00:04O que é o Dr. Alvaro?
00:10É para onde, Sr. Brazão?
00:12É para o escritório do Dr. Alvaro.
00:14E abra-me um bocadinho o vidro, porque este calor está a me enchar os pés e a aumentar-me
00:18a ansiedade.
00:20Mas o vidro está aberto, Sr. Brazão.
00:22Então fecho. Fecho porque eu já sinto aqui uma pontada, não é?
00:24Na C2 e na C3 da cervical.
00:30Oi, António! Dá cá um abraço.
00:36Então, olha, eu já tenho os papéis todos prontos.
00:40Minha Sra. Lúcia, a minha mulher.
00:44Olá.
00:47Desculpe lá fazer-lhe esta pergunta, mas você casa com todas as recepcionistas do seu escritório?
00:54Com todas, não. Com a primeira não casei.
00:56Claro, era a sua irmã, mas com as outras...
01:00Não, António, o que é que tu queres?
01:01Eu até o inverno ainda me aguento, mas depois chega o verão, elas começam a aparecer aqui de saia.
01:08Mas troca por outra, tipo carro?
01:11Exatamente, tipo carro.
01:13Tu nem imaginas o dinheiro que eu perco com as trocas.
01:17Só falta mandar vir uma da Alemanha.
01:19E já mandei vir.
01:21Vem para a semana.
01:22Mas não digas nada a esta, que ela não sabe.
01:25Pronto, aqui está a papelada.
01:28Uma caneta, é só assinar.
01:31Até para a semana.
01:32Até para a semana.
01:34Até para a semana.
01:36Até para a semana, não.
01:37Então não vem para a semana?
01:39Eu venho, a Lúcia que não.
01:42Quer dizer, a Lúcia vem.
01:43Eu é que se calhar não...
01:44Foi um prazer.
01:45Com licença.
01:58Não, não tens nada.
01:59Tens nada.
02:01Doutor, viu atrás das orelhas?
02:03Vi atrás das orelhas.
02:04Mas viu as duas orelhas?
02:06Vi as duas orelhas.
02:07E entre os dedinhos dos pés?
02:09Entre os dedinhos dos pés.
02:11E as orelhas?
02:12Outra é ver.
02:14Franca, queres que eu vá lá fora
02:16a buscar carraças para tu ficares contente?
02:18Olha, que eu já perdi mais tempo hoje
02:20a ver à procura de carraças em ti
02:22que te costumo perder com os meus quatro queijos
02:24quando eles voltam da caça.
02:26Realmente, se durante estas duas horas
02:29o doutor não viu nada,
02:30pronto, é porque eu não tenho nada.
02:32Claro, eu também não quero ser chato.
02:34Não, tens cada uma, realmente.
02:37Não, não, é que às vezes eu prefiro
02:39parar a tempo
02:40do que ser tomado como chato.
02:43É verdade, doutor.
02:44Não, isso é uma ideia tua.
02:46Tu agora vais jantar
02:48e depois de jantar
02:49voltas cá
02:50para fazer os teus exames habituais, não é?
02:53Bem, dito dessa maneira
02:54eu não pareço tão chato.
02:56Claro que não é chato.
02:57Eu ainda vou ter uma farta meia hora
02:59para a minha vida privada.
03:00Ah, então.
03:02Oh, doutor,
03:03durante essa meia hora
03:04não saia daqui
03:05porque o jantar é peixe
03:07e como tem muitas espinhas.
03:09É só porque é peixe.
03:12Exato, exato.
03:13Isso é porque se fosse que fosse
03:14borrego, tu.
03:16Não, não, aquelas dos ossinhos.
03:18Não, não, isso pode ser perigoso.
03:20Ah, não, é perigoso isso.
03:22Mas se por acaso
03:23fosse comer um sal, não é?
03:25Ah, sim, não, não, não.
03:26Não, não, não.
03:27Não, não, se fosse o quê, doutor?
03:31Nada, nada.
03:32Oh, mas vai, vai, vai lá comer.
03:33O teu mal é fome, sabes?
03:35Vai comer, vai comer, vai comer.
03:50Que dia.
03:52As pessoas às vezes são tão...
03:55Barvas.
03:55Não é bem barvas, é...
03:59Parece que não percebem que...
04:02Não são mais que os outros.
04:04Ah, que estúpidas.
04:07Não são, é mesmo, parvas.
04:09Não são estúpidas.
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