Pular para o playerIr para o conteúdo principal
Em um cenário geopolítico cada vez mais dinâmico, acordos bilaterais ganham espaço como alternativa para fortalecer relações comerciais e tecnológicas entre países. Nesta entrevista do Hora H do Agro, Luis Antonini, gerente de agro do Consulado da Nova Zelândia, fala sobre as oportunidades de cooperação entre Brasil e Nova Zelândia, especialmente no setor pecuário. A conversa aborda temas como genética animal, rastreabilidade, aproximação com produtores e empresas do agro, além do potencial estratégico da Nova Zelândia como ponte para ampliar o acesso do Brasil aos mercados da Ásia e do Pacífico.

Baixe o app Panflix: https://www.panflix.com.br/

Inscreva-se no nosso canal:
https://www.youtube.com/c/jovempannews

Siga o canal "Jovem Pan News" no WhatsApp:
https://whatsapp.com/channel/0029VaAxUvrGJP8Fz9QZH93S

Entre no nosso site:
http://jovempan.com.br/

Facebook:
https://www.facebook.com/jovempannews

Siga no Twitter:
https://twitter.com/JovemPanNews

Instagram:
https://www.instagram.com/jovempannews/

TikTok:
https://www.tiktok.com/@jovempannews

Kwai:
https://www.kwai.com/@jovempannews

#JovemPan
#HoraHDoAgro

Categoria

🗞
Notícias
Transcrição
00:00E o momento geopolítico vem nos mostrando que, enquanto acordos comerciais entre blocos levam mais tempo,
00:07são mais complexos de sair do papel, os acordos bilaterais têm sido uma alternativa de cooperação para mercados.
00:14É o caso de Brasil e Nova Zelândia, o país que fica no Senia e tem sinergia em relação ao
00:22segmento da pecuária.
00:23Para falar a respeito, nós convidamos o Luiz Antonini, gerente de agro do Consulado da Nova Zelândia.
00:31Bem-vindo ao programa, obrigada pela participação.
00:35Queria já começar te perguntando, entendendo quais são as relações que já existem entre Brasil e Nova Zelândia,
00:42o que já se tem atualmente e o que vocês estão olhando de oportunidades para se intensificar.
00:48Obrigada de novo pelo seu tempo.
00:52Olá, Mariana. Olá a todos. Prazer estar aqui presente na Jovem Pan. Obrigado de novo pelo convite.
00:57Bom, respondendo diretamente a sua pergunta, a Nova Zelândia é um país geograficamente isolado,
01:03mas bastante presente no comércio internacional, por meio de comércio, por meio de investimento,
01:08e no Brasil não é diferente.
01:10Eu acredito que vocês já tocaram em dois pontos específicos e dois assuntos
01:14que geram boas colaborações entre Nova Zelândia e Brasil, que são a genética e a astrabilidade.
01:20Hoje, eu diria que a grande colaboração entre os dois países, pro agro especificamente,
01:24está no ramo da tecnologia.
01:26Já sabemos o nível de tecnificação e evolução tecnológica, propriamente dita, que o agro brasileiro ainda tem.
01:33E a Nova Zelândia entra em nichos específicos que ajudam o agro brasileiro a ser cada vez mais sustentável,
01:38cada vez mais eficiente e cada vez mais produtivo.
01:40Esse é o grande objetivo.
01:41Pois é, então, pegando essa questão aí que você traz de genética, de rastreadibilidade,
01:47o trabalho de vocês, do consulado, eu sei que existem, inclusive, visitas, né?
01:52Vocês foram pra Goiás, tem visitas estaduais aqui.
01:56Qual que é a finalidade?
01:57É estreitar relacionamento com companhias que trabalhem com genética e rastreadibilidade,
02:03trazer essa tecnologia pra cá?
02:04O que exatamente dentro dessas duas áreas pode haver aí uma aproximação de interesses e de negócios?
02:14Perfeito, excelente pergunta.
02:15Acho que você foi bem precisa.
02:18O trabalho do consulado, ele é focado na intermediação entre os interesses, né?
02:21Eu costumo dizer que a gente, apesar de estarmos baseados no consulado da Nova Zelândia e em São Paulo,
02:27a nossa atuação é nacional, até regional, pra fora do Brasil também,
02:31no intuito de fazer esse pêndulo, né?
02:34De trazer novidades, inovações tecnológicas, melhores práticas do agro neozelandês pro agro brasileiro
02:40e também entender quais são as necessidades, os grandes desafios que o agro brasileiro possui
02:46em diversos ramos diferentes e levar isso pra Nova Zelândia pra realmente conectar os dois lados
02:52e pra que os negócios efetivamente aconteçam.
02:54Somos intermediários e o nosso interesse principal é que as tecnologias neozelandesas
02:59sejam conhecidas e aplicadas cada vez mais no agro brasileiro.
03:02E é interessante a gente trazer, então, uma perspectiva geográfica,
03:07porque a gente tá falando ali de sul global, de uma forma geral, assim, né?
03:13Estamos olhando para condições climáticas que podem ser muito parecidas, similares.
03:21Mas queria que você trouxesse um pouquinho dessa perspectiva também,
03:24porque uma coisa é você falar de uma genética, enfim, quando não tem nada a ver,
03:29é difícil falar de genética, né?
03:31É difícil você aproximar, de fato, a ciência quando o próprio animal tá, enfim, acostumado com neve
03:38e ele vai ser aqui criado acima de 30 graus, por exemplo, né?
03:42E eu entendo que isso é uma das coisas que vocês provavelmente fazem o mapeamento, né?
03:48Acompanham, então eu queria que você trouxesse também isso como oportunidade, né?
03:52De a genética estar ligado a fatores geográficos, climáticos, né?
03:59Perfeito, um excelente comentário.
04:01De fato, nesse nosso trabalho de levar as oportunidades do agro brasileiro para a Nova Zelândia,
04:06sempre mencionamos uma palavra central em toda essa discussão, que é a adaptação, né?
04:11O que a gente costuma dizer de tropicalização, né?
04:12Uma palavra que a gente trouxe para o nosso contexto.
04:15Justamente você mencionou o clima, o relevo e várias outras características de diferença
04:18entre o gado neozelandês e o gado brasileiro.
04:22Existem algumas similaridades entre algumas regiões específicas mais ao sul do Brasil,
04:27muito por causa da presença de pasto, né?
04:29Hoje a Nova Zelândia é uma das referências mundiais em produção pecuária pasto,
04:34especificamente pecuária de leite, né?
04:35Um dos maiores exportadores de lácteos, um dos maiores exportadores de tecnologias
04:40para pecuária de leite especificamente, que acabam sendo transversais,
04:43aplicáveis também à pecuária de corte, né?
04:45Os conceitos de pastejo ultradenso, de pastejo rotacionado, de utilização de cerca elétrica, né?
04:52O animal neozelandês, ele é um animal bastante rústico.
04:55Assim, a vaca gersolando, né?
04:58Que é a mistura entre o gersi e o gado holandês,
05:01patenteado por uma das cooperativas de genética e melhoramento animal da Nova Zelândia,
05:06a LIC, Livestock Improvement Corporation.
05:08O Kiwi Cross, né?
05:10Conhecido popularmente como Kiwi Cross.
05:11É para ser um gado que não é para ser bonito, não é para ser charmoso, é para ser eficiente.
05:18É um gado adaptável a diversas realidades de pasto, realidades de clima.
05:22E por isso que ele funcionou tão bem no sul do país,
05:25em algumas regiões também do centro-oeste brasileiro.
05:27Incrivelmente, há modelos, há fazendas de produção de leite no centro-oeste brasileiro,
05:32no estado de Goiás, também na parte do estado da Bahia,
05:35que fazem produção de leite a pasto, utilizando-se exatamente do modelo neozelandês.
05:40Produção a pasto, com animais, Kiwi Cross, usando genética neozelandesa.
05:46E isso funcionou por meio de um trabalho de intermediação do consulado,
05:50juntamente com entidades e organizações técnicas no Brasil, como a Embrapa, por exemplo.
05:54Eu queria ressaltar a importância desse tipo de organização para tropicalizar as tecnologias.
05:59Eu acho que, claro, todos sabemos da importância da Nova Zelândia para o setor,
06:03para o água especificamente, mas não necessariamente tudo que é aplicado na Nova Zelândia
06:07vai ser necessariamente aplicado para as realidades brasileiras.
06:11Por isso, a colaboração e a parceria, ambos são muito importantes.
06:15Sim, inclusive, recentemente eu estive em um evento que falou muito sobre inseminação artificial
06:22e o quanto que a inseminação artificial está aumentando na pecuária leiteira,
06:28embora seja uma atividade que não traz muita rentabilidade.
06:32A gente já falou várias vezes aqui sobre isso no programa.
06:34É uma atividade que há muitos anos tem margens super apertadas aqui no Brasil,
06:38mas mesmo assim está se investindo nessa questão de inseminação artificial
06:45exatamente para ter um aprimoramento de genética,
06:49para que dentro das condições que hoje não estão favoráveis,
06:53que se tenha bastante produtividade.
06:55E aí a minha pergunta é a seguinte, como que vocês também avaliam esse cenário,
07:03casam esse cenário de aqui, falando de pecuária leiteira,
07:08ter uma margem mais apertada, mas ainda assim é interessante trazer as tecnologias
07:13como você trouxe, os helandesas, para cá, mas é uma atividade que, de novo, margens apertadas.
07:20Então, como que vocês fazem o cruzamento dessas informações
07:22para que realmente seja um acordo, que saiam acordos rentáveis?
07:30Excelente pergunta.
07:31Esse é um dos comentários que nós escutamos frequentemente do setor lácteo como um todo,
07:39especificamente dos pequenos e médios produtores de leite no Brasil,
07:43sobre as margens especificamente.
07:44E a lição que eu trago, que a Nova Zelândia tem,
07:47e acredito eu, a contribuir com a pecuária de leite brasileira,
07:51é aumentar a margem com foco na redução de custo.
07:55Hoje, se você faz um estudo comparativo,
07:58o custo de produção do litro do leite na Nova Zelândia é muito mais barato que o leite brasileiro,
08:03e isso vem necessariamente a partir da adoção de tecnologias.
08:07E a genética é uma delas.
08:08Você tem um animal mais saudável, um animal mais produtivo,
08:12um animal que rende um leite com mais qualidade do ponto de vista de possuir um alto índice de sólidos.
08:19Obviamente, acredito que a nossa audiência aqui já ouviu falar que a Nova Zelândia tem um sistema de modelo de
08:24pagamentos
08:24baseados em sólidos, então a quantidade de proteína e gordura do leite são essenciais para ter um leite de qualidade
08:32que vai servir como insumo, como matéria-prima para a indústria.
08:35Para o queijo, para o iogurte, para outros produtos lácteos,
08:38são feitos a partir, não necessariamente do leite fluido, mas das características dos sólidos do leite.
08:46Então, existe um grande esforço da nossa parte de trazer esse tipo de mensagem,
08:50principalmente para os pequenos e médios produtores, que representam a grande maioria do setor,
08:55e não necessariamente têm acesso a esse tipo de tecnologia ou a esse tipo de informação.
08:59No estado do Paraná, a gente já tem tido boas aproximações com organizações e cooperativas do estado paranaense
09:09que buscam, na verdade, se inspirar no modelo neozelandês para construir o seu sistema de pagamentos.
09:14Eu acho que a grande mudança do setor, no nosso ponto de vista, pensando no modelo de produção neozelandês,
09:21é realmente analisar mais friamente como conseguimos adaptar o modelo de pagamento brasileiro
09:29entre as cooperativas principais do país, inserindo mais importância para os sólidos.
09:35Isso daria uma margem mais sossegada para o setor e também atacaria a complexidade principal da pecuária de leite,
09:44que é a produção de leite muito cara.
09:46Não à toa a gente importa 8 ou 9%, se eu não estou enganado,
09:49de Argentina e Uruguai, que são leites que têm um preço mais competitivo do que o próprio leite brasileiro.
09:55E o grande objetivo nosso, eu sempre repito isso nos eventos que a gente participa,
09:59é atacar esse problema especificamente.
10:02Como transmitir ao médio e pequeno produtor essas tecnologias serem implantadas com eficiência
10:08para que o custo de produção do leite desses produtores seja cada vez mais baixo, portanto mais competitivo.
Comentários

Recomendado