00:00O novo ministro da Justiça, Wellington César Lima e Silva, toma posse com inúmeros desafios à frente da pasta.
00:08Direto para Brasília, agora o repórter é André Anelli.
00:11André, boa noite para você, bem-vindo.
00:12Quais seriam esses desafios, essas missões dele como ministro nessa reta final do atual mandato do presidente Lula?
00:20Boa noite, bem-vindo.
00:25Oi, Tiago, muito boa noite a você e a todos aqui no Jornal Jovem Pan.
00:29Wellington César Lima e Silva, ele assumiu o comando do Ministério da Justiça e Segurança Pública em uma cerimônia discreta aqui no Palácio do Planalto com a presença do presidente Lula.
00:40O novo ministro tem a missão de fortalecer a agenda da segurança pública que é considerada um dos pontos mais sensíveis do governo federal nesse ano de eleições.
00:51Entre os principais desafios está o diálogo com o Congresso Nacional em torno da PEC da Segurança Pública.
00:57Isso porque a gente relembra que durante a tramitação da proposta, em dezembro do ano passado, foi retirada do relatório a prerrogativa da União para legislar sobre o tema um trecho que ampliava o papel do governo federal.
01:11Diante do impasse, a votação acabou adiada para esse ano e a gente destaca ainda que outro desafio é o de manter uma relação equilibrada com os governadores, eles que são os responsáveis pela execução das políticas de segurança nos estados, muitos deles contrários à PEC da Segurança.
01:30Apesar de tudo isso, Wellington, César Lima e Silva prometeu foco especial no combate ao crime organizado com o apoio das demais instituições.
01:40Cada um dos órgãos de Estado, no âmbito das suas competências e atribuições, estarão empenhados em desenvolver uma ação articulada para combater o crime organizado.
01:53De que maneira isso acontecerá?
01:56A Receita Federal, a Polícia Federal, já vem tomando inúmeras iniciativas no combate a determinados segmentos do crime organizado.
02:05Todavia, a efetividade dessas medidas, muitas vezes, ultrapassa os limites da ação apenas do executivo ou de ações de governo.
02:14De maneira que é fundamental que órgãos de Estado, como o Ministério Público, e o reconhecimento da relevância e gravidade da questão por parte também do Poder Judiciário, estejam em sintonia absoluta e perfeita em relação a esses passos.
02:28Na véspera da posse, o novo ministro da Justiça participou de várias reuniões, entre elas com o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Passos Rodrigues, e também com o chefe da Polícia Rodoviária Federal, Antônio Fernando.
02:46A gente relembra que o Wellington César Lima e Silva, ele já havia ocupado o Ministério da Justiça no governo Dilma Rousseff e agora ele vem para substituir Manuel Almeida, ele que ocupava o cargo interinamente e já avisou que vai deixar a pasta juntamente com o Ricardo Lewandowski, que pediu demissão na semana passada por motivos pessoais.
03:09Tiago.
03:09André Anelli, não saia daí, a gente já vai começar sobre a crise do Banco Máster, mas antes eu vou comentar com a Dora, com o Kobayashi e com a Denise, essa posse no Ministério da Justiça.
03:21Começo por você, Dora. É claro que já era esperada a fala dele sobre o combate ao crime organizado, a fala não seria outra, não é?
03:30Ah, pois é, o que a gente vai ver desse ministro, que a gente não sabe como é, quem é, é diferente do Lewandowski, que estava na cara, né, que ele não era o perfil para fazer esse combate.
03:44Até no Congresso se diz que ele tinha um bom diálogo, conversava bem, uma pessoa aberta, até porque é uma pessoa educada, civilizada, preparada, enfim.
03:54Mas ele não tinha o perfil do embate que é necessário para a defesa dos pontos de vista do governo num assunto que é o principal da campanha eleitoral.
04:07Não dá para dizer se esse ministro aí, pela breve fala, uma posse super discreta, se ele tem ou não essas qualidades, porque eu, pelo menos, não conheço, não conhecia.
04:22Ele era advogado da Petrobras lá atrás do governo Dilma, ocupou o Ministério da Justiça por 11 dias, enfim.
04:30De repente ele pode ser uma revelação, pode ser uma pessoa que tenha essas habilidades do embate e também da articulação,
04:43porque é isso que o governo vai precisar, se quiser, como parece, se jogar na defesa da segurança,
04:53na bandeira da segurança, nesse assunto do ambiente eleitoral.
05:00Se o ministro não puder fazer isso em parceria com o presidente da República, vai ser uma tarefa do presidente da República sozinho.
05:09Tarefa em glória, porque ele é o único representante do campo governista, não tem ninguém para ser parceiro do Lula nessa campanha.
05:18E do outro lado você tem um batalhão. A direita está dividida. Tá, está dividida, mas tem um montão de gente para fazer esse combate.
05:28E todo mundo com a faca nos dentes, né? E com um discurso que, diante da população, nem estou entrando no mérito.
05:36Tá eu, se é ótimo esse discurso ou não. Mas é mais bem visto pela população do que o discurso do governo.
05:43E, de qualquer forma, né, Denise, o tempo não é tão longo assim. Ele vai ficar nesse ano.
05:51E se, eventualmente, o presidente Lula conseguir a reeleição, certamente virá outro, né? Talvez, né?
05:56Depende do desempenho que ele terá agora e depende do resultado das eleições.
06:01Mas, de qualquer modo, ele assume com o discurso de combate ao crime organizado, que ganhou muita força,
06:06principalmente depois da operação que tivemos no Rio de Janeiro, né?
06:09Com muitas mortes, a tentativa lá de se combater o crime organizado de uma forma mais ostensiva,
06:16e foi a partir disso que foram retomadas também, com maior vigor, as discussões no Congresso
06:22em relação a pautas que tratam da segurança.
06:25A própria PEC da Segurança, que vinha travada há muito tempo, ela avançou a uma relatoria.
06:30O governo perde o protagonismo que ele gostaria de ter na proposta original
06:34em relação ao controle, o gerenciamento das ações a serem adotadas pelos vários estados.
06:41Mas eu acho que o governo ainda tem tempo de mostrar resultados em relação à segurança,
06:45o posicionamento dele, do que deve ser feito para se obter melhores resultados.
06:50A gente ainda vai falar mais de outras operações aqui da Polícia Federal,
06:55e elas também têm evidenciado que há necessidade, sim, de barrar o avanço do crime organizado no país.
07:01Não apenas pela violência, mas a infiltração na sociedade.
07:04Aquela história, né, Kobayashi, é um assunto que rende discussão eleitoral,
07:10e não só o atual presidente, mas também a oposição,
07:14todos vão explorar isso e tem que explorar, né?
07:18Há quem aposta que seja o grande assunto das eleições desse ano, né?
07:21No ano passado, pelo menos, foi um assunto de muita preocupação,
07:24a situação da segurança pública.
07:25Não só da segurança pública, mas como da sensação de segurança, né?
07:28Que parece que se tornaram institutos distintos, né?
07:31As métricas, os dados, índices de criminalidade, como as pessoas entendem a insegurança, enfim.
07:37Eu conheço muito pouco também a respeito do currículo, da história, da biografia do novo ministro,
07:42mas eu sei a respeito de quem o indicou.
07:45Aparentemente foram os petistas da Bahia, né?
07:48O Jacques Wagner, o Hugo Costa, que pediram pelo nome do novo ministro.
07:52E aí isso dá um pouco de preocupação.
07:55Se há um lugar onde o PT não soube lidar com segurança pública, foi na Bahia.
08:00Os índices lá, os números lá da segurança pública são trágicos, são trágicos.
08:05E aí não seriam as melhores pessoas para indicar o novo líder máximo da segurança pública no Brasil.
08:10Lembrando que esse ministério é Ministério da Justiça e Segurança Pública,
08:14mas nos últimos anos todos foi muito mais de segurança pública do que de justiça.
08:18Até porque o ministério não está tão preocupado assim com a reforma do judiciário,
08:22com o código de conduta proposto pelo ministro Fachin, com estruturas do judiciário,
08:28mas muito mais com segurança pública, porque é, de fato, a população mais preocupa.
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