A economia brasileira registrou alta de 0,7% em novembro de 2024, segundo dados do IBC-Br divulgados pelo Banco Central.
Em entrevista ao Jornal da Manhã, o economista Roberto Troster analisa que, embora o número supere as expectativas iniciais, o crescimento ocorre sob a pressão de juros elevados.
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00:34Prazer em revê-lo, Troster. Agora, Troster, fica essa expectativa.
00:37A gente sabe que ano de eleição, normalmente, há um impulso na economia, até em função da máquina governamental que é movida em todos os estados, a União, prefeituras.
00:50O que você imagina para esse ano?
00:53Olha, a minha projeção é 2%, um pouquinho acima da projeção média do mercado.
01:00É fato. Você vai ter um impulso fiscal, mas tem controle.
01:06Quer dizer, a restrição de gastos dos estados e dos municípios está no limite.
01:12Você também tem juros muito altos.
01:14Juros devem começar a cair agora em janeiro ou em março, mas mesmo assim, 15% mais de OEP, quer dizer, você não consegue crédito sem OEP, mais a margem das instituições financeiras.
01:29Então, isso vai funcionar com um freio forte na economia.
01:33Então, você tem um pé no acelerador, que são os gastos do governo, um pé no freio, que é a taxa de juros.
01:41Tem que ver como o setor privado reage.
01:43De maneira geral, as perspectivas de médio e longo prazo do Brasil não são ruins.
01:50Você tem alguns problemas, especialmente a questão da dívida pública, mas o país tem potencial para ser o que ele quiser.
02:00E depende um pouco do agro.
02:02O agro é sempre uma caixa de surpresa.
02:04Você pode ter uma super safra.
02:08Então, isso está mais por conta de Tom Pedro.
02:11Esse ano também, esse ano, desculpa, o ano passado também, muito do crescimento, a maior parte do crescimento durante o ano,
02:20veio justamente do agro, que é algo que a gente chama em economia exógeno, algo que vem de fora.
02:28Troste, Danube, aqui.
02:29Com esses dados divulgados, esse crescimento de 0,7%, pode ter esfriado a expectativa ali do corte de juros para a próxima reunião do Copom?
02:40Bom, primeiro que é um mês pontual.
02:43Quer dizer, o crescimento mês a mês depende, às vezes, do número de dias úteis que tem um mês.
02:49Então, comparado com o número de dias úteis que teve o mês anterior.
02:55Então, no mês anterior, você teve feriado que ocupou dias.
03:01Então, essas oscilações, dia a dia, tem alguma diferença no mês a mês.
03:07De maneira geral, na minha leitura, o governo já devia estar baixando os juros.
03:16Já devia ter baixado os juros.
03:17As expectativas, desde março, estão caindo, o nível de atividade está desacelerando.
03:25Então, a grande questão é com que velocidade que o Banco Central vai baixar os juros.
03:31O mercado projeta a maior parte dos analistas que a queda vai começar em março.
03:38Vai começar a cair.
03:40Janeiro, março é a discussão.
03:42Eu diria que deveria ser janeiro, mas a maioria do mercado, não todos, acho que pode ser março.
03:50Troster, agora a pergunta da nossa comentarista, Mônica Rosenberg.
03:55Troster, muito prazer em falar com você.
03:58Adorei ouvi-lo dizer que os juros têm que cair.
04:00Eu estou, desde o final do ano passado, dizendo que a diferença entre um remédio e um veneno é a dose
04:05e que essa taxa elevadíssima de juros já está se estendendo demais.
04:08Eu concordo totalmente que está na hora de começar a falar em cair.
04:12Não é derrubar, mas começar a reverter essa curva.
04:16Mas no Brasil nós temos uma relação muito esquizofrênica com a inflação.
04:20O constante pavor de que a inflação vai voltar faz com que a gente chegue a achar ruim que a economia está crescendo
04:27porque aí começam as pessoas a dizer que a economia está superaquecida
04:31e que a inflação vai de novo sair do controle, sendo que nós temos uma inflação que está caindo.
04:36Como é que a gente lida com essa relação de ter medo de uma economia aquecida
04:42porque tem medo da inflação e aí mantém os juros lá em cima
04:45e no fundo o que nós estamos fazendo é sufocar, as empresas estão quebrando,
04:49as famílias nunca estiveram tão endividadas.
04:51Então a minha pergunta é, podemos comemorar que a economia está crescendo?
04:55É um sinal positivo?
04:56Bom, Mônica, você parece a Mônica do Maurício de Souza, aquele com o coelhinho, né?
05:04Que faz quatro perguntas em uma só.
05:07Então vamos por partes.
05:09Obviamente que quanto mais aquecida a economia, quer dizer, mais gente trabalhando, melhor é.
05:15Segundo, mesmo com a economia crescendo, você está batendo recordes históricos de negativação.
05:22Você já tem 80,1 milhões de cidadãos negativados, você tem mais de 8 milhões de empresas negativadas,
05:31quer dizer, empresas que têm dificuldades, recordes de falências e recuperações judiciais.
05:36Algo que não é bom, né?
05:39A segunda coisa é que todo mundo faz sua análise.
05:42Crescimento, taxa de juros.
05:44Tem mais variáveis que influenciam nisso.
05:47Um é taxa de câmbio.
05:49O câmbio, em muitos países, é usado para estabilizar preços também.
05:54Nós temos reservas para isso, isso poderia ser usado.
05:59Os produtos que são chamados exportáveis, comercializáveis, tradables em inglês,
06:05estão influenciados.
06:06Então, aqui a imagem estava de uma plantação, o preço editado pelo mercado internacional
06:16vezes a taxa de juros.
06:18Isso vale também, vezes a taxa de câmbio.
06:21Isso vale também para combustíveis, para tudo.
06:24Então, estabilizar, não é administrar o câmbio.
06:28Não deixar que o câmbio oscide tanto, pode ajudar também a baixar a inflação.
06:33A terceira coisa é que você tem algo chamado um túnel inflacionário.
06:38O que é isso?
06:38Você tem indexação.
06:40O que indexação é um problema?
06:42Imagina você, Mônica, que você tem dinheiro na poupança.
06:46Aí sobe a taxa de juros, aumenta a tua renda.
06:49Então, o que acontece?
06:51O Banco Central, quando sobe a taxa de juros,
06:54está pisando no freio em quem pega dinheiro emprestado,
06:57mas está pisando no acelerador de quem tem muito dinheiro aplicado.
07:01Então, você tem que acabar com moedas remuneradas.
07:04Você tem uma série de outras coisas.
07:05Quer dizer, então, eu vou devolver a pergunta.
07:12Por que a taxa de juros real aqui no Brasil
07:15é tão mais alta que no resto do mundo?
07:18E basicamente estão por essas distorções
07:20que vêm da época da inflação alta.
07:23A segunda coisa, não.
07:24Nós temos que comemorar quando está bem,
07:27quando os juros baixam.
07:28Então, é óbvio isso, né?
07:30Mas temos que adaptar o Brasil a 2026.
07:34Não podemos continuar pensando num mundo que não existe mais,
07:38com inflação alta, indexação, taxa mês, taxa ano,
07:43dias úteis, dias corridos.
07:46Quer dizer, se acabou a inflação,
07:47devia ter acabado tudo isso há mais de 30 anos.
07:51Economista Roberto Troster conversou conosco aqui no Jornal da Manhã.
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