Pular para o playerIr para o conteúdo principal
  • há 1 hora
O Alto-Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR) atua em Belém desde 2019, auxiliando na construção de políticas públicas e dando apoio a população imigrante presente na cidade. A instalação do escritório na capital paraense se deu para atender o grande fluxo de imigrantes da etnia indígena Warao, vindos da Venezuela, entretanto, há ainda uma presença marcante de cubanos e haitianos. Atualmente existem mais de 800 venezuelanos em Belém e a assistente de campo e porta-voz local da ACNUR Ludmilla Barros explica que o trabalho desenvolvido foca em estratégias para que os refugiados consigam autonomia financeira e educacional onde residem.

Repórter: Maycon Marte
Imagem: Streamyard

Categoria

🗞
Notícias
Transcrição
00:00Para começar, primeiramente, aos espectadores de Oliberal,
00:03eu me chamo Maicon Marti, sou repórter de política e economia aqui em Oliberal
00:06e vou entrevistar, nessa tarde, Ludmila Barros,
00:10assistente de campo e porta-voz da Agência de Refugiados da ONU em Belém,
00:15representante da entidade aqui na cidade, na região, propriamente.
00:19E aí eu queria te instigar, antes de qualquer coisa,
00:23ouvir o que você tem a dizer, como é que você está se sentindo com essa entrevista,
00:27o que a gente vai poder saber melhor da Acnur hoje?
00:34Bom, aí eu vou começar desde o início do Acnur.
00:38O Acnur está em Belém desde 2019, com o aumento do fluxo de imigrantes,
00:44especialmente da indígena e da etnia Uaral.
00:49Então, desde 2019, a gente tem um escritório aqui em Belém.
00:52O trabalho do Acnur em Belém é um trabalho de advocacy,
00:56em colaboração com as autoridades locais e parceiros de diversos municípios,
01:01com foco em capacitações sobre interculturalidade, atendimento humanizado
01:05e capacitações para reforçar entendimento sobre status migratório,
01:10proteção internacional e documentação.
01:12Então, tem várias ações aí.
01:14A gente também tem parcerias privadas.
01:17Recentemente, o Acnur, com uma parceria com a empresa chinesa,
01:22que é a Longe, fez instalações de placas solares em seis lugares aqui em Belém,
01:28duas escolas municipais, na Universidade Federal do Pará,
01:32e também em duas UBSs, uma em Oteiro e uma em Guamá.
01:38Então, o Acnur aqui em Belém tem como foco o fortalecimento também comunitário,
01:44de lideranças locais, sobretudo das comunidades indígenas, o Araus,
01:48que é a maior população de refugiados que a gente tem dentro do Estado.
01:53Muito legal esse dado que você trouxe do Zoaral,
01:56porque aí a gente já entra numa das perguntas que eu tinha separado.
01:59Porque eu tinha pensado assim, logo quando a gente marcou, né, de conversar,
02:03qual que é o principal perfil hoje dos refugiados,
02:06de quem solicita refúgio aqui em Belém?
02:08Porque eu imagino que, para vocês estarem aqui especificamente,
02:12aí eu já aproveito para perguntar também,
02:13Belém deve ser uma porta de entrada, né, para a grande massa de refugiados.
02:17Como é que funciona essa dinâmica?
02:20Belém não seria a porta de entrada principal,
02:23a porta principal de entrada seria em Pacaraima, né, em Roraima, na realidade,
02:29mas muitos deles, de lá, eles vão para Manaus ou para Belém.
02:33Não é a porta principal, mas é onde tem o maior fluxo, né,
02:38de venezuelanos atualmente no norte do país, digamos assim.
02:42Mas em Belém a gente também apresenta a entrada de outras nacionalidades,
02:46como a cubana e a haitiana.
02:48Mas, obviamente, assim, o maior fluxo é dos indígenas venezuelanos, o Arauz.
02:55E por serem um povo indígena com uma cultura e traduções tão bem definidas,
03:01tem uma diferença de tratamento nas ações que vocês destinam, por exemplo,
03:05aos indígenas do Arauz, que vem da Venezuela,
03:08aos imigrantes cubanos e haitianos, por exemplo?
03:13A gente tenta apoiar, né, de diversas formas, né, na questão da documentação,
03:20e aí é muito importante a parceria que a gente tem com algumas organizações, né,
03:24como até mesmo a Universidade Federal e outras universidades,
03:28que a gente costuma fazer alguns mutirões de documentação,
03:31que aí eles apoiam nesses mutirões.
03:34Mas, obviamente, por ser uma quantidade maior dos indígenas,
03:38existe todas umas especificidades que não existem nas outras nacionalidades, né,
03:43como, por exemplo, a questão cultural,
03:45que a gente tenta fazer ao máximo capacitações com os órgãos públicos,
03:50e aí tendo sempre o apoio do sistema de justiça, né,
03:53e até de outras instituições,
03:55para verificar a melhor forma de atender essas pessoas,
04:00devido à questão cultural mesmo.
04:02E aí, lembrando também que as pessoas creem que,
04:06por serem venezuelanos, todos eles falam espanhol,
04:09mas não, né, muitos deles falam somente o oral,
04:12que é a língua deles, e aí isso acaba gerando, assim,
04:17barreiras, né, na questão do tratamento, enfim.
04:20Vários fatores.
04:22Vocês que trabalham, por exemplo, com alguns colaboradores
04:25que dominam o idioma deles para conseguir ter esse contato?
04:28O que a gente faz é fortalecer a própria comunidade.
04:33Então, dentro da comunidade oral, tem pessoas que falam espanhol
04:36e já tem pessoas que falam português.
04:38O que a gente tenta fazer é incluir essas pessoas nesses processos.
04:41Então, a gente sempre invoca as instituições
04:47para que tenha um oral nesses processos,
04:50porque a gente entende que a melhor maneira de incluir eles
04:54na sociedade é fazendo esse tipo de ação, né,
04:57fortalecimento comunitário, mesmo em construção de tecido social.
05:01Entendi.
05:02Esse trabalho vem desde 2019.
05:04E aí eu te pergunto,
05:06que resultados vocês viram na transformação
05:09do cotidiano dessas pessoas fugidas aqui, por exemplo,
05:12mas principalmente em Belém,
05:15a partir desses assuntos, das intervenções da Acno?
05:18Olha, os Varaus atualmente, eles têm um conselho,
05:22é um dos principais conselhos indígenas, né, dentro do Brasil,
05:26e assim, formado somente por refugiados.
05:28Atualmente, 45 pessoas compõem esse conselho,
05:31e eles são responsáveis pela região de Belém
05:33e a região metropolitana, né,
05:35Ana Nideua, Benevides e Ana,
05:39que eu ainda não decorei,
05:41não sou muito boa em falar alguns nomes aqui do Pará,
05:45que trava um pouquinho a língua, mas enfim.
05:50Nideua, Benevides, Belém.
05:51Benevides, Belém.
05:54Isso, vocês falam o Oteiro como se fosse outra cidade, né,
05:57mas o Oteiro também,
05:58tanto que a maioria deles vivem em Oteiro.
06:00Ah, é?
06:01Então, isso, isso.
06:02Essa era uma das histórias, inclusive.
06:06Em Belém, a gente tem cerca de 807 indígenas venezuelanos do Arau,
06:12somente na Grande Belém,
06:13mas desses, a maioria estão, residem em Oteiro.
06:20Entendi.
06:20E aí, sobra alguns que vão para os municípios vizinhos, né?
06:24Isso, isso.
06:26Santarém, Marabá, Ana Nideua, Benevides,
06:30são municípios.
06:31Quantas ações de vocês, qual é o principal primeiro contato
06:37que eles conseguem ter com o trabalho?
06:39É de maneira autônoma?
06:40Vocês conseguem dar algum direcionamento para que eles consigam,
06:43por exemplo, além de tirar a documentação,
06:45incluindo a carteira de trabalho,
06:46mas também, você falou de capacitação, né,
06:48também conseguir já uma experiência ali dentro do mercado,
06:51seja ele qual for, e qual seria?
06:54A gente tem parceria com o SEBRAE,
06:56o SEBRAE tem apoiado o ACNUR,
06:58e nesse sentido, para capacitar eles,
07:01porque os indígenas do Arau, eles têm muitos,
07:07basicamente, uma das maneiras de sustento deles é o artesanato.
07:12Então, elas fazem artesanato, seja pela miçanga ou pela palha do Buriti.
07:17Então, a gente, nessa parceria com o SEBRAE,
07:20tem tentado reforçar isso e fazer com que elas aprimorem ainda mais a técnica,
07:24embora não necessitem aprimorar muita técnica,
07:28o que elas necessitam mesmo é,
07:30porque é muito bem feito o trabalho delas,
07:33mas o que elas precisam mesmo é fazer uma adaptação ao mercado interno, né,
07:37e aí essa adaptação vem com pequenas coisas,
07:40como manusear uma máquina, fazer um PIX,
07:44especificação de preços,
07:46como vender um produto,
07:48e agora a gente está até prevendo, nesse ano,
07:51algumas outras atividades nesse sentido,
07:54para capacitar elas,
07:55inclusive elas formaram uma associação
07:57que faz parte do Conselho Arau,
07:59a maioria delas,
08:00mas que são mulheres, né, essa associação.
08:03Elas formaram essa associação
08:05no intuito de fomentar mais ainda
08:09esse lado, né, de artesanato que elas fazem.
08:12E aí o que a gente também tem em nível de educação, né,
08:15é fazer com que haja um eixo intercultural,
08:18e, por exemplo, ano passado,
08:20a gente conseguiu fazer com que eles recebessem,
08:23seis waraus recebessem uma bolsa do projeto PAB, né,
08:27do Secult,
08:28que é para que eles possam alfabetizar outros waraus
08:32dentro da sua própria comunidade,
08:35porque são pessoas que já falam português,
08:38são pessoas que falam tanto o arau quanto o espanhol,
08:40então, uma maneira de apoiar isso.
08:43E esse ano, a gente está tentando,
08:45com os órgãos públicos,
08:46retomar isso e fazer com que se amplie
08:51esse eixo intercultural,
08:52para que mais pessoas possam ser beneficiadas.
08:55Da maneira como você fala,
08:57eu percebo que a parte da documentação
09:00que seria ali nesse primeiro contato
09:02e a parte de empregabilidade,
09:04elas fluem de uma maneira até mais fácil.
09:08A educação ainda seria o principal obstáculo?
09:11Não, na verdade,
09:14são vários obstáculos aí, né,
09:16a inserção,
09:17eu falo porque a gente tenta fazer,
09:20mas isso é um trabalho em conjunto mesmo, né,
09:22a gente depende também do poder público
09:24para estar junto com esse trabalho
09:26e existem vários fatores.
09:28Ainda a gente tem esse apoio,
09:31mas é um trabalho de formiguinha, né,
09:32que a gente vem tentando construir
09:34desde a nossa chegada aqui do Acnur.
09:36E, claro,
09:37desde a nossa chegada até agora,
09:38foi aumentando o número de pessoas, né,
09:41então, o que a gente,
09:43os obstáculos maiores, assim, né,
09:45que a população aral tem como desafio
09:49é a inserção no mercado de trabalho,
09:51até pela essa questão linguística, né,
09:53a questão da,
09:55que também é uma barreira, né,
09:57a questão da xenofobia também, né,
09:59é um ponto aí a ser tratado, assim,
10:02que infelizmente existe.
10:04Existem os casos pontuais?
10:07Eu não posso te dar dados,
10:09mas a gente sabe que existe.
10:12É uma reclamação deles?
10:14É, é uma reclamação deles, assim,
10:17e muitas vezes até visível, assim,
10:20em alguns casos, né,
10:21e a gente sabe que existe, né,
10:23até porque quando eles chegaram aqui,
10:25também existiam muitos que estavam
10:27em situação de rua,
10:28hoje esse número diminuiu bastante, né,
10:30graças aos esforços das instituições,
10:32e assim, a gente tem parceria
10:33com a prefeitura mesmo,
10:36a gente tem um molde de,
10:38memorando de entendimento com a prefeitura,
10:41para apoiar nessas questões também.
10:43Então, assim, são fatores que são os desafios ainda,
10:47e que a gente vem tentando fazer com que isso
10:49seja sanado,
10:52que é a barreira linguística,
10:54a questão da escolaridade também, né,
10:58por uma questão de vários fatores aí,
11:01e a inserção no mercado de trabalho e a xenofobia,
11:04são alguns fatores aí desafiantes.
11:06Do grupo mapeado de refugiados,
11:10mas principalmente do Isoral,
11:11que é o que a gente está se focando aqui,
11:13são mais crianças, são mais idosos,
11:15qual que é o perfil?
11:17São adultos, né,
11:18tanto homens como as mulheres,
11:20e com uma grande quantidade,
11:22jovens, né,
11:24jovens, uma faixa etária,
11:26depende do que você considera jovem também, né,
11:29mas uma faixa etária aí,
11:32dos seus 40, 45 anos, assim,
11:35idosos são poucos,
11:36na verdade, assim,
11:38não existe tantos,
11:39existe,
11:40mas são poucos,
11:42em comparação à quantidade de adultos,
11:45e, enfim,
11:47e tem muita criança também, né,
11:49e muitas já nasceram no Brasil,
11:51são cidadãs brasileiras, assim.
11:55Isso facilita o processo desses nascidos brasileiros?
11:58Quanto a documentação, escolaridade?
12:01Bom, aí se entende que eles são brasileiros, né,
12:02porque no Brasil,
12:04a gente nasceu no território brasileiro,
12:07já é brasileiro, né,
12:09o que dificulta algumas vezes
12:10são os processos das pessoas que chegaram,
12:13e às vezes chegaram sem acompanhamento dos pais, né,
12:18chegaram, e aí sem documentação,
12:20e aí isso dificulta um pouco,
12:22mas as que nasceram no Brasil,
12:23enfrentam algumas dificuldades,
12:25devido a outros fatores,
12:28não necessariamente a questão de refúgio,
12:30nem nada,
12:30porque aí elas não são refugiadas, né,
12:32elas são brasileiras,
12:35mas existem alguns desafios ainda,
12:38assim, que a gente enfrenta,
12:41que é, por exemplo,
12:43algumas nascem dentro das comunidades,
12:45e aí não tem a declaração, né,
12:47do hospital,
12:48e aí para ir para o cartório,
12:50enfim,
12:50são desafios que a gente tem tentado
12:52fazer com que sejam resolvidos aí também.
12:55Até porque a Constituição Familiar
12:58da população indígena,
12:59eles têm uma concepção diferente, né,
13:02do que a gente,
13:03da população não indígena, entende.
13:05Então aí,
13:06isso também são coisas
13:07que a gente tenta trabalhar.
13:09E o que a gente tenta fazer também
13:11é parceria com as universidades, né,
13:14através da Cátedra Sérgio Vieira de Melo,
13:16que tem tanto a UFPA
13:18quanto a Estadual do Pará,
13:20são parceiras nossas nesse sentido,
13:22e a ideia dessa parceria
13:25é construir uma rede comprometida, né,
13:28com a pauta de deslocamento forçado,
13:30fortalecendo iniciativas
13:31em prol das pessoas refugiadas,
13:32por meio de atividades de ensino,
13:35pesquisa, extensão
13:36e promoção de serviços comunitários aí.
13:38Até isso seria uma estratégia do Aquinur
13:41para resolver,
13:44sanar ou mitigar
13:45alguns problemas
13:46que a gente até mencionou aqui, né,
13:48como inserção no mercado de trabalho,
13:50a xenofobia, enfim.
13:52Perfeito.
13:53Como é que está hoje o cenário
13:54desse fluxo migratório?
13:56Ele aumentou,
13:57ele continua intenso,
13:58porque ainda tem alguns conflitos,
14:00algumas situações conflituosas,
14:02sejam elas em níveis diferentes,
14:04nos países vizinhos,
14:05incluindo a Venezuela, né?
14:08É, a gente, né,
14:11eu imagino que você esteja citando
14:13o último que ocorreu com a Venezuela, né,
14:16no início do ano.
14:18Com base nas informações disponíveis, né,
14:20nesse momento não há relatos, assim,
14:23de deslocamento ou de movimentos
14:24transferísticos ligados
14:25aos acontecimentos recentes.
14:27O trabalho do Aquinur
14:28na fronteira do Brasil com a Venezuela
14:30segue acontecendo normalmente,
14:32dentro do estado do Pará, assim,
14:34falando do estado,
14:37a gente não tem visto
14:38muitas mudanças quanto a isso,
14:40mas o Aquinur segue acompanhando,
14:42assim, de perto,
14:43a evolução da situação na Venezuela,
14:46tanto quanto na região,
14:47e a gente está pronto
14:49para esforços de ajuda emergencial
14:51e proteger pessoas locadas
14:53que necessitem de assistência,
14:55trabalhando em estreita colaboração
14:57com seus parceiros.
14:58Perfeito.
14:59E as suas ruas,
15:00vocês estendem até a região metropolitana apenas
15:03ou na região, de maneira mais ampla,
15:05tem outros pontos focais?
15:06Você falou, por exemplo,
15:07da fronteira com a Venezuela.
15:11Aí, a gente tem escritórios, né,
15:14na Venezuela, na Venezuela,
15:17na fronteira com a Venezuela,
15:18em Roraima, em Manaus,
15:21em Porto Alegre, Curitiba e São Paulo.
15:23Mas aí, no caso,
15:24eu não posso falar por eles,
15:26se eu não posso falar mais aqui.
15:28Sim.
15:29Não, era mais para saber.
15:30Uma das minhas perguntas,
15:32eu perguntei isso porque
15:33uma das minhas dúvidas
15:34era a questão dos desafios logísticos.
15:36Eu já fiz, assim,
15:37as entrevistões com outros gestores.
15:43Michael?
15:45Está me ouvindo?
15:46Não, está cortando.
15:49Tá.
15:50Eu vou falar mais devagar, então.
15:52Eu acho que já estabilizou agora.
15:54Está me ouvindo?
15:55Estou, agora sim.
15:56Tá, perfeito.
15:57Porque uma das minhas dúvidas
15:58é porque muitos dos entrevistados
16:00que já passaram por aqui
16:01falam sobre desafios logísticos.
16:03Então, as longas distâncias,
16:05diferentes modais de transporte
16:06para ir para um único destino,
16:08rios muito grandes
16:09para se atravessar,
16:10para chegar até certo ponto.
16:11E aí, eu perguntei,
16:13porque eu já queria tentar entender
16:14se esse era um dilema da Aquino,
16:16mas como vocês se concentram atualmente
16:19aqui no escritório de Belém
16:20e até região metropolitana?
16:21Eu imagino que não.
16:23Não, assim, não.
16:27Você fala do trabalho do Aquino
16:29em entrar em outros estados?
16:31Seria essa a pergunta?
16:33É, mesmo no Pará,
16:36mas se vocês iam até os interiores,
16:37mas como está se concentrando aqui, né?
16:40Não, a gente atua em...
16:44A gente não tem escritório
16:45em outras cidades do estado do Pará,
16:51mas a gente atua no estado do Pará.
16:55Aonde necessitar, vocês vão agir?
16:59É, é mais ou menos isso mesmo.
17:01É mais ou menos isso.
17:02A gente tem contato com outros municípios, né?
17:06Também.
17:06Onde tem população necessitando nesse sentido,
17:10a gente tenta fazer ações.
17:12Embora, às vezes,
17:13seja uma dificuldade nossa também
17:15de verificar onde está concentrada
17:18essa população algumas vezes, assim.
17:20Mas a gente sempre tenta manter esse contato
17:22com os outros municípios,
17:24não somente com o município de Belém,
17:26mas com outros municípios do estado do Pará também.
17:29Entendi, mas é pontual, né?
17:31Vocês precisam ser instigados para agir?
17:33Ou, por exemplo, só para eu entender,
17:36como é que uma população refugiada
17:38ou uma população que está pedindo ajuda
17:40para um local pode conseguir solicitar, né?
17:43O auxílio de vocês?
17:46É, assim, importante frisar que, assim,
17:48o auxílio do Acnur aqui no estado do Pará,
17:52ele não é um auxílio no sentido humanitário
17:55no que se refere a abrigamento.
17:57que é o que ocorre, por exemplo,
17:59em Pacaraima e Boa Vista.
18:02Aqui o contexto é um pouco diferente.
18:05Então, a nossa assistência,
18:07o nosso trabalho aqui é um trabalho
18:09mais de catalisador e advocacy, né?
18:13Das ações, como podem ser implementadas
18:16ações que protejam essa população
18:18pelo, e assim, né?
18:21Através do poder público.
18:23Então, o nosso trabalho aqui,
18:25e parceiros também,
18:26outras organizações que existem
18:27dentro do estado.
18:29Obviamente, quando a gente veio para cá,
18:32veio por uma questão humanitária, né?
18:35Tinha um processo,
18:36houve um processo de abrigamento no início.
18:38Hoje em dia, isso não existe mais,
18:40essa questão do abrigamento.
18:43Então, esse apoio que a gente dá no estado,
18:47ele vem muitas vezes até dos órgãos públicos
18:50que buscam o nosso apoio.
18:51Por exemplo, uma cidade X está havendo tal problema.
18:57O Acnu vai tentar fazer ações
19:01para tentar mitigar esses problemas
19:03que estão atendo.
19:04Como, por exemplo,
19:06como eu mencionei que muitas pessoas
19:08não sabem falar o português,
19:12muito menos o espanhol.
19:13Então, o Acnu, o que faz,
19:16é tentar fazer com que,
19:17como que essas pessoas possam ser atendidas
19:19de maneira humanizada.
19:21E aí, a gente realiza capacitações
19:23com os órgãos públicos,
19:25explicando como funciona o processo
19:27e inserindo essas pessoas
19:29na construção dessas políticas públicas
19:31e nessas ações.
19:32Inserindo as pessoas que foram dos imigrantes
19:36e refugiados nesse contexto.
19:38Para que haja uma construção de tecido social.
19:42Não sei se eu respondi a sua pergunta, mas...
19:43Respondeu, respondeu.
19:45E eu vou te instigando mais
19:46para que eu e os espectadores
19:47também conseguimos visualizar
19:49na prática o que vocês fazem.
19:52Então, aqui em Belém, articulação.
19:53Se necessário, vocês agem de maneira mais prática
19:56no sentido de abrigamento,
19:58acredito que alimentação,
20:00com esse tipo de suporte.
20:03Isso, mas aí dependendo
20:06das necessidades que vão vindo.
20:09Mas isso seria, pensando em Belém mesmo,
20:12isso seria em casos que se voltasse
20:15ao que foi no início da nossa chegada
20:17aqui no escritório.
20:18Mas, pelo momento, é um trabalho
20:20mais de articulação mesmo,
20:22o trabalho do Acnur,
20:23com os órgãos públicos e parceiros.
20:26E ainda bem que esse número,
20:29essa necessidade foi mitigada.
20:32Sim, e aí é fruto do trabalho
20:35do Acnur em conjunto
20:37com os órgãos públicos
20:38e os parceiros, né?
20:40Que a gente tentou mitigar isso
20:42e fazer com que
20:43essa parte não seja mais necessária
20:45à nossa atuação.
20:47Perfeito.
20:48Ludmila, eu prometi para a Iana
20:50uma média de 20 minutos.
20:51Então, a gente vai caminhar agora
20:52para a última pergunta,
20:54que eu também não vou te alugar
20:55pela tarde da tarde.
20:56Se eu pudesse, eu alugaria.
20:58E eu separei sempre
20:59esse momento final
21:00para que tu me digas
21:02o que para ti
21:03ainda precisa avançar, né?
21:05Eu sempre peço votos
21:06do futuro e do presente.
21:09Então, o que a gente
21:10precisa fazer agora
21:11para que a gente consiga avançar
21:12nessa atuação de vocês?
21:14Seja em mais articulações,
21:16para que fique claro
21:17qual que é o principal entrave
21:18para que a gente siga adiante
21:20e mais rápido
21:21no trabalho que vocês fazem.
21:24Olha, eu posso pensar
21:25uns segundos, porque...
21:27Pode, com vontade.
21:28É muita coisa.
21:30É muita coisa.
21:31Mas, assim, pensando na população, né?
21:35O que eu já até comentei, né?
21:37Que a população ainda enfrenta
21:38desafios significativos, né?
21:40Barriga linguística,
21:42especial à população indígena moral,
21:44que dificulta a comunicação
21:45e o acesso a serviços.
21:47A inserção ainda limitada
21:49no mercado de trabalho,
21:51e aí eu estou falando
21:51de empregos formais, né?
21:52Carteira assinada,
21:54que muitas vezes ocorre mais
21:56com os homens,
21:57devido a trabalhos braçais,
21:59de indústrias,
22:00e ainda falta a inserção
22:01das mulheres, né?
22:04Nesses empregos formais.
22:06E aí eu não falo somente,
22:07também, dos indígenas do Aral,
22:09mas de outra população
22:11migrante e refugiada
22:13que é de outras nacionalidades
22:14que ainda estão,
22:15que existem aqui no Estado, né?
22:17As situações de xenofobia, né?
22:20Que afetam a sua integração social
22:22e a dificuldade de acesso
22:23à moradia digna,
22:25que é um problema também
22:26muito sério, assim.
22:28Embora eles, muitos deles,
22:29não estejam em situação de rua,
22:31ainda moram em condições
22:33habitacionais precárias,
22:35que esse é um ponto
22:36que ainda precisa ser melhorado
22:37e ser visto.
22:40E eu acho que esse seria, assim,
22:42um ponto que a gente
22:44precisa focar.
22:46Mas, assim, pensando no lado positivo,
22:49o Acno, junto com seus parceiros,
22:52tem avançado em alguns temas
22:54importantes, né?
22:55Que agora necessita
22:56da sua implementação,
22:58digamos assim, né?
22:59Quanto à questão de políticas públicas, né?
23:01Por exemplo, entre 2023 e 2025,
23:04a gente teve avanços importantes
23:06na construção e implementação
23:07de políticas públicas
23:08voltadas para refugiados,
23:10migrantes e apátridas,
23:11tanto no âmbito municipal
23:12quanto no estadual, no Estado, né?
23:14Em 2023, foi criada a lei municipal
23:17para migrantes, refugiados e apátridas,
23:19que foi um passo relevante
23:20na institucionalização do tema
23:22no nível local.
23:23Em 2025, a criação do
23:25Conselho Estadual para Imigrantes,
23:27que a gente espera que agora,
23:28nesse ano de 2026,
23:29seja implementado.
23:31E esses marcos, né?
23:34Refletem, assim,
23:35um esforço interinstitucional contínuo,
23:38resultado da articulação
23:38entre o Acno,
23:39órgãos governamentais,
23:40organizações da sociedade civil,
23:42outras agências também,
23:44e entidades de proteção
23:46a direitos humanos.
23:48Mas, e essas iniciativas
23:50são fundamentais, assim,
23:51para fortalecer a proteção
23:52dos imigrantes, né?
23:54Refugiados, solicitando de refúgio
23:56e apátrida, né?
23:57Pois, estrutura um processo
23:59de integração dessas populações
24:00e amplia o seu acesso
24:02a direitos essenciais básicos, né?
24:05De qualquer ser humano, né?
24:06Como o trabalho formal,
24:09matrícula de crianças nas escolas,
24:11inserção no mercado de trabalho,
24:12mas aí reforçando
24:14mercado de trabalho formal
24:15e cria espaços, né?
24:18Institucionais de diálogo, né?
24:19Que é importante também
24:21esse diálogo,
24:23tanto entre a comunidade local
24:25de Belém com os refugiados.
24:28E aí eu acredito
24:29que dar continuidade
24:31a essas políticas públicas,
24:35a criação de políticas públicas,
24:37leis municipais,
24:38que reforçam essa proteção,
24:40eu acho que é um fator primordial
24:43e essencial
24:44para que o trabalho,
24:45não focando no trabalho do Acnu,
24:47mas eu acho que o mais importante aqui
24:49são essas pessoas, né?
24:51Que elas possam ser, de fato,
24:52inseridas na sociedade paraense.
24:56Perfeito, Ludmila.
24:58A gente fica nessa expectativa
24:59de que toda essa cadeia
25:01a gente dá a desaja
25:04em todas essas coisas ao mesmo tempo,
25:05até porque uma leva a outra, né?
25:07Sim, exatamente.
25:08Eu te agradeço por esse espaço,
25:11eu te agradeço por esse tempo,
25:12pelas tuas respostas.
25:14Parabéns pelo trabalho de vocês.
25:16E agora, falando aos espectadores
25:17do Liberal,
25:18já me despeço,
25:19encerro aqui essa conversa,
25:20uma conversa muito boa,
25:21inclusive eu poderia conversar bem mais.
25:24Eu fui.
25:26Eu te agradeço
25:27e finalizo agora, né?
25:29Foi um prazer.
25:31E aos espectadores,
25:32essa foi Ludmila Barros,
25:33assistente de campo
25:34e porta-voz
25:35da Agência de Refugiados da ONU
25:37em Belém.
25:38Ludmila,
25:39um abraço.
25:40A gente espera
25:41que a gente se encontre por aí.
25:44Obrigado, Maicon.
25:45Obrigada pela oportunidade.
25:46E, assim,
25:47agradecer
25:47pela oportunidade
25:49de falar pelo Acnur, né?
25:50E eu acredito
25:51que é importante também
25:53a gente ter esses espaços
25:54e falar um pouco
25:55das nossas atividades
25:56a nível local.
25:58Muito obrigada.
25:59Que vocês fiquem
26:00mais conhecidos agora
26:02e que a gente veja
26:03essa articulação acontecendo.
26:04Sim, sim.
26:05Obrigada.
26:06Obrigada.
26:06Até breve.
26:07Tchau.
26:08Tchau.
Comentários

Recomendado