O presidente Donald Trump ofereceu à Ucrânia uma garantia de segurança por 15 anos como parte do esforço para encerrar o conflito contra a Rússia. Além disso, Trump reuniu-se com Benjamin Netanyahu nesta segunda-feira (29) para discutir a situação em Israel. Reportagem: Luca Bassani.
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NotíciasTranscrição
00:00Falando ainda sobre essas relações internacionais e sobre o presidente americano,
00:04o presidente da Ucrânia, Vladimir Zelensky, revelou hoje detalhes da proposta de paz
00:08mediada justamente por Donald Trump.
00:11O nosso correspondente, Luca Bassani, chega ao vivo aqui no 3 em 1
00:15com mais informações a respeito justamente deste plano.
00:19Conta pra gente, Luca Bassani, bem-vindo.
00:22Exatamente, Cuba. Boa tarde a você, a todos que nos acompanham aqui no 3 em 1.
00:26Então, ontem o presidente americano, Donald Trump, recebeu na Flórida o presidente
00:31Vladimir Zelensky para mais uma reunião nessa tentativa de fazer com que a guerra
00:37não chegue ao seu quarto aniversário.
00:39Eles conversaram por várias horas, tiveram um almoço e depois uma coletiva de imprensa,
00:44na qual alguns detalhes deste plano de paz foram revelados.
00:47Segundo Trump, o plano estaria 95% já finalizado, apenas com o ponto nevrálgico
00:54sendo a concessão de territórios.
00:57Afinal, o próprio Zelensky disse aos jornalistas que não tem autoridade
01:01para decidir sobre os territórios da sua nação, que aquilo pertence aos ucranianos
01:07como um todo e ele precisaria passar pelo crivo do legislativo
01:12e até mesmo por um plebiscito antes de tomar qualquer decisão.
01:16Mas, em relação às garantias de segurança que são pedidas há muito pelo presidente
01:22ucraniano, ele disse que os Estados Unidos ofereceram pelo menos 15 anos de proteção
01:29à Ucrânia para que a guerra chegasse a um fim, provavelmente com armamentos dos mais modernos
01:34ou até mesmo uma patrulha dos norte-americanos com partilhamento de inteligência
01:39para evitar uma possível nova invasão ao território ucraniano.
01:43Zelensky disse que está muito grato em relação a isso, mas gostaria que o prazo fosse aumentado
01:49para 30 ou até mesmo 50 anos, considerando que o presidente Putin com 72 anos
01:54pode facilmente viver até os 87 e mudar de ideia ao longo desse período
02:00e também por conta de ser uma garantia mais estável aos investidores
02:06para reconstruir a Ucrânia no momento pós-guerra.
02:09Isso também tende a ser discutido com os aliados europeus durante os próximos dias,
02:14o presidente Macron representando a liderança europeia em relação a isso
02:19e também o congelamento das linhas de batalha.
02:22Tudo indica que o plano está longe de ser implementado, ainda são muitas as variáveis,
02:27afinal a guerra continua quente com muitos bombardeios russos acontecendo
02:31nas estruturas energéticas da Ucrânia, mas é um esboço um pouco mais detalhado
02:37que a gente tem acesso agora depois deste novo encontro entre os dois presidentes.
02:42Beleza, Luca, tem um outro assunto também, ainda envolvendo conflitos e tentativa de paz,
02:47que é a situação que envolve o encontro, que está rolando ainda entre o presidente americano
02:51e o premier israelense Benjamin Netanyahu.
02:54O que se sabe até esse momento da visita do encontro, o que falou cada uma dessas autoridades, hein?
03:00Também na sua residência em Mar-a-Lago, o Donald Trump acaba de receber Benjamin Netanyahu,
03:07que falou brevemente à imprensa, nós também estávamos no tempo real traduzindo ao vivo
03:14essa primeira interação dos dois mandatários com a imprensa
03:19e que agora seguem novamente para um almoço antes de uma próxima coletiva.
03:23Aquilo que eles disseram é que a reconstrução de Gaza deve ser iniciada em breve,
03:28provavelmente possa já acontecer, mesmo sem o Hamas abandonar completamente
03:32as suas posições político-militares e terroristas dentro do enclave palestino.
03:38Outro ponto é que Trump ressaltou que as relações entre Israel e Estados Unidos
03:43nunca estiveram em um ponto mais alto e que acredita que Netanyahu ganhará
03:48o perdão presidencial de Isaac Herzog em breve,
03:52algo que já foi pedido oficialmente através de uma carta pelo presidente Trump
03:57em novembro deste ano.
03:59Tudo indica que ainda há muitas incógnitas para serem respondidas
04:03que podem até mesmo serem já reveladas à população mundial durante as próximas horas,
04:10mas fato é que há uma certa divergência entre aquilo que quer o grupo terrorista,
04:17ter alguma parcela do poder na faixa de Gaza,
04:19e aquilo que querem os israelenses norte-americanos,
04:22que é uma administração palestina de pessoas notáveis dentro do mundo árabe
04:27e que possam fazer isso sem nenhum viés religioso ou ideológico.
04:32Obviamente que isso tende a trazer muitas discussões para o começo do ano que vem,
04:37mas fato é que apesar do frágil cessar-fogo que foi quebrado pontualmente,
04:41ele continua e a guerra não retomou com força total,
04:44o que foi um alívio para milhões de palestinos que agora puderam passar um final do ano
04:49um pouco mais tranquilo em comparação com os últimos dois,
04:53com intensos bombardeios e a falta de ajuda humanitária.
04:56A ver os próximos detalhes, com certeza, ao longo desta segunda-feira,
05:01voltaremos com novas atualizações sobre o encontro de Trump com Netanyahu.
05:04Voltaremos. Luca Bassani, só última informação,
05:08onde é que você está neste momento, meu amigo?
05:09Você que conhece o mundo todo.
05:12Estou aqui em Portugal, passando o final do ano com a família,
05:15um friozinho um pouco melhor do que na minha casa da Alemanha,
05:18aqui 4 graus, enquanto na Alemanha está menos 4,
05:20então não podemos reclamar.
05:22Está aí, Luca Bassani, direto de Portugal,
05:25hoje o nosso microfone Jovem Pan na Europa,
05:27daqui a pouco você volta com outras informações,
05:29infelizmente sobre informações de conflito envolvendo alguns outros países na Ásia também.
05:34Luca Bassani, até já.
05:35Deixa eu chamar os nossos analistas aqui.
05:37Luiz Augusto Durso, vamos com você nessa primeira informação,
05:41vamos fatiar aqui a primeira informação que nos trouxe o Luca Bassani,
05:44justamente envolvendo Vladimir Zelensky,
05:47situação ali com o Donald Trump mediando o conflito entre Rússia e Ucrânia,
05:54como é que você projeta a solução deste conflito,
05:57o plano de paz que já se arrasta há alguns anos?
06:04Olha, Cuba, se existisse um STF no mundo, o Trump gostaria de presidi-lo,
06:11porque aqui no Brasil a gente tem a sensação que o Supremo decide tudo,
06:14manda tudo, sempre dá a última palavra,
06:17esse seria o cargo perfeito para Donald Trump, o Supremo do mundo.
06:22Por quê?
06:22Porque ele, como um gestor muito inteligente,
06:26quer colocar os Estados Unidos em todas as mesas de debate
06:29sobre temas importantes para o mundo, principalmente quando a gente fala do tema de guerra.
06:34Então ele está tentando resolver a questão do conflito de Gaza,
06:38quer acabar com a guerra da Ucrânia,
06:40está interferindo aqui, querendo acabar com a ditadura da Venezuela,
06:43todo lugar que ele consegue se colocar à disposição para mediar,
06:48até fazer acariações, como o Supremo gosta recentemente,
06:51o Trump faz, ele coloca como um grande mediador do mundo para resolver os problemas.
06:56E por quê?
06:57Porque quando ele se coloca nesse papel,
07:00sempre sobra uma boa fatia da negociação para os seus interesses.
07:04Afinal, ele sabe o poder que o seu país tem do ponto de vista bélico,
07:09do ponto de vista econômico, seja qual for a análise.
07:13Os Estados Unidos são ainda a maior potência mundial.
07:17E assim ele se coloca, trazendo boas notícias para a população do mundo.
07:21É claro, é sempre bom finalizar, acabar com uma guerra que perdura há anos
07:25e tem um saldo muito negativo para todos os envolvidos,
07:29mas, por outro lado, coloca Donald Trump em mais destaque,
07:33numa situação cada vez mais perigosa.
07:35E por que perigosa?
07:37Porque quanto mais poder Donald Trump concentra,
07:40mais agressivo ele é nas negociações.
07:43Mas essa situação de tarifácio é uma solução não bélica
07:48para não levar à guerra,
07:50numa pressão econômica gigantesca
07:52para fazer com que os países cedam aos seus interesses.
07:55Por isso, o tarifácio aconteceu pelos mais variados países do mundo,
07:59por parte dos Estados Unidos.
08:00Então, Donald Trump tem uma varia mágica de solução de conflito,
08:03mas também tem uma varia muito poderosa
08:06para a pressão geopolítica para ter os seus interesses atendidos.
08:10Por isso que na nossa primeira notícia de Donald Trump,
08:13que falam que ele, na verdade, largou ou divorciou ou separou de Bolsonaro,
08:19na verdade, esse relacionamento nunca existiu.
08:21O que existiu foi o interesse momentâneo nesse nome
08:25para gerar algum tipo de pressão aqui no Brasil
08:28e quando seus interesses foram atingidos,
08:30ele ficou satisfeito e próxima carta será entregue para a próxima partida.
08:37Assim trabalha Donald Trump.
08:38O Piperno, a segunda fatia do que nos trouxe o Luca Bassani
08:42foi envolvendo o encontro entre o presidente americano
08:45e o premier israelense Benjamin Netanyahu
08:48a respeito do que será o território da faixa de Gaza.
08:51Matéria polêmica, já tivemos declarações que repercutiram mal,
08:56inclusive, de Donald Trump sobre o que fazer com a faixa de Gaza.
09:00Como é que você vê agora os próximos passos lá naquele território?
09:03O interessante é que realmente o que fazer com a faixa de Gaza,
09:06sem que para isso se ouçam os palestinos.
09:10Eu imagino que os palestinos tenham alguma pontinha de interesse nisso.
09:15Então, é claro que sim, é mais uma ação de projeção de poder do presidente Trump.
09:20da mesma forma como disse o Durso,
09:24ele vai espalhando seus tentáculos por todas as regiões do mundo,
09:29está lá na Ucrânia,
09:31tenta, ameaça, por exemplo, a Dinamarca lá com a questão da Groenlândia,
09:35veja, a Dinamarca, que não é exatamente um estado belicoso.
09:39Está lá, sossegada e tal, tem a história do algo de poder no reino.
09:48Mas veja, até a Dinamarca lá em paz vai mexer com esse país.
09:52Quer dizer, aí vem aqui para a Venezuela,
09:56lá na Nigéria agora, supostamente para combater o Boko Haram.
10:00Então, é um negócio impressionante.
10:03Agora, é de fato o grande xerife do mundo.
10:07E aí, eu fico imaginando o seguinte, por exemplo,
10:10ele se propõe a garantir, então, 15 anos de segurança para a Ucrânia.
10:15Uai, como é que vai fazer isso?
10:17Vai combinar com os russos ou vai mandar tropas lá para a Ucrânia?
10:21Enfim, a Ucrânia.
10:23E se a Rússia, por exemplo, quiser garantir 15 anos de paz aqui para a Venezuela?
10:27Como é que fica esse negócio?
10:29Então, é preciso que o grande xerife, de alguma forma, seja contido.
10:36Fala aí, Alangani.
10:37Olha só, o que eu vejo é que o Donald Trump foi eleito com uma plataforma de campanha anti-guerras.
10:45Foi assim, um dos seus pronunciamentos, uma das suas promessas.
10:51Então, acabar com as guerras e cuidar dos interesses internos dos Estados Unidos.
10:58Aliás, diga-se de passagem, todos os presidentes norte-americanos se elegem com esse discurso.
11:05Não, não vamos mais nos meter em guerra porque é muito caro.
11:09Vou olhar para dentro do país.
11:12Invariavelmente, todos os presidentes acabam se metendo em guerra.
11:17Isso vale para os democratas, isso vale para os republicanos.
11:21E por quê?
11:22Porque o lobby interno dos Estados Unidos, a máquina de guerra norte-americana é muito forte.
11:28A pressão dos neocons americanos é muito forte.
11:33Então, você tem a indústria...
11:35O que são os neocons?
11:35Os neocons é uma parte da direita norte-americana, do partido republicano,
11:40e que tem essa ideia que os Estados Unidos devem ser uma espécie de polícia do mundo,
11:46resolvendo todos os conflitos.
11:47Há uma outra parte da direita nos Estados Unidos, que é contra, que seria a base do MAGA, por exemplo.
11:53Porque acho que os Estados Unidos devem se voltar para os seus problemas internos
11:56e não tem que ficar se metendo em conflito mundo afora.
12:00A verdade é que eu acho que o Trump, internamente, assim como o Obama também,
12:04internamente não queria se meter nesses conflitos.
12:07Mas o lobby do deep state norte-americano, que é FBI, que é CIA, que é USAID, que é a própria indústria de armas,
12:18essa burocracia invisível dos Estados Unidos, ela é muito poderosa e ela é pró-guerra.
12:24Então, é muito difícil, mesmo que o presidente norte-americano tenha uma postura diferente,
12:29ele acaba sendo levado na onda, ele acaba sendo engolido pelo deep state.
12:34E aí é claro que também a população fica contra, porque você só vê o déficit subindo
12:41e quanto mais você se meter com guerras, esse déficit orçamentário vai aumentando
12:46e os problemas internos dos Estados Unidos também, porque quanto maior o déficit fiscal,
12:51isso também vem a reboque, com mais inflação, com mais risco, etc.
12:56Só para arrematar, em relação à Rússia, por que o Trump está querendo negociar desesperadamente?
13:03Porque, por uma simples razão, quem está ganhando essa guerra não é os Estados Unidos nem a Ucrânia,
13:08quem está ganhando essa guerra é a Rússia.
13:09Você só quer negociar se você está perdendo.
13:12Para o Putin, ele está numa situação absolutamente cômoda, ele está ganhando, ganhando de lavada essa guerra,
13:17então, para ele, então venham negociar comigo.
13:20E é claro que se os Estados Unidos quiserem, de fato, acabar com essa guerra,
13:24tem uma solução que é muito simples, basta parar de mandar armamento para a Ucrânia.
13:28A Ucrânia sozinha não consegue continuar com essa guerra com a Rússia.
13:31E está na contramão do que foi anunciado, aí, uma proposta de garantia de segurança por 15 anos, né,
13:36dos Estados Unidos à Ucrânia, ou seja, tem ainda cenas dos próximos capítulos.
13:40E, assim, o Koba, rapidinho, a Rússia, ela jamais vai aceitar, assim, uma proposta, né, de 15 anos,
13:48ela quer uma garantia formal, uma garantia firme de que a Ucrânia jamais vai entrar na OTAN.
13:54Para a Rússia, a gente pode, aqui, achar isso errado, tudo mais, mas para a Rússia, isso é uma questão...
14:00É negociável.
14:00É negociável.
14:01E seria, inclusive, o grande motivo da incursão.
14:03A Rússia, desde 1800, se você fizer uma conta, ela foi invadida 33 vezes.
14:08Então, para eles, a defesa é um ataque, né?
14:11Sim.
14:12Então, assim, é inegociável.
14:13Eles não vão abrir mão disso de jeito nenhum.
14:17E, claro, das duas regiões que são muito mais pró-Rússia do que a Ucrânia.
14:21É interessante o que você falou aí dessa cultura americana aí, né, das instituições, enfim, que pressionam o líder, o presidente americano, enfim.
14:30Em algum momento, isso vai colapsar, né, Gani?
14:32Com o aumento desse déficit, a cada vez que isso vai passando, a cada ano que passa, a cada conflito que os Estados Unidos entram,
14:39e, infelizmente, vai colapsar em um cenário, em um contexto de conflito.
14:43Vamos acompanhar e torcer para que o melhor aconteça.
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