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Você acha que comer bem e ter saúde na velhice é apenas uma questão de "fazer as escolhas certas"? O gerontólogo Alexandre Kalache dá um choque de realidade no Documento Jovem Pan. Entenda por que a longevidade no Brasil esbarra na brutal desigualdade social, onde muitos idosos chegam a passar fome para poder alimentar os próprios netos. Saúde pública exige dinheiro no bolso e políticas estruturais urgentes.

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Transcrição
00:00...de joelho, e então eu manco um pouco.
00:05E a gente tem que se adaptar, né?
00:08A longevidade não se sustenta apenas com avanços da medicina ou novas tecnologias.
00:15Ela depende de vínculos, de presença e de acompanhamento constante.
00:21Envelhecer com apoio reduz riscos, previne agravamentos e amplia a capacidade funcional.
00:28E mais do que prolongar anos, o cuidado amplia possibilidades.
00:32Num país que envelhece rapidamente, investir em cuidado também é uma estratégia de saúde pública.
00:41Ainda existe um preconceito muito grande com relação à velhice do próprio idoso,
00:46que tem um preconceito com relação à própria velhice,
00:49e ao etarismo, ao preconceito com relação ao velho de uma maneira geral.
00:54Só que isso, com o passar dos anos, vem melhorando muito.
00:58A gente percebe, a pessoa às vezes não quer admitir que tem um problema,
01:04principalmente porque está associado à velhice.
01:06Você, para poder chegar bem ao 100, vamos dizer,
01:11você precisa, primeiro, do pilar saúde.
01:15E a gente sabe que saúde é criada no contexto do dia a dia,
01:19onde você mora, onde você trabalha, como você se locomove, como você vive.
01:25Isso é o que cria saúde.
01:27O que você come depende da sua renda.
01:31A moradia que você tem depende dos seus recursos.
01:35Então não é só escolha.
01:38Muitas vezes o elemento sorte é o que predomina.
01:42Não é a sua escolha, porque você vai chegar para o seu joaquim e falar,
01:46olha, come brócolis, viu?
01:48Mas doutor, se eu for comer brócolis na primeira semana do mês,
01:51eu não vou ter dinheiro para açúcar e farinha na última.
01:55Nós vivemos num país muito desigual.
01:58A gente não percebe que não é culpa da pessoa.
02:01Essa pessoa pode até saber o que é bom, manter o recurso.
02:08Quantas vezes aquele avô, olha a solidariedade,
02:12deixa de comer para que seus netos tenham comida no prato.
02:17Saúde vem em primeiro lugar.
02:19E isso eu traduzo como o capital necessário de saúde.
02:23Então nós temos, e isso é política pública,
02:29e parar de treinar médicos para o século passado,
02:34que aprendem tudo sobre criança e adolescente e mulher grávida,
02:39e nós vamos ter que treinar médicos que possam lidar com mais conhecimento,
02:47seja qual for a especialidade,
02:49de pacientes que serão cada vez mais envelhecidos.
02:56Saúde.
02:57O segundo pilar que é fundamental é você ter conhecimentos,
03:00é aprendizado ao longo da vida,
03:02aprender a aprender,
03:04parar de ter fobia tecnológica,
03:08que a tecnologia não vai dar sopa.
03:11A gente precisa começar a pensar em saúde mais cedo.
03:16Eu volto de novo às minhas filhas,
03:18eu vejo, elas estão hoje muito mais preocupadas com o que elas comem,
03:22com o que elas fazem,
03:23do que eu na idade delas com 14 e 17 anos.
03:26Então, o jeito, o mundo,
03:28eu acho que depois do Covid,
03:29isso veio à tona,
03:31a gente precisa pensar em saúde antes.
03:34Apesar dela ser extremamente ativa,
03:36que é uma coisa,
03:37é uma bênção,
03:38e eu acho que é uma das melhores coisas que pode acontecer,
03:41porque prolonga esse processo,
03:43eu acho que ela não chegaria a 81 anos trabalhando se ela não fosse ativa.
03:49Se você não se mantém trabalhando, com a mente funcionando,
03:52você para muito antes.
03:54Isso é um fato.
03:55Eu acho que a questão de trabalhar,
03:57é o que eu falo para ela,
03:58não é nem uma questão,
03:59ah, nossa, precisa trabalhar por questões financeiras ou coisas do gênero.
04:04Eu acho que a gente precisa trabalhar por uma questão de saúde mental
04:07e manter essa atividade mental funcionando.
04:12Quanto mais você prolonga esse cérebro funcionando,
04:16esse processo se dá de uma forma mais tranquila
04:19e ele vai mais longe.
04:24Mas é isso.
04:26Então, apesar de tudo isso,
04:29o que eu percebo
04:30é que sempre foi uma mulher extremamente ativa e independente.
04:36O que está mudando não é nem a atividade,
04:38é a relação com a independência.
04:40A independência vem caindo
04:43porque você começa a achar
04:45que você não dá conta de fazer determinadas coisas
04:48e que você precisa de ajuda.
04:50E isso, para mim, é muito estranho.
04:52Porque eu fui criada por uma mãe extremamente independente.
04:55Então, de repente, opa,
04:56está pedindo minha ajuda mais do que o normal,
04:58está precisando que eu resolva coisas
05:00que, na realidade, ela resolvia para mim,
05:02agora sou eu que tenho que resolver.
05:04E isso é muito estranho.
05:05Então, minha mãe, por exemplo, tem esse botão do pânico.
05:08Eu sou o primeiro contato
05:09e meus filhos o segundo e o terceiro contato.
05:11Só que se ninguém estiver por aqui,
05:12porque às vezes eu me desloco para longe na cidade.
05:16Então, acontece de eu estar na Zona Sul muitos dias,
05:19passando o dia por lá.
05:21Tem os contatos aqui do prédio.
05:23Então, minha mãe tem uma grande amiga aqui no prédio
05:25que mora, que é um contato.
05:26Tem o síndico, que é um outro contato.
05:31Ah, eu vou ajudar.
05:33Eu vou ficar um pouco com a minha mãe
05:38para ela poder sair,
05:40para ela poder ir no seu culto religioso.
05:43Eu vou ficar um pouco com a mamãe
05:45para ela poder ir fazer a hidroginástica.
05:49Ela faz a hidroginástica de terça e quinta.
05:52Terça e quinta eu vou lá ficar com a mamãe
05:53para ela poder ir fazer a hidroginástica.
05:56Então, eu acho que são atitudes que são simples
06:00e que ajudam muito.
06:03E jamais criticar quem está fazendo.
06:06Quem está fazendo, está fazendo ou tentando acertar.
06:09Então, sempre procurar colaborar.
06:11Como eu posso te ajudar?
06:16Quando estamos olhando para um domicílio,
06:19uma família, que é a presença dos dois cônjuges,
06:24vamos assim dizer,
06:25é mais fácil que essa responsabilidade seja dividida.
06:30Então, aquelas mulheres que têm um cônjuge
06:32dentro da sua casa,
06:34muitas vezes eles chegam no arranjo familiar
06:36para que ela não vá ao mercado de trabalho,
06:38pois há uma dificuldade em conciliar a atividade laboral
06:43com as atividades familiares.
06:44A grande questão é quando nós estamos falando
06:46de domicílios monoparentais,
06:49que são quando temos a coexistência de mães solo,
06:53cuidando de filhos,
06:54muitas vezes dos pais ou dos avós.
06:57Isso faz com que essa mulher fique com uma sobrecarga mental muito grande,
07:04pois ela não pode deixar de trabalhar,
07:07porque ela é uma das principais provedoras do lar,
07:11mas, por outro lado, ela ainda tem que lidar com todas essas gamas
07:15de atividades relacionadas a cuidados de crianças, de idosos,
07:20que fazem com que ela tenha que balançar vários pratos
07:24e isso, muitas vezes, faz com que o mental da mulher,
07:27o psicológico, fique abalado.
07:31A transição demográfica, porém, não traz apenas desafios.
07:36Pela primeira vez na história da humanidade,
07:38é possível conviver com três ou até quatro gerações simultaneamente.
07:43Um fenômeno que permite trocas mais longas,
07:46memórias compartilhadas e a circulação de experiências
07:50entre idades diferentes.
07:51O desafio está em transformar essa conquista da longevidade
07:56em um projeto coletivo no qual o cuidado não seja um fardo individual,
08:01mas uma responsabilidade compartilhada.
08:04Do ponto de vista da sociabilidade,
08:07nunca antes foi possível conviver com duas ou mais gerações.
08:12Com o aumento da expectativa de vida, longevidade,
08:15queda na taxa de fecundidade,
08:18a gente conseguiu fazer com que tivéssemos nossos avós,
08:23muitas vezes, nossos bisavós vivos,
08:26coisas que não eram comuns de acontecerem
08:2930, 40 anos atrás.
08:32Sob esse ponto de vista,
08:34essa condição de conviver com mais gerações é benéfica.
08:40Quanto mais cedo você tiver com filho,
08:43saudável, com pessoas idosas,
08:45e eu fiz estudos em relação a isso.
08:48As pessoas que são cuidadoras ou profissionais da saúde
08:52que se dedicam ao envelhecimento,
08:54inclusive médicos, geriatras,
08:56os que têm satisfação de trabalho
08:58são aqueles que tiveram um convívio,
09:01sobretudo com os avós,
09:03na infância e na adolescência.
09:06Você aprende a gostar?
09:08Eu digo por mim.
09:10Eu tive o privilégio de crescer com uma infinidade de pessoas idosas à minha volta.
09:18Minha avó tinha 17 irmãos e irmãs,
09:21o meu avô 13 do lado materno.
09:24Do lado materno também eram muitos.
09:26Mas só do lado materno você tinha 30 multiplicados por 2,
09:30porque eu acho que todos eram casados.
09:32e eu tinha essa familiaridade com pessoas idosas.
09:37Mais tarde, quando eu tinha 15 anos,
09:40a minha avó materna ficou doente.
09:43Ela tinha ficado do Iuva.
09:45Ela morava em Belo Horizonte e veio morar conosco no Rio de Janeiro.
09:50E minha mãe disse,
09:52você vai ser o médico da família, né?
09:54Eu não sabia que eu ia ser o médico da família,
09:56porque ela tinha escrito isso no livro do bebê quando eu tinha 5 anos.
10:00Fiquei tão feliz que o Alexandre disse que vai ser médico,
10:03porque os pais vão estar idosos e vão precisar de cuidado.
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