00:00E um trabalho de perfuração na Antártida revelou 23 milhões de anos de história climática.
00:08Os materiais coletados funcionam como um registro natural que pode ajudar a prever
00:15como o gelo antártico vai reagir ao aquecimento do planeta.
00:20Vamos aos detalhes.
00:25Uma expedição científica internacional realizou a perfuração mais profunda
00:30já feita sob uma camada de gelo na Antártica.
00:34O trabalho recuperou o núcleo de sedimentos com 228 metros de comprimento
00:39que é considerado o mais extenso já obtido nessas condições.
00:43Perfurações anteriores sob o gelo alcançavam menos de 10 metros.
00:48Desta vez, os cientistas superaram a meta inicial de 200 metros em uma região extremamente remota.
00:55A operação ocorreu a cerca de 700 quilômetros da base logística mais próxima
01:00na elevação de gelo de Crary, na borda da camada de gelo da Antártica Ocidental.
01:07O núcleo extraído funciona como um tipo de arquivo do passado.
01:12Cada camada de sedimento registra condições ambientais antigas,
01:16incluindo períodos em que o planeta esteve mais quente do que hoje.
01:20Análises preliminares indicam que o núcleo pode abranger até 23 milhões de anos.
01:27Nesse intervalo, houve fases em que a temperatura global foi significativamente superior à atual.
01:33Estudar esses períodos permite avaliar como o gelo respondeu a condições mais quentes no passado.
01:39Com os estudos em andamento, os cientistas esperam quantificar como fatores,
01:43como temperatura do oceano e concentração de gases de efeito estufa
01:47influenciaram o recuo do gelo no passado.
01:50Essas informações são consideradas essenciais para prever o comportamento futuro da região.
01:56Lembrando que a Antártica Ocidental contém gelo suficiente
02:00para elevar o nível global do mar entre 4 e 5 metros, se derreter totalmente.
02:06Isso deixaria milhões de pessoas desabrigadas, causando uma crise migratória sem precedentes,
02:13além de outros efeitos igualmente dramáticos.
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