00:00Então, acho que o desafio que o PT tem aqui, além de apresentar boas e novas lideranças,
00:05e volto a falar, na última eleição, um exemplo que foi o nosso melhor desempenho,
00:10talvez seja em reconectar as nossas bases com esses novos desafios que o Estado de São Paulo tem,
00:17com relação ao mercado de trabalho, com relação a esse processo de gentrificação dos grandes centros,
00:23de expulsar as pessoas dos centros, porque a vida vai encarecendo,
00:27esse processo não está acontecendo só em São Paulo capital, acontece nas grandes cidades da grande São Paulo,
00:32acontece nas cidades médias e grandes do interior de São Paulo, que são cidades ricas, muito independentes.
00:39O Estado de São Paulo talvez seja aquele que menos dependa da União,
00:43sobre todos os aspectos tem uma rede completa de universidades, tem a Unesp, tem a Unicamp, tem a USP, enfim.
00:49Então, as ações do governo federal, as pessoas talvez em São Paulo não sintam tanto,
00:53e talvez isso que nos deixe um pouco distante dessa reconexão.
00:58Agora, o maior problema que eu vejo, além disso tudo, é a questão da rejeição do PT.
01:02O epicentro dela também é São Paulo.
01:03Vamos lembrar que São Paulo acabou de eleger um governador que mal conhecia o Estado.
01:08O Tarciso foi eleito aqui, sobretudo por conta da rejeição ao PT.
01:14São Paulo fez uma opção pelo não e não pelo sim.
01:17Então, o PT tem essa barreira a ser superada.
01:25Por que, deputado? E a que se deve essa barreira no seu ponto de vista?
01:28Eu acho, primeiro, a retração econômica que uma parte da sociedade entende
01:33e coloca isso nas costas do governo da presidente Dilma, a crise de 2014.
01:38E o senhor concorda com essa...
01:40Eu acho que a crise não foi um problema da Dilma.
01:42Nós temos que lembrar que teve uma crise econômica no mundo, no Brasil o rebate foi um tempo depois.
01:48O Brasil tinha uma gordura de reserva cambial e de políticas que fomentou o crescimento,
01:54garantiu o emprego por um tempo.
01:55A crise foi em 2008 no mundo, no Brasil ela chegou em 2013.
02:01E depois da eleição de 2014, que foi muito apertada, já num ambiente de estresse,
02:05pelo encarecimento do custo de vida, o resultado da urna foi questionado.
02:10Lembrar que o primeiro a questionar o resultado de urna não foi o Bolsonaro,
02:15foi o Oécio Neto, o PSDB, em 2014.
02:18E aquilo gerou uma crise institucional.
02:20O Eduardo Cunha, presidente da Câmara, eleito em oposição ao candidato PT
02:24e declaradamente contra o governo, chantageou com pautas bombas,
02:28não só o governo, mas toda a agenda do país.
02:31E pra sair de uma crise, ou você constrói uma unidade nacional
02:36pra colocar medidas amargas em práticas e tentar reorganizar as finanças do país.
02:42E naquele momento de conflagração eles acentuaram,
02:47e o Brasil viveu talvez a pior crise da história
02:51em função de toda essa conjuntura da qual eu coloquei.
02:54Agora, isso tudo pariu o radicalismo da extrema-direita,
02:58ou seja, que aquele momento era irrelevante na política nacional,
03:01o PSDB foi completamente destruído e pariu o Bolsonaro.
03:06E a história que a gente tem acompanhado de polarização política até aqui.
03:12Vai lá, David.
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