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A Polícia Federal deflagrou a Operação Sem Desconto contra fraudes no INSS nesta quinta-feira (18). O senador Weverton Rocha (PDT) foi alvo de buscas. Após a ação, o ministro Wolney Queiroz exonerou o secretário-executivo Adroaldo Portal, que teve prisão preventiva decretada. Ele é investigado por receber R$ 50 mil em propina. Reportagem: Janaína Camelo.

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00:00Vamos começar, então, trazendo mais informações pra você que nos acompanha.
00:03A Polícia Federal fez mais uma etapa da operação que investiga as fraudes do INSS.
00:08Quem tá acompanhando essa história é a nossa Janaína Camelo, que vai trazer, então, as informações de mais essa fase da operação.
00:16Conta aí, minha amiga. Seja muito bem-vinda.
00:20Muito boa tarde pra você, Evandro, pra todo mundo, pois é mais uma fase, né, da operação sem desconto.
00:26E aí, essa operação deflagrada hoje cumpre 52 mandados de busca e apreensão, 16 mandados ali de prisão preventiva.
00:38E tudo isso acontecendo em vários estados. Olha só, São Paulo, Rio Grande do Sul, Paraíba, Pernambuco, Maranhão, Minas Gerais e aqui no Distrito Federal.
00:47Lembrando que a investigação da operação sem desconto, ele de desvios, né, do INSS, acontece no âmbito do Supremo Tribunal Federal,
00:55porque envolve autoridades, com foro privilegiado.
00:59Quem está cuidando desse caso ali no STF é o ministro André Mendonça.
01:02Então, foi ele que autorizou essa nova fase da operação que foi deflagrada hoje.
01:07Um dos alvos de destaque dessa operação é o senador Everton Rocha, senador do PDT pelo Maranhão.
01:15Ele é o vice-líder do governo lá no Senado.
01:18Então, ele foi alvo de busca e apreensão.
01:21Houve essa busca e apreensão na residência dele aqui em Brasília, no Lago Sul, que é um bairro nobre aqui de Brasília,
01:28onde foi apreendido, inclusive, um dos veículos que estavam na garagem ali da casa do senador e também na residência dele no Maranhão.
01:37A Polícia Federal, Evandro, nessa investigação sobre o senador Everton Rocha,
01:42definiu o senador, nessa investigação, como possível sócio oculto no esquema de desvio de dinheiro do INSS.
01:49E diz o seguinte, que ele é suspeito de ter feito negócios com alvos investigados no esquema.
01:57Além do senador, também uma das prisões, prisão preventiva, foi contra o Romeu Garvalho Antunes.
02:02Ele é o filho do careca do INSS, né, que é o Antônio Carlos Camilo Antunes.
02:08Outra prisão, nesse caso, uma prisão domiciliar.
02:11Aldoado Portal, ele era, até hoje, ele era o número dois ali do Ministério da Previdência.
02:17Ele era o secretário executivo, mas ele acabou sendo exonerado logo depois que essa operação foi deflagrada.
02:23Inclusive, ele já trabalhou no gabinete do senador Everton Rocha, tempos atrás, tá?
02:29É outro alvo ali também de busca.
02:32O advogado Eric Fidelis, ele é filho do ex-diretor do INSS, André Fidelis.
02:38Nessa investigação, a Polícia Federal alega o seguinte, que a nova fase da operação
02:43busca aprofundar as investigações da operação de Sem Desconto,
02:47esclarecer a prática dos crimes de inserção de dados falsos em sistemas oficiais,
02:52constituição de organização criminosa, estelionato previdenciário
02:56e atos de ocultação e delapidação patrimonial.
03:01Levanto.
03:02Ô, Janaína Camelo, eu quero saber também sobre uma outra informação.
03:05A polícia localizou em uma planilha o registro de repasses
03:09de 50 mil reais do careca do INSS para a Aldoado Portal,
03:13que é o ex-número dois do Ministério da Previdência.
03:17Quero saber detalhes também dessa situação que expõe mais um integrante desse setor.
03:23Pois é, o drodo, né, que ele foi, então, exonerado hoje, está em prisão domiciliar.
03:30O que a investigação encontrou?
03:32Uma planilha ali do careca, nos alvos de busca e apreensão ali,
03:36do careca do INSS, uma planilha de pagamentos.
03:40E aí, tá descrito nessa planilha, planilha, por exemplo, o pagamento de 50 mil reais.
03:46Exatamente dessa forma, Evandro, abre aspas, ADRO, está escrito dessa forma.
03:52E aí, a Polícia Federal entendeu nessa investigação que se trata de Aldoado, né?
03:58E aí diz o seguinte na investigação, que suspeita, a suspeita é de que ele,
04:03que era o número dois do Ministério da Previdência até hoje,
04:06recebeu, então, propina do careca do INSS nesse esquema todo de desvio de dinheiro.
04:12Aldoado fez movimentações suspeitas de valores elevados também na conta bancária dele.
04:18Foi o que a Polícia Federal também identificou.
04:21Isso tá aí um disco rígido que foi apreendido com o careca do INSS meses atrás,
04:28no dia 23 de abril, e nesse disco rígido foram encontradas várias planilhas de pagamentos
04:33a fornecedores.
04:34E aí, segundo a Polícia Federal, diversas planilhas com controle de movimentação financeira
04:39de associações e de empresas, do próprio investigado Antônio Carlos Antunes,
04:43careca do INSS, além também de pagamentos a pessoas físicas e jurídicas.
04:48Entre esses pagamentos, esses 50 mil reais, a Aldoado é o que a investigação identificou.
04:54E o Evandro, você.
04:55Muito obrigado pelas informações, Janaína Camila.
04:57Um abraço pra você.
04:58Adroaldo é o nome dele, então, né?
05:00Eu falei no comecinho ali, a droda é Adroaldo.
05:02Agora, Langane, eu quero que você traga a sua avaliação
05:05sobre mais detalhes que vão aparecendo desse esquema, mostrando repasses de dinheiro,
05:10um protagonismo bastante intenso do conhecido careca do INSS nessa distribuição
05:16e a participação de cada vez mais pessoas ligadas a autoridades importantes aqui no país.
05:21Exatamente, né?
05:22A gente vê agora nome de senadores, né?
05:25Então, Evandro, isso comprova uma hipótese que aqui no 3 em 1 a gente levantou desde o início,
05:31que não se tratava de uma corrupção isolada, mas uma corrupção sistêmica envolvendo vários atores
05:40e, principalmente, a classe política, como foi no Petrolão e como foi no Mensalão.
05:47O careca do INSS, ele é apenas um intermediário, ele não é a ponta final,
05:53ele era uma espécie ali de Marcos Valério que foi para o Mensalão,
05:58ou como outros lá, o Renato Duque, no Petrolão.
06:01Ele é um intermediário, então tem que ir atrás daqueles, dos caciques, né?
06:07E que esses caciques, evidentemente, são muito poderosos, são muito blindados e estão no meio político.
06:12E a Polícia Federal, evidentemente, faz um bom trabalho nessa investigação, Evandro.
06:17Ô, Zé Maria Trindade, seja muito bem-vindo, boa tarde, meu amigo.
06:20Nós acompanhamos, nessa fase da operação, buscas e apreensão relacionadas ao senador Everton Rocha, do PDT.
06:28E havia um pedido da Polícia Federal à Procuradoria-Geral da República
06:32para uma prisão preventiva do senador, que não foi autorizada pela PGR e, por isso, não foi cumprida.
06:39O senador diz que está colaborando com as investigações e que garante que não haveria nenhuma irregularidade.
06:45Mas há muitas pessoas ao redor dele que teriam recebido esse repasse,
06:49o que coloca, então, o senador também no centro das desconfianças relacionadas aos desvios do INSS.
06:57O quanto essas investigações vão expondo cada vez mais a atuação da classe política
07:04para que os sindicatos e associações tivessem acesso às folhas, aos pagamentos desses aposentados
07:11e conseguissem fazer os descontos sem que eles fossem autorizados, hein, Zé?
07:16Boa tarde.
07:18Pois é. Muito boa tarde. Boa tarde a todos.
07:22Quando eu disse aqui de que ninguém rouba seis bilhões de reais aqui em Brasília
07:27se não tiver um lastro político muito forte,
07:30as excelências é que comandam esse processo de roubo de dinheiro público.
07:34E aí muita gente, ah, você exagerou porque não existe prova.
07:37Não precisa de prova. As evidências são medidas muito importantes e de muito dinheiro.
07:43Eu queria chamar a atenção aqui para um hábito, cultura ou um jeito político de sempre por aqui.
07:52Um partido político domina um ministério, no caso o PDT.
07:56Veja bem que o ex-ministro que foi demitido presidente do PDT,
08:00o vice dele, né, que era o secretário-geral Vônei do PDT,
08:03que agora assumiu o ministério e assim por diante.
08:06Quer dizer, vira um feudo partidário que é o partido do senador investigado, né,
08:14o Everton de Castro.
08:15Ele, Rocha, ele na verdade representa um elo nessa cadeia.
08:21Quero te dizer que não vai achar muito raço, não.
08:24Esse pessoal é inteligente, especializado e muito experiente em desaparecer dinheiro.
08:30é igual aquele mágico que, olha, cadê, não viu.
08:34O de seis bilhões sai assim e não sabe de quem.
08:38Isso aí é uma raridade encontrar.
08:40Corrupção não tem recibo, não tem nota fiscal, né,
08:44e de vez em quando tem uma possibilidade de escapar ali uma ou outra prova.
08:50Isso sempre me feriu aqui.
08:52É ver que um determinado partido, o PTB no Ministério do Trabalho,
08:55é o PP no Ministério da Saúde e não é para melhorar o país.
09:01Aí eu ficava imaginando, gente, por que que esses políticos lutam tanto por uma pasta,
09:08às vezes uma pasta inocente com o Ministério do Trabalho?
09:11Aí a gente vinha, veio o PTB vendendo carta sindical por oito milhões de reais,
09:17encheu o Brasil de carta sindical.
09:18Então, assim, são feudos e a gente vê claramente que o PDT domina ainda o Ministério da Previdência.
09:26É para melhorar a vida do aposentado?
09:30Esse interesse do PDT pelo Ministério da Previdência é para melhorar a aposentadoria do país,
09:36sanear a Previdência que está com dificuldade?
09:39Não.
09:40É exatamente para fazer caixa eleitoral e fazer esse trabalho.
09:43Eu vou antecipar e dizer que existem outras excelências envolvidas nesse processo.
09:50Ninguém derrama seis bilhões de reais assim sem o apoio de excelências que mandam na política por aqui.
09:57Agora, o Fábio Piperno, o presidente da República e o governo federal tentam construir a mensagem
10:03de que eles estão ou são os maiores interessados nas descobertas que são feitas pela Polícia Federal
10:08e na punição dos possíveis responsáveis, inclusive se dentro desse pacote de responsáveis
10:15existir algum familiar ou parente de alguém da Presidência da República.
10:19E eu quero saber de você se isso é um desejo de fato ou se é uma preocupação com o ano pré-eleitoral.
10:25Eu acho que, veja, a gente pode não acreditar em boas intenções de ninguém.
10:32Ah, boas intenções gratuitamente por questões aí de, afinal de contas, temos espíritos elevados.
10:40Então vamos partir para o mundo real para questões pragmáticas.
10:44É óbvio que o calendário eleitoral ele vai ditar uma série de providências também nisso.
10:53Na leva de presos, punidos e daqueles que receberam a visita da Polícia Federal
11:02nessas operações de busca e apreensão, naquele pacote realizado no mês de novembro,
11:09Eu me lembro, por exemplo, do envolvimento de um deputado chamado Euclides Pettersson,
11:17lá de Minas Gerais, aliado do senador Cleitinho.
11:22E o que fez o senador Cleitinho imediatamente falou
11:25Bom, é meu aliado e se tiver alguma culpa nisso, ele que responda à justiça.
11:32Eu não tenho responsabilidade não em relação a ele.
11:35É meu aliado, mas se houve algum mal feito, o problema é dele.
11:39O senador Cleitinho também é pré-candidato ao governo de Minas.
11:46E ele está muito correto.
11:48Ou seja, se um aliado tiver problemas, tiver cometido um ato ilícito,
11:54o aliado que responda.
11:56Da mesma forma, essa turma do PDT envolvido,
12:00e o Zé lembrou muito bem, porque eu já falei muitas vezes lá atrás,
12:04eu sempre critiquei a nomeação de Carlos Lupe para aquele, para o Ministério da Previdência.
12:12Eu acho o Carlos Lupe um péssimo quadro.
12:15Alguém, sabe, da vanguarda do atraso.
12:19E está ficando cada vez mais claro que o partido montou, sim,
12:23um feudo ali, e que opera de forma ilícita, sim.
12:28A gente está falando de alguns que foram demitidos aí no meio do ano,
12:34e de gente que foi nomeada há pouco tempo, que também está envolvida nisso.
12:39Então, é necessário fazer uma faxina e mandar essa turma para a cadeia.
12:44Porque esse esquema, ele já vem de muito tempo,
12:48esse negócio tem mais de 10 anos, está enriquecendo muita gente,
12:52e ainda tem muito político para ser pego pela Polícia Federal.
12:56Pena que a Polícia Federal não pôde hoje mandar para a cadeia o senador Everton,
13:01porque a PGR e o STF entenderam que não seria o caso.
13:06Bruno Musa, esse esquema expõe, mais uma vez também,
13:09o quanto a alocação de partidos em instituições, institutos,
13:16em locais importantes, em autarquias importantes no país,
13:20favorece a corrupção, mais uma vez.
13:24A gente tem mais uma história de gente que entra em partido,
13:27segundo a Polícia Federal, para garantir que, a partir dos desvios,
13:32essas pessoas poderosas tenham acesso a cada vez mais dinheiro,
13:36enquanto as pessoas simples sofrem com descontos em seus recebimentos do INSS.
13:41Evandro, primeiro, você falou mais bonito do que eu,
13:47o que eu sempre tento colocar.
13:49Quem gera essas diferenças sociais, em grande parte, é o próprio Estado.
13:53E o Estado nada mais é do que essa burocracia,
13:56esses tecnocratas que eu sempre repito.
13:59Saia do mundo abstrato.
14:01Quem é o Estado?
14:03Quem são essas burocracias?
14:04Quem são essas autarquias?
14:06A autarquia não sai por aí fazendo coisa sozinha,
14:08a gente não dá bom dia, boa tarde, boa noite para ela na rua.
14:11Ela não existe.
14:12Ela é formada por pessoas com nome, com CPF,
14:17com interesses de poder e com os incentivos perversos da política
14:22que permeiam todas as suas ações
14:25e permitem que ele consiga centralizar esses recursos na mão deles
14:31para que eles permaneçam no poder.
14:33É algo que parece óbvio, mas lógico,
14:37que eles usarão outro tipo de discurso.
14:40A autarquia está aqui para te ajudar.
14:42A indicação é justamente daquela pessoa que mais entende
14:45sobre Previdência, sobre, enfim, qualquer outra autarquia
14:49que a gente possa entender.
14:50Mas quando a gente vai conhecer o CPF que comandam essas autarquias,
14:54muitos deles sequer trabalharam com o que aquelas autarquias foram criadas
14:59ou são dedicadas para solucionar algum tipo de problema.
15:03Ou seja, todos os incentivos perversos dentro da política
15:07são feitos para manutenção do projeto de poder,
15:12centralização de um orçamento cada vez mais trilionário,
15:16onde eles distribuem uma pequena migalha
15:19para grande parte da população,
15:21para que eles se sintam, de alguma maneira, amparados.
15:24De alguma maneira, o grande, o grosso da coisa está sendo distribuído entre eles.
15:30De maneira bonita, com palavras e atos que nunca vão parecer o que de fato é,
15:36eles dão cinco reais para alguém e tomam dez,
15:39através do imposto e através da inflação.
15:42E esses dez é mais arrecadação para eles,
15:45mais arrecadação para eles, mais projeto de poder.
15:49É assim que é feita a política, independente do lado que você seja.
15:52É, e essa operação acontece seis meses depois
15:55de uma apuração exclusiva do nosso Bruno Pinheiro,
15:57aqui na Jovem Pan.
15:58E o Bruno vai contar um pouquinho mais
16:00sobre as mensagens que trouxeram ali à tona
16:04o nome do senador Everton Rocha.
16:06Eu lembro, inclusive, do dia que você contou
16:08tudo isso ao vivo aqui para a gente, Brunão.
16:10Seja muito bem-vindo, meu amigo.
16:11Que bom tê-lo aqui no 3 em 1 depois de algum tempo.
16:15Ótima tarde também, Evandro.
16:16Que bom estar de volta a você, os nossos comentaristas.
16:18Aqui no estúdio o José Maria também e a quem nos acompanha.
16:22No finalzinho do mês de maio, exato, aqui mesmo na Jovem Pan,
16:26nós exibimos algumas informações.
16:28Eu conversava com alguns representantes
16:29de algumas entidades que citavam.
16:32Olha, nós estamos errados, mas não é 100%.
16:34Nós só conseguimos isso porque dentro do Congresso
16:37alguns nomes nos ajudaram a chegar até lá.
16:41E o nome do senador Everton Rocha,
16:43lá no mês de maio, já era citado
16:45entre esses representantes de entidades
16:48que ele tinha uma ligação, de acordo com essas fontes
16:50ouvidas pela Jovem Pan, justamente nos consignados.
16:54Que era essa ala que será investigada no ano que vem
16:57na CPMI do INSS.
17:00Agora, além de o Everton Rocha,
17:02tem outras mensagens que foram compartilhadas
17:05entre representantes de entidades.
17:07Vamos rever então, Evandro,
17:09essas mensagens que tivemos acesso,
17:11onde um assessor de um parlamentar
17:14faz uma cobrança a um diretor de uma entidade
17:17para que um repasse seja realizado.
17:20Ele chega a sugerir o local do encontro.
17:23Aqui já é um comprovante no valor de 50 mil reais
17:26enviado para um assessor de um parlamentar
17:29que horas antes ele faz uma cobrança.
17:31Seu encontro seria na Câmara dos Deputados
17:34ou seria em um outro local.
17:36E aí as conversas vão ficando um bom subindo o tom,
17:39dizendo que se o repasse não fosse feito,
17:41se eles não se encontrassem para tomar esse café,
17:44o tom ficaria mais acima.
17:46O negócio ficaria ruim.
17:48E aí o que eu ouvi é justamente isso,
17:50que tinha um repasse entre 20 mil a 50 mil
17:54para esses parlamentares que recebiam,
17:57através de algumas associações,
18:00via assessores para conseguirem dar o suporte.
18:02Então como funcionava?
18:04Essas entidades acessavam o Congresso Nacional,
18:07esses representantes conversavam com os bancos
18:10que tinham esse acesso,
18:11esse dinheiro voltava para as entidades
18:13e também tinham alguns servidores e alvos da operação de hoje
18:18dentro do INSS que conseguia dar esse aval,
18:22esse ok.
18:22Então lá no mês de maio nós já exibimos esse esqueleto,
18:27justamente o que hoje a operação da Polícia Federal refletiu,
18:31ligando a um senador da República
18:33e o que diz o relatório é que o senador Everton Rocha,
18:36de acordo com a investigação da Polícia Federal,
18:39tinha uma espécie de uma liderança dentro desse esquema criminoso,
18:43até por conta da sua influência dentro do Congresso Nacional.
18:46E para a gente finalizar, Evandro,
18:48ao Columbre, após essa operação das últimas semanas,
18:51estabeleceu 100 anos de sigilo nas imagens do Congresso Nacional.
18:56Então, nesta geração, nós não vamos conseguir saber
19:00quem acessou o gabinete de Everton Rocha,
19:03se esses empresários e alvos desta investigação do INSS
19:08tiveram lá no gabinete do senador.
19:11Ao Columbre já reforçou para os seus aliados, secretários
19:14e integrantes da CPMI do INSS que não vai retirar esse sigilo.
19:20Então, será necessário mais de uma vida
19:22para sabermos se os envolvidos no roubo do INSS
19:26acessaram ou não o Congresso Nacional?
19:29Evandro.
19:29É, e com certeza, obviamente,
19:32esses idosos que foram prejudicados não estarão mais aqui
19:34para ver essa história talvez ser contada de uma maneira diferente, né, Bruno Pinheiro?
19:38Obrigado pelas informações, meu amigo, pelas tuas apurações,
19:41por tudo que você sempre traz aqui para o nosso 3 em 1.
19:43Um grande abraço para você.
19:44E isso traz uma nova indignação, né, Alangani,
19:47que é a facilidade com que as autoridades têm
19:49de colocar sigilo sobre informações que são de acesso público,
19:54que são informações que deveriam estar estampadas na cara de cada um,
19:58principalmente nos momentos em que há irregularidades.
20:01Aí se tem alguém, de maneira individual,
20:05que vai lá e tem poder e autonomia para falar
20:07não, ninguém vai acessar isso aqui,
20:09por 100 anos ninguém vai saber o que aconteceu nesse gabinete.
20:13E aí cabe ao nosso trabalho, né, Evandro?
20:15Porque a gente tem que ser vigilante.
20:17Há pouco tempo a gente viu também sigilo no caso do Banco Master
20:20devido à pressão da sociedade, da mídia,
20:23voltaram atrás, né, pressão da imprensa.
20:26E aí novamente, né, isso é um absurdo,
20:28colocar esse caso sob sigilo,
20:30e aí novamente o papel da imprensa
20:32refletindo as vozes da sociedade,
20:35porque é nosso dinheiro, no final das contas,
20:37que está lá, né,
20:38quando a gente fala também do desvio,
20:40do roubo aos aposentados,
20:42é com o nosso dinheiro.
20:44Então, o nosso dinheiro poupado
20:46para financiar as aposentadorias,
20:49eu quero que o meu dinheiro poupado
20:51seja que chegue na ponta para os aposentados,
20:53porque um dia eu também vou me aposentar,
20:55eu quero que a geração que esteja trabalhando
20:58também use o dinheiro para financiar
21:01quando eu estiver aposentado.
21:02Agora, não, o meu dinheiro está sendo utilizado
21:05para as benesses aí, né,
21:08os privilégios de vários políticos
21:11com as suas vidas absolutamente luxuosas.
21:14Então, é direito da sociedade
21:17a gente saber e não estar sob sigilo
21:19essa investigação.
21:20Agora, 4 horas e 25 minutos,
21:22quem nos acompanha pela rádio,
21:23aquele rápido intervalo,
21:24daqui a pouco espera vocês,
21:25nas outras plataformas seguimos.
21:26Fala, Piper.
21:28Olha, sobre esse gráfico, né,
21:30que o Bruno acabou de mostrar,
21:33eu, desde o início,
21:36venho chamando atenção
21:37para o papel relevante,
21:38tá aí, ó, nesse esquema dos bancos.
21:41Porque os políticos são malandros,
21:43a gente sabe.
21:44No INSS tem corrupção,
21:47há doidado há muito tempo,
21:49isso também é fato.
21:51Aí vem as entidades,
21:53muitas delas já pilhadas aí na corrupção,
21:57muitas delas já investigadas.
21:59Mas faltava uma ponta nisso aí,
22:03porque nenhuma delas tem o domínio,
22:05o controle sistêmico
22:07de como a coisa funciona.
22:09Como é que você vai retirar o dinheiro
22:11do caixa do INSS
22:13para fazer chegar ao corrupto
22:16descontando do pobre do aposentado?
22:19Então, precisaria haver alguém
22:21com a expertise sistêmica.
22:23É aí onde entram os bancos.
22:25O dinheiro tem que passar pelos bancos
22:26em algum momento.
22:27Então, é preciso que eles sejam
22:30investigados também.
22:31Quanto aos políticos,
22:33isso não surpreende absolutamente nada,
22:34entendeu?
22:35Eu falei aqui ontem que,
22:37no dia que um pré-candidato disser
22:39que ele vai extinguir,
22:40vai fechar, por exemplo,
22:42a Codefasf,
22:43a candidatura dele é implodida na hora.
22:46Por quê?
22:46Porque há algumas estruturas de poder
22:49que elas atendem de forma solidária
22:54políticos de todos os espectros.
22:57Então, vamos pegar, por exemplo,
22:59Jacques Wagner, um político de esquerda.
23:01Renan Calheiros, um político de centro.
23:03Espiridão Amin, um senador de direita.
23:06Há quanto tempo os três estão lá no Senado?
23:08Há muito tempo.
23:10Quer dizer, alguns deles, há décadas.
23:13E será que, por acaso,
23:15nenhum deles, em algum momento,
23:17desconfiou da atuação do senador Weverton?
23:20Exatamente.
23:22Bruno Musa, eu quero saber também a tua avaliação
23:25sobre essa decisão,
23:26sobre esse envolvimento
23:28e o fato do envolvimento
23:30não ter a transparência devida
23:31por conta dos sigilos impostos.
23:34Pois é,
23:35isso do sigilo
23:36realmente deveria ser batido
23:38muito mais forte
23:39por todos nós da sociedade.
23:40Nós estamos falando
23:41de coisas que nós financiamos.
23:44todos nós,
23:46todo e qualquer pagador de imposto
23:48financiou esse tipo de coisa.
23:51Qualquer tipo de sigilo
23:52não deveria existir nunca.
23:54É aquilo que eu sempre venho falando.
23:56Me parece que,
23:57no Brasil,
23:58nós invertemos a lógica.
23:59O servidor público
24:01que vem de servir ao público,
24:03ao pagador de imposto,
24:05simplesmente encabeçou ali
24:07aquela pirâmide
24:08e é como se nós
24:09que somos obrigados
24:11a financiar
24:12não pudéssemos sequer saber
24:14para onde nosso dinheiro está indo.
24:15Em várias instâncias
24:17do orçamento é assim.
24:18Nós não sabemos
24:19se, de fato,
24:20aquele dinheiro
24:21que é cobrado
24:22para o INSS,
24:23para a saúde pública,
24:25para a educação pública,
24:26para a infraestrutura,
24:28enfim,
24:28para cada um
24:29dessas autarquias
24:31que você mencionou anteriormente,
24:32nós não sabemos
24:33para onde ela vai.
24:34Porque o dinheiro serve
24:35para tampar o buraco daqui,
24:37o rombo da previdência
24:38de 400 bi dali,
24:39o ministério daqui.
24:41Ou seja,
24:41há um absurdo
24:43dentro do orçamento público.
24:45Então,
24:46me parece
24:46que nós deveríamos aqui
24:48ser muito mais ativos
24:49e aqui eu estou falando
24:50enquanto base de sociedade.
24:52Todos nós
24:53a cobrarmos
24:54efetivamente
24:55sobre isso.
24:56Ok,
24:56você quer que eu financie
24:57obrigatoriamente?
24:58Agora nós estamos
24:59prestes a descobrir
25:00mais um, hein?
25:01Eu vou falar
25:02um esquema de corrupção,
25:03mais um esquema
25:04de corrupção
25:05bilionário
25:06ao longo das últimas décadas
25:07no Brasil,
25:08e a gente simplesmente
25:09não pode saber.
25:10Como assim?
25:11Ou seja,
25:12como você muito bem falou,
25:13Evandro,
25:14os aposentados,
25:15os velhinhos,
25:16pagarão mais uma vez
25:18com o trabalho
25:19que ele fez
25:19durante uma vida inteira.
25:21Muitos sequer
25:22estarão vivos aqui
25:23e eles não podem saber
25:25para onde foi o dinheiro.
25:26Vejam que
25:27todo e qualquer
25:28tecnocrata
25:29se põe muito,
25:31mas muito acima
25:32do cidadão brasileiro
25:33de bem.
25:34Agora,
25:35o Alan Ganes,
25:35quer fazer uma correção?
25:36É que a gente
25:37estava discutindo
25:37sobre o lance do Supremo,
25:38né?
25:38Houve uma pressão
25:39para que o caso
25:40viesse à tona,
25:40mas depois o Supremo
25:41impôs o sigilo
25:42por meio do Dias Tópolis.
25:43Exatamente.
25:44Então,
25:44o caso do Banco Master
25:45continua sob sigilo,
25:47infelizmente.
25:48Agora,
25:48Zé Maria Trindade,
25:49como é que é
25:50esse dispositivo
25:51do sigilo
25:52e o quanto isso
25:53repercute também
25:55para a opinião pública?
25:56Porque a impressão
25:57que a gente tem
25:57é que os parlamentares
25:59não estão muito
25:59preocupados com isso,
26:00não.
26:01A preocupação mesmo
26:02é manter o corporativismo.
26:05Olha,
26:06o sigilo,
26:07em certas ocasiões,
26:08ele é definido
26:09por normas,
26:10né?
26:11Normas de processo
26:13e até constitucional.
26:14Por exemplo,
26:15quando envolve
26:16família,
26:17né?
26:18Menores,
26:19isso é
26:20automaticamente
26:21a vaga de família
26:22é quase toda
26:23em sigilo.
26:24Até porque
26:25são assuntos
26:26que não interessam
26:26muito aos outros.
26:27no caso
26:28de um sigilo
26:29que é adotado
26:30pelo Supremo
26:31e tal,
26:31de uma coisa
26:32tão grande,
26:33é porque envolve
26:34ainda investigados
26:35e dados bancários,
26:37fiscais,
26:38que são garantidos
26:39sigilo por lei,
26:41né?
26:42Então,
26:42estou falando
26:43de normas.
26:44Aí o juiz
26:44pode interpretar
26:45que determinado assunto
26:46pode quebrar,
26:47abrir sigilo
26:48de pessoas
26:49que não estão
26:50investigadas.
26:51Esse caso
26:52do Banco Master
26:53é muito interessante.
26:55Hoje,
26:56eu ouvi
26:56uma história
26:57muito interessante
26:59sobre esse caso
27:00do Banco Master
27:01e das fintechs,
27:03porque as fintechs
27:04não prestavam contas
27:06para o Banco Central.
27:07Então,
27:07nesse caso,
27:09a investigação
27:10era sobre
27:11organização criminosa,
27:13que estava
27:14no Rio de Janeiro
27:15e já invadindo
27:17áreas privadas,
27:18né?
27:18E depois foi
27:19para São Paulo,
27:20não bastava dominar
27:21o Rio de Janeiro.
27:22Chegando em São Paulo,
27:23começaram a investir.
27:24Foram no governador
27:25e no secretário
27:26de Segurança
27:26e disseram,
27:27olha,
27:28as organizações
27:29criminosas
27:30estão investindo
27:31na área
27:31de petróleo,
27:33de distribuição
27:33de combustível
27:34e legalizando
27:35tudo.
27:36Aí,
27:37o sistema
27:39de segurança
27:39de São Paulo
27:40pediu,
27:41então,
27:41quebra de sigilo.
27:42O Banco Central
27:43disseram,
27:44olha,
27:44nós não temos
27:46controle sobre
27:47o que está
27:48na fintech.
27:49Só quando a fintech
27:50transfere para outro
27:51é que se sabe
27:53e que se comunica
27:54ao Banco Central,
27:55mas os que estão
27:57numa fintech só
27:58estão protegidos
27:59pela fintech.
28:01E aí,
28:02o sistema de segurança
28:03de São Paulo
28:04pediu na justiça,
28:06tudo legal,
28:07a quebra do sigilo
28:08das fintechs.
28:10E aí,
28:10ficou com todos
28:11os dados
28:12nas mãos.
28:13E abriu o sigilo
28:14da fintech,
28:15e aí é que surgiram
28:15vários e vários
28:17nomes,
28:18dados de toda
28:19a fintech,
28:20transferências e tal,
28:21e até fora
28:22da investigação
28:23do PCC.
28:25É por isso que
28:25aqui em Brasília
28:26diz que a GAECO
28:27em São Paulo
28:27hoje detém um banco
28:29de dados
28:29que derruba a República,
28:31exatamente por conta
28:31disso.
28:32Então,
28:32por ser tão extenso
28:33assim,
28:34é que se decretou
28:36o sigilo.
28:37Mas o sigilo
28:37não pode ser eterno
28:38porque trata-se
28:39de um processo público.
28:41Eu preciso definir
28:42parâmetros ali
28:44do que é
28:44ou não é sigiloso.
28:46E aí,
28:47passa essa impressão
28:47de que está
28:48escondendo algo,
28:49né?
28:50É tradicional,
28:51o melhor detergente
28:52do mundo
28:52é o sol,
28:53ou seja,
28:54a transparência
28:55explica tudo.
28:56Se há uma
28:58decretação
28:58de um sigilo,
29:00dá-se a impressão
29:01de que existe
29:01muito mais coisa
29:03podre,
29:03limpo,
29:04embaixo desse sigilo.
29:05Isso pega muito mal.
29:06e aí,
29:07não,
29:07não,
29:08não,
29:08não.
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