- há 12 horas
- #jovempan
A primeira metade da sua vida já passou. O que você vai fazer com a segunda metade?
Para milhões de adultos da "Geração Sanduíche", essa pergunta traz uma angústia profunda. No Documento Jovem Pan, o psicólogo Fredy Figner explica como a crise da meia-idade (entre 40 e 60 anos) colide com a exaustão de cuidar dos filhos e dos pais idosos ao mesmo tempo. Como planejar o seu futuro se você não tem tempo para cuidar de si mesmo?
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Para milhões de adultos da "Geração Sanduíche", essa pergunta traz uma angústia profunda. No Documento Jovem Pan, o psicólogo Fredy Figner explica como a crise da meia-idade (entre 40 e 60 anos) colide com a exaustão de cuidar dos filhos e dos pais idosos ao mesmo tempo. Como planejar o seu futuro se você não tem tempo para cuidar de si mesmo?
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NotíciasTranscrição
00:14Documento Jovem Pan
00:16Cada vez mais brasileiros vivem uma rotina marcada por uma dupla responsabilidade.
00:23Cuidam dos filhos, acompanham a vida profissional e ao mesmo tempo assumem o papel de cuidadores dos pais.
00:30É a chamada geração sanduíche.
00:33Adultos que estão entre duas gerações e que carregam sozinhos o peso emocional e financeiro, além do cuidado contínuo.
00:42Hoje, o documento Jovem Pan discute a carga invisível de quem cuida e os limites entre o amor e o
00:49esgotamento.
01:00Do lado emocional também é difícil, são três gerações convivendo, então eu estou ali no meio, bem no meinho, entre
01:06o adolescente e a idosa, os adolescentes e a idosa.
01:10Então, às vezes, eu tenho que administrar ali esse jogo de cintura.
01:17Mas eu acredito que a experiência, pode ser que hoje eles não estejam dando valor.
01:24Lá na frente, ele olha para trás e fala, poxa, minha avó fazia isso e isso, minha avó era assim,
01:31assado.
01:32Então, de repente, eles compreendem o que é o envelhecimento.
01:37Pode ser isso.
01:40Eu sou Maria Helena Estrela Gomes Pinto, sou médica, vou fazer 81 anos daqui a alguns dias.
01:50Isso, apesar de estar com essa idade e já ser aposentada, eu continuo trabalhando.
01:57Eu trabalho no Hospital do Servidor Oculto do Estado há muitos anos, estou lá há mais ou menos 58 anos,
02:07desde o internato e a residência.
02:11Só que hoje, numa atividade um pouco diferente, eu não atendo mais pacientes.
02:18Eu faço uma análise dos casos dos pacientes que foram a óbito, que faleceram no hospital.
02:29A gente oscila muito.
02:32Às vezes, eu me incomodo se alguém está querendo cuidar de mim.
02:37E às vezes, eu reclamo que não estão cuidando de mim como deviam.
02:44Então, a gente oscila muito.
02:46Depende muito do humor, do estado de espírito.
02:50E eu acho que é uma fase de transição mesmo.
02:54Se eu viver muitos anos mais do que eu espero, ela vai ter que cuidar de mim.
03:01Então, a gente vai fazendo uma passagem discreta, vagarosa, tranquila, sem muitos sobressalos.
03:12Hoje em dia, eu cuido dos meus três filhos, digamos assim, porque eu ganhei uma terceira filha aqui.
03:19Uma de 80, uma de 18 e uma de 13.
03:23Atualmente, esse é o cotidiano, né?
03:25Eu trabalhei muito tempo com restaurante, que era uma outra atividade que demanda também.
03:31Aí, na pandemia, eu fechei.
03:33E nesse intervalo de vamos fazer alguma coisa, vamos esperar, fechou tudo, parou tudo.
03:41Veio esse processo de envelhecimento juntamente com as questões de dois adolescentes que estavam em outros momentos da vida.
03:50E uma coisa atrasou a outra.
03:52Então, por enquanto, eu falo que eu sou a mãe de três aqui.
03:59É uma coisa que você não sabe para quem você olha primeiro, né?
04:03Porque cada um tem o seu tipo de crise, digamos assim, né?
04:07Um está... são fases diferentes.
04:09Uma está ficando com uma certa idade, embora não acredite, né?
04:14E a gente tem que fazer ela acreditar.
04:16Outro está se tornando um jovem adulto, mas nessa fase de transição que também é complicada,
04:24porque você não sabe o limite entre você ser um adolescente e você ser um adulto.
04:28Você ganha responsabilidade, mas você não sabe lidar direito ainda com essa responsabilidade.
04:33E outra está na franca adolescência, iniciando uma franca adolescência.
04:38Então, a mãe está arrancando os cabelos, né?
04:41Mais ou menos isso.
04:49Eu acho que eu estou num lugar que eu vejo muitas mulheres, né?
04:54Da minha idade, muitas amigas estão nessa fase da vida em que a gente tem que cuidar dos filhos
04:59que ainda, embora já grandes, já crescidos, né?
05:02Os meus têm 15, 18.
05:04A gente ainda... ainda demandam cuidados e ainda demandam tarefas e rotinas e coisas.
05:12E já, na outra ponta, nossos pais também, embora ainda tenham alguma autonomia,
05:18já perderam um pouco da autonomia e já precisam muito mais da gente, né?
05:22Então, eu não acho que é uma questão minha, particularmente, mas uma questão de uma geração.
05:29Nossos pais também estão vivendo mais, né?
05:32Estão chegando em idades mais avançadas e aí requerem mais cuidados.
05:36E os nossos filhos, talvez, numa cidade grande como São Paulo, né?
05:39Minha mãe diz que eles são mimados, mas eu acho que é um cuidado que a gente tem
05:42porque é uma cidade que requer cuidados, né?
05:48Eu estava em Campinas e Luciana ficou viúva com duas crianças de 4 e 6.
05:587 anos e eu estava sozinha em Campinas, que meu marido também estava com Alzheimer.
06:04Então, foi um desencontro todo na família e eu vim para morar com ela.
06:10E daí nós fizemos três gerações, né?
06:14Porque daí tinha eu, atualmente, 82 e...
06:22Em julho faz 83, a Luciana volta dos 40 e os meninos que agora, atualmente, estão com 18,
06:37acabou de completar 18 e o outro de 15.
06:43Então, são três gerações.
06:46Veio a pandemia no meio também, a encrenca toda da pandemia.
06:52E daí nós tivemos, eles tiveram que se adaptar à aula online.
06:59Se a minha mãe precisar ir no mercadinho aqui do prédio, está ok.
07:03Mas, né, sair, andar a grandes distâncias ou pegar o carro, ela já não faz mais.
07:07Então, isso já sou eu.
07:08E os meninos também ainda não fazem.
07:10Então, tudo que demanda carro, por enquanto, ainda sou eu.
07:12Meu filho está tirando carteira agora.
07:14Estou louca para passar a bola para ele de algumas coisas de mercado.
07:17Inclusive, já falei para ele, ó, mercado, vou te passar a lista, você vai.
07:20Pega o carro e vai.
07:21E ele está louco para fazer, né, porque daí vai ser uma oportunidade de dirigir um pouquinho.
07:25Mas, até agora, até os 18, então eu que cuidei de tudo isso.
07:29É super demandante.
07:31E, fora isso, aí a gente tem o trabalho, né.
07:35Eu era de Campinas.
07:38Trabalhei 44 anos na Unicamp.
07:42E, então, eu fui professora lá.
07:48Sou enfermeira, aposentada, mas sou.
07:57Essa rotina de jornalista, né, eu sou formada em jornalismo e trabalhei nisso por quase toda a minha vida.
08:04Ela já não dava mais para mim.
08:06Num certo momento da minha vida ficou complicado, né.
08:09Então, essa coisa de não ter horário para entrar, quer dizer, ter para entrar, mas não ter para sair,
08:13já ficou muito complexa.
08:15Aí eu acabei, por uma questão de mercado e de vida, e tudo, mudei de profissão.
08:21Hoje eu sou corretora de imóveis, então eu sou autônoma, faço os meus horários e trabalho muito de casa.
08:27Faço muitos atendimentos online, eu trabalho mais com consultoria para investidores.
08:31Então, não é uma coisa que eu tenha que necessariamente me deslocar a cada atendimento.
08:37É interessante que minha mãe ainda contribui muito para o orçamento familiar, com aposentadoria e pensão,
08:43o que me dá um certo alívio.
08:46Não estou sozinha, né, a gente compõe renda, eu e ela.
08:50Mas, por outro lado, toda a administração de pagamentos e contas, tudo que envolve boleto bancário, pagamento de contas,
08:59ela abdicou, passou tudo para a minha mão.
09:00Então, eu que administro tudo.
09:06Eu sempre vi a minha mãe muito nesse lugar da pessoa com muita autonomia, com muita desenvoltura, muito resolutiva, né.
09:17Durante muito tempo ela morou em Campinas e eu aqui em São Paulo.
09:21E ela estava lá fazendo todas as atividades, dirigindo, indo para cima e para baixo e tudo.
09:24E eu percebi que, assim, principalmente depois da pandemia, ela perdeu, ela ficou praticamente dois anos dentro de casa.
09:35Isso para o idoso abalou bastante.
09:38Então, parou de dirigir algumas coisas que ela fazia.
09:46Tem também os meninos que são uma geração incrível, né.
09:54Mas, o homem ainda está sendo escorado pelas mulheres.
10:01Então, na verdade, eu mimo eles.
10:03E, às vezes, entro em conflito.
10:05Porque a mãe quer educar e eu quero mimar.
10:08Né, então, por exemplo, eles estão na fase de chegar quatro horas da manhã, quando tem uma festa, até seis
10:17da manhã.
10:18E, daí, eu levanto a cada um que chega.
10:23Eu levanto.
10:24Então, eles já sabem que eles têm que passar no meu quarto e falar,
10:29Cheguei, vó.
10:31Daí, as vozes deles estão meio aparecidas.
10:34E eu falo, qual dos dois?
10:39Eu, no meio, orquestrando isso tudo, também, às vezes, eu falo, tenho vontade de sumir.
10:44Socorro, me tirem daqui.
10:46De vez em quando, eu sumo rapidinho e volto.
10:51E, você diz, é físico, emocional e financeiro.
10:54É isso tudo.
10:54E o físico?
10:55Ah, o físico eu nem conto.
10:56Assim, eu vou só levando e levo uns tropeços.
10:59Eu estava ótima.
11:01E, de repente, tive um problema de saúde, fui para o hospital.
11:04Aí, ela deu conta de tudo.
11:06Voltei.
11:07O físico, eu acho que eu tenho deixado um pouco de lado.
11:11Mas, preciso, eu sei que eu preciso cuidar, né?
11:13Porque, eu vejo a diferença que faz, que a minha mãe faz academia.
11:16Ela consegue fazer, eu estou sempre aos trancos, né?
11:19Eu falo, não posso deixar para fazer.
11:20Só quando eu tiver os 80 anos, eu preciso começar já.
11:23Mas, eu estou sempre começando e sempre largando.
11:25Porque, fica no fim da fila, das atividades.
11:28Então, acaba assim, aí, quando dá, eu vou.
11:29Quando dá, eu vou.
11:30Então, muitas vezes, não dá.
11:33O mundo muda.
11:35E muda cada vez mais rápido.
11:37A mudança na pirâmide etária,
11:39hoje, uma das maiores preocupações de governantes ao redor do mundo,
11:44tem impacto direto na vida prática de milhões de pessoas.
11:48Ela altera o mercado de trabalho,
11:51pressiona sistemas de saúde
11:52e, principalmente, redefine o papel das famílias.
11:58E aí, já é uma carga tripla.
12:00Você tem que cuidar dos filhos, dos pais, dos avós, talvez,
12:05e, inclusive, do chato do marido, que te magoou, que abandonou e que agora você acaba recebendo de volta porque
12:16os filhos estão pedindo.
12:21A nossa população está envelhecendo bastante, né?
12:26Então, eles vivem mais, vivem mais com condições crônicas, né?
12:31Com condições de doenças crônicas, incluindo as demências.
12:36E tem as mulheres que hoje fazem parte, um grande número, no mercado de trabalho e não tem uma estrutura
12:49para deixar os filhos.
12:50Então, não tem uma estrutura para o cuidado crônico, cuidoso.
12:56Não existe uma estrutura para o cuidado com as crianças é melhor do que com o idoso.
13:02Mas esses avós, eles ainda têm que cuidar dos netos e cuidar dos pais deles.
13:14Geração sanduíche, um termo criado para designar adultos que vivem entre duas gerações e que se tornam responsáveis por ambas.
13:24São filhos que precisam cuidar dos pais idosos e, ao mesmo tempo, dos próprios filhos.
13:29Uma geração impactada por um fenômeno global.
13:33As pessoas estão tendo filhos mais tarde, enquanto a expectativa de vida dos pais aumenta.
13:38Ao mesmo tempo, as famílias diminuíram.
13:41Há menos irmãos, menos parentes disponíveis.
13:45O trabalho de cuidar, que antes era distribuído, passou a ser concentrado em cada vez menos pessoas.
13:51E, na maioria das vezes, em uma só.
13:55O termo geração sanduíche não é um termo que surgiu no Brasil.
13:59É um termo que já vem exportado de outros estudos relacionados a outros países
14:05que se refere à situação de pessoas, pode ser homens ou mulheres,
14:11que estão convivendo com mais duas ou três gerações dentro da sua casa.
14:17Então, geralmente, é uma geração ascendente e outra descendente.
14:21Em termos de palavras simples, seriam convivendo ali com netos, bisnetos,
14:28mas também com avós, pais.
14:30Então, é uma situação em que, no domicílio, aquele adulto,
14:34que geralmente tem aí na faixa de 35 a 55 anos,
14:39ele não está morando sozinho com o seu cônjuge,
14:41mas ele também tem filhos, que às vezes não são crianças,
14:44às vezes convivem com seus pais e até com seus avós.
14:53Retomando um pouco a definição anterior,
14:55a condição de sanduíche pode ocorrer em qualquer momento da vida de um adulto,
15:01mas é mais comum ali na faixa de 35 a 49 anos.
15:09A meia-idade é uma fase do desenvolvimento humano
15:13que vai por volta dos 40 a 60 anos.
15:15E o que essa fase fala?
15:17Essa fase é uma fase que traduz o seguinte,
15:19a primeira fase da vida já foi,
15:22então, praticamente, o primeiro tempo da vida já foi,
15:25e, no segundo tempo, eu tenho que fazer uma reflexão
15:28como eu quero viver com o tempo que me sobra.
15:31Isso fala das minhas relações, do meu trabalho, da minha carreira,
15:34isso fala se eu quero continuar naquele emprego,
15:36com aquele casamento, naquela cidade.
15:38E a meia-idade, que é conhecida,
15:40inclusive algumas pessoas chamam da crise da meia-idade,
15:42é justamente quando você tem essa autoanálise.
15:46Quando a gente fala da geração sanduíche,
15:48a gente pega a geração sanduíche e por volta da geração X,
15:51que é por volta de 1965, até a geração Y,
15:56que é por volta dos 80,
15:59o pessoal da geração sanduíche é o pessoal justamente
16:02que encontra-se na meia-idade.
16:04E quando você tem essa tarefa de parar e pensar
16:07o que você vai fazer na segunda metade da sua vida,
16:10você tem que, muitas vezes,
16:12dedicar esse tempo ao cuidado dos pais e dos filhos.
16:15E essa falta de tempo de poder reavaliar a própria vida
16:19e de fazer um planejamento para a segunda metade da vida
16:22pode ser extremamente angustiante.
16:24Então, é muito interessante porque a meia-idade,
16:27ela justamente se conecta com a geração sanduíche.
16:30E basicamente é, a primeira fase da minha vida já foi,
16:33e o que eu vou fazer com a segunda fase da minha vida?
16:35E é justamente nessa segunda fase da vida
16:37onde essas gerações, elas são cobradas,
16:41um desafio muito grande de cuidar dos filhos,
16:44cuidar dos pais e que tempo que ela cuida de si.
16:51Isso é relativamente novo,
16:54porque avós no passado,
16:58avô e avó,
17:00eles, quando passavam dos 60,
17:03tinham poucos anos de expectativa de vida.
17:06E você hoje, chega aos 60,
17:09ainda vai viver 25, 30, mais anos,
17:11com o risco de ter doenças associadas ao envelhecimento,
17:17que fazem com que eles possam perder,
17:20possam, não estou dizendo que seja absoluta,
17:25não é uma regra,
17:26mas que eles possam perder independência, autonomia,
17:30e o que o poder público oferece,
17:33em termos de opções,
17:36é muito pouco,
17:38não é suficiente,
17:39e está concentrado
17:41nas grandes cidades,
17:43sobretudo nas capitais.
17:46Então fica complicado,
17:48porque essa mulher,
17:49nessa faixa de idade,
17:51vai ter cuidados de longa permanência,
17:55dentro de casa,
17:56de pessoas que
17:57estão passando dos 85, 90 anos e mais.
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