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  • há 3 meses
ID INVESTIGAÇÃO DISCOVERY - VIVENDO COM O INIMIGO - T01 EP01 - SEGREDOS E MENTIRAS

Categoria

📺
TV
Transcrição
00:00Eu não sabia se conseguiria falar disso.
00:22Eu nunca vou esquecer.
00:24Eu vi na TV que tinha a imagem de um helicóptero e estava no noticiário ao vivo.
00:35E eu sabia que era o quintal do meu irmão.
00:42E eu disse, por que eles estão no quintal? O que eles estão fazendo?
00:47Oficios ainda estão em uma sala.
00:49Eu não conseguia me mexer.
00:53E depois de alguns minutos, parada lá, em choque...
00:59A procura de vítimas é a nossa história top.
01:01Eu saí por aí pedindo a Deus para me acordar, sabe?
01:07Porque eu sabia que aquilo era só um pesadelo.
01:10Nada daquilo era verdade.
01:12Não podia ser real.
01:14Bom, e...
01:16Não consegui acordar.
01:18Não consegui acordar.
01:48Vivendo com o Inimigo.
02:18Essa foto aqui mostra meu irmão, eu e o que sobrou de um boneco de neve.
02:24Como podem ver, eu estava chateada com isso e ele não.
02:28Ele achou muito engraçado porque a cabeça do boneco derreteu.
02:32Essa aqui é uma das minhas fotos favoritas do meu irmão.
02:36Ele parece tão feliz e eu sempre gostei dele com o cabelo comprido.
02:39Às vezes eu olho para uma foto e consigo rir e lembrar de uma coisa engraçada sobre aquela foto.
02:44Mas às vezes eu olho para uma foto e sinto só tristeza e perda porque eu sei que ele não vai mais fazer essas coisas.
02:56Quando alguém chama o meu irmão de demônio, monstro ou qualquer coisa do tipo, eu fico furiosa.
03:03Isso me tira do sério.
03:08Se eu acredito no mal, mas com certeza eu não acho que dá para acreditar no bem
03:14e sem o mal, nunca.
03:17Só porque uma pessoa faz uma coisa terrível não quer dizer que você não a ama mais.
03:22E eu amo meu irmão.
03:27Isso nunca mudou e nunca vai mudar.
03:31Ainda é um fato e sempre vai ser um fato.
03:34Eu amo.
03:34Eu rio dessa foto, mas é como eu disse.
03:42Como muitas outras fotos, eu fico triste quando olho para ela porque...
03:48Ele tinha a vida toda pela frente.
03:52Eu penso em como as coisas podiam ter sido diferentes.
03:55Eu e o meu irmão temos 18 meses de diferença.
04:05A nossa infância antes do ensino médio foi tão turbulenta que nós éramos muito amigos.
04:16Nós tínhamos outros irmãos, mas o meu irmão e eu sempre, sempre fomos muito ligados.
04:23Bom, essa menina, por algum motivo, não gosta de mim.
04:27Eu nunca falei com ela, mas ela tem sido muito má comigo.
04:32A gente passou por tanta coisa juntos que...
04:36Às vezes parece que...
04:40Ele é minha outra metade, de certa forma, porque...
04:44A gente era muito, muito unido.
04:47Olha, se você precisar de ajuda com essa garota...
04:50Quando eu era criança, uma vez eu acordei e...
05:20E ele estava sentado numa cadeira no meu quarto, me observando enquanto eu dormia.
05:30E aí, nessa hora, eu perguntei...
05:32E o que você está fazendo?
05:33Vai dormir!
05:37E ele...
05:37Eu estou vendo você dormir.
05:39Eu não sabia que aquilo não era normal na época, porque eu era criança.
05:46Mas quando eu me lembro, eu penso, nossa, aquilo não foi normal.
05:52Então eu simplesmente me levantei e saí do quarto.
05:56Porque eu não soube o que fazer naquela hora.
06:08E ele não saiu do quarto, ficou sentado lá.
06:11Eu não tinha ideia do que se passava na cabeça dele.
06:24Foi...
06:24Foi muito sinistro.
06:27O meu irmão era religioso, de certa forma.
06:42Mas achou que se concentrava mais nas coisas negativas da Bíblia.
06:47É, era nisso que se concentrava mais.
06:49Olho por olho, dente por dente, mão por mão, pé por pé, queimadura por queimadura, ferida por ferida, golpe por golpe.
06:57E quando alguém ferir o olho do seu servo, o olho da sua serva, e o danificar, o deixará livre pelo seu...
07:02Olho por olho, por exemplo, acho que ele interpretava literalmente.
07:06Olho por olho, dente por dente, mão por mão, pé por pé, queimadura por queimadura, ferida por ferida, golpe por golpe.
07:14Acho que isso era...
07:16Uma espécie de obsessão.
07:21Bom, na verdade, acho que era mesmo uma obsessão pra ele.
07:26Ele tinha um disco, era de heavy metal, e ele adorava.
07:31Quando disseram que era música satânica, ele o quebrou.
07:36Porque achava que o demônio tinha falado com ele através da música.
07:41E a besta foi presa, e com ela o falso profeta, que diante dela fizeram sinais.
07:48E algumas vezes, ele me assustava de verdade.
07:55Mas como sempre foi assim, então eu não sei como explicar.
07:59Eu estava acostumada com isso.
08:01Eu tinha uma periquita, o nome dela era Ginger, e...
08:14A gente estava se arrumando pra escola de manhã, quando ele disse...
08:17Ei, Di, olha isso!
08:19E torceu o pescoço dela, e a atirou no chão, pro gato comer.
08:24Eu comecei a chorar.
08:32E perguntei pra ele, por que fez isso?
08:37Mas ela nunca fez nada pra você.
08:41Ele disse, fiz pra você se focar nas provas finais.
08:44Sabe, ele...
08:52Se descontrolava às vezes, e era muito cruel.
08:55E nem sequer parava pra pensar.
09:01Eu sempre soube que ele não era como todo mundo, mas não sabia que isso era uma coisa ruim.
09:07Ele simplesmente era assim, ele era...
09:09Era diferente, mas...
09:10Quando você cresce com alguém diferente, acredita que é normal.
09:28Nunca perguntei ao meu irmão por que ele tinha feito aquelas coisas.
09:33Eu...
09:33Eu não entendo o que o meu irmão fez, ou por que ele fez.
09:38Mas eu entendo alguns fatos.
09:41Que...
09:42Fizeram ele ser desse jeito.
09:55Eu recebi um telefonema de uma das minhas irmãs...
09:58Dizendo pra mim...
10:00Que o Richard tinha ligado pra ela.
10:03Tá tudo bem?
10:05E ela disse, é melhor você se sentar.
10:07E eu disse...
10:09Por que?
10:11Vai, fala logo.
10:13E ela disse...
10:14Ele me ligou e disse que tem HIV.
10:16Ai meu Deus.
10:19Ai eu entrei em pânico.
10:22Eu fiquei apavorada.
10:25Sabe, na hora eu pensei...
10:27Eu vou perder o meu irmão.
10:28Ele vai morrer.
10:29Sabe, porque...
10:31Naquela época eu só tinha ouvido histórias horríveis...
10:34Sobre as pessoas com HIV.
10:36Sobre as dores e...
10:37A morte lenta que elas sofriam.
10:39Eram coisas terríveis.
10:41Então eu fiquei...
10:42Fiquei apavorada.
10:44Eu não...
10:44Eu não sabia o que fazer.
10:46Porque eu não queria que ele sofresse daquele jeito.
10:49Então...
10:50Como vai a medicação?
11:17Que medicação?
11:20Não tá mais se tratando do HIV?
11:24Dá.
11:27Eu não tenho HIV.
11:31Ele só queria que todo mundo...
11:34Surtasse.
11:35Você não tem HIV?
11:38Não.
11:38Ele fez isso porque...
11:44Porque achou que era engraçado.
11:47Era assim que a mente dele funcionava.
11:50Eu acho...
11:51Eu não sei.
11:59Ele fazia esse tipo de coisa o tempo todo.
12:03O tempo todo.
12:04Uma vez ele disse que...
12:10Um amigo tinha morrido.
12:12Então eu paguei...
12:14Pra ele...
12:15Pra ele ir...
12:17Até o Colorado.
12:19Pro funeral desse cara.
12:21E então...
12:22Acho...
12:23Acho que uns dois anos depois...
12:25Eu encontrei esse cara.
12:28Era assim que meu irmão era.
12:34Se meu irmão tivesse um evento pra ir...
12:42Ou algo do tipo...
12:44E não estivesse com vontade de ir...
12:46Dizia que tinha sofrido um acidente de carro.
12:48Mas...
12:49A gente via o carro dele...
12:51No dia seguinte...
12:53E ele estava em perfeito estado.
12:55Ele inventava histórias...
12:57Com frequência.
12:58Dizia que estava doente...
13:00Que estava internado no hospital...
13:02Ou no pronto-socorro...
13:04E quando eu ligava pro hospital...
13:07Não tinha ninguém com o nome dele lá.
13:10Não era ele.
13:10Ele estava bebendo...
13:12Ou fazendo qualquer outra coisa.
13:14Ele inventava histórias.
13:15Muitas.
13:16Sobre crimes que cometeu.
13:19Sobre roubos a essa loja...
13:21Ou aquela loja.
13:22Se essas lojas tivessem sido assaltadas...
13:25A gente teria visto na TV.
13:28Sabe...
13:28Ele contava tantas mentiras...
13:30O tempo todo...
13:31Que você...
13:32Nunca...
13:34Sabia...
13:35O que era verdade...
13:36E o que não era.
13:37O meu irmão...
13:47Principalmente...
13:49Quando bebia...
13:51Ele...
13:52Contava...
13:54Histórias...
13:55Sobre...
13:57Assassinados.
13:58Vamos jogar?
14:17Geralmente...
14:18Era depois que eu chegava do trabalho...
14:20E a gente jogava baralho...
14:22E ele tinha bebido além da conta.
14:25Aí ele começava a falar essas coisas.
14:27Sabe...
14:27Eu já matei uma pessoa.
14:30Uma mulher.
14:33E com uma riqueza de detalhes...
14:36Tipo...
14:37A arma que ele usou...
14:40Se foi...
14:41Com as mãos...
14:42Ou um cinto...
14:44Enfim...
14:44Coisas para estrangular uma pessoa.
14:46Sabe...
14:46Alguma coisa fina...
14:47Para...
14:48Tentar...
14:49Sufocar a mulher muito rápido.
14:52Mas...
14:53Eu não acreditava nele...
14:54Então não me incomodava.
14:56Para.
14:57Para com isso.
14:59Sabe...
14:59Ele sempre gostou de filmes...
15:02De terror...
15:02E coisas do tipo...
15:03E eu dizia...
15:04Tá...
15:05Você viu na TV...
15:06Isso não aconteceu.
15:07Então eu derrubei ela e...
15:09Eu pôs o cinto no pescoço dela.
15:12E fui apertando...
15:13Só o suficiente...
15:14Para ela começar a ficar azul...
15:15Ela não podia respirar.
15:16Na minha cabeça...
15:18Ele só precisava de atenção.
15:21Então...
15:22Tá bom...
15:22Tá...
15:23Me conta...
15:24Sério...
15:25E eu só...
15:26Ficava...
15:27Dando risada daquilo tudo.
15:28É sério...
15:29Para com isso...
15:30Tá bom?
15:31Bom...
15:35Eu achava...
15:36Que era...
15:37Muito triste...
15:38Ele falar aquelas coisas...
15:40Mas ele já tinha dito que...
15:41Outras pessoas tinham morrido...
15:42E não tinham.
15:44Ele disse...
15:45Que estava morrendo...
15:46E não estava.
15:48Então...
15:49Eu só achei que era uma progressão natural...
15:52Das histórias dele.
15:53E...
15:55Não foi...
15:56Só para mim...
15:57Que ele contou.
15:59Ele contou...
16:00Para várias outras pessoas.
16:03Ele contou...
16:04Para os meus vizinhos.
16:05Para a namorada dele.
16:08Ele contou...
16:09Para uma das garotas...
16:10Que trabalhava comigo...
16:11Em um bar...
16:12Que ele mal conhecia.
16:15Eu não sei...
16:15Para quantas pessoas ele contou.
16:17Mas eu sei...
16:18Que nenhuma dessas pessoas...
16:20Ligou para a polícia.
16:21Todo mundo sabia...
16:23Que ele inventava essas coisas.
16:26Porque...
16:26Afinal...
16:27Ele era assim.
16:29Ninguém acreditava nele.
16:43Ele contou...
16:45Para a namorada...
16:46Em detalhes...
16:48Que tinha matado...
16:51Uma pessoa...
16:52E tinha enterrado...
16:54No quintal dele.
17:04Ela me procurou...
17:06E perguntou...
17:07Se eu sabia.
17:07Eu preciso te perguntar uma coisa.
17:12Tá bom?
17:13É que o Richard...
17:15Ele...
17:16Conta umas histórias...
17:17E elas são horríveis...
17:19E sombrias...
17:20E eu acho que...
17:21Ela queria saber o que eu achava.
17:24Se eram reais ou não.
17:26E...
17:26Eu disse...
17:27Não...
17:27É claro que não.
17:29Ele é assim mesmo.
17:31Ele só quer atenção.
17:32Está inventando...
17:33Está inventando...
17:35Quem nesse mundo...
17:37Ia sair por aí...
17:38Matar alguém...
17:39E depois sair contando o que fez.
17:42Seria burrice.
17:43É pura invenção.
17:44Eu juro.
17:46Está tudo bem.
17:47Está bom.
17:48Eu a tranquilizei tanto...
17:56Que ela continuou namorando com ele.
17:59É.
18:00É.
18:09O que foi?
18:11Ela entrou correndo...
18:12Na minha casa.
18:14Me segurou...
18:15E me levou para o banheiro.
18:16Bateu a porta atrás de mim...
18:18E nos trancou lá dentro.
18:20O que aconteceu?
18:21Me conta.
18:22Me conta.
18:22Me conta.
18:24E aí...
18:25Eu ouvi o meu irmão.
18:26Abre.
18:26O que está acontecendo?
18:27Abre a porta.
18:29Gritando.
18:30Abre essa porta agora.
18:32Sai daí já.
18:33Sai daí já.
18:34E eu...
18:34O que está acontecendo?
18:36Richard, por favor, para.
18:38Abre essa porta agora.
18:40Não.
18:41Não até você ficar mais calmo.
18:43Abre o anjo.
18:46Ele vai entrar.
18:51Nós ficamos naquele banheiro por várias horas.
18:56Richard, para com isso.
18:58Por favor, vai embora.
19:01Ai meu Deus, ele vai entrar.
19:04Finalmente, eu abri a porta e ele estava com a arma apontada na nossa direção.
19:09Eu quero sair daqui.
19:15Eu quero sair daqui.
19:20Ela quer terminar.
19:22Então vou terminar com ela.
19:24Eu fiquei apavorada.
19:26Fiquei completamente apavorada.
19:28Você não quer isso.
19:30Eu não queria que ele ficasse bravo.
19:32Não queria gritar com ele.
19:34O que você está fazendo?
19:35Sou eu.
19:39Só queria sair daquele banheiro minúsculo.
19:43Com aquela garota chorando atrás de mim.
19:47E eu pensei, Deus, me diga o que falar.
19:51Me diga o que fazer.
19:53Como eu vou sair daqui?
19:55Você não quer fazer isso?
19:57Abaixa a arma.
19:57Eu não quero, é?
19:59Você nunca acredita em mim.
20:00Por que nunca acredita em mim?
20:01Foi então que ele apontou a arma para si mesmo.
20:05Não, por favor, Richard, por favor.
20:08E disse que ia se matar, que não valia a pena e...
20:12Não faz isso.
20:13Eu fiz a única coisa que me ocorreu na hora e eu disse,
20:18se você se matar e os meus filhos chegarem da escola e te virem morto,
20:24eles nunca mais vão esquecer.
20:26O que eles vão pensar?
20:27O que?
20:28O que?
20:28O que?
20:31Por favor.
20:38Quando eu falei das crianças, ele mudou de atitude.
20:43Ele nunca, jamais machucaria meus filhos, tenho certeza.
20:51Então, ele largou a arma.
20:53Depois disso, sabe, nunca mais foi a mesma coisa com a gente.
21:04Nunca mais.
21:04Nunca mais.
21:34Não.
21:47Alô.
21:49Alô.
21:50Sou eu.
21:51Richard, que horas são?
21:54E me disse...
21:55que precisava falar comigo.
22:06É que você tem que me ajudar.
22:09O que aconteceu?
22:11Eu fiz uma coisa ruim, mas você tem que acreditar em mim.
22:15A culpa não foi minha. Foi um acidente.
22:19Richard, o que você fez?
22:20Ele falou que uma coisa muito ruim tinha acontecido.
22:23Ele disse que tinha matado alguém acidentalmente.
22:37Ele e a pessoa que ele matou estavam conversando, fumando maconha e bebendo.
22:45E o meu irmão tinha comprado uma arma.
22:49Ele a pegou e mostrou para a pessoa como limpá-la.
22:52E ela disparou e amatou.
22:57Ai, meu Deus.
23:00Por favor, você tem que me ajudar.
23:02Eu tenho que fugir.
23:05Nessa hora, acreditei nele.
23:09O que você quer que eu faça?
23:11Vem me buscar.
23:13Eu preciso de umas coisas.
23:14Ele me pediu para trazer algumas coisas dele que estavam na casa, como roupas e sapatos.
23:27Ele pediu as botas de caminhada, um casaco e outras coisas.
23:31E disse...
23:33É, você tem...
23:36Você tem que comprar comida para mim.
23:38Eu preciso de pouca coisa só para uns dois dias.
23:42Tá bom.
23:43Tá bom.
23:43Eu cuido disso para você.
23:45Porque ele disse que é para as montanhas e eu pensei...
23:48Ai, meu Deus.
23:50Agora ele não é mais problema meu.
23:52Eu sei que parece horrível, mas eu estava tão...
23:56Tão psicologicamente destruída por isso.
24:00E emocionalmente abalada com tudo aquilo.
24:03Eu não podia lidar com aquilo.
24:06Apenas não conseguia.
24:07Eu não posso ser preso, por favor.
24:09Você é minha irmã.
24:10Tem que me ajudar.
24:12Eu vou fazer suas malas.
24:13Não sai daí que vai ficar tudo bem.
24:18Eu sempre cuidei do meu irmão e ele sempre cuidou de mim.
24:24Eu te amo.
24:26Também te amo.
24:37Então eu fui buscá-lo e comprei comida para ele.
24:45Eu o deixei perto das montanhas.
24:47E a gente combinou que eu traria mais comida para ele no dia seguinte.
24:57Acho que está tudo certo.
25:00Você vai voltar amanhã?
25:03Vou.
25:03Vou trazer mais comida amanhã.
25:06Tá bom.
25:06Você não contou para ninguém, né?
25:10Não, ninguém sabe que estou aqui.
25:13Tá bom.
25:14Legal.
25:15Você vai ficar bem?
25:18É, eu vou sim.
25:21Tchau.
25:23E quando eu virei...
25:26Para voltar para o meu carro...
25:29Eu ouvi...
25:31Eu ouvi engatilhar a água.
25:36Você não contou para ninguém, né?
25:52Você não contou para ninguém, né?
25:55Não, ninguém sabe o que eu vou aqui.
25:57Não, ninguém sabe o que eu vou aqui.
25:58Tá bom.
25:59Legal.
26:02Já perguntei a ele várias vezes sobre isso.
26:05E ele jura que tinha pisado num graveto.
26:08Mas eu sei que ele engatilhou a arma.
26:21Eu sei, eu sei, eu sei...
26:25Eu sei muito bem o que eu ouvi.
26:33Então, eu pensei...
26:34Eu preciso sair daqui.
26:35Eu preciso sair daqui agora mesmo.
26:38Eu preciso escapar.
26:40E...
26:40Eu fiquei simplesmente morta de medo.
26:43Porque, afinal, ele tinha confessado um homicídio supostamente acidental.
26:53Mas tinha se arrependido de me contar.
26:57E não queria que ninguém o entregasse.
27:00Então, eu tinha que fazer ele acreditar...
27:04Que eu estava totalmente do lado dele, 100%, sem nenhuma dúvida.
27:09E eu só tinha que dar o fora dali.
27:12Foi aí que eu soube o que tinha que fazer.
27:17Abre essa porta!
27:20Se os meus filhos chegarem em casa e virem você morto...
27:23O que eles vão pensar?
27:25O quê?
27:28Eu preciso voltar e ficar com as crianças.
27:31Elas não sabem que eu saí.
27:35Tive que deixar muito claro pra ele...
27:37Que precisava voltar pelos meus filhos.
27:39Mas que eu ia voltar.
27:40E eu disse...
27:43Richard...
27:44Eu vou voltar com comida.
27:46Eu preciso chegar em casa antes que as crianças voltem da escola.
27:52Tá bom, mana.
27:53Eu te amo.
27:54E eu escapei.
27:55Bom, a notícia no jornal.
28:24Eu...
28:25Sabe...
28:25Dizia que eles achavam...
28:28Que a polícia acreditava que foi suicídio.
28:31Mas eu ainda acreditava que tinha sido um disparo ocidental.
28:36Porque foi o que meu irmão me disse.
28:38Que foi um acidente.
28:41Sabe...
28:41Eu não pude deixar que alguém da família do morto achasse que ele cometeu suicídio.
28:48E que eles podiam ter feito alguma coisa.
28:51Podiam tê-lo ajudado.
28:52Essa família ia ficar pensando...
28:59Por que não falamos com ele?
29:02Por que ele não disse nada?
29:04O que a gente podia ter feito?
29:06Aquela família iria sofrer.
29:09Eu não podia permitir que ela passasse por isso.
29:12Eu não podia deixar alguém pensar...
29:14Que o seu filho tinha se matado.
29:17Eu não seria capaz.
29:18Tive medo de mudar de ideia e não fazer a denúncia.
29:30Então eu tinha que fazer naquele momento...
29:33Enquanto ainda tinha coragem e ponto final.
29:36E foi o que fiz.
29:37Departamento de Polícia de Aurora.
29:54Oi, alô.
29:57Bom, eu estou ligando sobre o suicídio do jornal.
30:01Eu liguei para a Polícia de Aurora e disse que tinha lido um artigo no jornal sobre uma certa pessoa.
30:14Eu disse...
30:14Eles falaram que essa pessoa cometeu suicídio, mas eu não acho que foi suicídio.
30:22Eu tenho informações de que foi um disparo acidental.
30:25O meu...
30:28O meu irmão disse que foi ele.
30:32Ele disse que foi sem querer, que foi um acidente.
30:37Eu não sabia se era verdade ou se não era.
30:41Mas eu tinha que dizer a mim mesma que era.
30:44Para que não me sentisse como...
30:47Se o estivesse traindo naquela hora.
30:55Se ele matasse outra pessoa.
30:58Ou...
30:59Alguém o matasse.
31:02Eu sentiria...
31:04Muito mais culpa do que já sinto.
31:06Oh, obrigado.
31:25Você tem o direito de permanecer?
31:31Você entende isso?
31:34I do agree.
31:36Anything you say, Ken, will be used against you in court of law?
31:38I understand that, too.
31:46Why are you just telling us that?
31:50There was an accident.
31:54We were just sitting there, and we were cleaning our guns.
31:57So we were just f***ing out.
32:00And my gun went off.
32:01One minute we're sitting there talking, laughing.
32:06And then we're making it at least, got a hole in the bin.
32:19I am a killer.
32:21I have killed three other people.
32:31Who's the three other people?
32:34F***.
32:36I'm going to cancel on those people.
32:38You know what?
32:38And they're at the lowest point in their life.
32:41And what am I doing on that?
32:42F***.
32:43F***.
32:43You know what I'm telling you?
32:53Yeah.
32:54I throw the f***ing holes, man.
32:56I'm going to cancel on those people.
33:08Ninguém acreditou nele.
33:10Tudo não passava de papo furado.
33:13Ele conta umas histórias e elas são horríveis.
33:16Quando soube que ele confessou, na hora eu achei que ele ia fazer todo mundo procurar à toa.
33:24Achei mesmo.
33:25Pensei que continuava inventando.
33:28E aí eu pensei que policiais idiotas, por que eles iam procurar por uma coisa que não estava lá?
33:36This man, Richard Paul White, is now a suspected serial killer.
33:55Tonight, police around the state are looking for victims White has confessed to killing.
33:59Todos que conheciam meu irmão diziam que ele vivia inventando histórias, sabe?
34:07E eu achava que ele era só um mentiroso compulsivo.
34:11Se você sai e mata alguém, você vai contar para todo mundo o que encontra?
34:17Provavelmente não.
34:19E foi o que ele fez.
34:21Então eu não acreditei nem por um segundo.
34:25Não tinha por que acreditar.
34:27Até o momento em que vi no jornal.
34:32Aí eu soube.
34:35Em Denver, os policiais ainda estão em uma cena em que encontram dois corpos.
34:39Em outro lugar, uma pequena cidade de La Junta, Colorado.
34:43White diz que ele derrubou duas pessoas em um rio.
34:46E a polícia está investigando um terceiro lugar.
34:48Masita, Colorado.
34:49Richard Paul...
34:50Eu fiquei parada lá.
34:52Aquilo nunca tinha acontecido comigo.
34:54As minhas pernas ficaram pambas.
34:58Eu não conseguia me mexer.
35:01E depois de alguns minutos, sem acreditar, em estado de choque, eu percebi que o telefone estava tocando.
35:11E eu...
35:12Atendi o telefone e disse...
35:15Que foi?
35:16Era um detetive.
35:18E ele disse...
35:19Daniel, antes que você saiba de outro jeito...
35:22E eu disse...
35:22Eu já sei.
35:23E comecei a gritar com ele.
35:26Eu disse...
35:26Acabei de ver na TV.
35:27Vocês acharam um corpo?
35:29E o detetive disse...
35:30Não, para falar a verdade, já achamos dois.
35:32E desliguei na cara dele.
35:37Ai, meu Deus.
35:52Eu não conseguia acreditar no que tinha visto.
35:55Eu não conseguia acreditar.
35:58E...
35:58Pode parecer bobagem...
36:01Mas durante meses...
36:03E meses...
36:03Eu andei por aí...
36:05Pedindo para Deus me acordar, sabe?
36:08Porque eu sabia que era só um pesadelo.
36:10Nada daquilo era verdade.
36:12Não...
36:12Não podia ser verdade.
36:15E...
36:16Eu...
36:17Não conseguia acordar.
36:24Então...
36:24Não, não...
36:50Não!
36:51Não!
36:54A única coisa que todas as mulheres que ele atacou tinham em comum...
37:04Era o fato de serem prostitutas.
37:06Vamos ver.
37:07A primeira mulher.
37:09Dark skin.
37:10O método que ele usou para cometer os crimes era bem constante.
37:15Ele pegava as prostitutas e as levava para a casa dele.
37:22Depois que elas entravam na casa, ele as dominava antes de atacar.
37:26Ou ele as deixava inconscientes, ou apontava uma arma para elas.
37:31Ele as obrigava várias vezes a ter relações orais e vaginais.
37:41Ele parava...
37:41Só quando precisava descansar.
37:45E as obrigava a pedir perdão por serem mulheres promíscuas.
37:49E então ele recomeçava a estuprar aquelas mulheres.
38:04E isso continuava por um bom tempo, às vezes por mais de 24 horas.
38:08É bem possível que ele tenha cometido outros homicídios além dessas três mulheres.
38:20Nós conseguimos achar várias mulheres que foram sexualmente agredidas por ele,
38:26mas ou conseguiram escapar ou foram libertadas.
38:31Eu tenho certeza de que se ele continuasse solto, ele iria matar mais gente.
38:53Ele é mau.
39:01Muita gente que eu conheço ficou com raiva de mim por eu ter contado onde ele estava.
39:15Tem uns parentes meus que ficaram furiosos comigo e não falavam comigo.
39:20Alguns não falam até hoje.
39:22E as consequências disso foram ainda mais difíceis.
39:27E não do jeito que as pessoas pensam.
39:31Não foi porque ele foi preso.
39:37Isso foi difícil.
39:39Mas a parte mais difícil foi todo o sofrimento que isso causou a todas aquelas famílias.
39:46Muitas das mulheres que foram mortas, as famílias não comunicaram desaparecimento.
39:53Agora elas sabiam que aquela pessoa não ia mais voltar.
39:57Isso foi muito difícil para mim.
39:59E só de pensar na dor que essas pessoas sentiram foi difícil.
40:06E ainda é, e eu fico muito triste por elas.
40:09Muitas pessoas.
40:12Muitas pessoas.
40:12Richard Paul White
40:17walks out of the courtroom
40:18moments after he pleads guilty
40:20to two counts of murder
40:21and three counts of sexual assault
40:23The result of this plea bargain
40:30is that Richard White
40:31will spend the rest of his life
40:33in prison without parole
40:34and there will not be a trial
40:36I became arrasada
40:41I started to drink
40:42a lot
40:43just to forget
40:46and not think
40:47I had to get away
40:52from the reality
40:55for a while
40:56many times
41:01I felt
41:02that I was just surviving
41:05enfrentando um dia
41:06de cada vez
41:07depois eu decidi
41:09me mudar
41:11para uma cidade
41:12a três horas e meia
41:13de distância
41:14tive que recomeçar
41:19em um lugar
41:20onde ninguém me conhecia
41:21com o passar dos anos
41:25às vezes é um pouco
41:26mais fácil
41:27mas outras vezes
41:30não dá
41:30eu não consigo
41:31não consigo enfrentar
41:35muitas vezes
41:36mas outras consigo
41:38uma vez meu irmão
41:51disse pra mim
41:52eu só contei pra você
41:54porque eu sabia
41:55que você ia fazer
41:55a coisa certa
41:56e me impediria
41:57eu já matei
41:59uma pessoa
42:00eu acho que
42:03o meu irmão
42:04implorava
42:04pra alguém
42:05ajudá-lo
42:06a parar
42:06e eu acho
42:09que ele contava
42:09pra todo mundo
42:10o que ele fez
42:11pra que alguém
42:12o fizesse parar
42:13e
42:15ninguém fez
42:16eu não sei
42:22me pergunto
42:23o que eu poderia
42:23ter feito
42:24porque eu não
42:25acreditei
42:26porque eu não
42:26percebi
42:27era óbvio
42:28porque eu não
42:30percebi
42:31e continuo
42:36me perguntando
42:37se eu poderia
42:39ter feito
42:40alguma coisa
42:40se eu tivesse
42:41acreditado nele
42:42quem sabe
42:43uma daquelas
42:45pessoas não
42:45seria morta
42:46ou talvez duas
42:47mas eu
42:48eu não sei
42:50e eu vou
42:51viver com essa
42:52culpa pra sempre
42:53versão brasileira
42:59voxmund
43:00
43:02
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