00:00E um levantamento feito pela Companhia Nacional de Abastecimento, a Conab,
00:04mostrou que o sorgo deve ter um dos maiores crescimentos entre as culturas de segunda safra,
00:11agora no ciclo 25-26.
00:13A expectativa é que a área plantada chegue a 1,7 milhão de hectares,
00:18um aumento de 10% em relação ao ciclo anterior.
00:22Para analisar os motivos que levam à valorização do sorgo nessa safra,
00:26nós vamos conversar com o Rafael Toscano.
00:29Ele é responsável técnico da Origio.
00:32Bem-vindo ao H do Agro, obrigada pela sua participação, Rafael.
00:36Queria então que você explicasse agora, logo de cara, isso.
00:40O que está fazendo o produtor rural preferir o sorgo ao milho,
00:45pelo menos em algumas áreas na segunda safra, e que áreas são essas também.
00:50Obrigada de novo pela participação.
00:53Obrigado você, Mariana, e a todas as ouvintes aí, uma boa tarde.
00:56Bom, eu vejo que o que leva o produtor hoje optar pelo sorgo,
01:01e às vezes vem sempre o comparativo inicial é com o milho, né?
01:06E eu vejo que eles são muito mais complementares do que concorrentes, né?
01:10Então, nós temos as áreas de milho muito consolidadas, especialmente aí no Mato Grosso,
01:16como segunda safra, mas o sorgo, ele entra especialmente nas áreas que a gente não consegue avançar,
01:23no calendário ali, depois do 15 de fevereiro, que começa a ficar um risco muito grande para o milho.
01:31E aí é uma opção muito grande da gente entrar com o sorgo.
01:34E também naquelas áreas, você perguntou ali, né, no Mapito Abapá,
01:38são as áreas que já se torna muito arriscado você entrar com o milho segunda safra.
01:43E o sorgo, né, por causa da sua tolerância seca e ao estresse hídrico,
01:48e por ter uma produtividade muito estável, um custo de produção menor do que o milho,
01:53ele é muito atraente e é muito efetivo nessas áreas norte e nordeste do país.
01:59Então, isso tem levado, né, ao produtor,
02:04é um dos fatores que tem levado o produtor a optar para o sorgo,
02:08e também, claro, né, a parte do mercado, as opções aí de liquidez,
02:13também tem colaborado muito para que ele faça essa escolha, né.
02:17É isso que eu ia te perguntar, porque não adianta a planta mais,
02:20se o mercado está estável, se não tem aumento de demanda.
02:24Você tem observado isso também, existe uma demanda maior pelo sorgo,
02:29e isso pode, então, se refletir no campo.
02:32E aí, pergunto, inclusive, lembrando que como a gente também conversa com um público
02:36que não necessariamente é do agro, né,
02:38para que que serve o sorgo? Qual que é a finalidade dele?
02:42Legal.
02:43Sim, bom, o sorgo hoje, ele tem, né, diversas opções aí para...
02:49porque ele está tão demandado, né,
02:51então, basicamente, esse crescimento, ele se deve no ponto de vista de três grandes fatores.
02:57Um dos grandes fatores é o que você mencionou,
03:00é para quem vender, né, a liquidez que o agricultor vai ter.
03:03E aí entra as usinas de etanol.
03:05Então, nós estamos vendo aí que hoje já temos em torno de 26 usinas
03:10que usam, né, o milho e o sorgo, entre outros cereais,
03:16mas especialmente o milho e o sorgo,
03:19para a produção de etanol no centro-oeste do país.
03:24E tem aí a construção de mais 16 usinas aí para os próximos três, cinco anos,
03:29elevando muito a demanda desse cereal para o biocombustível.
03:34Então, além disso, a gente sabe que ele é muito bem utilizado
03:39também para alimentação animal.
03:43Então, hoje, ele é utilizado, assim como o milho, para alimentação animal.
03:47O subproduto até na produção de etanol, que é o DDG,
03:51que é uma, vamos falar ali, um resto da destilaria, é utilizado com alto valor nutricional,
04:00muito parecido, ou mesmo as garantias que o milho tem.
04:04Então, ele é muito utilizado também para alimentação animal.
04:07A própria China tem aumentado a participação do uso dele na alimentação animal.
04:13Então, a China, falando novamente dela, que é o maior importador dessa cultura no mundo,
04:19e ela compra muito dos Estados Unidos,
04:21abriu as portas para a compra do sorgo brasileiro em 2024.
04:27Então, abre-se mais uma porta grande para que a gente torne a cultura muito mais líquida,
04:33vamos dizer assim, com muita opção para o agricultor vender.
04:35Então, é uma cultura agora que, dado essa opção que o produtor,
04:41ela se torna rentável, porque ela mitiga risco,
04:45ela mitiga risco, ela permite que eu entre em áreas
04:48que antes eu não poderia entrar com uma outra cultura, que ficaria num pousivo,
04:52eu tenho também a liquidez, por conta de tudo isso que eu expliquei.
04:57E aí entra também o outro pilar, que são as empresas de melhoramento
05:01e tecnologia que permite que a cultura dê uma evolução
05:05e faça com que ela se torne rentável, porque ela vai produzir mais.
05:09Então, acho que são os três grandes fatores aí
05:13que faz com que a cultura ganhe esse aumento de área,
05:18e creio eu que, no médio e longo prazo,
05:22esse crescimento vai se tornar cada vez maior,
05:24especialmente nas regiões do centro-oeste, norte e nordeste do país.
05:29Muito interessante, porque no começo do programa
05:31a gente também estava falando de etanol,
05:33de quanto que o etanol tem sido procurado por outros países
05:37para esse blending com gasolina, né?
05:40Está tudo conectado.
05:41E aí você falou sobre melhoramento,
05:43então eu queria que você contasse um pouquinho para a gente também,
05:46até porque é isso, a origem é essa joint venture aí,
05:50entre o Bung e o PL, então olha para mercado, para exportação,
05:53mas olha também para essa parte genética de laboratório,
05:58de tudo que acontece da parte da ciência muito antes de ir para campo, né?
06:03Então, o que vocês têm visto?
06:05Existe uma evolução de melhoramento genético?
06:08Existe uma ciência que está também aprimorando,
06:11inclusive olhando aí para menos demanda de químicos,
06:15mais uso de biológicos?
06:17O que você conta para a gente em relação a isso?
06:18Então, Maria, hoje falando da origem, né?
06:21Nós temos aí a pretensão de ofertar e trabalhar com os nossos clientes,
06:28que são os agricultores aí do cerrado brasileiro,
06:31oferecendo sementes de todas as culturas,
06:35novas culturas inclusive, né?
06:37A gente tem esse desenvolvimento também,
06:40os próprios defensivos, fertilizantes,
06:42e assim a gente entra também com os biológicos.
06:45E nós temos um braço muito importante,
06:46que é a Advanca, que é uma empresa do mesmo grupo, o PL,
06:50que ela trabalha no melhoramento da cultura do sorbo.
06:54Então, ela, de forma, vamos dizer assim,
06:59é a primeira empresa no Brasil a ter essa tecnologia,
07:04que a gente chama de iGrow,
07:05que é uma tecnologia que permitiu o uso
07:09de um grupo químico de herbicidas, né?
07:14Que é a zimidazilononas,
07:16que faz com que a gente utilize, né?
07:18O herbicida, que faz o controle também das plantas daninhas na cultura.
07:24Então, isso tornou a cultura muito mais rentável
07:26e permitiu que a gente entrasse com ela nessas áreas de cerrado,
07:30porque era um grande problema que atrapalhava a cultura do sorbo,
07:33as plantas daninhas, que competia muito com ela.
07:36Hoje, a gente consegue fazer, então,
07:38uma cultura muito mais limpa,
07:40então, a gente evita aí essa competição com as plantas daninhas,
07:44tendo uma cultura muito mais rentável,
07:47com menos uso de produtos químicos, né?
07:52Porque se você comparar com o milho,
07:54o milho a gente tem hoje aí, infelizmente,
07:56várias entradas para o controle da cigarrinha, né?
07:59Então, a gente consegue aí uma cultura
08:01um pouco mais rústica, né?
08:04Para assim dizer,
08:05não quer dizer que a gente não precisa cuidar dela, né?
08:07Porque ela tem tecnologia, ela tem melhoramento,
08:10a gente precisa, assim,
08:11quanto mais a gente investe nela,
08:12mais retorno a gente tem,
08:14mas é uma cultura aí que tem uma tolerância muito maior, né?
08:17E tem um risco climático muito menor,
08:20permite um calendário, uma janela maior.
08:22O Marco Antônio acabou de falar, né?
08:24A dificuldade do agricultor
08:25de poder colher na hora que ele quer,
08:28a soja vai alongar o ciclo,
08:29às vezes não conseguiu plantar na janela ideal,
08:32e aí isso vai atrapalhando cada vez mais o milho.
08:35E isso, com certeza, o sorgo é uma opção,
08:38porque ele consegue ter uma janela
08:40com risco climático menor,
08:43e isso possibilita, então,
08:44a gente ampliar essa área dele aí.
08:47E aí também vou te fazer uma pergunta
08:49olhando para questões financeiras,
08:52olhando para o sorgo, obviamente,
08:54mas quando a gente fala de soja, de milho,
08:56das commodities que sempre são mais óbvias, né?
08:59A gente sabe que elas são reguladas,
09:01por exemplo, pela Bolsa de Chicago.
09:02O sorgo, ele está em que bolsa?
09:06Onde que ele está sendo precificado?
09:08E então, você trouxe um pouquinho,
09:10mas eu queria que você explorasse um pouco mais.
09:11Você acredita que vá à venta
09:13uma valorização da commodity?
09:15Vocês têm olhado isso a longo prazo,
09:17exatamente por uma questão,
09:18esses fatores que você colocou, né?
09:20Genética, maior demanda de mercado de etanol,
09:23adaptação geográfica,
09:25agora já mais favorável.
09:27Existe esse horizonte de que possa ter
09:33mais valorização financeira também dessa commodity?
09:37Então, Mariana, historicamente,
09:39o sorgo, ele ficava ali longe do preço do milho,
09:43em torno de 20% até 30%, 25%.
09:46Isso, historicamente.
09:48Mas, com essa demanda crescente das usinas de etanol,
09:52isso tem mudado muito o cenário.
09:54Então, conforme a necessidade de cada praça ali,
09:58de onde ela está instalada,
10:00ela necessita mais daquele cereal,
10:02ela faz com que o preço tenha se tornado
10:05cada vez mais próximo do milho.
10:07Então, para você ter ideia,
10:09em alguns momentos,
10:10em algumas janelas de determinadas praças,
10:14o milho e o sorgo têm mudado ali
10:17coisas de 10%, 8% de diferença.
10:20Então, isso já é uma realidade.
10:22Então, eu acredito que essa paridade,
10:24ela está ficando cada vez mais próxima
10:27e só da título de exemplo,
10:29nos Estados Unidos hoje,
10:31o sorgo do milho, ele tem uma paridade de preço.
10:33Então, lá ele já é muito parecido.
10:35Então, aqui, por causa de toda essa qualidade
10:38que eu tenho dito,
10:39a cultura está se tornando rentável,
10:41existe tecnologia na cultura,
10:44as empresas agora estão olhando
10:45para o melhoramento dela.
10:46e isso faz com que o preço dele,
10:50a qualidade que ele tem para o uso animal,
10:52a qualidade que ele tem para o uso do etanol
10:54cada vez mais próxima do milho,
10:56faz com que, consequentemente,
10:58o preço dele vai ficando cada vez mais próximo do milho.
11:00A gente vê essa tendência.
11:02Acredito que, no longo prazo,
11:04isso deva ficar cada vez mais próximo.
11:06Então, ainda ele é uma commodity de produto
11:10muito mais local,
11:12muito mais nacional,
11:14mas eu acredito que essa abertura do mercado pela China,
11:17nós teremos aí uma facilidade
11:19e aí também um aumento da demanda externa.
11:23Isso faz com que ainda tenha um aumento,
11:26talvez, do preço dele.
11:28Mas, como eu disse,
11:29eu acho que, no médio e longo prazo,
11:31ele vai ficar cada vez mais próximo do milho.
Comentários