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  • há 19 horas
Transcrição
00:00E para repercutir esse assunto da TV 3.0, vamos receber ao vivo
00:06Arthur Igreja, que é especialista em tecnologia e inovação.
00:11Vamos lá? Deixa eu receber o Arthur Igreja aqui nos nossos estúdios.
00:16Olá, Arthur Igreja, muito boa noite, seja bem-vindo.
00:21Boa noite, Marisa, obrigado pelo convite.
00:23Arthur Igreja, já estamos falando aí da TV 3.0,
00:28que promete uma revolução na forma como consumimos conteúdo da TV.
00:33Na sua opinião, Arthur, qual é a principal mudança?
00:36Porque não é somente melhoria de imagem, tem muita interatividade nisso, não é?
00:40E como vai funcionar?
00:43O ponto principal é esse, porque é claro, a imagem vai dar um salto gigantesco.
00:48Vamos sair do 1080p, do chamado Full HD, para 4K e até 8K.
00:53Então, hoje já existem TVs que têm essa resolução, mas o que falta é conteúdo.
00:58Sem contar a qualidade do áudio.
01:01Mas a principal mudança é que a TV deixa de ser passiva,
01:04ou seja, ela não consegue conversar com o espectador,
01:07e ela se torna uma plataforma de interatividade,
01:10para vários aspectos.
01:12Então, não só o conteúdo se torna muito mais dinâmico.
01:15Por exemplo, a pessoa vai poder assistir uma série, um filme,
01:18ou até mesmo uma partida, e escolher qual câmera que ela quer.
01:22Além disso, toda a publicidade vai poder ser direcionada, customizada.
01:29A pessoa que está assistindo vai ter um perfil, assim como ela tem no streaming,
01:33na Netflix, por exemplo.
01:34Então, a partir desse perfil, ela vai ter os anúncios direcionados,
01:38não só para a região onde ela mora,
01:40mas principalmente orientado aos hábitos dela.
01:44Então, vão ser anúncios muito mais direcionados e assertivos,
01:48parecido com o que nós temos nas redes sociais, no final das contas.
01:51E, além disso, a interatividade vai além.
01:53A pessoa vai poder fazer compras, vai poder participar de enquetes,
01:57ela vai poder participar de votações.
01:59Ou seja, a interatividade que as pessoas têm hoje no smartphone,
02:03muitas pessoas acabam acompanhando conteúdos na TV,
02:06mas têm na sua mão a chamada segunda tela,
02:10seja no tablet, ou no smartphone, ou até mesmo no computador.
02:13E essa interatividade é que agora vai para a TV.
02:16Então, o grande salto é esse.
02:17A TV deixa de ser simplesmente uma transmissão
02:21e ela passa a ser uma interação,
02:24sem contar o fato de que a pessoa vai poder assistir o conteúdo de forma assíncrona,
02:29voltar na programação.
02:31Então, fica muito mais parecido com o streaming.
02:34Agora, é muita tecnologia envolvida.
02:36Agora, essa tecnologia, inclusive, Arthur,
02:39ela muda um pouco o modelo de negócio do que nós temos hoje de TV,
02:43porque as emissoras vão poder ter seus próprios aplicativos para as smart TVs.
02:49O que muda, o que impacta, na verdade, o modelo de negócio da TV aberta,
02:53que hoje, basicamente, depende de organização, por exemplo,
02:56por números de canais e ali uma sequência de horários.
03:00Enfim, muda o modelo de negócio, não é?
03:02Muda completamente, mais uma vez.
03:05Me parece que os canais já passaram por uma parte dessa transformação,
03:10porque eles tiveram que se tornar omnichannel, omnimídia.
03:14Então, hoje, o que importa é o conteúdo.
03:16As pessoas não necessariamente assistem no horário que passa
03:20e não assistem na TV.
03:22Muitas pessoas acabam assistindo no YouTube,
03:25acabam assistindo cortes nas redes sociais, como no TikTok.
03:28Então, quer dizer, a TV deixa de ser broadcast,
03:32essa transmissão ampla e igual para todo mundo,
03:36e ela se torna muito mais um feed.
03:38Ou seja, conteúdo customizado na duração, no formato,
03:42com a entrega sendo comandada pelo consumidor,
03:46por quem está assistindo.
03:47Então, muda, muda completamente.
03:49Quer dizer, me parece que, por um lado,
03:52vai abrir um leque de opções com essa questão da customização dos anúncios,
03:56mas também no próprio formato do conteúdo,
03:59que vai ter que ser muito mais dinâmico,
04:02vai ter que ganhar essa característica de personalização,
04:05porque não adianta, voltando naquele exemplo das partidas,
04:08não adianta a tecnologia propiciar isso,
04:10a pessoa escolher diferentes ângulos,
04:13se o conteúdo gerado não suportar esse tipo de flexibilidade,
04:18de interatividade.
04:19Então, não é só uma mudança no modelo de negócio,
04:22mas vai ser uma mudança bastante importante
04:25na forma como o conteúdo é produzido.
04:28Agora, Arthur, a gente pode dizer, então, que seria assim,
04:32nós já nos acostumamos a consumir conteúdo na segunda tela,
04:36tablets, celulares,
04:38é como se a televisão estivesse se adaptando a esse costume
04:41que nós já temos incorporado no dia a dia,
04:43isso é o inverso?
04:44É a TV migrando para a segunda tela, é isso?
04:48Exato, a TV fica muito mais parecida com o smartphone,
04:52então, com toda essa interatividade,
04:54até por isso que é preciso lembrar que,
04:57como é uma transição de geração tecnológica,
04:59assim como aconteceu com a TV analógica,
05:03que no começo as pessoas precisavam de um conversor
05:06para poder acessar a TV digital com mais resolução,
05:09com mais recursos,
05:10o mesmo vai acontecer agora.
05:12As pessoas vão precisar de um conversor
05:14para poder acessar a TV 3.0,
05:17e, é claro, num segundo momento,
05:18tudo isso vai ser embutido nas TVs,
05:21nas novas TVs,
05:23assim como aconteceu com as smart TVs,
05:25que no primeiro momento as pessoas usavam
05:27um dispositivo externo para adicionar essa conectividade,
05:32e daí, ao longo do tempo,
05:33tudo isso foi incorporado em grande medida nos aparelhos.
05:36E é por isso que existe esse alvo
05:38de disponibilizar esses recursos na Copa,
05:41porque, considerando o consumo e a paixão pelo futebol no Brasil,
05:45historicamente, nos grandes eventos esportivos,
05:49que acontecem a cada dois anos,
05:50estou falando, claro, da Copa e das Olimpíadas,
05:53para muitas pessoas,
05:54e esse é o momento de fazer um upgrade nos seus aparelhos.
05:58Então, é uma mudança gigantesca.
06:01Quer dizer, a TV, como nós conhecemos,
06:04daqui a dois, daqui a três, daqui a cinco anos,
06:06especialmente,
06:07ela vai ser muito mais parecida com um smartphone,
06:10do que simplesmente um dispositivo
06:13em que as pessoas hoje espelham conteúdo
06:16através dos seus smartphones
06:18ou ficam simplesmente navegando em diferentes canais.
06:22Agora, Arthur, as pessoas devem estar se perguntando,
06:25como nós vimos na reportagem,
06:26quais são os maiores desafios para implementar essa TV 3.0,
06:30porque é uma mudança realmente gigante
06:32da forma como nós interagimos com ela,
06:35sabendo que o Brasil tem dimensões continentais,
06:40com diferenças mesmo,
06:41de região para região.
06:43Quais são os grandes desafios para isso?
06:45E mais, as pessoas também devem estar se perguntando,
06:47e elas, do lado de lá,
06:48o que elas vão precisar fazer para se adaptar a isso?
06:51Porque a gente viu que a implementação da TV digital
06:53demorou bastante.
06:55E nós vimos aí na reportagem
06:56que, a princípio, deve levar 15 anos
06:59para o país inteiro estar incorporado nessa TV digital.
07:02Você acredita que esse período está sendo otimista, pessimista?
07:06Enfim, são várias perguntas e uma só.
07:08Mas só para entender, para a pessoa de casa entender,
07:11como que ela fica nessa história, né?
07:13Olha, eu realmente espero que,
07:15assim como aconteceu com o 5G,
07:17o cronograma foi superado,
07:19no sentido de que ele tem sido mais curto
07:22do que a expectativa original.
07:24Então, me parece que os cronogramas
07:27estão sendo até conservadores, em alguma medida,
07:29como sempre.
07:30Começa pelas capitais e daí isso vai sendo desdobrado
07:34para as cidades médias e depois para as cidades menores.
07:37Tem um desafio grande,
07:38porque o Brasil, com as suas dimensões,
07:40enfim, é completamente diferente de um país europeu
07:43que tem o tamanho de uma pequena região do Brasil.
07:47Então, quando o assunto é mudança de infraestrutura,
07:51como o 5G, como é o caso de sinal de TV,
07:54é por isso que esse rollout,
07:56essa transição é tão demorada e tão desafiadora.
08:01Mas eu acredito que esse cronograma pode ser mais curto, sim,
08:05pode ser mais rápido.
08:07Quer dizer, espero que aconteça isso
08:08para que nós não tenhamos esse abismo
08:11entre pessoas que moram em determinadas regiões,
08:14porque essa diferença acontece até mesmo dentro das cidades.
08:17O que aconteceu com o 5G?
08:19Ele chegou em alguns bairros
08:21e outros não tem até hoje.
08:23Então, nós não podemos simplesmente dizer
08:24chegou em tal cidade.
08:26A pergunta é, chegou em qual região dessa cidade?
08:29Então, espero que isso seja mais rápido.
08:31Mas é por isso que é preciso lembrar
08:33que é uma mudança de infraestrutura.
08:36Então, não é simplesmente chavear um novo sinal,
08:39disponibilizar um conteúdo novo.
08:42Isso passa por uma implementação que é bastante penosa.
08:46Por isso que o cronograma é bastante extenso.
08:48Então, as pessoas podem ir acompanhando as notícias
08:52para tentar entender quando que isso chega na sua cidade.
08:55Mas volto a dizer,
08:56espero que seja muito mais rápido do que a gente está esperando.
08:59E as pessoas vão ter que trocar o aparelho de televisão de casa
09:04ou as smart TVs já estarão prontas para isso?
09:08No primeiro momento, como eu comentei,
09:10elas vão usar um conversor.
09:11Ou seja, não precisa trocar de aparelho.
09:13É claro que vai ter aí um estímulo por parte do mercado.
09:17É óbvio, mas as pessoas vão poder usar um dispositivo,
09:21um adaptador, assim como aconteceu com as smart TVs,
09:24que no primeiro momento era um dispositivo externo,
09:26HDMI, USB, enfim.
09:29E depois isso virou recurso padrão na grande parte das TVs.
09:34Mas não existe essa preocupação.
09:37A pessoa vai poder comprar esse conversor externo
09:39e aí já vai ter acesso a todos esses recursos.
09:42Agora, é claro, quem quiser usar o ápice da funcionalidade,
09:46que são essas imagens 4K e 8K,
09:49a pessoa vai ter que investir em aparelhos que hoje são
09:52substancialmente mais caros do que os aparelhos tradicionais.
09:58E uma das metas, Arthur, é justamente a Copa do Mundo de 2026
10:03já estar disponível, não é?
10:05A TV 3.0.
10:06O que precisa acontecer nos próximos meses,
10:08são meses mesmo,
10:10para que o cronograma da implementação
10:12consiga cumprir a TV 3.0 nesse prazo?
10:16Bom, vai ter que ter muito esforço
10:18do ponto de vista de infraestrutura
10:19para encontrar esse cronograma aí da Copa, né?
10:23Então, quer dizer,
10:24tivemos a assinatura, o anúncio,
10:26e agora vem a parte operacional,
10:28a parte prática,
10:28a parte de implementação
10:30dessa infraestrutura
10:31para que o sinal seja disponibilizado.
10:33Claro, tem algumas vantagens,
10:35porque nós vamos ter essa coexistência
10:38da TV digital com a TV 3.0.
10:40Então, quer dizer,
10:41nós não temos,
10:42só para mencionar um desafio adicional,
10:44que aconteceu com o 5G.
10:46O 5G, ele competia,
10:47usava a mesma banda,
10:49por exemplo, da TV por parabólica.
10:52Então, esse sinal,
10:53ele teve que ter um phase-out, né?
10:55Ele teve que ser desligado aos poucos
10:57para daí entrar o sinal 5G,
11:00sem contar a implementação das antenas
11:02e tudo mais.
11:02Então, quer dizer,
11:03nesse caso,
11:03eu diria que até o desafio é menor
11:05em relação ao 5G,
11:07eu espero que o cronograma seja
11:09cumprido aí
11:10para que muitas pessoas
11:11possam já usar esses recursos
11:13na próxima Copa.
11:15Tá aí,
11:15vamos falar muito a respeito disso ainda.
11:18Arthur Igreja,
11:19muitíssimo obrigado
11:20pela sua participação aqui hoje
11:21e voltamos nesse assunto
11:23em outros momentos.
11:24Muito obrigado
11:24e uma excelente semana.
11:26Obrigado igualmente.
11:27Boa noite.
11:28Boa noite.
11:29Tá aí, pessoal.
11:30Pois é,
11:31TV 3.0,
11:33assinado,
11:34já está,
11:36já teremos logo mais,
11:37mais informações.
11:38Vocês, claro,
11:39ficam sempre muito bem informados
11:41no olhardigital.com.br.
11:43Qualquer novidade,
11:44vocês encontram por lá.
11:46e aí,
11:51vocês encontram por lá.

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