Das terras silenciosas de Uz aos ventos tempestuosos que ecoaram do céu, esta é a história de um homem íntegro, justo e temente a Deus, cuja vida se tornou palco da maior prova de fé já registrada. Jó – O Filme revela a trajetória do servo que perdeu tudo em um só dia, mas que permaneceu firme diante da dor, do silêncio divino e das acusações dos homens.
Uma narrativa cinematográfica que mostra sua prosperidade, a tragédia que o lançou às cinzas, o clamor desesperado em meio à dor, a resposta majestosa de Deus no redemoinho e, por fim, a surpreendente restauração que marcou sua vida diante do Altíssimo.
Prepare-se para testemunhar um dos relatos mais impactantes da Bíblia, em uma produção épica, emocionante e fiel às Escrituras.
📖 Baseado nos relatos bíblicos do Antigo Testamento.
📖 Inspirado no Livro de Jó.
#FilmeBíblico #Biblia #Jó #históriadeJó #filmecompleto #4K
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PessoasTranscrição
00:00No silêncio das terras antigas, onde o vento sopra entre montanhas e desertos, viveu um
00:12homem cujo nome ecoaria por séculos.
00:19Ele tinha tudo, riquezas, honra, uma família numerosa, um nome respeitado entre as nações.
00:27Mas, em um só dia, perdeu tudo.
00:39Das alturas, um desafio foi lançado.
00:43O homem seria provado no fogo da dor.
00:46Seus bens seriam consumidos, seus filhos arrancados, sua carne ferida.
00:52E ainda assim, sua fé resistiu.
00:57Esta não é apenas a história de um homem.
01:04É o retrato da maior batalha entre o céu e o abismo.
01:11Esta é a história de Jó.
01:14O sol despontava sobre as terras do oriente, tingindo de dourado os campos e as colinas.
01:32Uma extensa caravana cruzava o horizonte, conduzindo rebanhos de bois, camelos e ovelhas.
01:39No centro daquele vasto cenário, um homem se erguia como símbolo de respeito e prosperidade.
01:51Jó.
01:51Sua voz firme ecoava nas manhãs, quando se levantava para interceder pelos filhos.
02:04Oferecendo sacrifícios a Deus, pois temia que, em meio às festas e celebrações,
02:10algum deles pudesse ter pecado contra o Altíssimo em pensamento ou palavra.
02:22Sua casa era repleta de vida.
02:26Sete filhos, três filhas, servos numerosos, riquezas incontáveis.
02:31Todos os que o conheciam falavam de sua integridade e do temor que tinha a Deus.
02:42Mas enquanto na terra a harmonia reinava,
02:45nos céus se preparava um diálogo que mudaria para sempre a história daquele homem.
02:50Em meio à assembleia dos filhos de Deus que se apresentavam diante do trono,
02:59uma figura sombria se destacava.
03:02Satanás caminhava entre eles com passos firmes,
03:06como quem reivindicava um lugar que não lhe pertencia.
03:10O Senhor falou, com voz que estremecia os céus.
03:17De onde vens?
03:21Satanás ergueu os olhos, um sorriso disfarçado de desafio nos lábios.
03:28De rodear a terra e passear por ela.
03:31Deus então o confrontou.
03:34Observaste o meu servo Jó, homem íntegro, reto, que se desvia do mal.
03:41O semblante de Satanás se endureceu, e sua resposta ecoou carregada de ironia.
03:50Porventura teme Jó a Deus de balde.
03:54Não o cercaste de bênçãos.
03:57Não multiplicaste suas riquezas.
04:01Estende a mão, toca em tudo quanto tem,
04:05e verás se não blasfema contra ti em tua face.
04:10Silêncio.
04:11Os anjos olhavam atentos, como testemunhas do que se decidiria.
04:17Então, a voz de Deus rompeu o espaço.
04:22Eis que tudo quanto ele tem está em teu poder.
04:25Apenas contra ele não estendas a mão.
04:27Dias depois, uma tempestade de tragédias se aproxima.
04:38Servos chegam correndo à casa de Jó,
04:41cada um trazendo uma notícia pior que a outra.
04:45O primeiro, ofegante, cai de joelhos.
04:48Os bois aravam, e as jumentas pastavam junto a eles.
04:53De repente, vieram os sabeus e os tomaram.
04:57Mataram os servos a fio da espada.
05:00Só eu escapei para te trazer a notícia.
05:03Antes que Jó pudesse reagir, outro correu.
05:06Fogo de Deus caiu do céu.
05:12Queimou as ovelhas e os servos e os consumiu.
05:15Só eu escapei.
05:19O terceiro surge quase sem fôlego.
05:22Os caldeus dividiram-se em três bandos.
05:29Atacaram os camelos e os levaram.
05:32E os servos foram mortos.
05:34Só eu sobrevivi.
05:36E por fim, o golpe mais cruel.
05:40Um último servo entra.
05:42Lágrimas escorrendo pelo rosto.
05:45A voz trêmula.
05:46Teus filhos e tuas filhas estavam comendo e bebendo vinho na casa do irmão mais velho.
05:54Veio um vento forte do deserto.
05:56A casa caiu sobre eles.
05:58E morreram.
06:00Só eu escapei.
06:03O corpo de Jó desfalece.
06:06Seus joelhos cedem.
06:10E ele rasga seu manto, rapa a cabeça.
06:14E cai por terra, não em desespero, mas em adoração.
06:20Com voz embargada, lágrimas nos olhos, declara.
06:26No saí do ventre de minha mãe, nu voltarei para lá.
06:29O Senhor o deu, o Senhor o tomou.
06:32Bendito seja o nome do Senhor.
06:34O céu escurece como o prenúncio de que o primeiro embate havia apenas começado.
06:44Nos lugares celestiais, novamente Satanás se apresenta diante de Deus.
06:50De onde vens?
06:55Pergunta o Altíssimo.
07:00De rodear a terra e passear por ela.
07:05Observaste o meu servo Jó?
07:07Ainda retém a sua integridade, mesmo havendo tu me incitado contra ele para o consumir sem causa.
07:14Satanás serra os punhos.
07:17Sua voz ressoa com rancor.
07:21Pele por pele, tudo quanto o homem tem, dará pela sua vida.
07:27Estende agora a mão.
07:29Toca-lhe nos ossos e na carne.
07:31E verás se não blasfema contra ti.
07:35Deus com firmeza responde.
07:37Eis que ele está em teu poder.
07:39Apenas poupa-lhe a vida.
07:41Assim, Satanás desce à terra.
07:51E logo úlceras malignas cobrem Jó dos pés à cabeça.
07:56O outrora próspero patriarca, agora debilitado, senta-se no pó, raspando-se com um caco de barro.
08:16Sua esposa se aproxima, a dor estampada no rosto.
08:20Ainda retens a tua integridade?
08:27Amaldiçoa a Deus e morre.
08:30Jó ergue os olhos marejados.
08:33Sua voz sai firme, mas serena.
08:37Falas como qualquer doida.
08:39Receberíamos de Deus o bem e não receberíamos também o mal?
08:42Ele volta os olhos para o chão, enquanto sua respiração pesada ecoa.
08:50O silêncio toma conta.
08:53Ao fundo, nuvens densas cobrem o céu, como se até mesmo a natureza aguardasse os próximos capítulos da luta invisível.
09:03O vento soprava forte sobre as ruínas do lar de Jó.
09:13Onde antes havia música e alegria, agora só se ouvia o lamento dos servos.
09:18O choro abafado das mulheres.
09:22E o mugido perdido dos poucos animais que restaram.
09:33Jó, coberto de chagas, estava sentado nas cinzas.
09:38Sua pele ardia.
09:40Sua carne latejava em dor.
09:42E ainda assim, sua boca não se abriu para blasfemar.
09:46Apenas gemidos escapavam, como suspiros entrecortados.
09:53As notícias de sua queda se espalharam rápido.
09:57O homem que antes fora visto como modelo de prosperidade, agora era alvo de murmúrios nas vilas vizinhas.
10:06Alguns diziam que a mão de Deus pesava sobre ele por causa de pecados ocultos.
10:12Outros acreditavam que os céus estavam punindo sua casa por algum segredo.
10:19A verdade, no entanto, permanecia oculta a todos.
10:23Jó era palco de uma batalha invisível entre o Altíssimo e o Acusador.
10:35Naquele silêncio denso, três figuras se aproximaram à distância.
10:41Eram seus amigos.
10:42Elifaz, Bildade e Zofar.
10:45Quando viram Jó de longe, quase não o reconheceram.
10:50Sua pele estava coberta de feridas purulentas.
10:53Sua barba desgrinhada, seus olhos fundos e marejados.
10:58Eles rasgaram as próprias roupas em sinal de luto e se sentaram no chão ao lado dele.
11:05Durante sete dias e sete noites, ninguém disse uma palavra.
11:11O silêncio pesava mais que qualquer discurso.
11:14E apenas os gemidos de Jó preenchiam o vazio.
11:17Na aurora do oitavo dia, Jó ergueu a voz pela primeira vez.
11:26Sua fala ecoou como trovão no deserto.
11:29Pereça o dia em que nasci, que jamais seja contado entre os dias do ano.
11:37Por que não morri ao nascer ou expirei ao sair do ventre?
11:41Pois agora jazeria em paz, dormiria e estaria em descanso.
11:45Elifaz inclinou-se, seu rosto severo, mas compassivo.
11:49Se alguém tentar falar contigo, enfadar-te-ás, contudo, não posso me calar.
11:59Eis que tens ensinado a muitos, tens fortalecido mãos cansadas.
12:04Mas agora, chegando a tua vez, desfaleces?
12:08Recorda-te, quem jamais pereceu sendo inocente?
12:11Jó levantou os olhos, suas lágrimas refletindo a chama da dor.
12:21Ah, se pudesse pesar minha angústia, seria mais pesada que a areia dos mares.
12:25As flechas do Todo-Poderoso estão em mim, e o veneno delas suga meu espírito.
12:31Amigo, eu não roguei ajuda?
12:36Apenas peço compreensão.
12:37Bildade, com voz firme, cortou o ar.
12:46Se teus filhos pecaram contra ele, entregou-os ao poder da transgressão.
12:53Mas se tu buscares a Deus e suplicares ao Todo-Poderoso, ele restaurará a tua morada.
12:59A aflição não vem do nada, Jó.
13:02O coração de Jó se revolveu, e ele gritou, o rosto voltado para o céu.
13:16Como poderei contender com ele?
13:18Ainda que eu fosse justo, não poderia responder.
13:21Quem me dera um árbitro entre nós, que pusesse a mão sobre mim e sobre ele?
13:25O silêncio voltou por um instante, interrompido apenas pelo vento que levantava poeira ao redor.
13:37Zofar, o terceiro, inclinou-se para a frente e disse com dureza.
13:41Se te arrependeres, estenderás as mãos a ele, e tua vida brilhará mais do que o meio-dia.
13:54Jó respirou fundo, sua voz agora embargada.
14:02Com efeito sois todos consoladores molestos.
14:05As palavras caíram como pedras entre eles.
14:35Enquanto o céu, encoberto por nuvens pesadas, refletia o peso da discussão.
14:43O silêncio celestial parecia esmagador, como se o próprio Deus tivesse se retirado.
14:53A dor, a dúvida e as acusações se entrelaçavam em cada fala.
14:58Mas no coração de Jó, ainda restava uma centelha.
15:05A convicção de que sua causa estava diante de um justo juiz.
15:11E era essa centelha que sustentaria sua resistência diante das próximas tempestades.
15:18A noite caiu sobre Us, pesada como um manto de chumbo.
15:31As estrelas, escondidas por nuvens densas, mal iluminavam o campo onde Jó permanecia sentado nas cinzas.
15:39O vento frio soprava, e sua respiração cansada se confundia com o som seco das brasas que se apagavam.
15:50Seus amigos ainda estavam ali, cercando-o, e o silêncio que antes parecia compaixão, agora se tornava em acusações veladas.
16:02Jó ergueu os olhos marejados e, com voz tremida, rompeu a quietude.
16:09A minha alma está cansada da vida.
16:13Deixai-me, pois os meus dias passam como um sopro.
16:16Direi a Deus, não me condenes.
16:19Mostra-me por que contendes comigo.
16:23Ele faz balançou a cabeça, os olhos fixos no sofredor.
16:31Jó, acaso Deus perverteria o juízo?
16:36Lembra-te, feliz é o homem a quem Deus corrige.
16:40Não desprezes, pois, a disciplina do Todo-Poderoso.
16:44Jó cerrou os punhos.
16:55Sua voz tornou-se mais forte.
16:57Oh, se minhas palavras fossem escritas num livro, porque sei que o meu Redentor vive e, por fim, se levantará sobre a terra.
17:11E, depois de consumida a minha pele, ainda em minha carne verei a Deus.
17:15Bildad ergueu-se, inconformado com a ousadia de Jó.
17:25As palavras cortaram o ar como espada, mas Jó não se calou.
17:49Com voz embargada, ele gritou.
17:53Misericórdia, amigos meus, por que me perseguis como Deus?
17:57Não me envergonhareis ao menos de minha carne dilacerada?
18:01O que eu fiz para merecer este peso?
18:03Zofar se inclinou.
18:05Seu olhar duro refletia desconfiança.
18:08Porventura não sabes que, desde a antiguidade, o júbilo dos ímpios é breve?
18:13Ainda que sua altura chegue aos céus, sua queda o lançará ao pó.
18:21As lágrimas de Jó correram pelo rosto ferido.
18:28Ele olhou para o céu encoberto, como quem buscava um vislumbre de resposta.
18:33Oh, se eu pudesse ir à presença de Deus, se eu soubesse onde encontrá-Lo.
18:43Apresentaria minha causa diante dEle, encheria a minha boca de argumentos.
18:48Saberia as palavras que me responderia e entenderia o que me dissesse.
18:53O vento aumentou, trazendo um ruído grave, como se a terra pressentisse o peso daquela busca.
19:01Os amigos o fitavam, alguns com indignação, outros com dó, mas todos com incompreensão.
19:12Jó se virou para eles, a voz trêmula de emoção.
19:17Deus conhece o caminho que tomo.
19:20Provando-me, sairei como ouro.
19:22O silêncio que se seguiu foi sufocante.
19:25Ele faz pigarreou, mas não encontrou palavras.
19:31Bildade abaixou os olhos.
19:33Zofar se calou.
19:34O único som era o do vento cortando o deserto.
19:41Na escuridão, Jó recostou-se sobre as cinzas.
19:45Sua respiração pesada revelava o peso da luta interior.
19:51Sua mente oscilava entre a dor da acusação e a esperança de um Deus,
19:56que ainda em silêncio, parecia observá-Lo de longe.
20:01Então, de repente, uma nova voz irrompeu, mas jovem e firme.
20:07Eliú, que até então havia permanecido calado, tomou a palavra.
20:12Seus olhos brilhavam de indignação diante da acusação dos amigos e das palavras desesperadas de Jó.
20:20Esperei, enquanto faláveis, dei ouvidos às vossas razões, mas não havia em vós sabedoria.
20:29Jó, dizes que é justo diante de Deus que Ele não te responde?
20:35Nisso não tens razão, pois Deus fala de um modo e de outro.
20:39E o homem não atenta para isso.
20:43Ele abre os ouvidos dos homens por meio da dor, para desviar o homem da soberba e da ruína.
20:51Jó olhou com surpresa.
20:54Seus lábios tremeram, mas não respondeu.
20:57Os outros se entreolharam, incomodados com a ousadia do mais jovem.
21:06Eliú prosseguiu.
21:08Sua voz crescia como quem era tomado por um ímpeto irresistível.
21:13Eis que nisto não tens razão, digo-te, porque maior é Deus do que o homem.
21:19Ele não age com injustiça.
21:21Ele nos instrui, ainda que pela dor, para que a alma não desça ao abismo.
21:27As palavras ecoaram pairando no ar.
21:30Era como se o vento tivesse mudado de direção.
21:34Jó, cansado, baixou a cabeça.
21:37Seus olhos, ainda amarejados, brilhavam com a centelha de uma esperança diferente.
21:45Talvez, no meio da dor, houvesse algo que ainda não compreendia.
21:54O céu, que até então permanecia encoberto, começou a se agitar.
22:01Relâmpagos distantes cortaram as nuvens.
22:04E trovões ressoaram ao longe.
22:08O deserto silenciou, como se a criação inteira aguardasse o desfecho.
22:15Eliú ergueu o braço em direção ao horizonte.
22:25Atenta, Jó, e considera as maravilhas de Deus.
22:29Porque Ele está no alto, poderoso em força, mas justo em todos os seus caminhos.
22:35Os olhos de Jó se encheram de lágrimas, não de desespero, mas de um temor reverente.
22:47Pela primeira vez, desde o início de sua provação, ele sentiu que algo maior estava prestes a acontecer.
22:58O céu se cobria de nuvens densas, como se uma tempestade estivesse se formando nas profundezas do firmamento.
23:07O silêncio dos campos de Us era quebrado apenas pelos lamentos do vento que atravessava as árvores secas.
23:18Jó permanecia sentado nas cinzas, seu corpo enfraquecido, seus olhos vermelhos de tanto chorar.
23:29As palavras de Eliú ainda ecoavam em sua mente, desafiando-o a enxergar além da dor.
23:40O jovem continuava a falar, apontando para o horizonte onde raios iluminavam a escuridão.
23:48Jó ergueu os olhos cansados para o céu e sua voz saiu embargada.
24:18Se eu pudesse vê-lo, se pudesse entender o porquê desta dor.
24:24Oh, que ele me responda, que me diga qual é o meu erro.
24:28Pois sinto como se fosse alvo de sua flecha, e minha alma se consome sem respostas.
24:35Os amigos se entreolhavam, alguns indignados com a ousadia de Jó, outros comovidos com sua dor.
24:44Jó, não podes contender com o Altíssimo.
24:57Ele é maior do que a tempestade, e seus caminhos são mais altos que os nossos pensamentos.
25:03Quem és tu para julgá-lo?
25:04O vento rugiu mais forte, e trovões rebombaram no horizonte.
25:11Os olhos de Jó brilharam em meio às lágrimas.
25:15Seu coração ardia de perguntas, mas também de expectativa.
25:19Ele se levantou, com dificuldade, apoiando-se em um cajado improvisado.
25:25Sua voz, fraca, porém firme, cortou o ar.
25:29Se Deus me falar, eu o ouvirei.
25:33Se ele me julgar, eu me calarei.
25:36Só peço que não me abandone no silêncio.
25:38As horas seguintes foram de tensão.
25:41A tempestade se aproximava, e cada trovão fazia o solo estremecer.
25:48Jó, de pé sobre as cinzas, olhava fixamente para o horizonte,
25:54como se aguardasse uma resposta que atravessaria os céus.
25:58Seus lábios se moveram em um último clamor.
26:03Ouve-me, ó Todo-Poderoso.
26:05Não me deixes perecer sem resposta.
26:08De repente, o vento soprou com fúria, levantando areia e poeira.
26:15Os amigos se levantaram assustados, tentando se proteger com seus mantos.
26:20Ele o recuou, mas seus olhos permaneciam fixos no fenômeno que se formava diante deles.
26:33Uma nuvem negra desceu do céu, girando em espiral, como um redemoinho que engolia o deserto.
26:41O estrondo foi ensurdecedor.
26:47O pó envolveu Jó, que permaneceu imóvel, como que enraizado no chão.
26:54Então, em meio ao turbilhão, uma voz irrompeu, não como a de um homem, mas como trovões que falavam.
27:05Quem é este que escurece o conselho com palavras sem conhecimento?
27:11Singe agora os teus lombos como homem.
27:14Eu te perguntarei e tu me responderás.
27:17Os olhos de Jó se arregalaram.
27:21Seu corpo tremia, mas sua alma ardia em reverência.
27:27Seus amigos caíram com o rosto em terra, incapazes de suportar a magnitude daquela voz.
27:36A voz prosseguiu, majestosa e implacável.
27:40Onde estavas tu quando eu lançava os fundamentos da terra?
27:44Diz-me, se tens entendimento, quem lhe pôs as medidas, se é que sabes,
27:51ou quem estendeu sobre ela o cordel?
27:54Sobre que estão fundadas as suas bases?
27:57Ou quem lhe assentou a pedra de esquina,
28:00quando as estrelas da alva juntas alegremente cantavam
28:04e todos os filhos de Deus rejubilavam?
28:08As palavras ressoavam como trovões sobre montanhas.
28:12A cada pergunta, Jó sentia seu coração se desfazer.
28:19Ele, que buscava respostas,
28:21agora percebia o abismo entre sua fragilidade e a grandeza do Criador.
28:28A tempestade rugia, mas a voz não cessava.
28:32Acaso já deste ordens amanhã desde os teus dias?
28:38Ou fizeste conhecido a alva o seu lugar?
28:41Entraste tu nos mananciais do mar?
28:45Ou passeaste no mais profundo do abismo?
28:48Mostra-me, Jó, se podes.
28:52Lágrimas desciam pelo rosto de Jó.
28:55Suas pernas tremiam e ele caiu de joelhos,
29:02incapaz de suportar a majestade daquela revelação.
29:08O redemoinho o cercava, mas não o consumia.
29:12Ao contrário, revelava-lhe a glória de um Deus que nenhum homem pode compreender.
29:18Seus amigos, prostrados, não ousavam levantar os olhos.
29:27A cena era grandiosa, épica, esmagadora.
29:32Jó, em meio à tempestade, já não buscava justificativas,
29:38mas apenas rendição.
29:40A tempestade rugia sobre o deserto
29:44e a voz de Deus ecoava como trovões que atravessavam a alma.
29:51Cada palavra era como um raio que iluminava a insignificância humana
29:55diante da grandeza do Criador.
30:00Jó, prostrado em cinzas, sentia seu corpo tremer,
30:05mas seu espírito despertava para uma verdade
30:08que nunca havia compreendido em plenitude.
30:12A voz prosseguiu.
30:17Porventura, podes tu amarrar os laços das Pleiades
30:20ou soltar os cordéis de Órion.
30:23Acaso ordenas ao raio que siga
30:25e ele te responde,
30:27Eis-me aqui?
30:29Quem deu sabedoria ao coração
30:31ou quem deu entendimento à mente?
30:34Os olhos de Jó se encheram de lágrimas.
30:39Sua boca tremeu
30:40e suas mãos, levantadas em rendição,
30:44escorriam de areia e cinzas.
30:48Com voz embargada,
30:49ele respondeu em meio ao vento.
30:53Eis que sou indigno.
30:55Que te responderia eu?
30:57Ponho a mão sobre a minha boca.
30:59Uma vez falei, mas não replicarei.
31:01Ainda outra vez,
31:02mas não prosseguirei.
31:10O redemoinho o envolveu mais uma vez
31:13e a voz tornou-se ainda mais firme.
31:21Singe agora os teus lombos como homem.
31:24Eu te perguntarei
31:25e tu me responderás.
31:28Anularás tu de fato o meu juízo?
31:30Condenar-me-ás para te justificares?
31:34Tens braço como Deus
31:36ou trovejas com voz como a sua?
31:38Jó caiu com o rosto em terra.
31:43Sua respiração entrecortada
31:45deu lugar a um choro profundo.
31:48Não mais de revolta,
31:50mas de rendição.
31:51Ele ergueu o rosto ao céu turbilhonado
32:00e declarou.
32:01Bem sei que tudo podes
32:07e nenhum dos teus planos pode ser impedido.
32:11Com efeito,
32:13falei do que não entendia,
32:15coisas maravilhosas demais para mim
32:17que eu não conhecia.
32:19Eu te conhecia só de ouvir,
32:21mas agora os meus olhos te veem.
32:23Por isso me abomino
32:25e me arrependo no pó e na cinza.
32:28O redemoinho cessou,
32:30o vento se acalmou,
32:32o céu clareou lentamente
32:34e o silêncio que se seguiu
32:36não era mais de ausência,
32:38mas de paz.
32:39O próprio ar parecia cheio de reverência,
32:43como se toda a criação
32:44tivesse testemunhado
32:45aquele momento sublime.
32:46Os amigos de Jó,
32:50atônitos,
32:51permaneceram prostrados.
32:54Então a voz do Senhor
32:55se voltou contra eles.
32:58A minha ira se acendeu contra vós,
33:01porque não dissestes de mim
33:02o que era reto,
33:04como o meu servo Jó.
33:05Tomai, pois,
33:07sete novilhos
33:08e sete carneiros.
33:10E ide ao meu servo Jó
33:11e oferecei holocaustos por vós.
33:14O meu servo Jó
33:16orará por vós,
33:17porque dele
33:18aceitarei a oração,
33:20para que eu não vos trate
33:22segundo a vossa loucura.
33:25Ele faz,
33:26Bildade e Zofar
33:27tremeram diante
33:29da repreensão divina.
33:31Seus olhos,
33:32antes cheios de acusações,
33:34agora estavam marejados
33:35de vergonha.
33:38Aproximaram-se de Jó
33:39com os animais,
33:40trazendo-os como oferta.
33:46Ele,
33:47ainda frágil,
33:48mas agora fortalecido
33:49pela revelação do Altíssimo,
33:52intercedeu por eles
33:53em oração sincera.
33:55E o Senhor
33:56ouviu a voz de Jó.
34:02Onde antes havia ruínas,
34:04começa a surgir abundância.
34:06os campos reverdecem,
34:12os rebanhos se multiplicam,
34:14os celeiros voltam a se encher.
34:16As mãos que outrora
34:21estavam cobertas de feridas,
34:23agora trabalham com vigor.
34:30Os vizinhos e parentes
34:32regressam,
34:33trazendo presentes e pratas,
34:35e a casa de Jó
34:36torna-se novamente
34:38um lugar de festa e vida.
34:40Seus novos filhos e filhas
34:42brincam pelos pátios ensolarados.
34:46Enquanto sua esposa,
34:51antes desesperada,
34:52agora sorri em paz.
34:57Jó,
34:58sentado sob a sombra
34:59de uma grande árvore,
35:00contempla seus descendentes
35:02até a quarta geração.
35:04E assim,
35:08o Senhor virou o cativeiro de Jó,
35:10quando orava pelos seus amigos.
35:15E o Senhor acrescentou em dobro
35:17a tudo quanto antes possuía.
35:20E abençoou o Senhor
35:21o último estado de Jó,
35:24mais do que o primeiro.
35:25é que o Senhor manda que perminta
35:27e o Senhor diga
35:29e o Senhor
35:30a tudo.
35:31É que o Senhor
35:46o Senhor
35:47a tudo.
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