00:00Com o objetivo de promover a conservação ambiental, desenvolvimento econômico e social da região amazônica,
00:06através de parcerias com comunidades locais, governos e organizações têm o Instituto Amazônia Mais 21,
00:14participado ativamente de eventos e iniciativas relacionadas ao desenvolvimento sustentável da Amazônia,
00:19que incluem debates sobre a COP30 em Belém, que já é uma realidade, o lançamento de fundos de investimento na região.
00:26A gente vai saber mais sobre essas iniciativas, o papo agora ao vivo é com o presidente do Instituto Amazônia Mais 21,
00:32Marcelo Tomek, que já está aqui no estúdio com a gente. Tudo bem? Prazer. Seja muito bem-vindo ao Fast Money, Marcelo.
00:37Boa tarde, Natália. Boa tarde a todos que nos assistem. Um enorme prazer e uma oportunidade de falar um pouco sobre esses fundos,
00:43a Facility Investimentos e toda a estratégia para a COP30 e para a Amazônia como um todo.
00:47Bora lá, que esse papo vai ser bom, né? O Marcelo falou da COP30 em Belém, então, que já deve colocar a Amazônia ali como o centro do mundo, né?
00:55Como que o Instituto Amazônia Mais 21 está se preparando para que esse momento se transforme mesmo num legado concreto, né?
01:03Não apenas um grande evento, assim.
01:05Bom, o Instituto Amazônia Mais 21, como uma iniciativa dos empresários da Amazônia, se prepara para a COP30, mas não por causa dela.
01:13Porque a gente tem uma estratégia de longo prazo para a região amazônica que passa pela COP30.
01:19A gente tem organizado portfólios de projetos, mobilização de empresas, de associações setoriais e industriais,
01:26da própria Confederação Nacional da Indústria, por meio da Sustainable Business COP,
01:30que é uma estratégia para construir posicionamento para o painel de clima da ONU.
01:36Enfim, um conjunto de ações que tem buscado organizar o setor empresarial local, amazônico,
01:44para atrair a atenção de investidores a projetos estruturantes na região amazônica.
01:49Então, em poucas palavras, é isso que a gente tem organizado para a COP30,
01:54a parceria das federações de indústria da Amazônia Legal, com apoio da Confederação Nacional da Indústria,
01:59diversos sócios e parceiros nessa orquestração ou consertação de opções de investimento,
02:07de projetos estruturantes para a região amazônica, que serão apresentados ao longo de toda a COP.
02:12Queria te ouvir mais sobre esse Facility de Investimentos Sustentáveis,
02:16que tem essa intenção de atrair capital privado para a Amazônia.
02:19Para quem não é do mercado, não está imerso nisso, ajuda a gente a entender, Marcelo,
02:25o que significa esse modelo de blended finance?
02:29É assim que a gente ama?
02:31E como ele pode, de fato, virar um crédito mais barato, mais acessível para quem empreende?
02:36Bom, a ideia da Facility de Investimentos, numa figura muito simples,
02:40é ser uma ponte entre o dinheiro e o projeto no território.
02:45Então, a Facility de Investimentos opera diversas plataformas de conhecimento,
02:49de assistência técnica, de engajamento e dos veículos financeiros, propriamente ditos,
02:55buscando atrair grandes capitais para projetos menores.
02:58Então, se por um lado, pelo lado do Instituto Amazônia Mais 21,
03:02a gente busca desfragmentar ações para a região amazônica,
03:08na plataforma Facility de Investimentos e por meio do blended finance,
03:12a gente busca captar grandes dinheiros e pulverizar isso em menores projetos,
03:17em projetos do tamanho da Amazônia.
03:18Porque alguns setores são intensivos em capital na região amazônica,
03:24como o setor mineral, o setor elétrico ou mesmo o agropecuário.
03:29No entanto, bioeconomia, turismo e todas as demais agendas têm uma demanda por capital muito menor.
03:36Por isso, a Facility de Investimentos Sustentáveis é uma operação estruturante
03:40para que permitamos, para que seja possível,
03:44a partir da assistência técnica e da originação de bons projetos no território amazônico,
03:49que reúne dezenas, centenas, milhares de boas iniciativas,
03:54preparando esses projetos para acessar o capital em volume e velocidade.
03:58Essa é a grande ação que a gente pode desenvolver para a Amazônia
04:04por meio da Facility de Investimentos Sustentáveis
04:07e trazendo o blended finance, ou seja,
04:11finanças híbridas, diferentes fontes de recursos
04:14para que a gente possa, por meio dessa mistura de capitais,
04:19poder operar diversos projetos, tirando risco desses projetos,
04:24apoiando a originação desses empreendimentos
04:27e acompanhando eles durante toda a sua vida
04:30para garantir sucesso a todas essas iniciativas.
04:34Marcelo, você mencionou a bioeconomia, queria te ouvir mais sobre isso,
04:37porque ela é apontada por especialistas como a trilha do ouro
04:40para desenvolvimento sustentável.
04:42Que cadeias produtivas da Amazônia hoje você considera
04:45que estão mais maduras, prontas para receber esse investimento de imediato?
04:50Natália, a bioeconomia é um guarda-chuva do tamanho da Amazônia.
04:53Então, cabe muita coisa no tema bioeconomia,
05:00mas eu poderia dizer que o setor de cosméticos já tem um grau de maturidade
05:05bastante evoluído, a exemplo de grandes players da indústria brasileira
05:10que fazem uso de bioinsumos advindos da região amazônica para os seus produtos.
05:17Você tem setor de alimentos em desenvolvimento,
05:20mas eu diria que é uma agenda a ser descortinada.
05:25A gente tem muitas possibilidades,
05:27consorciando conhecimentos ancestrais,
05:30a indústria, a pesquisa e a inovação.
05:33E o que a gente tem buscado fazer pelo Instituto Amazônia Mais 21,
05:36primeiro, é a organização do sistema,
05:38do ecossistema de inovação.
05:41Com isso, a gente tem o SEBRAE conosco,
05:43Fundação CERT, são diversos parceiros que há décadas dedicam suas vidas,
05:49suas operações à estruturação da agenda de inovação,
05:52à organização desses ecossistemas,
05:55e junto à indústria, à academia e ao setor financeiro.
05:58Agora, a gente busca selecionar projetos que tenham viabilidade
06:04por meio de um veículo próprio,
06:06da própria estrutura da Facilite de Investimentos financiar
06:09a primeira tranche, a primeira fase dessas iniciativas empreendedoras.
06:14Muitas vezes, o camarada está fora do sistema bancário,
06:17não consegue acessar, porque não tem garantia,
06:20porque ainda é informal,
06:22e a gente busca apoiar essa iniciativa.
06:26E outras que se complementam
06:28para garantir que, ao final, a bioeconomia tenha viabilidade.
06:31Algumas questões ainda são muito...
06:36nos estimulam a pensar soluções inovadoras,
06:41porque a indústria exige regularidade,
06:44escala e padronização.
06:46Como é que eu garanto o fornecimento de bioativos,
06:50bioinsumos, que preencham esses requisitos
06:53para uma produção industrial em escala?
06:55É isso que a gente está buscando traduzir.
06:57E, Marcelo, tenho que te perguntar de um ponto
07:00que gerou muita polêmica recentemente,
07:02que foi a expansão da exploração de petróleo
07:03em áreas da Amazônia.
07:05Como é possível, do seu ponto de vista,
07:07manter a coerência do Brasil como protagonista,
07:09líder ambiental na COP30,
07:11diante dessas discussões de novas frentes fósseis?
07:15Eu acho que a agenda energética
07:17e segurança energética do Brasil,
07:19ela tem exigências.
07:23A questão da ampliação de prospecção
07:28em novas fontes de energia
07:30é para garantir segurança energética ao país.
07:33E não é razoável afirmar
07:35que, de uma hora para a outra,
07:36a gente vai prescindir do uso de combustíveis fósseis,
07:39até porque o petróleo tem diversas outras aplicações
07:42que não só a energia.
07:44Então, eu diria que a gente precisa ter absoluta clareza
07:48quando discute a questão da exploração da margem equatorial
07:53porque ela pode, sim, ser um grande veículo
07:56de patrocínio, de fomento ao desenvolvimento sustentável
08:00desde que, e aí, pessoalmente, eu defendo essa agenda
08:04de que, caso o Brasil autorize a exploração
08:07na margem equatorial,
08:08que os recursos advindos dessa exploração,
08:12os royalties, assim como as ações de mitigação e compensação,
08:16100% sejam aplicadas na agenda do desenvolvimento sustentável
08:21da Amazônia,
08:21que passa também por enfrentar o atraso de infraestrutura
08:25que a agenda paralisante ou ideológica
08:30impôs à Amazônia um atraso na sua infraestrutura,
08:34quando, na verdade, a gente precisa ter acesso
08:37a todas as possibilidades para que a bioeconomia,
08:42o turismo sustentável
08:44e tantas outras agendas econômicas na Amazônia
08:47sejam viáveis.
08:48Nenhuma região se desenvolve sem infraestrutura.
08:51E, caso o Brasil, mais uma vez,
08:53autorize a exploração da margem equatorial,
08:56eu defendo que os recursos dos royalties
08:59possam avançar, permitir o avanço
09:02da infraestrutura na Amazônia
09:03e o financiamento a essa agenda
09:05do desenvolvimento sustentável da região.
09:07Marcelo, e não tenho como não te perguntar também
09:10sobre o tarifácio dos Estados Unidos.
09:11A gente fala disso o tempo inteiro,
09:14porque é um assunto que atinge geopolítica,
09:17também cadeias sustentáveis.
09:19E eu queria te ouvir sobre como que isso pode afetar
09:22ou desestimular produtos amazônicos de baixo carbono.
09:25Qual que é o impacto aqui para o Brasil,
09:27nesse sentido, nesse setor?
09:28Você tem uma cadeia fortemente impactada,
09:31que é a do açaí.
09:32E outros produtos amazônicos
09:35já estão sofrendo com a questão do tarifácio.
09:40O Brasil precisa enfrentar isso mais rapidamente
09:45do que tem sido feito.
09:47A CNI organizou uma missão para os Estados Unidos
09:49na próxima semana,
09:51buscando apresentar ao governo americano
09:54o ponto de vista econômico,
09:56qual o impacto disso
09:57e como é que isso também leva impactos negativos
10:00para a agenda americana,
10:02na medida em que os produtos comprados,
10:04os insumos comprados no Brasil
10:05são, na maioria das vezes,
10:07incorporados à cadeia de valor americanas.
10:10Não só o suco de laranja,
10:12que agora está desonerado,
10:14que impacta na vida do americano.
10:16Então, é uma pena que a gente esteja
10:19experimentando esse momento
10:20de redesenho da geopolítica,
10:23com essa guerra tarifária,
10:24muitas vezes com motivações questionáveis,
10:28mas eu diria que a nossa estratégia
10:30precisa ser de maior prazo,
10:32de longo prazo.
10:33Ações estruturantes que permitam
10:35que a bioeconomia se viabilize na Amazônia
10:39e não é o foco no mercado americano
10:42que vai garantir sucesso a essa estratégia.
10:45A gente precisa abrir mercado estrangeiro
10:47ao produto brasileiro,
10:48seja dos Estados Unidos,
10:49seja mercado asiático, europeu,
10:51seja o que for.
10:52Eu represento a Federação das Indústrias de Rondônia.
10:55O impacto do tarifácio em Rondônia
10:57representa 4,6% das nossas exportações.
11:00É um impacto baixo, obviamente,
11:02pensando toda a nossa pauta de exportação.
11:05Para quem tem mercado dos Estados Unidos
11:07como o único destino,
11:08o impacto é de 100%,
11:09é uma tragédia na vida daquela empresa.
11:12Mas eu acho que a diversificação
11:14de mercados consumidores dos nossos produtos
11:16e o fortalecimento dessas estratégias
11:20de agregação de valor ao produto brasileiro
11:23também permitirão um aumento significativo
11:27na resiliência da economia brasileira
11:30a essa volatilidade da geopolítica
11:32que a gente tem experimentado repetidas vezes
11:36nos últimos anos,
11:37seja por questões de conflitos armados,
11:39seja por mudanças de governo.
11:41Em certa medida,
11:42é o que nos dá esperança.
11:43Os governos passam,
11:45as empresas ficam
11:46e essas estratégias de longo prazo
11:49também precisam enxergar
11:51essa flutuação
11:52para garantir resiliência
11:53e continuidade a essas ações.
11:55Muito importante, mesmo interessante
11:57ouvir sobre esse ponto.
11:58Para a gente finalizar,
11:59Instituto Amazônia Mais 21
12:01apoia startups, pequenos negócios.
12:03Queria saber se você tem alguma história,
12:05algum case que você pudesse compartilhar com a gente.
12:07A gente tem um convênio,
12:09uma parceria com o Sebrae Nacional
12:11num programa chamado Inova Amazônia.
12:13São dezenas de empresas
12:15de oito estados amazônicos,
12:17de diversos setores,
12:18com produtos excelentes,
12:20desde chocolate a medicamento,
12:23plástico produzido com o ouriço da castanha.
12:29É muito interessante
12:30quando você faz uma prospecção ativa
12:32dessas iniciativas na Amazônia
12:35e consegue identificar ótimos projetos.
12:39Então, sim,
12:39pelo Instituto Amazônia Mais 21
12:40e toda a nossa rede de parceiros,
12:43em especial o Sebrae Nacional,
12:45a gente tem buscado apoiar startups
12:47e toda a iniciativa empreendedora
12:49que valoriza ciência e tecnologia
12:51como ferramenta de interpretação
12:55do potencial econômico do bioma amazônico.
12:57E é isso que a gente tem buscado fazer
12:59pelo Instituto Amazônia Mais 21.
13:01Traduzir essas potencialidades econômicas
13:03em negócios,
13:05negócios sustentáveis,
13:06que promovam a inclusão socioeconômica
13:09de sua população e das empresas amazônicas.
13:11Deve ter coisa muito interessante
13:13sendo feita por lá.
13:14Quero agradecer, Marcelo Tomé,
13:15presidente do Instituto Amazônia Mais 21,
13:17pela conversa ao vivo com a gente
13:19aqui no Fast Money.
13:20Muito obrigada, viu?
13:21Volto sempre.
13:21Boa tarde para você.
13:22Agradeço a você, Natália,
13:23ao canal e a todos que nos assistiram.
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