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  • há 4 meses

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Transcrição
00:00Já são três meses sem resposta, eu estou aqui com a família do seu Geraldo Laureano da Silva,
00:08olha aqui a foto dele, 74 anos, estou aqui com alguns dos filhos, são quatro no total,
00:14tem três aqui comigo, aqui do meu lado direito tem Dona Josefa, a viúva.
00:20O pessoal aqui está inconsolado.
00:22Só para a gente relembrar essa história, se o Geraldo saiu aqui do bairro de Coqueiral
00:26com destino ao Recife, Ilha do Leite, ele precisava fazer um exame, pegar alguns colírios
00:32e depois foi para o centro da cidade.
00:34Era um homem trabalhador, ele vendia milho, 40 anos vendendo milho, estava um pouco afastado
00:41e foi no centro da cidade para reencontrar alguns amigos e acabou bebendo ali na região do Cais de Santa Rita.
00:49O local exato a gente ainda não sabe.
00:51Não sabemos exatamente o que aconteceu, mas ele apareceu todo machucado lá na policlínica
00:58Agamemnon Magalhães, que fica ali em Afogás, foi socorrido pelo SAMU.
01:03E aí começou o drama dessa família.
01:06Vou conversar agora com Vanessa, porque a família está querendo respostas.
01:11Seu Geraldo morreu.
01:14Mas foi uma série de erros que a gente vai conversar e relembrar.
01:18Nós demos com exclusividade aqui no TV Jornal Meio Dia, na TV Jornal Essa História.
01:23Estamos relembrando porque nada avançou.
01:27Me conta, seu pai deu entrada na policlínica lá de Afogados, bastante machucado,
01:33pancada na cabeça, em hematomas no corpo, não foi isso?
01:36E vocês não sabiam onde ele estava até então?
01:38Foi quando a assistente social ligou, falando que tinha encontrado ele na policlínica.
01:43De primeira, quem foi? Foi meu irmão.
01:44E eu cheguei depois.
01:46Quando eu cheguei lá, meu pai estava todo desorientado.
01:48A assistente social conversou comigo.
01:50Disse que apenas meu pai tinha chegado com pequenos ferimentos.
01:54Estava mal higienizado, alcoolizado.
01:57Quando eu fui ver, meu pai não reconheceu nem eu e nem ele.
02:00E eu, como já sou da área, já tenho aquela experiência.
02:04Eu disse, não, dou paro, foi medicação.
02:06Conversei, conversei, a assistente social disse, não me deram nada.
02:10Disse que, em um momento, meu pai estava com quadro de hemorragia.
02:13A gente levou ele para a sala do médico.
02:15Foi que o médico visse, senhor Gerardo, o senhor está prestes para tomar mais uma.
02:19O senhor está liberado.
02:20Mas aqui consta que ele está com quadro de hemorragia hepática.
02:24Meu pai vem para casa, se recupera em casa.
02:26Depois de uma semana foi quando ele começou a sentir os sinais.
02:29Ainda vi uma reanimação do meu pai aqui.
02:32Chamei o SAMU.
02:33Meu pai foi para a UPA do Engenho.
02:35Foi muito bem atendido pela UPA do Engenho.
02:37Fizeram três hemogramas no meu pai, a UPA do Engenho.
02:39E todos os três constaram tudo avançado.
02:43Ele ia fazer duas cirurgias no HR.
02:45Mas, infelizmente, não deu tempo.
02:46Porque quando eu terminei de dar banho nele, tudinho.
02:49Quando eu vi aquele suor frio, eu disse, se algo está errado.
02:53Chamei as meninas na hora, a pressão estava cinco por quatro.
02:55Quando eu vi o sangramento pela boca, eu disse, meu pai está indo embora.
03:00Ela falou, você não pode entrar.
03:01Você vai entrar na sala vermelha.
03:02Eu assisti tudo.
03:03Eu assisti meu pai sendo reanimado.
03:05Eu assisti meu pai sendo entubado.
03:07Eu assisti tudo.
03:08A morte dele na minha frente.
03:09E lá na UPA, ele conversa com os profissionais.
03:13E disse que foi agredido.
03:15Tentaram roubá-lo.
03:16E agrediram ele com um pedaço de pau.
03:18E aí a gente sai de uma história e entra já num crime.
03:22Tentativa de latrocínio até então.
03:24Aí é quando a DHPP entra, que eu sempre, eu e ele, está caindo em cima.
03:29Diz que investigaram as pessoas, mas não dá retorno para nós.
03:32Quem foi, né?
03:33Qual o fechamento disso tudo?
03:36A senhora quer saber o que aconteceu com ele?
03:37Quero saber.
03:38Eu quero justiça.
03:39Porque a Samu tem dizendo que pegou ele o local, né?
03:41Não foi o que aconteceu.
03:43O local fechado, o local na rua, ninguém sei, né?
03:46Que tem uma mulher de um bar que foi chamada e deixou.
03:49Não foi para lá, não foi?
03:50Um amigo dele com sete relógios.
03:52Era amigo dele.
03:54Aí liberou também.
03:55Foi chamada, liberou.
03:55Eu não estou entendendo como está isso.
03:57Quero justiça.
03:58Quero.
03:58Você vai procurar a justiça pelo que aconteceu com o seu pai, mas também em relação às
04:03unidades de saúde?
04:04Sim, e principalmente a boliclínica.
04:07Como é que o seu paciente chega ali com o quadro de hemorragia e não alerta?
04:11A família precisa humanamente desse desfecho para poder seguir em frente.
04:17A gente volta aí no estúdio.
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