00:00A Benia, na verdade, ela começou esse trabalho porque como a empresa começou a trabalhar desde 1963,
00:06em 1976, 73, com a fibra do mianto, antigamente ela trabalhava com a fibra branca,
00:14com o mianto pisotila, e também com o mianto azul e o mianto marrom, que é altamente anfibólico.
00:22E depois de décadas, os trabalhadores começaram a morrer e doenceram por causa das fibras do mianto.
00:28Tem várias publicações de médicos falando que um caso de misotomioma malíquo pleural é uma população de um milhão de pessoas, é um caso.
00:38O Preoporto tem 67 mil habitantes. Nós temos em Preoporto 13 casos de misotomioma malíquo pleural.
00:45Então o Preoporto é considerado a capital mundial do misotomioma.
00:48Antes de a gente começar, o Alexandre, começar esse trabalho aqui, a associação surgir,
00:53tem muita gente aí que morreu e perdeu o direito, foi sem saber.
01:00Muita gente, muita gente. A gente não sabe quantas pessoas, nem tem ideia, mas é muita gente.
01:06E aí tem o problema da prescrição. O que é prescrição?
01:10Você perdeu o direito pelos recursos do tempo.
01:13Então, muitas pessoas acabam... Ah, chega aqui, muita associação, chega gente que...
01:21Ah, meu pai faleceu em 2015. Aí, prescreveu.
01:26Porque se conta da data do órgão. E são dois anos.
01:29Na Justiça do Trabalho, são dois anos. Então, é muito curto esse prazo de prescrição.
01:33Podem ocorrer? Eles podem ocorrer décadas depois, né?
01:37Exatamente. Tem uma outra questão muito cruel, acho, que é do amianto, né?
01:41Isso prejudica muitas pessoas, porque o tempo de latência, que se chama, é até 40 anos.
01:48Então, uma pessoa... Não é o caso aqui, porque as pessoas realmente, assim,
01:52de 10 anos pra cá, tiveram uma consciência maior sobre essa situação do amianto.
01:57Mas tem muita gente que não tem consciência disso e deixou...
02:00Aí vem aparecer e já não tem mais acesso a documentos, não tem mais acesso a testemunhas.
02:05Eu mesmo tenho um caso lá no Rio, que é dramático, porque ele teve desotelioma
02:10e aí trabalhava na indústria naval, do estaleiro que já quebrou, faliu,
02:15o navio não existe mais, então nós estamos ali lutando, brigando,
02:20pra que a juro receba uma idealização e o juiz fala, não, mas cadê as provas?
02:26Entendeu? O perito, cadê as provas?
02:28A gente, apesar de vocês, conseguimos achar testemunhas, mas já é uma dificuldade muito grande.
02:32Então, isso é um grande problema.
02:35Então, essa conscientização é muito importante.
02:38As pessoas têm que ter consciência.
02:39Essa informação, a gente já fez cartilhas, fez...
02:44Tem esse trabalho de orientação que é muito importante.
02:47Pra as pessoas terem noção exatamente do que é a doença do amianto
02:51e quais os direitos que elas têm.
02:53Se não fosse a doença, eu nem queria que ele estava no Brasil, sabe?
02:58Mas depois eu fui ver a coisa que se expõe, que talvez ele piora.
03:03Aí, vai trazer três anos que ele falasse.
03:08E aí, foi diagnosticado com o quê?
03:10Placas piorais.
03:12E as minhas costas?
03:13E as minhas costas.
03:14Ele, aí, ia estar com o coração.
03:18Ficou mal.
03:22Pode respirar.
03:24Até hoje, eu...
03:26Só eu pensei que ele passava muito pouco de ar.
03:31Dormia na sala.
03:32Outra hora, ele ia pra...
03:34Ele trabalhou lá.
03:38Quando, logo quando começou, ele entrou, ele entrou lá e tinha 17 anos.
03:44Nossa, muito novo.
03:45Trabalhou 37 anos.
03:47Foi logo no início.
03:49E ele chegava com a roupa, eu que lavava.
03:52Com pelota de amianto, eu rapava até com a flaca.
03:56Ele trabalhou lá, iniciou a carreira e aposentou lá.
04:01O meu pai, ele se suicidou.
04:04Quando ele começou a aprofundar nos diagnósticos com relação à saúde dele.
04:11Ele não aguentou o impacto e cometeu o suicídio.
04:14E qual era o diagnóstico dele?
04:16Ele começou a verificar a questão do pulmão e, logo depois, ele não aguentou a pancada
04:23porque ele começou a ver os colegas de trabalho sofrendo com a falta de ar,
04:28com as características da adestose.
04:32E ele cometeu o suicídio.
04:35Ele foi encarregado lá.
04:38Eu fui encarregado lá durante alguns anos.
04:40E a orientação que a gente tinha era essa.
04:42Era orientar os funcionários que o amianto não fazia mal, molhado.
04:47E o colega aqui não está mentindo.
04:49Alguns líderes falaram, olha, pode falar com o pessoal que o amianto só faz mal o pó.
04:54Inclusive o amianto faz mal no pulmão.
04:55Molha o amianto e pode comer que ele não vai te matar.
04:58Então você tinha esse tipo de comentário.
05:01Os exames que eu fazia, eles não davam informação da gente qual o problema que a gente tinha.
05:06Falava, tá, tudo normal.
05:07A gente faz os exames e a gente acreditava no que estava sendo dito para a gente.
05:12Então, quando entrou a breia para poder desenvolver esse trabalho a nosso favor,
05:18foi aonde que a gente descobriu que eu tinha plátulas priorais e um pequeno nódulo no pulmão.
05:25Mas toda vez que a gente faz os exames, ele não está tendo evolução.
05:30Mas a gente não sabe.
05:33Até hoje não tem, mas pode ter de hoje para amanhã,
05:35porque o tempo vai passando e a imunidade da gente vai só abaixando, não é?
05:39Uhum.
05:39Então...
05:40Obrigada.
05:41Obrigada.
05:42Obrigada.
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