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A polarização entre Lula e Flávio Bolsonaro já cansou uma parcela significativa do eleitorado. Quase 40% dos eleitores de direita buscam um nome alternativo. Haverá espaço para uma terceira via real? O consultor político Roberto Reis relembra o fenômeno das eleições de Minas Gerais em 2018. Entenda como o excesso de debates na TV e a briga suja entre os favoritos podem abrir espaço para Romeu Zema disparar com seu discurso "antissistema" e sem rabo preso nas próximas eleições.

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Transcrição
00:00Nesta conjuntura, deve ganhar o candidato da direita, porque o que você está dizendo é que essa mudança para um
00:05ciclo de liberdade econômica, de exaustão do modelo de esquerda,
00:11esses candidatos todos, como você falou hoje, a presidência é porque são de direita, então a pluralidade está de direita
00:17e tem o monopólio da esquerda praticamente na candidatura do Lula.
00:21Então a intenção é repetir um pouco essa fórmula de Chile e demais países onde há esta alternância de poder.
00:28É, na minha opinião, esse ciclo que começou em 94 ali está de hora extra, passou do tempo.
00:35Isso é dito inclusive por membros do próprio governo.
00:39A Simone Tevitt fala, em 2027, seja qual for o candidato que ganhar, ele vai ter que pagar a conta.
00:46Porque hoje o Estado brasileiro, nós vivemos um custo de pandemia não estando em pandemia, ou seja, a conta chegou.
00:53O que a gente pode falar é que é o seguinte, é quando o Lula se reelege, ele não, nós
01:00temos que ser honestos, ele não comete um estelionato eleitoral.
01:03Ele fala, eu venho fazer mais do mesmo.
01:06Naquela ocasião ali, uma eleição de duelo, de rejeição, ele vem.
01:10Então ele, de certa forma, satura mais esse ciclo.
01:14E sempre acontece assim, em todas as democracias.
01:16Se eu puder citar dois exemplos aqui, porque eu já citei o brasileiro, os argentinos, eles pegam como a sexta
01:23economia do mundo, o peronismo,
01:25num ciclo vestiginoso de crescimento, exploram ao máximo, por muitos e muitos, muitos anos, as pautas sociais.
01:32E a sociedade lá se cansa do Estado grande, né?
01:36A dificuldade de você prosperar.
01:39E nós, e eles, né, perdão, elegem o Macri, que vem com todas essas pautas de liberdade econômica,
01:47mas ele deixa pra tentar aplicar isso no terceiro ou quarto ano.
01:50Isso não funciona, você tem que aplicar no início, os 18 meses que a gente chama de o prazo do
01:57namoro com o eleitor ali,
01:58que você tem que, as medidas duras, você tem que aplicar, né?
02:02E aí ele sofre uma derrota, vem mais um mandato do peronismo, mas no final das contas, a Argentina já
02:08tava mudando de ciclo,
02:10vem Milley, né?
02:11Historicamente, sempre aconteceu assim.
02:13A questão é que alguns países lidam melhor com isso, com a oxigenação.
02:17Você vê, os democratas pegam lá igualdade, até crescimento, entregam sempre aos republicanos crescimento e liberdade.
02:26E sempre vai revezando dessa forma, né?
02:29Na Inglaterra, tem um caso clássico, que pode fazer um paralelo com o Lula aqui.
02:35O Lula é forte, ele tem um recall muito grande, é conhecido, tem ações que ele fez pra gerações de
02:42eleitores ali, né?
02:44Mas o que importa mais do que um nome, na minha opinião, é o ciclo.
02:48O Winston Churchill, pós Segunda Guerra Mundial, a Inglaterra experimentava um ciclo de crescimento gigantesco,
02:56no plano Marshall ali.
02:59Então, o herói de guerra, ele se candidata e, à surpresa de todos, ele perde.
03:04Porque, naquele momento, a Inglaterra tava virando pro ciclo de igualdade quem ganha o Labur,
03:08o partido trabalhista deles, que vem com essas pautas.
03:11Ou seja, o ciclo era mais isso, derrota de forma surpreendente o Winston Churchill.
03:16Eles exploram ao máximo esse ciclo, que, no final das contas, vai entregar
03:20no ciclo de liberdade econômica pra Margaret Thatcher.
03:23Sempre acontece isso.
03:24Então, o Brasil já tá vivendo essa mudança.
03:27Um último exemplo, eu fiz umas pesquisas qualitativas, de um tempo pra cá,
03:31daquela que você conversa direto com o eleitor.
03:34Conversei com uma cabeleireira, que não sai da minha cabeça.
03:36Ela fala, ah, eu sou eleitora do Lula há décadas.
03:39Desde o começo ali, sempre fui muito ligado ao PT.
03:43Então, ele me tirou da fome, quando eu vim pra São Paulo.
03:46Ele ajudou a colocar meus filhos na faculdade.
03:50E hoje, a minha vida é uma beleza.
03:52Eu empreendo, eu tenho aqui um salão de cabeleireiro.
03:54E eu tenho alguns funcionários aqui, PJ.
03:57Só que aí eu lido agora com uma empresa.
04:00Eu tô prosperando.
04:02Eu saio de uma fase de sobrevivência.
04:05E vou pra uma fase, agora, de expansão.
04:08E aí eu sinto o peso do impacto.
04:11Hoje eu não sou mais eleitora do Lula.
04:13Ou seja, depois que a gente vive, o eleitor vive,
04:17sai da fase de sobrevivência, aí ele quer algo mais.
04:20O Brasil, com bons números,
04:22quem é leigo nisso, acha que isso beneficia o Lula.
04:25Não.
04:26Aí a gente vai buscar outras vontades.
04:28É o que aconteceu nos Estados Unidos.
04:30Que o Biden não entendia como é que a popularidade dele tá ruim,
04:34sendo que os números estavam boas, né?
04:36O eleitor tá sempre revezando.
04:37A democracia fala o seguinte, eu já tenho isso?
04:39Então, eu quero algo mais.
04:41É nessa fase que a gente se encontra.
04:43Essa vez empreendedora está mudando a atitude do brasileiro
04:46em relação ao voto, que é muito isso.
04:47Inclusive, agora, a pesquisa feita recentemente nas favelas
04:50mostra que 70% das pessoas que moram nas favelas
04:53querem empreender ou já empreenderam ou vão empreender.
04:55Então, esse espírito empreendedor vai muito contra esse assistencialismo.
04:59Eu fiquei assustado com esse número.
05:01Impressionante.
05:02O que eu sabia é que é o sonho número um.
05:03É?
05:04Não é a casa, não é o carro.
05:06É um instituto especialista, é data favela.
05:09A gente não combinou isso.
05:10A gente viu isso recentemente, saiu, né?
05:1370%.
05:14É espetacular.
05:15Ou seja, como é que o PT vai conversar com esse eleitor?
05:19Não faz sentido para ele.
05:21É a mesma coisa do PT puxar para si o diálogo de segurança pública.
05:24É.
05:24Não tem sentido.
05:25São temas, corrupção, segurança pública, custo de vida e inadimplência.
05:30Censura na cabeça do eleitor.
05:32É os quatro C's do Lula.
05:33Custo de vida, corrupção, censura e corrupção.
05:38Não, não.
05:39Tem mais um.
05:39São quatro, né?
05:41São temas que, nesse ciclo, quem está na oposição, o incumbente tem muita dificuldade
05:48de conversar.
05:49Essa questão da corrupção que foi na sua abertura é uma coisa interessante, tá?
05:54Olha só, eu vou dar, digamos assim, a chance para dizer que o governo não estaria nada
06:02envolvido em qualquer tema de corrupção, mas não importa para nós quem, profissionais
06:08eleitorais.
06:09O tema corrupção, ele sempre atinge o institucional, sempre quem está lá na cadeira, sempre quem
06:17está lá no cargo.
06:17Um exemplo claro é que Dilma, eu acho que ela nunca foi acusada ou julgada por corrupção,
06:26mas a corrupção pregou na imagem dela.
06:30Então, por exemplo, a crise de Banco Master ou a CPI do INSS, adivinha de quem cai no
06:35colo?
06:36Independente de quem é a culpa do governo, por isso que eles estão um pouco preocupados
06:41com isso, assim.
06:42Quanto mais esse tema ficar latente até as eleições, quem sangra, nesse caso, é o
06:48governo.
06:49Não precisa ter culpa ou não.
06:51O eleitor, ele olha lá, assim, é culpa, é culpa de quem está lá.
06:55E tem um, desculpa interromper, tem um outro fator ainda.
06:58O eleitor sempre, ele vê o lado vítima ou vilão.
07:01Isso.
07:02Vítima ou vilão.
07:03Na campanha de 2022, aconteceu uma coisa interessante.
07:06Pós-Covid, Bolsonaro, nas pesquisas, apareceu como um vilão, por causa do comportamento
07:12dele, né?
07:12Bolsonaro agora está preso, inelegível, né?
07:16Então, a vítima é ele.
07:18O vilão, na cabeça do eleitor, é o sistema.
07:22Agora, os dois candidatos hoje que lideram as pesquisas, Flávio Bolsonaro e Lula, tem
07:28enorme índice de rejeição.
07:30Isso cria oportunidade para outros candidatos da direita começarem a crescer?
07:37Você acha que vai concentrar em um nome ou você acha que vai ter uma certa pulverização
07:42do voto da direita?
07:43Afinal de contas, um número recente mostra que 42% dos eleitores de direita gostariam
07:47de votar num nome que não seja Bolsonaro.
07:50Como você vê esse número e essa mudança do quadro com essas candidaturas sendo lançadas
07:57aí até o fim de março, começo de abril?
07:59Excelente pergunta, Felipe.
08:01Esse número, inclusive, vem crescendo.
08:03A última vez que eu tinha dado uma olhada nele, ele estava em torno de 35 e eu vi que
08:07ele cresceu.
08:08Existe uma parcela significante dos eleitores.
08:11Um eleitor, principalmente de centro, pragmático, que não é torcedor, que não veste a camisa,
08:17que entende que seria interessante uma eleição sem os nomes Lula e Bolsonaro.
08:23Então, eu vejo isso como uma oportunidade gigantesca para aqueles candidatos ali,
08:29Ratinho Júnior, Caiado, Zema, principalmente.
08:32Eu vou contar essa história aqui.
08:34Então, assim, nós sabemos que eles largam atrás, mas eles precisam contar com uma conjuntura,
08:41inclusive uma sorte de fatores também que acontecem, e uma escorregada na curva dos líderes,
08:49como se fosse uma corrida, né?
08:50Você escorregou, o outro passa, né?
08:53Eu entendo que Flávio, Bolsonaro e Lula, nesse exato momento, são favoritos pelos nomes,
08:59pelo Rical, eles largam na frente, mas eles não são garantidos.
09:03Isso aconteceu várias vezes.
09:05Quer um exemplo clássico?
09:06Eu sou de Minas Gerais, nosso swing state Minas Gerais, e eu vi Zema sair de 1% para
09:12ganhar a eleição em 2018.
09:15Naquela ocasião lá, acontecia um cenário um pouco parecido com o que está acontecendo
09:19agora.
09:20Tínhamos um candidato apoiado pelo...
09:22A polarização, ele era diferente, né?
09:24Pelo Aécio Neves, que era o Antônio Anastasia, e tínhamos um candidato apoiado pelo Lula,
09:31que era o Fernando Pimentel.
09:33E os dois polarizavam Minas Gerais.
09:37Ali, já começou uma coisa que hoje já é fato.
09:42Não temos mais quatro ou seis debates.
09:44Hoje nós temos dez, doze, você foi candidato, você sabe disso, dezesseis debates.
09:49Essa campanha, se todos os candidatos aceitarem os debates, a gente vai ter um volume gigantesco
09:56de debates.
09:57Então, você põe um outro candidato no meio deles, que não é o candidato da polarização.
10:03Vamos dar um exemplo claro do Zema que aconteceu em 2018.
10:08Eles ficam discutindo com acusações entre si, não procurando centralizar no problema,
10:15um embate terrível entre eles.
10:16O eleitor começa a cansar daquilo outro.
10:19Se quem está ali no meio dessa discussão for mais pragmático e souber apresentar boas propostas
10:27para isso ali no momento certo, pode ser que aconteça aquele efeito assim de, cara, eu gostei
10:33desse cara, esse cara, esse de fato, pensa em mim.
10:36O Zema, ele vai num debate da Globo com total desconhecimento.
10:42Há uma briga entre esses dois candidatos polarizados que ele só se embate.
10:46A tréplica cai na mão do Zema.
10:48O Zema faz uma resposta incrível, do tipo assim, olha, eu não estou preocupado com a
10:54briga de vocês dois, eu estou preocupado em resolver o problema do eleitor.
10:57Então, a minha opinião sobre isso é essa, essa, essa.
11:01No outro dia, ele dispara mais de 7% nas pesquisas.
11:06Dez dias depois, eles param e chegam na média ali de 12% ou 13%.
11:10E aí acontece uma coisa mágica.
11:13Não precisa, nem é tanto o número.
11:15A partir de 10%, você já começa a ter perigo, né?
11:18Mas é a velocidade.
11:20Algo que aconteceu com o Pablo Marçal, por exemplo, também.
11:23O eleitor, ele gosta muito desse sentimento de vir pegar o cavalo que está lá atrás,
11:28vem cilhado, passando, correndo.
11:30É o famoso efeito manada, né?
11:33É difícil segurar isso.
11:35Quando o Eduardo Campos tem um acidente dele, a Marina pega esse tipo de eleitor também.
11:41Eleitor, esses votos, né?
11:42Exatamente.
11:43E começa a crescer muito rápido.
11:44É muito difícil para que o outro lado breque.
11:47Ou seja, tem que ter um fator sorte também.
11:49Porque você sabe que debate é um sorteio, né?
11:51Tem que, naquele momento ali, tem que acontecer algumas coisas.
11:54Mas aconteceu esse fator sorte aqui na eleição de São Paulo.
11:59Então, pode ser que, estando preparado e os dois candidatos favoritos errem na curva, né?
12:06Um desses candidatos se aproveita desse momento.
12:09O Zema, na minha opinião, ele resgata mais esse cara do antissistema.
12:15Primeiro, pela independência dele.
12:18Como ele não tem rabo preso, ele pode bater em quem precisa apanhar.
12:23Ele tem essa liberdade, ele tem essa coragem.
12:26Porque ele sabe que o telhado dele não é de vidro.
12:29Segundo, porque ele deu uma ajustada boa na comunicação de um tempo pra cá.
12:34Eu vi uma melhora significativa.
12:36Tiraram alguns pontos que estavam ruins.
12:38Melhoraram outras.
12:40E terceiro, que por uma sobrevivência da causa de barreira.
12:44Essa é uma opinião pessoal minha, tá?
12:46Eu acho que ele deve vir, ele o candidato.
12:50Estão ventilando, ele vice de alguns candidatos de direita.
12:55Na minha opinião, em função do papel que ele tem que cumprir no partido dele,
13:01o partido novo, deve vir ele o candidato.
13:04Nesse sentido, ele se coloca ali como um cara assim que não pega nem Lula nem Bolsonaro.
13:10E um sentimento que tá tendo hoje também do antissistema.
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