00:00Olha, o lançamento é, na verdade, uma reunião de pessoas que se juntam para a gente, para nós nos encontrarmos, para o grande encontro.
00:15Então vai ser o lançamento da marca, da Chiquita, esse ano a gente está brincando um pouco com a Coppe.
00:25E estamos preparando um show, que é um show que a gente já vem fazendo desde a Chiquita Verão, que é para sempre, Chiquita para sempre,
00:34porque eu acho que é uma afirmação desse território, dessa manifestação que é a Festa da Chiquita, se manter viva.
00:47A Festa da Chiquita é um evento que para o ano vai fazer 50 anos.
00:51Então, na verdade, nós estamos abrindo os festejos desse jubileu, desse evento, que é um evento que marca um território de conversa com a liberdade,
01:10com o amor, com a alegria, com a devoção e com a fé.
01:13Até porque não, né? Até porque nós estamos no bujo das festas que são treladas à festa maior, que é a Festa da Nossa Senhora de Nazaré.
01:24E ela, como uma festa pagã, ela agrega todas as pessoas, todas as religiões.
01:31Então, assim, a Festa da Chiquita, a gente sempre fala, nós não somos de uma festa profana, nós não queremos combater nada.
01:41Na verdade, lógico que a gente quer combater o preconceito, mas a gente não quer agredir religião, não quer ocupar o espaço de ninguém.
01:50A Festa da Chiquita é uma festa de encontro, de afetos, de fala, de oportunidades e de alegria, né?
02:05Porque é uma festa que mostra a cultura paraense, através de nós LGBTs, né?
02:13Então, assim, nós temos do apresentador, temos cantores, cantoras trans, cantores drags.
02:23A cultura drag é uma coisa que ela vem cada vez se estabelecendo mesmo no palco,
02:31porque até os sertanejos já querem ser drags, entendeu?
02:35Então, na verdade, não existe coisa mais drag que uma pessoa de sertanejo, né?
02:42Tanto é que você vê que todas as cantoras drags se vestem de sertanejo.
02:47Então, assim, a cultura drag, ela está em todos os lugares.
02:52Olha, a gente sabe que o meio ambiente sempre impacta muito com a nossa comunidade, com a comunidade LGBT, né?
03:04A gente vê que nas cheias, nas catástrofes que acontecem, onde as pessoas precisam se abrigar coletivamente,
03:14os LGBTs geralmente eles são excluídos.
03:17As pessoas não querem misturar seus filhos com uma travesti, com uma drag.
03:24Então, assim, a gente sabe que a gente sente esse impacto nessas coisas que são básicas, né?
03:32Que é o acolhimento.
03:34Então, isso é uma das coisas, né?
03:37Então, assim, a gente ainda não erradicou totalmente o preconceito.
03:43A gente só colocou uma lente em cima disso, né?
03:50Porque nós já conquistamos muitos passos e as pessoas já viram que não tem como retroceder.
04:01Nós não vamos dar mais nem um passo para trás, né?
04:05A não ser quando alguém nos pede carinhosamente a gente dar um passinho para trás.
04:10Mas eu acho que a nossa história é essa.
04:16É ocupação.
04:19É ocupação da nossa vida.
04:23Nós temos que ocupar, nós sempre nos omitimos até viver.
04:28Então, assim, eu acho que esse é o momento que a gente está ocupando o nosso espaço,
04:34a nossa vida, o nosso momento.
04:35Então, é essa que é a nossa conversa com a COP.
04:43E eu nem sei se as pessoas estão aí também para isso, né?
04:47A gente...
04:48Tudo que a gente tenta fazer em forma de celebração, né?
04:54A gente tenta celebrar, fazer celebração porque faz parte da nossa maneira de ser.
05:01Nós celebramos todo dia estar em pé, estar vivo.
05:06Eu sou um ancião LGBT com 70 anos, né?
05:11E estou celebrando todo dia quando eu acordo.
05:14Eu celebro que eu estou vivo, que eu consegui, né?
05:17Eu achava que eu ia morrer nos 30, né?
05:20E depois já estava até conformado, estava a fazer.
05:24Mas aí vai chegando e você vai falar assim, não, eu vou assoprar a vela.
05:30Se colocarem a vela na minha mão, eu vou assoprar porque eu acho que a vida, essa é única.
05:37Essa vida é única.
05:39Eu não vou me encontrar com ninguém.
05:42Até porque não dá, né?
05:43Mas de novo encontrar com a mesma pessoa é complicado, né?
05:47E assim, então eu acho assim que acabou, acabou, eu prefiro acreditar que acabou, acabou.
05:55Então as pessoas, ah, eles se preocupam com o velório, como vai ser?
05:59Eu tinha um amigo meu que ele falava, ah, depois que eu estiver morto, pode me jogar em qualquer lugar.
06:04Estou morto.
06:06Estou morto.
06:07Lógico que nós somos, né?
06:10O povo, tudo faz celebração.
06:14Lógico que eu vou ser muito celebrado.
06:17Porque, não sei, mas eu acho isso, eu acho que todo dia tu tens que acordar para celebrar.
06:27Então o lançamento é a celebração desse espaço, o lançamento desse show que está para sempre.
06:38É mostrar mais uma vez que nós estamos aqui, que vai ser para sempre.
06:44Que, na verdade, desde as cavernas nós já estávamos lá.
06:50Assim como nas cavernas já rolava, em Marte com certeza também já rola.
06:57Então, assim, eu falo para as pessoas celebrarem, porque eu acho que é nisso que é importante para a sociedade, né?
07:09Todo mundo celebrar, todo mundo amar, todo mundo respeitar.
07:15Então a celebração, ela vem com isso.
07:17A celebração é felicidade e alegria.
07:20Então, antes mesmo, eu vou continuar.
07:26Obrigada.
07:26Obrigada.
07:26Obrigada.
07:27Obrigada.
07:27Obrigada.
07:27Obrigada.
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