00:00E eu vejo que teve uma, acho que um negócio que aconteceu no Brasil é porque há 20 anos atrás
00:06a
00:07gente não tinha uma maturidade de treinamento, nem os treinadores, muito menos os corredores, né?
00:15Era muito diferente do que é hoje, né? A gente já fez aquele episódio que a gente falava dos nossos
00:21erros, hoje se eu olhar como eu treinava algumas pessoas há 20 anos atrás, eu vou, entre aspas,
00:28ter vergonha de alguns erros que eu cometi, o Balu também falou a mesma coisa, por quê?
00:34Porque a gente tinha muito menos informação e a nossa matéria-prima também não estava preparada
00:41para aquilo. Hoje, se a gente chegasse há 20 anos atrás e você fosse fazer um período de base como
00:46a gente faz hoje, metade não ia aguentar e metade ia se questionar. Sem dúvida. Eu lembro que uma vez,
00:53eu fiquei dois, cara, dois meses, dois meses, 60 dias, tirando, né, os domínios que eu não corria,
00:59era, todos os dias era rodar, todos os dias, então, sei lá, eu dava, não vou lembrar exatamente,
01:04sei lá, 45, 50 minutos e no sábado uma hora e pouco. Dois meses, dois meses fazendo isso. Aí, beleza,
01:13acabou a base, daí no sábado você está fazendo isso, segunda-feira...
01:19Vira-chave. Vira-chave. Vira-chave. Aí, agora você tem que dar tiros um minuto e meio por quilômetro,
01:24mais rápido do que você vinha fazendo. Você assim, cara, mas não se conversa. Você está dando aula de
01:28handball para o cara, no sábado e no domingo, hoje é futebol. Você está jogando com a mão no sábado,
01:35não, hoje é com o pé. Não teve uma conversa. Tipo, não, beleza, ó, você vai correr, você vai rodar
01:42esses 60 dias,
01:43mas, sei lá, dias alternados, a gente vai fazer um estímulo aqui, de 100 metros, 150, 50, né, não era,
01:49foi isso,
01:50roda, roda, roda, roda, roda, dois meses, dois meses, aí, tipo, segunda-feira, tá, sei lá, tira de quatrocentos,
01:58cara, mas isso não faz muito sentido isso. Quer dizer, hoje eu olho e falo que não faz sentido, pra
02:02mim era coisa,
02:03mas não... É porque a gente aceitava, porque era o que se propagava. É, porque era o que a outra
02:07pessoa fazia.
02:08E eu acho que até, não era só uma coisa de Brasil, eu acho que era até uma coisa meio
02:12mundial,
02:13e eu acho que a corrida de rua, ela, ele evoluiu muito, principalmente porque o dinheiro saiu da pista e
02:20foi pra rua.
02:23Todos os dias, todo o dinheiro. O dinheiro pro atleta profissional, o dinheiro pra ativação das marcas,
02:30mas por quê? Quantas sapatilhas você vende? É, sem dúvida.
02:34Quantas, quantas bermudinhas justas que hoje muita gente usa, mas antes era só um outro da pista que usava.
02:41Você falou assim, cara, qual o apelo que você tem comercial pra isso?
02:45E daí, quando você migrou que o dinheiro foi, o olhar de todo mundo, inclusive dos treinadores,
02:52ou principalmente dos treinadores, falou, opa, eu quero fazer parte dessa fatia.
02:56E daí eles falaram que a gente precisa melhorar. Daí começou-se a questionar mais de você, o que você
03:02vai fazer.
03:02Você não via, tanto que criou-se uma teoria muito, pra mim, infundada, de que, ah, não,
03:09a maratona é só pra pessoas mais velhas, porque precisa de maturidade.
03:14Não, daí hoje a gente vê corredores de 21, 22, 23 anos correndo pra 22.
03:19Exato.
03:20Porque, na realidade, e por que que ia? Porque ele não tinha mais a velocidade.
03:24Por que que o Bekele saiu da pista e foi correr na rua?
03:26Porque ele não tinha mais a velocidade pra correr 5, 10 mil na pista.
03:30Mas a velocidade que ele ainda tinha pra correr 5 e 10 mil era muito boa pra correr maratona.
03:36Foi o próprio Kip Shoji, foi o caminho do Kip Shoji.
03:38Foi da pista pra lá.
03:40E daí, depois que eles entenderam que dava pra você trabalhar a velocidade, já ir direto pra maratona,
03:44ele fala, pra que que eu vou ficar dando um murro em ponta de faca lá na pista pra não
03:49ganhar nada,
03:49sendo que o dinheiro tá aqui hoje.
03:51Os contratos que se tem hoje com o atleta profissional é muito maior do que você tinha na pista.
03:58Ah, poxa, não, mas o Michael Johnson, não, mas daí você tá pegando um.
04:01É da sua exceção.
04:02Uma exceção, Michael Johnson, Carl Lewis, Ben Johnson, Bolt, Johan Blake, Justin Gatling,
04:09todos os velocistas iam ter.
04:11E se hoje tiver algum um pouco mais carismático e não seja idiota igual os que tem,
04:17ele vai ganhar dinheiro.
04:18Mas é um que tá ganhando ali.
04:21Hoje na rua, quantos não tão ganhando?
04:24Ah, sim.
04:25Hoje na rua tá ganhando muito mais.
04:27E daí eu acho que o desenvolvimento dessa modalidade esportiva foi acontecendo.
04:31Foi o vôlei.
04:31O vôlei era um esportezinho ok.
04:34Se transformou em...
04:36Semiprofissional.
04:37É, exato.
04:38Ele mudou, ele cresceu e cresceu mundialmente.
04:42Todos os campeonatos, a Liga, tinha um monte de mundial.
04:47Tinha 10 campeonatos internacionais bons ao longo do ano.
04:50Mas foi fazendo isso no mundo inteiro, até a hora que os caras começaram a olhar e falaram,
04:55gente, precisa melhorar.
04:56Não dá pra ser mais aquela coisa de vamos treinar corrida e ficar só dando uma cortadinha ali no cara
05:01e o cara devolver o manchete.
05:02Pô, vai treinar, treino específico, de força específico, né?
05:06Treino de impulsão, que faz muito mais sentido isso do que você colocar o cara pra ficar correndo,
05:11que nem tonto no primeiro mês do ano ali.
05:14E aí, por exemplo, óbvio que você vai ter um treino de base que é diferente no futebol,
05:18no vôlei e na corrida.
05:19Mas dentro da corrida, o cara corre 5, 42, você tem uma base muito mais parecida
05:24enquanto o pessoal da velocidade vai ter o treino de base deles.
05:28Mas antes não, foi demorando assim pra isso ser compreendido.
05:33Então antes da base, todo jogador de basquete corria, futebol corria,
05:37velocista corria, maratonista corria.
05:39E alguém foi vendo e falou, não, acho que não é bem assim, hein?
05:42Talvez a base, ela tem que ser mais específica e ela tem que, conforme você vai entrando na base,
05:50ou conforme você vai caminhando dentro da base, ela tem que conversar com o resto do treino.
05:54Você não pode ficar dois meses, igual eu falei comigo, roda, roda, roda,
05:59do dia pra noite, tiro de 400, muito mais rápido.
06:02Não, não, tem que ter uma certa ligação, senão você não tem uma transferência.
06:06Então acho que hoje pra amador, fluxo de informação, profissionalismo,
06:11você tem uma base que te prepara pra aquilo que você vai correr no resto do ano
06:15de uma forma mais organizada e que faça mais sentido.
06:19E por um pouco mais, por um tempo determinado X, que você consiga se adaptar e consiga ter ganhos.
06:26Por isso você volta aquela pergunta, quanto tempo?
06:28Quatro semanas é muito pouco.
06:30Você vai se adaptar àquilo, mas você não vai conseguir de fato ganhar tanto.
06:34Na hora que você se adapta, você tem que ter um tempo pra você poder ganhar.
06:37Porque assim, ah, correr 200 metros é pouco, mas pra correr 200 metros forte,
06:43pra você trabalhar a velocidade é difícil.
06:45Na hora que você pega o jeito, você fala, agora chega, agora você já vai passar direto?
06:50Não.
06:51Mas você coloca mais umas quatro semaninhas ali, daí você começa a transferir aquilo
06:54e você vê que você vai carregando.
06:56Você sai do 200 pro 300, você praticamente...
06:59Você tá falando de 50% a mais da distância,
07:01mas você já quase consegue manter o mesmo ritmo.
07:05Por quê?
07:05Porque você ganhou aquilo ali e você tá transferindo.
07:07Daí você vai pro 400, vai ficar mais perto também.
07:10Agora se você sai e já vai direto pro 400,
07:13você não vai conseguir replicar, entendeu?
07:15É como se estivesse fazendo aulas de assuntos diferentes.
07:18Não, tem que ter...
07:19A coisa tem que se conversar.
07:20Então quando você faz isso bem feito...
07:23Quase uma sequência pedagógica.
07:25É, você faz bem feito, você prepara o corpo da pessoa pro resto do ano.
07:30Então vai, que a pessoa faça...
07:30É, modos gerais, né?
07:32Ela tá lá, janeiro, fevereiro e comecinho de março.
07:35Como eu gosto de fazer, não que eu tenha, não que tenha que ser 10 semanas.
07:38Mas ela começa março, ah, não, agora a gente vai fazer um treino um pouquinho mais voltado,
07:42porque você quer, ah, quero correr em junho, quero correr um 10K.
07:46Você tem março, abril, maio, pra treinar algo mais próximo, mais voltado pro 10K.
07:52Mas você fez a base pra depois começar específico.
07:54Você pode começar já janeiro, ah, tiro de 400 e mil no ritmo que você vai fazer o 10K,
08:00ou que você deseja fazer o 10K em junho.
08:02Pô, seis meses? Não, talvez a coisa tenha que ser diferente.
08:06Mudou bastante. O bom é que mudou pra melhor.
08:08É isso, é isso.
08:09Eu creio que o resultado vem dando muito resultado pra todo mundo.
08:13Não é pra mim, né? Não é um segredo, não é nada disso.
08:16É questão de você perder cinco minutos pesquisando hoje,
08:20você resolve isso daí de uma maneira muito simples.
08:22Não é reinventando a roda.
08:23A gente tá fazendo algo que faz sentido na teoria,
08:26que as pessoas lá fora fazem.
08:28E que na prática dá resultado.
08:30E que eles conseguem ensinar.
08:31Pra mim era muito vago antes, eu não conseguia entender.
08:34Você, beleza, eu sei que é assim, mas por que é assim?
08:37Então, pra quem gosta do assunto, assim, você seguiu os com,
08:41de novo, não é a criação dele, mas eu acho que ele ensina muito bem.
08:44Quando ele fala desse modelo de funil, fica bem claro, assim,
08:47ah, agora eu não entendi por que a pessoa dá tiro na subida,
08:50por que a pessoa dá tiro de 100, 150, 200,
08:53por que a pessoa corre, entre aspas, lento.
08:56Que ela vai criando suporte pra outras coisas
09:02que ele vai precisar lá na frente ao longo da temporada.
09:04E aí
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