A cientista política Juliana Fratini analisa o crescimento de Flávio Bolsonaro (PL) como opção para a direita nas eleições presidenciais de 2026. Segundo a especialista, Jair Bolsonaro (PL) demorou a agir, mas escolheu um filho considerado "mais neutro". Fratini também comentou sobre o papel de Tarcísio de Freitas (Republicanos) na disputa eleitoral.
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00:00A gente segue com esse raio-x sobre as eleições de dois mil e vinte e seis, sobre o senador Flávio Bolsonaro, que segue sendo uma opção da direita, enquanto Lula está tentando receber os frutos, o resultado do acordo recém-firmado entre União Europeia e o Mercosul.
00:19É o cenário de dois mil e vinte e seis, já esquentando a Jovem Pan também nessa cobertura intensa e sobre esses assuntos, a gente conversa agora com a cientista, especialista em análise da política, a Juliana Fratini.
00:33Que bom recebê-la aqui nesse final de semana, uma ótima tarde a você.
00:37Começo já sobre esse cenário de Flávio Bolsonaro, que alguns ainda insistem em dizer que ele não seria um nome viável, mas ele reafirma quase que todos os dias que não vai retirar a sua candidatura.
00:51Qual é a sua análise, Juliana?
00:54Boa tarde, boa tarde a todos.
00:55É super interessante considerar em primeiro plano que o Bolsonaro, desde o princípio, ele não quer tirar o poder que está dentro da própria família.
01:06Então, uma vez que a Michelle, esposa dele, não tem condições ainda de disputar uma chapa, sendo a cabeça do executivo, é claro que ele escolheria alguns dos filhos.
01:20Eu acredito que ele até demorou para fazer essa indicação.
01:24Então, escolhendo Flávio, escolheu um nome mais brando, uma vez que tanto o Carlos quanto o Eduardo são nomes muito polêmicos.
01:37Então, ele até teve essa inteligência de preferir um dos filhos que é mais neutro, que não se envolve em tantas discussões e debates públicos, né?
01:49Parece um pouco mais equilibrado.
01:52Agora, entendo que o Tarcísio é a personalidade do campo da direita que consegue regimentar mais apoio e votos daqueles que são neutros,
02:04que são de direita, mas uma direita mais democrática e não necessariamente bolsonarista.
02:12Não tem uma corrente bolsonarista específica, é isso que eu quero dizer.
02:16Então, o posicionamento do Tarcísio, neste momento, também é bastante coerente com o posto que ele pode alçar.
02:26Ainda que seja um risco, uma vez que o governo Lula tem toda a máquina na mão
02:34e tem uma sustentação social maior e aderida até pelas instituições de justiça para a manutenção do próprio governo no futuro.
02:49Juliana, agora já olhando numa campanha eleitoral ontem, inclusive, nós acompanhamos essa assinatura do Acordo União Europeia do Mercosul.
02:57Lula claramente vai usar isso na campanha eleitoral, também a isenção do imposto de renda, outras ações que são até consideradas eleitoreiras.
03:07Agora, o que a direita vai usar na campanha eleitoral para justificar que é necessário acabar saindo vitorioso?
03:16Olha, eu acredito que o principal ponto seja uma discussão sobre os poderes instituídos, sobretudo o judiciário.
03:28Então, existe um descontentamento muito grande a respeito dos procedimentos judiciários
03:38e a direita ela tende a se fortalecer e se aglutinar em torno dessa mensagem.
03:46Ademais, acredito que a história do Banco Master, ela deve trazer algumas novidades ainda nos próximos dias, nas próximas semanas, enfim.
04:01E, além disso, enquanto estratégia, a direita ela pode se utilizar de problemas mal contados,
04:14que não foram resolvidos diretamente pelo governo, como, por exemplo, o caso do INSS.
04:21Até há pouco discutia-se aqui da pensão, né?
04:24Então, qual foi a finalização desse processo?
04:29Essa, as questões do próprio Banco Master.
04:33O Lula deu uma declaração nessa semana que passou de que combateria frontalmente o crime organizado
04:40e esclareceria as questões do Banco Master.
04:43Será que isso vai acontecer de fato?
04:46Ademais, a depender, o que eu acredito, enquanto analista,
04:51do resultado do que houver na Venezuela a partir dessa intervenção do Trump,
04:57se houver efetivamente algum tipo de desenvolvimento econômico
05:01nesses próximos meses que antecedem as eleições brasileiras,
05:06a direita também pode utilizar isso a seu favor como um triunfo do que seria o neoliberalismo
05:14ante a proximidade do presidente Lula com o então ditador Nicolás Maduro,
05:23que agora está fora do jogo.
05:25Agora, Juliana, voltando o olhar para o Congresso,
05:28essa semana teve um levantamento que a Quest divulgou em relação à imagem dos representantes
05:36do Congresso Nacional, de Lula, Geraldo Alckmin,
05:39e cerca de somente 11% e 7%, respectivamente, reconhecem o Gumota e Alcolumbre.
05:46Eles não têm uma força aqui fora, somente essa força dentro do Congresso Nacional.
05:51Como isso vai influenciar no andamento do Congresso Nacional
05:55sobre esse reconhecimento, essa força de Alcolumbre e Hugo Mota em um ano eleitoral?
06:04Olha, a força institucional que ambos carregam é uma força magnânima, praticamente.
06:11Então, eles podem tomar decisões que sejam muito curiosas e até espetaculares,
06:20depender o que eles colocam nas pautas para a respectiva votação.
06:26Então, tudo depende muito de discussões junto ao governo,
06:33os representantes do governo, os ministérios respectivos que fazem
06:38essa intersecção de interesses, para que essas pautas estejam alinhadas
06:46efetivamente com o interesse do governo.
06:48O mesmo tentará a oposição.
06:52O Hugo Mota, eu acredito que seja importante lembrar,
06:57ele foi um dos presidentes mais votados na história da Câmara Federal.
07:06Então, ele ganhou um poder imenso.
07:09Agora, ele se coloca um pouco mais apartado para não ficar no centro de debates e discussões
07:19tão grandes.
07:20Mas, certamente, ele deverá ser bastante requisitado durante o ano corrente,
07:26a partir das pautas que sejam de interesse.
07:29Por exemplo, ele sofreu muita pressão, aliás, os dois presidentes das casas,
07:35sobre as discussões a respeito da anistia.
07:41Essa temática não foi engolida totalmente ainda pela direita.
07:46Não.
07:47A direita esperava uma ampliação desse debate
07:53e com mais chances de vitória para ela, para o núcleo ideológico.
08:00E não foi possível.
08:01Então, eles estão sofrendo também todas essas pressões e eles devem continuar sofrendo.
08:05Agora, tem um outro ponto, que é a renovação do Senado Federal.
08:10A oposição tem feito uma ginástica muito firme, assim como os aliados do governo,
08:15aqui em São Paulo, para lançar a ministra do Meio Ambiente,
08:18para lançar o ministro, até então, Fernando Haddad, também, uma vaga ao Senado.
08:23Mas, além disso, de ministro, tem os governadores,
08:27que estão de olho também no Senado Federal para essa renovação.
08:31Qual é a sua análise, a sua expectativa de uma renovação no Senado,
08:36com nomes que sejam ligados à agenda da oposição,
08:40para que possa fortalecer ao entendimento de que os governadores
08:44vão conseguir renovar, de fato, o Senado Federal, Juliana?
08:50Então, você deu foco aqui na sua pergunta,
08:53pelo que eu entendi, em relação à oposição, né?
08:56Você quer saber quais são os movimentos da oposição, é isso?
08:59Exato, exato.
08:59Especificamente?
09:00Porque, na realidade, dentro do próprio Senado,
09:05a vantagem, eu percebo, que ela é da oposição,
09:09ela não é uma casa governista, especificamente.
09:14Tem vantagens em alguns departamentos,
09:19mas em algumas áreas, né?
09:21Acho que eu quero dizer.
09:22Mas não em todas.
09:23Tanto é que o próprio governo tem corrido contra o tempo
09:27para também constituir ali dentro dessa casa legislativa um poder mais forte,
09:34que seja governista.
09:35O governo também não está confortável ali no ambiente do Senado.
09:39E eu volto a dizer muito.
09:41Pelo contrário, eu entendo que o Senado seja um ambiente predominantemente de oposição na atualidade.
09:48Agora, os governadores que não podem postular a sua reeleição e estão vislumbrando uma disputa para essa casa legislativa,
10:02qual seria a outra oportunidade deles nesse momento?
10:06Então, é uma estratégia coerente.
10:09Até porque a maior parte deles se forjou enquanto político de profissão.
10:17Não é qualquer sujeito que sai assim do nada para se tornar um governador de Estado,
10:23e nem mesmo um senador.
10:24É preciso um histórico familiar,
10:27é preciso um histórico de vida,
10:29um histórico de estudo econômico,
10:32de investimento de tempo mesmo para isso tudo.
10:37Sobretudo considerando que o Senado é um ambiente extremamente elitista.
10:44Essa casa alta é, teoricamente, daqueles que têm um saber mais acumulado.
10:49Então, eles têm que ter esse histórico.
10:51Eu acho coerente.
10:52Agora, as estratégias que vão desenvolver aqui durante o período eleitoral
11:00é que precisam ser assertivas.
11:04Por exemplo, eu considero muito assertivo por parte da oposição
11:08a escolha da Michele Bolsonaro para disputar uma vaga no Senado,
11:14encontrar um espaço para ela.
11:16Ela construiu esse caminho ao longo do processo da jornada dela
11:22enquanto primeira-dama política.
11:24Ou você acha que, eventualmente, a Janja não gostaria de disputar
11:28uma eleição para o Senado também?
11:30Gostaria, sim.
11:32Possivelmente gostaria.
11:34Só que a Janja não tem essa musculatura, por exemplo, neste momento,
11:38e nem se mostra algo como um benefício para ela, entendeu?
11:46E nem para o esposo dela, né?
11:49Ela encontrou um espaço enquanto primeira-dama que ela pleiteia,
11:53mas essa abertura agora.
11:54Michele, uma vez fora do ambiente político enquanto primeira-dama,
12:00qual que é a oportunidade dela que ela tem disponível?
12:04Disputar o Senado.
12:05Eu acho que ela faz muito bem e ela construiu essa trajetória para ela.
12:10As incertezas ou as certezas eleitorais para 2026.
12:14Juliana, muito obrigado pelas análises aqui na Jovem Pan.
12:18A gente vai conversar muito ao longo do ano,
12:21porque, de fato, é um ano eleitoral com várias articulações
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