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Тормоз для ультраправых, но какой ценой? Португальская выборная битва в The Ring
В этом выпуске программы The Ring, записанном в школе бизнеса и экономики Nova в Лиссабоне, мы анализируем итоги президентских выборов в Португалии и их последствия для страны и Европы.
ЧИТАТЬ ДАЛЕЕ : http://ru.euronews.com/2026/02/19/tormoz-dlya-ultrapravyh-no-kakoj-cenoj-portugalskaya-vybornaya-bitva-v-the-ring
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В этом выпуске программы The Ring, записанном в школе бизнеса и экономики Nova в Лиссабоне, мы анализируем итоги президентских выборов в Португалии и их последствия для страны и Европы.
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00:14Субтитры делал DimaTorzok
00:33DimaTorzok
01:01DimaTorzok
01:07DimaTorzok
01:09A vitória de Seguro resultou de um amplo esforço transversal aos partidos para conter o que muitos consideraram uma deriva
01:16autoritária e anti-emigração na campanha de ventura.
01:19Forças do chamado Arco da Governação, incluindo setores do centro-direita, convergiram no apoio ao candidato socialista para bloquear um
01:26avanço populista.
01:28Estas eleições refletiram um debate mais profundo sobre a identidade nacional, normas democráticas e o tom da vida pública.
01:35Para muitos eleitores, apoiar Seguro foi menos um alinhamento ideológico e mais uma afirmação contra a polarização.
01:41Mas o apoio à ventura revela ansiedades persistentes, em torno da imigração, da pressão económica e da confiança nas instituições.
01:49E embora o Presidente da República tenha funções sobretudo moderadoras, o voto sinaliza um país a redefinir o seu rumo.
01:55A história que Portugal está a contar não se resume, por isso, a quem venceu.
01:59Trata-se de saber quem molda o debate e como uma democracia europeia gera visões concorrentes sobre o futuro.
02:07O futuro e o papel do Presidente eleito são os temas que estarão em debate com os nossos convidados de
02:12hoje.
02:13Vamos então saber quem é quem.
02:17Carlos Coelho, político português e antigo membro do Parlamento Europeu pelo Partido Popular Europeu por mais de duas décadas.
02:23Ao assinalar os 40 anos da adesão de Portugal às comunidades europeias, Coelho, que ficou conhecido como o Mr. Schengen,
02:29sublingou a importância histórica desse momento para o país e para a União, afirmando que
02:33a adesão à União Europeia valeu a pena, vale a pena e continuará a valer a pena, com o empenho
02:38de todos.
02:39E defendendo que as celebrações devem lançar-se menos para o futuro,
02:43um reflexo da sua visão de um Portugal ativo e comprometido no projeto europeu.
02:48André Franqueira Rodrigues, deputado europeu português do Grupo da Aliança Progressista do Sul
02:53Socialistas e Democratas, representa Portugal no Parlamento Europeu desde 2024
02:57e tem dedicado uma parte significativa do seu trabalho às políticas agrícolas e ao futuro da política agrícola comum,
03:04defendendo que esta não pode perder substância nem financiamento adequado.
03:07Em janeiro de 2026, Rodrigues alertou que
03:10a agricultura não pode ser um detalhe do orçamento europeu, enfatizando a importância de um apoio orçamental robusto
03:16e regras justas para garantir a sustentabilidade do setor e a coesão territorial.
03:22Carlos Coelho, André Franqueira Rodrigues, muito obrigado, seja bem-vindos ao The Ring.
03:28Vamos começar com uma leitura dos resultados das eleições.
03:32Ora, António José Seguro foi o presidente mais votado sempre da história da democracia portuguesa,
03:38numa candidatura unipessoal, no entanto, os partidos estão a fazer, a disputar a leitura dos resultados.
03:44André, vamos começar por si.
03:45Quem é que sai mais forte destas eleições, o PS ou o Governo?
03:50Olá Mariana, agradeço o convite, cumprimentar também o meu Carlos Coelho,
03:54cumprimentar as pessoas lá em casa que acompanham.
03:55Eu julgo que quem sai mais forte em primeiro lugar é mesmo a democracia portuguesa e as instituições democráticas
04:00que, confrontadas com perfis de candidatos muito diferentes, com projetos e visões do país também muito diferentes,
04:07escolheram a união em vez da divisão, escolheram a sobriedade em vez da berraria
04:12e escolheram responsabilidade em vez de aventura.
04:15Naturalmente, também penso que o líder do PSD errou.
04:18Errou quando escolheu um candidato que não federava o seu próprio campo político
04:21e errou mais uma vez quando equiparou António José Seguro e André Ventura como dois extremos
04:27e errou uma última vez ao dizer que nada muda com os resultados eleitorais destas eleições.
04:33Carlos, concorda?
04:34Luís Montenegro errou.
04:36Não, eu acho que antes de mais muito boa tarde, muito obrigado pelo convite,
04:40e é um prazer estar aqui com o André.
04:44O PSD tinha um candidato próprio e na primeira volta apoiou esse candidato.
04:49Acho que isso é perfeitamente normal.
04:50Como é perfeitamente normal que na segunda volta, face às oportunidades que se apresentavam,
04:57a grande maioria dos dirigentes do PSD tivessem apoiado António José Seguro.
05:01Acho isso completamente normal.
05:03Acho, aliás, que a expressão da vitória quantitativa de António José Seguro,
05:08como disse bem o mais votado de sempre, dois terços dos portugueses,
05:14dão uma expressão de consenso nacional a esta vitória eleitoral.
05:20E também a circunstância de nós, quando temos um Parlamento,
05:23vamos ser completamente sinceros, com uma maioria sociológica à direita,
05:29termos eleito um presidente de esquerda, eu acho que faz algum sentido à tese dos ovos.
05:35Houve uma noção de equilíbrio que os portugueses quiseram escolher,
05:39e não foram os portugueses por uma escassa maioria,
05:42foram mais de dois terços dos portugueses que encontraram essa solução.
05:45Eu acho que isso é positivo para o país.
05:47Mas, de qualquer forma, o Governo sai enfraquecido destas eleições,
05:51é que Luís Montenegro apelou ao voto em Luís Marco Pernantes na primeira volta
05:56e não apoiou António José Seguro.
05:59Não, o que apoiasse Luís Marco Pernantes era o normal,
06:02era o candidato que saía do PSD, assim como teria sido normal que mais cedo
06:06o Partido Socialista tivesse apoiado António José Seguro e não o tivesse feito tão tarde.
06:10Agora, o que eu acho sinceramente é que aquilo que distingue António José Seguro
06:16do seu adversário na segunda volta é o apreço pelas instituições
06:19e o valor da estabilidade política.
06:22E, sob esse ponto de vista, o Governo não tem nada a que recear,
06:25porque António José Seguro, se estou certo, vai ser o campeão
06:29da estabilidade e de respeito pelas instituições.
06:31No entanto, é inegável do crescimento, a democracia ficou a ganhar,
06:37mas no entanto é inegável do crescimento da extrema-direita em Portugal.
06:41Qual dos dois partidos, o PS ou o PSD, tem mais responsabilidade neste cenário?
06:47A esquerda, que não respondeu ao descontentamento social,
06:50ou a direita, que não ofereceu uma alternativa convincente?
06:53Carlos.
06:54Não sei agora, é muito fácil fazer o passa-culpas.
06:58Mas, no Governo do Partido Socialista, que antecedeu estes governos da AD,
07:04houve, algumas vezes, uma atitude, eu digo, de comprometimento com o Chega,
07:09na medida em que, ao escolherem o Chega como principal adversário,
07:13deram-lhe um destaque mediático, viu-se isso na Assembleia da República,
07:16viu-se no debate político, que eu acho que não foi muito inteligente.
07:20Agora, concordo, no fundo, com a razão que estava subjacente à sua pergunta.
07:24Eu acho que aquilo que permite o espaço do crescimento da revolta nos descontentes
07:30à volta de projetos como a extrema-direita ou a extrema-esquerda,
07:33é a circunstância dos partidos do regime não terem respostas para os cidadãos.
07:37Se resolvemos os problemas das pessoas, há menos espaço de crescimento para os extremos.
07:41Concordo, André.
07:42Eu concordo que se resolvermos e tivermos soluções para o problema da maioria das pessoas,
07:46há menos espaço para ressentimento e para descontentamento eleitoral.
07:50Agora, eu julgo também importante que não haja qualquer equívoco relativamente
07:54à posição das diferentes forças políticas.
07:56O Partido Socialista, no Governo e fora dele, está nos antípodas dos valores que defende o Chega.
08:02E julgo que o próprio PSD, na componente social-democrata que ainda tem no Partido,
08:06também se encontra nos antípodas.
08:08O que é um bocadinho um infortunio é nós verificarmos que atualmente nós temos
08:13um chefe do Governo e um líder do PSD que não é, nesse sentido, muito fiel à história
08:18e à matriz social-democrata que nós estávamos habituados a ver neste Partido Fundacional da Democracia.
08:23E é por isso que nós temos também de atender aquilo que foi a resposta das pessoas.
08:27E as pessoas têm alguma razão em estar descontentes porque não encontram um conjunto de respostas
08:33para problemas como a habitação, para problemas que se sentem na área da saúde,
08:37mas é preciso também não deixar passar a mensagem de que os 50 anos,
08:40a narrativa de que os últimos 50 anos foram negativos e representam um retrocesso no nosso país,
08:45tem que ser combatida porque não representa minimamente a verdade histórica.
08:49Montenegro devia ter apoiado António Jair Segura nesta segunda volta.
08:54O líder do PSD achou que, não estando o PSD ou um candidato seu presente na segunda volta,
09:02devia ter uma atitude de neutralidade.
09:04Eu respeito essa posição.
09:06Mas também não o impediu que vários dirigentes, eu próprio, a doutora Leona Beleza e outros,
09:13tivessem manifestado o seu apoio a António Jair Segura.
09:16E é compreensível que José Luís Carneiro tente capitalizar esta vitória para o PS?
09:21Eu julgo que é perfeitamente compreensível que o secretário-geral do Partido Socialista,
09:26aliás, como todos os socialistas, estejam satisfeitos com esta vitória,
09:29que, repito, há uma vitória, em primeiro lugar, de António Jair Segura,
09:33e é uma vitória das Forças Democráticas.
09:35Aliás, eu quero saudar todos aqueles que, à direita do PS, na segunda volta,
09:39não tiveram qualquer tipo de equívoco, nem tiveram nenhuma insegurança em manifestar,
09:43como é o caso do Carlos Coelho, em manifestar o apoio ao António Jair Segura.
09:46Eu julgo que isto é positivo, porque quando está em causa um discurso que é disruptivo
09:50relativamente às instituições democráticas, nós não podemos ter qualquer tipo de hesitação,
09:55e lamento que o líder do PSD tem equivalido, quer o António Jair Segura, quer ainda o André Ventura.
10:02Acho que isto não foi um bom serviço que o Luís Rodrigo prestou à democracia e ao PS.
10:05Houve vários outros.
10:07Recordo o Luís Marques Mendes, que apoiou claramente o António Jair Segura na segunda volta.
10:13Recordo o pessoal que estava a receber, o doutor Paulo Portas.
10:15Por isso, não sei exatamente por saudar as personalidades de direita que o fizeram.
10:19Várias pessoas de áreas diferentes, mas que estiveram nessa linha, e a expressão dos dois terços
10:25é o resultado disso, a expressão dos dois terços é o resultado disso.
10:27Senhores, vamos seguir em frente.
10:29António Jair Segura herda um país politicamente diferente dos seus antecessores, portanto,
10:34uma Assembleia tripartida.
10:36Nós vamos ter que nos habituar a governos minoritários nos próximos tempos.
10:40Essa é uma realidade que nós estamos a ver ainda na Europa toda.
10:43Portanto, a polarização e a fratura nos Parlamentos, a criação de mais soluções
10:48que passam por coligações e menos por partidos sozinhos nos governos, já se tem notado
10:54nos últimos anos na Europa, não é de agora.
10:57Em Portugal chegou um bocadinho mais tarde, se calhar temos que viver com isso.
11:00Mas que são, por norma, governos mais fracos.
11:04Não digo que são governos mais fracos, são governos que têm mais problemas de coesão,
11:09alguns têm mais problemas porque há tensões internas quando há vários partidos no governo,
11:15isso é relativamente normal, outros têm maior estabilidade.
11:19Agora, isso não me preocupa muito.
11:22O que me preocupa é que, face a essa realidade, precisamos de mais soluções nas políticas,
11:28e na política portuguesa também, que levem a consensos, levem a compromissos,
11:33levem à capacidade das pessoas de trabalharem umas com as outras e não uns contra os outros.
11:37Isso supõe que os governos sejam capazes de dialogar, mas que o Presidente da República
11:41também ajuda isso.
11:42Muito bem, nós terminamos aqui o primeiro round.
11:45Vamos agora dar início ao segundo.
11:49Agora é hora dos nossos telespectadores terem uma ideia de como é que são feitos
11:53os debates no Parlamento Europeu, onde os deputados se desafiam diretamente um ao outro
11:59e, como tal, os senhores vão poder fazer perguntas difíceis neste momento.
12:04Vamos começar pelo André.
12:05Qual que é seu?
12:06Eu gostaria de perguntar ao Carlos Coelho, que é uma pessoa consensual, moderada,
12:11se não ficou impressionado com a lógica apaziguadora de Luís Montenegro face ao líder do Chega
12:17nestas últimas eleições.
12:18Relembrando, aliás, a frase do Winston Churchill, que dizia que apaziguar alguém radical
12:23era como alimentar um crocodilo na esperança de ser o último a ser devorado.
12:27Não acha que Luís Montenegro corre o risco de ser devorado pelo Chega
12:31com tanto apaziguamento como foi o caso destas últimas eleições?
12:34Eu não vejo a portuguesa um pouco como o fosso dos leões no colisão na Roma Antiga.
12:39Agora, o que eu acho, em abono da coerência com aquilo que estava a dizer há pouco,
12:45eu acho que é necessário haver respeito institucional.
12:48E André Ventura é dirigente de um partido com uma expressão muito grande na Assembleia da República
12:53e, neste momento, o segundo maior partido na Assembleia.
12:56Portanto, eu creio que o Primeiro-Ministro, ao falar com o Presidente desse partido,
13:01deve ter respeito por aquilo que ele representa.
13:02Como fez António José Seguro no debate da segunda volta?
13:06Quando o debate arriscava-se a resvalar, ele disse vamos respeitar,
13:11porque eu amanhã, como Presidente da República, vou ter de respeitar como Presidente o Chega.
13:15Eu acho que essa atitude faz a diferença.
13:16Carlos, agora a pergunta é sua.
13:19Eu queria perguntar ao André, ao Sr. Deputado,
13:23como é que ele vê a realidade das eleições?
13:26Mas isto é, em Portugal nós elegemos um europeista, António José Seguro,
13:29que sempre foi um europeista à sua vida e ainda é membro da direcção da nossa Europa.
13:35Vai deixar de ser quando assumiu funções como Presidente da República.
13:38Agora, noutros países não é assim.
13:40Eu pergunto como é que vê a evolução das políticas nacionais,
13:45por exemplo, na Hungria e na França.
13:47Vejo com muita preocupação para responder diretamente, aliás,
13:51num fenómeno que tem sido cada vez mais agravado de recuo das democracias liberais
13:55e de um aumento das figuras autocráticas.
13:58Nós estamos vindo a assistir, nos últimos 15 anos,
14:01a este movimento de aumento de autocracias, diminuição das democracias liberais.
14:05E é por isso que é importante, julgo eu também, no nosso país,
14:08termos uma pedagogia que contraria aquela que é a narrativa que se procura espalhar,
14:12de que com a democracia o Estado sai mais fragilizado
14:15e as pessoas têm menores soluções do que aquelas que tinham.
14:19E é por isso que penso que, um pouco por toda a União Europeia,
14:22nós temos que fazer um caminho no sentido de privilegiar o fortalecimento das instituições democráticas
14:28e sabendo de nós que há eleições em oito países na União Europeia este ano,
14:32o que eu espero é que as forças moderadas,
14:34quer do centro-esquerda, quer do centro-direita,
14:36possam prevalecer nestes combates eleitorais a bem da União Europeia.
14:40André, próxima pergunta também só.
14:42Eu gostaria de saber, na opinião do Carlos Coelho,
14:45que é uma figura incontornável da história do parlamentarismo português no Parlamento Europeu,
14:51se tivesse que escolher dois dossiers relevantes para o Presidente da República
14:57ter em consideração nesta nova configuração e nos novos desafios que a União Europeia tem pela frente,
15:02que dossiers escolheria nos quais Portugal não pode efetivamente falhar?
15:07Carlos.
15:07O André tem mais conhecimento da matéria agora porque está no centro do jogo político no Parlamento Europeu,
15:13mas se eu tivesse que escolher dois dossiers, escolhia em primeiro os recursos próprios da União.
15:20A União tem um problema de subfinanciamento,
15:22não é possível fazermos mais omeletos com menos ovos,
15:25e, portanto, encontrar novas fontes de rendimento, novas fontes de financiamento é essencial.
15:33O discurso e a narrativa dos recursos próprios têm que estar na primeira linha.
15:37E eu sou suspeito, porque durante muitos anos acompanhei essas áreas no Parlamento Europeu,
15:42mas acho que o cerne da alma do projeto europeu está na liberdade de circulação,
15:47está na capacidade de nós sermos cidadãos em qualquer espaço da União.
15:52Podemos viajar, podemos estabelecer, podemos estudar, podemos fazer aquilo que quisermos
15:58e sermos tratados como cidadãos e não como imigrantes.
16:01Olha, a análise...
16:02O Carlos teve um papel relevante.
16:05Fui o Sr. Schengen durante alguns anos.
16:07A análise dos desafios do espaço Schengen hoje, salvar o espaço Schengen que está ameaçado,
16:14creio que é outra prioridade que deveríamos eleger na Europa.
16:17Muito bem, Carlos, a próxima pergunta é sua.
16:21O André é membro de duas comissões muito importantes na agricultura e nas pescas
16:26e acompanhou aquilo que aconteceu com o Mercosul.
16:29O Parlamento Europeu adiou, na prática, a ratificação do Mercosul.
16:33E a pergunta que lhe faço é como é que vê isso?
16:35Qual é a razão que leva uma maioria parlamentar a firmar-se
16:39quando aquilo que seria lógico seria a Europa diversificar as suas pontos comerciais
16:45face à situação geoestratégica que vivemos até com aliados,
16:48nossos aliados há muitos anos,
16:50não faz nenhum sentido, em meu ver, estarmos a prejudicar o acordo com o Mercosul.
16:55Como é que vê esta equação e como é que justifica a decisão do Parlamento?
16:58Vejo com muita preocupação, como o Carlos certamente saberá,
17:01sou um defensor da necessidade da União Europeia
17:05redesenhar as suas políticas de aliança,
17:07de reforçar a sua presença noutras geografias
17:09e um acordo que está há 25 anos a ser negociado.
17:12A União Europeia, sobretudo numa fase em que temos uma tensão
17:16cada vez mais latente nas relações transatlânticas,
17:19só tem a ganhar e assinar acordos como o Mercosul
17:21e como aquele que assinou quer com a Índia
17:23e aqueles que estão em preparação agora no futuro com a Tailândia e com a Austrália.
17:26Julgo por isso que a União Europeia está numa situação difícil, por um lado,
17:31com esta pressão geopolítica, mas por outro lado,
17:33isto significa que temos aqui uma oportunidade
17:35e uma oportunidade que o Parlamento, no meu entendimento,
17:39não aproveitou ao adiar a decisão relativamente ao Mercosul.
17:43Parece-me que não faz justiça ao trabalho que tinha sido realizado ao longo do tempo.
17:48É negativo para a União Europeia e também é fruto de muita desinformação.
17:54Aqui também se nota a importância da desinformação
17:57na influência que tem nas decisões políticas.
17:59Mas eu gostava agora de introduzir uma nova voz a este debate,
18:02até porque estas eleições não acontecem num vazio
18:05e o que se passa em Portugal é importante para a Europa
18:08e, como tal, os sinais internos são seguidos com atenção em Bruxelas.
18:17Foram vários os líderes europeus que enviaram os parabéns
18:20a António José Seguro pela vitória.
18:22Um deles foi António Costa, presidente do Conselho Europeu,
18:26e passo a ler
18:26Felicito António José Seguro pela sua eleição
18:29como presidente da República Portuguesa
18:31e desejo-lhe os maiores sucessos no exercício do seu mandato.
18:34Os portugueses demonstraram hoje o seu apreço pela democracia,
18:38reafirmando Portugal como um pilar do humanismo europeu.
18:42Carlos, António Costa fala do apreço dos portugueses pela democracia.
18:46A democracia esteve, de facto, em causa nestas eleições?
18:49Olhando para aquilo que estava em causa,
18:52parece-me evidente que o candidato que ganhou
18:54é mais portador dos valores democráticos,
18:58do pluralismo, do consenso, do respeito, do que o outro.
19:03E, portanto, só esse ponto de vista pode-se dizer que ganhou a democracia.
19:06André, durante anos Portugal foi citado como uma exceção
19:09à vaga populista na Europa, ainda continuamos a ser essa exceção?
19:14Eu julgo que os números desmentem o carácter de excecionalidade
19:17que Portugal teve nos últimos anos, infelizmente.
19:19Agora, o que me parece importante é que nós consigamos encontrar soluções
19:23dentro das instituições democráticas,
19:25dentro do espaço político da moderação,
19:28para responder às inquietudes e às preocupações dos portugueses.
19:31E também julgo que o Estado tem aqui um papel importante,
19:34que é um papel de combater a desinformação
19:36e impedir que ela mine por completo o debate público.
19:39E julgo que esta é uma das causas e feito relativamente
19:43ao declínio que nós temos assistido na democracia
19:45um pouco por toda a União Europeia.
19:47Muito bem, muito obrigada, meus senhores.
19:48Nós vamos ter que fazer um pequeno intervalo,
19:50mas voltamos já a seguir com mais um duelo político.
20:02Olá e sejam bem-vindos ao The Ring,
20:05o programa de Euronews,
20:06onde os vozes mais influentes da política europeia
20:08debatem as grandes questões da atualidade.
20:11Desta vez, numa edição especial,
20:13gravada a partir da nova School of Business and Economics em Lisboa.
20:17Com a participação de Carlos Coelho e André Franqueiro Rodrigues,
20:20a quem eu agradeço já a participação,
20:23Ora, meus senhores, António José Seguro herda um país
20:26que, apesar de um desempenho macroeconómico,
20:29vive a braços com uma grave crise da habitação.
20:32Por isso, pedi agora a vossa ajuda
20:34na leitura deste próximo gráfico que vamos passar.
20:37Segundo o Eurostat, os preços da habitação em Portugal
20:40registaram uma das subidas mais acentuadas da última década.
20:44Entre 2015 e 2024, o preço das casas aumentou 143%,
20:50enquanto o salário médio bruto cresceu apenas em 36%.
20:54Ora, o tempo não atenuou esta tendência,
20:56os preços voltaram a subir em 17,2% no segundo trimestre de 2025.
21:02Por isso, resumindo, Portugal foi o país que liderou
21:05a subida dos preços da habitação na União Europeia,
21:08seguido da Bulgária e da Hungria.
21:10Ora, Carlos, que leitura é que faz destes números?
21:13Bem, faço duas leituras.
21:14Primeiro, uma leitura de urgência.
21:17Nós temos realmente um problema de habitação em Portugal,
21:19isso é sabido, não tem novidade nenhuma,
21:22o que obriga os poderes públicos a ter respostas.
21:24É necessário aumentar a resposta pública da habitação,
21:27é necessário facilitar a aquisição,
21:29é necessário facilitar o mercado de arrendimento,
21:31mas temos que ter soluções concretas
21:33que envolvam o Estado central e que envolvam as autarquias locais.
21:37Mas a segunda questão, para mim é clara,
21:40creio que o André concordará,
21:42é que hoje o problema da habitação não é apenas um problema nacional,
21:45isto é, não há só um problema de habitação em Portugal.
21:47Há na França, há na Espanha, há na Estónia, há na Alemanha.
21:51Ele é diferente em função de cada país,
21:55mas pode-se dizer que todos os países da Europa
21:57estão confrontados com o problema de habitação,
21:59ou seja, há espaço para uma resposta ao nível europeu,
22:03à escala europeia, que ajude os governos nacionais
22:06ou às vezes as autarquias locais a dar resposta a este problema.
22:10André, mas eu gostava de ouvir a sua opinião
22:12sobre se o crescimento dos votos em André Ventura nestas eleições
22:15for um reflexo de satisfação da franja mais jovem da população.
22:20Gostaria de acrescentar a este dado que referi um outro dado,
22:23é que os jovens portugueses são também,
22:25no cúmplito da União Europeia,
22:27daqueles que saem mais tarde de casa,
22:29exatamente porque têm essa dificuldade
22:31de encontrar habitação acessível,
22:32o que dificulta em muito a emancipação jovem,
22:35a constituição da família,
22:36enfim, o seu projeto de vida.
22:38E por isso julgo que esta é uma matéria
22:40que é urgente no nosso país,
22:42mas como disse e bem o Carlos,
22:43não se circunscreve ao nosso país.
22:45Razão pela qual no Parlamento Europeu
22:47estamos mesmo a avançar com um programa
22:50para habitação acessível,
22:52apesar da habitação não ser competência exclusiva
22:55da União Europeia,
22:55há uma percepção clara de que a União Europeia
22:58tem que fazer mais,
22:59e tem que fazer mais depressa,
23:01no sentido de ter soluções complementares
23:03para apoiar e resolver uma crise
23:06que se está a espalhar pelo continente
23:07e que depois tem um impacto social
23:09e eleitoral muito profundo,
23:11porque há um descontentamento
23:12cada vez mais generalizado,
23:13e se nós olharmos para aquilo
23:14que tem sido o resultado eleitoral
23:16um pouco de todos os países da União Europeia,
23:18verificamos que os mais jovens
23:19são aqueles que se deixam seduzir
23:20mais facilmente pela crítica
23:22e pelo ressentimento,
23:23porque também se percebe
23:25que não têm visto soluções
23:26para os problemas com os quais estão confrontados.
23:28Mas neste tema,
23:29para a resolução destes problemas,
23:31PSD e PS não estão de acordo, certo?
23:35Em que sentido?
23:35Não estão de acordo nas medidas a serem tomadas,
23:38por exemplo, a liberalização do mercado.
23:39Há um conjunto de medidas que,
23:41é preciso também ter noção,
23:42não há uma varinha mágica,
23:44não há soluções instantâneas
23:46que possam resolver de imediato o problema.
23:49Agora, esta é uma área que tem que ter soluções
23:51que são, em certa medida, mistas,
23:53quer na lógica do mercado de arrendamento,
23:55quer na lógica do incentivo à habitação,
23:58na questão relacionada com a bonificação dos juros,
24:02na melhoria de oferta do parque público habitacional,
24:05no qual o nosso país é dos países
24:07que têm um parque habitacional público
24:09mais reduzido no contexto europeu.
24:11Portanto, nós temos que fazer mais
24:13para responder aos problemas das pessoas,
24:15mas também temos que falar a verdade aos portugueses
24:17e perceber que, por mais que se faça,
24:19não se vai conseguir resolver um problema
24:21que foi-se acumulando ao longo de anos
24:23num curto espaço de tempo.
24:24O que concorda com estas propostas feitas pelo PS?
24:28Não, eu acho que é desejável
24:31que, sobretudo no plano da Assembleia da República,
24:33haja a capacidade de aproximar posições
24:35entre os diversos partidos,
24:37incluindo entre o PS e o PSD,
24:38e o mesmo no Parlamento Europeu.
24:40Ou seja, quer na resposta nacional,
24:42quer na resposta ao nível europeu,
24:44é essencial que haja um consenso alargado.
24:46Porquê?
24:47Porque o ciclo político das legislaturas,
24:49seja a legislatura nacional,
24:51seja a legislatura europeia,
24:52é mais curto do que a eficácia destas medidas.
24:55Ou seja, estamos a falar de medidas
24:57com alcance temporal que ultrapassam a legislatura.
25:00Portanto, tem que haver um compromisso
25:01entre partidos diferentes.
25:02Meus senhores, estamos quase no final do nosso programa,
25:05mas não vamos embora sem passar ao nosso quinto e último round.
25:13Ora, neste round nós vamos introduzir aqui
25:16mais rapidez nas perguntas,
25:18vão ser perguntas de resposta sim ou não,
25:22sem qualquer justificação.
25:24É possível?
25:24Muito bem, vamos a isso.
25:26A mesma pergunta para os dois, vamos a isto.
25:28Começamos com o Carlos.
25:29Carlos, estas eleições são um ponto de viragem para Portugal,
25:32sim ou não?
25:33Todas as eleições são, sim.
25:34André, André Ventura é o líder da direita?
25:39Não, não.
25:41O bipartidarismo acabou?
25:43Não, não.
25:45Os portugueses usaram estas eleições
25:47para castigar os partidos de centro-direita e de centro-esquerda?
25:52Talvez, não.
25:54Há hoje maior distância entre os eleitores
25:56e os partidos tradicionais?
25:59Talvez, sim.
26:02Os partidos têm de repensar a forma como fazem política?
26:05Sim.
26:06Sim.
26:06O primeiro-ministro devia ter apoiado António José Seguro na segunda volta?
26:11Só depende dele.
26:12Sim.
26:14José Luís Carneiro deve apoiar o Governo até o final da legislatura?
26:18Depende das circunstâncias.
26:19Vamos a ver, era desejável que o fizesse.
26:22Com este resultado, o Presidente eleito tem um mandato mais forte do que o próprio Governo?
26:27São legitimidades diferentes.
26:29Sim.
26:31O crescimento das forças populistas em Portugal preocupa Bruxelas?
26:34Muito.
26:35Bastante.
26:36O contexto de guerra na Europa exige um Presidente mais interventivo?
26:41Sim.
26:42Sim.
26:43Portugal deve alinhar-se sem reservas com a estratégia de defesa europeia?
26:48André.
26:49Talvez.
26:50É mais complexo que um senhor ou um não.
26:51Eu subscrevo, talvez.
26:54Última pergunta.
26:56Algum dos senhores mudou de opinião ao ouvir o seu adversário?
27:01André.
27:02Carlos Coelho é uma pessoa do campo moderado, portanto, não me dei de opinião.
27:06Temos pontos de convergência que são bastante maiores do que aquele que muitas vezes acontece
27:10mediaticamente entre as nossas forças políticas.
27:12Eu acho que quem sabe ouvir aprende sempre quando fala com pessoas inteligentes.
27:16É seguramente o caso.
27:17Meus senhores, muito obrigada.
27:19Isto era um round de sim ou não.
27:22Tivemos aqui vários, talvez, mas de qualquer forma não posso deixar de agradecer a vossa
27:28análise.
27:28E obrigada a si por nos que esteve desse lado e nos fez companhia.
27:32Se quiser deixar as suas sugestões ou comentários, inscreva-nos para thering.euronews.com.
27:38Da nossa parte é tudo.
27:39Fique bem.
27:40Tenha uma ótima semana.
27:41Tchau, tchau.
27:44Tchau, tchau.
27:47Tchau, tchau.
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