00:00Lance diretamente do Rio Innovation Week, estamos aqui com o Diego Vieira, que acabou de participar de um painel no nosso palco sobre uso de dados no esporte.
00:09Você é CEO da Outlier FC e da E-Scout, duas empresas, e eu queria começar você se apresentando, contando um pouquinho do trabalho que faz nessas duas empresas.
00:17Bom, primeiro, boa tarde Pedro, obrigado aí pelo espaço. A Outlier FC nasceu em 2020 e basicamente ela veio ao mundo para a gente prestar consultoria tática individualizada para jogadores de futebol.
00:33Então a gente identificou um nicho do mercado onde os clubes têm uma demanda de trabalho muito grande, às vezes nem tantas pessoas para poder executar esse tipo de trabalho.
00:42Os jogadores com a necessidade de querer entender mais do jogo fez com que a gente desenvolvesse uma metodologia, uma solução onde a gente estuda o modelo de jogo daquele treinador,
00:52as preferências dele para cada jogador em cada posição. A gente faz um estudo super aprofundado sobre o jogador e a gente casa essas duas informações com uma rotina semanal de reuniões com os nossos clientes
01:03para a gente poder mostrar dentro do jogo o que ele está fazendo de bom, o que ele pode melhorar.
01:08E a partir dessa solução a gente cresceu no mercado, a gente foi descobrindo outros gargalos que a gente gostaria de procurar soluções para impulsionar o mercado de futebol.
01:18E hoje a gente tem plataformas de desenvolvimento individual para clubes, onde todos os ativos das categorias de base são monitorados, informações são geradas pela nossa equipe.
01:28Desenvolvemos um aplicativo com soluções táticas por vídeo para que a garotada, jogadores amadores também possam ter essa oportunidade de se desenvolver.
01:34E aí o Scout foi uma dessas ramificações de soluções do mercado, onde a gente avalia jogadores da base do Brasil, gerando scores, avaliações sobre temas físicos, ofensivos, defensivos,
01:48para que os clubes tanto do Brasil quanto de fora possam conhecer a qualidade dos atletas que hoje estão espalhados Brasil afora.
01:56Uma curiosidade que eu tenho é sobre a linguagem desse tipo de informação com os jogadores, nesse diálogo individualizado.
02:02É claro que o jogador hoje está mais inteligente estaticamente, porque todo esse linguajar já faz parte do dia a dia no clube,
02:07mas como fazer para essa informação chegar de forma clara e realmente não seja algo confuso ali para o jogador entender?
02:13Bom, primeiro de tudo, eles são extremamente inteligentes, cara.
02:16Não tem um jogador que a gente começa a ter o trabalho que eles não têm uma capacidade absurda no entendimento do jogo.
02:23Se a gente para para pensar, qualquer um de nós nas nossas profissões ou na vida,
02:27eles estão expostos àquilo ali desde 2, 3, 4 anos de idade.
02:32O que acontece é que a gente tenta abrir novas janelinhas para que ele possa desenvolver melhor um comportamento ou outro,
02:38alterar de acordo com o treinador.
02:41E óbvio que nessa relação direta a gente precisa ter muita habilidade na resenha propriamente dita
02:46para poder passar essa informação de uma maneira que é bem absorvida e leve por conta do jogador
02:53para que no fim das contas aconteça o que a gente quer.
02:55Ele leva isso para a prática para ele poder melhorar.
02:58Então é regra da empresa que, pelo menos no início da reunião, a resenha tem que acontecer
03:02porque a gente também quer criar esse ambiente amistoso ali com os nossos clientes.
03:06E uma curiosidade, quando você está no diálogo ali com o jogador, já aconteceu?
03:10E por acaso você, nos darei uma sugestão para um jogador, fazer um comentário
03:14que vai contra algo que ele ouviu de um treinador ou do clube e tem algum ruído aí nessa informação?
03:19Nunca aconteceu e acho que nunca vai acontecer por dois motivos muito simples.
03:24Primeiro, a nossa obrigação é de estudar e muito as preferências daquele treinador
03:29com acesso a dados, vendo os jogos dele, acesso a pessoas do clube que estão nesse dia a dia,
03:35informações que o jogador nos passa de preferência do treinador.
03:38E segundo, que por mais que em alguns momentos a gente vê uma informação
03:42que talvez não seria, na nossa visão, a melhor dos mundos, a gente tem que respeitar uma hierarquia.
03:48No fim das contas, o nosso cliente está nos contratando para fazer com que ele jogue melhor
03:52e para o treinador em questão.
03:55Se as nossas informações vão na contramão disso, o nosso trabalho não está sendo bem feito,
04:00então precisa ser muito responsável e muito cauteloso nessas interações.
04:04Perfeito.
04:04E você falou bastante no painel sobre essa questão dos dados enviesados e de conciliar
04:10o pensamento humano e os dados, a filosofia romântica como você colocou do jogo e os dados.
04:17E uma coisa que eu vejo muito, isso chegou a ser esse tipo de debate inclusive no público
04:20e realmente assim, o dado para muita gente virou uma muleta para tentar justificar o que ela acredita.
04:25Então a gente tem, por exemplo, o cara é fã de um jogador, aí ele pega ali,
04:29pô, o jogador tirou uma nota boa no aplicativo, no dia tal, ele vai lá e aí vai compartilhar aqueles dados.
04:33Ou então ele diz que o jogador é um ótimo criador, no dia que ele deu cinco passos decisivos, ele vai compartilhar.
04:38E o próprio jogador faz isso.
04:39A gente fez jogador que quando um aplicativo, uma página compartilha ali dados positivos dele,
04:44ele vai mostrar para o resto do público.
04:46Olha, joguei bem hoje, mesmo que a torcida esteja achando que não.
04:49Então como fazer para esses dados realmente serem usados da melhor forma
04:52e não ser só uma muleta para já confirmar o que você acredita?
04:55Bom, então tem dois viés que são importantes de mencionar.
04:59O primeiro é a nossa função com o jogador e depois dentro de um clube para consumir esses dados.
05:05Os dados, eles são iguais para todo mundo.
05:08No nosso atendimento com o jogador, a primeira coisa é que ele vê pouquíssimos dados da nossa parte.
05:13Porque o mais relevante para nós no trabalho com os atletas é da qualidade que ele está executando,
05:20um passe, uma finalização, os passes decisivos e não a quantidade.
05:24Não necessariamente o jogador que dá mais passes decisivos é melhor jogador.
05:29O contexto de um passe decisivo pode muito mais ter pedido de que ele fizesse outra ação.
05:33Então para nós a qualidade de como ele faz é muito mais importante.
05:37Ou seja, a gente precisa extrair essas informações, entender elas profundamente,
05:43deixar bem objetivo quais informações a gente quer passar para melhorar a qualidade.
05:47Dentro de um cenário de clube, é super importante que você parte do princípio de não ter viés.
05:54Porque no fim das contas, esse viés que você quer confirmar em alguma das suas opiniões,
05:59vão te aproximar muito mais de uma falha na tomada de decisão do que de uma solução.
06:05E para isso você precisa contar com pessoas internamente que vão te dar esse contraponto.
06:09É o que se fala muito no empreendedorismo.
06:11Se o CEO, o fundador da empresa contratar pessoas parecidas com ele, a empresa segue o mesmo rumo.
06:18Então dentro de um clube de futebol é importante que você tenha esses contrapontos.
06:22E hoje os clubes que já tem esse departamento de dados bem desenvolvido, existe essa conexão.
06:27A percepção subjetiva de alguém que quer que algo seja verdade já é combatida amistosamente com o que os dados de fato vêm mostrando.
06:35E para a gente finalizar esse debate, voltando um pouquinho do que eu estava falando,
06:38do jogador às vezes ali ser algo contraditório, eu vi uma coisa dali, outra daqui.
06:42E inclusive da opinião da torcida.
06:44Já aconteceu do jogador, por exemplo, às vezes a torcida pode cobrar com o lateral, cruze com mais frequência.
06:49Na verdade o que os dados estão apontando, o que o clube quer não é isso, é algo completamente diferente.
06:53Ele mantém a cabeça no lugar e vou continuar achando que eu estou fazendo errado, mas eu estou fazendo aquilo que é pedido.
06:58Com toda certeza tem um exemplo muito claro que são as cobranças de escanteios.
07:03Hoje, estatisticamente falando, você tem uma probabilidade maior de finalizar a gol com uma cobrança de escanteio curta.
07:10E torcedor tende a não gostar muito dessa opção.
07:14Pô, subiu todo mundo para a área, é só jogar a bola lá, não precisa ter esse risco ali de perder a bola.
07:19A gente tem alguns desses retornos da torcida do comportamento do jogador ou de uma decisão do clube.
07:26Mas aí também é importante separar um pouco.
07:28A torcida que vem de um ponto de partida de amor, de paixão, de consumo ali, por mais que tenha validez,
07:37não são experts para poder decidir um certo comportamento do jogador ou uma estratégia de uma cobrança de escanteio.
07:43Então, por mais que a gente escute e saiba que tem essa restrição com alguns comportamentos,
07:49a gente também precisa ter bastante frieza para poder dizer que o que vai aproximar mais do sucesso
07:55é um tipo de comportamento e não simplesmente o que é de pedido de torcida.
08:00Perfeito. Muito obrigado, Diego.
08:02Valeu, Pedro.
08:02Valeu.
Comentários