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Das muralhas colossais da Babilônia aos jardins suspensos que deslumbraram o mundo antigo, esta é a história de um rei que acreditava ser invencível. Nabucodonosor – O Filme revela a trajetória do soberano que alcançou glória incomparável, mas que também enfrentou a mais dura lição do Altíssimo.

Uma narrativa cinematográfica que mostra sua ascensão, seu orgulho diante das nações, a queda que o levou à loucura e a surpreendente restauração diante do Deus que governa todos os reinos da Terra.

Prepare-se para testemunhar um dos relatos mais impactantes da Bíblia, em uma produção épica, emocionante e fiel às Escrituras.

📖 Baseado nos relatos bíblicos do Antigo e Novo Testamento.

📖 Inspirado no livro de Daniel.

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Categoria

Pessoas
Transcrição
00:00No coração da antiga Mesopotâmia, ergueu-se uma cidade que desafiava os céus.
00:12Babilônia, muralhas colossais, portões de bronze e jardins suspensos que brilhavam como o próprio paraíso.
00:20No trono, um homem que julgava governar o mundo, Nabucodonosor, rei dos reis, senhor de povos e nações.
00:31Sua palavra era lei, sua glória parecia eterna e nenhum exército ousava enfrentá-lo.
00:40Mas nenhum trono humano é inabalável diante do Deus que governa sobre todos os reinos.
00:50Este é o relato de um rei que caminhou da glória à loucura, da soberba à queda e da humilhação à restauração.
01:05Uma história em que a majestade da Babilônia se curva diante da eternidade do Deus vivo.
01:24As muralhas da Babilônia se erguiam como colossos diante do deserto,
01:46refletindo a glória de um império que parecia eterno.
01:48Torres reluzentes, portões revestidos de bronze,
02:00soldados em marcha ritmada.
02:05Tudo exalava poder.
02:07O rio Eufrates cortava a cidade como uma serpente prateada, trazendo vida e imponência.
02:20No coração desse império, sobre um trono dourado sustentado por leões de pedra,
02:27estava Nabucodonosor, o rei dos reis.
02:30Seus olhos, penetrantes e firmes, observavam as riquezas conquistadas,
02:42e seu coração transbordava de orgulho.
02:47Não há reino como o meu.
02:50Quem ousará resistir ao braço da Babilônia?
02:53No entanto, em meio ao esplendor, um povo derrotado chorava em silêncio.
03:01Homens, mulheres e crianças de Jerusalém haviam sido levados cativos.
03:09Entre eles, quatro jovens de semblante firme se destacavam.
03:15Daniel, Hananias, Misael e Azarias.
03:18Escravizados e levados à corte, eles representavam a esperança de um Deus
03:27que não se calava, mesmo no exílio.
03:34Certa noite, Nabucodonosor foi perturbado por um sonho.
03:44Sua respiração ficou pesada.
03:47O suor cobria sua fronte.
03:52Ao despertar, gritou.
03:57Guardas!
03:59Chamem todos os sábios, magos e encantadores.
04:03Quero que me revelem o sonho e a interpretação.
04:07Se não o fizerem, morrerão.
04:09A sala do trono encheu-se de homens apavorados.
04:13Um dos chefes sussurrou.
04:15Majestade, conte-nos o sonho e nós o interpretaremos.
04:19Mas o rei rugiu.
04:22Não!
04:23Vocês devem me dizer o que sonhei e também o significado.
04:29Assim saberei se não mentem para mim.
04:32O pânico se espalhou.
04:34Ninguém ousava falar.
04:36Então, o decreto foi dado.
04:41Todos os sábios seriam executados.
04:44Entre eles, estava Daniel, que, ao ouvir a sentença,
04:52ergueu os olhos ao céu e disse a seus amigos.
04:57Oremos ao Deus dos céus, pois só ele pode revelar o que está oculto.
05:02Naquela noite, Daniel recebeu a revelação em visões.
05:11A sala imponente estava silenciosa, exceto pelo som da respiração do soberano.
05:33Nabucodonosor o fitou com desdém.
05:39Então, és-tu capaz de me contar o sonho que tive?
05:45Daniel, humilde, respondeu.
05:47Não há sábio, nem mago, nem adivinhe o que possa revelar este mistério, ó rei.
05:55Mas há um Deus nos céus que revela os segredos.
05:59Ele mostrou a ti o que há de vir.
06:02O rei inclinou-se intrigado e Daniel prosseguiu.
06:10Em teu sonho, viste uma grande estátua.
06:13Sua cabeça era de ouro puro, seu peito e braços de prata,
06:18seu ventre e coxas de bronze,
06:20suas pernas de ferro e seus pés em parte de ferro e em parte de barro.
06:26Enquanto contemplavas, uma pedra, cortada sem auxílio de mãos,
06:31atingiu os pés da estátua e a despedaçou.
06:36Todo o ídolo foi reduzido a pó levado pelo vento
06:39e a pedra tornou-se uma montanha que encheu toda a terra.
06:43O silêncio caiu sobre o salão.
06:49Os olhos de Nabucodonosor se arregalaram,
06:53pois eram exatamente essas as imagens que o atormentavam.
06:58Ele se levantou abruptamente,
07:00o manto dourado arrastando pelo chão.
07:04É isso, é isso mesmo que vi.
07:06Daniel concluiu.
07:08Tu és a cabeça de ouro, ó rei.
07:11Deus te deu poder, força e glória.
07:14Mas, depois de ti, virão outros reinos,
07:18até que o Altíssimo estabeleça um reino eterno que jamais será destruído.
07:24Nabucodonosor ficou estupefato.
07:26Seu orgulho se misturava ao temor.
07:29Por um instante, seu coração tremeu diante da revelação de um poder maior que o seu.
07:37Ele caiu com o rosto em terra e declarou diante da corte.
07:41Certamente, o vosso Deus é Deus dos deuses e Senhor dos reis.
07:51Mas, ainda que tivesse reconhecido a glória do Altíssimo,
07:55a semente do orgulho não havia sido arrancada.
07:59O coração do rei continuava inflamado
08:01e a ideia de ser apenas uma parte de uma estátua o perturbava profundamente.
08:08No íntimo, uma chama de desafio começou a crescer.
08:13Se ele era a cabeça de ouro,
08:15faria de si mesmo não apenas uma parte,
08:19mas a totalidade da glória.
08:23E assim, enquanto o palácio vibrava com a vitória da interpretação,
08:29Nabucodonosor já tramava em silêncio
08:32a construção de algo que marcaria sua soberania para sempre.
08:38O rugido distante das fornalhas da Babilônia ecoava,
08:46prenunciando um novo ato do drama divino que estava apenas começando.
08:52O sol queimava alto sobre a planície de Dura,
08:56onde o rei Nabucodonosor havia ordenado erguer um monumento jamais visto.
09:01A poeira se levantava sob os pés dos operários,
09:08enquanto martelos retumbavam e cordas puxavam blocos revestidos de ouro.
09:15Quando a última peça foi colocada,
09:20ergueu-se diante da multidão uma estátua colossal,
09:25cintilando sob a luz como se fosse o próprio sol.
09:29Não era apenas a cabeça de ouro do sonho,
09:32mas toda a estátua, dos pés à coroa,
09:36revestida de ouro puro.
09:37Era o reflexo da soberba de um homem que se recusava a ser apenas parte de um destino maior.
09:46No dia marcado, povos, nações e línguas se reuniram diante da estátua.
09:53Tambores rufavam, trombetas ecoavam,
09:57e o arauto do rei proclamava em voz firme.
10:00Ó povos de toda a terra,
10:05assim ordena Nabucodonosor,
10:07quando ouvirdes o som da trombeta,
10:10da flauta,
10:11da harpa,
10:12da lira,
10:13e de toda sorte de música,
10:15prostrai-vos,
10:16e adorai a estátua que o rei erigiu.
10:20Aquele que não se prostrar,
10:22será lançado imediatamente na fornalha ardente.
10:26A multidão estremeceu,
10:28o som dos instrumentos encheu o ar.
10:34E como ondas,
10:35todos caíram de rosto em terra,
10:38diante da imagem dourada.
10:44Todos,
10:45exceto três figuras que permaneceram firmes,
10:49Hananias,
10:50Misael
10:50e Azarias.
10:52Seus olhos não se voltaram à estátua,
10:55mas ao céu invisível acima deles.
10:58Soldados os agarraram
11:05e arrastaram até o trono improvisado do rei.
11:11Nabucodonosor,
11:13com um olhar faiscante,
11:14ergueu-se e bradou.
11:16É verdade,
11:21Sadraque,
11:22Mesaque e Abednego,
11:24que não adorais a minha estátua de ouro?
11:27Dou-vos uma última chance.
11:30Quando ouvirdes a música,
11:32prostrai-vos.
11:34Caso contrário,
11:36sereis lançados na fornalha.
11:38E que Deus poderá livrar-vos da minha mão?
11:41Os três jovens,
11:43mesmo cercados de guerreiros,
11:46responderam com serenidade.
11:50Hananias falou primeiro.
11:51Ó Nabucodonosor,
11:54não necessitamos de resposta acerca disso.
11:57Eis que o nosso Deus,
11:59a quem servimos,
12:00pode nos livrar da fornalha e da tua mão.
12:05Mas, se não o fizer,
12:08saiba, ó rei,
12:09que não serviremos aos teus deuses,
12:11nem adoraremos a estátua que levantaste.
12:14O rosto de Nabucodonosor
12:17se contorceu de ira.
12:19Ele gritou aos guardas.
12:21Aumentem o fogo sete vezes mais.
12:24Amarrai-os e lançai-os agora.
12:28As chamas rugiam como bestas enfurecidas.
12:36Os soldados que se aproximaram
12:38foram consumidos pelo calor,
12:41tombando mortos à beira da fornalha.
12:44Mas os três jovens foram lançados para dentro.
12:50A multidão prendeu a respiração.
12:54O rei, em seu trono,
12:56inclinou-se para ver melhor.
12:59Seus olhos,
13:00acostumados ao triunfo,
13:02agora se arregalaram.
13:07Não lançamos três homens atados dentro do fogo?
13:14Sim, ó rei.
13:17Então, como vejo quatro homens soltos,
13:21andando ilesos dentro das chamas,
13:24e o quarto tem a aparência de um filho dos deuses.
13:27O silêncio caiu sobre a planície.
13:33O fogo que deveria consumir
13:35tornou-se palco de um milagre.
13:38Os jovens caminhavam em meio às chamas
13:41como quem atravessa um jardim,
13:43e o brilho da presença divina
13:46resplandecia.
13:47Nabucodonosor levantou-se
13:52com a voz embargada.
13:55Sadraque, Mesaque e Abednego,
13:58servos do Deus Altíssimo,
14:01saí e vinde para fora.
14:04Eles saíram,
14:05e a multidão se espantou.
14:08Nem um fio de cabelo queimado,
14:10nem cheiro de fumaça em suas vestes.
14:13O rei, abalado,
14:16proclamou diante de todos.
14:19Bendito seja o Deus destes homens,
14:22que enviou o seu anjo
14:24e livrou os seus servos.
14:26Portanto, decreto que nenhum povo
14:29fale contra este Deus,
14:31pois não há outro que assim possa livrar.
14:36A multidão aclamou,
14:39mas dentro do coração de Nabucodonosor,
14:41a batalha ainda não estava vencida.
14:45Ele havia reconhecido o poder divino,
14:48mas sua alma continuava dominada
14:51pela sede de glória.
14:53Para ele, a experiência não era uma rendição,
14:56mas um confronto com uma força misteriosa
14:59que precisava ser compreendida
15:02ou desafiada.
15:04Naquela noite,
15:09o rei vagueava sozinho
15:10pelos corredores de mármore do palácio.
15:14Suas mãos tocavam as paredes frias
15:17e seus pensamentos
15:21ardiam mais que as chamas
15:23que não puderam consumir os jovens.
15:25Se este Deus governa sobre todas as coisas,
15:32por que me escolheu para reinar?
15:35Por que me mostra sinais,
15:37mas não tira de mim o cetro?
15:40Talvez seja porque ainda estou destinado
15:43a algo maior.
15:44O vento noturno atravessava as colunas,
15:49trazendo o eco das trombetas
15:51que haviam anunciado a adoração à estátua.
15:56Nabucodonosor respirava fundo,
15:59tentando compreender os mistérios.
16:04Mas enquanto buscava respostas,
16:07um novo presságio começava a se formar.
16:10Algo mais inquietante que a estátua de ouro
16:14ou a fornalha ardente.
16:18E, nas profundezas da noite,
16:21o rei fecharia os olhos
16:22para encontrar outra visão
16:24que mudaria o curso de sua vida
16:27para sempre.
16:32A noite caiu sobre Babilônia,
16:35mas o coração de Nabucodonosor
16:37não encontrava descanso.
16:40Ele caminhava inquieto
16:45pelos jardins suspensos,
16:47iluminados por tochas
16:48que dançavam ao vento.
16:52O murmúrio da água
16:54que caía em cascatas
16:55não aliviava o peso em sua mente.
17:02De repente,
17:03um sonho o tomou com força.
17:06Era tão vívido
17:07que parecia mais real
17:08que a própria vigília.
17:12Ele viu diante de si
17:14uma árvore gigantesca
17:15que alcançava os céus.
17:18Seus ramos
17:18se espalhavam pela terra inteira
17:21e todas as criaturas
17:22e todas as criaturas
17:22encontravam abrigo
17:24à sua sombra.
17:28Os pássaros faziam ninhos
17:31entre suas folhas verdes.
17:33Os animais descansavam
17:35sob sua copa.
17:37E povos se alimentavam
17:39de seus frutos abundantes.
17:41O rei contemplava com orgulho
17:45aquela árvore majestosa
17:46até que uma voz poderosa
17:49ecoou dos céus.
17:52Cortai a árvore
17:53e destruía.
17:55Contudo,
17:56deixai o tronco
17:57com suas raízes na terra,
17:59preso com correntes
18:00de ferro e de bronze,
18:02até que sobre ele
18:03passe o orvalho do céu
18:05e seja humilhado
18:07entre os animais do campo.
18:08e sete tempos
18:10se cumprirão
18:11até que reconheça
18:13que o Altíssimo
18:14governa o reino dos homens
18:16e dá a quem quer.
18:19A visão se dissipou,
18:21mas o coração
18:22de Nabucodonosor
18:23permaneceu em tormento.
18:26Ao despertar,
18:27seu corpo tremia.
18:29Ele ordenou de imediato
18:31Chame em Daniel.
18:36Somente ele pode revelar
18:38este mistério.
18:39Daniel entrou no palácio,
18:41humilde como sempre,
18:43e se prostrou
18:43diante do rei.
18:45Nabucodonosor,
18:47aflito,
18:48descreveu
18:48cada detalhe do sonho,
18:50sua voz embargada
18:51pela inquietação.
18:55Quando terminou,
18:57ficou em silêncio,
18:58observando o profeta.
19:00Daniel baixou o rosto
19:01e sua expressão
19:03tornou-se grave.
19:04Diz-me a verdade,
19:09não importa
19:09quão dura seja,
19:11fala.
19:13Daniel respirou fundo,
19:15depois respondeu com pesar.
19:16Ó rei,
19:19quem dera que o sonho
19:21fosse contra os teus inimigos?
19:23A árvore que viste
19:24és tu,
19:25Nabucodonosor.
19:27Teu reino se estendeu
19:28até os confins da terra
19:29e tua glória
19:30alcançou os céus.
19:32Mas o decreto
19:33do Altíssimo
19:34é este.
19:35Serás expulso
19:36dentre os homens
19:37e habitarás
19:38com os animais do campo.
19:40Comerás erva
19:41como bois
19:41e o orvalho do céu
19:43molhará teu corpo.
19:44Assim permanecerás
19:46por sete tempos
19:47até que reconheças
19:49que o Altíssimo
19:49governa sobre os reinos
19:51e dá a quem quer.
19:53Contudo,
19:53como foi dito
19:54que o tronco
19:55e as raízes ficariam,
19:57isso significa
19:57que teu reino
19:58te será restituído
19:59quando reconheceres
20:01que o céu domina.
20:04As palavras
20:05ecoaram pelo salão
20:06como trovões.
20:08O rei
20:09permaneceu em silêncio,
20:11olhando fixamente
20:13para Daniel.
20:13O orgulho ferido
20:16lutava contra
20:17o temor
20:17que queimava
20:18dentro dele.
20:20Daniel com voz
20:21branda
20:22acrescentou
20:23Portanto,
20:26ó rei,
20:27aceita o meu conselho.
20:29Renuncia aos teus pecados
20:30praticando a justiça
20:32e as tuas iniquidades
20:33mostrando misericórdia
20:35para com os pobres.
20:37Talvez assim
20:38prolongues
20:39a tua tranquilidade.
20:40Nabucodonosor
20:44levantou-se do trono
20:45com passos pesados
20:47e caminhou
20:48em direção
20:49à varanda.
20:53Seus olhos
20:54percorriam
20:55as muralhas
20:55iluminadas
20:56pela lua.
21:01Os templos
21:02repletos
21:03de incenso
21:04e as ruas
21:05que fervilhavam
21:06de vida.
21:08Ele cerrou
21:09os punhos
21:09e murmurou.
21:12Como pode um homem
21:14ser comparado
21:15a uma árvore
21:15cortada?
21:16Como pode
21:20o maior rei
21:21da terra
21:21ser lançado
21:22ao pó
21:23como um animal?
21:24Não,
21:26não aceitarei
21:27esse destino.
21:28Babilônia
21:29é eterna
21:30e eu sou
21:31sua coroa.
21:34Daniel
21:34em silêncio
21:35retirou-se
21:36sabendo
21:37que as palavras
21:38do rei
21:38revelavam
21:39mais do que
21:40obstinação.
21:43Eram sinais
21:44de que a profecia
21:45estava prestes
21:47a se cumprir.
21:52Os dias
21:53seguintes
21:54trouxeram
21:54calma
21:55aparente.
22:00Nabucodonosor
22:01retomou
22:01sua rotina
22:02de banquetes,
22:03desfiles
22:04e decisões
22:05políticas.
22:08Os nobres
22:10se curvavam
22:11diante dele
22:11e a cidade
22:12continuava
22:13aclamando
22:14seu nome.
22:15mas
22:20em seu íntimo
22:21a sombra
22:22do sonho
22:22não se afastava.
22:24Por vezes
22:25à noite
22:25ele despertava
22:26em sobressaltos
22:27ouvindo o eco
22:29da voz celestial.
22:31Sete tempos
22:32se cumprirão.
22:33um ano
22:39inteiro
22:40se passou.
22:44O rei
22:45parecia
22:45ter esquecido
22:46a advertência.
22:47Seu coração
22:48embriagado
22:49pela glória
22:50ignorava
22:51o chamado
22:52à humildade.
22:55Ele
22:55continuava
22:55a erguer
22:56templos
22:56e palácios
22:57convencido
22:58de que
22:59sua grandeza
22:59jamais
23:00teria fim.
23:01até que
23:06numa tarde
23:07ao contemplar
23:09o horizonte
23:09do terraço real
23:10os raios
23:12do sol
23:12refletindo
23:13nas muralhas
23:14douradas
23:14Nabucodonosor
23:16abriu os braços
23:16e exclamou
23:18com voz
23:18retumbante
23:19capaz
23:20de ecoar
23:21por toda
23:21a cidade.
23:22Não é esta
23:26a grande
23:27Babilônia
23:27que eu
23:28edifiquei
23:28com o poder
23:29da minha
23:30força
23:30e para a glória
23:31da minha
23:32majestade?
23:34As palavras
23:35ainda
23:35ressoavam
23:36quando
23:36subitamente
23:38uma voz
23:39vinda do céu
23:40interrompeu
23:40o silêncio
23:41Oh Nabucodonosor
23:44a ti se declara
23:45passou de ti
23:47o reino
23:47serás expulso
23:49dentre os homens
23:50e a tua morada
23:51será com os animais
23:52do campo
23:53até que aprendas
23:54que o altíssimo
23:55governa
23:56sobre os reinos
23:57e dá
23:58a quem quer
23:59O rei
24:00estremeceu
24:01seu corpo
24:02cambaleou
24:03sua mente
24:03mergulhou
24:04em trevas
24:05seus olhos
24:06antes cheios
24:07de soberba
24:08agora perdiam
24:09a razão
24:09os guardas
24:12correram
24:12para ampará-lo
24:13mas ele
24:17rugiu
24:17como fera
24:18arrancando
24:19o manto real
24:20caindo ao chão
24:21diante de todos
24:22e assim
24:27o sonho
24:28da árvore cortada
24:29começava a se cumprir
24:30o palácio
24:38de Babilônia
24:39mergulhou em silêncio
24:41após o brado
24:41celestial
24:42os nobres
24:44recuaram
24:44os guardas
24:45se entreolharam
24:46em pavor
24:47e o rei
24:48antes soberano
24:49absoluto
24:50caiu de joelhos
24:51arrancando os adornos
24:53reais
24:53como se fossem
24:55pesos inúteis
24:56seus olhos
24:57perderam o brilho
24:58da razão
24:59seu corpo
25:00tomado por espasmos
25:02moveu-se
25:03como de um animal
25:03acuado
25:04os servos
25:05gritaram
25:06mas ninguém
25:07ousou se aproximar
25:08o decreto
25:10do céu
25:10havia se cumprido
25:11Nabucodonosor
25:13foi expulso
25:14de sua própria
25:15corte
25:16o homem
25:17que governava
25:17povos e nações
25:18agora vagava
25:20pelos campos
25:21ao redor da cidade
25:22seus pés descalços
25:24afundavam
25:25na terra úmida
25:26e sua boca
25:27outrora
25:28cheia de decretos
25:29poderosos
25:29se enchia
25:30de ervas
25:31e raízes
25:32a barba
25:36cresceu
25:37desgrenhada
25:37seus cabelos
25:39se alongaram
25:39e endureceram
25:41como penas
25:42e suas unhas
25:45se curvaram
25:46como garras
25:47afiadas
25:48os pastores
25:53que levavam
25:54seus rebanhos
25:55ouviam de longe
25:57e murmuravam
25:58entre si
25:59é ele
26:04é este
26:05o rei
26:05Nabucodonosor
26:06o conquistador
26:07de Jerusalém
26:08o senhor
26:09da terra
26:09sim
26:13mas o altíssimo
26:15o humilhou
26:15quem pode
26:17resistir
26:18a sua mão
26:18os dias
26:21se transformaram
26:22em meses
26:23e os meses
26:24em anos
26:24o rei
26:30vivia
26:30sob o orvalho
26:31da madrugada
26:32uivava
26:33ao luar
26:34e os animais
26:37do campo
26:38se tornaram
26:39sua companhia
26:40sua mente
26:41dominada
26:42pela loucura
26:43vagava
26:44entre sombras
26:45e memórias
26:45fragmentadas
26:46às vezes
26:48ainda ecoava
26:49de seus lábios
26:50um rugido humano
26:51minha
26:53Babilônia
26:55minha glória
26:56mas logo
26:58sua voz
26:59se perdia
26:59em grunhidos
27:00animalescos
27:01dentro da cidade
27:08o trono
27:09estava vazio
27:10os nobres
27:15governavam
27:16em silêncio
27:17temendo
27:17conspirar
27:18contra o rei
27:19pois ainda
27:20o consideravam
27:21intocável
27:22pelo decreto
27:23divino
27:24sete tempos
27:29se passaram
27:30sete longos
27:31períodos
27:32de humilhação
27:32em que o soberbo
27:34foi reduzido
27:34ao pó
27:35a natureza
27:38marcou
27:39seu corpo
27:39mas também
27:40preparou
27:41sua alma
27:42então
27:45em uma manhã
27:46serena
27:46quando o sol
27:48nascia
27:48sobre os campos
27:49dourados
27:50algo diferente
27:51aconteceu
27:52Nabucodonosor
27:54ergueu os olhos
27:55para o céu
27:56pela primeira vez
27:57em anos
27:58sua mente
27:59se abriu
28:00e as trevas
28:01se dissiparam
28:03como fumaça
28:04diante do vento
28:05ele respirou
28:06fundo
28:07sentindo a brisa
28:09sobre o rosto
28:10e murmurou
28:11com clareza
28:12os céus
28:15os céus
28:16governam
28:16e naquele instante
28:19sua razão
28:20lhe foi
28:21restituída
28:22o animal
28:23o animal
28:23se calou
28:24e o homem
28:25voltou
28:26a ser rei
28:27ele caiu
28:28com o rosto
28:29em terra
28:29e chorou
28:30não de orgulho
28:32mas de arrependimento
28:34suas lágrimas
28:38se misturaram
28:40a terra
28:40e seu coração
28:42foi quebrado
28:43diante do altíssimo
28:44enquanto ainda
28:48estava no campo
28:49vozes ecoaram
28:51entre os guardas
28:52que o vigiavam
28:53de longe
28:53é o rei
28:56olhem
28:57voltou a si
28:57vejam seus olhos
28:59não estão mais
29:00tomados pela loucura
29:01eles correram
29:03e logo a notícia
29:05chegou a cidade
29:06os nobres
29:12se reuniram
29:13e daniel
29:14em meio
29:15a multidão
29:16ergueu a voz
29:17o deus altíssimo
29:20cumpriu o que disse
29:21agora como prometeu
29:23devolverá o reino
29:24ao seu servo
29:25nabucodonosor
29:27foi conduzido
29:27de volta
29:28ao palácio
29:29suas vestes
29:30foram trocadas
29:31seu corpo
29:32lavado
29:33sua barba
29:34aparada
29:35quando entrou
29:37novamente
29:37no salão
29:38do trono
29:39as colunas
29:40de mármore
29:41ecoaram
29:42os passos
29:43de um homem
29:43transformado
29:44ele não
29:46caminhava
29:47mais com o peito
29:48inflado
29:48de arrogância
29:49mas com a postura
29:51de quem havia
29:52enfrentado o juízo
29:53e recebido
29:55misericórdia
29:56o povo
29:58se aglomerou
29:59nas ruas
30:00quando viram
30:02o rei
30:02restaurado
30:03não ouviram
30:04dele decretos
30:06de glória
30:06pessoal
30:07mas um
30:08cântico
30:09de rendição
30:10eu
30:13nabucodonosor
30:14levanto os olhos
30:15aos céus
30:16e bendigo
30:17o altíssimo
30:18sua soberania
30:19é eterna
30:20e seu reino
30:21dura de geração
30:22em geração
30:23os moradores
30:24da terra
30:25são como
30:26nada
30:26diante dele
30:27pois faz
30:28conforme
30:29a sua vontade
30:30no exército
30:30dos céus
30:31e entre os homens
30:32nenhum
30:33pode deter
30:34sua mão
30:35nem dizer
30:36que fazes
30:37as palavras
30:41carregadas
30:41de verdade
30:42ecoaram
30:43como trovões
30:44sobre a multidão
30:45os que antes
30:50o temiam
30:51agora o respeitavam
30:52de uma forma nova
30:53não pelo poder
30:55de sua espada
30:56mas pela autoridade
30:58de sua experiência
30:59com o Deus
31:00dos céus
31:00mas no íntimo
31:07do rei
31:08ainda havia
31:09algo a ser dito
31:10ele precisava
31:11testemunhar
31:12diante de todos
31:13não apenas
31:14do seu povo
31:15mas de todas
31:16as nações
31:16que o orgulho
31:18humano é pó
31:18diante da majestade
31:20divina
31:21e assim
31:26sua boca
31:27se abriu
31:27novamente
31:28para proclamar
31:29desta vez
31:30não a sua glória
31:32mas a do Deus
31:33eterno
31:34e enquanto
31:37a cidade
31:38celebrava
31:38sua volta
31:39Nabucodonosor
31:41sabia
31:41sua história
31:43não era mais
31:44a de um conquistador
31:45mas a de um homem
31:46que fora quebrado
31:48e restaurado
31:48para servir
31:50de exemplo
31:50a todos
31:51os reis
31:52da terra
31:52as aclamações
31:56ainda ecoavam
31:57quando o rei
31:58sentado outra vez
32:00no trono
32:00pediu silêncio
32:02com um gesto
32:03a luz
32:06que entrava
32:07pelas altas janelas
32:08derramava-se
32:10sobre o mármore
32:10e redesenhava
32:12a sala
32:12como se o céu
32:14e não o ouro
32:15reinasse ali
32:16Nabucodonosor
32:18respirou fundo
32:19seu olhar
32:20não tinha mais
32:21o brilho duro
32:22do orgulho
32:23mas a firmeza
32:25de quem provou
32:26a ruína
32:26e encontrou
32:28misericórdia
32:29ele começou
32:30a falar
32:31e não havia
32:32fanfarra
32:33apenas verdade
32:35povos
32:39nações
32:40e línguas
32:40ouvi
32:41eu
32:43Nabucodonosor
32:45outrora
32:45ergui meu coração
32:47como torre
32:48mas fui abatido
32:49morei entre os animais
32:51comi a erva do campo
32:53e perdi o juízo
32:54então levantei os olhos
32:57aos céus
32:57e compreendi
32:58o altíssimo
33:00governa
33:00e dá o reino
33:02a quem quer
33:02um murmúrio
33:04percorreu o salão
33:05os príncipes
33:07que antes
33:08se curvavam
33:09por medo
33:09inclinavam-se
33:11agora
33:11com respeito
33:12Daniel
33:13manteve-se
33:14à sombra
33:15de uma coluna
33:16atento
33:17o rei
33:18prosseguiu
33:19eu promulgo
33:22um decreto
33:22em toda
33:23a extensão
33:24do meu império
33:25que se publique
33:26esta história
33:27para que os soberbos
33:28se lembrem
33:29a glória
33:30pertence
33:31a Deus
33:32os escribas
33:36aproximaram-se
33:37com tábuas
33:38e cálamos
33:39Nabucodonosor
33:40ditou com pausas
33:42como quem pesa
33:43cada sílaba
33:44eu vi
33:46uma árvore
33:46que tocava
33:47aos céus
33:48fui aquela árvore
33:49e fui cortado
33:51mas o tronco
33:52ficou
33:53atado
33:53com ferro
33:54e bronze
33:55e o orvalho
33:56do céu
33:57me cobriu
33:57até que eu
33:58confessasse
33:59que o céu
34:00domina
34:00então
34:01minha razão
34:02me foi
34:02devolvida
34:03minha honra
34:04me foi
34:05restituída
34:06e tornei
34:07ao trono
34:07não por mérito
34:08mas por graça
34:09Daniel
34:12chamado pelo rei
34:14aproximou-se
34:15Nabucodonosor
34:17o fitou
34:17com gratidão
34:18homem de Deus
34:21tua palavra
34:22foi fiel
34:23que conselho
34:24dás agora
34:25a um rei
34:26que voltou
34:27do pó
34:27Daniel respondeu
34:29com brandura
34:30ser justo
34:31tem misericórdia
34:33dos pobres
34:33julga
34:34sem suborno
34:35honra
34:35o Deus
34:36que te levantou
34:37o rei
34:39assentiu
34:40como quem
34:40finalmente
34:41encontra
34:42o caminho
34:43começaram
34:44então
34:45dias novos
34:46em Babilônia
34:47os tributos
34:49foram aliviados
34:50os juízos
34:51tornaram-se
34:52rápidos
34:53e retos
34:54os templos
34:55dos ídolos
34:56perderam ruído
34:57e as portas
34:59do palácio
35:00se abriram
35:00aos humildes
35:02nas praças
35:07falava-se
35:08do milagre
35:08do rei
35:09alguns zombavam
35:11em segredo
35:12outros
35:13com olhos
35:14úmidos
35:14repetiam
35:15o céu
35:17governa
35:17certa tarde
35:19no terraço
35:21onde um dia
35:21se vangloriara
35:23Nabucodonosor
35:24contemplou
35:25a cidade
35:26o sol
35:27descia
35:28incendiando
35:29as muralhas
35:30com uma luz
35:31que não vinha
35:32do ouro
35:33mas do próprio
35:34crepúsculo
35:35ao seu lado
35:37Daniel
35:38permaneceu
35:39em silêncio
35:40o rei
35:41disse
35:42aqui ocorreu
35:46minha queda
35:46aqui confessei
35:48aqui também
35:49começa o teu
35:50testemunho
35:51ao cair
35:55da noite
35:55o rei
35:56convocou
35:57uma assembleia
35:58no grande
35:58pátio
35:59tochas
36:00ardiam
36:00como
36:01constelações
36:02terrestres
36:03em meio
36:05ao povo
36:06viam-se
36:07os três
36:07jovens
36:08que saíram
36:09da fornalha
36:10firmes
36:11e discretos
36:12Nabucodonosor
36:14ergueu
36:15a voz
36:15Sadraque
36:17Mesaque
36:18e Abednego
36:19diante de todos
36:21eu rendo
36:22graças
36:22pelo vosso
36:23Deus
36:24quem me dera
36:25eu tivesse
36:26aprendido
36:27com vosso
36:28fogo
36:28antes de conhecer
36:30a minha
36:30loucura
36:32Ananias
36:35respondeu
36:35o altíssimo
36:38escreve reto
36:39por linhas
36:39que não
36:40vemos
36:40em seguida
36:47o arauto
36:48leu a proclamação
36:49final
36:50que em todo
36:52um império
36:52se saiba
36:53os céus
36:54dominam
36:54o orgulho
36:55leva a queda
36:56e o altíssimo
36:57pode humilhar
36:58os que andam
36:58na soberba
36:59não
37:01não era
37:01uma ameaça
37:02mas uma
37:03advertência
37:04amorosa
37:05carregada
37:06do peso
37:07de uma vida
37:08quebrantada
37:08e refeita
37:10naquela
37:12mesma noite
37:13Nabucodonosor
37:14recolheu-se
37:15aos aposentos
37:16antes de dormir
37:18ajoelhou-se
37:20Senhor dos céus
37:23eu que pensei
37:25ser dono
37:26do tempo
37:26fui contado
37:28como orvalho
37:29de uma manhã
37:29guarda-me
37:31na verdade
37:32o quarto
37:33ficou silencioso
37:35a cidade
37:39respirou
37:40e as estrelas
37:42pareciam
37:43inclinar-se
37:43sobre
37:44Babilônia
37:45com o passar
37:46dos anos
37:47a fama
37:48do rei
37:48mudou
37:49de cor
37:49de conquistador
37:51temido
37:51tornou-se
37:53soberano
37:53sábio
37:54diziam
37:55os viajantes
37:56em Babilônia
37:58um homem
37:59provou a poeira
38:00e encontrou
38:01a glória
38:01verdadeira
38:02nas escolas
38:03os meninos
38:05aprendiam
38:05não só
38:06leis e medidas
38:07mas o cântico
38:09do rei
38:09restaurado
38:10e quando
38:15os dias
38:15de Nabucodonosor
38:17se cumpriram
38:17não houve
38:19desespero
38:19no palácio
38:20houve
38:22solenidade
38:23ele chamou
38:28seus oficiais
38:29e disse
38:30a pedra
38:33que fere
38:33os pés
38:34de ferro
38:35e barro
38:35encherá
38:36a terra
38:37governos
38:39virão
38:40e passarão
38:41mas o reino
38:42que não se abala
38:43permanece
38:44e se abençoe
38:45não se abençoe
38:58Legenda Adriana Zanotto
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