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  • há 4 meses
Na conversa, Baptista Miranda compartilha experiências sobre os estereótipos que a mídia cria sobre a África e como essas visões afetam a forma como ele é recebido no Brasil. Entre histórias engraçadas de choque cultural, diferenças no português e até situações inusitadas em Angola, o influenciador mostra a importância de respeitar as diferenças e aprender com outras culturas.

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Diversão
Transcrição
00:00Mas é que o pessoal tem uma visão de África como se fosse, tipo, eu sei que é um continente que a maioria das mídias mostram que é um continente que tem muita pobreza, muita miséria, tudo isso, mas muita gente se esquece que África foi literalmente o berço da humanidade e a maioria das coisas que hoje nós soubemos como seres humanos saíram de África e as pessoas não têm esse conhecimento.
00:22E eu, quando cheguei aqui, eu ia para o restaurante e as pessoas falam, nossa, você é africano, vai comer pela primeira vez, como é que é isso para você? E eu ficava, tipo, como assim, como assim? Nossa, toma água ali, nunca viu água. E eu ficava, para mim é engraçado, eu rio, para mim é engraçado isso.
00:40Mas, porque você é angolano? Porque os brasileiros se ofendem? Por exemplo, tem uma coisa que o brasileiro faz e que lá, brasileiro não, o ocidental, o europeu faz muito também, que ele diz que está querendo proteger alguém, mas ele está desmerecendo aquela pessoa.
01:00Vocês, vocês falam que não podem deixar comida no prato porque lá em África estavam passando fome. Família, lá nós passamos fome, não é porque você deixar comida no prato, não é isso mesmo.
01:08Não tem um tubogar que vai entrar e vai comida, não é assim, você percebe? E quando eu, isso para mim é muito engraçado, esse estilo, essa diferença, porque mesmo nós em Angola também temos uma ideia do Brasil totalmente diferente do Brasil, que é o Brasil.
01:22Mas porque lá tem as televisões brasileiras, eu lembro quando eu estava lá na gravidez e eu ia voltar para ter o meu filho aqui.
01:30E eu voltei com 36 semanas de gravidez, que você não entende isso, mas a mulherada que está vendo a gente sabe que é bem no fim. E eu tinha uma autorização da OMS para vir tudo.
01:40Como o pessoal via Cidade Alerta todo dia...
01:43É, Cidade Alerta, Balanço Geral.
01:46Eles falavam para mim, não vai para São Paulo, lá é muito perigoso.
01:51É, é, é.
01:52E era naquela época de Angola que todo mundo tinha cá em casa.
01:55É, é, é.
01:56Todo mundo ainda tinha, era bem pesado.
01:57É, porque é 2010, né? 2010.
01:59Nós entramos em paz em 2002, então ainda estava recente a guerra civil que teve lá.
02:05Todo mundo que era adulto da minha idade tinha participado de alguma forma na guerra civil, é.
02:10De alguma forma, imagino, imagino.
02:11Então era, era bem...
02:13E uma coisa que foi engraçada foi o português que você falou.
02:16O português?
02:17O que que eu não sabia?
02:18Eu fui contratada porque eu falava português, eram todos europeus.
02:23Então assim, eu falava português, falava inglês, falava espanhol, falava francês, então eu conseguia me comunicar com a equipe e em tese com os angolanos.
02:32Aí eu vou botar aqui a musiquinha, que depois eu vou dar...
02:35Quando eu chego lá, a música da campanha da vacinação era isso aqui.
02:40Anota aí, Júlia Magal, pra vocês botarem.
02:43Olha o Pedrito do Bia aí.
02:45Quem tá entendendo?
03:15Tem que vacinar, família.
03:30Tem que vacinar, tem que vacinar.
03:31Tem que vacinar.
03:32Agora, quem entendeu aí?
03:34É, verdade.
03:35Não, e isso assim, eu vou depois mandar pra...
03:37Vocês já vão ter visto tudo com legenda.
03:39Não vão ter entendido.
03:41É.
03:41Porque assim, uma estrelinha de cuia bué, explique.
03:45Que cuia bué.
03:46Uma estrelinha que cuia bué.
03:49O bué e nem o cuia vocês usam.
03:51Não.
03:52Ninguém aqui usa cuia nem bué.
03:53Não, nem cuia nem bué.
03:54É.
03:54Bué é muito.
03:55Bué é muito.
03:56Cuia é legal.
03:57Cuia é muito legal.
03:59Ou seja...
04:00Uma estrelinha muito legal.
04:02Estrelinha é o Zé Gotinha deles.
04:04Isso, é o Zé Gotinha.
04:05E por que que é a estrelinha?
04:06Porque você pinga...
04:07Eu aprendi isso lá.
04:09Você pinga a vacina da polio e ela forma uma estrelinha.
04:13Então, a estrelinha cuia.
04:13Aqui não pinga a estrelinha?
04:16Não, era o Zé Gotinha.
04:18Ah, aqui é diferente, né?
04:19Era o Zé Gotinha.
04:20A estrelinha cuia veio depois do Zé Gotinha.
04:23E aí falam, uma estrelinha de cuia bué, tipo um samba pito.
04:27Se é que nem pirulito.
04:28É, tipo um samba pito.
04:30Esse...
04:31E eles, quando me contratavam, me contrataram, achando que eu também...
04:37Mas como é que você...
04:39Quando você chegou lá...
04:41E eu gosto, inclusive, você falou...
04:43Estávamos a falar isso nos bastidores, sobre o quadro do achismo.
04:46E eu gosto muito do achismo, porque é um quadro que nos faz ter a percepção que nem todos os países são iguais.
04:52E está tudo bem ter essa diferença cultural.
04:55Ah, põe um trecho, aliás, Júlia Magal, do achismo.
04:58O achismo é o quadro que ele faz com o Maurício Meirelles e com o Paul Cabane, que eu acho muito legal.
05:04Me fala como é que é um prato de um angolano.
05:06Um angolano?
05:07É.
05:07Meu, coloca um funge.
05:08Um quê?
05:09Um funge.
05:10O que é?
05:11Um funge.
05:12O que é um funge?
05:13Um monge?
05:14Um funge é...
05:15Um cogumelo?
05:16Não, que isso, calma aí.
05:17Um funge é uma massa branca.
05:19Um funge bem pesado.
05:20Forte, para dar sustância.
05:22Agora, coloca um peixe seco.
05:24Por que você está gritando?
05:25Eu estou falando como angolano para me entender mesmo bem.
05:28Coloca um peixe seco.
05:29O que é um peixe seco?
05:30Todo peixe seco, ele saiu do rio.
05:31Não, não, não, calma aí.
05:33Peixe seco, está na verdade?
05:34Coloca lá sal, deixa o peixe secar.
05:36Peixe seco.
05:36Ah, é o equivalente de carne de sol.
05:39O nosso boi, ele morre de sol, de insolação.
05:42Lá é o peixe.
05:44O que vocês comem na França?
05:46Eles comem coração com arroz, tipo?
05:48Coração com arroz.
05:50É tipo, é minha dúvida mesmo, sincero.
05:52Por que tem que ter arroz?
05:54Eles não comem arroz.
05:55Não?
05:55Sim, sim, a gente come arroz.
05:56Eu falei, você me conta.
05:58Eu gosto do machismo porque nos faz conhecer também os outros países, as outras culturas.
06:04Você falou sobre o português.
06:05Antes de ir para Angola, qual que é a língua que você achava que nós falávamos lá?
06:10Não, eu sabia já.
06:11Ah.
06:11Porque eu trabalhava com isso de diplomacia.
06:14Eu conhecia diplomatas, angolanos, tudo.
06:17Mas o português que a classe alta fala não é o mesmo português que você vai ouvir na rua em Angola.
06:25É.
06:26Na rua é português do bairro.
06:27Nós falamos que é um português do gueto, que tem muita gíria.
06:29Que nem é esse seu.
06:31É.
06:31Não é esse seu.
06:32Não é, isso é mais formal.
06:34Eu também falo isso, falo desse jeito aqui no Brasil para as pessoas me perceberem.
06:38Porque é muito difícil.
06:39Perceberem, não entenderem.
06:40É.
06:40Lá é psibeste.
06:41É, tá.
06:41Psibeste.
06:42Tá, já psibeste.
06:43E aqui outra coisa, vocês falam muito no gerúndio, vocês falam muito estudando, fazendo, falando.
06:50Lá é a fazer.
06:50É, não sei, a fazer, a estudar.
06:53Então, isso daqui também foi algo que eu comecei a aprender aqui no Brasil.
06:58As gírias, quando...
06:59Eu não sei se você chegou lá e passou algumas vergonhas com relação a como é que o brasileiro fala,
07:05porque lá também pode ser visto como algo...
07:07Eu passei um que, juro, tomei uma bronca depois da minha diretora.
07:13Por quê?
07:14Tinha que fazer vacinação num bairro.
07:16E naquela época, pós-guerra, todo mundo era armado.
07:19Sim, sim.
07:20Então, a logística da gente fazer a vacinação, às vezes tinha que entrar com o exército e tudo.
07:25E aí tinha um cara que ia facilitar uma entrada num bairro.
07:29E tô lá, eu conversando com o cara.
07:31Ele olha pra mim e fala assim, não, tudo bem, doutora, a senhora pode entrar, sei o quê.
07:35Mas eu vou querer uma gasosa.
07:37Gasosa, é.
07:38Gasosa.
07:38Eu achei que era o quê?
07:40Gaseosa.
07:40Ah, né?
07:41Espanhol e refrigerante.
07:42Ele falou assim, na minha cara, doutora, eu vou querer uma gasosa.
07:46Eu entrei na venda, comprei uma Coca-Cola e dei na mão dele.
07:51Aí ele ficou me olhando assim, ficou todo mundo me olhando.
07:55Aí ele olhou pra mim e deu risada.
07:57Ah, zuca, zuca, zuca.
08:00E deixou.
08:01Aí o meu chefe depois falou, você poderia ter sido assassinada.
08:05É, não, é verdade.
08:06Foi gasosa, gente.
08:07É propina.
08:08Propina.
08:09Ele queria que eu desse propina pra ele.
08:11Até a própria propina.
08:12Propina não.
08:13E ele falou na cara, ele falou na minha cara, me dá uma gasosa e tava armado.
08:18É, então.
08:18E eu viro e dou uma Coca-Cola.
08:20Olha.
08:20É que é o seguinte, gasosa também, além de ser propina, também é refrigerante.
08:25Nós falamos de frio.
08:27Ah, me dá uma Coca-Cola, me dá uma gasosa.
08:29E você, inclusive, falou sobre propina.
08:31Propina é mensalidade que nós falamos.
08:33É, mensalidade, gorjeta.
08:35É, gorjeta que nós falamos.
08:37Aqui, propina é como se você tivesse a subornar alguém.
08:40Sim.
08:41É, é que nem a bicha que nós falamos em Angola, Portugal, em outros países, é fila.
08:47Aqui é outra coisa.
08:48Aqui é pica, por exemplo.
08:50Eu, quando cheguei aqui no Brasil, eu não sabia o significado.
08:53E eu passei essa vergonha.
08:54Real, real, né?
08:55Não, conta.
08:56É sério, é sério.
08:57Eu passei essa vergonha.
08:58Eu fui num dentista lá, com um amigo meu, de Angra dos Reis.
09:02Eu fui lá no dentista e eu perguntei quantas picas ele ia me dar.
09:05E daí, o dentista achou real que eu tava a faltar com respeito dele.
09:09E eu fiquei, tipo, eu fiquei, não, não, desculpa.
09:12O meu amigo teve que pedir desculpa, não, ele é angolano.
09:15Ah, você sabe como é que é?
09:17Eu falo, não, como assim?
09:18Não entendi, não entendi.
09:19E ele ficou bravo e você não sabia o porquê.
09:21É, eu não entendi, não entendi.
09:23Mas depois me explicaram que pica, que é...
09:27É, coisas à toa, não sei o quê.
09:30Me explicaram e eu tive que aprender.
09:32É igual rapariga.
09:33Rapariga.
09:33Não pode falar.
09:34Não pode.
09:35É muita coisa, muita coisa que eu tô aprendendo, tô aprendendo mesmo assim.
09:39Rapariga.
09:40Rapariga.
09:41Rapariga.
09:42Rapariga.
09:43Rapariga.
09:44Rapariga.
09:45Rapariga.
09:46Rapariga.
09:47Rapariga.
09:48Rapariga.
09:49Rapariga.
09:50Rapariga.
09:51Rapariga.
09:52Rapariga.
09:53Rapariga.
09:54Rapariga.
09:55Rapariga.
09:56Rapariga.
09:57Rapariga.
09:58Rapariga.
09:59Rapariga.
10:00Rapariga.
10:01Rapariga.
10:02Rapariga.
10:03Rapariga.
10:04Rapariga.
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