00:00Eu quero falar do déficit fiscal do setor público que voltou a superar 8% do PIB e deve permanecer nesse patamar.
00:06Obviamente, se eu estou em economia, eu chamo o nosso querido Alan Gani.
00:11Explica pra gente esse número e também traduza a preocupação em torno dele pra nossa audiência, Gani.
00:16Olha só, o Goldman Sachs é um grande banco de investimento, inclusive foi um dos bancos que acertou a crise de 2008, apostou contra.
00:24Então, tem uma grande credibilidade e faz um diagnóstico muito preciso da situação fiscal aqui no Brasil, dizendo que essa dívida é insustentável.
00:33Por quê? Porque o nosso déficit fiscal, não primário, porque o primário, no final das contas, que é a arrecadação menos o gasto, excluindo as despesas com juros,
00:42eu vejo que ele tem dois problemas, Evandro. Primeiro, há uma série de exclusões, mas isso não muda a realidade que você está gastando.
00:50Segundo, mesmo que você tire as despesas com juros, é apenas uma métrica, né?
00:58E você precisaria de um superávit primário de 2% pra estabilizar a dívida.
01:02Mas no final do dia, você também tem que pagar os juros.
01:05Então, eu acredito que o déficit nominal, que é o total, a arrecadação menos o gasto, todos os gastos, incluindo as despesas com juros, seja a medida mais adequada.
01:15E o Goldman Sachs olha pra essa métrica e hoje representa 8,34% do PIB. É muita coisa.
01:23Então, significa que essa dívida, ela é crescente. Por quê? Porque o Estado brasileiro é muito gastador.
01:29Esse governo tem gastado muito. E isso tem trazido uma consequência que é um superaquecimento da economia.
01:36Então, esse crescimento econômico que a gente observa nos últimos tempos, ele é um crescimento anabolizado.
01:44Só que ele traz consequências, né? Ele traz consequências negativas, Evandro.
01:49Então, veja, é a mesma coisa, fazendo aqui uma analogia com a área da saúde.
01:54É a mesma coisa que alguém que queira resultados rápidos na academia, tome anabolizantes, hormônios, testosterona, etc.
02:02Você vai conseguir esses resultados? Sim.
02:06Só que você vai ter efeitos colaterais.
02:09Que não são sustentáveis.
02:09Que não são sustentáveis. Exatamente. Esse é o ponto, Evandro.
02:13Então, veja, o crescimento da economia brasileira acontece? Acontece.
02:17A qual custo? A um custo de muito gasto.
02:22Muito gasto que o imposto não é suficiente.
02:25Então, o governo precisa se endividar com a sociedade.
02:29E essa dívida vai crescendo.
02:30Então, assim, eu consigo um crescimento econômico a curto prazo, mas eu gero consequências.
02:37Mais inflação e mais taxas de juros lá na frente.
02:40E poderá chegar um momento que as contas públicas poderão colapsar.
02:45Agora, o que é o calor.
02:45A atenção na descrição do Goldman Sachs, o Alan Ghani, é o fato dele dizer que o Brasil tem aversão ao controle de gastos.
02:53Tem, tem.
02:53E isso é histórico, né?
02:55Ele tem toda a razão nesse diagnóstico.
02:57Porque, veja, Evandro, o governo é muito gastador, o Congresso é muito gastador, os empresários não querem abrir mão dos seus subsídios.
03:07Opa, peraí, eu concordo que precisa de corte de gastos, mas aqui o meu setor é importante, no meu queijo não.
03:13O autofuncionalismo público também não quer abrir mão dos seus privilégios.
03:18Então, todo mundo reconhece que, de fato, o Brasil precisa de uma reforma fiscal.
03:23Mas ninguém quer fazer a sua parte.
03:26Então, a gente precisa de uma espécie de um novo plano real fiscal, onde toda a sociedade...
03:33Se envolva.
03:33Se envolva, exatamente.
03:34Entenda que precisa fazer a sua parte, né?
03:37E não são medidas fáceis, são medidas duras, né?
03:41São medidas impopulares, mas essenciais para a sustentabilidade da dívida e um crescimento a longo prazo.
03:47A sua força, então, é natural, Alan Gani?
03:50Eu não tenho muita força, né?
03:52Parece assim, vamos ver.
03:53É mais na perna.
03:55Vanda ali fazer um agachado.
03:58No braço, não?
03:59No braço, não.
04:00É mais na perna.
04:02Beleza, mas é sustentável, né?
04:04Sustentável.
04:04Não, só hoje está em dia, graças a Deus.
04:05Ah, então tá bom.
04:06Valeu, Gani.
04:07Valeu.
04:07Vai lá, Bia.
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