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  • há 2 minutos
Transcrição
00:00Para entendermos melhor o que significa essa decisão do Ministério da Saúde,
00:05vamos conversar agora ao vivo com a doutora Ana Carolina Barreto,
00:11vice-coordenadora do Departamento Científico de Imunização
00:15da Associação Brasileira de Alergia e Imunologia.
00:19Vamos lá? Deixa eu receber a doutora Ana Carolina aqui nos nossos estúdios
00:24para falar a respeito dessa decisão do Ministério da Saúde.
00:30Olá, boa noite doutora Ana Carolina, seja muito bem-vinda ao Olhar Digital News.
00:35Obrigada pela disponibilidade.
00:37Olá Marisa, muito obrigada. Obrigada a todos que estão assistindo, ouvindo nesse momento.
00:43Estou à disposição aqui de vocês.
00:45Doutora Ana, muita gente deve ter ficado com um alerta ali ligado
00:50diante dessa ação do Ministério da Saúde.
00:53A primeira pergunta é, é comum que medidas desse tipo sejam adotadas com vacinas
01:00que passaram por todos os testes clínicos antes de serem utilizadas,
01:04como é o caso do imunizante do Butantan?
01:09Então, não é uma ação comum, mas é uma ação.
01:12O que é comum é essa vigilância após a comercialização de algum produto,
01:18incluindo medicamentos e vacinas.
01:20É porque a gente, a população de modo geral, não fica sabendo dessa vigilância
01:24que ocorre após monitoramento.
01:28Então, essa vigilância é comum, mas o que aconteceu?
01:31O que nós vimos, esses eventos raros que nós vimos com a vacina contra a dengue do Butantan,
01:37não é uma medida comum, mas é uma medida necessária em alguns momentos
01:42quando observa-se algum sinal de segurança ou alguma coisa que fugiu ali do esperado
01:48e isso precisa ser investigado.
01:51Agora, doutora, quais condições precisam ser atendidas
01:55para que a vacinação seja retomada com segurança?
01:59Porque ainda existem dúvidas, muitas perguntas ainda precisam ser respondidas.
02:02Qual é a situação necessária para que volte a ser utilizada essa vacinação?
02:08Então, a primeira medida mais importante, isso já tem sido feito e deve ser intensificado,
02:15é a investigação com mais detalhes de todos os casos, de todos os 42 casos de pessoas
02:22que tiveram reações mais sérias com a vacina.
02:25Esses casos precisam ser detalhadamente mais investigados,
02:30porque existe o que a gente chama de temporalidade e o que a gente chama de causalidade.
02:36Temporalidade é tudo o que aconteceu ali logo depois ou próximo à vacinação,
02:41mas não necessariamente a gente está falando de causalidade,
02:46que a vacina causou todos esses eventos.
02:49Então, vai ser necessária uma investigação por parte do Instituto Butantan,
02:54da Anvisa, do Programa Nacional de Imunizações,
02:58de uma maneira mais detalhada para chegar a alguma conclusão mais definitiva
03:04se a vacina tem essa causalidade, tem alguma causa ou não com esses eventos,
03:10com essas reações mais graves que foram observadas.
03:13Então, a gente vai aguardar aí um cenário próximo de desfecho,
03:19desses resultados, para entender se a vacinação pode ser retornada ou não
03:25diante de todo um cenário de necessidade de vacina para a Contra-Dem
03:29que a gente tem no país.
03:30Logo, logo a gente tem fenômenos climáticos.
03:33Eu estava olhando aqui a reportagem, foi falado do Eonim,
03:36e depois, infelizmente, essas mudanças climáticas podem levar
03:40o maior número de casos para um próximo momento.
03:44Agora, doutora Ana, tem alguma lição que esse episódio pode trazer
03:50para o futuro, por exemplo, da pesquisa e desenvolvimento de vacinas no país?
03:57Todas as etapas cumpridas, os aspectos regulatórios para a pesquisa e desenvolvimento do país,
04:05eles seguem todos os ritos, não só do país, mas os ritos do mundo inteiro,
04:10baseado nas recomendações da OMS.
04:12Eu acho que o que fica de lição para a gente, de mensagem importante,
04:17é quão robusta e quão forte é a nossa farmacovigilância,
04:22que foi capaz de detectar em curto tempo, em um período curto de início de vacinação,
04:29conseguiu identificar que alguma coisa tinha fugido ali do percurso normal
04:34de aplicação de vacinas para a população.
04:38E aí medidas rapidamente foram tomadas.
04:40Então, essa transparência, a clareza nas informações,
04:45eu acho que isso é uma lição, colocar essas informações,
04:48mesmo que não desejadas, a gente não gostaria que isso tivesse acontecido,
04:53mas colocar essas informações de uma maneira clara para a população,
04:57eu acho que isso é uma lição importante que nós devemos tomar sempre,
05:01e aí tanto para as vacinas, mas também em relação aos medicamentos.
05:06Agora, doutora Ana Carolina, para tranquilizar até as pessoas
05:10que estão acompanhando o nosso programa,
05:14foi lá, tomou a vacina há alguns dias, ela precisa fazer algo?
05:19O que você poderia dizer para as pessoas que, um, já tomaram sim a vacina,
05:24dois, as pessoas que pensaram em tomar essa vacina,
05:27que elas devem aguardar, enfim, que mensagem podemos fazer
05:30para tranquilizar a população a respeito?
05:34Acho que uma das coisas mais importantes que a gente tem duas vacinas
05:38contra a dengue no Brasil, que estão em uso, né?
05:41Então, uma é a vacina Butantan DV, que é o motivo da nossa conversa aqui hoje.
05:46Então, primeiro ponto, quem recebeu ou irá receber a outra vacina
05:52do outro fabricante, que também é contra a dengue, em duas doses,
05:56isso não se aplica a essa outra vacina, ela continua sendo liberada,
05:59tem dados de segurança e nenhum impacto.
06:02Agora, para a população, e aí principalmente os profissionais de saúde
06:06que receberam a vacina Butantan contra a dengue,
06:11dizer que quem recebeu a vacina continuou protegida,
06:14não houve nenhum impacto ou sinal de que mostrasse
06:17uma falta de proteção em relação à vacina.
06:21E quem já tomou essa vacina recentemente,
06:23então, no período de 21 dias após a vacinação,
06:27observar principalmente sinais de febre persistente,
06:32dor abdominal intensa e contínua, vômitos persistentes,
06:36algum sinal de sangramento, sinais de desidratação,
06:40e aí caso a pessoa tenha algum desses sintomas,
06:43ou um quadro mais intenso nesse período de 21 dias após a vacinação,
06:49aí precisa, na verdade, procurar uma unidade de saúde
06:52para avaliar se esses sintomas têm ou não a ver com a vacina
06:57para que seja investigado e notificado.
07:01Então, eventualmente, pessoas que não,
07:03até os profissionais de saúde que não tenham sintoma algum,
07:06tomou a vacina, mas não tem sintoma algum,
07:08não precisam se preocupar nem procurar uma instituição de saúde no momento.
07:14Absolutamente.
07:15Quem tomou vacina e não tem sintoma,
07:19continua aí, está protegido e não tem nenhuma preocupação adicional.
07:24Tá certo.
07:25Está aí uma grande participação da doutora Ana Carolina Barreto,
07:29que é vice-coordenadora do Departamento Científico de Imunização
07:33da Associação Brasileira de Alergia e Imunologia,
07:37trazendo informações e tranquilizando a população a respeito
07:40e trazendo, claro, informações a respeito dessa situação.
07:43Doutora Ana, muitíssimo obrigada pela participação,
07:46pelo seu tempo aqui conosco,
07:48espero encontrá-la em outros momentos.
07:51Ah, eu que agradeço a oportunidade de esclarecer,
07:54população, parabéns pela matéria,
07:57podem contar conosco.
07:58Boa noite a todos.
08:00Muito obrigada.
08:01Está aí a doutora Ana Carolina,
08:02trazendo informações importantes dessa situação,
08:06desse momento que tivemos com a vacinação da dengue.
08:11Bom, nosso muito obrigado à doutora Ana,
08:13Carolina.
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