00:00E a gente já abre essa edição, claro, falando sobre esse episódio da mulher que foi arrastada por um quilômetro
00:06na Marginal Tietê, um caso chocante, tudo por conta de ciúmes.
00:11De acordo com as informações da polícia, o ex-namorado teria visto a mulher conversando com outro homem
00:17depois de sair de um bar, e aí ele tomou a decisão de atropelar e depois arrastar essa mulher por um quilômetro.
00:25É um caso lamentável, mano, de ciúmes, uma barbárie dessa.
00:30É chocante, David. E a mulher, a Tainara Souza, que tem 31 anos, mãe de dois filhos, está em estado grave no hospital
00:38e a informação é que ela precisou fazer amputação das duas pernas abaixo do joelho.
00:44Tamanha a gravidade da agressão. As imagens são realmente extremamente chocantes.
00:51É uma cena, assim, de barbárie. Eu acho que o programa hoje está recheado de casos
00:57onde nós vemos um machismo verdadeiramente tóxico, doentio, e que chega a ser criminoso
01:06num caso como esse absolutamente chocante que esse cara precisa ficar preso pro resto da vida.
01:14Nós estamos falando da Tainara Souza Santos, de 31 anos.
01:18Ela tem dois filhos, teve as pernas amputadas por conta dessa agressão.
01:24As imagens realmente são chocantes, assim, hein?
01:25Claro que a gente vai deixar de exibir porque, até em respeito à vítima,
01:30mas o agressor, né, que foi o responsável por essa ação, o Douglas Alves da Silva, de 26 anos,
01:38ele foi encontrado pela polícia na Vila Prudente, aqui na capital paulista, num hotel.
01:44Ele reagiu e acabou sendo baleado após essa detenção.
01:48Ainda tentou fugir dos policiais.
01:50Ainda há pouco estava conversando com um dos legados responsáveis pelo caso, né, do 73DP.
01:57Ele disse que houve, então, essa reação, por isso que os policiais precisaram contê-lo com um tiro.
02:01Mas uma barbárie, assim, que...
02:03Tiro no braço, né, David?
02:04É, um tiro no braço.
02:05E ele, enfim, encontra-se vivo e tá preso, né, isso?
02:09Ainda bem que foi detido, né, Mari Cantarelli?
02:11É, ainda bem que foi detido, mas não tem nem como a gente não relacionar, né, David?
02:16Trouxemos aqui já um destaque, vamos entrar mais pra frente no assunto também da prisão do Tiago.
02:21Mas o que a gente tá vendo aí, né, homens que extremamente inseguros, ressentidos.
02:29E esse movimento triste, né, do homem contra a mulher, violentando a mulher.
02:37Seja por ciúmes, né, seja por qualquer motivo.
02:41No caso do Tiago aí, por conta de ela ter eventualmente aí se negado a ter relações com ele, relação sexual com ele.
02:47Então, é muito preocupante.
02:49O que a gente tá vendo é a manifestação clara, né, do machismo, do feminicídio,
02:56ou da tentativa de feminicídio, no caso aí dessa moça que perdeu as duas pernas.
03:00Uma vergonha.
03:01E a gente tentar entender aí por que, por exemplo, essas pessoas estão soltas, né?
03:07Por que precisa ter a reação contra a polícia,
03:11pra que a polícia também decida reprimir ainda mais um agente como esse menino de 26 anos aí que arrastou essa mulher de carro.
03:20Já não é suficiente o que ele fez, não foi suficiente ele ter arrastado uma mulher, né,
03:25e feito com que essa mulher perdesse as duas pernas pra que ele fosse preso.
03:29Ele ainda afronta a polícia pra que aí, assim, a gente tenha uma medida mais dura.
03:33Acho que a Lu também tem alguma coisa pra acrescentar aqui, Dave.
03:36A gente tá falando do Douglas Alves da Silva, de 26 anos, Luciana.
03:40E tem mais uma tragédia que aconteceu na sexta-feira, no Rio de Janeiro.
03:46Nós tivemos uma professora e uma psicóloga que foram assassinadas no Cefete por um colega de profissão.
03:55Então nós estamos falando aqui de tragédias isoladas.
03:57E sim de fenômenos recorrentes, numa sociedade que ainda naturaliza o homem exercer esse poder da força,
04:08da violência contra as mulheres.
04:10E aqui nós temos que falar que no Brasil, a lei do feminicídio, ou seja, o feminicídio se tornou crime desde 2015.
04:18E o Brasil a cada ano bate recordes em assassinato de mulheres por crime de ódio.
04:25Somente no ano passado nós tivemos 1.492 mulheres vítimas de feminicídio.
04:33E essa é uma curva em ascensão.
04:36Nós estamos falando aqui de três casos que vieram a público,
04:39que foram noticiados pela imprensa de relatos chocantes.
04:44Mas por essas estatísticas, quatro mulheres são assassinadas por dia no nosso país.
04:50Então enquanto nós tivermos casos como o Tiago Schultz, que foi gravado pela namorada,
04:57numa agressão, tentativa de estupro, naturalizando falas como
05:03Você não pode me negar.
05:05Isso mostra que a sociedade ainda está naturalizando violências contra as mulheres.
05:12Então nós precisamos sim fazer igual a Itália.
05:14A Itália tipificou o feminicídio prevendo a pena de prisão perpétua.
05:20Nós até comentamos um programa aqui sobre a questão da prisão perpétua no Brasil.
05:24A misoginia tem projetos de lei no Congresso.
05:26Mas o Tarcísio defendeu esses dias, né?
05:28Tipificando a misoginia como crime de ódio.
05:32E não dá pra você ter um vídeo como o do Calvo da Campari.
05:36E ele vai pra uma audiência de custódia e sai livre.
05:39Isso é...
05:41Que justificaria o relaxamento dessa prisão.
05:43Calma que a gente não vai adiantar a pauta.
05:45A gente vai falar, explorar mais esse tema.
05:46Sim, mas eu estou só pegando exemplos que todos têm uma interseção, David.
05:50Que é exatamente essa cultura de naturalização desse comportamento masculino
05:56de achar que a mulher é propriedade.
05:59De ter uma rejeição e acreditar que eu posso arrastar a minha ex-namorada
06:05que me rejeitou pelas ruas com o carro.
06:08De falar, olha, você não pode me negar.
06:11Que seja um beijo.
06:13Isso mostra exatamente como que a sociedade reage frente a esse tipo de comportamento.
06:19Então precisa de ter, sim, uma punição.
06:22E ela tem que ser uma punição devida.
06:25Grave.
06:26Pra que realmente sirva de caráter profilático.
06:28E isso não aconteça mais.
06:30Inclusive...
06:30Desculpa, João.
06:32Mas acho que o menino jovem, né, David?
06:35De 26 anos.
06:36Quer dizer, a gente está falando...
06:37Que tipo de formação a gente está dando para os nossos meninos, garotos?
06:43Eu sou mãe de um menino.
06:44E penso sempre nisso, né?
06:47Como é que a gente cria homens melhores que consigam construir a sua autoestima
06:52de uma forma sólida.
06:54Que consigam criar vínculos afetivos, respeitosos.
06:58Que não caiam nessa pressão.
07:00Porque essas pessoas, elas estão se juntando em grupos que a gente está vendo aí manifestação
07:05dos chamados head peels, dos incels, que são os homens que por uma questão de ressentimento,
07:12por ciúme, por insegurança, acabam se juntando.
07:16Esse Tiago é um que se apresenta como coach de masculinidade, né?
07:21E que aí começa a trazer esse discurso de ódio contra a mulher
07:25para justificar os seus anseios, para justificar as suas inseguranças
07:29e incita a violência contra a mulher.
07:32E aí, pessoas de 26 anos acabam cometendo crimes como esse que a gente está comentando aqui, né, David?
07:37Então, é muito triste.
07:39E o que a gente tem que também ter atenção é de como é que nós estamos criando
07:43os nossos homens, os nossos meninos, né, como sociedade, né,
07:49para que a gente evite que esse tipo de coisa aconteça mais ainda.
07:54Mari, e eu vou mais além, não só na parte da socialização, da criação,
07:59mas também da atuação do judiciário.
08:01Somente em 2023, então, nós estamos falando de dois anos atrás,
08:05que o Supremo entendeu por inconstitucional a tese da legítima defesa da honra.
08:11Ou seja, até então, você matar, você agredir por ciúme, era justificável.
08:19Tem dois anos que o Supremo falou, olha, essa tese, ela é inconstitucional.
08:24Então, esse é um papel das mães, dos pais, ou seja, o papel da sociedade,
08:29mas também do Estado, do Estado de proteger a maioria da população.
08:34Porque as mulheres são a maioria da população brasileira que estão desamparadas.
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