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DEMOCRATAS CONQUISTAM AS DUAS CASAS

As eleições de meio de mandato dos Estados Unidos, as chamadas midterms de 2026, provocaram uma mudança importante no Congresso americano.

O Partido Democrata conquistou o controle da Câmara dos Representantes e do Senado, impondo uma derrota eleitoral ao presidente Donald Trump e ao Partido Republicano.

Estados como Texas, Maine e Kansas registraram vitórias democratas em disputas importantes.

O resultado pode dificultar a aprovação de projetos do governo Trump e ampliar a fiscalização da administração federal. A eleição também marcou a chegada de Abdul El-Sayed ao Senado, como primeiro senador muçulmano dos Estados Unidos.

Entenda o peso da economia, do custo de vida e da guerra no Irã na votação, além da reação de Elon Musk.

Reprodução/SBT News

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Transcrição
00:00A gente retoma a nossa programação aqui no Poder Expresso falando de eleições americanas.
00:05O presidente Donald Trump sofreu aquela derrota histórica nas eleições de meio de mandato dos Estados Unidos.
00:10Os democratas conquistaram o controle da Câmara e também do Senado, com vitórias até em estados tradicionalmente republicanos.
00:19E a apuração ainda continua em algumas regiões, mas a nova maioria do Congresso já está definida.
00:25Para falar mais sobre esse resultado, claro que eu não estou sozinha.
00:29O nosso editor de assuntos internacionais, o Acácio Filho, está aqui comigo, me dando sustentação, me ajudando a entender essas
00:36eleições.
00:37Você está bem? Boa tarde.
00:38Estou bem, Lívia. E você, como vai?
00:40Eu estou melhor hoje. Está vendo que eu estou em pé?
00:42Tenho certeza que quem está em casa e ontem nos assistiu deve estar se perguntando por que ontem ela estava
00:47o tempo todo sentada e hoje está em pé.
00:50É porque hoje eu estou melhor. Não está tão bem ontem.
00:52Está mais energizada.
00:53Mas eu fiz questão de vir porque está pegando fogo as eleições nos Estados Unidos, as articulações aqui da política
00:58brasileira.
00:59Eu falei, eu vou do jeito que eu estou, porque eu vou conseguir chegar até o final desse jornal.
01:04Um dia histórico, tem que estar bem.
01:06Um dia histórico.
01:07Fiz questão de estar aqui hoje.
01:08Mas vamos lá então, Acácio.
01:10O primeiro senador eleito no Texas desde 1988, o James Talarico, afirmou que a vitória foi conquistada mesmo contra centenas
01:18de milhões de dólares investidos no adversário, né?
01:24E centenas de milhões de dólares investidos no adversário dele, que foi o Ken Paxton, o Talarico é quem ganhou,
01:32é o que é quem ganhou no Texas.
01:34O Talarico ganhou no Texas foram centenas de milhões de dólares, foi o Estado que talvez no último mês o
01:41presidente Donald Trump mais foi fazer comícios.
01:44No último mês o presidente Donald Trump tinha feito três comícios só no Texas.
01:49E mesmo isso não foi o suficiente para manter a hegemonia no Estado, que não elegia um senador democrata há
01:57mais de 30 anos.
01:58Há quase 40 anos, há 38 anos, o Texas não elegia um governador democrata e o Texas não é o
02:04único Estado dessa lista.
02:06O Texas não elegia um senador democrata há 38 anos, elegeu agora.
02:11O Maine não elegia também um senador democrata há 38 anos, elegeu agora.
02:16O Kansas não elegia há mais tempo, há mais que o dobro.
02:19O Kansas não elegia um senador democrata há mais de 90 anos, elegeu um senador democrata agora.
02:26As pesquisas já indicavam que o partido republicano tinha o controle das duas casas, o partido do presidente Donald Trump
02:33tinha o controle das duas casas ameaçados na eleição de meio de mandato.
02:38Mas não se esperava que fosse uma vitória tão grande, uma vitória esmagadora.
02:43A palavra é essa.
02:44A gente talvez, a expectativa é que hoje a gente não estivesse conversando ainda sobre a vitória esmagadora dos democratas.
02:51Era a nossa expectativa, né? De demorar um pouquinho para se chegar a essa conclusão.
02:55Que talvez esses números fossem um pouco mais apertados, um pouco mais acirrados e mesmo que os democratas conseguissem o
03:01controle,
03:02que não fosse de uma forma tão acachapante quanto foi agora.
03:05Eles já têm 10 cadeiras a mais no Senado.
03:09Imagina só, eles entram nessa disputa com 3 cadeiras a menos, entram com 47 contra 51 e já estão com
03:1710 cadeiras a mais que os republicanos.
03:20Na Câmara, que é a casa que costumeiramente o presidente em exercício nas midterms perde, o seu partido costuma perder
03:30cadeiras, eles perdem uma média histórica de 20 e algumas cadeiras.
03:38Essa é a média que se espera que um presidente perca de assentos na Câmara dos Representantes, como é chamada
03:46nos Estados Unidos, nas eleições de meio de mandato.
03:49O presidente Donald Trump e o partido republicano já perderam muito mais de 20 cadeiras.
03:53Estão chegando a um pouco mais de 40 cadeiras.
03:56Nas duas casas, né?
03:56Nas duas casas, então essa eleição de meio de mandato marca realmente, as midterms são plebiscito para saber o que
04:05a população do país acha desse mandato do presidente.
04:08E o Donald Trump foi amplamente reprovado.
04:11Essas urnas mandam um recado de que a população não está satisfeita.
04:17E isso foi gerando as manifestações, as respostas, né?
04:21A gente tem algumas manifestações, a manifestação do presidente Donald Trump, aí já deixa muito claro, né?
04:28Postou o bonezinho, ele gosta dessa linguagem dos bonezes, ele usa o boné do Maga, agora ele usou o boné
04:34postando na sua rede social o boné do veto.
04:38Ele já tinha falado que ia começar a vetar tudo que era projeto que saísse do Congresso, dos democratas.
04:43Então, ele fazendo essa provocação, mostrando qual que é o boné que ele deve usar nesses dois últimos anos de
04:50mandato.
04:51Porque a Casa dos Representantes, a Câmara dos Deputados nos Estados Unidos e o Senado, eles são importantes não só
04:59para tocar o governo, mas eles têm também os seus privilégios.
05:02Por exemplo, o Senado é o responsável por aprovar todo tipo de cargo que o governo indica.
05:09Seja juízes, sejam procuradores, isso tem que ser aprovado pelo Senado.
05:13Como aqui no Brasil, né?
05:14Exatamente, faz a mesma função parecida com o Senado brasileiro.
05:17Essas indicações governamentais têm que passar por lá.
05:20O presidente Donald Trump já perde esse poder, não vai mais poder indicar um nome que desagrade totalmente os democratas.
05:28Negociar.
05:28Na Câmara, tudo que é dinheiro passa pela Câmara ou sai da Câmara.
05:32Imposto só pode ser criado se ele sai da Câmara dos representantes nos Estados Unidos.
05:37Então, essa política fiscal do presidente Donald Trump também vai perder um pouco do domínio que ele tem.
05:44A Câmara, os representantes querem ir para cima das tarifas.
05:47Algumas tarifas foram impostas com o Donald Trump usando os privilégios que ele tem, como a investigação do setor 301,
05:56que é o que inclusive cai aqui sobre o Brasil.
05:58Isso não é prerrogativa da Câmara, é do Executivo.
06:01Então, essa ainda vai ser mantida.
06:02Mas com essa avalanche democrata que aconteceu no Congresso, com certeza o presidente Donald Trump vai ter dificuldades para tocar
06:11a política dele da forma como ele vinha tocando até aqui.
06:14Nós tivemos também outros marcos históricos para além dessas viradas nesses estados que você citou depois de muitas décadas.
06:20Por exemplo, o primeiro senador muçulmano eleito, o democrata Abdul El Saeed, ou Saeed, destacou que a religião dele não
06:29é a culpada pela alta dos preços.
06:31E aí também um marco histórico em relação a ele que nós tivemos, né?
06:35Isso, um islâmico, o Abdul El Saeed, é o que manteve a cadeira democrata no Michigan.
06:41E ele já tinha sido muito insultado pelo presidente Donald Trump por conta dessa religião.
06:47Já foi chamado, inclusive, de jihadista pelo Donald Trump, que são os islâmicos mais radicais, que acham que eles têm
06:54que conquistar os objetivos através da guerra, através da batalha.
06:58Então, o Abdul El Saeed foi muito alvo do presidente Donald Trump na reta final dessas eleições, ainda mais quando
07:06ele estava proeminente de que ia ganhar cadeira no Michigan.
07:08E aí, depois da vitória, ele, inclusive, falou, a gente tem um trechinho do Abdul El Saeed aqui falando, vamos
07:15passar para quem está em casa poder ver o momento que ele responde ao presidente Donald Trump e essas críticas
07:20contra a religião dele.
07:24Eles poderiam ser apontados ao meu nome e à minha fé, mas todos sabemos que meu nome e minha fé
07:28não são a razão de que você não pode pagar seu gás.
07:30Não é a razão de que você não pode pagar seus negócios.
07:33Não é a razão de que você não pode ver um doutor.
07:37E aí, além do El Saeed, que foi uma dessas vitórias emblemáticas, a gente também tem o primeiro senador eleito
07:43no Texas, o Talarico, como a Lívia já tinha adiantado.
07:47A gente também tem um trechinho de uma fala dele depois da vitória dele no Texas, que encerrou um jejum
07:53democrata no Estado de mais de 30 anos, quase 40 anos.
07:56Nós foram os mais discursos nesta corrida.
08:01Nós pomos contra quase 40 anos de dúvida e desilusion Paraná.
08:06Nós pomos contra mais de 300 milhões de dólares, mais de qualquer campanha de senado na América em história.
08:13Nós pomos contra todas as informações negativas, campanhas e campanhas, bota-bota-bota-bota-s e AI de fixos que
08:19o dinheiro pode achar.
08:21Esses atacos eram os finales de um estabelecimento morto.
08:50Então, ele consegue ser progressista, mesmo sem sair dessa ala mais conservadora do ponto de vista religioso.
08:58Ele acaba agradando esses dois lados.
09:00E ele fala que a gente foi contra a IA, foi contra todo esse armamento dos republicanos.
09:06O Elon Musk chegou a brincar com isso.
09:08A gente tem uma postagem do Elon Musk em que ele diz que os raios cósmicos, os raios lasers que
09:15ele usou não foram o suficiente.
09:17A gente vai mostrar aqui para vocês, lembrando que o Elon Musk foi o maior doador da campanha dessas eleições
09:23dos Estados Unidos.
09:24Ele fala, acho que meus lasers espaciais para interferir nas eleições não funcionaram dessa vez.
09:31Claro que ele não está satisfeito com esse resultado, está muito próximo do partido republicano.
09:35E usou, fez uma piada com tanto de dinheiro que ele despejou, tanto de dinheiro que ele tem à mão
09:40para colocar nas eleições.
09:41E que mesmo assim não foram o suficiente, né?
09:43É, ao que parece não, né?
09:45Agora, Cássio Filho, vamos ouvir o nosso especialista, o nosso analista de assuntos internacionais, Renato Machado chegando agora.
09:53Renato, bem-vindo, boa tarde para você.
09:56O presidente norte-americano Donald Trump reconheceu que a guerra dos Estados Unidos e Israel contra o Irã
10:02teve influência nessa derrota, que nós usamos a palavra esmagadora, do seu partido nessas eleições de meio de mandato.
10:10Mas, nas quais os democratas, inclusive, gente, é bom ressaltar, conquistaram o controle de uma forma muito significativa da Câmara,
10:20dos representantes e também do Senado.
10:23Isso significa uma mudança na postura de Trump ou não necessariamente?
10:28O que dá para a gente projetar aqui diante disso?
10:34Olá, Lívia, tudo bem? Olá, Cássio.
10:37Lívia, eu acho que é um primeiro passo, mas eu não acredito que isso indique uma mudança de postura, né?
10:43Até porque o jeito que ele fala, né?
10:46Parte disso foi por causa do Irã.
10:48O Irã foi um dos fatores.
10:50Essa última declaração para o Wall Street Journal.
10:53Ele reconhece em partes e principalmente por causa dos efeitos econômicos, mas ele, na sequência, ele acrescenta.
11:01Eu não faria diferente.
11:03Só que, por outro lado, o vice-presidente Jane Vance, esse sim, fez uma autocrítica bem forte em suas redes
11:11sociais.
11:11Ele falou, o motivo da perda foi esse.
11:15Você pode achar que perder seis anos de liderança no Senado valeu a pena.
11:20Isso é questionável.
11:21Então, a crítica do Jane Vance, eu acho que isso, sim, foi mais forte.
11:26E a forma como ela foi feita, ela mostra essa divisão interna.
11:29Até porque a gente precisa lembrar, Lívia, que o Jane Vance, as reportagens de bastidores,
11:34principalmente um livro que saiu de dois jornalistas do New York Times,
11:38mostra que ele foi contrário a essa iniciativa.
11:40Voto vencido internamente.
11:43Nunca havia externado sua crítica à guerra dessa maneira.
11:46E, por outro lado, a gente vê vários entusiasmo da guerra, como o Pete Hedges e, principalmente,
11:53Ben-Anim Netanyahu convenceu Donald Trump que seria uma boa a incursão militar nesse momento.
12:00Então, isso mostra uma pequena divisão que já ganha público, possivelmente, já pensando nos próximos anos.
12:07Dave Vance é considerado um sucessor do presidente Donald Trump.
12:12É apontado, junto com Marco Rubio, secretário de Estado, como os dois favoritos para sucederem a Donald Trump pelo lado
12:20dos republicanos.
12:21Então, é um ponto a se observar nos próximos dias.
12:25Agora, não tenha dúvida que a guerra no Irã foi o ponto central.
12:29Claro, o ponto central foi a economia.
12:30Foi o aumento do custo de vida.
12:33Mas parte desse aumento está ligado com a guerra no Irã, principalmente relacionado com o aumento do preço dos combustíveis,
12:40desde o fechamento do Estreito de Hormuz.
12:42E isso a gente vê em vários estados.
12:45A Alasca, por exemplo, onde eles correm o risco de perder mais uma vaga do Senado.
12:48A Alasca, um pouco mais demorada, mas a candidata democrata está levemente à frente.
12:55Só se chega lá de navio alta, do preço dos combustíveis, impacta enormemente o preço dos alimentos e de todos
13:04os bens que chegam ao Alasca.
13:07Então, esse é um retrato.
13:10Não tem como Donald Trump fugir disso.
13:12E a gente precisa lembrar da frase dele antes das eleições, que era
13:17finjam que meu nome estava nas cédulas.
13:19Mas o que parece é que os eleitores seguiram o conselho dele,
13:23encararam como se ele fosse o candidato concorrendo e impuseram essa grande derrota.

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