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O governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), foi oficializado pré-candidato à Presidência em um evento em São Paulo, e não em seu próprio estado. O cientista político Márcio Coimbra analisa a estratégia por trás dessa decisão, que busca projetar o nome de Zema nacionalmente e dialogar com o maior colégio eleitoral do país.

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Transcrição
00:00O governador Romeu Zema tenta aproveitar a divisão da centro-direita e confirma a pré-candidatura à presidência da República pelo Partido Novo.
00:08A gente volta a esse assunto. O nosso entrevistado agora é o cientista político Márcio Coimbra, participando da programação da Jovem Pan.
00:15Márcio, como sempre, muito obrigado pela gentileza por nos atender. Boa noite e bem-vindo.
00:20A satisfação é imensa, Thiago Cristiano, de estar aqui na Jovem Pan com vocês, mais uma vez, comentando uma notícia importante na política nacional.
00:28Bom, eu começo perguntando o seguinte, a gente já tinha falado com o Vilela mais cedo, o lançamento dessa candidatura foi em São Paulo.
00:36De que forma isso também mostra, ou tenta mostrar um simbolismo para o início dessa pré-candidatura?
00:45Na verdade, o que a gente está vendo aí é que o governador de Minas, ele precisa ampliar, ele precisa expandir os seus domínios,
00:54ele precisa ir além das fronteiras de Minas Gerais e ele precisa entrar num território que é um bastião da centro-direita brasileira,
01:02que é o estado de São Paulo e que hoje tem o domínio claro do governador Tarcísio de Freitas.
01:07Então, ele precisa necessariamente expandir a sua linha de ação para além das alterosas, para além das Minas Gerais.
01:18Ele precisa penetrar no sul, ele precisa em outros estados do sudeste e especialmente São Paulo.
01:27São Paulo é o lugar que ele sabe que se ele não conseguir apoio, apoio do PIB, apoio do mercado financeiro, apoio do empresariado, apoio do agro,
01:39ele sabe que se ele não penetrar nessa parcela importante da centro-direita brasileira, ele não tem qualquer chance nessa pré-corrida presidencial, vamos colocar assim.
01:51Próxima pergunta de Cristiano Vilela, nosso comentarista nesse sábado.
01:55Professor, boa noite, satisfação recebê-lo novamente aqui na Jovem Pan.
02:01Professor, nesse momento nós vemos Romeu Zema, vemos Caiado lançando candidatura a presidente.
02:09Existe, dentro de uma eventual não confirmação, algo que já é, a fotografia de hoje já coloca realmente a ineligibilidade,
02:17a impossibilidade de Jair Bolsonaro ser candidato a presidente da República.
02:21Na sua visão, o segmento conservador, ele tende a uma pluralidade de candidatos nas eleições que eventualmente possam compor no segundo turno?
02:32Ou existe talvez uma tendência para que a liderança de Jair Bolsonaro, de alguma forma, ou outros atores do campo conservador,
02:40possam direcionar a construção de uma candidatura única?
02:43Vilela, a pergunta é excelente e a gente precisa entender muito bem esse cenário,
02:50porque realmente Bolsonaro não deve ser candidato, não deve participar ativamente das eleições de 2026 como candidato.
03:02Agora não significa que o seu peso político não vai estar nas eleições, que ele não vai fazer parte disso.
03:11E o que a gente tem enxergado até o momento?
03:15Que tudo indica que existe ainda uma divisão nessa centro-direita, mas que a tendência que a gente vê aqui em Brasília,
03:24nas conversas de bastidor que eu tive nessa semana no Congresso Nacional,
03:29é que existe uma vontade dos grupos de centro-direita em fazer uma candidatura única de Tarcísio de Freitas para a eleição de 2026.
03:41Uma frente, Vilela, que englobaria o PSD de Kassab, o PL de Valdemar Costa Neto, o PP de Ciro Nogueira,
03:50o próprio Republicanos, do Marcos Pereira, e também talvez o Podemos da Renata Abreu.
03:58Esses partidos, eles estariam todos em volta de uma mesma candidatura.
04:03Também colocam aí União Brasil e setores do MDB.
04:07Então eles estariam articulando com um grande centro, uma grande centro-direita em torno de Tarcísio de Freitas.
04:17E isso tiraria espaço dos outros pré-candidatos, no momento que a gente já vê isso se consolidando
04:24como uma força no Congresso Nacional.
04:28Uma força muito mais ainda de uma conversa entre os caciques.
04:33Mas uma conversa também que já passou por outros poderes,
04:36também já passou pela Faria Lima,
04:38e que tende a colocar Tarcísio de Freitas como representante
04:42desse amplo grupo de partidos que representaria uma centro-direita.
04:47lógico que também aí com a benção de Jair Bolsonaro.
04:52Pois é, professor, porque a questão de Tarcísio é uma questão um pouco complicada,
04:56porque ao contrário de Romeu Zema e do próprio governador Ronaldo Caiado,
05:01que não tem mais chance de buscar a reeleição,
05:05Tarcísio de Freitas obrigatoriamente deveria deixar o governo de São Paulo
05:08entre março e abril do ano que vem.
05:11Essa costura só se daria se Jair Bolsonaro desse a benção, como o senhor diz,
05:18porque se Jair Bolsonaro não tiver qualquer posicionamento até lá,
05:22o que faria Tarcísio de Freitas, professor?
05:25Olha, eu acho que tudo leva a crer que Tarcísio de Freitas, até lá,
05:32ele não vá ser candidato por vontade própria.
05:35E eu acho que isso é o mais importante desse cenário.
05:38Ele está muito mais para ser ungido pelo somatório do grupo político
05:44do que pela própria vontade dele de ser candidato em 2026.
05:50Eu acho que por ele, pessoalmente, talvez Tarcísio preferisse esperar até 2030.
05:56Mas esses grupos políticos que estão em volta dele têm conversado muito isso,
06:02eu tenho conversado com as lideranças aqui em Brasília
06:05e eu tenho coletado muito essa impressão.
06:09Especialmente, Thiago, a gente vê o que está acontecendo aí
06:12com essa imposição das tarifas nos Estados Unidos,
06:17essa indisposição e inabilidade do governo brasileiro
06:20de conseguir criar pontes e conversas profícuas com os americanos
06:27e tendo as linhas diplomáticas completamente obstruídas,
06:31está dependendo aí da diplomacia corporativa,
06:34de grupos privados que têm contatos diretos nos Estados Unidos.
06:39Me parece que a preocupação dos grupos políticos
06:43é de que o Brasil entre numa rota muito perigosa
06:46e que a união deles, nesse momento, seria importante.
06:51E aí entra Jair Bolsonaro, me parece que o poder de persuasão aí
06:56de Valdemar Costa Neto e dos outros caciques vai acabar se impondo,
07:00talvez com Bolsonaro indicando o vice de Tarcísio.
07:04Ainda é muito cedo para a gente estar falando de tudo isso,
07:09mas significa que nos corredores da política e entre as lideranças,
07:16esse assunto já está sendo discutido à exaustão.
07:21Então, para o grande público, a gente acha ainda que é muito cedo,
07:25mas dentro da política esse assunto já está bem aceso
07:28e talvez essa seja a tendência hoje, no cenário de hoje.
07:33A gente sabe que a política pode mudar tudo rapidamente,
07:36mas em cenários de hoje a gente aposta nessa solução.
07:41Cristiano Vilela.
07:42Professor, na linha dessa sua última fala,
07:46dá para a gente, então, talvez colocar aqui
07:49essa pequena subida que o presidente Lula teve
07:53nas pesquisas mais recentes, ao longo desses um mês, um mês e meio,
07:56por conta dessa questão do tarifácio.
07:59De alguma forma, ela pressiona o campo da direita
08:02à construção de uma candidatura,
08:04ela demonstra que talvez não há jogo ganho
08:06e que, de fato, terá, realmente teremos um processo eleitoral
08:10bastante combativo em 2026?
08:14Pressiona sim, Vilela, porque a gente vai lembrar
08:18e vamos voltar um pouco no tempo para a gente entender isso.
08:22Vamos voltar lá para o escândalo do Mensalão,
08:25aonde a oposição, quando via Lula fraco,
08:28dizia, vamos deixar o Lula desidratar
08:33e vamos ganhar do Lula nas urnas sem fazer o impeachment.
08:38Esperaram 2006 e, em 2006, acabaram perdendo para Lula as eleições presidenciais.
08:46Então, me parece que a oposição à esquerda aprendeu com as lições,
08:52aprendeu ao longo do tempo e entende de que é necessário se posicionar,
08:58é necessário entrar no jogo e é necessário, sim, fazer pontes,
09:04criar alianças e solidificar um caminho para o ano eleitoral que se avizinha.
09:10Porque se realmente todo mundo ficar esperando que vai vencer
09:15simplesmente em função da impopularidade do presidente,
09:20é possível que a direita até venha a perder,
09:23uma vez que existem uma série de fatores,
09:27uma série de acontecimentos que podem fazer o jogo virar em muito pouco tempo.
09:33Como você bem mencionou, essa situação com os Estados Unidos,
09:36na qual Lula se sente muito confortável e não busca uma solução,
09:42busca acirrar o conflito para conseguir se mostrar
09:45alguém que está defendendo a soberania do Brasil
09:49e alguém que está defendendo os brasileiros,
09:52mas simplesmente para colher dividendos políticos.
09:56Não pelo fato de que ele esteja defendendo efetivamente o Brasil,
10:00porque nós sabemos o quanto os grupos econômicos,
10:05a economia brasileira, o emprego, ele vai sofrer,
10:09e vai sofrer especialmente daqui a seis meses,
10:13quando a gente começar a ver os impactos diretos do tarifaço
10:17no setor produtivo brasileiro.
10:19Professor, voltando ao tema da abertura da entrevista,
10:23a pré-candidatura de Romeu Zema,
10:25não sei se é uma leitura correta,
10:27é uma leitura talvez mais partidária,
10:30porque Romeu Zema é do Partido Novo
10:33e nós temos Ronaldo Caiado,
10:35que é do União Brasil, com a coligação,
10:37com a federação, na verdade, do Progressistas.
10:40Talvez o União e o Progressistas
10:42têm mais chance de defender,
10:45especificamente, o governador Tarcísio, por exemplo.
10:48Não que o Novo não o defenda,
10:49mas talvez é um partido,
10:51não sei se o termo correto também seria mais independente,
10:54para bancar essa candidatura até o fim,
10:56e aí, no segundo turno,
10:57eles fazem o apoio, fazem a coligação.
11:00Só que tem muita gente que diz
11:01que a candidatura de Romeu Zema não vai adiante
11:04e ele pode até sair ao Senado.
11:06Existe verdade nessa avaliação, professor?
11:10Olha, Tiago,
11:11considerando o sistema político de Minas Gerais,
11:15a gente precisa olhar sempre o cenário.
11:19E o cenário de Minas,
11:20ele não é muito definido ainda, né?
11:23A gente tem ali o senador Rodrigo Pacheco,
11:27que tem a vontade de ser governador de Minas,
11:30mas também flerta agora com a cadeira
11:33com o do Supremo Tribunal Federal.
11:36Agora, a gente também tem outros nomes
11:39da política mineira,
11:40que também estão se movimentando
11:42e que são importantes.
11:44Agora, me parece que, para o Novo,
11:47seria muito importante
11:48que Zema conseguisse ocupar
11:50uma das cadeiras no Senado Federal,
11:53porque isso faria uma enorme diferença
11:56para o partido,
11:56que ganharia mais robustez,
11:58mais presença nacional
12:00e talvez Zema conseguisse,
12:02com essa candidatura ao Senado,
12:05conseguir puxar uma bancada
12:07de deputados federais,
12:08que seria muito importante
12:10para o Partido Novo.
12:11Afinal de contas, os partidos,
12:13eles não podem viver somente de ideologia,
12:15eles têm que descer
12:16para a arena da realidade política
12:18e entender que eles precisam fazer deputados,
12:21porque fazendo deputados
12:22você vai ter mais verbas de financiamento
12:27e agora o Novo,
12:29ele já recebe fundo eleitoral
12:31e fundo partidário,
12:32algo que ele não fazia
12:34no começo do seu caminho.
12:37Então, o Novo vai precisar fazer deputados,
12:40ele vai precisar criar robustez
12:42e me parece que talvez
12:43uma candidatura a presidente,
12:45no momento que você tiver
12:47uma outra candidatura muito forte,
12:50se tiver esse cenário
12:51que eu desenhei,
12:52que se coloca de uma união,
12:55de uma centro-direita
12:56em volta do Tarcísio,
12:57me parece que a candidatura
12:59de Romeu Zema
13:01seria uma candidatura
13:03que perderia fôlego já de começo
13:06e que seria muito mais importante
13:08o Novo participar estrategicamente
13:11desse pleito,
13:11fazendo uma boa bancada em Minas Gerais
13:13e garantindo uma vaga
13:16que Zema praticamente tem
13:18na manga
13:19para o Senado
13:21por Minas.
13:23Cientista político
13:24Márcio Coimbra,
13:25mais uma vez obrigado pela atenção
13:26conosco aqui da Jovem Pão.
13:28Bom fim de semana,
13:29voltaremos a nos falar.
13:31Muito obrigado,
13:32Thiago Villela,
13:33um bom sábado
13:34para todos os telespectadores
13:36da Jovem Pão
13:36que nos acompanham.
13:37Até logo.
13:38Muito obrigado.
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