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O presidente da Câmara, deputado Hugo Motta (Republicanos-PB), afirmou nesta segunda-feira (22) que a atuação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) diante do tarifaço dos EUA fortaleceu sua posição para a corrida eleitoral de 2026. Hugo também comentou que a direita ainda está “desorganizada” e que a decisão do ex-presidente Jair Bolsonaro sobre apoios terá grande impacto no cenário político. Thulio Nassa comentou.
Reportagem: Beatriz Manfredini
Comentarista: Thulio Nassa

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Transcrição
00:00Voltando aqui para São Paulo, o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Mota, preferiu não comentar sobre o apoio nas eleições de 2026.
00:09Vamos conversar mais uma vez com a Beatriz Manfredini, que vai trazer para a gente exatamente o que mais disse Hugo Mota.
00:19Olha, Soraya, ele também disse que a direita está desorganizada para 2026.
00:25Ele participou desse evento, então, na capital paulista e disse que o atual presidente Lula vem forte, nas palavras dele, para a reeleição no ano que vem.
00:34Isso porque ele fez ali uma ponte com o que vem acontecendo entre Brasil e Estados Unidos e disse que essa discussão internacional tem fortalecido o Lula e os princípios da soberania.
00:46Em paralelo, Hugo Mota chamou a direita, então, de desorganizada e disse que são vários nomes desse espectro político para disputar, possivelmente, o Palácio do Planalto no ano que vem.
00:58O que causaria, então, essa desorganização.
01:01A gente tem um trecho dessa fala dele? Vamos acompanhar.
01:03A direita está um pouco mais desorganizada, na minha avaliação, porque, primeiro, não se sabe o que o presidente Bolsonaro irá fazer, quem ele irá apoiar.
01:12Nós temos nomes na direita com potencial, como o governador de São Paulo, que é o governador Tacísio, que tem uma das melhores e maiores aprovações de governo do país.
01:21Você tem o Ratinho lá no Paraná também colocando o seu nome.
01:23Você tem o governador Caiado.
01:26Então, você tem na direita várias opções e ainda tem um cenário ali mais preciso de quem nós saibamos quem vai disputar a eleição.
01:38Então, a gente vê que ele se esquivou ali de firmar um nome único, né?
01:43Ou de dar apoio a algum desses nomes.
01:45Ele cita três nomes da direita para o ano que vem.
01:48E a gente lembra que Tarcísio de Freitas é do mesmo partido, Diogo Mota.
01:52Os dois são do Republicanos.
01:54Sobre esse assunto, o presidente da Câmara disse que é preciso aguardar o líder do partido, o presidente da sigla, Marcos Pereira, tomar uma posição para que ele possa tomar também.
02:05E destacou que no papel de presidente da Câmara dos Deputados, é ruim para ele, o Hugo Mota, que ele coloque posições ou apoios neste momento.
02:13Já que é um papel mais abrangente, que precisa ouvir todas as posições, opiniões políticas e dialogar com todos os lados.
02:22Mas então, esse discurso, e evitando citar um nome ou colocar o de Tarcísio como principal, acontece depois que os dois tiveram ali momentos próximos e também delicados.
02:34Para relembrar rapidamente, o Hugo Mota e o Tarcísio se encontraram algumas vezes nas últimas semanas.
02:40Tarcísio queria pressioná-lo ali, colocá-lo, fazer colocá-lo em pauta o PL da Anistia.
02:47Conseguiu, fez até um jantar que a gente trouxe com exclusividade aqui no domingo antes do texto ser pautado na Câmara.
02:54Mas também chegou a pressionar publicamente o Hugo Mota no 7 de setembro, durante as manifestações, citando ali o nome dele.
03:02Então ficou uma relação meio com idas e vindas e agora, nesse evento de um banco aqui em São Paulo,
03:07o Hugo Mota deu uma esquivada e chamou a direita de desorganizada.
03:11E a gente segue acompanhando esses desdobramentos já da eleição do ano que vem, que está cada vez mais quente e parece que mais perto, né, Soraya?
03:18É, cada dia mais. Obrigada, Bia, pelas suas informações.
03:21Deixa eu ouvir o Túlio Nassa a respeito desse tema.
03:24Túlio, como você tem interpretado e visto o cenário para as eleições de 2026?
03:28A direita está mesmo desorganizada?
03:32Olha, Soraya, dá-me os sinais que eu te dou os fatos.
03:36Eu diria que é uma desorganização organizada, se é que isso é possível falar. Por quê?
03:41Porque, na verdade, a direita brasileira não pode lançar nenhum nome nesse momento.
03:46A direita brasileira precisa ir de alguns passos até a eleição de 2026.
03:51De um lado, os governadores estão governando.
03:54Eles precisam exercer os seus mandatos.
03:56Então, deixar isso de lado e já cravar uma aliança em torno de um único nome significa para o eleitor apenas a preocupação com a eleição e não com o exercício dos mandatos.
04:06De outro lado, também existe o espólio político eleitoral de Jair Bolsonaro.
04:10Jair Bolsonaro está inelegível, mas o bolsonarismo não acabou e essa costura ainda está sendo feita.
04:17E, portanto, nesse momento não há ainda uma possibilidade de fechar em torno de uma candidatura.
04:22E, de outro lado, o que os sinais revelam?
04:25Ora, o Centrão, evidentemente, quer já garantir que a direita, especialmente a direita bolsonarista, vai apoiar um candidato deles.
04:34É por isso que Hugo Mota já faz essa pressão.
04:37Ele não quer, evidentemente, que isso fique solto e que lá na frente o Centrão perca aí a capacidade de dar as cartas de ser o fiel da balança.
04:45Por essas e por outras, Soraya, que Tolstói sempre dizia em guerra e paz que o tempo e a paciência são eternos beligerantes.
04:55Agora, Otúlio, em algum momento a gente já viu uma proximidade maior do presidente da Câmara com o atual presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva,
05:04que deve ser candidato à reeleição também.
05:07Até viajaram junto, havia uma relação um pouco mais amistosa do que talvez esteja ocorrendo nesse momento.
05:12Mas, de qualquer modo, isso significa que Hugo Mota também pode dar um apoio à reeleição de Lula lá na frente?
05:21Ou isso é absolutamente fora de cogitação?
05:24Ou vai depender do ambiente político como vai ficar daqui pra frente, Otúlio?
05:30Olha, Nonato, sua pergunta é muito boa, mas eu precisaria ter bola de cristal pra cravar qual será a posição do Centrão.
05:36Porque o Centrão vai exatamente na arte do equilíbrio, na arte de equilibrar dois pratos.
05:42Na arte de também ficar bem com o governo e com a oposição.
05:46Nesse sentido, se eu fosse falar hoje, a aliança político-partidária mais forte é a de centro-direita.
05:53Isso é que tem se revelado.
05:54Veja só, recentemente o ministro do Turismo deixou um ministério importante,
05:59sendo do Pará, às vésperas da COP30, com pretensão político-eleitoral para o ano que vem.
06:05Deixou a troca do quê? De fidelidade partidária?
06:08Evidentemente que isso mostra o enfraquecimento político-eleitoral do governo federal com o Centrão.
06:14Também o andamento do próprio PL da Anistia, que era alguma coisa que era uma questão de honra para o governo federal.
06:20Então, se eu fosse analisar nesse momento, o Hugo Mota está muito mais na aliança centro-direita do que no governo.
06:27Porém, meu caro, na política, e ainda mais na política do Centrão, em que eles ficam com o pé em cada canoa,
06:33é preciso ter calma e parcimônia para cravar qualquer coisa.
06:38Tá certo, Tully.

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