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Morreu na noite desta quarta-feira (24) Taynara Souza Santos, de 31 anos, vítima de uma tentativa de feminicídio ocorrida no dia 29 de novembro, na Marginal Tietê, na zona norte de São Paulo. A jovem estava internada no Hospital das Clínicas (HC) desde o início do mês e não resistiu às complicações decorrentes dos ferimentos. A informação foi confirmada por familiares e pela advogada que acompanha o caso. Diego Tavares e Monica Rosenberg comentaram.
Reportagem: Danúbia Braga
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Reportagem: Danúbia Braga
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NotíciasTranscrição
00:00Aqui o nosso giro de repórteres, assunto importante em São Paulo, da Núbia Braga.
00:06Uma notícia que eu não gostaria de dar, infelizmente, Tainara Souza dos Santos, de 31 anos,
00:14a mulher que foi atropelada e arrastada por um quilômetro na marginal do Rio Tietê,
00:20morreu na noite do dia 24, véspera de Natal.
00:24Ontem, no Jornal da Manhã, a gente trouxe, justamente falando como era o quadro de saúde dela.
00:31Ela passou por uma cirurgia muito delicada no dia 22, nessa semana, na segunda-feira,
00:36mais uma amputação na região das coxas e aí para a reconstrução dos glúteos.
00:41Mas, infelizmente, ontem, quase perto do meio-dia, a família foi chamada ao hospital para se despedir da Tainara.
00:49Quando foi por volta das 7 horas da noite, ela morreu.
00:53Infelizmente, uma notícia muito triste, porque era um caso em que essa jovem vinha lutando pela vida há tanto tempo
01:00e, claro, a gente tinha uma expectativa de que, embora ela tivesse sequelas muito graves,
01:06mas que ela continuasse viva.
01:08Ela deixa dois filhos, um menino de 12 anos e uma menina de 7 anos.
01:14Família desolada, ainda não tem horário do velório e do enterro de Tainara.
01:20O autor do crime, o Douglas Alves, de 26 anos, está preso desde o dia 30 de novembro,
01:29caso tratado como tentativa de feminicídio.
01:33E a gente relembra esse caso horroroso que aconteceu enquanto ela estava numa festa
01:38e aí o ex-companheiro Douglas não aceitava ali o fim do relacionamento, teve uma cena de ciúmes.
01:45Ele decide, então, atropelar a Tainara e depois ela ficou presa no carro.
01:50Ele a arrastou por mais de um quilômetro na marginal do Rio Tietê.
01:54Só parou quando outros motoristas fizeram sinalizações.
01:58Ele deixa o carro próximo a um posto de combustíveis e foge do local.
02:02Tainara chegou a ser socorrida, passou por diversas cirurgias.
02:06Nesta semana, essa quarta, além da cirurgia ali que foi feita a amputação das coxas
02:13para a reconstrução dos glúteos, ela passou por uma traqueostomia e também por uma cirurgia plástica.
02:18A família chegou, nessa semana, a fazer uma postagem nas redes sociais
02:22dizendo que era um momento muito delicado, que era uma das cirurgias mais difíceis
02:26que a Tainara, então, passaria.
02:28E ontem, infelizmente, a família foi avisada por volta do meio-dia
02:32que precisava ir até o Hospital das Clínicas para se despedir
02:35e às sete horas da noite veio a notícia de que a Tainara não tinha resistido.
02:40Infelizmente, tinha deixado a família, os filhos.
02:45É uma notícia muito triste, muito difícil.
02:49Infelizmente, a gente sabe que é mais um caso de feminicídio,
02:53uma vez em que a Tainara não resistiu a esses ferimentos.
02:57Uma notícia que, realmente, eu não gostaria de dar justamente num dia como hoje.
03:03E ontem, véspera de Natal, a gente sabe a dor dessa família.
03:07Volto com vocês no estúdio.
03:08É isso, Danúbia.
03:09Tem todo esse simbolismo de quando acontece a morte,
03:13a crueldade que foi essa ação desse rapaz contra a Tainara.
03:18Fica aqui toda a nossa solidariedade da família, principalmente a mãe da Tainara,
03:22nesse momento, que imagino que seja de uma dor absurda pela perda da filha
03:26e de uma maneira tão cruel como foi esse cenário verificado em São Paulo.
03:31Obrigado, viu, Danúbia.
03:32É assunto aqui para a gente trazer os comentaristas de hoje aqui na Jovem Pan.
03:36Diego Tavares e também a Mônica Rosenberg.
03:39Mônica, eu vou começar contigo.
03:40A gente falava agora há pouco aqui com o Viga também
03:43dos casos de feminicídio que, infelizmente, vão se proliferando pelo Brasil.
03:48Esse da Tainara é um daqueles simbólicos indicando a crueldade,
03:52a frieza de alguns seres humanos que, infelizmente, estão entre nós.
03:59E, especificamente, olhando aí para o lado das mulheres,
04:02é algo que a gente tem que respirar
04:05e tentar, de algum modo, analisar esse momento
04:08do porquê isso tudo está acontecendo
04:11e como é que a gente pode tentar fazer
04:13para evitar que casos como o da Tainara se repitam
04:16ou de outros, de mulheres que são agredidas dentro de elevadores
04:20com vários socos, independentemente de ter câmera
04:23ou não sendo filmada, ou Mônica, parece uma epidemia, infelizmente.
04:28Está muito difícil, realmente está muito difícil.
04:30Eu estou muito abalada com essa história
04:32e imagino que você que está aí assistindo a Jovem Pan
04:34também esteja, seja homem ou mulher,
04:38pela violência, pela crueldade,
04:40pela banalidade do que aconteceu, né?
04:43Esse cidadão, esse monstro
04:45que simplesmente vê a ex numa festa
04:47passa em cima com o carro.
04:49Quem viu as imagens, ele vai, volta
04:51e sai de novo acelerando com ela.
04:54E é, o Nonato, você falou muito bem,
04:55é uma epidemia, está acontecendo
04:57no Brasil inteiro.
04:59Os homens estão, de repente,
05:01se achando no direito de agredir as mulheres,
05:04de atacá-las, de machucá-las,
05:06de amputar pedaços
05:08e de tirar a sua vida.
05:10Gente, quando a gente fala de feminicídio,
05:13muita gente reage a esta palavra,
05:14dizendo, ah, é coisa de esquerdinha,
05:16é coisa de feminista,
05:18é coisa disso, daquilo.
05:19Mas entendam, feminicídio significa
05:21que aquela pessoa morreu
05:23só por ser uma mulher.
05:25Existem casos em que,
05:27por exemplo, nós acabamos de noticiar ali,
05:28o Viga falou do militar
05:31que foi reagir a um assalto
05:33e morreu.
05:34Se fosse uma mulher ali,
05:35vestindo a sua farda,
05:37cumprindo o seu dever,
05:38ele até nem estava de farda,
05:39mas no exercício do seu papel,
05:42tivesse morrido,
05:43não seria um feminicídio.
05:45Mas nesses casos em que esses homens
05:47simplesmente se acham
05:48no direito de agredir...
05:51Ontem, um servidor da CGU
05:53agrediu a mãe com o filho no colo,
05:55uma criança de quatro anos no colo,
05:56ele encheu ela de pancada,
05:58ela e a criança.
06:00Isso não é só uma questão de impunidade,
06:02não é apenas...
06:03E atenção,
06:04é também um problema de impunidade,
06:06mas não é só isso,
06:07é uma questão cultural.
06:09Os homens no Brasil estão achando
06:11que eles têm que bater nessas mulheres,
06:13que eles têm o direito,
06:14que eles têm quase o dever,
06:15é defesa da sua honra.
06:17Eles vão lá e fazem mesmo
06:18porque eles são muito machos.
06:20Isso é um absurdo,
06:21é um problema cultural
06:23que tem que ser cortado pela raiz.
06:25Isso passa pelos homens, sim,
06:27de não admitir mais
06:29nenhum tipo de xingamento,
06:32piadinha, agressão,
06:33tapinha,
06:34não existe meio termo.
06:36Ou a nossa sociedade
06:38se posiciona agora claramente
06:39indignada, revoltada,
06:42homens e mulheres,
06:43e dá um basta
06:44em todos os níveis,
06:46na política,
06:47na imprensa,
06:48na cultura,
06:50nos filmes,
06:50nas novelas,
06:51todo mundo tem que começar
06:52a dizer
06:53homem que agride mulher
06:54é nojento,
06:56é inadmissível,
06:58e aí sim,
06:59talvez,
06:59comece a mudar.
07:01E fica sempre
07:02aquele ponto,
07:04né, Mônica?
07:04Vou passar para o Diego já,
07:05mas,
07:06tratando de mulher
07:07para mulher aqui,
07:09dê os primeiros sinais,
07:11é importante observar,
07:13porque se chegou a esse ponto
07:14dela ser arrastada
07:15por um veículo,
07:17algum sinal antes...
07:19Pode ter sido dado.
07:19Pode ter sido dado.
07:22E tem que ser observado.
07:23Agora, Diego,
07:24são inúmeros casos
07:25de feminicídio,
07:26esse da Tainara,
07:26de fato,
07:27é o mais dramático
07:28dos últimos tempos,
07:30mas é o que a gente sabe,
07:31né?
07:32Há casos no interior
07:33do Nordeste do Brasil,
07:34por exemplo,
07:34que eu já vi,
07:35já ouvi falar,
07:36de homens que colocam
07:38fogo na mulher,
07:39que queimam a casa
07:40de mulheres,
07:41Mônica já deve ter ouvido
07:42falar sobre isso também,
07:43queimam mulheres.
07:45É um absurdo.
07:46Falta leis,
07:48mais rigorosas
07:50para poder intimidar
07:51esse agressor,
07:52porque parece que o Estado,
07:53às vezes,
07:54só age depois que a tragédia
07:55acontece.
07:57Sem dúvida nenhuma,
07:58Paula,
07:58nós estamos aqui
07:59noticiando um caso
08:00que é retrato
08:01de um Estado falido,
08:02um Estado que é incapaz
08:03de proteger
08:04as suas mulheres.
08:06Nós vemos um país
08:07onde quatro mulheres
08:09são mortas por dia.
08:11Isso que nós
08:11não estamos considerando aqui,
08:13a subnotificação
08:14desse tipo de crime,
08:16que, como você disse,
08:17em alguns estados,
08:18em algumas regiões
08:19do país,
08:20sequer entram
08:21nessa estatística.
08:23Então,
08:24é um cenário
08:25de calamidade.
08:26É algo
08:26para que o Estado,
08:27de fato,
08:28se debruce sobre isso
08:30e tente entender
08:31quais são
08:31as raízes
08:32desse problema.
08:33E desconfio eu
08:34que, de fato,
08:34é um caso
08:35de impunidade.
08:36Todo criminoso,
08:38quando vai praticar
08:39um crime,
08:39ele faz um cálculo,
08:41ainda que de maneira
08:42inata,
08:43ainda que de maneira
08:44na sua consciência,
08:46no seu subconsciente,
08:47ele faz um cálculo
08:48onde ele considera
08:50essa possibilidade
08:51de pagar pelo crime
08:52e avalia,
08:53de outro lado,
08:54o resultado
08:54que o crime
08:56vai lhe dar.
08:56No caso
08:57do feminicídio,
08:58geralmente,
08:58aquela satisfação
08:59do ego
09:00ou do homem
09:01que não aceita
09:01o fim do relacionamento,
09:03como foi o caso
09:04da Tainara,
09:04ou do homem
09:05que foi traído,
09:06enfim,
09:07não há justificativa,
09:08mas esse cálculo
09:09é feito pelo criminoso,
09:10ainda que de forma
09:11subconsciente.
09:12E se o criminoso
09:13conclui pela possibilidade
09:15de prática do crime,
09:16é porque ele não vê
09:18resistência
09:19por parte do Estado.
09:20Ele sabe que é muito difícil
09:22que ele seja capturado,
09:23que o crime seja,
09:25de fato,
09:25esclarecido,
09:26porque nós temos também
09:27esse problema
09:28de uma taxa baixíssima
09:29de esclarecimento
09:30dos crimes.
09:31E, claro,
09:31o Brasil é essa festa,
09:33essa grande festa
09:34onde criminoso
09:35tem mais direito
09:36que cidadão de bem.
09:38Tem uma ampla
09:38cartilha de direitos
09:39e garantias fundamentais,
09:41que sempre tem
09:42um jurista
09:43que gosta de dourar
09:44a pílula
09:45para dizer que isso
09:45é o que nos separa
09:46da barbárie,
09:47mas que, na verdade,
09:48isso é justamente
09:49o que permite
09:50que a barbárie
09:51seja implementada
09:52no nosso país.
09:53Nós temos aqui
09:54muitos casos,
09:55infelizmente,
09:56de mulheres que são mortas
09:57com a medida protetiva
09:59dentro da bolsa,
10:00com a medida protetiva
10:01embaixo do braço.
10:02Então, infelizmente,
10:03nós precisamos parar,
10:05puxar o freio de mão
10:06aqui para avaliar
10:07essa situação
10:08com mais atenção
10:09e, de fato,
10:10impedir que cenas
10:11como essas,
10:12que para quem nos acompanha
10:13por imagem
10:14pode ver aqui
10:15exatamente o momento
10:16da prática
10:16desse crime bárbaro
10:17que vitimou
10:18essa mulher,
10:19que cenas como essa
10:20não tenham mais
10:21que ser repercutidas
10:23por todos os noticiários,
10:25que isso seja extinto
10:26da nossa sociedade,
10:27porque nós não podemos
10:29mais conviver
10:30com esse cenário
10:31de guerra
10:31que é o nosso país.
10:33Mônica,
10:34eu queria te ouvir
10:35mais um pouco
10:35a respeito desse assunto.
10:37ontem até nós noticiamos
10:38um outro caso aqui
10:39absurdo
10:39de um cidadão
10:40que matou a companheira
10:41e os três filhos
10:42em Jabuticabal,
10:43no interior de São Paulo,
10:44também chamou muito
10:45a atenção pela violência
10:47empregada na ação dele.
10:49Quando a gente fala
10:50de penas mais duras,
10:52ô Mônica,
10:52isso tem de vir
10:53acompanhado também
10:54com um cenário
10:55educacional também
10:57dos jovens,
11:00dos rapazes
11:01ou das crianças
11:01do sexo masculino
11:03no que diz respeito
11:04à educação
11:04de respeito às mulheres?
11:05Exatamente.
11:07É sair do discurso
11:08de que os homens
11:09têm que ajudar
11:10a proteger as mulheres
11:11e entrar num discurso
11:13de que os homens
11:13não podem tocar
11:14nas mulheres,
11:15de que eles não têm
11:17o direito
11:17de tocar em mulheres.
11:19Você aí que está assistindo
11:20tem filha,
11:21tem irmã,
11:21tem mãe,
11:22entende a importância
11:24de essas mulheres
11:25estarem capazes
11:27de se defender
11:28não de uma violência,
11:30mas de uma situação
11:31em que ela tenha
11:32medo da violência.
11:33Tem um caso
11:34muito emblemático
11:34da Cíntia Chagas,
11:35que apanhou
11:36do seu companheiro,
11:39que inclusive
11:39é um deputado,
11:41e ela tinha um discurso
11:42que muitas mulheres
11:43mais conservadoras
11:44costumam ter,
11:46de que,
11:46ah,
11:47talvez eu tenha
11:47feito alguma coisa,
11:49ah,
11:49mas foi só um tapinha,
11:50ah,
11:50mas ele estava nervoso.
11:52E esse é o grande problema,
11:53é que nós somos educadas,
11:54nós somos criadas
11:55para aceitar
11:56esse tipo de coisa.
11:58E a hora que a gente percebe
11:59que chegou
11:59num ponto de violência,
12:01é muito difícil
12:02de reverter.
12:02então essa prevenção
12:04faz parte
12:05de algo que tem
12:06que ser ensinado
12:06para mulheres
12:07e para homens.
12:08Começou com um empurrão,
12:10começou com uma palavra,
12:12aumentou a voz,
12:13foi grosso com as crianças,
12:15com seus filhos,
12:16com os filhos que às vezes
12:17não são deles,
12:18importante já imediatamente
12:19se posicionar,
12:20importante fazer B.O.,
12:21importante falar com as pessoas
12:23do seu entorno,
12:24a prevenção passa muito
12:25pelo estado de espírito
12:27de uma sociedade inteira,
12:28das mulheres e dos homens
12:30de não admitir mais
12:32nenhum tipo de violência.
12:33E violência não é só física,
12:35existe a violência verbal,
12:36existe a violência moral
12:37que acontece dentro de casa,
12:40sem falar da violência sexual
12:41em cima de crianças,
12:42às vezes praticadas
12:43por membros da própria família
12:44que faz parte.
12:46Então,
12:46é uma mudança cultural?
12:48Sim.
12:48É uma educação
12:49que tem que ser mudada
12:50em meninos e em meninas
12:52para que os corpos das meninas
12:54não estejam mais
12:56à disposição dos homens.
12:58E Mônica e Diego
12:59também tem a parte
13:00da denúncia também, né?
13:01Essa parte,
13:02ela é bem espinhosa
13:04para muitas mulheres, né?
13:05Que a mulher vai lá,
13:06faz a sua denúncia,
13:07se sente completamente
13:08intimidada,
13:10não se sente bem
13:11ao fazer a denúncia,
13:12a abordagem às vezes
13:13não é feita
13:13de uma maneira adequada
13:14com a mulher
13:15e ela volta para casa
13:17e desiste
13:18e não faz a denúncia.
13:21Diego,
13:21o que falta na lei
13:22Maria da Penha
13:23para que ela
13:24funcione não
13:26porque ela funciona,
13:27mas para que ela seja
13:28aprimorada
13:29para que a mulher
13:30não se sinta intimidada
13:31na hora de denunciar
13:32e que intimide também
13:33de fato o agressor?
13:35Do ponto de vista legal,
13:37Paula,
13:37falta mais aplicação.
13:39A lei Maria da Penha
13:40tem instrumentos excelentes
13:41que se fossem
13:42devidamente aplicados,
13:43certamente poderiam evitar
13:44com que muitos casos
13:45de feminicídio
13:46e de violência
13:47ocorressem.
13:48Mas eu acho que é realmente
13:49mais o que disse o Nonato,
13:51mais a linha educacional.
13:52E aí não só
13:53dos homens, Nonato,
13:54não é só educar
13:55os homens
13:56para que os homens
13:56não admitam
13:58esse tipo de comportamento
13:59e não cogitem nunca
14:00colocar a mão
14:01ou praticar qualquer espécie
14:03de violência
14:03contra a mulher.
14:04É educar também
14:06as mulheres
14:07para que as mulheres
14:08não se prendam
14:09ao ciclo
14:10da violência doméstica,
14:11não normalizem
14:12aquilo que não pode
14:13sob nenhum pretexto
14:16ser normalizado,
14:17como é o caso
14:18da violência psicológica.
14:20A Mônica lembrou
14:20um caso muito emblemático,
14:22realmente o caso
14:23da Cíntia Chagas.
14:24A Cíntia Chagas
14:25não é uma mulher pobre,
14:26não é alguém
14:27que teve acesso
14:28a pouco estudo,
14:29muito pelo contrário,
14:30é uma pessoa muito letrada
14:31e mesmo ela,
14:32com toda a educação
14:33que recebeu,
14:34ficou presa
14:35no ciclo
14:36da violência doméstica.
14:38Isso nos mostra
14:39que qualquer mulher,
14:40independentemente
14:41do grau de instrução,
14:43seja por questões
14:44culturais,
14:45seja pelo próprio
14:45clima que há no Brasil,
14:47propício à violência
14:48contra a mulher,
14:49também ficou
14:50enclausurada
14:51nesse ciclo.
14:52Então,
14:52o processo educacional
14:54tem que também
14:55atingir as mulheres.
14:56Nenhuma mulher
14:57pode normalizar,
14:58admitir qualquer espécie
15:00de violência.
15:01Tem que ficar atento
15:02ao que a Paula
15:02disse aqui muito bem,
15:03aos sinais
15:04do homem agressor,
15:06que ele não começa
15:07agredindo,
15:08ele não começa
15:08batendo,
15:09violentando,
15:10não começa
15:10com uma tentativa
15:11de feminicídio.
15:12Ele vai começar
15:13com um xingamento,
15:14o xingamento
15:15parte para um empurrão
15:16e o empurrão
15:17parte,
15:17infelizmente,
15:18muitas vezes,
15:19para essas cenas lamentáveis
15:20que nós estamos repercutindo
15:22aqui agora.
15:23A educação resolveria
15:24uma boa parte do problema
15:25e a parte que não resolve
15:26leis mais duras
15:28e mais eficiência
15:29por parte
15:29de todo o sistema
15:31que compreende
15:32o nosso sistema
15:33de justiça,
15:34o nosso sistema
15:34de segurança pública.
15:36Se nós educássemos
15:38de forma melhor
15:40homens e mulheres
15:41e, de outro lado,
15:42puníssemos com severidade
15:43os agressores,
15:45certamente nós conseguiríamos
15:46melhores resultados
15:47nessa estatística
15:48que é tão triste
15:48para o nosso país.
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