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  • 23 hours ago
A brake on the far right, but at what cost? Portuguese electoral showdown on The Ring

In this episode of The Ring, recorded at the Nova School of Business and Economics in Lisbon, we examine the outcome of Portugal’s presidential election and its implications for both the country and Europe.

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Transcript
00:08Hello and welcome to The Ring, the program of Euronews where the most influential
00:14political political debate the current issues. This time, in a special edition,
00:19from the new School of Business and Economics, in Lisbon.
00:23This week we will talk about the elections in Portugal, after a second
00:28vote marked by successors, natural extremists, which obligated to the elections in
00:33some of the fregues of the country. Portugal still is to digerir the results
00:37that they made António José Seguro, the 21st President of the Portuguese Republic.
00:44On 8th of February, the socialist of the center of the left, António José Seguro,
00:47derroted the leader of Chega, André Ventura, candidate to the right radical,
00:51with about two-thirds of the votes, reaching one of the biggest results in the history of
00:55the Portuguese democracy. The victory was clear. The implications are more complex.
01:0010 days after the second vote of the presidencials, there was a wrong message.
01:04The extrema-direction was derroted, but the political panorama
01:07political changed in a way.
01:10The victory of Seguro resulted in an ample effort transversal to the parties
01:14to counter what many considered a deriva authoritarian and anti-immigration
01:18in the campaign of Ventura.
01:19Forças do chamado Arco da Governação, incluindo setores do centro-direita, convergiram no apoio
01:24ao candidato socialista para bloquear um avanço populista.
01:28Estas eleições refletiram um debate mais profundo sobre a identidade nacional, normas democráticas
01:33e o tom da vida pública. Para muitos eleitores, apoiar Seguro foi menos um alinhamento ideológico
01:38e mais uma afirmação contra a polarização.
01:41Mas o apoio à Ventura revela ansiedades persistentes em torno da imigração, da pressão económica
01:47e da confiança nas instituições. E embora o Presidente da República tenha funções sobretudo
01:51moderadoras, o voto sinaliza um país a redefinir o seu rumo.
01:55A história que Portugal está a contar não se resume por isso a quem venceu.
01:59Trata-se de saber quem molda o debate e como uma democracia europeia gera visões concorrentes
02:04sobre o futuro.
02:07O futuro e o papel do Presidente eleito são os temas que estarão em debate com os
02:11nossos convidados de hoje. Vamos então saber quem é quem.
02:17Carlos Coelho, político português e antigo membro do Parlamento Europeu pelo Partido Popular
02:21Europeu por mais de duas décadas. Ao assinalar os 40 anos da adesão de Portugal às comunidades
02:26europeias, Coelho, que ficou conhecido como o Mr. Schengen, sublingou a importância histórica
02:31desse momento para o país e para a União, afirmando que a adesão à União Europeia
02:35valeu a pena, vale a pena e continuará a valer a pena, com o empenho de todos. E defendendo
02:40que as celebrações devem lançar-se menos para o futuro, um reflexo da sua visão de
02:44um Portugal ativo e comprometido no projeto europeu.
02:48André Franqueira Rodrigues, deputado europeu português do Grupo da Aliança Progressista
02:53dos Socialistas e Democratas, representa Portugal no Parlamento Europeu desde 2024 e tem dedicado
02:58uma parte significativa do seu trabalho às políticas agrícolas e ao futuro da política
03:03agrícola comum, defendendo que esta não pode perder substância nem financiamento adequado.
03:07Em janeiro de 2026, Rodrigues alertou que a agricultura não pode ser um detalhe do
03:12Orçamento Europeu, enfatizando a importância de um apoio orçamental robusto e regras justas
03:17para garantir a sustentabilidade do setor e a coesão territorial.
03:22Carlos Coelho, André Franqueira Rodrigues, muito obrigado, seja bem-vindos ao The Ring.
03:28Vamos começar com uma leitura dos resultados das eleições.
03:32Ora, António José Seguro foi o presidente mais votado sempre da história da democracia
03:37portuguesa, numa candidatura unipessoal, no entanto, os partidos estão a fazer, a disputar
03:43a leitura dos resultados.
03:44André, vamos começar por si.
03:45Quem é que sai mais forte destas eleições, o PS ou o Governo?
03:50Olá, Mariana, agradeço o convite, cumprimentar também o meu Carlos Coelho, cumprimentar
03:54as pessoas lá em casa que acompanham.
03:55Eu julgo que quem sai mais forte em primeiro lugar é mesmo a democracia portuguesa e as
03:59instituições democráticas que, confrontadas com o perfil de candidatos muito diferentes,
04:04com projetos e visões do país também muito diferentes, escolheram a união em vez
04:09da divisão, escolheram a sobriedade em vez da berraria e escolheram responsabilidade
04:14em vez de aventura.
04:15Naturalmente, também penso que o líder do PSD errou.
04:18Errou quando escolheu um candidato que não federava o seu próprio campo político.
04:21Errou mais uma vez quando equiparou António José Segurco e André Ventura como dois extremos.
04:28E errou uma última vez ao dizer que nada muda com os resultados eleitorais destas eleições.
04:33Carlos, concorda?
04:34Luís Montenegro errou?
04:36Não, eu acho que...
04:37Antes de mais, muito boa tarde, muito obrigado pelo convite e é um prazer estar aqui com
04:41o André.
04:44O PSD tinha um candidato próprio e na primeira volta apoiou esse candidato.
04:49Acho que isso é perfeitamente normal.
04:50Como é perfeitamente normal que na segunda volta, face às oportunidades que se apresentavam,
04:56a grande maioria dos dirigentes do PSD tivessem apoiado António José Segurco.
05:01Acho isso completamente normal.
05:03Acho, aliás, que a expressão da vitória quantitativa de António José Segurco, como
05:08disse bem, o mais votado de sempre, dois terços dos portugueses, dão uma expressão
05:16de consenso nacional a esta vitória eleitoral.
05:20E também a circunstância de nós, quando temos um Parlamento, vamos ser completamente
05:24sinceros, com uma maioria sociológica à direita, termos eleito um presidente de esquerda, eu
05:31acho que faz algum sentido à tese dos ovos.
05:35Houve uma noção de equilíbrio que os portugueses quiseram escolher e não foram os portugueses
05:41por uma escassa maioria, foram mais de dois terços dos portugueses que encontraram essa
05:45solução.
05:45Eu acho que isso é positivo para o país.
05:47Mas, de qualquer forma, o Governo, se há enfraquecido destas eleições, é que Luís
05:51Montenegro apelou ao voto em Luís Marco Fernandes na primeira volta e não apoiou José António
05:58José Segurco.
05:59Não, isso que apoiasse Luís Marco Fernandes era o normal, era o candidato que saía do
06:03PSD, assim como teria sido normal que mais cedo o Partido Socialista tivesse apoiado
06:08António José Segurco e não o tivesse feito tão tarde.
06:10Agora, o que eu acho sinceramente é que aquilo que distingue António José Segurco do
06:16seu adversário na segunda volta é o apreço pelas instituições e o valor da estabilidade
06:21política.
06:22E, sob esse ponto de vista, o Governo não tem nada a que recear, porque António José
06:26Segurco, se estou certo, vai ser o campeão da estabilidade e de respeito pelas instituições.
06:31No entanto, é inegável do crescimento, a democracia ficou a ganhar, mas no entanto
06:37é inegável do crescimento da extrema-direita em Portugal.
06:41Qual dos dois partidos, o PS ou o PSD, tem mais responsabilidade neste cenário?
06:47A esquerda, que não respondeu ao descontentamento social, ou a direita, que não ofereceu uma
06:52alternativa convincente?
06:53Carlos.
06:54Não sei agora, é muito fácil fazer o passa-culpas.
06:58Mas no Governo do Partido Socialista, que antecedeu estes governos da AD, houve algumas
07:04vezes uma atitude, eu digo, de comprometimento com o Chega, na medida em que ao escolherem
07:11o Chega como principal adversário, deram-lhe um destaque mediático, viu-se isso na Assembleia
07:16da República, viu-se no debate político, que eu acho que não foi muito inteligente.
07:20Agora, concordo, no fundo, com a razão que estava subjacente à sua pergunta.
07:24Eu acho que aquilo que permite o espaço do crescimento da revolta nos descontentes à
07:30volta de projetos como a extrema-direita ou a extrema-esquerda, é a circunstância dos
07:34partidos do regime não terem respostas para os cidadãos.
07:37Se resolvemos os problemas das pessoas, há menos espaço de crescimento para os extremos.
07:41Concordo, André.
07:42Eu concordo que se resolvermos e tivermos soluções para o problema da maioria das pessoas, há
07:47menos espaço para ressentimento e para descontentamento eleitoral.
07:50Agora, eu julgo também importante que não haja qualquer equívoco relativamente à posição
07:55das diferentes forças políticas.
07:56O Partido Socialista, no Governo e fora dele, está nos antípodas dos valores que defende o
08:02Chega.
08:02E julgo que o próprio PSD, na componente social-democrata que ainda tem no Partido, também
08:07se encontra nos antípodas, o que é um bocadinho um infortunio é nós verificarmos que atualmente
08:12nós temos um chefe do Governo e um líder do PSD que não é, nesse sentido, muito fiel
08:17à história e à matriz social-democrata que nós estávamos habituados a ver neste Partido
08:22Fundacional da Democracia.
08:23E é por isso que nós temos também de atender àquilo que foi a resposta das pessoas.
08:27E as pessoas têm alguma razão em estar descontentes porque não encontram um conjunto
08:33de respostas para problemas como a habitação, para problemas que se sentem na área da
08:36saúde, mas é preciso também não deixar passar a mensagem de que os 50 anos, a narrativa
08:41de que os últimos 50 anos foram negativos e representam um retrocesso no nosso país,
08:45tem que ser combatida porque não representa minimamente a verdade histórica.
08:49Montenegro devia ter apoiado António Jair Segura nesta segunda volta.
08:54O líder do PSD achou que, não estando o PSD a um candidato seu presente na segunda volta,
09:02devia ter uma atitude de neutralidade.
09:04Eu respeito essa posição.
09:06Mas também não impediu que vários dirigentes, eu próprio, a doutora Leona Beleza e outros,
09:13tivessem manifestado o seu apoio a António Jair Segura.
09:16E é compreensível que José Luís Carneiro tente capitalizar esta vitória para o PS?
09:21Eu julgo que é perfeitamente compreensível que o secretário-geral do Partido Socialista,
09:26aliás, como todos os socialistas, estejam satisfeitos com esta vitória, que repito,
09:30a uma vitória, em primeiro lugar, de António Jair Segura e a uma vitória das Forças Democráticas.
09:35Aliás, eu quero saudar todos aqueles que, à direita do PS, na segunda volta,
09:39não tiveram qualquer tipo de equívoco, nem tiveram nenhuma insegurança em manifestar,
09:43como é o caso do Carlos Coelho, em manifestar o apoio ao António Jair Segura.
09:46Eu julgo que isto é positivo porque, quando está em causa um discurso que é disruptivo
09:50relativamente às instituições democráticas, nós não podemos ter qualquer tipo de hesitação.
09:55E, lamento, que o líder do PSD tem equivalido, quer o António Jair Segura, quer ainda o André Ventura.
10:02Acho que isto não foi um bom serviço que o Luís Rodrigo prestou à democracia e ao PS.
10:05Houve vários outros.
10:07Recordo o Luís Marques Mendes, que apoiou claramente António Jair Segura na segunda volta.
10:13Recordo o pessoal que a vai receber, o doutor Paulo Portas.
10:15Por isso, não sei exatamente por saudar as personalidades de direita que o fizeram.
10:19Várias pessoas de áreas diferentes, mas que estiveram nessa linha.
10:23E a expressão dos dois terços é o resultado disso, a expressão dos dois terços é o resultado disso.
10:27Senhores, vamos seguir em frente.
10:29António Jair Segura herda um país politicamente diferente dos seus antecessores, portanto,
10:34uma Assembleia tripartida.
10:36Nós vamos ter que nos habituar a governos minoritários nos próximos tempos.
10:40Essa é uma realidade que nós estamos a ver ainda na Europa toda.
10:43Portanto, a polarização e a fratura nos Parlamentos, a criação de más soluções
10:48que passam por coligações e menos por partidos sozinhos nos governos, já se tem notado nos
10:55últimos anos na Europa, não é de agora.
10:57Em Portugal chegou um bocadinho mais tarde, se calhar temos que viver com isso.
11:00Mas que são, por norma, governos mais fracos.
11:04Não digo que são governos mais fracos, são governos que têm mais problemas de coesão,
11:09alguns têm mais problemas porque há tensões internas quando há vários partidos no governo,
11:15isso é relativamente normal, outros têm maior estabilidade.
11:19Agora, isso não me preocupa muito.
11:22O que me preocupa é que, face a essa realidade, precisamos de mais soluções nas políticas
11:28e na política portuguesa também, que levem a consensos, levem a compromissos,
11:33levem à capacidade das pessoas de trabalharem umas com as outras e não uns contra os outros.
11:37Isso supõe que os governos sejam capazes de dialogar, mas que o Presidente da República
11:41também ajude a isso.
11:42Muito bem, nós terminamos aqui o primeiro round, vamos agora dar início ao segundo.
11:49Agora é hora dos nossos telespectadores terem uma ideia de como é que são feitos os debates
11:54no Parlamento Europeu, onde os deputados se desafiam diretamente um ao outro
11:59e, como tal, os senhores vão poder fazer perguntas difíceis neste momento.
12:04Vamos começar pelo André.
12:05Qual que é seu?
12:06Eu gostaria de perguntar ao Carlos Coelho, que é uma pessoa consensual, moderada,
12:11se não ficou impressionado com a lógica apaziguadora de Luís Montenegro face ao líder do Chega
12:17nestas últimas eleições.
12:18Relembrando, aliás, a frase do Winston Churchill, que dizia que apaziguar alguém radical
12:23era como alimentar um crocodilo na esperança de ser o último a ser devorado.
12:27Não acha que Luís Montenegro corre o risco de ser devorado pelo Chega
12:31com tanto apaziguamento como foi o caso destas últimas eleições?
12:34Eu não vejo a portuguesa um pouco como o fosso dos leões no colisão na Roma Antiga.
12:39Agora, o que eu acho, em abono da coerência com aquilo que estava a dizer há pouco,
12:44eu acho que é necessário haver respeito institucional.
12:48E André Ventura é dirigente de um partido com uma expressão muito grande na Assembleia
12:52da República e, neste momento, o segundo maior partido na Assembleia.
12:56Portanto, eu creio que o Primeiro-Ministro, ao falar com o Presidente desse partido,
13:01deve ter respeito por aquilo que ele representa.
13:02Como fez António José Seguro no debate da segunda volta,
13:06quando o debate arriscava-se a resvalar, ele disse vamos respeitar,
13:11porque eu amanhã, como Presidente da República, vou ter de respeitar como Presidente o Chega.
13:15Eu acho que essa atitude faz a diferença.
13:16Carlos, agora a pergunta é sua.
13:19Eu queria perguntar ao André, ao Sr. Deputado,
13:23como é que ele vê a realidade das eleições?
13:26Isto é, em Portugal nós elegemos um europeista, António José Seguro,
13:29que sempre foi um europeista à sua vida e ainda é membro da direcção da nossa Europa.
13:35Vai deixar de ser quando assumiu funções como Presidente da República.
13:38Agora, noutros países não é assim.
13:40Eu pergunto como é que vê a evolução das políticas nacionais,
13:45por exemplo, na Hungria e na França.
13:48Vejo com muita preocupação para responder diretamente,
13:50aliás, num fenómeno que tem sido cada vez mais agravado de recuo das democracias liberais
13:55e de um aumento das figuras autocráticas.
13:58Nós estamos vindo a assistir, nos últimos 15 anos,
14:01a este movimento de aumento de autocracias, diminuição das democracias liberais.
14:05E é por isso que é importante, julgo eu também, no nosso país,
14:08termos uma pedagogia que contraria aquela que é a narrativa que se procura espalhar,
14:12de que com a democracia o Estado sai mais fragilizado
14:15e as pessoas têm menores soluções do que aquelas que tinham.
14:19E é por isso que penso que, um pouco por toda a União Europeia,
14:22nós temos que fazer um caminho no sentido de privilegiar o fortalecimento das instituições democráticas
14:28e sabendo de nós que há eleições em oito países na União Europeia este ano,
14:32o que eu espero é que as forças moderadas, quer do centro-esquerda,
14:35quer do centro-direita, possam prevalecer nestes combates eleitorais,
14:38a bem da União Europeia.
14:40André, próxima pergunta também só.
14:42Eu gostaria de saber, na opinião do Carlos Coelho,
14:45que é uma figura incontornável da história do parlamentarismo português no Parlamento Europeu,
14:51se tivesse que escolher dois dossiers relevantes para o Presidente da República
14:57ter em consideração nesta nova configuração e nos novos desafios que a União Europeia tem pela frente,
15:02que dossiers escolheria nos quais Portugal não pode efetivamente falhar?
15:07Carlos.
15:08O André tem mais conhecimento da matéria agora,
15:11porque está no centro do jogo político no Parlamento Europeu.
15:13Mas se eu tivesse que escolher dois dossiers,
15:16escolhia em primeiro os recursos próprios da União.
15:20A União tem um problema de subfinanciamento,
15:22não é possível fazermos mais omeletos com menos ovos,
15:26e portanto encontrar novas fontes de rendimento,
15:30novas fontes de financiamento é essencial.
15:33O discurso e a narrativa dos recursos próprios tem que estar na primeira linha.
15:37E eu sou suspeito, porque durante muitos anos acompanhei essas áreas no Parlamento Europeu,
15:42mas acho que o cerne da alma do projeto europeu está na liberdade de circulação,
15:48está na capacidade de nós sermos cidadãos em qualquer espaço da União.
15:52Podemos viajar, podemos estabelecer, podemos estudar,
15:57podemos fazer aquilo que quisermos e sermos tratados como cidadãos e não como imigrantes.
16:01Olha, a análise...
16:02O Carlos teve um papel revolver.
16:05Fui o Sr. Schengen durante alguns anos.
16:07A análise dos desafios do espaço Schengen hoje,
16:11salvar o espaço Schengen que está ameaçado,
16:14creio que é outra prioridade que deveríamos eleger na Europa.
16:17Muito bem, Carlos.
16:18A próxima pergunta é sua.
16:21O André é membro de duas comissões muito importantes na agricultura e nas pescas,
16:26e acompanhou aquilo que aconteceu com o Mercosul.
16:29O Parlamento Europeu adiou na prática a ratificação do Mercosul.
16:33E a pergunta que lhe faço é como é que vê isso?
16:35Qual é a razão que leva uma maioria parlamentar a afirmar-se
16:39quando aquilo que seria lógico seria a Europa diversificar as suas pontos comerciais?
16:45Face à situação geostratégica que vivemos até com aliados,
16:48nossos aliados há muitos anos,
16:50não faz nenhum sentido, em meu ver,
16:53estarmos a prejudicar o acordo com o Mercosul.
16:55Como é que vê esta equação e como é que justifica a decisão do Parlamento?
16:58Vejo com muita preocupação, como o Carlos certamente saberá,
17:01sou um defensor da necessidade da União Europeia
17:05redesenhar as suas políticas de aliança,
17:07de reforçar a sua presença noutras geografias,
17:09e um acordo que está há 25 anos a ser negociado,
17:13a União Europeia, sobretudo numa fase em que temos uma tensão
17:16cada vez mais latente nas relações transatlânticas,
17:19só tem a ganhar e assinar acordos como o Mercosul
17:21e como aquele que assinou quer com a Índia
17:23e aqueles que estão em preparação agora no futuro com a Tailândia e com a Austrália.
17:26Eu julgo por isso que a União Europeia está numa situação difícil,
17:30por um lado, com esta pressão geopolítica,
17:32mas por outro lado, isto significa que temos aqui uma oportunidade,
17:35e uma oportunidade que o Parlamento, no meu entendimento,
17:39não aproveitou ao adiar a decisão relativamente ao Mercosul.
17:43Parece-me que não faz justiça ao trabalho que tinha sido realizado ao longo do tempo,
17:48é negativo para a União Europeia e também é fruto de muita desinformação.
17:54Aqui também se nota a importância da desinformação
17:57na influência que tem nas decisões políticas.
17:59Mas eu gostava agora de introduzir uma nova voz a este debate,
18:02até porque estas eleições não acontecem num vazio,
18:05e o que se passa em Portugal é importante para a Europa,
18:08e como tal, os sinais internos são seguidos com atenção em Bruxelas.
18:17Foram vários os líderes europeus que enviaram os parabéns a António José Seguro pela vitória.
18:22Um deles foi António Costa, Presidente do Conselho Europeu, e passo a ler.
18:27Felicito António José Seguro pela sua eleição como Presidente da República Portuguesa
18:31e desejo-lhe os maiores sucessos no exercício do seu mandato.
18:34Os portugueses demonstraram hoje o seu apreço pela democracia,
18:38reafirmando Portugal como um pilar do humanismo europeu.
18:42Então, Carlos, António Costa fala do apreço dos portugueses pela democracia.
18:46A democracia esteve, de facto, em causa nestas eleições?
18:49Olhando para aquilo que estava em causa, parece-me evidente que o candidato que ganhou
18:54é mais portador dos valores democráticos, do pluralismo, do consenso, do respeito,
19:02do que o outro, e portanto, só esse ponto de vista, pode-se dizer que ganhou a democracia.
19:06André, durante anos Portugal foi citado como uma exceção à vaga populista na Europa,
19:12ainda continuamos a ser essa exceção?
19:14Eu julgo que os números desmentem o carácter de excecionalidade que Portugal teve nos últimos anos, infelizmente.
19:19Agora, o que me parece importante é que nós consigamos encontrar soluções dentro das instituições democráticas,
19:25dentro do espaço político da moderação, para responder às inquietudes e às preocupações dos portugueses.
19:31E também julgo que o Estado tem aqui um papel importante, que é um papel de combater a desinformação
19:36e impedir que ela mine por completo o debate público.
19:39E julgo que esta é uma das causas e feito relativamente ao declínio que nós temos assistido
19:45na democracia um pouco por toda a União Europeia.
19:47Muito bem, muito obrigada, meus senhores.
19:48Nós vamos ter que fazer um pequeno intervalo, mas voltamos já a seguir com mais um duelo político.
20:02Olá e sejam bem-vindos ao The Ring, o programa de Euronews, onde os vozes mais influentes
20:07da política europeia debatem as grandes questões da atualidade.
20:11Desta vez, numa edição especial, gravada a partir da nova School of Business and Economics
20:16em Lisboa, com a participação de Carlos Coelho e André Franqueira Rodrigues,
20:20a quem eu agradeço já a participação.
20:23Ora, meus senhores, António José Seguro herda um país que, apesar de um desempenho macroeconómico,
20:29vive a braços com uma grave crise da habitação.
20:32Por isso, pedi agora a vossa ajuda na leitura deste próximo gráfico que vamos passar.
20:37Segundo o Eurostat, os preços da habitação em Portugal registraram uma das subidas mais acentuadas
20:42da última década. Entre 2015 e 2024, o preço das casas aumentou 143%, enquanto o salário
20:51médio bruto queixou apenas em 36%.
20:54Ora, o tempo não atenuou esta tendência, os preços voltaram a subir em 17,2% no segundo
21:00trimestre de 2025. Por isso, resumindo, Portugal foi o país que liderou a subida dos preços
21:07da habitação na União Europeia, seguido da Bulgária e da Hungria.
21:10Ora, Carlos, que leitura é que faz destes números?
21:13Bem, faço duas leituras. Primeiro, uma leitura de urgência. Nós temos realmente um problema
21:18de habitação em Portugal, isso é sabido, não tem novidade nenhuma, o que obriga os
21:22poderes públicos a ter respostas. É necessário aumentar a resposta pública da habitação,
21:27é necessário facilitar a aquisição, é necessário facilitar o mercado de arrendimento,
21:31mas temos que ter soluções concretas que envolvam o Estado central e que envolvam as autarquias
21:36locais. Mas a segunda questão, para mim é clara, creio que o André concordará, é
21:42que hoje o problema da habitação não é apenas um problema nacional, isto é, não
21:45há só um problema de habitação em Portugal. Há na França, há na Espanha, há na Estónia,
21:50há na Alemanha. Ele é diferente em função de cada país, mas pode-se dizer que todos
21:56os países da Europa estão confrontados com o problema de habitação, ou seja, há espaço
22:00para uma resposta de, ao nível europeu, à escala europeia, que ajuda os governos nacionais,
22:06ou às vezes as autarquias locais, a dar resposta a este problema.
22:10André, mas eu gostava de ouvir a sua opinião sobre se o crescimento dos votos em André Ventura
22:14nestas eleições for um reflexo de satisfação da franja mais jovem da população.
22:20Eu gostaria de acrescentar a este dado que referi um outro dado, é que os jovens portugueses
22:25são também, no cúmputo da União Europeia, daqueles que saem mais tarde de casa,
22:29exatamente porque têm essa dificuldade de encontrar habitação acessível, o que dificulta
22:33em muito a emancipação jovem, a constituição da família, enfim, o seu projeto de vida.
22:38E por isso julgo que esta é uma matéria que é urgente no nosso país, mas como disse
22:42e bem o Carlos, não se circunscreve ao nosso país. Razão pela qual no Parlamento Europeu
22:47estamos mesmo a avançar com um programa para habitação acessível, apesar da habitação
22:53não ser competência exclusiva da União Europeia, há uma percepção clara de que a União
22:58Europeia tem que fazer mais e tem que fazer mais depressa, no sentido de ter soluções
23:03complementares para apoiar e resolver uma crise que se está a espalhar pelo continente
23:07e que depois tem um impacto social e eleitoral muito profundo, porque há um descontentamento
23:12cada vez mais generalizado e se nós olharmos para aquilo que tem sido o resultado eleitoral
23:16um pouco de todos os países da União Europeia, verificamos que os mais jovens são aqueles
23:19que se deixam seduzir mais facilmente pela crítica e pelo ressentimento, porque também
23:24se percebe que não têm visto soluções para os problemas com os quais estão confrontados.
23:28Mas neste tema, para a resolução destes problemas, PSD e PS não estão de acordo, certo?
23:35Em que sentido?
23:35Não estão de acordo nas medidas a serem tomadas, por exemplo a liberalização do mercado.
23:39Há um conjunto de medidas que é preciso também ter noção, não há uma varinha mágica,
23:44não há soluções instantâneas que possam resolver de imediato o problema.
23:48Agora, esta é uma área que tem que ter soluções que são, em certa medida, mistas,
23:53quer na lógica do mercado de arrendamento, quer na lógica do incentivo à habitação,
23:58na questão relacionada com a bonificação dos juros, na melhoria de oferta do parque público
24:05habitacional, no qual o nosso país é dos países que têm um parque habitacional público
24:09mais reduzido no contexto europeu.
24:11Portanto, nós temos que fazer mais para responder aos problemas das pessoas,
24:14mas também temos que falar a verdade aos portugueses e perceber que, por mais que se faça,
24:19não se vai conseguir resolver um problema que foi-se acumulando ao longo de anos,
24:23num curto espaço de tempo.
24:24Concorda com estas propostas feitas pelo PS?
24:28Não, eu acho que é desejável que, sobretudo no plano de ação da República,
24:33haja a capacidade de aproximar posições entre os diversos partidos,
24:37incluindo entre o PS e o PSD e o mesmo no Parlamento Europeu.
24:39Ou seja, quer na resposta nacional, quer na resposta ao nível europeu,
24:44é essencial que haja um consenso alargado.
24:46Porquê?
24:47Porque o ciclo político das legislaturas, seja a legislatura nacional, seja a legislatura europeia,
24:52é mais curto do que a eficácia destas medidas.
24:55Ou seja, estamos a falar de medidas com alcance temporal que ultrapassam a legislatura.
25:00Portanto, tem que haver um compromisso entre partidos diferentes.
25:02Meus senhores, estamos quase no final do nosso programa,
25:05mas não vamos embora sem passar ao nosso quinto e último round.
25:13Ora, neste round nós vamos introduzir aqui mais rapidez nas perguntas.
25:18Vão ser perguntas de resposta sim ou não, sem qualquer justificação.
25:24É possível?
25:24Muito bem, vamos a isso.
25:26A mesma pergunta para os dois, vamos a isto.
25:28Começamos com o Carlos.
25:29Carlos, estas eleições são um ponto de viragem para Portugal, sim ou não?
25:33Todas as eleições são, sim.
25:34André?
25:35Sim.
25:36André, André Ventura é o líder da direita?
25:39Não.
25:40Não.
25:41O bipartidarismo acabou?
25:43Não.
25:44Não.
25:45Os portugueses usaram estas eleições para castigar os partidos de centro-direita e de centro-esquerda?
25:51Talvez.
25:52Não.
25:54Há hoje maior distância entre os eleitores e os partidos tradicionais?
25:59Talvez.
26:01Sim.
26:02Os partidos têm de repensar a forma como fazem política?
26:05Sim.
26:06Sim.
26:07O primeiro-ministro devia ter apoiado António José Seguro na segunda volta?
26:11Só depende dele.
26:12Sim.
26:14José Luís Carneiro deve apoiar o Governo até o final da legislatura?
26:18Depende das circunstâncias.
26:19Vamos a ver.
26:21Era desejável que o fizesse.
26:22Com este resultado, o Presidente eleito tem um mandato mais forte do que o próprio Governo?
26:27São legitimidades diferentes.
26:29Sim.
26:31O crescimento das forças populistas em Portugal preocupa a Bruxelas?
26:34Muito.
26:35Bastante.
26:36O contexto de guerra na Europa exige um Presidente mais interventivo?
26:41Sim.
26:42Sim.
26:43Portugal deve alinhar-se sem reservas com a estratégia de defesa europeia?
26:48André.
26:49Talvez.
26:50É mais complexo que um senhor ou um não.
26:51Eu subscrevo, talvez.
26:54Última pergunta.
26:56Algum dos senhores mudou de opinião ao ouvir o seu adversário?
27:01André.
27:02Carlos Coelho é uma pessoa do campo moderado, portanto, não mudei de opinião.
27:06Temos pontos de convergência que são bastante maiores do que aquele que muitas vezes acontece
27:10mediaticamente entre as nossas forças políticas.
27:12Eu acho que quem sabe ouvir aprende sempre quando fala com pessoas inteligentes.
27:16É seguramente o caso.
27:17Meus senhores, muito obrigada.
27:19Isto era um round de sim ou não.
27:22Tivemos aqui vários, talvez, mas de qualquer forma não posso deixar de agradecer a vossa
27:28análise.
27:29Obrigada a si por nos que esteve desse lado e nos fez companhia.
27:32Se quiser deixar as suas sugestões ou comentários, escreva-nos para thering.euronews.com.
27:38Da nossa parte é tudo.
27:39Fique bem.
27:40Tenha uma ótima semana.
27:47Tchau.
27:48Tchau.
27:49Tchau.
27:50Tchau.
27:51Tchau.
27:52Tchau.
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