00:00Deve ser sepultado ainda hoje o dono de um bar que foi assassinado a facadas no bairro Itapuã, lá em
00:08Vila Velha.
00:09Um crime brutal que chocou os amigos desse comerciante.
00:13Veja a reportagem, sacode.
00:16Imagens de câmeras de segurança registraram o assassinato brutal dentro desse bar, numa rua movimentada de Itapuã, em Vila Velha.
00:24O crime aconteceu na frente de clientes e funcionários.
00:27Seu José é freguês antigo e conta que a comunidade ainda tenta entender o que aconteceu.
00:33Me ligaram várias pessoas, me ligaram, nós estamos sabendo o que aconteceu com o João, estava em casa, peguei o
00:41carro e falei, não, eu vou lá.
00:42José Carlos Espido, de 61 anos, era dono de bar que funcionava nesse ponto há pelo menos 8 anos.
00:49Comerciante experiente, trabalhou por mais de uma década no ramo e construiu no local uma clientela fiel, muitos amigos de
00:56rotina.
00:56Se alguém falasse mal dele, nossa, eu estou pecando a Deus.
01:01De acordo com testemunhas, o suspeito e a vítima tiveram uma discussão no dia anterior.
01:06Já na noite do crime, o assassino retorna ao bar, não consome nada, não conversa com ninguém.
01:11Ele se aproxima rapidamente do balcão onde o proprietário estava atendendo e o ataca com diversos golpes, no peito e
01:18nas costas.
01:19Depois do ataque, o suspeito seguiu para esse outro bar na orla de Itapuã.
01:23Testemunhas dizem que ele bebeu, chorou e chegou a confessar o crime às pessoas que estavam no local.
01:29Ele mandou uns áudios no celular, puto, falando que não sei o que, o problema é meu, cala a boca.
01:34A gente já viu que o cara estava nervoso.
01:35Depois disso, ele começou a falar que matou alguém, que deu várias facadas, que o cara tinha meio que provocado,
01:40vendeu uma dívida, um negócio assim.
01:42Eu não entendi muito direito, começou a chorar, falou que estava arrependido, pensando nas filhas dele.
01:47Ele pediu para fechar a conta, falou que talvez ele podia ir embora a qualquer momento e não queria deixar
01:52de pagar.
01:53Eu falei, tá bom. Eu não esperava que depois apareça o camburão, né?
01:56Uma dessas testemunhas afirma que tentou manter o homem calmo e ganhar tempo até a chegada da polícia.
02:02Segundo o relato, o suspeito chegou a mostrar a faca usada no crime antes de tentar se livrar dela.
02:07Nesse momento, a gente tem que fazer alguma coisa, né? Para a gente não ficar vítima.
02:11Então, eu sentei ali do lado dele, comecei a puxar papo e ele me mostrou a faca.
02:17Diz que ele me mostrou a faca, ele não sacou ela para mim, ele não me ameaçou.
02:20Ele estava arrependido, me mostrou no instrumento.
02:22A partir disso, eu pensei, ok. Para esse cara ativar o gatilho e virar a chavinha da cabeça dele é
02:27dois segundos.
02:28Comecei a falar, olha, essa faca é uma lembrança ruim para você, cara.
02:31Ela está te machucando, você está sofrendo, está na sua cara.
02:34Por que você não se livra dela agora?
02:36E foi o que ele fez. Ele foi lá na praia, jogou ela no mar, voltou aqui e continuou a
02:42beber.
02:42Para quem frequentava o bar, a sensação é de vazio.
02:46Um lugar conhecido pelas conversas e pela música agora virou cenário de violência.
02:51Amigos e clientes ainda tentam entender como uma discussão terminou em morte.
02:56Ele era uma pessoa muito brincalhona, ele brincava muito com as pessoas, ele, assim, era muito animado, muito participativo, entendeu?
03:03A gente entrava num bar aqui, era como se fosse a nossa casa.
03:06A gente mesmo entrava, se servia, ia lá dentro, pegava uma cerveja, um refrigerante e servia no final que ia
03:12apagar a conta.
03:12Quanto que deu aí? Ele que perguntava para a gente.
03:15Ele sentava aqui do lado de fora com a gente, brincava, participava.
03:17Vai ser até difícil de dormir hoje, porque é um grande amigo que nós perdemos aqui.
03:24É, pessoal, e a motivação desse crime pode ter sido uma dívida de 5 mil reais que o suspeito tinha
03:32com a vítima.
03:33Acompanhe os detalhes e entenda melhor. Sacode.
03:36No rosto de quem chegava ao bar, a tristeza ao lembrar que o amigo João não estaria ali mais para
03:43receber os frequentadores, beber junto ou bater um bom papo.
03:48A morte violenta e prematura chocou quem o conhecia.
03:52O João era uma pessoa maravilhosa, não fazia mal a ninguém, só ajudava.
03:57Não tem uma pessoa aqui na rua que não se comoveu, que não gostava dele.
04:02O bar estava sendo limpo, afinal a vida precisa seguir, mesmo com a falta que João vai fazer por aqui.
04:10Muitos amigos não quiseram gravar entrevista, estavam ainda em choque pelas imagens que viralizaram nas redes sociais sobre a morte
04:18dele.
04:18Uma brutalidade sem tamanho.
04:21Uma dívida seria o motivo da discussão no domingo e da morte na segunda noite.
04:26O autor do homicídio é o corretor de imóveis Carlos Alberto Lameri Cruz, de 59 anos, que foi preso em
04:32flagrante.
04:33A dívida, segundo a polícia, estaria relacionada ao fornecimento de alimentação pelo bar ao pai do suspeito.
04:41A investigação revelou que o valor dessa dívida seria superior a 5 mil reais e era pela prestação de um
04:49serviço, alimentação, para o pai de Carlos Alberto.
04:53Sem conseguir receber esse valor, João teria transferido a dívida para uma terceira pessoa, que passou a fazer a cobrança.
05:00E Carlos Alberto não teria gostado nada, nada. Por isso, os dois discutiram no domingo.
05:05De segunda a domingo, se chegasse aqui já 7 horas, o bar já estava cheio, questão de nada.
05:12Isso é verdade, ele não cobrava. Pelo contrário, ele sentava, ele bebia, ele conversava.
05:16Segundo informações de testemunhas, no mesmo bar que foi preso, Carlos Alberto teria estado antes.
05:22E nele teria saído informando que iria acertar as contas com o comerciante.
05:27Mas ninguém imaginou que fosse nesse nível.
05:30Para o mesmo bar, Carlos Alberto voltou após o crime e aqui foi preso numa ação rápida dos investigadores da
05:37DHPP de Vila Velha e do plantão.
05:39Foi uma barbaridade mesmo, foi um fato, assim, desnecessário, né?
05:44E a gente vê como a vida da gente não vale nada, né?
05:46Porque é uma pessoa maravilhosa, o que o cara fez não tem explicação.
05:51É, um caso que poderia ter terminado de uma outra forma, né?
05:56De uma outra maneira, né?
05:58No diálogo, na conversa.
06:00A gente não sabe o que estava se passando também, né?
06:04Na cabeça desse senhor que fez essa maldade, né?
06:08A gente entende agora o que é que está passando a família do seu João, né?
06:12Nessa tristeza e nessa angústia.
06:15E veja que por pouco esse cara não agride outras pessoas dentro do bar também, né?
06:21Porque veja que o seu João estava atendendo uma pessoa ali no balcão, estava distraído.
06:27O outro senhor percebe o que está acontecendo, vai tentar apartar e proteger o seu João e ele é ameaçado
06:36também.
06:37Olha lá, ó, o de azul chega e ele ameaça o cara de azul.
06:40Sai daqui, senão vai você também.
06:42Enfim, o cara perde a cabeça, né?
06:44O tio de verde se assusta e se afasta ali de perto do balcão.
06:50Eu fico imaginando as pessoas que estavam ali também e presenciaram a cena sem poder fazer absolutamente nada, né?
06:58É uma situação assim totalmente de impotência.
07:03E veja que aparentemente esse cara aí não estava muito bem não, tá?
07:07Porque veja que ele foi lá para o outro boteco, começou a beber, começou a chorar as mágoas lá para
07:13o pessoal do boteco
07:16e até que conseguiram até deixar ele um tempo lá até a chegada da polícia.
07:21Tchau, tchau.
07:23Tchau, tchau.
07:26Tchau, tchau.
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