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No Dia Dia Rural desta segunda-feira (29), o jornalista Otávio Céschi Júnior entrevista no Conversa Franca, a diretora de relações institucionais da ANPII Bio, Julia Emanuela de Souza.
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NotíciasTranscrição
00:00Bem, hoje com a diretora de Relações Institucionais da AmpBio, a Júlia Emanuela de Souza,
00:09para a gente falar um pouquinho sobre bioinsumos, mais especificamente a regulamentação.
00:15Bom dia, Júlia.
00:17Bom dia, Tavinho. Bom dia a todos.
00:20Prazer em falar com você para a gente falar um pouquinho dos bioinsumos.
00:23O Brasil é o grande país dos bioinsumos, onde a utilização de bioinsumos cresce em números que arregalaram os olhos
00:32e já é seguido no exemplo e nas técnicas também por alguns países do mundo.
00:40Nós somos um exemplo na utilização dos bioinsumos.
00:43E a lei foi promulgada em dezembro do ano passado, é isso, a regulamentação.
00:50O que faz a sua associação?
00:53Oi, Tavinho. Bom, a lei veio no final do ano passado como um presente de Natal para a gente.
01:02Ela veio exatamente no dia 24 de dezembro, sendo aprovada, definitivamente mudando todo o cenário futuro do setor de bioinsumos no Brasil.
01:14A AmpBio é uma associação bem antiga do setor.
01:17Ela foi a primeira associação que acreditou no bioinsumos lá em 1990, junto com a pesquisa,
01:23quando ainda ninguém acreditava nessa possibilidade de usar micro-organismos para fazer a agricultura brasileira ser mais sustentável e mais produtiva.
01:32E desde então a AmpBio vem com esse compromisso de aproximar a ciência, da indústria, do desenvolvimento industrial, da regulamentação,
01:41porque não tem como o setor se desenvolver, não tem como a regulamentação ser criada, se não houver uma base científica muito forte.
01:48Então essa é a base da Amp, desde o início da sua criação, e a gente vem trabalhando com empresas muito fortes do setor.
01:55São empresas extremamente comprometidas, empresas inovadoras, e elas surgem desde startups até empresas multinacionais,
02:03todas focadas no setor de bioinsumos, seja bioinsumos bioestimulantes, biofertilizantes, inoculantes, controle biológico de pragas, enfim.
02:12Aqui a gente trabalha com todo o universo do biológico, pensando no futuro desenvolvimento desse setor.
02:17Eu vou te fazer uma pergunta, você pode achar um absurdo, mas ela tem fundamento.
02:22Ainda existe gente contra a lei?
02:25Porque no período de elaboração da lei, muita gente achava que estava se formando um cartório,
02:32que as empresas queriam, na verdade, ter um monopólio na produção,
02:36e muitos se davam ao direito de querer produzir por conta própria os bioinsumos.
02:43Aí nós estamos mexendo com seres vivos, nós estamos mexendo com, é preciso uma normatização.
02:49Aí a lei, ela favorece que você possa produzir também na própria propriedade,
02:54além das empresas que produzem e vendem os produtos.
02:59Então, a lei procurou contentar a todos.
03:01Por isso que eu te pergunto, ainda tem gente que é contra a regulamentação?
03:05Porque eu, na minha opinião, acho que precisa de uma regulamentação.
03:08Eu acho que tudo precisa de uma regulamentação, senão o sujeito sai dirigindo aí para a rua na contramão.
03:14De vez em quando sai, né?
03:15Hoje mesmo peguei um aí, quase pegou eu e mais três.
03:19Mas isso aí é loucura.
03:21Então, tem que ter uma regulamentação.
03:23Como é que está a situação nesse momento, desse grupo que era contra a regulamentação?
03:28Bom, a lei, ela foi a primeira porta, né?
03:33Para a regulamentação dos bioinsumos.
03:35Então, a gente tem algumas previsões que atuam em relação à produção no farm,
03:39que é essa produção que você comentou, na fazenda.
03:42E alguns artigos, né?
03:43Outros que falam sobre a produção industrial desses produtos.
03:47E, enfim, os bioinsumos, eles são eficazes, eles são eficientes,
03:51eles são utilizados na produção agrícola há muitos anos, né?
03:54E o fato do produtor rural ter a intenção de produzir na sua propriedade
03:59é uma comprovação da eficácia desses produtos que são produzidos há muito tempo
04:03por indústrias muito caprichosas e muito bem preparadas para essa produção.
04:09Então, a gente já sabe que são produções coexistentes, né?
04:13A indústria vai produzir, o produtor on-farm vai poder,
04:16as populações tradicionais, elas já fazem também as suas comunidades de micro-organismo,
04:21a produção orgânica.
04:22Então, assim, toda essa relação, ela já existe há muito tempo, né?
04:27Então, o produtor rural, ele tem, sim, o direito de produzir seu próprio bioinsumo.
04:32Mas é muito importante, como você mesmo comentou, Tavinho,
04:35a gente pensar que são micro-organismos.
04:38E a gente está trabalhando num meio de cultura,
04:40num ambiente perfeito para qualquer micro-organismo se multiplicar.
04:44Então, a gente precisa ter muito cuidado,
04:46numa palavra-chave do setor de bioinsumos, controle de qualidade.
04:50Controle de qualidade, controle dos processos.
04:53Isso daí estabelece o sucesso da produção.
04:56Então, assim como a indústria é extremamente diligente, né?
04:59Tem um processo operacional padrão muito bem estabelecido para a produção de bioinsumos,
05:04o produtor rural, ele precisa também cuidar de certos controles
05:08que impeçam, principalmente, a contaminação por organismos patogênicos,
05:13por fitopatógenos que vão prejudicar a própria lavoura.
05:16Então, é importante ter um responsável técnico acompanhando essa produção.
05:20É importante haver o controle de qualidade de todo esse processo,
05:24porque só assim vai haver uma produção segura e uma eficácia máxima desses produtos.
05:30E tem um detalhe, né?
05:32Quem produz on-farm, ou seja, quem autoproduz o bioinsumo,
05:37ele só pode utilizar na propriedade dele, ele não pode comercializar, né?
05:42Exatamente.
05:43Isso é um ponto muito importante, porque traz isonomia para todo o processo, né?
05:47A indústria, ela tem um processo fabril adequado,
05:50ela tem todo um controle de qualidade,
05:51ela tem uma fiscalização rigorosa em cima dessa produção,
05:54e o produtor rural, ele pode produzir para uso próprio, né?
05:58Ele não pode comercializar, assim como as cooperativas, associações de produtores.
06:03Essas cooperativas e associações de produtores,
06:05elas visam viabilizar para o pequeno produtor
06:08que ele possa também ter o seu on-farm, né?
06:11O seu bioinsumo produzido on-farm.
06:13Mas eles também não podem comercializar.
06:15É uma produção que favoreça a produção on-farm,
06:18mas sem comercialização e sem a utilização de produtos comerciais
06:22para multiplicação, né?
06:24Então, o produto comercial, ele é protegido,
06:26ele não pode ser utilizado na multiplicação.
06:28O produtor rural, ele precisa ter rastreabilidade na sua produção.
06:32Então, ele só vai poder produzir a partir de inóculos de bioinsumo,
06:35que são produtos que vão ser produzidos pela própria indústria,
06:38ou a partir de bancos de germoplasma,
06:41que vão ser credenciados ao Ministério.
06:42Ou seja, eles vão ter autorização para produzir esse tipo de bioinsumo, né?
06:46De micro-organismo que vai ser utilizado pelo produtor.
06:48Existe também muita discussão e muita polêmica
06:51com relação à multifuncionalidade.
06:54Muitos defendem que um bioinsumo possa ser utilizado para muitas coisas.
07:00E outros defendem que não,
07:02que o uso tem que ser específico para uma determinada função.
07:06Como é que está essa questão também?
07:09A doutora Maria Angela Andria, uma grande referência no setor,
07:12ela tem uma frase muito típica,
07:14que ela fala que você não tem como mandar um micro-organismo
07:17fazer uma coisa ou fazer outra.
07:19Ele faz o que ele tem que fazer,
07:21ele faz o seu processo de vida ali,
07:24seu ciclo de vida,
07:25para ter a sua sobrevivência e a sua reprodução garantidas.
07:29Então, os micro-organismos,
07:31a gente vem percebendo que muitos deles,
07:33inclusive os mais utilizados atualmente no Brasil,
07:37eles têm mais de uma função.
07:38Eles controlam pragas,
07:39eles estimulam processos fisiológicos na planta,
07:42como resistência a ataques de pragas,
07:45resistência a seca,
07:46absorção de nutrientes.
07:48Então, assim, eles são multifuncionais por natureza
07:50e não tem o que a gente possa fazer para impedir.
07:52Pelo contrário,
07:53a gente pode aproveitar essa múltipla funcionalidade
07:56desses produtos em prol do setor
07:58e do desenvolvimento agrícola do Brasil.
08:01Então, é uma realidade,
08:03só que ela não tinha previsão legal.
08:05Tinha que passar por um processo muito complexo por um lado,
08:08um processo com menor complexidade do outro,
08:11e esses produtos tinham que ser registrados
08:13com muita burocracia,
08:15com muita complexidade.
08:18Com a previsão da lei,
08:19a gente consegue trazer uma previsibilidade desburocratizada.
08:24Então, um produto só,
08:25ele vai poder ser registrado com suas múltiplas funções,
08:28claro, comprovando isso,
08:30a empresa precisa comprovar a múltipla funcionalidade
08:33daquele micro-organismo,
08:34e ela vai poder ter um único registro
08:36e o produtor vai ter acesso a tecnologias super inovadoras,
08:39no qual ele só vai ler ali as informações técnicas
08:42e ele vai poder aplicar, pensando já em vários fatores de sucesso
08:46para a sua lavoura.
08:47E é importante lembrar também que as fontes de micro-organismos
08:52são as mais diversas possíveis,
08:55e o Brasil é muito rico por ser um país que tem seis biomas.
09:00A semana passada mesmo eu conversava com o CEO de uma empresa
09:04que produz bioinsumos,
09:06e eles buscam micro-organismos em Fernando de Noronha.
09:10E aí eu perguntei para ele, por quê?
09:13E ele falou, boa sua pergunta.
09:16Ele explicou mais ou menos assim, em rápidas palavras,
09:19é porque lá é uma área protegida e uma área isolada,
09:21então existem micro-organismos que estão lá,
09:24restritos naquela região,
09:25e que em outras regiões podem ter tido desaparecido já.
09:29Ele falou, mas a gente não pesquisa só lá,
09:31a gente acabou mesmo de voltar do Pará,
09:34que aí já é o bioma amazônico,
09:36onde a gente foi pesquisar outros micro-organismos.
09:39Então, aí sim entra uma multiplicidade de fontes.
09:43Exato, a nossa biodiversidade é impressionante.
09:50Assim como os exemplos que você citou,
09:52a gente tem também o doutor Adailson,
09:55também identificando micro-organismos,
09:58isolando micro-organismos na caatinga.
10:01Então, qualquer ambiente brasileiro é possível
10:04de a gente encontrar grandes soluções biológicas
10:06para a gente produzir com qualidade e sustentabilidade.
10:11Bom, então, eu queria que você, para terminar,
10:14me falasse um pouquinho do mercado,
10:16alguns números do mercado de bioinsumos,
10:19porque eu, genericamente, na nossa abertura,
10:21já disse da importância do nosso Brasil
10:23e da utilização cada vez maior de bioinsumos,
10:26servindo, inclusive, como exemplo para outros países
10:29que também têm a sua agricultura,
10:33a sua produção no campo.
10:34Como é que são os números?
10:35Eles são sempre crescentes na utilização.
10:37São números sempre extraordinários,
10:42que mostram o desenvolvimento do setor.
10:46E é no mundo todo,
10:47mas realmente o destaque é para o Brasil,
10:50que hoje em dia movimenta 5,7 bilhões de reais,
10:54praticamente 1 bilhão de dólares já no mercado.
10:59E tem uma previsão de crescimento também estrondosa
11:03de 60% até 2050.
11:05Então, a gente espera inovação,
11:08que é o foco das nossas indústrias.
11:11A gente espera soluções integradas,
11:14porque ninguém pensa que em substituição imediata
11:16de produtos químicos ou de outras tecnologias.
11:19Aqui a gente está pensando no melhor cenário possível
11:22do sistema de produção.
11:24Então, são todas as tecnologias integradas.
11:26A gente usa pesticida,
11:27a gente usa sementes geneticamente melhoradas,
11:33a gente usa bensumos,
11:34a gente utiliza todas as tecnologias em conjunto.
11:37E assim a gente vê o setor se desenvolvendo
11:40com bastante autoridade.
11:43E aí a gente vê também números como esse,
11:47que com certeza a nova regulamentação
11:49visa promover ainda números mais interessantes para o setor.
11:53E é interessante, porque você pode produzir,
11:57você pode combater pragas e doenças de diversas formas.
12:01Eu me lembro que uma vez eu estava em uma empresa
12:03que produz, tradicional já,
12:06que produz defensivos agrícolas,
12:08estava fazendo um workshop, um media training.
12:11E aí, uma das questões que eu coloquei foi,
12:15mas escuta, vocês sempre foram uma tradicional indústria química,
12:19sempre produziram produtos químicos
12:21para combate de pragas e doenças.
12:23E agora vocês entram nos bioinsumos,
12:25significa que vocês vão largar a produção dos químicos?
12:29Aí o senhor me responde, não, não, não.
12:33A gente, é uma nova ponta que a gente está puxando,
12:36porque existem três formas de você combater.
12:38Ou você combate com os químicos,
12:40ou você combate com o bioinsumo,
12:42ou você combate com o híbrido dos dois,
12:45um pouco de cada.
12:46E aí vai, cada caso é um caso,
12:48ele quis dizer mais ou menos isso,
12:49cada caso é um caso, cada solução é uma solução.
12:52Então, é isso.
12:53Porque o químico, o pesticida,
12:55é bem utilizado e utilizado de forma correta,
12:59é corretíssimo, não faz mal para ninguém.
13:02É como a gente, se a gente tomar o remédio,
13:04quando a gente está com um problema
13:06dentro do que foi sugerido pelo médico na receita,
13:09perfeito.
13:10Agora, se você, por conta,
13:11for lá e começar a tomar remédio,
13:13a torto e direito, sem consultar nada,
13:16pode ter certeza que você vai ter algum problema.
13:18Mais ou menos nessa comparação, né, Júlia?
13:22Exatamente.
13:22Essa é a perfeita analogia, né,
13:24que a gente consegue mostrar para a população urbana,
13:26que não lida diariamente, né,
13:28com o controle de pragas no campo,
13:30como que a gente consegue controlar isso, né?
13:33Aquilo ali, a produção agrícola,
13:35é o ganha-pão,
13:35é a vida do produtor rural e da família dele, né?
13:38Então, ele não pode correr o risco
13:40de um inseto atacar tudo.
13:41Aqui na nossa casa, a gente controla as formigas,
13:44a gente controla as baratas,
13:45a gente não quer que eles ataquem nossos alimentos, né?
13:48Nem a saúde das pessoas,
13:50nem a saúde dos animais.
13:51Então, é a mesma ideia, né?
13:53Quando a gente tem uma produção agrícola,
13:54ela precisa também de controle dessas pragas.
13:56E aí, tem uma rede muito grande de possibilidades
14:00que o produtor pode lançar a mão, né?
14:02E os Binsons é a mais nova, né?
14:06E ela traz essa sustentabilidade no seu colo.
14:10É, porque, só para fechar o raciocínio aqui,
14:13não é porque é bioinsumo que você vai produzir
14:15de qualquer forma ou vai usar de qualquer jeito,
14:18porque se você está combatendo praga e doença,
14:22você pode errar na dose,
14:23e a dose também pode fazer mal.
14:25Não é porque é natural que não vai fazer mal.
14:29Como é que diz aquele ditado, ô Júlia?
14:32Demais até a água faz mal, né?
14:35Exatamente.
14:36Brincadeira à parte, brincadeira à parte.
14:38Júlia, muito obrigado aqui pela participação
14:40e deixa um endereço de internet de vocês
14:43para quem quiser saber mais sobre esse mercado fantástico
14:46que é o mercado da produção de bioinsumos,
14:49agora regulamentado.
14:52Agora regulamentado, com uma legislação específica
14:54e adequada para esse setor,
14:56para ele se desenvolver ao seu máximo potencial,
14:58inclusive com incentivos fiscais e tributários,
15:02tanto para o produtor rural,
15:04quanto para a indústria que vai desenvolver.
15:06Então, muito obrigada, Tavinho.
15:08Foi um super prazer estar aqui com você hoje,
15:10com o público.
15:11Agradeço o tempo de vocês.
15:13E o nosso site é ampbio.org.br.
15:16Amp com dois is.
15:17Ok.
15:18Obrigada.
15:18Nós é que agradecemos.
15:20Obrigado e até breve.
15:21Tchau.
15:22Até mais.
15:23Tchau.
15:24Tchau.
15:25Tchau.