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  • há 11 meses
Leda Nagle relembra como surgiu o convite para entrevistar Jair Bolsonaro, ainda antes da campanha presidencial, e como a relação com Valdir, Eduardo e Carlos Bolsonaro acabou levando a repercussões intensas na mídia.

Ela conta os bastidores, o tiroteio durante a gravação, a repercussão, a acusação de ser “bolsonarista” e o cancelamento que veio depois, um relato direto sobre imprensa, política e escolha editorial.

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Transcrição
00:00A Joyce Hasselmann, olha isso.
00:02Fui entrevistá-la aqui em São Paulo,
00:04num flat que o Duda, meu filho, morava.
00:07Eu comecei a fazer uma conexão São Paulo
00:08no meu canal do YouTube.
00:10Entrevistei a Joyce e ela falou que conhecia o Bolsonaro.
00:12Claro, ela defendia ele.
00:13Eu falei, ah, então, contato dele pra eu convidá-lo?
00:16Porque eu já fiz, aí eu repeti, já fiz o Álvaro Dina.
00:19Aí, ela me deu o telefone de um rapaz que era o Valdir.
00:25Eu liguei pra esse telefone, que ela me deu.
00:27Atendeu a secretária eletrônica.
00:30Eu deixei um recado.
00:31Meu nome é Leda, sou jornalista.
00:34E queria entrevistar o Bolsonaro.
00:36Já entrevistei fulano, fulano, fulano.
00:38E desligou.
00:39Aí, daqui a uma hora, mais ou menos,
00:42me liga o Valdir e diz,
00:44a gente pode amanhã às três horas.
00:46Eu falei, como amanhã às três horas?
00:47Não tinha equipe.
00:48É de equipe de negrafista desesperada.
00:50Pedi pra ele ir, ele topou.
00:53Liguei pro meu filho, que tava morando em São Paulo,
00:55já nessa época, continua morando.
00:57Eu pedi pra ele ir pro Rio, porque eu tava sozinho em casa,
00:59e ia ficar só eu, o cinegrafista,
01:01e o Bolsonaro, que eu não conhecia.
01:03Então, eu falei, vem me dar uma força, né?
01:05Aí, ele foi pro Rio.
01:08Chegou o Bolsonaro com um filho e o Valdir.
01:12Aí, eu perguntei, falei,
01:13ah, que bom que você aceitou logo e tal.
01:15Ele falou, coisas do Valdir.
01:17Daquele jeitinho, o Bolsonaro de ser.
01:19Aí, eu falei, ah, é, Valdir, que bom que você foi gentil e tal.
01:22Ele falou, não, você não sabe.
01:24Eu fiz um transplante de fígado e de rim,
01:28e passei quatro meses na cama,
01:29e passei quatro meses vendo você no Sem Censura.
01:31Então, eu conheço muito você.
01:32Por isso que eu aceitei logo.
01:34Gente!
01:34Só por isso que eu entrevistei o Bolsonaro imediatamente no dia seguinte.
01:38Porque o Valdir, por conta do transplante dele,
01:41tinha ficado meu fã vendo o programa.
01:43Não sei se meu fã, mas estava assistindo o programa,
01:45e falou, ah, vale a pena fazer.
01:48Daí, chegou o Bolsonaro com um moço lindo.
01:50Aí, eu, burra, politicamente burríssima, falei,
01:53nossa, menino, como você é bonito, você é modelo.
01:56Ele falou, não, eu sou deputado federal.
01:58Era o Eduardo Bolsonaro.
01:58Isso foi a hora que eu abri a porta.
02:03Quer dizer, não foi exatamente...
02:05Foi péssimo, né?
02:06Era um jornalista, foi péssimo.
02:08Ele levou na brincadeira, também levei.
02:10Aí, meu filho estava junto.
02:12Ele falou, ah, eu quero lutar, vamos lutar.
02:13Porque ele também luta, o Duda luta.
02:15E pega uma onda, ele também queria pegar uma onda.
02:17Enfim, pintou uma cumplicidade lá, uma simpatia.
02:20Gravamos a entrevista.
02:22Durante a entrevista, teve um tiroteio.
02:23Eu moro em frente à Rocinha, em São Corrado.
02:26Teve um tiroteio bárbaro.
02:28Assim, daqueles que tem sempre.
02:31E a gente que está lá, já normalizou isso, sabe?
02:33Já fala, ah, chegou droga, dependendo do barulho.
02:37Ah, aconteceu não sei o que, entendeu?
02:39Sem ver, só de ouvir.
02:41Sim, porque vocês conhecem...
02:43É verdade, é.
02:44Aí, eu falei, não, não vamos interromper a entrevista.
02:47Ele falou, não, não interrompe não, está vendo?
02:49Isso, tem que acabar.
02:50Ele aproveitou e falou sobre aquilo.
02:52Acaba a entrevista, ele não tomou nem café, nem água, nada.
02:55Foi embora.
02:56Os três foram embora.
02:57E a vida seguiu.
02:59Aí, o Bolsonaro é eleito.
03:02É eleito.
03:02Aí, eu vou à Brasília fazer um congresso de saúde.
03:06Aí, eu tinha conhecido, gravando um comercial, o Flávio, o Fábio Van Garten.
03:11Sei.
03:12Aí, a mulher dele tinha me dito que o marido dela ia assumir um cargo importante.
03:17Eu me lembrei, quando ele assumiu, o sobrenome era muito marcante.
03:20Eu olhei minha cadena, o telefone, estava lá o telefone da moça.
03:23Liguei para ela, ela me deu o telefone dele, eu combinei com ele, fiz a segunda entrevista
03:27com o Bolsonaro, lá em Brasília, já eleito.
03:30Quando eu voltei para o Rio, eu já morava meio entre Rio e São Paulo, eu queria entrevistar
03:36o Carlos.
03:37E a Folha de São Paulo falou muito mal de mim numa matéria.
03:40E eu já não, eu entrevisti o Eduardo Bolsonaro, porque ele falou do AI-5 e tal, foi a matéria
03:45que mais repercutiu, foi aí que me cancelaram muito.
03:48E porque eu não contestei, eu não falei para ele, mas não pode ter o AI-5, porque
03:52eu dou a palavra para o entrevistado e é dele a palavra.
03:55Eu não vou contestá-lo, é meu formato, meu jeito.
03:58E aí, deu uma repercussão muito, muito forte essa entrevista.
04:03Aí, a Folha me provocou, disse que eu era bolsonarista, porque essa mesma coisa, eu
04:06quero entrevistar o Carlos.
04:08Porque quem é o Carlos?
04:09Ah, porque eu perguntei para o Eduardo, nesse dia que ele chegou na minha casa, lá no
04:12Rio, se ele era o Carlos.
04:15Aí, o Bolsonaro respondeu, não, o Jair, enquanto estava sendo microfonado.
04:22Ele falou, não, isso aí é uma moça.
04:24Era o Eduardo.
04:26Você precisa conhecer o Carlos.
04:27O Carlos, sim, que é bravo.
04:29Porque eu perguntei se ele era bravo, o filho, o Eduardo.
04:31Ele falou, não, isso aí é uma moça.
04:33O Jair respondeu.
04:35Então, eu fiquei paralisado, porque eu não conhecia o Jair.
04:38Ele não sabia que ele falava essas coisas, entendeu?
04:40E ali, assim, eu conheço ele desde 98.
04:44Eu conhecia ali, naquele dia.
04:45Mas não é um, vamos dizer, o traquejo social dele.
04:54Independentemente do tema, qualquer assunto, é difícil para a gente.
04:58É difícil.
05:01Mas eu acho que, por conta do Valdir, do tal do transplante, de ter tido esse, sabe, esse aval do Valdir para mim, ficou...
05:10Ele deu uma, é um desconto, sim.
05:12Ele deu uma segurada, entendeu?
05:13Ele não fala palavrão nenhum.
05:14Ele só reclamou, só questionou na hora do tiroteio, porque realmente foi muito forte.
05:19Bom, enfim, eu liguei para o Valdir de novo e comecei a falar com o Valdir, eu queria entrevistar o Carlos, queria entrevistar o Carlos.
05:27Porque eu acho que esse conjunto de entrevistas, o Jair, depois o Eduardo e essa questão do AI-5 e depois o Carlos, é que fizeram as pessoas me cancelarem.
05:37Eles ficaram com muita raiva de mim, porque eu dei voz à família inteira.
05:43E aí eu fiquei perturbando o Valdir, que eu queria entrevistar o Carlos.
05:47Aí um dia o Carlos me ligou.
05:49Eu deixei meu telefone com o Valdir, ele ligou para mim e falou, olha, vou falar a verdade para a senhora, eu não gosto de jornalista, não.
05:55Eu não quero falar, porque eu não gosto de vocês e tal.
05:58Eu falei, mas eu sou legal.
06:00Você falou, hein?
06:02Eu falei, é, sou legal e tal.
06:03E eu tinha começado uma campanha para entrevistar ele no Twitter.
06:08Eu lembro disso.
06:09Eu comecei a dizer, Carlos, me dá uma entrevista, Carlos, me dá uma entrevista.
06:12E as pessoas apoiando, dá entrevista para ela, Carlos, dá uma entrevista para ela.
06:15E eu fiquei nesse jogo.
06:18Ele me ligou uma vez e falou isso, que não gostava de jornalista e tal.
06:21Me chamando sempre de senhora, muito.
06:23Aí depois ele me dá outra, não, depois ele me dá outro telefonema,
06:27dizendo que ele só podia se fosse na hora do almoço.
06:30Porque as pessoas pegavam no pé dele, ficavam tomando conta dele na câmara
06:34para saber se ele estava indo nas sessões ou não,
06:36então só podia ser na hora do almoço.
06:38Falei, tudo bem, eu marco na hora do almoço.
06:40E aí ele foi.
06:43E foi surpreendente, porque ele chorou na entrevista,
06:46ele falou do pai, mas a entrevista é muito forte.
06:48Depois ela serviu de base para matérias,
06:50inclusive a matéria da revista Piauí,
06:52que fala do Carlos, a base é a minha entrevista.
06:55E foi a única vez que eu vi o Carlos na vida.
06:58Também foi a única vez.
07:00Eu tinha visto o Flávio num restaurante algumas vezes,
07:04depois eu entrevistei o Flávio uma vez, muito rapidamente,
07:08depois de uma cirurgia do Bolsonaro.
07:10Ele saiu do hospital, já morava aqui em São Paulo,
07:14porque eu tinha o Duda chama de estúdio habitável.
07:18O apartamento que eu morava inicialmente era um estúdio habitável.
07:21Quer dizer, eu morava ali, a ideia era morar 15 dias,
07:24e 15 dias no Rio.
07:25Ou então uma semana aqui e três no Rio e tal.
07:28Acontece que veio a pandemia.
07:30Aí eu fiquei aqui.
07:31Ah, você ficou presa.
07:33E foi uma sucessão.
07:34Por que eu moro em São Paulo?
07:35Por causa de tudo isso, entendeu?
07:36Porque meu filho mora aqui, porque teve a pandemia,
07:39eu estava com o apartamento alugado, fiquei.
07:40Depois veio a minha neta e me apaixonei, claro, sou louca por ela.
07:45Aí eu não quero sair daqui, porque eu quero estar perto dela.
07:47Depois eu descobri que São Paulo é eficientíssimo.
07:50Aí eu gostei da eficiência paulista.
07:53E me acostumei e estou aqui.
07:56E essa coisa, como é que você reagiu?
07:58Bom, aí ainda tem mais uma da família Bolsonaro.
08:01Porque aí a Folha me provocou, eu falei,
08:03ah é, estão me chamando de bolsonarista.
08:05Estão me chamando de bolsonarista, eu quero mesmo é conhecer a mãe.
08:07Quem criou essas criaturas?
08:09Essa entrevista eu vi.
08:10Esses três.
08:11Essa entrevista eu vi várias vezes.
08:13Porque ela criou sem o marido, porque o marido era deputado em Brasília.
08:16E ela não segurou a língua, né?
08:18Não, ela é danada.
08:19Ela é danada.
08:20Ela é danada.
08:21É Rogério é Bolsonaro.
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