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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, surpreendeu ao elogiar Luiz Inácio Lula da Silva após uma reunião em Kuala Lampur, na Malásia. Trump afirmou que o encontro foi “muito bom” e chamou Lula de “muito vigoroso e impressionante”, além de parabenizá-lo por seu aniversário de 80 anos. A conversa marcou o início das negociações entre Brasil e EUA para reduzir as tarifas de 50% impostas a produtos brasileiros. Lula disse acreditar que o acordo comercial será fechado nas próximas semanas. Para falar sobre o assunto, o Morning Show entrevista Pedro Costa Junior, doutor em ciência política.
Reportagem: Luca Bassani
Entrevistado: Pedro Costa Junior
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NotíciasTranscrição
00:00Olha, depois de muito, mas muito, se especular, se organizar e articular,
00:04enfim, o encontro entre Donald Trump e Luiz Inácio Lula da Silva finalmente aconteceu e parece
00:08que as coisas agora podem até caminhar um pouco melhor e distensionar as relações entre os dois países.
00:14Será? Há ainda muitas interrogações no ar, mas o fato é que o americano elogiou o brasileiro e disse que
00:19he's very vigorous, very vigorous, muito vigoroso.
00:23Eu proponho que a gente já aqui acione de cara o nosso repórter Luca Bassani,
00:28diretamente da Alemanha, com todos os detalhes desse encontro que parece ter sido bem produtivo, né?
00:33Tanto para o Brasil quanto para os Estados Unidos.
00:35No mínimo foi uma conversa amistosa, mas de fato, né Luca, alguma definição?
00:41Nenhuma ainda que a gente possa medir.
00:43Mas será que de fato há um caminho para um possível acordo se desenhando mais claramente?
00:48Qual é a sua visão e a sua avaliação? Bom dia.
00:52Uma aproximação importante entre Estados Unidos e Brasil, Marinho.
00:56Bom dia a você, a todos que nos acompanham aqui no Morning Show nesta nova semana.
01:00O presidente Lula, na sua visita à Malásia, conseguiu por alguns minutos um encontro pessoal
01:07com o presidente Donald Trump, não só o presidente Lula, mas o chanceler Mauro Vieira.
01:12Também estava presente Marco Rubio, secretário de Estado norte-americano,
01:15e o secretário do Tesouro, Scott Bassett.
01:18Entre tantos assuntos, o presidente Lula disse que o principal é tentar reduzir a alíquota de 50%,
01:24que foi imposta pelos Estados Unidos aos produtos brasileiros,
01:28no famoso tarifácio distribuído para vários países, mas que tem o Brasil um dos maiores taxados.
01:34Além disso, ele disse que também as sanções aplicadas a políticos, a juízes brasileiros,
01:40como a Lei Magnitsky sobre o ministro Alexandre de Moraes,
01:44isso com certeza também foi assunto, mas que por enquanto é apenas uma aproximação.
01:48O objetivo foi criar esse ambiente mais amistoso para que nas próximas semanas possam encaminhar novas conversas.
01:59De acordo com o presidente Lula e também com o chanceler Mauro Vieira,
02:02o objetivo é que se faça uma conversa rápida e decisões praticamente imediatas durante as próximas semanas
02:09e que se depender dele e de Trump, um acordo com certeza sairá.
02:13De acordo também com aqueles que fizeram parte deste encontro depois a portas fechadas,
02:18o presidente Donald Trump quis saber como foi o período do presidente Lula na prisão
02:23e também elogiou a sua trajetória política, disse que é uma trajetória bastante respeitável
02:28e que é um homem de muito vigor para quem está prestes a completar 80 anos,
02:34lembrando que o presidente Lula esta semana completa 80 anos.
02:37Inclusive, a respeito disso, nós separamos um trecho da fala do presidente Lula
02:41que sintetiza este encontro. Vamos acompanhar.
02:45Vocês sabem que se depender do Trump e de mim vai ter acordo.
02:52É importante que quando vocês sentarem na mesa, que alguém disser não às coisas que nós descrevemos,
03:00vocês têm que saber que não é nem da parte dele e nem da minha parte.
03:03Porque nós estamos dispostos a fazer com que o Brasil e os Estados Unidos
03:08continuem com uma relação, sabe, como tem há 201 anos.
03:14Não são pouco tempo. São dois séculos de reunião diplomática, sabe,
03:18muitas vezes vantajosas por dois países, muitas vezes perigosa por Brasil, como em 1964.
03:24Mas tudo isso a gente deixa de lado, porque o que interessa numa mesa de negociação é o futuro.
03:35Exatamente. Seguindo essas falas, que a equipe econômica do presidente Lula
03:40pretende se reunir o quanto antes com a equipe econômica de Donald Trump
03:45e também diplomática para tentar resolver essas questões.
03:49Muitos dizem que estariam escalados para fazer a continuação dessas conversas,
03:54tanto o chanceler Mauro Vieira, que esteve presente em um encontro bilateral com o Marco Rubio
03:59na semana passada, como também na Malásia.
04:01O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e também o ministro da Indústria, Comércios
04:06e o vice-presidente da República, Geraldo Alckmin.
04:08Esses três seriam aqueles mais competentes para seguir adiante com toda essa problemática do tarifácio.
04:15O presidente Lula também se colocou à disposição para fazer a mediação do conflito que se estende
04:20entre Estados Unidos e Venezuela, já que também tem boa relação com Nicolás Maduro,
04:26algo que parece ser deixado para depois do retorno de Donald Trump aos Estados Unidos.
04:31O presidente norte-americano segue em viagem pela Ásia, chegou agora há pouco em Tóquio,
04:36onde se encontrou com o imperador Nihurito e vai se encontrar com a recém-impossada
04:41a premier Sanae Takahit, que também tem um tarifácio para negociar com o presidente norte-americano.
04:48O grande evento desta semana, Marinho, na agenda do presidente norte-americano,
04:52é o seu primeiro encontro pessoal com Xi Jinping na Coreia do Sul,
04:56também para decidir o super tarifácio aí, que pode ser ampliado para a China
05:01a partir de 1º de novembro com mais 100%, ou seja, levando a 157%.
05:06Tudo indica que essas são as prioridades por hora do presidente Trump e, por isso,
05:11as questões relacionadas ao Brasil serão, então, encaminhadas pela sua equipe econômica,
05:17pelo seu braço diplomático e também por ele quando retornar aos Estados Unidos da América
05:21a partir do final desta semana.
05:24Nós, como sempre, ficaremos de olho quais serão essas movimentações
05:27e se, de fato, será possível encontrar um meio termo ou um caminho que seja um pouco menos ruim,
05:33ruim, se podemos assim dizer, para o Brasil após 50% de tarifácio aplicado no começo deste ano.
05:40Esse é o sempre competente Luca Bassani, feita a correção aqui, né, Luca?
05:44Você está em Braga, em Portugal, com essa bela, esse dedo aí.
05:48Claro, baita participação, como sempre.
05:50Está em Braga, né, a cidade dos arcebispos, a Roma portuguesa, diretamente do norte português,
05:55também conhecido pelos íntimos como Bragazil, da comunidade abundante de brasileiros em Braga, não é isso?
06:00Parece nome de facaça, mas não, é a bela cidade de Braga.
06:03Obrigado, meu querido, pela presença e as informações.
06:07É isso aí, Bassani em Braga.
06:08Vamos em frente aqui, então, acionando a bancada.
06:11Pelo seguinte, Jess Peixoto, mas muita, muita, muita coisa para a gente dissecar e desconstruir.
06:16Qual foi o seu principal destaque nesse encontro tão aguardado?
06:19Claro que, além das falas em si, é uma questão que tem um simbolismo muito carregado,
06:24desde a linguagem corporal, pequenas mudanças ali do gestual
06:28e, propriamente, as falas que foram emitidas por ambos, né?
06:30Qual foi o seu principal destaque?
06:31A postura do presidente Lula que parecia estar na sala de casa como um dominante não dominado.
06:38A gente precisa, o André falou aqui sobre a linguagem corporal,
06:42ver alguns analistas avaliando a postura de Lula durante ali a reunião,
06:46aquelas pernas cruzadas, o olhar.
06:49Então, a lógica de se parecer muito confortável com essa conversa.
06:53E aqui, a gente precisa ver isso como, de fato, é, né?
06:57Um presente de aniversário antecipado a ele, que vai aí tão próximo dos seus 80 anos.
07:04Porque impressiona bastante o reconhecimento de Trump, de Lula, como um perseguido, como uma história.
07:11Então, assim, Trump carrega isso da perseguição, porque ele alega ter vivido isso dentro dos Estados Unidos,
07:19assim que sai do poder.
07:20E Lula conseguiu capturar uma perspectiva que ele viveu isso,
07:24falou sobre os 580 dias que ficou preso.
07:27Trump, pelo que dizem, ficou bem impressionado.
07:30E acabou sendo capturado também por esse sentimento, elogiou.
07:33Foi uma postagem na própria perfil oficial da Casa Branca.
07:38Então, assim, a realidade é que se puxou uma atenção muito grande ao presidente do Brasil
07:42e parece que a química deu um bom resultado.
07:45Agora, o que eu vi da direita nas redes sociais no último dia
07:49é uma tentativa de minimizar ou fingir que isso não aconteceu
07:53ou criar uma narrativa de um grande plano surreal,
07:57de uma jogada inimaginável que ninguém está vendo
08:01dentro desse invisível sonho ficcional.
08:04Mas, na prática, Lula sai maior do que entrou
08:07e agora com uma plataforma clara para sua campanha em 2026.
08:11O Brasil Soberano.
08:12E, claro, foi a cúpula da ASEAN,
08:14que é a Associação das Nações do Sudeste Asiático,
08:16onde tudo isso se deu na capital da Malásia, né?
08:20Kuala Lumpur.
08:21E até na coletiva final, é importante ressaltar aqui, né, David Itasco,
08:24como o presidente Lula quis focar tão somente na perspectiva
08:28de os avanços serem baseados tão somente na química entre os dois,
08:33entre os dois mandatários, entre os dois chefes de Estado,
08:35e apostar nessa troca entre ambos,
08:38ao mesmo tempo onde ele reconheceu
08:40que é natural que haja discordâncias dos inferiores a eles, né,
08:44dos subordinados.
08:45Por mais que possa haver essa bateção de cabeça por baixo deles,
08:49ele está apostando nessa troca no topo.
08:52Você acha que é uma estratégia que tende a funcionar?
08:54Acredito que sim, até porque eles trataram também sobre temas sensíveis, né,
08:58como, por exemplo, a lei que foi imposta ao Alexandre de Moraes,
09:03e o próprio Trump, um dos jornalistas, perguntou a ele,
09:05e o Bolsonaro?
09:06Ele disse, não te interessa, ou seja, ele não quer falar sobre esse assunto.
09:10Não é da sua conta.
09:10Nesse momento, é, não é da sua conta, né?
09:12Você traduz muito bem.
09:13Não, mas é por aí, não, exatamente.
09:15Tipo assim, não quero falar sobre isso, né?
09:18Mas isso foi revelador, antes disso ele precedeu com vários elogios,
09:20inclusive ao Bolsonaro.
09:21Ele gostava muito.
09:22Gostava dele, tinha também, enfim, era um homem que lutou muito pelo seu país e tal,
09:26isso foi também revelador.
09:26Mas ele evitou, né?
09:27Eu acho que isso é uma sinalização também de que, olha,
09:30as tratativas são quanto ao tarifácio e a maneira como eu quero dialogar com o Brasil.
09:34E o chefe do Estado é o presidente Lula.
09:37Então, eu quero falar aqui sobre as questões relativas ao país,
09:41não sobre a lei imposta ao Alexandre de Moraes,
09:44aos ministros também, na corte que sofreram com as sanções do presidente americano.
09:48O que restou, no momento, mano a mano, cara a cara,
09:51apenas um sorriso de deboche, um pouco constrangido até do presidente Lula, né, Mano Ferreira?
09:56Agora, na coletiva de encerramento, que a gente até mostrou um trecho aqui,
10:00o próprio Lula quis fazer pouco caso do Jair Bolsonaro e disse que uma conversa de 15 minutos,
10:05ao vivo, uma próxima conversa, ele deixa lá claro que Jair Bolsonaro foi alguém irrelevante,
10:10que é página do passado, que já é um fato ultrapassado.
10:13O que você acha disso?
10:14O que eu acho impressionante, Marinho, é como nas nossas análises até aqui,
10:19e elas estão precisas e corretas, o que chama a atenção são as personalidades
10:25e as figuras pessoais envolvidas nessa negociação,
10:31e não, de fato, as pautas que podem interessar a ambos os países.
10:35Até porque o ponteiro não mudou muito, até o momento.
10:37Exato, a tarifa continua valendo, as sanções contra ministros do Supremo também estão em vigor.
10:47Ou seja, a gente vê um símbolo do nosso tempo, né, como no fim das contas nós estamos diante de uma política do espetáculo.
10:55Tem aí duas personalidades extremamente vaidosas, extremamente egocêntricas até,
11:02projetando as suas personalidades na pauta internacional,
11:07colocando-as em primeiro plano em detrimento do que, de fato, é a substância a ser negociada.
11:16Disso, ninguém sabe, ninguém viu.
11:18Qual que vai ser, de fato, os termos de um possível acordo entre Brasil e Estados Unidos?
11:24Isso tudo fica em segundo plano diante dos choques de personalidade.
11:30E, inclusive, aí, do que seria o retrato da personalidade de Jair Bolsonaro,
11:36que é retratado por Trump como, não, um cara que é um sujeito que lutou,
11:41um cara que eu acho que é um cara correto,
11:44e o Brasil e os interesses dos Estados Unidos.
11:48Isso é muito curioso como fica em segundo plano.
11:51Mas, na minha avaliação, não esteve em segundo plano ou de forma irrelevante
11:58para levar a este encontro.
12:00Porque, não podemos esquecer, os consumidores americanos têm sentido o efeito
12:06do suco de laranja mais caro, da carne mais cara,
12:10e isso tudo faz parte do cenário que levou a uma mudança de disposição de espírito
12:15do presidente Trump para, de fato, ter um diálogo, como estamos tendo,
12:20entre Estados Unidos e Brasil.
12:23Trump, o eterno showman, sorriu para as câmeras, ofereceu o aperto de mão,
12:28a foto já entra para a posteridade, né, Gesualdo?
12:31Mas, de fato, o que o Mano falou é irretocável.
12:33É um dado objetivo da realidade.
12:35Nenhum avança ainda muito concreto.
12:36E diversas, inúmeras interrogações ainda pairando no ar.
12:41Sua expectativa, olhando adiante, até tomando, talvez, o Canadá,
12:45que aí sim é um vizinho geográfico continental como base,
12:48que o próprio Trump chegou a fazer acenos, afagos,
12:51ensaiou um possível acordo com o Mark Carney,
12:53primeiro-ministro da esquerda canadense,
12:56mas acabou indo por água abaixo e sendo completamente infrutífero,
13:00mesmo após esses afagos e carícias verbais no ar,
13:03nada na prática.
13:04Pelo contrário, a relação comercial dos dois,
13:06entre Estados Unidos e Canadá, só agravou, só piorou, só degringolou.
13:09O que você acha?
13:10A própria China também, né?
13:11A própria China também, bem lembrado.
13:12Tem marcado a reunião, inclusive, né?
13:14Em relação ao Canadá, deixa muito claro como o Trump é vaidoso mesmo,
13:18como disse o Mano, né?
13:18Foi uma questão pessoal, uma crítica que fizeram a ele,
13:21e ele sobrepõe questões pessoais a questões de Estado.
13:24Em relação à conversa que ele teve com o Lula,
13:25eu, de fato, imaginava que haveria uma maior animosidade.
13:28Mas as coisas caminharam bem, e é fato.
13:31Dois pontos sensíveis não foram colocados na mesa,
13:34e parece que não farão parte dessas negociações.
13:36O primeiro deles, Jair Bolsonaro.
13:38E o segundo, a regulação das big techs.
13:40Parece que ficou claro que o Lula não tem gerência nessa regulação,
13:43isso precisa do Congresso,
13:45e, portanto, não faz parte das negociações nesse momento.
13:48Acredito que as coisas caminham para uma negociação positiva
13:50entre os dois países,
13:51para que os dois presidentes possam cantar vitória,
13:54e é fundamental para os dois, do tamanho do seu ego.
13:56As tarifas tendem a cair, a médio e a curto prazo,
13:59e os Estados Unidos terão algum benefício econômico por isso, certamente.
14:03E a gente segue adiante aqui para agregar ainda mais nessa discussão,
14:05trazendo para a conversa, após essa conversa entre os líderes de ambos os países,
14:10que, claro, pode acabar rendendo um acordo
14:12e também movimentar todo o cenário político, geopolítico da nossa região,
14:16e também o cenário geoeconômico mundo afora.
14:18Proponho que a gente convide agora para a nossa roda de conversa aqui no Morning Show
14:21o Pedro Costa Júnior.
14:23Ele que é doutor em Ciência Política,
14:25pela USP, professor de Relações Internacionais e Geopolítica.
14:28Tudo bem, doutor Pedro? Obrigado demais pela presença.
14:31Primeiro, qual é o significado político, diplomático desse encontro?
14:35E também a disposição que o presidente Lula demonstrou, pelo menos,
14:40e nas questões comercial, tarifária, e principalmente no combate ao narcotráfico,
14:44em se propor a ser uma espécie de mediador ou intermediador na questão venezuelana.
14:48Você acha que isso foi só uma bravata,
14:50ou você acha que os americanos viram isso com bons olhos?
14:53Bom dia.
14:54Bom dia, Marinho.
14:56Um prazer estar aqui com vocês.
14:58Bom dia a todos que nos acompanham.
15:00Foi um momento positivo, né?
15:03Digamos assim, um encontro positivo para a diplomacia brasileira,
15:07um encontro positivo para o governo,
15:09um encontro positivo para o Brasil.
15:11Essa aproximação, né?
15:12Do ponto de vista do Brasil,
15:14as duas principais questões que foram colocadas na mesa
15:17foi, em primeiro lugar, como ordem de prioridade,
15:21a questão das sanções, né?
15:22Ou das tarifas, né?
15:24E com efeito de sanção, uma vez que são tarifas de 50%,
15:28as maiores que os Estados Unidos colocaram no mundo.
15:31Foi exatamente sobre o Brasil.
15:33Brasil e Índia, respectivamente, têm tarifas de 50%.
15:37Então, essa é a grande prioridade que o Brasil levou na mesa
15:41e, ao que parece, enfim, pela própria declaração,
15:46tanto do Trump, do presidente Lula, do Mauro Vieira,
15:50o chanceler brasileiro,
15:52é que isso vai ter um desdobramento positivo.
15:57E, segundo o Paulo Trump, isso vai ter um caminhamento rápido.
16:01Ou seja, essas tarifas tendem a ser renegociadas
16:03e tendem a ser renegociadas de uma maneira rápida e eficaz.
16:06Então, nesse sentido, foi um gol,
16:08um golaço aí da diplomacia brasileira.
16:10O segundo ponto que foi discutido,
16:13do ponto de vista do Brasil,
16:14é a questão da lei Magnistic.
16:16Essa tem um outro aspecto, passa por uma outra pasta,
16:20não é propriamente os negociadores econômicos,
16:23o secretário do Tesouro, o Scott Passant,
16:25mas é o secretário de Estado, o Marco Rubio, que fica a cargo.
16:29Essa, talvez, ande num outro de apasão das negociações.
16:33E tem questões sensíveis.
16:35Dentre elas, a que você coloca muito bem,
16:38que é a questão da Venezuela.
16:40A questão venezuelana, ela é muito sensível,
16:42porque, obviamente, não interessa a ninguém
16:45um conflito na Venezuela, uma guerra,
16:47uma avasão, qualquer coisa desse tipo,
16:49porque isso desestabilizaria a região economicamente.
16:53E, óbvio, crises migratórias,
16:56o Brasil seria diretamente afetado,
16:58não só o Brasil, a região toda.
17:00E o Brasil é uma liderança na América do Sul,
17:03é um Estado tendo lar, digamos assim.
17:07O Truman já dizia, para onde o Brasil vai,
17:09a América do Sul vai atrás.
17:11Nós somos metade da população, metade do território,
17:14mais da metade do PIB,
17:15mais da metade da economia da América do Sul.
17:17Nós temos o papel de uma liderança estabilizadora
17:20na América do Sul.
17:21Então, não nos interessa,
17:23e não interessa a nenhum outro,
17:24nenhum país da região,
17:26uma intervenção americana,
17:27ou de quem quer que seja,
17:28ou chinesa, ou russa,
17:30aqui na região.
17:31E, desde que, digamos,
17:33o chavismo acendeu na Venezuela,
17:37lá em 99,
17:38o Chávez ganha a primeira eleição,
17:39mas nos anos 2000,
17:41isso se torna mais patente.
17:43E já na doutrina Bush, lá atrás,
17:45houve diversas investidas nesse sentido.
17:48Enfim, golpes de Estado,
17:51tentativas de golpe,
17:53de lá e de cá.
17:54E o presidente Lula no governo 1 e 2,
17:57junto com o Sal Samorim,
17:58que hoje é seu assessor especial para a presidência,
18:01naquele período de Lula e 2,
18:03era seu ministro de Relações Exteriores,
18:05o seu chanceler,
18:06o Brasil atuou como uma espécie de colchão
18:09de amortecimento dessas investidas
18:11aqui na região, na Venezuela.
18:14Então, ali se criou, por exemplo,
18:16o Brasil chegou a criar,
18:17os países, o grupo de países amigos da Venezuela.
18:21Então, quando as coisas ficavam muito incidentes,
18:23digamos, havia exageros de lado a lado,
18:26Chávez exagerava do lado de cá,
18:29Bush exagerava do lado de lá,
18:31o presidente Lula e esses amigos da Venezuela
18:33eram mediadores,
18:35se atuavam como mediadores
18:37para trazer estabilidade,
18:41para não deixar a região desestabilizar.
18:43E, nesse momento,
18:45o presidente Lula sugere a mesma coisa.
18:48Sugere em Lula 3,
18:49diante dessa, digamos, ofensiva,
18:51o governo Trump sobre a Venezuela,
18:53segundo ele,
18:55autorização que a CIA faça,
18:58ele, Trump disse isso,
18:59a CIA possa fazer,
19:01está autorizada a fazer operações
19:02em território venezuelano.
19:04Então, nesse sentido,
19:07seria importante
19:08que haja sempre um terceiro,
19:11um mediador,
19:12um diplomata
19:12que possa fazer essa mediação.
19:15É, com certeza.
19:16Para o presidente americano,
19:18Donald Trump,
19:18me parece ser uma questão estratégica,
19:21de trazer a América do Sul,
19:22principalmente o Brasil,
19:23para esse eixo de estabilidade,
19:24de segurança hemisférica,
19:26e também não recuar um centímetro sequer
19:29no combate ao narcotráfico,
19:31ao crime organizado.
19:32Já caiu mal
19:33entre alguns líderes republicanos
19:34nos Estados Unidos,
19:35setores do Itamaraty,
19:36inclusive a oposição brasileira
19:37na figura do Sostenes Cavalcante,
19:39pintando como um erro monumental,
19:41se propôs logo Lula,
19:43que tem um histórico,
19:44enfim, um rastro colossal
19:46de declarações relativizando ditaduras,
19:49passando pano para ditaduras,
19:50discursos anti-americanos,
19:51uma política externa hostil
19:53aos Estados Unidos,
19:54pelo menos na questão retórica.
19:57Enfim, a ver se isso vai colar
19:59ou se vai ser apenas uma bravata.
20:01Mas boa análise,
20:01só para a gente começar o papo aqui,
20:03complementando com o Mano Ferreira.
20:04Vamos lá.
20:05Bom dia, professor.
20:06Numa negociação
20:07entre personalidades políticas
20:09tão peculiares como Lula e Trump,
20:13a necessidade de ter um desfecho
20:17com uma vitória para ambos os lados
20:19é ainda maior do que costuma ser
20:22em qualquer negociação.
20:24Qualquer negociação tem desfecho
20:25quando os lados entendem
20:27que estão ganhando com aquela negociação.
20:29No caso brasileiro,
20:31é muito evidente
20:32que uma grande vitória
20:34para o presidente Lula
20:35seria a revogação das tarifas
20:39impostas sobre o Brasil.
20:41Mas o que seria uma vitória
20:44numa negociação como essa
20:46para Trump?
20:47Quais seriam os termos
20:49de uma negociação
20:50que, encerrando-se as tarifas
20:52do lado brasileiro,
20:54o que é que seria a vitória
20:56para o lado americano?
20:58Olha, do ponto de vista dos Estados Unidos,
21:02se os interesses do Brasil
21:03são renegociar o tarifácio,
21:06as tarifas em termos de 50%
21:08e revogar a magnistique
21:10sobre setores do judiciário do Brasil,
21:12os interesses dos Estados Unidos
21:14no Brasil e que passaram pela pauta
21:16são amplos também.
21:19E eu vou centralizar em dois aqui.
21:22Primeiro, certamente,
21:23é o que o Washington entende,
21:25isso está nos documentos
21:26da política externa americana,
21:29e eu vou usar os termos deles,
21:31da invasão chinesa
21:32na América do Sul,
21:34na América Latina como um todo.
21:36E nós sabemos que, enfim,
21:38desde a doutrina Moore,
21:40os Estados Unidos olham
21:42para a América Latina,
21:43é América para os americanos.
21:44ou, como disse o Pete Hexet,
21:48secretário de guerra dos Estados Unidos,
21:50outrora secretário de defesa,
21:52passou a ser secretário de guerra
21:53um dia depois daquele desfile militar
21:55de comemoração dos 80 anos da China
21:58na vitória sobre o Japão.
22:01Veio essa nomenclatura,
22:03esse batismo de secretário de guerra.
22:06O Pete Hexet tem uma declaração muito forte
22:08com relação à América Latina
22:10e ele disse o seguinte,
22:13eu vou abrir aspas para ele,
22:14ele disse hipsters literis,
22:15nós precisamos reconquistar
22:18o nosso quintal.
22:19Se referindo à América Latina,
22:21e diga-se,
22:21não é uma política trampista,
22:23é uma política bipartidária,
22:25é uma política republicana,
22:27é uma política democrata.
22:29O próprio Biden,
22:30naquelas declarações desastrosas dele,
22:33havia dito, quando o presidente,
22:35eu passei a vida inteira
22:37ouvindo na universidade
22:38que a América Latina
22:39era o nosso quintal,
22:40quero dizer que não,
22:41quero dizer que é o nosso pátio,
22:43é o nosso gramado,
22:44seria a tradução
22:45do que disse o Joe Biden,
22:47o ex-presidente dos Estados Unidos.
22:49Então,
22:50quando ele diz,
22:51o Hexet diz,
22:52precisamos reconquistar o nosso quintal,
22:54é reconquistar com relação a quê?
22:56Ou, mais precisamente,
22:58com relação a quem?
22:59Com relação à entrada da China.
23:01Vamos pegar o caso do Brasil,
23:02por exemplo.
23:03Desde 2009,
23:04a China é o nosso principal parceiro comercial.
23:06E não é que há uma concorrência
23:08com relação aos Estados Unidos,
23:09que historicamente ocuparam isso
23:11nas últimas cinco décadas,
23:15digamos,
23:15desde a Segunda Guerra Mundial,
23:17pelo menos,
23:18os Estados Unidos se consolidaram
23:19com o principal parceiro comercial do Brasil.
23:21É que desde 2009,
23:23quando a China passou o Brasil,
23:24se a gente pega o gráfico,
23:26a boca do jacaré só aumenta,
23:28só cresce.
23:29A distância entre China e Estados Unidos,
23:32com relação às relações comerciais com o Brasil,
23:34se tornam abismais.
23:36Na verdade,
23:37a China vai ocupando o espaço
23:38que um dia foi dos Estados Unidos.
23:41E isso não serve só para o Brasil,
23:43serve para a maioria dos países da América Latina,
23:45na qual vários estão, inclusive,
23:47nas chamadas novas cotas da seda,
23:48na qual o Brasil não pertence,
23:51não entrou nas novas cotas da seda.
23:53Mas essa relação da China,
23:55como ilustrado aqui no Brasil,
23:56vale para o Chile,
23:57vale para a Colômbia,
23:59vale para o Peru,
24:01onde foi feito agora o porto de Xangai,
24:03que é um porto estratégico,
24:06onde a saída do comércio com o Pacífico
24:09é feita direto,
24:11e as cotas da seda vão integrando
24:13a América Latina
24:14para fazer essa negociação direto
24:16pelo porto de Xangai,
24:17esse porto no Peru,
24:19que já está condicionando a pleno vapor.
24:22Então, tudo isso incomoda,
24:23obviamente, os Estados Unidos
24:24na sua zona de influência direta.
24:26É natural que seja assim.
24:27Também não é uma idiosincrasia
24:29dos Estados Unidos.
24:30Isso é o jogo das grandes potências.
24:32A China não quer ninguém
24:33se metendo no mar do sul da China
24:35ou em Taiwan.
24:36Isso está claro.
24:37Está claro como o sol do meio-dia.
24:39Como é claro também
24:40como o sol do meio-dia
24:42que a Rússia
24:43não aceita ninguém
24:44interferindo naquilo
24:45que eles consideram
24:46a sua zona de influência direta.
24:47Na Europa Oriental,
24:49na Ucrânia,
24:50na Jórgia,
24:50na Bielorrússia.
24:52As grandes potências
24:53funcionam assim.
24:54Então, os Estados Unidos
24:55querem recuperar
24:56com relação à China.
24:57e o Brasil é o único país
24:58do chamado, digamos,
25:01desse quintal,
25:03enfim,
25:03da América para os americanos,
25:04da doutrina mundo,
25:05da América Latina,
25:06que está nos BRICS.
25:07E mais do que isso,
25:09é um dos países
25:10fundadores dos BRICS,
25:11quando ainda era BRICS.
25:13Não existia nem o S lá
25:14de África do Sul,
25:16que foi incorporado depois.
25:18Era só Brasil,
25:19Índia,
25:19Rússia e China.
25:20Não, por acaso,
25:21os países mais tarifados
25:23do mundo.
25:23A Rússia não há mais
25:25como tarifar
25:25porque ela já foi excluída
25:26do SWIFT.
25:27Eu concluo aqui.
25:28E a China,
25:30as tarifas foram as maiores
25:31declaradas,
25:32mas teve que voltar atrás
25:33porque Xi Jinping
25:34responde na mesma altura.
25:36A China é a segunda
25:37economia do mundo.
25:38E depois vem Brasil e Índia.
25:40Então, obviamente,
25:41há uma pressão
25:42para que a China
25:44possa se afastar
25:45da região,
25:45se afastar do Brasil
25:46e, obviamente,
25:47com relação aos BRICS.
25:49Esse é um ponto sensível
25:50para os Estados Unidos.
25:51Não é o único,
25:52mas é um ponto importante.
25:54Baita papo aqui,
25:55enriquecedor,
25:56com o professor Pedro.
25:57A gente segue aqui
25:58com você, professor.
25:59Não sem antes,
25:59fazer um rápido break
26:00só para quem está
26:00nos ouvindo
26:01pela Rede Jovem.
26:02Pan de Rádio Morning Show
26:02volta já, já.
26:04A gente segue aqui
26:05explorando aqui,
26:06partindo para a pergunta final.
26:07Vou pedir para o professor
26:09doutor Jesualdo Júnior
26:10fazer a pergunta final.
26:11O Mano Ferreira tem um complemento.
26:12A gente ouve o professor
26:13partindo para a conclusão
26:14desse papo aqui
26:15no Morning Show.
26:16Vamos lá.
26:17Professor, bom dia.
26:18Professor, há pouco o senhor
26:19falava a respeito
26:20daquele grupo que se formou
26:21para tentar melhorar
26:22a relação entre o Bush
26:24e o antigo presidente
26:27da Venezuela,
26:28Hugo Chávez.
26:29Mas o momento era outro.
26:30O momento era outro.
26:31Nós tínhamos o Schitt
26:32no poder,
26:33o Brasil reconhecia
26:34aquele governo
26:35como sendo um governo legítimo.
26:36Hoje, até esse momento,
26:37o Brasil não reconhece
26:38a eleição do Maduro,
26:40a Javier Milley,
26:41a própria Bolívia
26:42deixou de ser
26:43um perfil de esquerda
26:44e a Colômbia,
26:45que ainda que seja
26:46um perfil de esquerda,
26:47tem constantes atritos
26:48com a Venezuela.
26:50Não é chegado o momento
26:51de todos trabalharem
26:52para uma transição
26:53de poder na Venezuela?
26:54E se você permite aqui,
26:55professor,
26:56um complemento do Mano Ferreira
26:57em relação à sua resposta.
26:58Seria como que
27:00a influência relativa
27:01da China
27:02poderia diminuir?
27:03Porque parece
27:03fora de horizonte
27:04uma diminuição
27:05das relações comerciais
27:06entre Brasil e China.
27:08concluindo,
27:10professor Pedro,
27:11a sua pergunta aqui,
27:12a sua resposta,
27:12melhor dizendo,
27:13final,
27:13já partindo para a conclusão.
27:14Vamos lá.
27:16Bom, o mundo era outro,
27:18concordando com o Jesualdo,
27:20mas o problema estrutural
27:22é o mesmo.
27:23Qual é a grande questão
27:25na Venezuela?
27:26Não tem nenhuma ilusão
27:26com relação a isso,
27:27a questão é o petróleo.
27:29A Venezuela é a maior
27:31reserva de petróleo
27:32do mundo.
27:34E uma abundância
27:36de petróleo,
27:36ela pode ser uma benção,
27:38ela pode ser uma maldição,
27:39pode ser os dois
27:39ao mesmo tempo.
27:40Vamos pensar que
27:41a região onde tem
27:43mais petróleo do mundo,
27:44não o país,
27:45o país é a Venezuela,
27:46mas a região onde se tem
27:47mais petróleo do mundo,
27:48que é o Oriente Médio,
27:49não por acaso
27:50é a região mais bélica
27:51do mundo,
27:51é a região onde estão
27:53o núcleo das guerras
27:54permanentes
27:55do sistema internacional.
27:57É justamente
27:57nessa região
27:59dos chamados
28:00petrodólares.
28:01E a Venezuela,
28:02como a maior reserva
28:03de petróleo do mundo,
28:05ela atrai interesses,
28:06atrai interesses poderosos,
28:08e desde a ascensão
28:10do chavismo ao poder,
28:12que começa com o Chávez
28:13em 99 e continua
28:14com o Maduro,
28:16você tem um problema
28:17do ponto de vista
28:17dos Estados Unidos,
28:18nessa sua área
28:19de influência,
28:20nisso que eles chamam
28:21de quintal,
28:22aqui na América Latina,
28:23você tem governos
28:24de oposição,
28:26e aí,
28:26num país geostratégico,
28:28geopolítico,
28:29que tem a questão
28:30do petróleo.
28:30Então,
28:31veja,
28:32essa questão de democracia,
28:33direitos humanos,
28:34narcotráfico,
28:35se a gente,
28:36eu sou um especialista
28:37em política externa americana,
28:38se a gente olhar isso,
28:39isso convém aos interesses
28:42dos Estados Unidos,
28:43claro que isso é importante
28:44para nós,
28:45não tenho tanta certeza
28:46se isso é importante
28:47para o Departamento de Estado,
28:49para o Deep State americano,
28:50que tem boas relações
28:51com a Arábia Saudita,
28:52onde eles não criam problemas
28:54com democracia,
28:55com direitos humanos,
28:57com assassinatos
28:57de jornalistas,
28:59enfim,
28:59ou com o Catar,
29:00também,
29:01onde também não se fala
29:02de troca de regime,
29:04de regime change,
29:04como se tem falado
29:05na Venezuela agora,
29:07ou com o Catar,
29:08com os Emirados Árabes,
29:09porque são aliados.
29:11Quando são aliados
29:11nos Estados Unidos,
29:13não há essa questão
29:14de democracia,
29:15de direitos humanos,
29:16enfim,
29:17guerra às drogas,
29:18enfim,
29:19não é esse tipo
29:21de questão.
29:21Agora, quando não são aliados,
29:23não é que eles são rivais
29:24ou qualquer coisa desse tipo,
29:25são o eixo do mal.
29:26É uma nomenclatura
29:27da doutrina Bush.
29:28Eixo do mal,
29:29estados páreas,
29:30estados bandidos,
29:31estados que apoiam o terror.
29:34O Irã é assim,
29:35a Venezuela é assim,
29:36foi colocada nesse eixo.
29:38Então, se trata,
29:39sem nenhuma ilusão,
29:41de se apropriar do petróleo.
29:43Não estou aqui nem endossando,
29:44nem recriminando
29:45o que acontece na Venezuela,
29:47o governo venezuelano,
29:48o regime,
29:48como queira.
29:49Isso, do meu ponto de vista,
29:51como, digamos,
29:52um soberanista,
29:53é um problema dos venezuelanos.
29:55Agora, com relação à China,
29:57que é uma questão muito...
29:59Eu vou agregar mais um elemento,
30:00que é muito importante,
30:01mano,
30:02que é a questão,
30:03certamente,
30:04ainda respondendo
30:04aquela pergunta sua,
30:06que é uma pergunta que,
30:07enfim,
30:08desperta muitos elementos,
30:10que certamente é o interesse
30:11dos Estados Unidos,
30:13que passa pela questão da China
30:14e está nessas negociações
30:16com o Brasil.
30:17É a questão das terras raras.
30:18É a questão das terras raras
30:20e dos minerais críticos.
30:22Veja,
30:22quando os Estados Unidos
30:23colocaram o tarifácio
30:25sobre a China,
30:26Xi Jinping respondeu exatamente
30:27condicionando o acesso
30:29de terras raras,
30:31de minerais críticos
30:32dos Estados Unidos
30:33às terras raras chinesas.
30:35Ora,
30:36a China é a maior reserva
30:37de terras raras do mundo.
30:38Eles detêm cerca
30:39de 48%
30:41das terras raras do mundo.
30:42Os Estados Unidos
30:43detêm apenas 2%.
30:45E eu fecho aqui,
30:46o Brasil é a segunda
30:47maior reserva
30:47de terras raras do mundo.
30:49Nós temos quase
30:50um quarto das terras raras
30:51do mundo,
30:5223%.
30:53E as terras raras,
30:55exatamente,
30:56as terras raras
30:56é a geopolítica
30:57do século XXI.
30:58Ela está nas guerras
30:59e ela está na economia.
31:01Então,
31:02a partir do momento
31:02que os Estados Unidos
31:03são privados
31:04das terras raras
31:04que vêm da China,
31:06eles vão olhar
31:06para novos mercados.
31:07Eles estão,
31:08em várias negociações,
31:09pressionando por terras raras.
31:11Não é diferente
31:11aqui no Brasil,
31:12isso certamente
31:13está nos cálculos de Washington.
31:15É isso aí,
31:16esse foi o professor
31:16Pedro Costa Jr.
31:17Agradecendo demais
31:18aqui essa análise,
31:20enriqueceu,
31:20agregou e muito,
31:21como sempre,
31:22portas abertas aqui
31:22no Morning Show.
31:23Obrigado.
31:25Obrigado, abraço.
31:25Seguimos em frente.
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