palco, sabe que isso.
33:21Que eles tocavam, cara.
33:22Foda.
33:23Porra, é uma alegria.
33:25Não toca ainda.
33:25É um negócio...
33:26Até hoje.
33:26Até hoje.
33:26E quem não for vai ver, porque tá igual, Emílio.
33:29De verdade.
33:29É uma puta energia.
33:30O resultado que tinha era eu.
33:31É isso aí.
33:32Nunca batemos fofo.
33:33Uma puta energia.
33:34Olha, Dani.
33:34Ó, siga aí, ó.
33:35Tem um canal aí.
33:37Raimundos Rock.
33:38Raimundos Rock.
33:39Aí tem todo...
33:39Segue o Digão aí também.
33:40E o disco novo tá incrível, viu?
33:42Digão, Raimundos.
33:43Tá maluco, ó.
33:44Disco novo, você tá maluco.
33:45Muito bem.
33:46Só pedrada.
33:47Pô, vem aí um dia pra lançar o disco.
33:49Obrigado.
33:49Lógico que pode.
33:50Obrigado, gente.
33:51Paulinha, Paulinha gosta.
33:52Vou trazer a banda toda aí.
33:53Ela gosta da fase...
33:55Maconheira.
33:55É, da fase maconha.
33:57Obrigado, Digão.
33:58Valeu, cara.
33:59Valeu.
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