- há 4 meses
Bruxelas, meu amor? Pode a Europa resistir a crescente polarização?
Nesta edição, vamos falar sobre as forças políticas radicais que estão a ganhar terreno na UE enquanto o centro perde força, a neutralidade climática até 2050 e a medida de vários países europeus, entre eles Portugal, que reconheceram oficialmente o Estado da Palestina.
LEIA MAIS : http://pt.euronews.com/2025/09/27/bruxelas-meu-amor-pode-a-europa-resistir-a-crescente-polarizacao
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Nesta edição, vamos falar sobre as forças políticas radicais que estão a ganhar terreno na UE enquanto o centro perde força, a neutralidade climática até 2050 e a medida de vários países europeus, entre eles Portugal, que reconheceram oficialmente o Estado da Palestina.
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00:00Olá e sejam bem-vindos ao Bruxelas Meu Amor, o programa da Euronews que lhe traz todas as semanas,
00:17em português, as notícias e os debates que marcam a atualidade europeia.
00:21Eu sou Mariana Correia e estes são os destaques da semana.
00:24Do outro lado do Atlântico, o presidente norte-americano Donald Trump tem endurecido o tom contra todos os que o criticam,
00:32desde funcionários públicos, comunicação social, meio académico, todos com atenção a subir ainda mais
00:38após o assassinato do influencer e ativista conservador Charlie Kirk.
00:42Mas também na Europa o debate público está a ganhar contornos mais agressivos,
00:47as forças políticas radicais estão a ganhar terreno enquanto o centro perde força.
00:51Pode a Europa resistir a esta crescente polarização?
00:55E ainda, a política climática europeia está em crise entre os ministros do Ambiente da UE,
01:01o consenso sobre as metas para 2035 e 2040 parece neste momento impossível de alcançar,
01:08assim como os objetivos definidos pelas Nações Unidas que correm o risco de não serem cumpridos.
01:13Isto significa que a União Europeia poderá ir para a próxima Conferência do Clima no Brasil de mãos vazias.
01:20Com tanto em jogo para a reputação da UE e para o planeta,
01:23perguntamos-nos se a neutralidade carbónica até 2050 não será apenas um sonho impossível.
01:29Damos agora as boas-vindas aos nossos convidados de hoje.
01:32Começamos com Catarina Martins, eurodeputada do Poco de Esquerda, seja bem-vinda.
01:36Muito obrigada.
01:36O panorama político europeu está a sofrer uma remodelação e não se vislumbra o fim deste processo.
02:00Ao longo da última década, novos partidos populistas, tanto de esquerda como de dereita,
02:10ganharam destaque em todo o continente.
02:12Os movimentos populistas apresentasse como a voz do povo, contra as elites egoístas,
02:21encuadrando a sua política em termos de nos contra eles.
02:28E a democracia apreto e branco, culpando constantemente os outros por tudo o que corre mal na sociedade.
02:34Isto criou novas tensões sociais e políticas, exacerbando a pola guisazao,
02:45miñando as normas democráticas e adotando un discurso político agresivo
02:49que procura eliminar visões do mundo diferentes.
02:55Qual será o resultado final?
02:57Estará Europa sucumbir às gregas culturais e à violência política tal como os Estados Unidos?
03:04A polarização política e social tornou-se um dos maiores desafios para a sociedade europeia,
03:10com o desenho do espaço político a mudar rapidamente.
03:13Marta, vamos começar por si.
03:14Na sua opinião, quais são os fatores que estão por detrás disto?
03:17Bom, é difícil identificar apenas um fator.
03:21Há vários fatores, diria eu.
03:24Naturalmente que a questão das desigualdades é um dos aspectos que justifica que depois a sociedade
03:32e os movimentos políticos extremem posições, porque já vêm de um terreno social onde há grandes assimetrias.
03:43Mas depois, naturalmente que também os líderes políticos podem explorar ou não essas desigualdades,
03:51no sentido de as transformar em apetite para a discussão política e de as galvanizar em lugar de as resolver.
03:57E a própria comunicação social também tem aqui um papel na construção destas desigualdades,
04:05ou seja, este discurso de facção, mais do que um discurso de diferenças,
04:10que pode ser um debate construtivo, é aquilo que está na origem destas circunstâncias.
04:16Mas podemos dizer que os partidos do centro têm que assumir as responsabilidades pelo afastamento dos cidadãos?
04:21Todos os partidos políticos têm responsabilidade na relação que têm com os cidadãos.
04:27Não parece que seja uma questão que se possa destacar.
04:29Mas foram os que estiveram na governação nos últimos tempos.
04:31Sim, mas a responsabilidade da polarização, não sei se é de quem esteve na governação,
04:36se é destas circunstâncias mais vastas que percorrem toda a sociedade
04:41e que muitas vezes têm a ver depois com questões que não têm a ver com governação,
04:47têm a ver com questões que se transformam em pretextos,
04:50etnias, origens geográficas, línguas diferentes, religiões diferentes.
04:58É muito mais complexo, penso eu, do que apenas uma questão de divergências ideológicas.
05:04Catarina, concorda com isto?
05:05Concordo em parte.
05:07Queria acrescentar outra camada de análise, digamos assim, sem discordar para cima da mesa.
05:12Que é, eu há tempos reunia com um representante de povos indígenas da América do Sul
05:19que me dizia à certa altura, porque o governo dele até estava a proteger os seus direitos,
05:24o problema é que o poder político manda muito pouco.
05:27Ou seja, o poder económico manda muito e decide muito.
05:30E ainda que haja leis que aparentemente protegem determinados direitos,
05:34o poder económico arrasa esses direitos.
05:36Eu acho que nós temos que compreender que neste momento, na Europa,
05:40com a concentração do capital que existe, a sua internacionalização,
05:45os grandes gigantes, que na verdade têm a maior parte da riqueza que é gerida,
05:50o poder político manda cada vez menos e há uma enorme desigualdade económica.
05:55Ou seja, nós temos das elites globais, nem sequer estou a falar europeia,
05:59das elites globais mais ricas de sempre.
06:01Não é mais ricas do mundo, é mais ricas de todos os tempos.
06:04Nunca houve uma concentração de riqueza tão grande.
06:06E ao mesmo tempo, quem vive do seu salário, da sua pensão,
06:10sente que vive cada vez pior, e é verdade, com os preços desde o supermercado,
06:14a habitação a subir, isto é uma crise em toda a Europa,
06:17e não vê perspetivas de futuro.
06:19Porque não está a ver como é que consegue equilibrar este jogo
06:22que ficou tão desequilibrado com estes multimilionários,
06:25este punhado de multimilionários, cada vez mais ricos,
06:27à medida que quem trabalha vê cada vez menos da sua riqueza.
06:30E aqui eu acho que vem daqui uma polarização,
06:35que é um ressentimento contra um sistema económico
06:38que deixa as pessoas na mão,
06:40e acho que está a ser utilizado pela extrema-direita
06:43para não pôr do sistema económico em questão,
06:46nunca, porque protege esse sistema económico.
06:48Não é por acaso que a extrema-direita é altamente financiada
06:51por quem mais ganha com esse sistema económico.
06:54Na verdade, a extrema-direita arranja inimigos para esta polarização.
06:57E, portanto, tendo a dizer que o problema não é um sistema económico
07:01de enorme desigualdade, o problema é a pessoa que emigrou.
07:04Ou o problema é uma questão de as mulheres terem mais direitos.
07:08Ou seja, estão sempre a inventar um inimigo
07:10para que nunca tenhamos o debate que temos de ter mesmo,
07:13que é sobre o sistema económico,
07:14e sobre como é que a democracia,
07:16que é o poder político da soberania popular,
07:18do poder do povo,
07:20pode reganhar espaço,
07:22reganhar poder,
07:23e, com isso, oferecer soluções de futuro
07:25que as pessoas possam ansiar,
07:27que querem fazer parte.
07:28Henrique,
07:30nesta questão da polarização,
07:31em 2008,
07:32nós tivemos,
07:33vimos a esquerda,
07:35a extrema-esquerda em alta,
07:36depois da crise financeira,
07:38e que depois deu lugar à direita nacionalista,
07:40devido aos problemas da imigração
07:42e também da segurança.
07:44Isto é cíclico?
07:46Ou vamos,
07:47ou isto dos extremos veio para ficar?
07:49Bom,
07:50é cíclico,
07:51na longa história da humanidade,
07:52é com certeza,
07:53mas para já,
07:54para já,
07:54diria que veio para ficar.
07:56Eu, enfim,
07:56concordo com muito do que foi aqui dito,
07:58não concordo com tudo,
07:58há algumas coisas que a Catarina disse
08:00que não concordo completamente,
08:02porque acho que há peças nesta análise,
08:03por exemplo,
08:04há aqui uma diferença,
08:05muitas vezes,
08:05entre a desigualdade
08:06e a percepção de desigualdade,
08:08ou seja,
08:09por exemplo,
08:09acontece-se muito
08:10em sociedades
08:11onde as classes mais baixas
08:12até melhoraram,
08:13mas as classes médias
08:14não melhoraram,
08:15e que veem as classes mais altas
08:16melhorar,
08:17e que têm uma percepção de perda
08:18que é relativa,
08:19em certos casos,
08:20ou seja,
08:20pode não haver uma perda objetiva,
08:23mas tem uma sensação
08:23de perda relativa,
08:24e isso conta
08:25para a percepção política,
08:26ponto um.
08:27Por outro lado,
08:28as pessoas,
08:28por mais sentimentos universais
08:30que tenham,
08:31quando veem a melhoria
08:32no resto do mundo,
08:33não se sentem particularmente
08:35felizes por isso,
08:36porque veem o impacto
08:37que isso teve do seu lado,
08:38ou seja,
08:38dizermos aqui,
08:39melhorou na Ásia
08:40a qualidade de vida
08:41nas últimas décadas,
08:42não resolve o problema
08:42de quem viva
08:43nos Estados Unidos
08:44ou quem viva na Europa.
08:45Portanto,
08:45há aqui peças,
08:46mas eu acho que podemos acrescentar
08:48para ir nesta lógica
08:49acrescentar outra peça.
08:50Eu acho que há aqui
08:50um fator que nós temos
08:52muitas vezes ignorado,
08:53que é,
08:54antes disso,
08:55é óbvio que há ressentimento
08:57e há partidos
08:57que estão a explorar
08:58o ressentimento,
08:58e a ideia é
08:59por onde eu puder ir,
09:00explorar o ressentimento
09:01e incentivar o ódio.
09:02Eu acho que este é
09:03o pano de fundo
09:03em que nós estamos.
09:04E há um livro ótimo
09:06que é o do Stefan Zweig,
09:07O Mundo de Ontem,
09:08que é ótimo para nos assustar
09:10em relação ao momento
09:11em que estamos,
09:11que é olhar para a Europa
09:12que era antes da Primeira
09:14e da Segunda Guerra Mundial
09:15e perceber como é tão fácil
09:17e tão rápido
09:17de cairmos
09:18no extremo e na guerra.
09:20Facilmente odiarmos o vizinho,
09:21facilmente odiarmos o estrangeiro,
09:23facilmente odiarmos alguém.
09:24Isso deve ser percebido
09:25porque às vezes parece
09:26que algumas das coisas
09:27que estão a passar
09:27são menos importantes
09:28e não são.
09:29É mesmo grave
09:30muito do que se está a passar.
09:31Agora,
09:32eu acho que há aqui
09:32várias peças.
09:33Uma das transformações principais,
09:35e nós às vezes esquecemos disso,
09:36mas é,
09:36se olharmos para o fim
09:39da Guerra Fria,
09:41entre as gerações
09:42que cresceram antes
09:42da Guerra Fria,
09:43com a ideia de que havia
09:44dois modelos alternativos
09:45e que o nosso tinha defeitos,
09:47mas era melhor do que o outro
09:48e, portanto,
09:49apesar de tudo,
09:50sabiam que este modelo
09:51com os seus defeitos
09:51era melhor do que o alternativo
09:53versus uma geração
09:54que cresce,
09:55já é muito grande,
09:55cresce pós-Guerra Fria
09:57que não tendo modelo alternativo,
09:58porque a China não aparece ainda
10:00como um modelo alternativo,
10:01a Rússia é uma ameaça,
10:02mas não é um modelo alternativo,
10:04perde razões para defender
10:05quase por oposição este modelo
10:08e, portanto,
10:08há uma insatisfação generalizada
10:10até com o lado boi,
10:11com o lado mau.
10:12Isto está a ser explorado,
10:14ou seja,
10:14se alguém tentar dizer
10:15há defeitos no modelo
10:16em que vivemos,
10:17mas atenção,
10:18a nossa esperança média de vida
10:19é melhor,
10:19mas atenção,
10:20nós comemos melhor,
10:21mas atenção,
10:22isto é pagado pelo não,
10:23mas estão a roubar
10:24os nossos empregos,
10:24mas eles estão a vir.
10:25E, portanto,
10:26há um espaço para o ódio
10:27e isso é preocupante.
10:29O que é que é preciso mudar
10:30no discurso dos partidos do centro
10:31para recuperar este respeito
10:33e confiança da sociedade civil?
10:35Eu diria,
10:35em todos os discursos
10:37das forças políticas,
10:40um discurso de regras,
10:44regras de moderação,
10:47regras de tolerância.
10:48Nós também acho que
10:49tornámos muito fácil
10:51ou acostumámos
10:53a que se possa dizer
10:54tudo a toda a gente
10:55e utilizando todas as expressões.
10:58Esse é um dos aspectos
11:00que me parece
11:00absolutamente nocivo
11:03para aquilo
11:04que é uma certa elevação
11:05da forma
11:06de construir soluções
11:08para todos,
11:09que é isso que é política.
11:11Quando nos permitimos dizer tudo,
11:13também ouvimos,
11:14muitas vezes,
11:16o mesmo tipo de discurso
11:18do outro lado.
11:19Portanto,
11:19essa é uma dimensão
11:20mais formal
11:21que eu acho que é essencial.
11:22A outra dimensão
11:23tem a ver,
11:25de facto,
11:25com a capacidade
11:27de responder
11:28a estas
11:29desigualdades
11:31sociais
11:33que tanto minam
11:35depois as outras camadas,
11:37porque permitem
11:38que os líderes políticos
11:39se aproveitem,
11:40que a comunicação social
11:41também explora
11:43essas fragilidades
11:44e, portanto,
11:44não há dúvida nenhuma
11:45que a grande resposta
11:46é resolver os problemas sociais.
11:48Mas isso,
11:49como dizia a Catarina,
11:50não estou de acordo,
11:51passa por uma escolha
11:51de outro modelo económico.
11:53Aliás,
11:54se calhar,
11:54a propósito de outros temas,
11:55também a escolha
11:56do modelo económico
11:57que está por trás
11:57de questões como
11:58o modelo verde
11:59ou não o modelo verde.
12:01Há muitas pontas,
12:02há muitas pontas.
12:03Há uma coisa
12:04que me parece
12:04extraordinariamente preocupante
12:06é que esta polarização política
12:08de facto depois
12:09entranha-se na sociedade
12:10e mina tudo.
12:12Aqui há uns tempos
12:13ali é um inquérito
12:14feito na Turquia
12:16e os turcos diziam
12:17que tinham
12:18grande relutância
12:19em que uma das suas filhas
12:21casasse com alguém
12:22que fosse do partido
12:22ou um dos seus filhos
12:25enfim,
12:26fizesse uma escolha
12:27por uma opção política
12:29que era diferente da sua.
12:31Isto mostra
12:31que de facto
12:32da política
12:33passamos para a sociedade
12:34outra vez.
12:34Nós vamos agora
12:36falar sobre o assassinato
12:37de Charlie Kirk,
12:38um amigo próximo
12:38de Donald Trump
12:39e conhecido ativista político.
12:41Tinha 31 anos,
12:42foi morto
12:43em plena luz do dia
12:44a 10 de setembro
12:45enquanto discursava
12:46na Universidade de Utah
12:47nos Estados Unidos.
12:48Catarina,
12:49o Parlamento Europeu
12:50atribui todos os anos
12:51o prémio Sakharov
12:53para a liberdade de pensamento.
12:54O que é que acha
12:55da indicação
12:55do nome de Kirk
12:56para este prémio?
12:58É uma provocação.
12:59Uma coisa é condenar
13:00sem absoluto
13:01o atentado
13:02e o assassinato.
13:04Deve ser condenado.
13:04Aliás,
13:06do meu ponto de vista
13:07é uma absoluta desgraça
13:09porque é a vitória
13:10do pensamento
13:11de Charlie Kirk.
13:12Ou seja,
13:13a vitória do pensamento
13:13da violência,
13:14de resolver
13:15a divergência política
13:18ou a divergência ideológica
13:19com a violência.
13:21Era isso
13:21que ele defendia.
13:23Foi vítima disso.
13:26Tem total condenação
13:28que aconteceu
13:29da minha parte.
13:30Acho, aliás,
13:30de muito mau gosto
13:31quem considera
13:33que há alguma espécie
13:33de justiça poética
13:35nisto tudo
13:35porque quando ganha
13:37o ódio
13:38e a violência
13:39é sempre só o ódio
13:40e a violência
13:41a ganharem.
13:41Portanto,
13:41é sempre uma desgraça
13:42para todos nós.
13:44Agora,
13:45convenhamos que o prémio
13:46é um prémio
13:46feito para distinguir
13:49pessoas que se destacaram
13:50ao longo da sua vida
13:51por lutarem
13:52pelos direitos humanos,
13:56por lutarem
13:56pelos direitos
13:57das outras pessoas,
13:58por lutarem
13:59por sociedades
14:00que levam
14:01toda a gente.
14:02Portanto,
14:03não tem nenhum sentido,
14:04ainda que se condenando
14:05naturalmente
14:06o assassinato,
14:07não tem nenhum sentido
14:08dar um prémio
14:09a alguém.
14:10Eu acho até que é insultoso
14:11para com a sua vida,
14:12se quiser.
14:13Eu não tenho...
14:15Eu acho
14:17que o que Charles Kirk
14:18defendia
14:19é abjeto.
14:20Mas o que ele defendia
14:21era o contrário
14:22daquilo que o prémio
14:23pretende distinguir.
14:26E ele tem direito
14:27a acreditar
14:27naquilo em que acreditava.
14:29E, portanto,
14:29este prémio
14:29é um absurdo
14:30de todos os pontos de vista.
14:32Sobretudo,
14:33será um absurdo
14:33para quem o quiser homenagear,
14:35digo eu.
14:36Henrique,
14:36de que forma
14:37é que o assassinato
14:37de Charles Kirk
14:38está a ter impacto
14:40aqui na União Europeia?
14:42Eu acho que nós
14:43temos alguma dificuldade
14:44em perceber esta discussão
14:45cá,
14:46para já,
14:46porque o nível
14:46de polarização
14:47na Europa
14:48é diferente.
14:49Dois,
14:49acho que percebemos
14:50isto que a Adriana Martins
14:51disse,
14:51me parece.
14:52Eu acho que sobre isto
14:52devia ser facilmente,
14:53isto devia ser
14:54facilmente,
14:54devia ser dos sistemas
14:55mais fáceis que há.
14:56Não se mata pessoas
14:57por aquilo que elas dizem,
14:58o da liberdade de expressão
14:59é a liberdade das pessoas
15:00poderem dizer coisas
15:01que nós achamos abjetas,
15:02se não for liberdade
15:03para dizer coisas
15:04que nós discordamos
15:04não serve de muito,
15:05se for para dizer coisas
15:06com as quais eu concordo
15:06não é necessário.
15:07Isto devia ser
15:08absolutamente elementar
15:09de destampos
15:09qualquer ação feita
15:11para impedir
15:13alguém de falar
15:13e isso não quer dizer
15:15que concordemos
15:16com o que a pessoa
15:16dizia,
15:17muito pelo contrário,
15:17é por isso que
15:18destampos,
15:19porque isso é que é importante.
15:20Mas isto devia ser o ponto.
15:21Eu penso que aqui,
15:22nós ainda por cima
15:22temos dificuldade
15:23noutra coisa.
15:24Os americanos
15:24são muito mais fundamentalistas
15:26do que nós
15:26e pelos vistos
15:27ainda há uma sobra disso
15:28na sociedade americana
15:29em relação à
15:30primeira amenda
15:31e à liberdade de expressão.
15:32O tema da liberdade de expressão
15:34é como o tema
15:34do prejúrio
15:35na vida pública.
15:37São dois temas
15:37que nos Estados Unidos
15:38têm um peso muito maior
15:39do que têm cá.
15:40E portanto,
15:41viu-se o que aconteceu,
15:42houve uma tentativa
15:43claríssima,
15:44não é suspeita,
15:45é evidente,
15:46a administração americana
15:47calar um comediante
15:48aproveitar a circunstância,
15:50não por causa
15:50do que ele disse
15:51o Charlie Kirk,
15:52mas para calá-lo.
15:53E isso teve como efeito
15:54uma reação...
15:54Porque ele não disse
15:55nada de ofensivo,
15:56porque às vezes
15:56as pessoas podem pensar...
15:57Exato,
15:57ele fez uma piada
15:58à reação do presidente,
15:59que aliás é uma coisa
16:00um bocadinho destrambelhada,
16:01porque lhe perguntam
16:01o que é que ele acha,
16:02como é que ele está
16:03pessoalmente depois
16:04da morte do Charlie Kirk,
16:05que ele começa a falar
16:06do salão de baile
16:07que está a construir.
16:08E é aí que ele faz o gosto.
16:09Mas ok,
16:10o próprio Kimmel depois
16:11quando voltou ao ar
16:12disse, se eu disse
16:13alguma coisa
16:13que pareceu ofensivo,
16:14peço desculpa.
16:15Mas o ponto é,
16:16a reação,
16:17e foi excepcional
16:18porque as grandes tecnológicas
16:20não se têm contido
16:21perante as ameaças
16:22do presidente,
16:22os grandes escritores
16:23de advogados
16:23não se têm contido
16:24perante a ameaça
16:25do presidente,
16:25muitas das universidades
16:26não se têm contido
16:27perante a ameaça
16:28do presidente
16:31portanto as empresas
16:32e aí o mercado a funcionar
16:33isto é,
16:34a Disney assustou-se
16:35com o mercado
16:35e com os consumidores
16:36e repensou a posição
16:38que tinha tomado.
16:39Nós cá não percebemos
16:40esta linguagem
16:41para nós não é muito óbvio
16:42porque isto não é muito comum.
16:43Agora, eu acho
16:44que nós estamos a ser
16:45agora, ainda à tua pergunta,
16:47nós cá estamos a ser
16:48afetados por outra via
16:49que é,
16:50nós não tínhamos memória,
16:51os americanos muitas vezes
16:52patrocinaram muita coisa
16:53na Europa,
16:54normalmente a favor
16:55dos partidos democráticos
16:56ou do grande centro,
16:57não necessariamente
16:58todos os partidos
16:59que estejam aqui,
16:59mas do grande centro,
17:01certamente.
17:02É inédito
17:02que a administração
17:04e empresas próximas
17:05e ativistas próximos
17:07da administração americana
17:08patrocinem
17:09o extremo,
17:10extrema direita
17:11e isso está a acontecer
17:11e essa é para mim
17:12a grande novidade
17:13na Europa,
17:14neste tema.
17:15Nós fomos ouvir
17:17outros especialistas
17:18que dizem que a polarização
17:19na Europa
17:20não chega nem de perto
17:22ao que vemos
17:23nos Estados Unidos,
17:24tal como já comentamos aqui
17:25e desta vez
17:26fomos ouvir
17:27o professor Camille Bernard
17:28da Universidade
17:29UFB
17:30em Bruxelas.
17:31A configuração
17:33institucional
17:33é completamente diferente.
17:35Por isso,
17:36nos nossos casos,
17:37a maioria dos países europeus
17:38são democracias
17:39mais orientadas
17:40para o consenso.
17:41A súa polarização
17:42é, em geral,
17:43menos intensa
17:44porque temos
17:44mais de dois partidos.
17:46Mas, mais importante,
17:47penso,
17:47que o tipo de polarização
17:48na Europa
17:49ainda não é tal moral
17:50ou tal identitário
17:51como nos Estados Unidos,
17:53porque aí temos
17:53o Partido Demócrata
17:54contra o Partido Republicano
17:56e todas as outras identidades
17:57com as quais as pessoas
17:58se identificam
17:59enquadram-se
18:00nestas linhas.
18:01Portanto,
18:02os Estados Unidos
18:02têm uma grande polarização.
18:04Nós contra eles
18:05é que, basicamente,
18:06ainda não vemos
18:07nessa extensão
18:07aqui na Europa.
18:09Marta,
18:10mesmo assim,
18:11a fragmentação
18:12aqui na Europa
18:13é bastante grande
18:14e diminui o espaço
18:15para consensos.
18:16O quão difícil
18:17é negociar
18:18neste momento
18:18no Parlamento Europeu?
18:21Bastante,
18:21embora não tenha
18:22termo de comparação
18:23porque o momento
18:24em que chega
18:24ao Parlamento Europeu
18:25é o momento
18:26em que estamos
18:27há um ano
18:27e, portanto,
18:28já é um Parlamento
18:29com as atuais configurações.
18:32Duas coisas.
18:33Em primeiro lugar,
18:34sim,
18:34penso que a sociedade
18:35americana
18:35é muito mais polarizada
18:36e incorpora
18:37a tal polarização
18:39religiosa,
18:40racial
18:41e também
18:41muito mais
18:42raízes históricas,
18:44digamos assim,
18:45mais complexas,
18:47mas
18:48a União Europeia
18:49está a avançar
18:50a passos rápidos
18:51para acompanhar
18:54alguns maus exemplos
18:55e este é um caso.
18:57É evidente
18:57que isto também
18:57se contagia
18:58ao Parlamento Europeu.
19:01Há um grande
19:02vírus
19:02chamado
19:04várias coisas,
19:06populismo,
19:06totalitarismo,
19:07autoritarismo
19:08e ele tem
19:10uma capacidade
19:11de crescimento
19:12que é exponencial,
19:13como nós aprendemos
19:14a propósito
19:15de outros vírus.
19:16Ou seja,
19:17determinado momento
19:18cresce abruptamente
19:19e nós estamos a viver
19:20uma fase dessas.
19:21Daí a dificuldade
19:22que temos
19:23em chegar a consenso.
19:25E que a Marta
19:26já disse,
19:27por exemplo,
19:27que o diálogo
19:28com a extrema-direita
19:28seria de surdos,
19:30que era melhor
19:30até estabelecer
19:31um cordão sanitário.
19:33Continua a pensar assim.
19:35A questão é
19:35como lidar
19:36com determinadas
19:37forças políticas
19:38e a resposta
19:41do cordão sanitário
19:42é uma das respostas
19:43possíveis.
19:44Não sabemos
19:45se funciona
19:45para sempre.
19:47Funciona
19:47no momento inicial.
19:48Evidente.
19:48Mas neste caso
19:51é pouco democrático,
19:52não é?
19:52Porque deixa de fora
19:53alguns eleitores.
19:53Não,
19:54não deixa de fora
19:54nenhum dos eleitores.
19:56Deixa de fora
19:57vozes que não querem
19:59participar na Constituição
20:00Europeia,
20:00por exemplo.
20:01É muito difícil
20:02discutir
20:03Constituição Europeia
20:04com quem diz
20:05que a Europa
20:05ou a União Europeia
20:06não deve existir.
20:06Vamos ser muito claros.
20:08Neste momento
20:08em que nós estamos
20:09aqui a falar,
20:10a extrema-direita
20:11apresentou,
20:12tem documentos claros
20:13a dizer que o caminho
20:13para a União Europeia
20:14é o fim da União Europeia,
20:16é o desmantelamento
20:16da União Europeia.
20:17Não é um aligeiramento.
20:18É um desmantelamento.
20:19Bom,
20:20como podemos entendermos
20:21com estas forças políticas
20:22para construir a União Europeia
20:23que foi isso
20:24que os cidadãos
20:24nos mandataram para fazer.
20:26Compreenderão tudo.
20:27E Henrique,
20:28temos alguma notícia,
20:30alguma boa notícia
20:31para nos manter
20:32otimistas
20:33no meio
20:34de tantos problemas?
20:36A vontade própria.
20:37A boa notícia
20:37tem que ser a vontade
20:38de fazer diferente,
20:39ou seja,
20:39de reagir.
20:39E aí eu acho
20:40que nós temos que ser
20:40um bocadinho proativos.
20:42Há uma coisa
20:43que apesar de tudo,
20:44não responsabilizando
20:45partido A ou B ou C,
20:46há uma coisa
20:47que me parece
20:47que era importante,
20:48que isto é lá para Alice,
20:50mas uma das coisas
20:51a fazer é governar bem.
20:52Ou seja,
20:52parece-me que um dos caminhos
20:53é governar bem
20:54para começar a resolver
20:55algumas coisas
20:55que as pessoas acham
20:56que não estão resolvidas.
20:57Porque há uma perceção
20:58em alguns casos
20:59fundamentada
21:00de que as pessoas
21:00tendem a ir viver pior
21:02ou não ir viver melhor
21:03como esperavam.
21:04portanto há algumas coisas
21:05que convém começar
21:05a resolver.
21:06Um.
21:06Dois,
21:07é preciso responder de frente.
21:08Às vezes é preciso enfrentar
21:09e ir de caras responder.
21:11Eu tenho dúvidas
21:11sobre quando é que é melhor
21:12o cordão,
21:13quando é que é melhor
21:14o deixar de fora,
21:15quando é que é melhor encostar,
21:16porque acho que há
21:17historicamente,
21:17dizemos,
21:18acho que há uma coisa,
21:18acho perfeitamente legítimo
21:19que os partidos digam
21:20eu não me dou
21:21com um partido
21:21que pensa diametralmente
21:22oposto de mim
21:23e que faz coisas opostas.
21:24Parece-me que isso é
21:25absolutamente razoável
21:26e é expectável.
21:27Muito obrigada.
21:28Muito obrigada.
21:29Nós vamos ter que fazer
21:30aqui uma corta pausa
21:30e quando voltarmos
21:31iremos saber
21:32porque é que a União Europeia
21:33poderá estar perto
21:34de não atingir
21:35as metas climáticas
21:36propostas
21:37para os próximos anos.
21:38Fico connosco
21:39aqui na Euronews.
21:49Bem-vindo de novo
21:50ao Bruxelas, meu amor,
21:51o programa semanal
21:52da Euronews
21:52sobre a atualidade europeia.
21:53Esta semana
21:54todos os olhos
21:55estiveram postos
21:56em Nova Iorque
21:56onde os líderes
21:57de todo o mundo
21:58estiveram reunidos
21:59para discutir temas
22:00urgentes
22:01da agenda mundial.
22:02Entre eles
22:03as alterações climáticas
22:04com os cientistas
22:05a alertar
22:06que este verão
22:07foi o mais quente
22:08de que há registro
22:09na Europa.
22:10Os riscos
22:10e as expectativas
22:11não podiam ser maiores
22:12para a reunião
22:13da COP30
22:14que terá lugar
22:14no Brasil
22:15em novembro.
22:16O facto dos ministros
22:17do Ambiente da UE
22:18não terem chegado
22:19a um acordo
22:19sobre as metas
22:20precisas para 2035
22:22deixou os observadores
22:23climáticos nervosos
22:24tal como nos diz
22:26Colin Rocha
22:27dos amigos
22:27da Terra.
22:28É significante
22:32é uma borgoña
22:33que a União Europeia
22:34não esteja
22:34para ser em Nova Iorque
22:36como a sua meta
22:37climática para 2035.
22:38O resto do mundo
22:39exige que a União Europeia
22:40como um dos maiores
22:41emisores de gases
22:42como efeito de estufa
22:43do mundo
22:44mostre liderança.
22:45O que a UE precisa
22:46de fazer agora
22:46em primeiro lugar
22:47é aumentar
22:48a sua ambição.
22:49Deberá também
22:50fechar as lacunas
22:51que está a propor
22:52nas suas novas propostas
22:53para 2040.
22:54E finalmente
22:55deverá começar a entregar.
22:57Entregar realmente
22:58no terreno
22:58para os cidadãos europeus
22:59abordar questões
23:00como a promessa energética,
23:02garantir que estamos
23:03a investir na transição
23:04climática para todos
23:05e que façamos
23:06um ritmo suficiente
23:07para que os possamos
23:08evitar os piores impactos
23:09do desastre climático.
23:12Catarina,
23:12quão grave é o facto
23:14da Europa
23:15que tradicionalmente
23:16tem pressionado
23:16por acordos climáticos
23:17ambiciosos
23:18ter chegado a Nova Iorque
23:20apenas com uma
23:20declaração de interesses?
23:22Eu acho bastante grave.
23:23Tentarei muito brevemente
23:25por três razões
23:26de uma forma muito sintética.
23:28Em primeiro lugar
23:29porque descredibiliza
23:30a União Europeia.
23:31Descredibiliza a União Europeia
23:32no panorama internacional
23:33e a União Europeia
23:34está a ter graves problemas
23:36de credibilização
23:37por várias questões
23:38e esta é só mais uma.
23:39Ainda por cima
23:39no momento
23:40em que os Estados Unidos
23:40retiram a União Europeia
23:42e ter alguma liderança
23:42neste projeto
23:43só reforçava
23:45e só reforçava
23:46os seus diálogos
23:47multilaterais
23:47do meu ponto de vista.
23:49Em segundo lugar
23:49é um erro
23:50porque do ponto de vista
23:51do que foi a aposta
23:52tecnológica
23:53das próprias empresas
23:54da União Europeia
23:55para fazerem a transição
23:56agora a União Europeia
23:58andar para trás
23:59que é o que está a fazer
24:00significa fragilizar
24:01o seu próprio tecido económico
24:02e portanto
24:03quando dizemos
24:03que é tão importante
24:04o novo programa industrial
24:06para a Europa
24:07esse programa industrial
24:07tínhamos toda a capacidade
24:09de o ter
24:09alicerçado
24:10do caminho
24:10que vinha a ser feito
24:11que eu acho que é tímido
24:12mas que era melhor que nada
24:13não se fazer nada
24:14vai deixar as empresas europeias
24:15que investiram nisso
24:16em pior circunstância
24:17menos indústria.
24:19Em terceiro lugar
24:19nós temos do ponto de vista
24:21tecnológico
24:22muito trabalho feito
24:23e portanto
24:24sendo nós
24:24um dos espaços
24:26do mundo
24:26mais poluentes
24:27por habitante
24:28porque é sempre preciso
24:29comparar por habitante
24:30e por habitante
24:31nós somos os mais poluidores
24:32como também somos
24:33historicamente
24:34os mais poluidores
24:34mas temos ao nosso serviço
24:36neste momento
24:37inovação tecnológica
24:38suficiente
24:38para diminuir
24:40de uma forma
24:41muito ambiciosa
24:44ao mesmo tempo
24:45que se consegue
24:46fazer uma transição justa
24:48ou seja
24:49sem deixar pessoas
24:50para trás
24:50desse ponto de vista
24:51a Europa tem
24:52uma combinação
24:53de tecnologia
24:54de setores industriais
24:56já nesse caminho
24:57e de estado social
24:58digamos assim
24:59que nos daria condições
25:00com mais nenhum
25:01outro sítio do mundo
25:02para fazer uma transição justa
25:04e portanto
25:05é também
25:05um absoluto desperdício
25:08porque estamos a falar
25:09do nosso futuro
25:10Concordo que isto
25:11danifica a credibilidade
25:12da União Europeia
25:13Sem dúvida
25:14Sem dúvida
25:15É bem verdade
25:17que a credibilidade
25:18da União Europeia
25:19foi terrivelmente
25:20afetada pelas questões
25:21da política externa
25:22e a questão de gás
25:23em concreto
25:24e também é bem verdade
25:25que estou a increr
25:27que apesar
25:28de todos termos
25:29feito esforços políticos
25:30para que a posição
25:32das instituições
25:32fosse outra
25:33o grande impulso
25:36para que tenha havido
25:37alguma mudança
25:37veio da rua
25:39veio da sociedade civil
25:40A minha esperança
25:42em relação a estas questões
25:43relacionadas
25:44com a transição ecológica
25:47é que a rua
25:48também se mobilize
25:49Porquê?
25:50Porque não é só
25:51o facto
25:53que é obviamente grave
25:54de chegarmos
25:55à Cimeira
25:56sem as metas revistas
25:58sem uma nova proposta
25:59é o facto
26:00de no Conselho Europeu
26:01não haver consenso
26:02uma vez mais
26:03polarizações
26:04ou seja
26:05a polarização
26:06de que falávamos
26:06anteriormente
26:07depois traduz-se nisto
26:08num impasse
26:09na incapacidade
26:09em fazer aprovar leis
26:10e por outro lado
26:13há uma série
26:14de outros documentos
26:15que temos visto
26:16que estão a recuar
26:17nós neste momento
26:18falamos da lei
26:20da desflorestação
26:21que uma vez mais
26:22parece que vai ser adiada
26:23se é que não há
26:24intenção de alterar
26:25ontem
26:26numa das comissões
26:27nas quais participo
26:28na Comissão de Ambiente
26:29o Partido Popular Europeu
26:31chumbou
26:32em bloco
26:33uma lei
26:34que apenas visava
26:35introduzir
26:36um sistema
26:36de monitorização
26:37das florestas europeias
26:38e dentro do Partido Popular Europeu
26:40estão deputados portugueses
26:41como é evidente
26:42e portanto
26:43há aqui um recuo
26:43para algo que
26:45a sociedade estava
26:46a ser preparada
26:46que agora deixa
26:48até
26:49digo eu
26:49o tecido económico
26:50o tecido industrial
26:51empresarial
26:52agrícola
26:52que já fez
26:54um esforço de adaptação
26:55com um quadro
26:56que não sabe
26:57se vai avançar ou não
26:58e o que nos pedem
26:59sempre é a mesma coisa
26:59é previsibilidade
27:00e isto é evidente
27:02o terceiro aspecto
27:04é que nós estamos em risco
27:05nós em Portugal
27:06sabemos bem isso
27:07vemos aquilo que é
27:09o crescimento
27:10das áreas
27:10das áreas
27:11da desertificação
27:13do despovoamento
27:14e não é uma ficção
27:16não é um cenário
27:17distópico
27:18é uma realidade
27:18e nós tínhamos
27:19a obrigação
27:20de não perder isso de vista
27:21Enrique
27:23a COP30
27:24é um fracasso
27:25antes mesmo de acontecer
27:27não
27:27eu acho
27:27eu sou menos exigente
27:29nos resultados
27:30e mais
27:31acho mais importante
27:32continuar
27:32quer dizer
27:33portanto
27:33mesmo que não seja
27:35todos os resultados
27:36já vimos várias copos
27:37que prometeram imenso
27:37e não deram tanto
27:38não vou chamar já
27:39fracasso
27:40uma coisa que venha a acontecer
27:41e que obriga os países
27:42a procurarem dizer
27:43alguma coisa
27:44o seu melhor
27:45eu acho que o problema
27:46principal
27:46foi aqui já mencionado
27:47que é esta instabilidade
27:49e esta imprevisibilidade
27:50e vamos lá ver uma coisa
27:51as eleições têm de ter consequências
27:53e portanto eu percebo
27:54que assim como tivemos
27:55um resultado eleitoral
27:56em 2019
27:58que era muito
27:59se quisermos
27:59muito verde
28:00ou seja
28:00o resultado eleitoral
28:01europeu era muito verde
28:02percebemos
28:03tivemos o sinal
28:04dos coletes amarelos
28:05tivemos outros sinais
28:06que as eleições seguintes
28:07tinham um resultado diferente
28:08agora
28:09isso na minha opinião
28:10não deveria ser traduzido
28:11em
28:11ai então mudámos de políticas
28:12queria dizer que
28:13atenção
28:14as políticas que estavam a ser postas
28:15em prática
28:16tinham
28:16ou eram percebidas
28:17voltamos à história
28:18das percepções
28:18às vezes
28:19eram percebidas
28:20que tinham consequências
28:21para as pessoas
28:21para os custos das empresas
28:23para o custo de vida
28:23bom era este elemento
28:25que era principal responder
28:26nós neste momento
28:26passámos
28:27de uma espécie
28:28de certeza absoluta
28:29das políticas
28:30para uma incerteza absoluta
28:31porque não se tem
28:33mesmo quando a comissão
28:34diz não mudámos os objetivos
28:35mas as pessoas ouvem
28:37e dizem
28:37não estamos completamente convencidos
28:39os investidores ouvem
28:40e dizem
28:40não estamos completamente convencidos
28:41e essa incerteza
28:42não é positiva
28:43é evidente
28:44que nós temos
28:45constrangimentos
28:45geopolíticos
28:46e o mundo
28:46não é aquilo
28:47que nós gostávamos
28:48que fosse
28:48nós podemos querer
28:48fazê-lo melhor
28:49mas ele não é tão bom
28:49quanto nós gostávamos
28:50é verdade
28:50temos dependências
28:51em relação aos Estados Unidos
28:52temos
28:53temos que ceder
28:53em relação aos Estados Unidos
28:54porque precisamos
28:55que os Estados Unidos
28:55nos apoiem
28:56em relação à Ucrânia
28:56temos
28:57e portanto
28:58isso faz com que
28:58se formos menos livres
28:59nas nossas escolhas
29:00somos
29:00reconhecer essa circunstância
29:02não quer dizer
29:03que abdiquemos
29:03de ter uma estratégia
29:05e sobretudo
29:06dar previsibilidade
29:06aos investimentos
29:08parece-me que esse é
29:08o guião principal
29:09se não vamos
29:10não cumprimos as metas
29:11e não temos tecnologia
29:12Este é um tema
29:15que poderia dar
29:16que dava pano para mangas
29:17mas não temos
29:18mais tempo
29:19infelizmente
29:19como sempre
29:20pode ver as últimas notícias
29:21sobre este assunto
29:22nas diferentes plataformas
29:23da Euronews
29:24obrigado aos nossos convidados
29:25e a SIC
29:26que está desse lado
29:26até já
29:27Olá e sejam bem-vindos
29:37ao Bruxelas
29:37Meu Amor
29:38o programa semanal
29:39da Euronews
29:39sobre a atualidade europeia
29:40eu sou Mariana Correia
29:42e esta semana
29:42tenho comigo
29:43Catarina Martins
29:43eu era deputada
29:44do Bloco de Esquerda
29:45Henrique Vernei
29:46especialista em assuntos europeus
29:47e Marta Tmit
29:48eu era deputada
29:49do Partido Socialista
29:50e juntos
29:51estamos a rever
29:52as notícias da semana
29:53e uma que se destacou
29:54foi o facto
29:55de vários países europeus
29:56entre eles Portugal
29:57terem reconhecido
29:58oficialmente
29:59o Estado da Palestina
30:00a medida
30:01enforceu o governo israelita
30:02com o primeiro-ministro
30:03Benjamin Nathaniel
30:04a responder
30:05que isto significava
30:07que estes países
30:07apoiavam abertamente
30:08o terrorismo
30:10Ora, outra medida
30:11que também incomodou
30:12o governo israelita
30:13foi a ameaça
30:13dos países europeus
30:14de se retirarem
30:15do concurso
30:16da Eurovisão
30:17da Canção
30:18a menos que Israel
30:19fosse proibido
30:20de participar
30:21Ora, Catarina
30:22estamos a falar
30:22de cultura
30:23que é uma coisa
30:24que conheço bem
30:25proibí-la
30:26o que é que acha
30:27desta decisão?
30:28Eu se calhar
30:29separava duas coisas
30:30uma coisa tem a ver
30:31com fazer algum tipo
30:33de proibição
30:34ou de boicote
30:35artistas
30:37e expressões culturais
30:38acho que isso nunca
30:39deve acontecer
30:39nos momentos
30:40de maior conflito
30:41mais difíceis
30:42conhecermos a cultura
30:43uns dos outros
30:44ou nos povos
30:45e os povos
30:46e os artistas
30:47não são representantes
30:48dos regimes
30:48são expressões culturais
30:50que nós só ganhamos
30:51em conhecer
30:52portanto
30:53devo dizer
30:53que mantenho
30:54sempre muita distância
30:55daqueles processos
30:57que tendem
30:58a confundir
30:59os artistas
31:00com os regimes
31:00dos seus países
31:02e a tentar
31:02proibir
31:03penólogos culturais
31:04não
31:05neste caso
31:05estou a favor
31:06por uma outra questão
31:07é que a Eurovisão
31:08são as televisões públicas
31:09nós não estamos
31:10a falar
31:11de expressão
31:11de artistas
31:12estamos a falar
31:13de expressão
31:14de cultural
31:14escolhida pelo próprio regime
31:16onde é que eu quero chegar
31:17um artista de Israel
31:18que se tivesse
31:20a ousadia
31:21e infelizmente há
31:22quem tenha a ousadia
31:23de se levantar
31:25contra o genocídio
31:26Israel nunca deixaria
31:27de estar presente
31:28na Eurovisão
31:28e portanto
31:29a participação
31:30na Eurovisão
31:31não é uma participação
31:32livre
31:32é uma participação
31:34de publicidade
31:35de um regime
31:36e de um governo
31:37que é genocida
31:38e é genocida
31:39porque é essa a investigação
31:40que está no Tribunal
31:42de Justiça Internacional
31:43é genocida
31:44porque é esse o resultado
31:45da investigação
31:46da ONU
31:46é genocida
31:47por todos os critérios
31:48que nós conhecemos
31:49e portanto
31:50não deve ter um espaço
31:51de normalização
31:53o genocídio
31:54é o maior ataque
31:56que nós concebemos
31:57enquanto sociedade
31:59que pode ser feito
32:00a um povo
32:01e portanto
32:02não pode ser
32:03de maneira nenhuma
32:04normalizado
32:05devo dizer aliás
32:06que a União Europeia
32:07não teve a mesma posição
32:08e os Estados-membros
32:09em relação à Rússia
32:10porque em relação à Rússia
32:12as sanções
32:13incluíram imediatamente
32:14a exclusão
32:16daqueles momentos
32:17que são organizados
32:18diretamente pelos Estados
32:20e a Eurovisão
32:21é um desses momentos
32:21que é organizado
32:22pelos Estados
32:23Marta
32:23concorda?
32:25É a principal razão
32:27pela qual eu penso
32:28que deveria ser aplicado
32:29o critério
32:30da exclusão
32:31é porque há um precedente
32:33e porque nós temos
32:35feito
32:36um argumento
32:39decisivo
32:39em dizer
32:40que nós não podemos
32:41ter dois pesos
32:42e duas medidas
32:43em relação a uma série
32:45de aspectos
32:46que nos relacionam
32:47com outros
32:47e este é justamente
32:49um deles
32:49sim
32:50ninguém fica confortável
32:51com a exclusão
32:53de países
32:55que são mais
32:56do que governos
32:57momentâneos
32:57pensemos
32:58nós Portugal
32:59também já vivemos
32:59sobre ditadura
33:00e provavelmente
33:01não gostávamos
33:02de ser confundidos
33:02com quem
33:03temporalmente
33:04nos governava
33:06mas a verdade
33:07é que
33:08apesar daquilo
33:09que há de independente
33:11obviamente
33:12nas manifestações
33:13esportivas
33:13culturais
33:14há também
33:15uma relação
33:16de solidariedade
33:17que está subjacente
33:18a esses mesmos
33:18fenómenos
33:20e neste momento
33:21a nossa relação
33:22com Israel
33:23está profundamente
33:24afetada
33:24e este também
33:27é um sinal
33:28que pode pressionar
33:29diplomaticamente
33:30aquilo que
33:31é Israel
33:32no fundo
33:33penso que
33:34a intenção
33:34é que
33:35se faça sentir
33:37ao governo
33:37Benjamin Netanyahu
33:38que é um
33:39Estado párea
33:41que não
33:42que não goza
33:43de reconhecimento
33:44que não goza
33:44de privilégios
33:45que não goza
33:46de qualquer
33:47respeitabilidade
33:47junto da comunidade
33:48internacional
33:49independentemente
33:50isso nos lesar
33:51a todos
33:51porque estamos
33:52a abdicar
33:53de uma parte
33:53de nós
33:54enquanto mundo
33:55muito bem
33:56para termos
33:57mais uma perspectiva
33:58ouvimos
33:59a eurodutada
34:00irlandesa
34:00Cíntia
34:01Nimurch
34:01que já
34:02apresentou
34:03o festival
34:03de Eurovisão
34:04da canção
34:04no passado
34:05vamos ouvir
34:05Normalmente
34:10sou contra as
34:11prohibições
34:11culturais
34:12porque afetam
34:13os artistas
34:14e os artistas
34:14não são as pessoas
34:15que lançam
34:16as bombas
34:17ou disparam
34:17as armas
34:18mas neste caso
34:19a minha opinião
34:20de que Israel
34:20deve ser boicoteado
34:21é totalmente diferente
34:23porque este é
34:24um boicot
34:24contra um braço
34:25do governo
34:26israelita
34:26e a corporação
34:28israelita
34:29de radiodifusão
34:30pública
34:30e eles
34:31tem a decisão
34:32final sobre
34:33se deben
34:33ou não participar
34:34Israel tornou-se
34:35num estado
34:36desonesto
34:36com milhares
34:37e decenas
34:38de milhares
34:38de palestinos
34:39mortos
34:40isto é
34:40completamente
34:41contra o estado
34:42de direito
34:42internacional
34:43e europeu
34:43Enrique
34:47há alguns críticos
34:48argumentam
34:48que este boicote
34:50pode dividir
34:51ainda mais
34:52a opinião
34:52pública
34:53europeia
34:53em relação
34:54ao conflito
34:54israelo-palestiniano
34:56concorda?
34:57Isso não sei
34:58se vai dividir mais
34:59acho que traçará
34:59a divisão
35:00por onde ela anda
35:01mais coisa
35:02menos coisa
35:03o que eu acho
35:03é que isso
35:03o que se está a passar
35:04aqui chama a atenção
35:05para um aspecto
35:06que Israel tem desvalorizado
35:07que é a perda
35:08de apoio
35:09na Europa
35:09e o caso
35:10da Eurovisão
35:11é particularmente
35:11interessante
35:12porque Israel
35:13não seria um membro
35:13natural da Eurovisão
35:15se pensarmos bem
35:15no nome
35:16originalmente
35:17e foi sempre
35:18não só foi membro
35:19foi um dos mais
35:20populares
35:21e não era
35:22ali a esse facto
35:23uma parte
35:24das pessoas
35:25que gostam muito
35:25da Eurovisão
35:26e que se reviam
35:27nas liberdades
35:28que naquela região
35:29do mundo
35:29só existem em Israel
35:30o que é para mim
35:31impressionante
35:32é que não é novo
35:33que a Eurovisão
35:34tenha uma dimensão
35:35política
35:35no dia a seguir
35:37a Ucrânia ganhar
35:38a secretária-geral
35:38adjunta da NATO
35:39Deus parabéns à Ucrânia
35:40porque isto tem uma dimensão
35:42política também
35:43o que a mim
35:43me levanta aqui
35:44uma questão
35:44é se quisermos
35:45o contraponto
35:46do que a Catarina Martins
35:47disse
35:47que é
35:47isto não pode ser
35:48uma decisão da RTP
35:49porque isto tem que estar
35:50alinhado com o que seja
35:50a decisão do governo
35:51no caso da RTP
35:52do governo português
35:53no caso da RAI
35:54do governo italiano
35:54e por aqui fora
35:55isto é
35:55se são expressões
35:57da política externa
35:59ou se é uma dimensão
36:00de política externa
36:00isto tem que estar
36:01alinhado com aquilo
36:02que seja a posição
36:02do Estado português
36:03no caso de Portugal
36:04isso a mim parece-me
36:05ser aqui o elemento
36:06essencial
36:06mas isso é o que faria
36:07o paralelo com a Rússia
36:08não é?
36:09quer dizer
36:09com o paralelo em geral
36:10a decisão
36:10se Portugal
36:11se Itália
36:12etc
36:12quiserem estar
36:13quiserem ter
36:15esse tipo de boicotes
36:16então isto faz sentido
36:17o que não faz sentido
36:18é que isto seja feito
36:18num sítio
36:19e não seja feito
36:20num outro
36:20porque se entende que não
36:21última nota
36:23eu acho que nós temos
36:24que ter presente
36:24porque a história
36:25conto isso há bocado
36:26eu trouxe o livro
36:26do Stefan Zweig
36:27agora também
36:27trago um bocadinho disso
36:28que é
36:29nós temos noção
36:30para os europeus
36:31e por exemplo
36:31para os alemães
36:32então isso é perfeitamente claro
36:33reagir contra Israel
36:34tem sempre um peso
36:35muito especial
36:36Israel está a perder
36:37na Europa
36:38o apoio que tinha
36:39e isso é culpa
36:40do que o governo fez
36:41depois de um ataque
36:42que se tinha
36:43tornado evidente
36:44para muita gente
36:45até o direito
36:46de defesa de Israel
36:47mas não
36:47claramente desta forma
36:48e estão a perder esse apoio
36:49O programa vai ter que ficar por aqui
36:51obrigado aos meus convidados
36:53por terem aceitado
36:54o nosso convite
36:55em especial
36:55obrigado a si
36:56que está desse lado
36:56por nos ter feito companhia
36:58se quiser deixar
36:58as suas sugestões
36:59ou comentários
37:00escreva-nos para
37:01bruxelasmeumor
37:02arrobaeuronews.com
37:04quanto a nós
37:05já sabe
37:05voltamos em breve
37:06com mais notícias
37:07sempre em português
37:09aqui na Euronews
37:10porque Portugal
37:11também tem
37:12uma voz na Europa
37:13Fica bem
37:13até lá
37:14Tchau
37:15Tchau
37:16Tchau
37:16Tchau
37:17Tchau
37:18Tchau
37:19Tchau
37:19Tchau
37:20Tchau
37:21Tchau
37:22Tchau
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