00:00E sabe aquele fenômeno clássico em que poucas semanas após o início das aulas a família toda fica resfriada?
00:08Pois é, o que antes era atribuído apenas ao contato próximo com outras crianças
00:14agora ganha uma explicação científica surpreendente que revela o verdadeiro dom de sobrevivência desse patógeno.
00:25Vamos conferir.
00:30Um estudo realizado por pesquisadores da USP revelou que o rinovírus, o principal vilão dos resfriados no mundo,
00:37possui uma estratégia de persistência muito mais esperta do que se imaginava.
00:42Longe de ser apenas um visitante passageiro, ele tem o talento de se esconder e continuar se multiplicando nas amígdalas
00:49e adenoides,
00:50mesmo quando a pessoa não apresenta um único sintoma.
00:54Tradicionalmente, a ciência classifica o rinovírus como um vírus lítico.
00:58Ele invade as células superficiais da garganta e do nariz, usa o maquinário celular para se reproduzir e depois rompe
01:04a célula para se espalhar,
01:06gerando aquela inflamação que todos conhecemos.
01:09No entanto, os pesquisadores descobriram algo novo.
01:13Segundo eles, o vírus consegue penetrar em camadas mais profundas dos tecidos linfóides e infectar células de defesa específicas,
01:20os linfócitos B e TCD4.
01:24Diferente das células da mucosa, que morrem rapidamente, esses linfócitos têm vida longa.
01:29Em vez de destruí-los, o rinovírus estabelece uma relação de persistência,
01:34agindo de forma semelhante a vírus como o do herpes ou o HPV.
01:38Ele permanece ali, silencioso, mas em plena atividade replicativa.
01:42A investigação analisou amostras de 293 crianças submetidas a cirurgias para retirada de amígdalas ou adenoides.
01:50O dado impressionante é que, embora todas estivessem assintomáticas no momento da operação,
01:56o rinovírus foi detectado em quase metade dos voluntários, 46%.
02:00Essa reserva viral explica por que crianças aparentemente saudáveis
02:04podem semear o vírus em ambientes escolares, iniciando surtos de forma insuspeita.
02:10Por outro lado, o estudo afirma que essa presença constante pode servir como um treinamento contínuo
02:16para o sistema imunológico, reforçando a memória de defesa do corpo.
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