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  • há 3 meses
Transcrição
00:00E a semana é de muita expectativa em Wall Street.
00:05Microsoft, Meta e Alphabet, a dona do Google,
00:09divulgam seus resultados financeiros na próxima quarta-feira,
00:14seguidas pela Amazon na quinta-feira.
00:17Vamos ver o que esperar do mercado agora com Arthur Igreja,
00:22que é especialista em tecnologia e inovação.
00:25Vamos receber o Arthur Igreja aqui nos nossos estúdios mais uma vez.
00:29Vamos lá?
00:31Olá, Arthur Igreja. Muito boa noite.
00:33Seja muito bem-vindo ao Olhar Digital News.
00:37Olá, boa noite, Marisa. Sempre um prazer estar aqui.
00:40Arthur Igreja, vamos lá.
00:42O mercado de tecnologia começou o ano, não é?
00:45Com muito otimismo com relação até à inteligência artificial.
00:49E agora já se fala em uma possível bolha financeira,
00:53que nós até já discutimos aqui também, causada pelos grandes investimentos.
00:58Bom, os resultados dessa semana podem dar os primeiros indícios dessa bolha, Arthur?
01:05Olha, eu entendo que sim, porque é nesse momento que as empresas fazem esse breakdown,
01:10essa exposição dos seus resultados operacionais.
01:13Então, quer dizer, é ali que nós vamos confrontar a realidade,
01:17porque além dos anúncios, das projeções do mercado
01:22e também do que os CEOs dessas empresas acabam apresentando,
01:28é nesse momento que nós vamos ver as vendas, as assinaturas,
01:31de onde está vindo a receita dessas empresas.
01:33Então, nós precisamos lembrar que os market caps, os valores de mercado,
01:38estão extremamente esticados.
01:40Então, é isso que algumas pessoas, por vezes, não compreendem.
01:43Elas falam, poxa, mas essas empresas estão dando lucro,
01:45a receita está aumentando.
01:47Mas no mercado, a questão não é essa.
01:50Então, é por isso que essa perspectiva de se é uma bolha ou não,
01:55se dá para comparar com a bolha.com no final dos anos 90.
01:58A grande questão é que nós estamos vendo múltiplos
02:01que nunca foram vistos nos mercados,
02:03além de uma presença gigantesca das big techs na composição do índice SP500.
02:11Então, elas são gigantes, são dominantes e por isso que a expectativa é proporcional a tudo isso.
02:18Agora, se houver uma correção de mercado
02:22ou uma desaceleração no entusiasmo, digamos, pela IA,
02:26quais seriam, na sua opinião, quais seriam, na sua opinião,
02:30os impactos mais prováveis, tanto para as big techs quanto para a economia global, Arthur?
02:38Olha, eu não ficaria surpreso se essa correção viesse em algum momento,
02:42porque nós estamos vendo recorde atrás de recorde.
02:46Claro que esse assunto está ligado a outros elementos,
02:49como a própria desvalorização do dólar.
02:51Então, a partir da hora que uma moeda perde valor,
02:54todos os outros ativos acabam compensando isso.
02:58Então, por isso que nós estamos vendo uma valorização do ouro,
03:00uma valorização do mercado de ações e tantas outras coisas.
03:05Mas eu não ficaria surpreso,
03:06porque o mercado nunca é simplesmente uma trajetória ascendente que nunca para.
03:11Então, quer dizer, cedo ou tarde isso vai acontecer.
03:13Agora, o que isso quer dizer para o mundo da tecnologia?
03:16Eu não acredito que isso afetaria profundamente
03:18os investimentos que nós estamos vendo,
03:21todo o otimismo que está cercando a IA generativa,
03:25a IA dos agentes e tudo mais que vem nessa esteira.
03:29Mais uma vez, os investimentos não são feitos para o curto e curtíssimo prazo,
03:34mas os mercados reagem a esses números.
03:38Então, basta ver o que aconteceu com as correções com empresas,
03:42como o caso da Apple, no último ano,
03:44e que agora a empresa volta a responder,
03:47especialmente com uma procura que surpreende o mercado em relação ao iPhone 17,
03:53apesar do iPhone Air estar abaixo daquilo que se estimava.
03:58Então, o mercado é muito mais sensível.
04:01Meu ponto aqui é o seguinte,
04:02o mercado é muito mais sensível do que aquilo que está sendo construído,
04:06de fato, por essas empresas, para o médio e para o longo prazo.
04:09Agora, Arthur, um estudo recente do MIT alertou que das mais de 300,
04:16dos mais de 300 projetos de IA analisados,
04:20apenas 5% deles apresentaram ganhos consideráveis.
04:24A dúvida é, na realidade,
04:26essa realidade, aliás, ela se aplica para as big techs com essa corrida das IAs,
04:32ou está restrita mesmo a empresas menores com seus projetos?
04:35Olha, Marisa, acho que é importante,
04:39a sua pergunta é muito bem colocada,
04:41é importante colocar isso na linha do tempo.
04:43As big techs, elas são as desenvolvedoras dessas tecnologias,
04:47elas são as pioneiras, elas estão na vanguarda,
04:49e elas acabam usando antes de todo mundo.
04:52Então, no caso das big techs, o cenário é diferente.
04:55Eles estão apurando ganhos de produtividade que são gigantescos.
05:00Basta lembrar que, ao longo de 2025,
05:02a Alphabet reportou aumento de produtividade na geração de código
05:07devido à IA generativa na casa de 25%.
05:10A Microsoft mencionou 30% e a Salesforce chegou a mencionar 50%
05:16no aumento do seu output, na sua geração de código.
05:20A questão é, em todos os outros segmentos,
05:22em todas as outras empresas,
05:24vai ser apurado algo nessa magnitude tão rápida?
05:28A resposta é não.
05:29Então, sinceramente, o estudo não me surpreende,
05:32porque, ao mesmo tempo que a IA tem sido capaz de fazer coisas inacreditáveis,
05:37é só o começo dessa corrida.
05:39Nós nem completamos três anos da chegada do chat EPT para o grande público.
05:44Então, é muito natural que, no início de qualquer onda tecnológica,
05:49exista essa frustração.
05:51Se os resultados já estivessem sedimentados,
05:55se eles já fossem maduros,
05:56nós nem estaríamos aqui falando sobre isso.
05:58Então, é justamente por ser uma tecnologia de vanguarda
06:01que ela ainda tem essa instabilidade,
06:04se é que dá para chamar dessa maneira.
06:06Então, mais uma vez, é aquilo que sempre acontece.
06:10Existe um resultado que pode frustrar no curto prazo,
06:14mas o que nós aprendemos com a história da tecnologia
06:17é que tudo isso surpreende positivamente mais adiante.
06:21Agora, Arthur, com esses resultados, com essa divulgação,
06:26porque as empresas big techs, elas divulgaram que vão gastar
06:29400 bilhões de dólares juntas em infraestrutura.
06:34Ou seja, com a divulgação desses números,
06:36a gente vai ter uma pista de onde vem esse retorno,
06:40desse investimento todo?
06:41Ah, não tenha dúvida,
06:43porque agora o tempo começa a passar.
06:45Volto a dizer, nós estamos saindo da era dos anúncios
06:47e agora o mercado quer saber
06:49como é que tudo isso vai se concretizar em receita.
06:52Então, esse número é de 400 bilhões,
06:55mas sempre acho que é importante colocar em perspectiva,
06:58em 2016, nós estávamos falando de 30 bilhões.
07:02Então, já é um número que já é 10 vezes maior
07:04e estima-se que no ano que vem
07:06vai superar a casa dos 530.
07:08Então, quer dizer, além de ser superlativo,
07:11como 400 bilhões,
07:13ele continua numa trajetória de crescimento muito acentuada.
07:17Bom, com relação a toda essa corrida de infraestrutura,
07:20sabe-se que ela é majoritariamente destinada
07:23à inteligência artificial
07:24e aí não tem muito segredo.
07:26Basicamente, a IA, para pagar essa conta,
07:29ela vai ter que gerar mais de um trilhão de dólares.
07:31Nós estamos falando aí de um percentual da economia global
07:34que está longe de ser desprezível,
07:35basicamente em redução de custo.
07:39Isso pode vir no aumento de produtividade,
07:41assim como nós já falamos aqui
07:43que as big techs têm apurado isso.
07:45Elas conseguem gerar mais código com menos pessoas.
07:48Tem vários estudos mostrando que,
07:51com a chegada da IA generativa,
07:53a abertura de novas vagas de trabalho
07:56em vários segmentos começou a cair,
07:58justamente por isso,
07:59empresas mais enxutas e com a IA,
08:01de fato começando a assumir determinadas tarefas.
08:05E a segunda onda,
08:07que ainda não aconteceu,
08:09claro, só aconteceu para as empresas
08:10que desenvolvem a própria IA
08:13e licenciam elas,
08:15como o caso da OpenAI,
08:16da Microsoft,
08:17da Alphabet, etc.,
08:18no caso da Meta,
08:19mas nós ainda não vimos a segunda onda,
08:22que é o aumento de geração de receita
08:24proveniente da IA.
08:25Então, a IA vai ter que fazer uma das duas coisas,
08:29ou um aumento de produtividade brutal
08:31e redução de custos por consequência,
08:34ou a geração de novas receitas.
08:37Nesse campo ainda não aconteceu muita coisa.
08:39Então, esses dois vetores vão ter que acontecer
08:44para toda essa infraestrutura se justificar.
08:47Com certeza,
08:48e a gente acompanha bem de perto.
08:49Agora, Arthur,
08:50eu queria aproveitar até a sua presença aqui hoje
08:52e falar sobre a Qualcomm,
08:55que anunciou hoje
08:56que vai lançar novos chips
08:58de inteligência artificial,
09:00marcando até uma nova competição
09:01para a NVIDIA,
09:02que vinha aí dominando o mercado.
09:05As ações da Qualcomm dispararam.
09:07Como avaliar essa retomada da empresa, Arthur,
09:10e essa corrida em paralelo
09:12que é a guerra dos chips?
09:15Uma coisa muito natural.
09:17Isso em algum momento aconteceria.
09:19A única questão é saber quem faria,
09:21porque, claro, a NVIDIA tem uma dominância técnica,
09:24tem uma dominância do mercado.
09:25A NVIDIA chega a ter,
09:28nos últimos dois anos,
09:29mais de 93% de market cap
09:31dos data centers de IA do mundo.
09:34Então, é difícil imaginar um mercado
09:36que tenha uma dominância tão grande.
09:39E aí, claro,
09:40é por isso que ela se torna
09:41a empresa mais valiosa do mundo.
09:42É por isso que ela tem uma demanda
09:44que ela não consegue suprir.
09:46Todo mundo quer o que ela tem para vender.
09:48E aí, na história da humanidade,
09:52o que acontece quando você tem esse cenário
09:54é que, inevitavelmente,
09:55vai surgir algum concorrente.
09:57Claro que, no mercado dos chips,
09:59basta ver o que aconteceu durante a pandemia.
10:01A própria construção das fábricas,
10:03a própria obtenção de profissionais
10:06que são incrivelmente capacitados
10:08e são escassos no mercado.
10:10Existe essa guerra por talentos.
10:12Ou seja, não é simplesmente
10:14abrir uma corrida contra a NVIDIA.
10:17Toda essa base,
10:18todo esse depósito precisa acontecer.
10:20E eu estou mencionando isso
10:21só para deixar claro que, naturalmente,
10:25ou seja, seria mais natural
10:27que acontecesse com alguma empresa
10:29que já é atuante nesse segmento,
10:31como é o caso da Qualcomm.
10:32Então, eu acredito que vai acontecer
10:34não só com ela,
10:35mas com outras também.
10:36Eu imagino que, num cenário de cinco,
10:38mas muito mais provavelmente
10:39daqui a dez anos nós tenhamos
10:42um cenário muito mais competitivo,
10:44muito diferente do que nós temos hoje
10:46com a NVIDIA tão presente e tão dominante.
10:50Pois é.
10:51Bom, tá aí.
10:52Então, vamos aguardar ficar de olho
10:54nos balanços financeiros
10:55que serão divulgados aqui das Big Techs
10:57e voltamos a repercutir aqui
10:59no Olhar Digital News com você, Arthur Igreja.
11:02Então, nos falaremos em breve.
11:04Muitíssimo obrigada pela participação de hoje
11:06e nos falamos ainda essa semana.
11:08Obrigado, boa noite e boa semana.
11:11Boa semana pra você também.
11:13Tá aí, pessoal, Arthur Igreja,
11:15que é especialista em tecnologia e inovação,
11:17fazendo aqui um panorama da situação,
11:20do que esperar, não é?
11:21Da divulgação desses números
11:23das Big Techs.
11:25Vamos aguardar.
11:26É quarta-feira e quinta-feira.
11:28E você?
11:29Tchau, tchau.
11:30Tchau, tchau.
11:31Tchau.
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