- há 4 semanas
Disputas territoriais, rivalidades históricas e interesses internacionais ajudam a explicar a instabilidade na região.
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Categoria
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NotíciasTranscrição
00:00:04Opinião internacional, o caldeirão de conflitos no Oriente Médio e na Ásia está mais uma vez em
00:00:11ebulição. E hoje temos aqui Tomás Tomás, cientista político, e Rafael Pacheco, que é secretário de
00:00:16Estado da Justiça, com uma peculiaridade. Eles estiveram na região de conflito no Oriente Médio
00:00:23três dias antes do conflito entre Paquistão e Afeganistão explodir e uma semana antes do início
00:00:31dos ataques dos Estados Unidos ao Irã. Tomás Tomás, eu pergunto primeiramente a você, por que esse
00:00:37roteiro que os levou a uma região tão conturbada? Em primeiro lugar, Luciano, é uma alegria voltar
00:00:44à opinião internacional aqui da tribuna, mas acima de tudo é muito bom estar com o Rafael Pacheco,
00:00:50que é um amigo irmão, que há pelo menos 11 anos eu faço viagens com o Rafael. Cada um tem
00:00:59seu
00:01:00interesse nas viagens, mas sobretudo a minha profissão, mas tudo aquilo que me atrai em termos
00:01:07de informação é conhecer o comportamento da dinâmica de poder do Estado e da sociedade. Então, eu faço
00:01:15essas análises no meu dia a dia, como trabalho, como o meu dia a dia de trabalho, mas também, para
00:01:21mim,
00:01:21é um prazer muito grande conhecer esses lugares. Por exemplo, eu tive com o Rafael recentemente,
00:01:27recentemente, não dá para se dizer, mas logo após a Primavera Árabe, que é parte do livro que eu escrevi.
00:01:35Então, a gente esteve na Tunísia, na Argélia, no momento em que a história estava sendo contada,
00:01:42logo após a queda de alguns ditadores que estavam há décadas no poder. E eu sempre digo, Luciano,
00:01:49que eu gosto de ver o mundo como ele é. O mundo é muito para além dos filmes hollywoodianos,
00:01:55dos Estados Unidos e da nossa amada Europa, que é um lugar com muita história, riquíssima em cultura,
00:02:03mas o mundo é muito para além disso tudo. O que me atrai num roteiro desse? Quando eu chego num
00:02:10lugar
00:02:10e a pessoa não sabe que existe o carnaval, por exemplo, que para nós, que somos brasileiros,
00:02:17está no nosso dia a dia, mas que para o europeu e para o americano é algo identitário para o
00:02:22brasileiro.
00:02:23Mas eu chego num país desse e falo, por exemplo, olha, está acontecendo carnaval no Brasil agora.
00:02:28O que é carnaval? Então, isso é algo que me atrai, porque eu também conheço uma cultura
00:02:34que eu sequer ouvi falar sobre alguns detalhes dessa cultura que eu estou indo conhecer.
00:02:40Rafael, que impressões você colheu? Você tem uma larga experiência e você tem um interesse histórico e geopolítico,
00:02:51vocês têm esse interesse histórico e geopolítico. O que você percebeu e quais tensões você viveu,
00:02:57que vocês viveram nesse período que vocês estiveram lá no Oriente Médio agora?
00:03:02Olha, a gente foi para o Oriente Médio também, porque quando a gente vai falar em Afeganistão,
00:03:07quando a gente vai falar em Paquistão, a gente já não está mais na égide do Oriente Médio.
00:03:11O Oriente Médio não é uma área definida por geografia, mas por política.
00:03:16Então, nós temos ali também algo que os une, que é religião.
00:03:19Os iranianos não são árabes, mas são muçulmanos.
00:03:22Então, as tensões dessa viagem já começaram no planejamento,
00:03:27porque o planejamento original era a gente pousar no Paquistão,
00:03:32pedir o visto do Afeganistão em solo paquistanense,
00:03:35cruzar a fronteira por terra por um lugar muito especial,
00:03:39que é o Kiberpes, palco de várias batalhas,
00:03:43uma veia política, que é a cidade que vai ligar o Paquistão até a capital,
00:03:48o Cabu, passando por Jalalabad, que é outra também cidade afegã histórica,
00:03:52e aí a gente já teve o primeiro problema.
00:03:54Quando eu começo a conversar com os paquistaneses, eles dizem,
00:03:57olha, se você pretende ir por terra, nós vamos fechar a fronteira.
00:04:01E aí você já tem que mudar o planejamento.
00:04:04Bem, se eu não posso entrar pelo Paquistão, e agora o que é que me sobra?
00:04:07Então, vamos para o Dubai.
00:04:08Aí sim, agora a gente está no Oriente Médio,
00:04:11inclusive é onde a gente está vendo os bombardeios diários
00:04:15dragados pelo conflito dos Estados Unidos e Israel com o Irã.
00:04:19E quando eu vou planejar o porto de saída, eu penso,
00:04:24poxa, vamos então deixar essa viagem saindo por Teherã, saindo pelo Irã.
00:04:28E quando eu vou negociar com os iranianos, o visto, eles também me dizem,
00:04:32olha, não vai dar.
00:04:33Se você está vindo do Turcomenistão, nós vamos fechar a fronteira.
00:04:37Então, já no planejamento, eu estava colhendo, associado às notícias internacionais,
00:04:42um aumento da tensão naquela região.
00:04:45Mas, eu tenho bastante experiência, eu fui a mais de 180 países,
00:04:49eu falei, Tomás, dá para a gente ir.
00:04:51Então, já no planejamento, a gente já estava percebendo o nível da tensão
00:04:54e, na viagem, isso só aumentou.
00:04:58Luciano, eu tenho uma curiosidade sobre essa negociação que o Rafael está falando.
00:05:03Como o Rafael explicou, nós saímos de Dubai para irmos para Cabu, no Afeganistão.
00:05:11E o Rafael, quando a gente estava na sala de embarque, ele brincou com o Arthur,
00:05:16que acompanhou a gente na viagem.
00:05:19Ele fez uma brincadeira com o Arthur assim,
00:05:22a única coisa que eu não estou 100% feliz é que a gente não vai passar por peixe ao
00:05:28ar.
00:05:28E aí, o resto da história, eu queria que o Rafael contasse para a gente o que aconteceu
00:05:33e se ele se lembra desse momento.
00:05:36Olha, a gente passou por peixe ao ar, mas não da forma como a gente queria.
00:05:41Por que peixe ao ar?
00:05:43Parte desse conflito tem muito a ver com o desenho da fronteira paquistanesa-afegã.
00:05:48E esse desenho, como tantas outras fronteiras no planeta Terra,
00:05:52ele causa conflitos até hoje.
00:05:54Nós vimos recentemente agora o Maduro, antes desse episódio da prisão dele,
00:05:59reivindicando esse equivo, 80% do território da Goiânia,
00:06:03onde eu fui oficial de ligação da Polícia Federal durante três anos.
00:06:07Eu vivi aquele confronto com a Venezuela diariamente ali, aquela tensão.
00:06:12E aí, esse lugar, Peixauá, ele é dominado por líderes tribais da etnia pastor,
00:06:18que é a maior etnia, ou a segunda maior etnia afegã.
00:06:21E o Paquistão, para controlar essa etnia, fez várias concessões.
00:06:26Então, eles têm uma autonomia, não soberania, mas uma autonomia.
00:06:29Dentre outras coisas, eles são grandes produtores de armas.
00:06:31Eles vendem armas do mercado negro para grupos terroristas.
00:06:35E eu queria ver essa cena.
00:06:36Então, quando a gente está pousando em Cabu,
00:06:39a gente é surpreendido pelo anúncio do piloto dizendo
00:06:42olha, não há visibilidade.
00:06:43A gente é em cima da cidade.
00:06:45Não era chegando na cidade, olhando para a cidade.
00:06:48Olha, não há visibilidade, de fato não havia.
00:06:50Cabu fica num vale, a gente olhava e via.
00:06:52Realmente, aquela coisa opaca.
00:06:54Nós vamos ter que desviar o avião para Peixauar.
00:06:57Então, olha só.
00:06:58Exatamente onde você não queria.
00:06:59O que você planejava aí, né?
00:07:01Exatamente.
00:07:01E aí, nós pousamos.
00:07:02E aí, obviamente, a gente tinha a certeza
00:07:04de que isso não iria franquear o acesso irrestrito ao país.
00:07:08Mas a gente acalentava ali um gostinho, né, Tomás?
00:07:10De descer, de um tiragostinho de peixe ao ar, né?
00:07:16E aí, a coisa começou a ficar tensa.
00:07:18Porque as autoridades paquistanesas negaram o desembarque
00:07:22de toda a tripulação e de todos os passageiros.
00:07:25E hoje, Tomás, lembrando isso aqui,
00:07:28eu percebo que algo que chamou a atenção positivamente,
00:07:31na verdade, não era bem uma virtude.
00:07:35Ninguém reclamou de nada no avião.
00:07:37Nós ficamos seis horas sentados naquele avião,
00:07:40a bolinho e a água, mais nada,
00:07:42e ninguém reclamou, ninguém.
00:07:44Uma coisa que chamava muita atenção também,
00:07:45não havia mulheres, né?
00:07:47Não havia mulheres no voo.
00:07:48Não havia mulheres no voo.
00:07:49Era um voo de homens, somente de homens.
00:07:52E ninguém falou nada.
00:07:53Isso não é normal.
00:07:54A gente pega os voos aqui no Brasil,
00:07:55as pessoas brigam por muito menos.
00:07:57As pessoas brigam por um copo d'água,
00:07:59enfim, por um atraso de cinco minutos.
00:08:01Agora, hoje, aqui contigo,
00:08:02na Opinião Internacional,
00:08:03eu percebo que, na verdade,
00:08:04aqueles passageiros estavam quietinhos
00:08:06porque eles sabiam o que podia acontecer
00:08:10diante do enfrentamento com as autoridades paquistanesas.
00:08:13Então, a viagem começou mal,
00:08:15depois ela entrou no trilho,
00:08:17e agora vira história para a gente dividir aqui com vocês.
00:08:20É, esse é um episódio,
00:08:22o Rafael sabe disso,
00:08:24de todas as viagens.
00:08:25Eu acho que eu fui a mais de 20 países com o Rafael.
00:08:28Por aí.
00:08:28De todas que a gente fez,
00:08:30eu acho que essa daí bateu na trave
00:08:32de se transformar em uma questão humanitária.
00:08:35Nós estamos falando de um voo da Fly Dubai
00:08:38na altura de 300 pessoas.
00:08:42E eu identifico que,
00:08:43de estrangeiro para além da tripulação,
00:08:47tinha o Rafael, o Arthur,
00:08:49eu e um inglês que estava do meu lado.
00:08:51Exatamente.
00:08:51E o resto eram pessoas,
00:08:54cidadãos, homens, afegãos,
00:08:57e que provavelmente se tornaria um problema
00:09:00para aquele país receber esse grupo de afegãos
00:09:03dentro desse conflito como um todo.
00:09:05E a cena era muito ruim
00:09:07porque a gente olhava pela janela
00:09:09e via a polícia se aproximando,
00:09:11a armada...
00:09:12O exército.
00:09:12O exército.
00:09:13Se aproximando da porta do avião.
00:09:15Num dado momento,
00:09:16eu levantei da minha cadeira,
00:09:17a gente estava numa das primeiras cadeiras
00:09:20da aeronave,
00:09:21eu me levantei e fui na porta do avião
00:09:23para ver e a cena era uma cena assim.
00:09:26Parecia aqueles filmes antigos
00:09:27de um avião sequestrado.
00:09:29Exatamente.
00:09:30Exatamente.
00:09:30Um avião sequestrado.
00:09:32A cena era essa.
00:09:33Um avião parado
00:09:35numa ponta do aeroporto,
00:09:37isolado,
00:09:38cercado, sitiado.
00:09:39Era isso.
00:09:40Era isso.
00:09:40E nesse momento,
00:09:41qual é a sensação que vocês têm?
00:09:44Vocês mantêm o controle?
00:09:45Vocês pensam no que pode acontecer de ruim?
00:09:49Vocês têm um plano B?
00:09:50Como é que funciona?
00:09:52Essa viagem,
00:09:53quando ela tem esse...
00:09:54Eu converso muito isso com o Tomás.
00:09:56Essa é uma viagem
00:09:56que você tem que estar preparado
00:09:58para tudo dar errado.
00:09:59Então, não é uma viagem
00:10:00que comporta frustração.
00:10:01Se ela der errado,
00:10:02ela deu certo.
00:10:03Porque não era nem para ela acontecer.
00:10:05Então, se der errado,
00:10:06já deu certo.
00:10:08O que mais incomodava a gente
00:10:11naquele momento,
00:10:12aqui e agora,
00:10:13a gente pode ter outro sentimento,
00:10:14mas naquele momento,
00:10:15era a possibilidade da viagem
00:10:17não acontecer.
00:10:18Da gente ser retornado a Dubai
00:10:21e aí jogar a viagem
00:10:23na estaca zero
00:10:24e a gente perder
00:10:25todo aquele encadeamento
00:10:26de itinerário
00:10:27que a gente tinha por fazer.
00:10:29Então, a maior preocupação era
00:10:30poxa, chegamos tão perto.
00:10:32Não pode dar errado, né, Tomás?
00:10:34Era isso.
00:10:35Hoje, aqui,
00:10:36eu acho que vem outras preocupações.
00:10:37Mas ali era isso mesmo.
00:10:38É frustrar o começo da viagem.
00:10:40Tem dois pontos
00:10:42que eu acho importante dizer
00:10:44que eu aprendi
00:10:45nessas viagens com o Rafael.
00:10:46Como ele disse,
00:10:47ele já foi a 180 países.
00:10:49Eu, resumidamente,
00:10:50fui a 63.
00:10:51É muito para o cidadão comum,
00:10:53mas, em comparação
00:10:54a Rafael, não é nada.
00:10:56Mas, na nossa primeira viagem,
00:10:59a gente saiu de Barcelona
00:11:00para ir à Argélia
00:11:01e o avião estava
00:11:02com destino à Argélia.
00:11:04Rafael sentou
00:11:05dentro do avião comigo
00:11:06e falou assim,
00:11:07eu tenho uma...
00:11:08Quero te dizer uma coisa.
00:11:10A todo momento,
00:11:12nesse tipo de lugar
00:11:14conflituoso,
00:11:15a gente sempre tem
00:11:15que falar a verdade.
00:11:16Rafael é um policial federal.
00:11:18Todo lugar que ele chega,
00:11:20ele fala,
00:11:20eu sou da Polícia Federal Brasileira.
00:11:23Minha patente é tal.
00:11:25Compara com aquele lugar
00:11:27e fala a verdade.
00:11:28E tem um outro ponto,
00:11:30e sempre funcionou,
00:11:30tá, Luciano?
00:11:31Sempre funcionou.
00:11:32Sempre funcionou.
00:11:33Mas tem um outro ponto
00:11:35que é muito caro
00:11:36e é muito legal
00:11:37todos nós sabermos.
00:11:39O passaporte brasileiro
00:11:40é maravilhoso.
00:11:42Verdade.
00:11:42A gente teve um problema
00:11:44em Biscara,
00:11:46uma cidade que fica
00:11:47encravada no meio
00:11:48do deserto do Saara,
00:11:49na Argélia.
00:11:50Esse problema,
00:11:51a bem da verdade,
00:11:52se a gente olhar
00:11:53em retrospectiva,
00:11:54ele poderia ter dado
00:11:55muito pior
00:11:56do que foi essa viagem
00:11:57agora ao Afeganistão,
00:12:00Biscara,
00:12:00que é uma cidade
00:12:01na Argélia,
00:12:02em que Rafael e eu
00:12:04fomos interceptados
00:12:05por uma milícia
00:12:07que não era nem exército
00:12:08e nem polícia.
00:12:10E essa milícia,
00:12:11ela,
00:12:12só nos perdoou
00:12:14por sermos brasileiros
00:12:15e por entrar
00:12:16na conversa
00:12:17o futebol.
00:12:18Foi.
00:12:18Mas aí entrou
00:12:19o passaporte brasileiro
00:12:21que eles não conseguiam ler,
00:12:22você lembra?
00:12:22Exato.
00:12:23Porque eles não conseguiam
00:12:24ter a leitura
00:12:24de que era um passaporte brasileiro,
00:12:25o Rafael teve que provar
00:12:26que era um passaporte brasileiro.
00:12:29E o outro ponto
00:12:30que entrou
00:12:31foi o fato
00:12:32do Rafael virar
00:12:33e falar assim,
00:12:33olha,
00:12:34eu sou policial federal,
00:12:35sou seu colega.
00:12:37Eu lembro dele falando
00:12:37em francês,
00:12:38cara,
00:12:39sou seu colega.
00:12:40E aí a conversa,
00:12:41ela mudou de temperatura.
00:12:43Mas até chegar nisso,
00:12:44a gente passou
00:12:4515 minutos
00:12:46de muita atenção.
00:12:47Rafael brinca,
00:12:48eu nunca te vi tão branco,
00:12:49eu vi seu coração
00:12:50pulsar pelo seu pescoço.
00:12:52Porque o oficial superior
00:12:53falava comigo
00:12:54e os outros quatro
00:12:55que estavam com ele
00:12:56mantinham os fuzis
00:12:57apontados pra gente.
00:12:58Eles levaram a gente
00:12:59pra uma sala
00:13:00e eu falava pro Tomás.
00:13:01O Tomás é muito falante,
00:13:02até porque é um cientista político,
00:13:03e eu falava assim,
00:13:04não fale,
00:13:06deixa eu conduzir isso aqui.
00:13:07Então o oficial superior,
00:13:08ele falava comigo,
00:13:09os outros quatro
00:13:10apontavam os AK-47
00:13:11pra gente
00:13:12e eu tive que ir diminuindo
00:13:14aquela temperatura.
00:13:15Então esse tipo de viagem
00:13:16traz esse tipo de risco.
00:13:18E aí realmente
00:13:19quem quer fazer
00:13:21esse tipo de viagem
00:13:21tem que entender
00:13:23que isso pode acontecer.
00:13:25É porque vocês agem assim,
00:13:26vocês são como
00:13:28correspondentes,
00:13:29de certa forma,
00:13:31visualizando cenários
00:13:32de tensão
00:13:34ao redor do mundo.
00:13:35Vocês já estiveram
00:13:36na Coreia do Norte também, né?
00:13:37Conta o porquê
00:13:38como é que foi essa viagem
00:13:39à Coreia do Norte.
00:13:40Pode começar, Tomás.
00:13:41Pra mim,
00:13:42como cientista político,
00:13:44foi uma alegria.
00:13:46Tem uma tensão burocrática
00:13:48nessa viagem
00:13:49que ela foi confirmada
00:13:50uma semana.
00:13:51A gente planejou a viagem
00:13:52um ano antes,
00:13:54mas ela só foi confirmada
00:13:56a entrada na Coreia do Norte
00:13:57uma semana antes.
00:13:59Quase que eles devolveram
00:14:00o nosso dinheiro.
00:14:02Agora,
00:14:03eu escrevi um artigo
00:14:04até pra tribuna na época
00:14:05em que eu falava assim,
00:14:07minhas férias na Coreia do Norte.
00:14:09Quando eu transportei,
00:14:11entrei num teletransporte
00:14:13pro passado.
00:14:14Eu me senti no passado, né?
00:14:16Num país que não tem...
00:14:17Uma viagem no tempo.
00:14:19Uma viagem no tempo.
00:14:20Um país que não tem
00:14:21propaganda comercial nenhuma,
00:14:24a não ser propaganda política,
00:14:25e um país que tá parado no tempo.
00:14:28É uma viagem tranquila
00:14:30desde que você respeite
00:14:31as regras do lugar.
00:14:32Isso aí.
00:14:33Rafael lembra muito bem
00:14:34que nós ficamos num hotel,
00:14:35hotel cinco estrelas,
00:14:37porque é a única opção
00:14:38que tinha,
00:14:38que nos ofertavam.
00:14:39E, de vez em quando,
00:14:41por conta da matriz energética
00:14:43ser o carvão
00:14:44na Coreia do Norte,
00:14:46assim como no Afeganistão,
00:14:49a energia acabava do hotel
00:14:51e você dentro do elevador,
00:14:52durante várias vezes
00:14:53que a gente foi subir,
00:14:54ele parava.
00:14:55Era comum,
00:14:56todo mundo continuava
00:14:57as conversas.
00:14:58Depois ele voltava
00:14:59o elevador.
00:15:00Na recepção do hotel,
00:15:01tinha uma banquinha
00:15:03que tinham vários cartões postais
00:15:05da Coreia do Norte,
00:15:06muito curiosos.
00:15:07Eu comprei um de cada um.
00:15:08Acho que o Rafael
00:15:09fez a mesma coisa.
00:15:10Eu comprei alguns.
00:15:10É.
00:15:11E esses cartões postais,
00:15:12ele tem um contexto histórico.
00:15:15Eu não vou lembrar
00:15:15o nome do rapaz corretamente,
00:15:17mas um turista americano
00:15:19quis fazer uma brincadeira
00:15:21e, ao invés de comprar
00:15:22um desses cartões,
00:15:22ele roubou o cartão,
00:15:24botou na mochila.
00:15:26Aquilo foi considerado
00:15:27pelo governo norte-coreano
00:15:29como uma sabotagem.
00:15:30Esse rapaz,
00:15:31ele ficou preso
00:15:32na Coreia do Norte
00:15:33e ele foi uma das trocas
00:15:35de prisioneiro
00:15:35que ocorreram
00:15:36entre Coreia do Norte
00:15:38e Estados Unidos.
00:15:39Eu não lembro
00:15:39o nome do rapaz,
00:15:41não sei se a nossa produção
00:15:42pode buscar depois
00:15:43essa história,
00:15:44mas ele foi devolvido
00:15:46aos Estados Unidos
00:15:47e...
00:15:47Por um cartão postal.
00:15:49Por um cartão postal.
00:15:50E ele morreu
00:15:51uma semana depois.
00:15:52Uma semana depois
00:15:52ele morreu.
00:15:53Essa viagem da Coreia do Norte
00:15:55ela é diferente
00:15:56porque,
00:15:57apesar da tensão,
00:16:01ela é uma viagem
00:16:01de propaganda.
00:16:02Porque você só pode
00:16:04estar lá
00:16:04como uma empresa
00:16:06de turismo,
00:16:06eles não permitem
00:16:08o turismo independente,
00:16:10então você está
00:16:11acompanhado o tempo todo.
00:16:13Eles imprimem uma folha
00:16:14com o rosto da gente,
00:16:16Ameldo, Tomás,
00:16:17e eles espalham
00:16:18pela cidade inteira.
00:16:20Então a cidade inteira
00:16:21sabe que a gente está lá,
00:16:22sabe o nome da gente,
00:16:23sabe o país,
00:16:24é um negócio horroroso.
00:16:25É um negócio horroroso.
00:16:26Mas,
00:16:27quando a gente chega,
00:16:28eles orientam a gente.
00:16:30Eles orientam.
00:16:31Olha,
00:16:31seja bem-vindo
00:16:32à Coreia do Norte,
00:16:33aqui você não pode fazer
00:16:35isso,
00:16:36isso e isso.
00:16:38E se você fizer,
00:16:39a punição será muito grave.
00:16:41Então,
00:16:42não foi falta de informação.
00:16:44Fala um pouquinho mais
00:16:44desse isso,
00:16:45isso e isso.
00:16:46Eu me lembro de três
00:16:47recomendações.
00:16:48Três.
00:16:48Não que não tenham
00:16:50ocorrido outras,
00:16:51talvez Tomás possa ditar.
00:16:53Mas três eu me lembro bem.
00:16:54Primeiro que eles perguntaram,
00:16:55você tem equipamentos
00:16:57georreferenciados?
00:16:59Câmeras,
00:16:59por exemplo,
00:17:00que você tira foto
00:17:01e fica lá com,
00:17:02quando você vai no metadado,
00:17:03está coordenada.
00:17:05E aí eu falei,
00:17:05tenho.
00:17:06Eu tenho aqui
00:17:07esse equipamento
00:17:08e esse equipamento.
00:17:09Então dá aqui para mim.
00:17:10Aí eles colocam
00:17:10no saquinho,
00:17:11colocam lá,
00:17:12e fica no aeroporto.
00:17:13E eles falam,
00:17:14fica tranquilo.
00:17:14quando você for embora,
00:17:16eu vou te devolver.
00:17:17E devolveram.
00:17:19E devolveram.
00:17:19Então esse é um.
00:17:21Equipamentos georreferenciados.
00:17:22Por conta da questão militar.
00:17:24Você com uma coordenada,
00:17:26você resolve um alvo militar.
00:17:28Segundo,
00:17:28que eu me lembro bem
00:17:29que eles falaram,
00:17:30você é jornalista?
00:17:32Isso aí.
00:17:32porque aqui não pode haver
00:17:35a presença de jornalistas.
00:17:36E essa veio acompanhada
00:17:38de uma certidão,
00:17:39de uma declaração.
00:17:40Não, eu não sou.
00:17:41Então assina aqui
00:17:42que você não é um jornalista.
00:17:44Nós assinamos.
00:17:45Nós assinamos.
00:17:46Você tem objetos religiosos?
00:17:52E eu falei assim,
00:17:53agora enrolou.
00:17:55Ele falou, por quê?
00:17:55Eu falei,
00:17:56porque eu tenho uma tatuagem
00:17:57de São Jorge.
00:17:57Eu não tenho como arrancar
00:17:59a tatuagem.
00:18:00Ele falou,
00:18:00não, não, objetos.
00:18:02Eu falei,
00:18:02bem, objetos eu não tenho.
00:18:03Assinamos uma terceira,
00:18:04uma segunda declaração
00:18:05de que nós não tínhamos
00:18:09objetos religiosos.
00:18:09Essas eu me lembro.
00:18:10Você se lembra de mais alguma?
00:18:11Não,
00:18:11eu me lembro exatamente dessas.
00:18:13E elas se repetiam muitas vezes.
00:18:15Não deixe uma bíblia
00:18:16no quarto de hotel.
00:18:18Eu tenho,
00:18:19como eu mostrei para você aqui,
00:18:21um escapulário.
00:18:21É esse escapulário aqui.
00:18:24Esse escapulário
00:18:25foi objeto da nossa conversa
00:18:26quando a gente estava em Pequim.
00:18:28O que eu vou fazer
00:18:28com esse escapulário?
00:18:30Primeiro que é algo precioso para mim.
00:18:31Foi minha esposa que me deu
00:18:32e é uma joia de ouro.
00:18:35Eu não vou descartar
00:18:36esse escapulário.
00:18:38Exato.
00:18:38Eu botei o escapulário na cueca.
00:18:40E isso foi o motivo
00:18:42para, tipo assim,
00:18:43isso vai passar no detector de metais?
00:18:46O que pode acontecer?
00:18:48Eu consegui passar,
00:18:49mas era a orientação
00:18:51que você não deveria usar.
00:18:51Eles davam orientação.
00:18:53E é uma viagem de propaganda.
00:18:54Então,
00:18:55eles cuidam da gente o tempo todo
00:18:56e eles mobilham
00:18:58as pessoas ao nosso redor
00:19:00para vender
00:19:01que a Coreia do Norte
00:19:02é um lugar maravilhoso
00:19:03e só não é melhor
00:19:04por conta da posição americana.
00:19:08Então,
00:19:08é um lugar tenso,
00:19:09mas não é um lugar perigoso.
00:19:12Perfeito.
00:19:12Você entra e sai
00:19:13sem nenhum problema.
00:19:15Quando você vai
00:19:16num país como o Paquistão,
00:19:18por exemplo,
00:19:18inverte.
00:19:19Aí você tem independência,
00:19:22você anda para baixo,
00:19:22para cima.
00:19:23Eu e Tomás
00:19:23andamos de trens,
00:19:25aqueles trens absolutamente loucos
00:19:27do Paquistão.
00:19:28A gente andava de moto,
00:19:30de ônibus.
00:19:31Saímos do aeroporto
00:19:33no meio da madrugada,
00:19:34mas quando você olha
00:19:35para os arredores,
00:19:37é muito tenso,
00:19:38muito tanque,
00:19:39muito armamento antiaéreo.
00:19:42Você tem a nítida impressão
00:19:43de que daqui a três minutos
00:19:45alguma coisa de muito ruim
00:19:46vai acontecer.
00:19:47Mas você tem liberdade.
00:19:49E nós não fomos maltratados
00:19:50em nenhum momento.
00:19:51Não fomos abordados
00:19:52agressivamente por ninguém.
00:19:54Ao contrário,
00:19:54fomos acolhidos,
00:19:55bem acolhidos.
00:19:56Mas esse tipo de viagem,
00:19:58tem aquela máxima,
00:20:00não tente fazer isso em casa.
00:20:02Esse tipo de viagem
00:20:03requer realmente
00:20:04que você tenha domínio
00:20:05do que é uma viagem internacional,
00:20:08procedimentos imigratórios,
00:20:10regulamentos internacionais,
00:20:11procedimentos alfandegários,
00:20:13domínio de idiomas.
00:20:14Não dá para ir para um lugar desse
00:20:16sem dominar,
00:20:17ao menos,
00:20:18o inglês
00:20:19e a depender
00:20:19na África subsaariana.
00:20:21Sem francês,
00:20:22o que você faz, Tomás?
00:20:23Nada.
00:20:23Não faz nada.
00:20:24Não faz nada.
00:20:25Então, não é um lugar
00:20:26que você pode
00:20:28literalmente pagar para ver.
00:20:29Vai dar errado.
00:20:30Vai dar errado.
00:20:31E nesses lugares,
00:20:32você tem que ter
00:20:33plano B,
00:20:34plano C e plano Z.
00:20:35Porque na hora
00:20:36que o problema se estabelece,
00:20:37você tem que saber
00:20:38o que vai fazer.
00:20:39Um breve intervalo
00:20:40e já voltamos.
00:20:42Drama da Guerra,
00:20:43mais experiências internacionais
00:20:45com Rafael Pacheco
00:20:46e Tomás Tomasi.
00:20:52De volta ao Períma Internacional
00:20:53com Rafael Pacheco
00:20:55e Tomás Tomasi.
00:20:56Essa conversa está muito boa
00:20:57e eu queria
00:20:59pegar o Afeganistão.
00:21:00As impressões
00:21:01que vocês tiveram,
00:21:02nós brasileiros,
00:21:03que nós nunca estivemos
00:21:06num país desse,
00:21:07a maioria de nós,
00:21:07absoluta,
00:21:08que impressões
00:21:09vocês tiveram,
00:21:10porque a gente sempre
00:21:11pensa num país
00:21:12em permanente conflito,
00:21:14eu acordo de manhã
00:21:15com tiros,
00:21:15com bombas,
00:21:16com repressão,
00:21:17etc.
00:21:18Qual é a visão
00:21:19que vocês tiveram disso,
00:21:21Rafael?
00:21:21Olha,
00:21:22eu sempre digo isso,
00:21:23as pessoas
00:21:25consomem, obviamente,
00:21:26a informação
00:21:26que é dividida
00:21:28pela grande imprensa,
00:21:30hoje pela internet,
00:21:31e de fato é inegável.
00:21:32Nós temos um país
00:21:33aí que está há décadas,
00:21:34mais de um século,
00:21:37se a gente remontar
00:21:37o Império Britânico
00:21:38lá em 1830,
00:21:40então vão aí
00:21:40para 200 anos
00:21:42de conflitos armados
00:21:43naquele país.
00:21:44Mas há uma população
00:21:46numerosa
00:21:46que vive naquele lugar
00:21:47e há vida.
00:21:48Então é isso
00:21:49que eu digo
00:21:49para as pessoas.
00:21:50Quando eu fui ao Iraque,
00:21:51eu fui ao Sudão,
00:21:52todos os dias
00:21:53as pessoas precisam levantar,
00:21:54elas precisam tomar café,
00:21:55as crianças precisam
00:21:56ir para o colégio,
00:21:57as pessoas precisam trabalhar.
00:21:59Nós estivemos
00:21:59nas ruas de Cabu
00:22:00e nós vimos lá
00:22:01a Bolsa de Valores
00:22:02de Cabu.
00:22:03Tem uma Bolsa
00:22:04de Valores lá,
00:22:05que obviamente não é
00:22:06a Nasdaq,
00:22:07a B3 de São Paulo,
00:22:09mas existe um mercado
00:22:11de ações em Cabu.
00:22:12Nós vimos isso.
00:22:13Nós vimos um grande bazar
00:22:15onde as pessoas
00:22:16utilizam aquilo ali
00:22:17numa espécie de ceasa,
00:22:19num grande centro
00:22:20do distribuidor.
00:22:21Nós vimos hotéis,
00:22:23escolas de língua,
00:22:24empresas de telefonia celular.
00:22:26Ou seja,
00:22:27de fato é um lugar
00:22:28perigoso,
00:22:29é inegável.
00:22:29Ninguém vai dizer
00:22:30que fica tranquilo,
00:22:31dá um pulinho em Cabu
00:22:32que vai dar tudo certo.
00:22:33Não é isso.
00:22:34Mas, gente,
00:22:35existem milhões de pessoas
00:22:36que todos os dias
00:22:37precisam viver.
00:22:38Então, essa foi a minha impressão
00:22:40que realmente...
00:22:41E não é a impressão
00:22:42só que eu tive lá,
00:22:43mas eu vi uma população
00:22:45que realmente almeja a paz
00:22:47para que, em definitiva,
00:22:48eles possam se desenvolver.
00:22:50Pessoas que nos receberam
00:22:51com muito carinho,
00:22:52com muita hospitalidade,
00:22:53que nos ouviram,
00:22:55que tiveram a curiosidade
00:22:57de perguntar um pouco
00:22:58também da gente.
00:22:59E, ao fim e ao cabo,
00:23:00a gente fica satisfeito
00:23:01de poder voltar de lá
00:23:02e não de defender
00:23:04um regime brutal,
00:23:05porque é um regime brutal.
00:23:07A gente percebe
00:23:07a sombra
00:23:08do regime
00:23:09a todo o tempo.
00:23:10A todo o tempo
00:23:11a gente fica ali
00:23:12com o cheirinho
00:23:13do Talibã
00:23:14pertinho da gente,
00:23:15mas isso não se confunde
00:23:17com o povo afegão
00:23:19e com o sentimento afegão
00:23:20de querer uma sociedade
00:23:22tal qual a nossa,
00:23:23com mais paz social
00:23:24e com destino positivo
00:23:25para cada um deles.
00:23:26você e a gente,
00:23:28acho que no briefing
00:23:29que a gente conversava aqui,
00:23:31Tomás,
00:23:31você falava que uma decisão
00:23:32recente do Talibã
00:23:34foi uma lei
00:23:35que autorizava os maridos
00:23:37a espancarem mulheres
00:23:38e filhos,
00:23:40desde que não houvesse
00:23:41ossos quebrados
00:23:42nem grandes feridas
00:23:43à mostra.
00:23:45Isso realmente contrasta
00:23:47com o dia a dia,
00:23:49com a rotina
00:23:49de um povo.
00:23:50O que o cientista político
00:23:51Tomás Tomás
00:23:52viu nessa viagem?
00:23:53É,
00:23:53de todas as viagens
00:23:54que eu fiz,
00:23:55essa certamente
00:23:56foi a mais impactante.
00:23:58Essa tocou
00:23:59e calou fundo
00:24:00dentro de mim
00:24:01o quão cruel
00:24:04pode ser a humanidade,
00:24:05porque aí a gente
00:24:06tem que fazer
00:24:06uma reflexão
00:24:07de todos nós
00:24:09no que diz respeito
00:24:10ao conceito
00:24:11de humanidade
00:24:12e daquilo
00:24:14que a gente entende
00:24:14que é humano
00:24:15e como a gente
00:24:16deve tratar
00:24:17nossos irmãos
00:24:18e nossas irmãs.
00:24:19Por óbvio
00:24:20que todo mundo sabe
00:24:21que o Afeganistão
00:24:22é um lugar
00:24:22que trata a mulher
00:24:25como uma categoria
00:24:28à parte
00:24:28em relação
00:24:29à humanidade.
00:24:31Então, a mulher...
00:24:32Depois das cabras.
00:24:33Homens, crianças,
00:24:35cabras e mulheres.
00:24:36É a...
00:24:37É a hierarquia social.
00:24:39É a hierarquia social.
00:24:40É essa a hierarquia social.
00:24:41E o Rafael
00:24:41trouxe esse contexto
00:24:43muito importante.
00:24:44Essa hierarquia social
00:24:45é muito brutal
00:24:47contra a mulher.
00:24:48A gente consegue
00:24:49traduzir isso
00:24:50em imagem
00:24:51vendo uma mulher
00:24:52transitando na rua
00:24:53de burca,
00:24:55sempre acompanhada
00:24:56do marido
00:24:57ou de forma coletiva
00:24:58com outras mulheres,
00:25:00mas sempre humilhada.
00:25:01A gente consegue ver isso.
00:25:03A mulher muito humilhada
00:25:04e muito colocada
00:25:06num lugar à parte.
00:25:07Os ambientes,
00:25:08eles são
00:25:09totalmente masculinos,
00:25:11mas teve algo
00:25:12que me machucou
00:25:14profundamente,
00:25:15que é olhar
00:25:17a existência
00:25:20social
00:25:21de órfãos.
00:25:23Órfãos de guerra.
00:25:24Da guerra.
00:25:25Os órfãos da guerra.
00:25:27Meninas e meninos,
00:25:28e aí eu estou falando
00:25:29de crianças
00:25:30de quatro,
00:25:31cinco anos,
00:25:32jogadas na rua
00:25:33à sua própria sorte.
00:25:35Centenas, né, Tomás?
00:25:36Centenas.
00:25:37Centenas.
00:25:38Jogadas à própria sorte.
00:25:40Como a mulher não pode
00:25:41nem estudar
00:25:42e nem trabalhar,
00:25:43esses órfãos,
00:25:44eles são órfãos de pai.
00:25:46Se tornando órfãos de pai,
00:25:47eles são abandonados
00:25:48na sociedade
00:25:49por suas mães também,
00:25:50que têm que procurar
00:25:51a sua sobrevivência
00:25:52e deixam essas crianças
00:25:54vivendo.
00:25:55Eu não estou falando
00:25:55que essas crianças
00:25:56são cuidadas
00:25:57num dado momento do dia
00:25:58e vão para algum lugar.
00:26:00Elas não têm para onde ir.
00:26:01Elas vivem sozinhas.
00:26:03Na periferia
00:26:05da cidade de Cabu,
00:26:06sobretudo,
00:26:07a gente viu,
00:26:07a gente visitou
00:26:08uma cidade chamada
00:26:09Mazar-i-Sharif também.
00:26:11Lá a gente viu também isso,
00:26:13mas em menor parte.
00:26:14Mas em Cabu,
00:26:16que não é...
00:26:17É a maior cidade.
00:26:18É a maior cidade
00:26:19do Afeganistão.
00:26:21Em Cabu,
00:26:21a gente pôde observar
00:26:22essa imagem
00:26:23dessas crianças
00:26:24e isso impactou.
00:26:26A gente tirou fotos,
00:26:28óbvio que a gente
00:26:28não publicou
00:26:29nem no Instagram
00:26:30do Rafael,
00:26:31nem no meu,
00:26:31mas a gente tirou
00:26:32para registrar.
00:26:33Eu me pego diariamente
00:26:35olhando,
00:26:36ainda estou impactado
00:26:36com a viagem
00:26:37para aquela foto
00:26:38pensando assim,
00:26:39aonde essa menina
00:26:40vai estar?
00:26:40Teve uma imagem
00:26:42que me impactou também
00:26:43e que o Rafael
00:26:44vai se lembrar bem,
00:26:45porque,
00:26:45sem querer,
00:26:46eu,
00:26:46Rafael e o Arthur,
00:26:49a gente olhou
00:26:50para o mesmo movimento
00:26:51ao mesmo tempo.
00:26:52Uma criança
00:26:53com a altura
00:26:53dos seus cinco anos
00:26:54de idade,
00:26:56carregando com as duas mãos
00:26:57uma sacola,
00:26:58eu lembro de plástico,
00:26:59branca,
00:27:00mas que eu não teria
00:27:01condição de carregar,
00:27:02não teria condição
00:27:03de carregar
00:27:04por muito tempo
00:27:05e ela vinha
00:27:06andando devagarinho
00:27:08uma criança
00:27:08que não tinha
00:27:09mais do que cinco anos.
00:27:10Nós três olhamos
00:27:11para aquela criança,
00:27:12eu lembro,
00:27:13ela estava ao meu lado
00:27:13esquerdo assim
00:27:15e nós três
00:27:16falamos assim,
00:27:17meu Deus do céu,
00:27:17foi assim,
00:27:19uníssono,
00:27:20os três se impactarem
00:27:21com aquela cena.
00:27:23Mahmoud,
00:27:23nosso guia,
00:27:24doutor em economia,
00:27:26doutor em economia,
00:27:27pela Malásia,
00:27:28na faculdade da Malásia,
00:27:33já era comum
00:27:34para ele,
00:27:35a gente perguntava
00:27:36sobre isso.
00:27:36Ele era afegão.
00:27:37Afegão.
00:27:39Doutor em economia,
00:27:40professor da universidade,
00:27:42totalmente impactado
00:27:43pelo esse momento,
00:27:44mas com muito cuidado
00:27:45para nos dizer
00:27:46o que ele entendia
00:27:48do que era antes
00:27:49do...
00:27:49Ele não fala
00:27:50a ocupação americana,
00:27:51ele fala
00:27:52quando o Talibã
00:27:53voltou ao poder,
00:27:55o Mahmoud,
00:27:57ele já era normal
00:27:59para ele.
00:28:00Acho que quase como
00:28:01nós aqui olhamos
00:28:04a guerra que acontece
00:28:05no Rio de Janeiro
00:28:06e a gente fala assim,
00:28:07mais um dia normal
00:28:08no Rio de Janeiro.
00:28:09Para o Mahmoud,
00:28:10aquilo era comum,
00:28:11normal,
00:28:12mas ele falava
00:28:13num centímetro
00:28:15de revolta do tipo,
00:28:17as mulheres aqui
00:28:17não podem estudar,
00:28:19as mulheres aqui
00:28:19não podem trabalhar,
00:28:21botava música
00:28:22para a gente
00:28:23no carro
00:28:24e aí quando chegava
00:28:25perto de um checkpoint
00:28:26com...
00:28:27Desligava,
00:28:28desligava.
00:28:28Desligava.
00:28:29Como é que vocês...
00:28:31O Mahmoud entrou como
00:28:32nessa história assim?
00:28:33Como é que vocês
00:28:33acessaram o guia?
00:28:35Pois é,
00:28:35o que acontece,
00:28:36o Talibã
00:28:38nesse momento,
00:28:39bem,
00:28:39naquele momento,
00:28:40porque agora já mudou,
00:28:42agora já mudou,
00:28:43com esse episódio
00:28:43que nós estamos
00:28:44vivenciando aqui,
00:28:45é a eclosão
00:28:46de uma guerra,
00:28:46de um confronto armado
00:28:48militar entre esses
00:28:49dois países,
00:28:50tudo aquilo que a gente
00:28:51está narrando agora,
00:28:51pode ter certeza,
00:28:52já se alterou.
00:28:53Mas o Talibã,
00:28:55ele entendeu
00:28:58que ele precisava
00:28:59repetir a proposta
00:29:00da Coreia do Norte,
00:29:01uma viagem de propaganda.
00:29:02Então ele também
00:29:03não está permitindo
00:29:04nesse momento,
00:29:05ou faz isso
00:29:06com muita dificuldade,
00:29:08a presença
00:29:09de viajantes independentes.
00:29:10Até porque a estrutura
00:29:11do país está tão destruída,
00:29:13que um viajante
00:29:14independente,
00:29:15ele vai precisar
00:29:15ficar um mês em Cabu
00:29:16para fazer o que a gente
00:29:17fez em quatro dias,
00:29:19porque você não tem
00:29:19transporte pré-estabelecido,
00:29:21você não tem hotelaria,
00:29:23que aceite o estrangeiro,
00:29:24então pode até ser
00:29:25que você consiga,
00:29:26mas isso vai te consumir
00:29:27tempo e dinheiro
00:29:28em demasia.
00:29:29E aí nós precisamos
00:29:30para entrar no Afeganistão
00:29:32do que eles chamam
00:29:33de loi,
00:29:34o Letter of Invitation,
00:29:36carta convite.
00:29:37E aí para a gente
00:29:38ser convidado,
00:29:39você precisa de um guia,
00:29:40é aí que entra o Mahmood.
00:29:42e o Faz Arte,
00:29:43Faz Arte e Mazara e Sharif,
00:29:45foram os nossos dois guias
00:29:46e enriquece,
00:29:48apesar de, por vezes,
00:29:50você querer um pouco
00:29:50de liberdade,
00:29:52enriquece a presença
00:29:53de um deles,
00:29:54porque você consegue
00:29:55ir um pouco mais
00:29:57do guia para o homem,
00:29:59para o ser humano,
00:30:00para o cidadão
00:30:01e pegar esses detalhes
00:30:05que sozinho
00:30:06talvez você não conseguisse.
00:30:08Então, por exemplo,
00:30:09em Mazara e Sharif,
00:30:10que para mim
00:30:11foi um dos pontos altos
00:30:12da viagem,
00:30:14a gente pôde ir a um jogo,
00:30:16um tanto quanto...
00:30:18Aqui no Brasil é viável,
00:30:20que é o Buscaqui.
00:30:24Buscaqui.
00:30:25Buscaqui.
00:30:25Que é uma espécie de polo,
00:30:27polo com cavalos,
00:30:29cavalheiros em cavalos,
00:30:30e aí em vez
00:30:31de eles baterem
00:30:32com tacos naquela bolinha,
00:30:33na verdade eles têm
00:30:34uma cabra morta no chão,
00:30:36onde você pega
00:30:37essa cabra
00:30:38e aí você tem que dar
00:30:39uma volta
00:30:39num campo pré-estabelecido
00:30:40e aí você joga
00:30:42essa cabra numa área,
00:30:43numa espécie de local
00:30:43de pouso,
00:30:44vamos colocar assim,
00:30:45e aí você marca um gol.
00:30:47E é horrível.
00:30:49É horrível a forma,
00:30:50os cavalos,
00:30:51eles se atacam.
00:30:52É horrível,
00:30:53é medieval.
00:30:54Mas olha que curioso,
00:30:55foi uma concessão
00:30:57feita pelo Talibã
00:30:58nesse momento,
00:30:59porque eles proibiram
00:31:00o passado
00:31:00e esse jogo
00:31:01é muito caro
00:31:03para a etnia,
00:31:03salvo engano,
00:31:04Tajique.
00:31:05Salvo engano,
00:31:06Tajique.
00:31:07E aí para fazer
00:31:08uma acomodação
00:31:09de poder político
00:31:10com essa etnia,
00:31:11eles permitiram
00:31:12o retorno
00:31:13desse jogo.
00:31:14O que acontece
00:31:14na sexta-feira
00:31:15por quê?
00:31:16Porque é o domingo
00:31:16dos muçulmanos.
00:31:18Então,
00:31:19e aí Rafael,
00:31:19gostou?
00:31:20Não,
00:31:21não gostei.
00:31:22Porque aqui
00:31:23a gente já está
00:31:23num patamar
00:31:24de consideração
00:31:25pelo bem-estar animal,
00:31:27que aquilo incomoda a gente.
00:31:28matar uma cabra
00:31:30para usar de bola,
00:31:31não dá para a gente.
00:31:32Ver os cavalos
00:31:34se atacando,
00:31:35sendo açoitados
00:31:37com muita força,
00:31:38é horrível.
00:31:39Mas enfim,
00:31:40é algo que
00:31:41para aquela sociedade
00:31:41ainda é válido
00:31:42e para a gente
00:31:44basta ter a percepção
00:31:46do valor histórico
00:31:48e do momento político
00:31:49daquela sociedade.
00:31:50Mas com certeza,
00:31:52aqui no Brasil
00:31:52seria algo
00:31:53que não chegaria
00:31:55na página 2,
00:31:56inimaginável.
00:31:56É um choque
00:31:57de civilização.
00:31:58Ou melhor,
00:31:59de não civilização,
00:32:00no caso.
00:32:01A brincadeira
00:32:02que eu fiz
00:32:02foi que nós estamos
00:32:03no ano de 2026,
00:32:05para o Rafael
00:32:06e para o Arthur,
00:32:07a gente conversando.
00:32:08Até eu lembro
00:32:09que nesse momento
00:32:09a gente estava
00:32:10dentro da van
00:32:10com o Marmude.
00:32:12Em português,
00:32:13eu falei assim,
00:32:13a gente está em 2026,
00:32:15mas a gente foi transportado
00:32:17para a era medieval,
00:32:19como o Rafael
00:32:19acabou de falar.
00:32:20Horrível.
00:32:21As pessoas
00:32:22vivendo olho por olho,
00:32:23dente por dente,
00:32:25tribal,
00:32:26uma sociedade tribal,
00:32:28mas que está tentando
00:32:30sobreviver.
00:32:30E o próprio Rafael
00:32:31já disse,
00:32:32a todo o país muçulmano
00:32:35que nós fomos,
00:32:36apesar e a despeito
00:32:38de toda a violência
00:32:39que pode existir,
00:32:40por exemplo,
00:32:40no Afeganistão
00:32:41em termos sociais,
00:32:43mas no Paquistão,
00:32:44por exemplo,
00:32:44e na Argélia,
00:32:45as questões ligadas
00:32:46à geopolítica,
00:32:47a despeito disso tudo,
00:32:49nós sempre fomos
00:32:50bem recebidos
00:32:51e bem tratados.
00:32:53Rafael,
00:32:53que é fácil
00:32:54de fazer amigo,
00:32:55a gente estava
00:32:56no mercado
00:32:57em Cabu,
00:32:59Rafael,
00:33:00quando eu olho
00:33:00para trás,
00:33:01tem uma padaria
00:33:02típica
00:33:04do Afeganistão,
00:33:05aí eu estava comendo
00:33:06um pedaço de pão
00:33:06lá com a galera,
00:33:08eu olho para trás,
00:33:09está Rafael tomando chá
00:33:10com o dono
00:33:11de um,
00:33:12como não tem álcool,
00:33:13o chá é o boteco deles,
00:33:14com o dono
00:33:15do boteco lá,
00:33:17de chá,
00:33:18aí Rafael,
00:33:18bora tomar chá
00:33:19todo mundo aqui,
00:33:20aí sentamos
00:33:20para tomar chá
00:33:21e não pagamos
00:33:23um centavo
00:33:24por aquele chá.
00:33:25E querendo pagar,
00:33:25e querendo pagar,
00:33:27e esse boteco afegão,
00:33:29vamos chamar assim,
00:33:30era um boteco mesmo,
00:33:31porque ele servia
00:33:32uma espécie de caldo
00:33:33de mocotó de carneiro,
00:33:34era gordura pura aquilo,
00:33:36gordura pura,
00:33:37mas é isso,
00:33:37num país com tanta
00:33:40necessidade,
00:33:41com tanta escassez,
00:33:43as pessoas não vão
00:33:43se dar o luxo
00:33:44de escolher o que comer,
00:33:45e ali você vê,
00:33:46as pessoas precisam ainda
00:33:47de muita força,
00:33:48o trabalho ainda
00:33:49é muito primário,
00:33:51muito braçal,
00:33:52e aí é isso mesmo,
00:33:53é comer gordura,
00:33:55para poder aguentar
00:33:58aquela jornada
00:33:58de trabalho que virá,
00:33:59e aí o mocotó
00:34:01de carneiro
00:34:01a gente pulou,
00:34:02não é Tomás?
00:34:02Pulamos.
00:34:03Pulamos,
00:34:03pulamos,
00:34:04porque estava...
00:34:04É isso que eu ia perguntar,
00:34:05porque a alimentação
00:34:06também tem que ter
00:34:06um certo cuidado,
00:34:08assim,
00:34:08porque esses hábitos
00:34:09alimentares às vezes
00:34:09são bastante peculiares,
00:34:12não são bem...
00:34:14Você não pode ter
00:34:14um problema de saúde
00:34:15numa viagem dessa,
00:34:16não é?
00:34:16É, mas aí vem um ponto,
00:34:17sempre terá,
00:34:19sempre terá,
00:34:19o Tomás,
00:34:20ele é mais cauteloso,
00:34:22com comida,
00:34:24eu não ligo muito não,
00:34:26mas até para mim,
00:34:28de vez em quando,
00:34:29eu paro,
00:34:30eu paro,
00:34:31porque você vai adoecer
00:34:32nessas viagens,
00:34:33o comprometimento da higiene,
00:34:35do trato dos alimentos,
00:34:36nesses países,
00:34:37não tem jeito,
00:34:38não tem jeito,
00:34:38até porque eles estão vivendo
00:34:40uma tragédia organizacional,
00:34:43social,
00:34:44eles não vão ter
00:34:45os controles sanitários daqui,
00:34:48eu fui comer uma sopinha
00:34:50de grão de bico,
00:34:52estava com uma cara bonita,
00:34:53eu estava,
00:34:53você não vai comer isso,
00:34:55falei,
00:34:55claro que eu vou,
00:34:56é óbvio que eu vou,
00:34:57e aí,
00:34:57quando eu pedi a sopinha,
00:35:01eu dei o dinheiro
00:35:01para a moça
00:35:02e ela jogou o troco
00:35:04na comida,
00:35:06na comida,
00:35:06na comida,
00:35:07e me entregou,
00:35:08a comida com o dinheiro em cima,
00:35:10aí eu peguei o troco,
00:35:11botei no bolso,
00:35:11eu tomava,
00:35:11você vai comer,
00:35:12eu falei,
00:35:12agora eu vou,
00:35:13já paguei,
00:35:17é,
00:35:17o Rafael,
00:35:18ele come qualquer coisa,
00:35:20bicho,
00:35:20eu juro,
00:35:21esse caldeirão
00:35:21que ele está brincando aqui,
00:35:22que está parecendo simples
00:35:24para quem está nos ouvindo
00:35:25e assistindo,
00:35:26ele não é tão simples não,
00:35:27se você no seu Instagram
00:35:28assiste aqueles indianos
00:35:30fazendo comida com o pé,
00:35:31é aquilo ali,
00:35:32e o Rafael comia
00:35:33e falava assim,
00:35:34hum,
00:35:35está tão gostoso,
00:35:36não quer não,
00:35:37isso aí com as sequências
00:35:38depois?
00:35:39Não,
00:35:39não teve não,
00:35:40não teve não,
00:35:41não teve,
00:35:42agora,
00:35:42a comida é parte
00:35:44do contexto histórico
00:35:45e cultural daquele lugar,
00:35:46a comida,
00:35:48se você não avançar o sinal
00:35:51daquilo que é importante
00:35:52e a gente precisa
00:35:53de estar vigilante,
00:35:54porque você está
00:35:55em um lugar
00:35:55onde você vai ter dificuldade
00:35:57de tratar algum problema,
00:35:58por exemplo,
00:35:59desidratação é um problema sério,
00:36:00desidratou,
00:36:01acabou a viagem.
00:36:03Acabou a viagem
00:36:03pode transformar
00:36:04em uma coisa
00:36:04até mais perigosa
00:36:05do que um conflito,
00:36:08porque o conflito
00:36:09a gente poderia
00:36:09ser abrigado
00:36:10em um lugar,
00:36:11por exemplo,
00:36:11que nos protegesse.
00:36:13Que foi o que a gente
00:36:13fez no Uzbequistão,
00:36:15o que a gente fez
00:36:16no Uzbequistão,
00:36:16a gente usou o Uzbequistão
00:36:19de recuo
00:36:19para trocar
00:36:20o Afeganistão
00:36:21pelo Turcomenistão.
00:36:23Agora,
00:36:24agora,
00:36:25só para completar,
00:36:26diferente do Paquistão,
00:36:27não sei se o Rafael
00:36:28vai ter a mesma impressão,
00:36:29eu gostei da comida
00:36:30do Afeganistão,
00:36:32extremamente saborosa,
00:36:33quebabe afegão,
00:36:34que é baseado
00:36:35principalmente em quê?
00:36:37Carneiro.
00:36:37Carneiro.
00:36:38Carneiro e frango.
00:36:40Basicamente,
00:36:40a comida deles
00:36:41é arroz...
00:36:41ensopado?
00:36:42Não, não, não,
00:36:43ensopado,
00:36:44eles têm as sopas
00:36:45de grão de bico,
00:36:46mas basicamente
00:36:46a culinária é arroz,
00:36:48frango e carneiro.
00:36:50Basicamente.
00:36:51Gostoso.
00:36:51Mas bom.
00:36:52Arroz gostoso.
00:36:52Mas bom porque eles têm
00:36:54tipos de arroz,
00:36:55nós não temos.
00:36:57Variações de arroz.
00:36:57É, me chamou muito a atenção
00:36:58isso.
00:36:59Eles têm tipos,
00:37:00como a gente tem tipos
00:37:00de feijão,
00:37:02né?
00:37:02E aqui a gente escolhe,
00:37:03né?
00:37:03Em Minas eles não comem
00:37:04feijão preto,
00:37:05enfim, né?
00:37:06Lá eles têm tipos de arroz
00:37:08e eu gostei muito,
00:37:09acho que o Tomás gostou também.
00:37:10Eu gostei, é.
00:37:11É, outro rápido intervalo
00:37:13e depois vamos falar
00:37:14da saída,
00:37:15é, passando pelo país,
00:37:17o segundo país
00:37:18mais fechado do mundo
00:37:19depois da Coreia do Norte.
00:37:26De volta ao Pernambuco Internacional
00:37:27com Rafael Pacheco
00:37:29e Tomás Tomás
00:37:29e essa conversa
00:37:30está destrutiva demais,
00:37:33está muito bacana
00:37:34ouvir esse roteiro,
00:37:36o que vocês vivenciaram
00:37:37nessa viagem.
00:37:39Me ajuda aí,
00:37:40porque foi Dubai
00:37:41seis horas no Paquistão,
00:37:44Afeganistão,
00:37:45uma passagem estratégica
00:37:47pelo Uzbequistão,
00:37:49uma passagem pelo Turcomenistão,
00:37:51que é o segundo país
00:37:51mais fechado do mundo
00:37:53depois da Coreia do Norte,
00:37:56tira o Irã,
00:37:56que não foi possível
00:37:57em virtude dos acontecimentos
00:38:01terríveis que estão em curso,
00:38:02vai para a Turquia
00:38:03e retornar ao Brasil.
00:38:05Isso.
00:38:05me fala dessa saída
00:38:07e essa passagem
00:38:08pelo Uzbequistão,
00:38:09pelo Turcomenistão,
00:38:11pelo Portal do Inferno.
00:38:12Pois é,
00:38:13mesma coisa.
00:38:14Essas viagens,
00:38:15você acaba tendo que fazer
00:38:16um pouco do que você não quer
00:38:19para que você possa fazer
00:38:20o que você quer.
00:38:22A ideia era sair de Mazar-e-Sharif,
00:38:25ou seja,
00:38:26do Afeganistão,
00:38:26e entrar no Turcomenistão
00:38:28de forma direta.
00:38:29Isso é possível,
00:38:30mas não foi.
00:38:32Não foi possível
00:38:33porque o governo,
00:38:34nesse momento,
00:38:35disse,
00:38:35olha,
00:38:35não quero,
00:38:36não quero abrir fronteira
00:38:37com o Afeganistão.
00:38:38E aí,
00:38:39a gente teve que se recorrer
00:38:40a um país tranquilo,
00:38:41super tranquilo,
00:38:42o Uzbequistão já muda.
00:38:44O Tomás,
00:38:45o Arthur,
00:38:46eu falei isso para eles,
00:38:47eu falei,
00:38:47daqui a 20 minutos,
00:38:49vocês vão entrar no lugar
00:38:50que você vai falar assim,
00:38:51não,
00:38:51não é possível mudar
00:38:52tão rapidamente.
00:38:53Por quê?
00:38:54Porque o Uzbequistão
00:38:55é extremamente organizado.
00:38:57Extremamente organizado,
00:38:59seguro.
00:39:00Toda essa região
00:39:01da Ásia Central
00:39:03é muito desértica,
00:39:04porque são grandes montanhas,
00:39:05enfim,
00:39:06então a gente entrou
00:39:07no Uzbequistão,
00:39:08aí você já tem
00:39:09ruas asfaltadas,
00:39:11você já tem
00:39:11ordenamento,
00:39:12placas de trânsito,
00:39:14você tem trem-bala
00:39:16no Uzbequistão,
00:39:17aplicativo de transporte.
00:39:18Aplicativo de transporte.
00:39:20Financiado pelo gás,
00:39:22você comentava,
00:39:23não é?
00:39:23Não,
00:39:23na verdade,
00:39:23a gente ainda está
00:39:24no Uzbequistão,
00:39:25a gente está saindo
00:39:26do Afeganistão,
00:39:27entrando no Uzbequistão
00:39:28para chegar no Turcomenistão.
00:39:30Então nós fizemos
00:39:31essa rápida passagem
00:39:32pelo Uzbequistão,
00:39:33muito tranquila,
00:39:33cansativa,
00:39:34a gente teve que andar muito
00:39:35para chegar no ponto
00:39:37de fronteira
00:39:38com o Turcomenistão.
00:39:40Então nós paramos
00:39:40numa cidade chamada Kiva,
00:39:42que é belíssima,
00:39:43na Rota da Seda.
00:39:44É uma cidade murada.
00:39:45Linda,
00:39:45uma cidade murada,
00:39:46eu já fui lá duas vezes,
00:39:47essa foi a terceira vez,
00:39:49ficamos lá rapidamente,
00:39:50mas o objetivo
00:39:50era entrar
00:39:51no Turcomenistão.
00:39:52E aí conseguimos,
00:39:55mas teve um aperto.
00:39:57O Arthur,
00:39:58que estava conosco,
00:40:00nosso amigo que estava
00:40:00com a gente,
00:40:01ele estava muito gripado,
00:40:02muito gripado.
00:40:04E aí nós chegamos
00:40:04na fronteira,
00:40:05uma bagunça,
00:40:06uma bagunça,
00:40:07porque,
00:40:08eu estava explicando
00:40:08para o Tomás,
00:40:09essas repúblicas,
00:40:11antigas repúblicas
00:40:12soviéticas,
00:40:13elas viveram
00:40:13a escassez
00:40:14a vida inteira.
00:40:15então eles,
00:40:18a União Soviética
00:40:19acabou em 91?
00:40:2191.
00:40:2191, né?
00:40:2288 foi o muro de Berlim,
00:40:23correto?
00:40:2491,
00:40:25a União Soviética cai
00:40:26e essas repúblicas
00:40:28se tornam independentes,
00:40:29mas até hoje,
00:40:30olha,
00:40:3191,
00:40:31passados aí,
00:40:32trinta e tantos anos,
00:40:33quase quarenta anos,
00:40:34eles não aprenderam,
00:40:35meu amigo,
00:40:35a fazer?
00:40:36Fila.
00:40:36Fila.
00:40:38Fila.
00:40:39Então por quê?
00:40:40Porque lá nos idos soviéticos,
00:40:42você tinha escassez de comida
00:40:43e as pessoas
00:40:45se aglomeravam
00:40:46na disputa pela comida.
00:40:47Então elas não aprenderam
00:40:48a fazer fila
00:40:49e isso está lá até hoje.
00:40:50Eu avisei a eles,
00:40:51eles não acreditaram.
00:40:52Ah, não, Rafa,
00:40:53pô, conversa sua.
00:40:54Falei,
00:40:54então olha para você ver.
00:40:56Aí quando acontecia,
00:40:57eles passiam,
00:40:58tem fila, né?
00:40:58Eu falei,
00:40:58não tem fila,
00:40:59é uma maluquice.
00:41:00Então nós chegamos
00:41:01num ponto de fronteira,
00:41:02aquele empurra-empurra,
00:41:04não tem violência não,
00:41:05mas é bagunça,
00:41:06é muita bagunça.
00:41:07Você fica perdido.
00:41:08E aí a gente é submetido
00:41:10a um teste de
00:41:11covid.
00:41:13E aí o Tomás vira
00:41:14para mim e fala assim,
00:41:15Rafael,
00:41:16já imaginou se o Arthur
00:41:18está com covid?
00:41:20E eu entro
00:41:20num pânico interno.
00:41:22Porque se aquilo
00:41:24fosse confirmado,
00:41:25a gente ia ter um problema
00:41:27gigantesco.
00:41:27O que a gente ia fazer?
00:41:28Ia deixar o Arthur
00:41:29para trás,
00:41:30ia seguir em frente,
00:41:32ia voltar com ele
00:41:33para trás.
00:41:34Então esse tipo de viagem
00:41:35é isso.
00:41:36Era uma emoção
00:41:39e aí eu queria matar
00:41:41o Tomás,
00:41:41porque ele não precisava
00:41:42ter dividido aquilo
00:41:43que eu queria.
00:41:44Porque eu não tinha
00:41:45me atentado.
00:41:46Então aquilo que você
00:41:47ignora é bênção.
00:41:48Quando o Tomás fala,
00:41:49meu coração dispara,
00:41:51eu falo,
00:41:51Deus,
00:41:51porra,
00:41:52não me abandona nessa não.
00:41:54Esse menino não pode
00:41:55estar doente.
00:41:55Deu tudo certo,
00:41:56ele não estava com covid,
00:41:57beleza,
00:41:57superamos aquilo ali.
00:41:58Ou o exame
00:41:59não identificou.
00:42:00Ou o exame
00:42:00não identificou.
00:42:01Enfim,
00:42:02e aí superamos
00:42:03aquele momento,
00:42:04nossa guia nos encontrou,
00:42:05a mesma perspectiva
00:42:06do Afeganistão,
00:42:08não pode ter turismo
00:42:08independente.
00:42:09Tem uma curiosidade
00:42:10sobre a nossa guia
00:42:11nesse momento
00:42:12que o Rafael fala
00:42:13que é caótico,
00:42:14que a gente está
00:42:15dentro do prédio
00:42:16da imigração.
00:42:18E o que acontece?
00:42:20O agente de imigração,
00:42:21o policial,
00:42:23ele vira e fala assim,
00:42:24aguarda um minutinho
00:42:25que eu vou chamar
00:42:25a sua guia.
00:42:26E Rafael,
00:42:27como policial federal,
00:42:29alguma vez você
00:42:29já tinha visto
00:42:30na vida
00:42:31na área segura
00:42:32entrar um agente
00:42:33para desembolar
00:42:34a burocracia de um...
00:42:36É exatamente isso.
00:42:37Eles usam o guia
00:42:38como uma espécie
00:42:39de despachante
00:42:40aduaneiro do turista.
00:42:41Olha só.
00:42:42Então você fica jogado,
00:42:44perdido,
00:42:44sem saber o que fazer,
00:42:45e aí eles perguntam,
00:42:46quem é o teu guia?
00:42:47E aí a gente fala,
00:42:48o nosso guia é fulana
00:42:49de tal,
00:42:49da empresa tal.
00:42:51Espera aí.
00:42:52E ela entra
00:42:53na zona primária.
00:42:54Isso aqui é inconcebível.
00:42:56E ela faz
00:42:57o nosso desembaraço.
00:42:58Vem aqui,
00:42:58paga aqui,
00:42:59colhe ali,
00:43:00vai fazendo aqui.
00:43:01E tudo funciona bem.
00:43:03E ela é muito gentil,
00:43:05uma guia muito legal.
00:43:07E ela leva a gente
00:43:08no supermercado
00:43:09e é o primeiro
00:43:10contato com o turcomenistão.
00:43:12Por que a gente está
00:43:13aqui no supermercado?
00:43:14Porque a gente tem
00:43:14que comprar comida,
00:43:15porque a gente vai
00:43:16dirigir cinco horas,
00:43:17vai parar no meio
00:43:18do deserto,
00:43:19e nós vamos parar
00:43:20na cratera
00:43:21da Arvaza,
00:43:22que é o portal
00:43:23do inferno.
00:43:24Isso foi.
00:43:24Foi muito legal.
00:43:25já no supermercado,
00:43:28eu tinha muito interesse
00:43:29na cerveja local.
00:43:30Eu comprei
00:43:31cerveja local.
00:43:32Comprou vinho.
00:43:33Comprei vinho.
00:43:34Cerveja local é boa?
00:43:35É boa.
00:43:36Muito boa.
00:43:36Muito boa.
00:43:37Pilsen,
00:43:37o vinho também era bom.
00:43:39Aí eu falei,
00:43:40não quero vinho doce.
00:43:41Porque,
00:43:41como o Tomás falou,
00:43:42tudo é parte.
00:43:43E lembrando,
00:43:43a gente estava vindo
00:43:44de dois países
00:43:45onde não podia
00:43:45consumir álcool.
00:43:46Então,
00:43:47agora eu quero provar.
00:43:48No Turcomenistão,
00:43:49você estava agora...
00:43:50No Turcomenistão.
00:43:51Não me deixa me perder,
00:43:52não.
00:43:52Você está no Turcomenistão.
00:43:53No Turcomenistão.
00:43:53Turcomenistão pode ter consumo
00:43:55de álcool.
00:43:55Pode ter consumo.
00:43:56Mas é um país também muçulmano.
00:43:59Mas pode ter consumo.
00:44:00Porque em Dubai
00:44:01não tinha consumo de álcool.
00:44:04No Afeganistão
00:44:05não tinha consumo de álcool.
00:44:06No Uzbequistão
00:44:06não tem consumo de álcool.
00:44:08Eu achava que
00:44:09qualquer país muçulmano
00:44:11não era restrito.
00:44:11No Turcomenistão pode.
00:44:12Pode.
00:44:13Me chamou a atenção.
00:44:14Foi isso que me chamou a atenção.
00:44:15E aí nós fomos para o deserto,
00:44:17chegamos lá.
00:44:18Aí o primeiro grande impacto.
00:44:19Que loucura é a Darvaza Crater.
00:44:21Vamos explicar o que é
00:44:23a Darvaza.
00:44:24O Turcomenistão
00:44:25é um país
00:44:26onde 80%
00:44:27do território
00:44:27é deserto.
00:44:29Então você tem
00:44:29pouca população,
00:44:31algo em torno de 6 milhões
00:44:32de turcomenos,
00:44:33espalhados por poucas cidades.
00:44:35A capital vai consumir
00:44:3725%
00:44:38dessa população.
00:44:39Então os outros
00:44:403 quartos
00:44:41vão estar distribuídos
00:44:42nessa imensidão
00:44:43de território.
00:44:45E eles estão calçados
00:44:46numa super reserva
00:44:47de gás,
00:44:48de gás natural.
00:44:50Então o que
00:44:50que é a Darvaza Crater?
00:44:52A cratera Darvaza
00:44:53ou o portal do inferno?
00:44:54Nada mais é
00:44:55do que um poço
00:44:56de gás
00:44:57que deu errado
00:44:57e explodiu.
00:44:59Lá em 1972.
00:45:02Por um erro
00:45:02de engenheiro.
00:45:03Por um erro
00:45:03de engenharia.
00:45:04Tanto que você olha
00:45:05para dentro da cratera
00:45:06você vê
00:45:07o maquinário,
00:45:08os tubos,
00:45:10está tudo lá.
00:45:11Está tudo lá.
00:45:11Na época da União Soviética.
00:45:13E aí os engenheiros
00:45:13soviéticos falaram,
00:45:14olha,
00:45:14vai dar muito trabalho
00:45:16apagar isso aqui.
00:45:17Deixa que em duas semanas
00:45:19isso aí
00:45:19apaga sozinho.
00:45:21E lá se vão
00:45:2250 anos
00:45:23que aquilo
00:45:24está pegando fogo.
00:45:25E tem uma curiosidade
00:45:26desse lugar
00:45:27que a cratera
00:45:28ela fica no meio
00:45:28do deserto.
00:45:29A estrada
00:45:30o Rafael não falou.
00:45:31A estrada.
00:45:32Mas a estrada
00:45:33a gente apelidou
00:45:34o nosso motorista
00:45:35de Ayrton Senna
00:45:36e ele não entendia
00:45:37porque a gente
00:45:38estava fazendo a brincadeira
00:45:39e a gente não tinha
00:45:40internet para poder
00:45:41mostrar para ele.
00:45:41Tivemos que
00:45:42porque não era permitido
00:45:44da VPN não permite
00:45:45você necessita
00:45:46perdão
00:45:46de uma VPN
00:45:47para permitir
00:45:48a internet
00:45:49e até muito restrita
00:45:51por ser uma ditadura
00:45:53o Turcomenistão
00:45:54mas ele está
00:45:56no meio
00:45:56esse portal do inferno
00:45:58ele está no meio
00:45:59do deserto
00:45:59e a gente teve
00:46:01a experiência
00:46:02que foi
00:46:03de dormir
00:46:03e passar a noite
00:46:04nesse deserto
00:46:06num assentamento
00:46:07nômade
00:46:08yurt
00:46:09yurt
00:46:10e foi
00:46:12espetacular
00:46:13então a gente
00:46:14teve
00:46:14um churrasco
00:46:17original
00:46:19daquele povo
00:46:20óbvio
00:46:21que com todo
00:46:21o conforto
00:46:22do mundo
00:46:22mas eu quero
00:46:23confessar a vocês
00:46:24que eu virei
00:46:24a noite
00:46:25eu não consegui dormir
00:46:26eu acho que
00:46:27eu e o Rafael
00:46:27não dormimos
00:46:28o Arthur
00:46:28conseguiu dormir
00:46:29porque o Arthur
00:46:30tem 20 e poucos anos
00:46:31e a gente está
00:46:32um pouco mais velho
00:46:33mas o motivo
00:46:33da sua insônia
00:46:34porque é muito frio
00:46:36frio extremo
00:46:38durante a noite
00:46:39por conta
00:46:40de o deserto
00:46:41ser frio
00:46:41você estima quantos graus
00:46:42ah não consigo
00:46:43calcular
00:46:43eu acho que deu
00:46:44uns menos 10
00:46:45aquela noite
00:46:45menos 10 graus
00:46:47do deserto
00:46:47e você dorme
00:46:48dentro de um
00:46:50como que eu posso dizer
00:46:52dentro de uma tenda
00:46:53uma tenda
00:46:53uma tenda
00:46:54e que você está
00:46:55dentro de um saco
00:46:56de dormir
00:46:57o aquecedor
00:46:58que tem dentro
00:46:58é a lenha
00:46:59ele quase
00:47:00não sustenta
00:47:01não sustenta
00:47:02não faz nada
00:47:03não tem eletricidade
00:47:04e o Arthur
00:47:05dormindo
00:47:05o sonho dos anjos
00:47:06sonho dos anjos
00:47:07abraça o Arthur
00:47:09chamava ele
00:47:10a gente começou
00:47:10chamando ele
00:47:11de pequeno gafanhoto
00:47:12ele era muito
00:47:13típico da juventude
00:47:15muito ansioso
00:47:15calma
00:47:16pequeno gafanhoto
00:47:17depois a gente
00:47:17migrou para o inglês
00:47:18aí ele virou
00:47:19o little grasshopper
00:47:20e no final
00:47:21ele só era o little
00:47:24e foi uma experiência
00:47:26muito interessante
00:47:27agora
00:47:28um país
00:47:30com uma reserva
00:47:31como o Rafael falou
00:47:32eles estão sentados
00:47:33numa reserva
00:47:34gigantesca de gás
00:47:37o que isso
00:47:38é muito dinheiro
00:47:39você olha o Catar
00:47:40é basicamente gás
00:47:41e olha a riqueza
00:47:43que é o Catar
00:47:46mas as estradas
00:47:48que conectam
00:47:49a capital
00:47:50Ashgabah
00:47:51são caóticas
00:47:52caóticas
00:47:53no começo
00:47:55da viagem
00:47:55o Rafael
00:47:56falou assim
00:47:57olha
00:47:57disseram que a estrada
00:47:58não é muito boa
00:47:59mas ela tem um pedaço
00:48:00que ela fica boa
00:48:02a nossa guia
00:48:03falou que um outro
00:48:04turista tinha dito
00:48:05que parecia com a Nigéria
00:48:06né Rafael
00:48:07e a gente meio que duvidou
00:48:09e era
00:48:11entendeu
00:48:11então assim
00:48:12foi
00:48:14uma experiência
00:48:15de viagem
00:48:16cansativa
00:48:17que moeu a gente
00:48:19mas a gente teve a percepção
00:48:20desculpa te interromper
00:48:21querido
00:48:21que isso é proposital
00:48:23porque quando você chega
00:48:25na capital
00:48:25em Ashgabah
00:48:26você vê a pujança
00:48:27da arquitetura
00:48:28e das estruturas
00:48:29não é a falta de dinheiro
00:48:31é a necessidade
00:48:32do controle
00:48:33do regime
00:48:33imobilizar
00:48:34movimento de pessoas
00:48:35olha só
00:48:37então as estradas
00:48:37são propositalmente
00:48:39ruins
00:48:39para você
00:48:40imobilizar
00:48:41o movimento
00:48:42das pessoas
00:48:42tá aí que é
00:48:43você
00:48:43eu ia falar
00:48:44quantos dias
00:48:45no Turcomenistão
00:48:45três dias
00:48:46três dias
00:48:47e vocês diziam
00:48:48que é o segundo
00:48:48país mais fechado
00:48:49do mundo
00:48:50né
00:48:50que é uma constatação
00:48:51eu mesmo
00:48:51tive a minha entrada
00:48:52negada
00:48:53no Turcomenistão
00:48:54duas vezes
00:48:54então
00:48:56que mais manifesta
00:48:58esse controle
00:48:59do governo central
00:49:00por assim dizer
00:49:01que caracteriza
00:49:02esse país
00:49:02ser tão fechado
00:49:03ah eu diria
00:49:04que a arquitetura
00:49:05e uma obsessão
00:49:07pela cor branca
00:49:09a cidade inteira branca
00:49:10por quê?
00:49:11porque o ditador
00:49:12de turno
00:49:13adora o branco
00:49:13então os prédios
00:49:14são brancos
00:49:15os carros
00:49:16são brancos
00:49:17tivemos um momento
00:49:18super inusitado
00:49:20que a gente estava
00:49:20vindo nessa estrada
00:49:21todos os carros
00:49:22são brancos
00:49:22são brancos
00:49:23são brancos
00:49:24e a gente estava
00:49:24vindo nessa estrada
00:49:25muito ruim
00:49:25num carro verde
00:49:27sei lá
00:49:27preto
00:49:28não me lembro a cor
00:49:29mas eu tenho
00:49:29nos vídeos da gente
00:49:30a gente para
00:49:31num lugar
00:49:32uma loucura
00:49:33um estacionamento
00:49:34gigante
00:49:35gigante
00:49:35onde esses carros
00:49:37que vêm de outras cidades
00:49:38param nesse estacionamento
00:49:40e trocam
00:49:41aí você chega
00:49:42num carro preto
00:49:43e você entra
00:49:44num carro branco
00:49:45porque o presidente
00:49:46disse que só pode
00:49:47ter carro branco
00:49:48e só tem carro branco
00:49:50é uma obsessão
00:49:51pela cor branca
00:49:52e aí você vai vendo
00:49:53o controle
00:49:53da sociedade
00:49:55o que você percebe?
00:49:56energia
00:49:57é quase de graça
00:50:00muito gás
00:50:02então tudo é termoeléctrico
00:50:03energia elétrica
00:50:04é muito barato
00:50:05gás de cozinha
00:50:07quase de graça
00:50:09transporte público
00:50:10quase de graça
00:50:11então tem muito subsídio
00:50:13do governo
00:50:13que vai tornando
00:50:14aquela população mansa
00:50:15a cidade é organizada
00:50:17e a cidade é segura
00:50:19então ela traz
00:50:20dentro do que
00:50:21Rafael sempre reflete
00:50:23dentro da pirâmide de Maslow
00:50:25o ditador está te entregando
00:50:27tudo aquilo que você
00:50:28precisa
00:50:29precisa
00:50:30então você
00:50:31tem um programa
00:50:32de habitação subsidiado
00:50:34você tem comida
00:50:35subsidiado
00:50:35você tem transporte
00:50:36subsidiado
00:50:37energia subsidiado
00:50:38educação subsidiada
00:50:39e saúde subsidiada
00:50:41então
00:50:41as necessidades básicas
00:50:43estão entregues
00:50:44a nossa guia
00:50:45por exemplo
00:50:46ela teve uma fala
00:50:47comigo
00:50:48muito interessante
00:50:49que ela falou
00:50:50que graças
00:50:51às políticas do governo
00:50:52ela é uma mulher
00:50:52divorciada
00:50:53com dois filhos
00:50:54e ela não precisa
00:50:55de um homem
00:50:56para criar os seus filhos
00:50:57então olha que interessante
00:50:58ela falou
00:50:59olha
00:51:00a política do meu país
00:51:01ela me permite
00:51:01criar meus filhos
00:51:02sem a presença
00:51:02de um homem
00:51:04eu fui abandonada
00:51:05pelo meu marido
00:51:05mas eu consigo
00:51:06eu consigo
00:51:07criar meus filhos
00:51:08e aí fica
00:51:09naquela né
00:51:10eu preciso realmente
00:51:12de liberdade política
00:51:14liberdade de expressão
00:51:15eu estou satisfeito
00:51:15com o que me entregue
00:51:17e aí a gente vai vendo
00:51:18as diferenças
00:51:18com o nosso país
00:51:19eu percebo
00:51:20dentro disso
00:51:20que o Rafael
00:51:21está falando
00:51:21não sei se você
00:51:23tem a mesma
00:51:23percepção
00:51:24mas no Turcomenistão
00:51:27existia um orgulho
00:51:28existe um orgulho
00:51:30por parte do turcomeno
00:51:31em relação
00:51:32ao seu país
00:51:33por exemplo
00:51:34a nossa guia
00:51:36quando ela foi
00:51:37deixar a gente
00:51:37no aeroporto
00:51:38ela me perguntou
00:51:39longe deles
00:51:39você gostou
00:51:40de conhecer o Turcomenistão
00:51:42eu falei
00:51:42nossa
00:51:43eu estou
00:51:44muito feliz
00:51:45eu adorei
00:51:46conhecer esse lugar
00:51:47gostei muito
00:51:47achei linda a cidade
00:51:49a cidade em alguns momentos
00:51:50ela beirava o mau gosto
00:51:52porque era muito branco
00:51:53com adorno de ouro
00:51:54e faraônico
00:51:55faraônico
00:51:56agora a mesquita linda né
00:51:58a mesquita linda
00:52:00linda
00:52:00gigantesca
00:52:01linda
00:52:01mas os objetos
00:52:03as estruturas
00:52:04são construídas
00:52:05para impressionar
00:52:06não para ter utilidade
00:52:08então nós somos
00:52:09eles adoram isso
00:52:10nós somos
00:52:11na maior roda gigante
00:52:13em dólar do mundo
00:52:14aí eu te pergunto
00:52:15e daí?
00:52:17que não tinha ninguém
00:52:18e que foi ligada
00:52:18para a gente entrar
00:52:19só a gente
00:52:20roda gigante
00:52:21em dó
00:52:21em dó
00:52:22em dó
00:52:22em dó
00:52:23eu pergunto
00:52:24qual é a utilidade
00:52:25de uma roda gigante
00:52:26em dó
00:52:26para uma cidade
00:52:28e tudo deles é assim
00:52:30se fosse com muita chuva
00:52:31não pega chuva
00:52:32no chove é deserto
00:52:33no chove é deserto
00:52:35tudo deles é isso
00:52:36essa megalomania
00:52:38de ser o maior
00:52:39de ser
00:52:39eles tem
00:52:40por exemplo
00:52:41eles não tem
00:52:42uma liga de futebol
00:52:43mas tem três estádios
00:52:44de futebol na cidade
00:52:45lindos
00:52:47um mais bonito
00:52:47que o outro
00:52:48Tomás gosta muito
00:52:48de futebol
00:52:49e ele se atentou
00:52:50três estádios enormes
00:52:52mas não tem jogo
00:52:53não tem jogo
00:52:55simplesmente por ter
00:52:56outra coisa que me chamou
00:52:58muita atenção também
00:52:59eles falaram assim
00:53:00olha nós vamos levar vocês
00:53:01nos estábulos
00:53:03na minha humilde percepção
00:53:05eu falei
00:53:06poxa Tomás
00:53:06vamos nos estábulos
00:53:07eu estou achando
00:53:08que é estábulo
00:53:09como
00:53:09como coliseu
00:53:11um lugar
00:53:12que no passado
00:53:13as caravanas
00:53:14vinham
00:53:15colocavam seus cavalos
00:53:16era um estábulo
00:53:18de verdade
00:53:18era um estábulo
00:53:20de verdade
00:53:20com mais de
00:53:21três mil cavalos
00:53:23e detalhe
00:53:24do estado
00:53:25pertencente ao estado
00:53:26e você tinha que ver
00:53:27o lugar que os cavalos
00:53:28dormiam
00:53:29e como eles comiam
00:53:30eu falei pro cara
00:53:30olha dá pra colocar
00:53:31meu hotel
00:53:31por esse estábulo
00:53:33posso ficar por aqui
00:53:34eles riam
00:53:35lindos né
00:53:36os animais
00:53:36lindos os animais
00:53:38mas
00:53:39um estábulo
00:53:40estatal
00:53:41estranho né
00:53:41muito estranho
00:53:43só completando a ideia
00:53:44quando
00:53:45a gente estava se despedindo
00:53:47a Guia perguntou
00:53:47se eu tinha gostado
00:53:48eu falei que tinha gostado
00:53:49muito
00:53:49ela perguntou
00:53:50mas o que você gostou
00:53:51aí eu falei
00:53:51do portal do inferno
00:53:53que era um ícone
00:53:54mundial
00:53:56e da capital
00:53:57Ash Gabat
00:53:57muito linda
00:53:58muito organizada
00:53:59a gente foi muito bem
00:54:00recebido por todos
00:54:01e ela falou bem assim
00:54:03eu te agradeço
00:54:04por ter gostado
00:54:05a gente tem muito orgulho
00:54:06do nosso país
00:54:07beleza
00:54:07fomos pra sala de embarque
00:54:09pra área internacional
00:54:10o voo era de Ash Gabat
00:54:12pra
00:54:13Istambul
00:54:14e tinha um casal
00:54:15jovem na nossa frente
00:54:17de turcomenos
00:54:18e a gente falando
00:54:19em português
00:54:20brincando
00:54:21rindo
00:54:21brasileiro é falante
00:54:22aí a moça
00:54:24me interrompeu
00:54:24e falou assim
00:54:25vocês são da onde?
00:54:26Brasil
00:54:26ah Brasil
00:54:27Brasil
00:54:28Brasil
00:54:28Brasil
00:54:29aí ela me perguntou
00:54:31e vocês gostaram?
00:54:32aí eu falei assim
00:54:33eu gostei
00:54:34e ela me fez
00:54:35a mesma pergunta
00:54:36que a nossa guia
00:54:36mas por que que vocês gostaram?
00:54:38eu expliquei
00:54:39do Portal do Inferno
00:54:40de Ash Gabat
00:54:41ela olhou pra mim
00:54:42e falou assim
00:54:44ela se põe a mão no peito
00:54:45muito obrigado
00:54:47muito obrigado
00:54:48eu tô feliz que você gostou
00:54:50então um orgulho
00:54:51que vai pra além
00:54:53dessa necessidade
00:54:54que a gente tem
00:54:54de olhar a política
00:54:56como um vetor
00:54:58de construção
00:54:59da nossa sociedade
00:55:00é uma ditadura
00:55:01que tem uma polícia secreta
00:55:04uma polícia de costume
00:55:06uma polícia de costume
00:55:07e que deve ter
00:55:09o seu lado péssimo
00:55:11ah com certeza
00:55:12mas que você tem
00:55:14uma sociedade
00:55:14que vive bem
00:55:15com aquilo
00:55:16que tá posto pra ele
00:55:18e tem uma mescla
00:55:19de sentimentos
00:55:20em relação
00:55:21ao primeiro grande presidente
00:55:22que foi o Nazarov
00:55:23porque lá no
00:55:26em Ash Gabat
00:55:27lá nos idos de 40
00:55:30ainda na era soviética
00:55:31houve um terremoto
00:55:33de proporções gigantescas
00:55:34que morreram mais
00:55:35de 100 mil pessoas
00:55:37100 mil pessoas
00:55:38e esse presidente
00:55:40ainda é garoto
00:55:40ainda é garoto mesmo
00:55:42jovenzinho
00:55:425 anos, 6 anos
00:55:44ele é o único sobrevivente
00:55:45da família dele
00:55:46e ali surge um ícone
00:55:47a ideia de uma
00:55:50iconoclastia
00:55:51ele é o golden boy
00:55:52ele é o garoto
00:55:54sobrevivente
00:55:55daquela grande
00:55:56tragédia que vai
00:55:56liderar aquela nação
00:55:58e aí você tem
00:55:59um culto
00:56:00à personalidade
00:56:01e aí esse presidente
00:56:03ele escreve
00:56:04um livro
00:56:04que vai paralelar
00:56:06com o próprio
00:56:07Alcorão
00:56:08e que vira
00:56:09obviamente
00:56:10objeto de estudo
00:56:11nas escolas
00:56:11então essa sensação
00:56:13também de orgulho
00:56:14nacional
00:56:14ela não é plenamente
00:56:16espontânea
00:56:16plantado
00:56:17é
00:56:18ela é construída
00:56:19de fato a gente ouviu
00:56:20esse orgulho
00:56:20turcomeno
00:56:21eu até acredito
00:56:22que aquelas pessoas
00:56:23tenham de fato
00:56:24orgulho da sua terra
00:56:25mas não é
00:56:26uma gênese
00:56:27espontânea
00:56:28nacionalista
00:56:29não é
00:56:30é uma construção
00:56:31política
00:56:32feroz
00:56:33que vem desde
00:56:34nós encontramos
00:56:35vários estudantes
00:56:36e era o mesmo discurso
00:56:38o amor ao autor comunistão
00:56:39o amor ao autor comunistão
00:56:40o amor ao autor comunistão
00:56:41e uma parte
00:56:43era genuína
00:56:43e uma parte
00:56:44parecia ensaiada
00:56:45como a gente viu
00:56:46na Coreia do Norte
00:56:47parecia ensaiado
00:56:48como a gente viu
00:56:49na Coreia do Norte
00:56:50a gente chegou
00:56:51a visitar o mausoléu
00:56:52desse presidente
00:56:52com a sua família
00:56:54tem o túmulo dele
00:56:55as irmãs
00:56:56e a mãe
00:56:57que morreu
00:56:59no terremoto
00:57:00mais um breve intervalo
00:57:03e após
00:57:04intervalos
00:57:05a mensagem final
00:57:06de Tomás Tomás
00:57:08e Rafael Pacheco
00:57:09sobre essa
00:57:10essa aventura
00:57:13que eles viveram
00:57:14nessa última viagem deles
00:57:16um instante só
00:57:21o Pirão Internacional
00:57:22de volta aqui
00:57:23com esses
00:57:24que são os verdadeiros
00:57:25caçadores de destinos
00:57:26nós temos
00:57:27um programa turístico
00:57:29um projeto turístico
00:57:30aqui na Rede Tribuna
00:57:31chamado Caçadores de Destinos
00:57:32eu vou dizer que eu conheci
00:57:34os verdadeiros
00:57:34caçadores de destinos
00:57:35aqui que são
00:57:37Rafael Pacheco
00:57:38e Tomás Tomás
00:57:39nesse último bloco
00:57:40aqui a mensagem
00:57:41a consideração final
00:57:42de vocês dois
00:57:42vamos começar Tomás
00:57:43olha comigo
00:57:45é
00:57:45bom
00:57:46eu
00:57:48recomendo
00:57:49que todos nós
00:57:50possamos enxergar
00:57:51o mundo
00:57:52para muito além
00:57:53do que está
00:57:54ao nosso alcance
00:57:56e aquilo que a gente
00:57:57enxerga
00:57:58como eu disse no começo
00:57:59os filmes
00:58:00hollywoodianos
00:58:01aquilo que nos é vendido
00:58:03tentar encontrar
00:58:04que o mundo é muito plural
00:58:05o mundo é acolhedor
00:58:07a despeito
00:58:08de toda a violência
00:58:09que possa estar ocorrendo
00:58:10também me desperta
00:58:12nas viagens
00:58:13para além das curiosidades
00:58:15do conhecimento
00:58:16que a gente adquire
00:58:17dos prazeres
00:58:18como o da alimentação
00:58:20onde a gente conhece
00:58:21uma culinária saborosa
00:58:25e da diversão
00:58:27que é entrar no avião
00:58:28e ter seu momento
00:58:29de descanso
00:58:30mudando o mapa
00:58:32do joguinho
00:58:32eu que gosto de videogame
00:58:33mudando o mapa
00:58:34do joguinho
00:58:35eu quero fazer uma reflexão
00:58:36de que nós
00:58:37temos a capacidade
00:58:39de impactar
00:58:40o mundo
00:58:41ao impactarmos
00:58:43o nosso entorno
00:58:44então
00:58:45que quando
00:58:46a gente observe
00:58:47a violência
00:58:48lá
00:58:49longe da gente
00:58:50em outro lugar
00:58:51como eu fiquei impactado
00:58:54com os órfãos
00:58:55de Cabu
00:58:56e do Afeganistão
00:58:57que a gente possa impactar
00:58:58próximo a gente
00:58:59que a gente tenha
00:59:00a capacidade
00:59:01e a sensibilidade
00:59:03de olhar
00:59:03para o nosso entorno
00:59:04e acolher
00:59:05ser cada dia melhor
00:59:06com o nosso vizinho
00:59:07com a nossa família
00:59:08com os nossos filhos
00:59:09e que se a gente tiver
00:59:10a possibilidade
00:59:11que a gente possa
00:59:12estender a mão
00:59:13ao próximo
00:59:14e construir um mundo melhor
00:59:15é essa mensagem
00:59:17que eu trago
00:59:17de cada viagem
00:59:19que eu venho
00:59:20todo lugar
00:59:21que eu visitei
00:59:22já estive
00:59:24por exemplo
00:59:24em alguns países
00:59:25da Ásia
00:59:26sobretudo
00:59:27com o Rafael
00:59:28e com minha esposa
00:59:29já estive
00:59:30no Sudeste Asiático
00:59:32e que a gente vê
00:59:32uma cultura
00:59:33completamente diferente
00:59:34da nossa
00:59:36completamente invertida
00:59:37em relação
00:59:38a nossa
00:59:39politeísta
00:59:40que acredita
00:59:40em coisas
00:59:41que nós
00:59:42achamos até jocoso
00:59:44é quando eu olho
00:59:45tudo isso
00:59:46eu percebo
00:59:46que todas as religiões
00:59:48elas falam
00:59:49de amor
00:59:50e de acolhimento
00:59:51então é essa
00:59:52mensagem
00:59:52que eu deixo
00:59:52o final
00:59:53dessa reflexão
00:59:54que a gente fez
00:59:54hoje aqui
00:59:55no Opinião Internacional
00:59:56bem
00:59:57eu
00:59:57a parte
01:00:00bacana
01:00:00eu acho que
01:00:01Tomás
01:00:01é isso mesmo
01:00:02é entender
01:00:03que
01:00:03tem muito mais
01:00:05nesses lugares
01:00:05do que chega
01:00:06pra gente
01:00:07vale muito a pena
01:00:08apostar
01:00:09numa chance
01:00:10dessas pessoas
01:00:11dividirem
01:00:12o mundo delas
01:00:13com a gente
01:00:13eu acho
01:00:14que existem
01:00:15inúmeras formas
01:00:16da gente
01:00:16adquirir cultura
01:00:17um bom livro
01:00:18a conversa
01:00:19com uma pessoa
01:00:21mais idosa
01:00:22que viveu mais
01:00:23é um bom filme
01:00:25mas sem dúvida
01:00:27nenhuma
01:00:27a viagem
01:00:28ela faz isso tudo
01:00:29de maneira intensa
01:00:30desde o planejamento
01:00:32de uma viagem
01:00:33até você poder voltar
01:00:34e dividir aquilo
01:00:35que você viu
01:00:35o seu enriquecimento
01:00:37cultural
01:00:38e a sua evolução
01:00:39humana
01:00:39ela é potencializada
01:00:41mas
01:00:42eu comentei ao longo
01:00:43do programa
01:00:43precisa deixar
01:00:45um recado
01:00:45aqui
01:00:46esse tipo
01:00:47de viagem
01:00:48requer realmente
01:00:49muito planejamento
01:00:51muito conhecimento
01:00:53muita habilidade
01:00:54e a capacidade
01:00:56de improviso
01:00:56e adaptação
01:00:57que nem todas
01:00:58as pessoas têm
01:00:59é risco real
01:01:00risco que pode ser
01:01:01mensurado
01:01:02mas tem que ter isso
01:01:03em mente
01:01:03então as pessoas falam
01:01:05poxa você foi ao Afeganistão
01:01:06é mas primeiro
01:01:07eu fui a Guarapari
01:01:09depois eu fui a Domingos Martins
01:01:11depois eu fui a Linhares
01:01:12São Mateus
01:01:13aí eu fui ao Rio
01:01:14conheci o Brasil
01:01:14conhecer a América do Sul
01:01:16e assim por diante
01:01:17não dá pra fazer
01:01:18uma viagem dessa
01:01:19sem ter experiência
01:01:21pretérita
01:01:22em viagens internacionais
01:01:23e quando for fazer
01:01:24perceba
01:01:25lá
01:01:26você só vai conferir
01:01:27com os olhos
01:01:28e ouvidos
01:01:29o que você
01:01:30já viajou
01:01:31bem antes
01:01:31de colocar o pé lá
01:01:32então olha
01:01:34não toma aquilo
01:01:35tudo que você vê
01:01:36como negativo
01:01:36de um país não
01:01:37dê a chance
01:01:37a essas pessoas
01:01:38de mostrar
01:01:38a beleza
01:01:39de sua cidade
01:01:40e da sua cultura
01:01:42muito bem
01:01:43fantástico
01:01:43quero agradecer
01:01:45Tomás Tomás
01:01:45e Rafael Pacheco
01:01:47que trouxeram
01:01:48uma experiência
01:01:48viva
01:01:49de viagem
01:01:50pelo exterior
01:01:51que vai muito
01:01:52além das telas
01:01:53como você mencionou
01:01:54antes
01:01:54muitas vezes
01:01:55nós somos escravos
01:01:56apenas que nós
01:01:56vemos nas telas
01:01:57e vocês viram
01:01:58ao vivo
01:01:59muito obrigado
01:02:00pela audiência
01:02:01isso foi mais
01:02:02uma opinião
01:02:02internacional
01:02:03e aí
01:02:13o
01:02:15o
01:02:15o
01:02:16e
01:02:18Tchau, tchau.
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